Marés do Tempo
1 Capítulo 1 - O capitain Smith
Eu sou o capitão Smith, e eu sobrevivi a Era dourada dos piratas, e a todas as outras, estive em todos os mares, de todos os lugares, inclusive nos mares do céu. Controlo as marés dos tempos e das estrelas, e conheço a fundo a mente dos homens, e meu maior problema é... eu ter topado meu dedinho na cômoda esta manhã, na minha cabine.
-Aaaarrgh!- gritei de dor e agonia,meu amigo lionel gritou de lá do corredor em resposta: -Argh capitão!- ele nunca saberia que meu dedinho estava a ponto de explodir de dor, e que esta fora a real causa do meu grito.
Calcei minhas botas e vesti a sobrecasaca, vesti os adereços e a faixa preta em minha cintura, peguei minhas armas e, ainda mancando pelo meu dedinho ferido, saí ao corredor que levava ao convés.
Cumprimentei meus companheiros no caminho, disfarçando a dor e tentando parecer um pirata mais cruel e poderoso do que realmente parecia.
Eu era o capitão, e, embora fosse um dos mais fortes da tripulação, não impunha tanto respeito quanto era o normal, talvez por ser amigável demais, bonsinho demais, gentil demais, meus homens me seguiam mais por amizade do que qualquer outra coisa.
Eu era um rapaz, não sei quantos anos tenho (não, não é uma besteira, vocês entenderam) tinha cabelos castanhos, pele clara, maus olhos eram um verde (o esquerdo) e um castanho( o direito), era relativamente alto e forte, e uma leve barba acinzentada cobria parte do meu rosto parecia mais nevoa do que realmente uma barba, de tão leve e clara que era, mas era bem perceptível. Fora isso, o que me distinguia dos outros eram minhas roupas e minhas maneiras, eu era atrapalhado e, com grande frequência, tendia a ser extremamente lerdo.
Cheguei ao convés e respirei o ar a bordo do Fade to Black, nosso grande navio, que era na verdade uma fragata militar inglesa do sec XVIII roubada e incrivelmente aprimorada, com motores, uma cúpula externa,revestido de metais como bronze, prata e ouro, pressurizado, com armas modificadas e com um sistema de navegação de controle temporal, ainda não entendido completamente, roubado no sec XX, no triangulo das bermudas, aquele dia foi loco.
Estávamos agora navegando por um mar azul como o céu, mas não faço ideia de onde, e não duvidaria que fosse no fim do mundo, realmente, pois eu adoro aquele lugar.
Johnattan apareceu ao meu lado, avisando que havia acordado tarde demais para navegarmos nos céus da galáxia, e teríamos que esperar o solstício do ano que vem.
-Mas isso é um absurdo, johnattan! Eu espero duas eternidades para poder chegar ao solstício de 1945 e poder pegar o canal espacial, e eu acordo atrasado?-
-Eu sei, mas não fui eu que fui dormir tarde ontem pensando nas venezianas que encontramos semana passada.-
Eu estava realmente deprimido com isso, mas concertei-me logo, as venezianas valeram a pena.
-certo, mas onde vamos agora?- mas eu sabia, eu queria aventura.
Alguns minutos depois.
-Desfaçam a cúpula energética! Liguem os motores atômicos! Ativem os reguladores temporais novos e me deem comida! Pois hoje vamos pegar as marés do tempo novamente, Homens!-
-E mulher.- cortou-me alguém. Olhei para trás, vi o reflexo de uma garota, sorridente, bonita e... desapareceu, como se fosse de vapor.
Fiquei paralizado com a visão, deveria ser um print de algum tempo desconhecido, ou uma impressão de um passado futuro, eu não sabia, e as marés do tempo escondiam infinitos mistérios, que só mesmo elas poderiam resolver.
Navegávamos pelas ondas do tempo agora, nosso navio cruzava as desde os romanos as civilizações estelares, eu não sabia onde iria parar, essa era a graça.
