Manto Negro
6 Capítulo VI
Depois de quase 8 horas de viajem, chegamos em Medoz, a capital do país, um lugar enorme, com arranha-céus que escureciam as ruas, becos que pareciam labirintos. Paramos a caminhonete em uma casa, simples e pequena, um rapaz moreno e baixo apareceu para nos receber.
— Matt, algo novo? — Vladimir desceu do carro e o saúdo.
— Tudo segue como antes, conseguiu mais mutantes? — Perguntou
Ele olhou para a caminhonete, e me fitou. Não sorri ou acenei para aquele homem desconhecido de sorriso amarelado, apenas dei de ombros.
— Quem é? -
— Uma garota que salvei — Respondeu
— Sempre fica com as bonitas, não é? — Falou rindo
Não gostei nada desse comentário, não é porque Vladimir me salvou que eu abriria minhas pernas pra ele, ou ficaria encantada com aquele homem grande, forte e de sorriso ameno.
Kurt e Hazel desceram do carro, ajudei as gêmeas a descer e logo depois entramos na casa, que tinha pouquíssimas mobilhas.
— Vamos viver aqui? — Perguntei olhando ao redor
Kurt afastou o tapete do chão, e abriu um alçapão, uma escada velha nos esperava. Vladimir fez seu punho ficar em chamas, iluminando o caminho, ele desceu e fomos atrás, as gêmeas se agarraram na Hazel, que pediu ajuda ao Kurt.
A escuridão pra mim era quase minha amiga, enquanto todos precisavam de uma lanterna, minha visão ficava em preto e cinza, podia ver tudo.
— A quantos anos isso existe? — Perguntei observando minha voz ecoar pelo longo corredor
Parecia uma escavação, era úmido e não estava conectado ao sistema de esgoto.
— A séculos, um mutante escavou para poder entrar e sair da cidade com facilidade — Vladimir respondeu
Existia diversos caminhos, todos levavam para alguma parte da cidade, por mais que eu pudesse enxergar qualquer canto que a escuridão alcançasse, me dava dor de cabeça tentar entender esse sistema.
— Esta ligado a toda cidade? como não se perdem? — Perguntei
— Existe um mapa, mas estou tão acostumado a percorrer o mesmo caminho que já não preciso usar. — Respondeu — E como você sabe que liga toda cidade?
Não queria jogar na mesa tudo o que eu podia fazer, até porque não sabia quais eram suas intenções, assim que acabei omitindo.
— Não sei, apenas vi todos esses caminhos e imaginei que poderia ser isso... — Respondi
Senti minha orelha queimando, isso acontece sempre que minto.
— Já ouviu falar do Hospital Zyon? — Kurt se intrometeu
— Não é o hospício abandonado? — Perguntei
— Não esta abandonado, é assim que queremos que os humanos pensem — Kurt respondeu
— Já vi uma foto em um livro da escola, dizem que ninguém consegue tomar posse do edifício pois esta sobre patrimonio publico. -
— Ele esta de pé muito antes desses tuneis, foi construído para proteger pessoas como nós. — Explicou
— E como, tantos peculiares podem ficar escondidos nesse lugar sem ser visto? — Perguntei
— Isso não sabemos explicar, mas acreditamos que existiu um mutante que podia reverter a realidade, e o usou isso para camuflar esse lugar. Por fora um hospício abandonado, por dentro um palácio cheio de mutantes — Kurt contou
Minha mente não podia imaginar isso, talvez fosse um absurdo grande de mais até pra alguém com poderes, mas não significa que eu desacreditava porque depois de hoje, acredito em tudo.
Chegamos perto de uma escadaria de pedra desgastada com o tempo, Vladimir abriu as portas e a luz do dia me cegou por longos segundos.
Antes mesmo dos meus olhos se acostumarem com a luz, podia ouvir gritos de crianças, alguém corria desesperadamente, pessoas conversavam. Quando pude enfim enxergar com mais clareza vi que saímos em um pátio verde, cheio de peculiares que demonstravam seus poderes de diversas formas.
— Vlad! finalmente voltou da expedição, como foi? — Uma garota de cabelo curto e azul se aproximou
— Blue, foi como antes, resgatamos mais alguns peculiares, mas a situação do Carniceiro continua a mesma — respondeu
Vi a animação da garota se esvaindo depois dessa resposta. Os dois seguiram a frente do grupo, conversando baixo e rindo um pouco.
— Henry, por favor, mostre para os novatos como funciona a Casa — Kurt pediu
Sem despedidas, Kurt e Hazel seguiram Vladimir e Blue. Fiquei curiosa sobre o que conversavam exatamente, o que o Carniceiro tinha que só podia ser compartilhado entre eles?
Henry mostrou primeiro o quartos das gêmeas, que ficaram maravilhadas e logo fizeram novas amigas e foram fazer coisas de criança peculiares.
— Entrou sobrou você — Comentou sorrindo
Ele me guiou até meu quarto, tinha uma cama de cada lado.
— Quem é minha companheira? — Perguntei
— Acredito que nesse quarto seja a... Leona — Respondeu sem certeza — De qualquer forma, vai descobrir logo
Me guiou até o salão principal, biblioteca, refeitório e depois me mostrou mais a fundo o patio, aonde você podia usar seus poderes.
— Peço que se for usar, seja cuidadosa e não machuque ninguém — Informou
Notei um circulo fechado de pessoas, dentro do circulo duas pessoas lutavam.
— O que ta acontecendo? — Perguntei ao olhar aquilo
— Ah sim, acontece muito. Por incrível que pareça, estão praticando a autodefesa sem usar os poderes — Respondeu
— Certeza que não estão se matando? -
— É importante você saber lutar sem usar suas habilidades — Retrucou
Eu observei assustada, duas garotas lutavam, uma delas tinha o rosto vermelho de sangue, enquanto a outra quase não aguentava em pé de tão cansada. De repente, a que estava com o rosto sangrando ergueu a perna e acertou o rosto da outra, que despencou no chão.
— A que deu o chute, é a Leona -
Leona, devia ter quase 1,80 de altura, seu cabelo era como fogo de tão ruivo. Em sua comemoração, vi seus braços soltarem pequenas cargas elétricas.
Agradeci ao Henry por me apresentar o lugar, queria conhecer mais, porém precisava tomar um banho e dormir de verdade, assim que voltei ao meu quarto e me livrei de todo o sangue seco e suor que estava impregnado no corpo e deitei na cama, adormeci em questão de segundos.
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