Depois de um tempo o tempo pareceu mais denso, reconheci que estávamos chegando, para passar pelos tempos, é preciso estar em todos ao mesmo tempo.
-É agora, companheiros, segurem-se!- eu gritei, segurando-me com toda a força no timão.
Uma tempestade de coisas choveu em nosso campo de força, um rio imenso como um mar ocupava o espaço, um rio com relógios, ursinhos de pelúcia, fotos, animais, símbolos, armas, paisagens como cemitérios e campos, um rio da vida e da morte, passagem necessária para se chegar as marés do tempo, o rio estige.
Nossa travessia mudou, tudo escureceu e se contorceu, pequenos pontos surgiram no horizonte, estrelas e constelações se formaram, estávamos no espaço, nosso sistema já transformara nosso navio numa espaçonave. –Johnattan, a luneta.- ele me deu, na verdade tacou-a levemente em minha cabeça, eu ignorei.
Olhei as estelas ao redor, vi uma forma, que não era um planeta, nem uma estrela, mas uma nave espacial, e decidi verificar. Era relativamente grande, capacidade para cerca de quinhentas pessoas, feita de ligas de metal e fios de ouro para captação de energia interestelar, tecnologia relativamente avançada, meados do sec XXX.
-Sigam para aquela nave! Estejam prontos para tudo, companheiros, uma mão na espada e a outra livre para apertos, preparem-se para a aventura, lads!- (aaaeeew!)
Em algum tempo estávamos desembarcando pelo corredor da estação de embarque da nave, parecia uma nave de reconhecimento, um busque insígnia, deveria vir a frente de uma frota.
Encontrei um terminal no final do corredor e vi que estavam me observando de lá.
-Eu desejo falar com o capitão! Simplesmente por informações. Sem tendências agressivas, podem confirmar. Sou o capitão da Fade to Black, desejo dados de reconhecimento.
Com minha mente, traduzi para o entendimento mental de qualquer língua existente, sim, eu podia fazer isso.
Uma porta se abriu, eu e mais cinco amigos e amigas entramos e seguimos pelo corredor, eu seguia meus instintos para chegar a cabine do capitão. (embora houvesse uma grande placa na porta que dizia: cabine do capitão).
Subimos até o patamar mais alto do navio, onde havia mais uma porta com um terminal, desta vez nem tive que abrir, ela abriu sozinha.
Havia uma mesa, bem grande, com varias pessoas, que nos aguardavam, percebi que estavam armados com lazer e sectum, terrivelmente letais. O capitão era um homem de feição inteligente, com várias medalhas expostas em sua sobrecasaca típica em um brasão estava escrito:
F.R.E e I.I.G (Força de Reconhecimento Terrestre e Inteligência Interplanetária das Galáxias)
Apresentei-me mentalmente, percebi em seus sentimentos sua surpresa ao meu pequeno dom, eu lia mentes e sentimentos, interpretava pessoas e situações, eu era um Vidente, até certo ponto, claro.
Fiz com que ele tivesse completa consciência de tudo que estava acontecendo, o que tranquilizou-o, ele tinha bom caráter, mas nem todos na sala tinham...
-Certo, capitain Smith- Disse ele com certo sotaque francês- estamos em uma missão de reconhecimento, como o senhor previu. Este é nosso busque insígnia, o Monkey VII, estamos analisando esta região, por conta de boatos sobre a ocorrência de um buraco de minhoca.
-Interessante, capitain Jaques, estou viajando pelo mesmo motivo, sou arqueólogo e esta é minha tripulação (ocultei com barreiras mentais quase imperceptíveis o fato de sermos piratas, como ele estava tranquilo, nem chegou a reparar.)estou registrando a historia geral do universo, e esta região parece ter tendências a tornar-se um belo ponto de pesquisas, pois, como sabe, buracos de minhoca guardam imensas riquezas, ( o bloqueio mental vacilou) e podem vir a ser tremendamente importantes em nossas pesquisas sobre a historia universal, o senhor já descobriu algo?
-Sim, encontramos peças de ouro, prata, adamantium e titânio pela região, alguns objetos domésticos e algumas evidencias de gerações passadas.
-Isso é muito interessante, capitain, agradeço a ajuda, monsieur, agora estamos partindo para o local, agradeço sua atenção.
-Não, monsieur, gostaria que aguardassem identificação, pois os senhores, apesar de parecerem inofensivos, são incrivelmente suspeitos, façam o favor de encaminharem-se ao salão militar para a identificação geral.
Eu ri.
-Nunca acharão identificação nossa, somos piratas, e, de quebra, viajantes do tempo, agora, façam-me o favor de ficarem quietos enquanto pegamos suas “descobertas”, isso não pertence ao seu tempo, e garanto-lhes que tenho belos motivos para ficar para mim.-
Quebrei o bloqueio mental, diante da surpresa, desembainhei meu sabre elétrico e minha pistola de sectum.
-Fiquem tranquilos, vocês não estariam vivos hoje se eu não fizesse isso...-
Atirei no portão, abrindo-o, e eu e meus companheiros corremos ao vagão de carga, pois eu sabia onde ficava, havia roubado os mapas da sala do capitão, e as senhas de sua mente.
A nave tinha muitos corredores, com muitos quartos, tive que evitar todos e seguir direto pelo central, parando sempre que sentia uma ronda de guarda e nos escondendo, utilizamos anéis holográficos para cobrir e ocultar nossa forma física e, por sorte, eles não sentiram nossa presença.
Sem mais impedimentos, pois evitei as rondas de guardas, entramos no vagão de carga, usei o teleporte molecular (proibido em pessoas pelo risco de morte) para transportar a carga a minha nave e estávamos prontos para sair, quando...
Estavamos cercados, cerca de cem soldados invadiram a sala, pois eu esqueci de trancar as portas. Eles demoraram um pouco para notar minha burrice, o capitão estava tentando invadir pelos dutos de ar quando um dos guardas falou: capitain... acho que eles deixaram a porta aberta...
-Achou que escaparia tão fácil, bucanieur? Nunca subestime um capitão da Inteligência interplanetária das Galáxias! –
Eu dei um sorrisinho.
-Então, acho que Eu não posso fazer mais nada- larguei o sabre no chão- Espero que aqui no sec XXX as punições sejam leves, e hajam direitos para os piratas- Ri um pouco- Mas senhor... você pegou nós cinco, mas não nos conhece, quais são seus argumentos? Mentir para um oficial? Falei toda a verdade!-
-Vocês são piratas!- disse, meio confuso, o capitão. Eu ri.-Sim, somos, mas não no seu tempo, não pode nos prender, e sabe disso.-
Andei até o capitão aturdido, os guardas e os políticos que o acompanhavam levantaram as armas. Titubeei, mas continuei, chegaram mais guardas, fizeram outro circulo, alguns se posicionaram atrás dos políticos.
-E o senhor também sabe- Disse, sorrindo de um lado só- Que nos somos homens mais honestos do que todos estes políticos aí.-
O político mais perto reparou que o capitão estava convencido e iria nos libertar, e virou a arma para ele, colocando-a em seus ouvidos, um puxão no gatilho e o capitão viraria uma poça de sangue.
-Imbecil, como é que você faz isso, hã? Como você pode controlar a mente do capitão dessa forma? Hã?
-Se chama verdade.-
Ao meu sinal, os novos guardas tiraram as roupas holográficas, revelando-se nossa tripulação, e renderam todos os que estavam na sala.incluindo o que estava rendendo o capitão.
-E o senhor não conhece essa bela palavrinha, não é? Louis Cardense? Ladrão de historia e das vidas alheias?- disse eu, sacando minha pistola, virei-me para o capitão assustado.
- Espero que siga seu caminho capitão, torne-se presidente da milícia de Honra e limpe essa galáxia, e então eu não terei mais que fazer esse tipo de coisa-
E atirei. O político já não roubaria mais. E eu continuaria minha aventura.
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