Mansio Infernalis
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Mandem por favor as suas dicas para os próximos acontecimentos!
Kesabel entrou na minha frente e a empurrou com as duas mãos. Agora era o momento.
Aquele lugar era imenso, muito maior até que a sala de reuniões de Éden. Tanto o chão quanto as paredes eram de pedra. Haviam como se fossem assentos nas paredes, onde se encontravam milhares de anjos caídos olhando na minha direção com um olhar de desconfiança. Não me senti incomodada com seus olhares, pelo contrário, eu entendia. Entedia o quanto era difícil acreditar em um Anjo Superior quando se é um Anjo Caído, afinal eu sou o braço direito de Deus… pelo menos era. Mas quem poderia provar para eles que eu não era um informante de seus planos?
Começamos a andar pelo salão para acharmos um lugar para sentar. Olhei para o lados e tentei achar alguma mulher com uma roupa parecida com a minha, mas nada. Olhei para Kesabel e este se encontrava com um pequeno sorriso de canto em seu lábios. Droga…
– Kesabel. — eu disse em tom baixo.
– Sim? — Ele ainda continuava com o sorriso.
– Por caso foi você que escolheu esta roupa para mim?
– Sim. Você gostou? — Perguntou ele agora aumentando mais o seu sorriso.
– Quer as minhas sinceras respostas? — Disse um pouco irritada.
– É o que eu mais quero. — disse fazendo uma voz sedutora. Ele era mesmo um idiota.
– Eu pareço uma prostituta!
– Ei! Isso é coisa dos humanos mesmo… Da para perceber que você viveu na Terra só pelo seu vocabulário. Que feio Alethia. — Disse apontando o dedo para mim. Quem ele era para fazer isso? — Não se preocupe que aqui você não será chamada de prostituta, afinal os anjos caídos não tem a menor idéia do que seja isso.
Não quis responder nada, e ele também não se importou em querer ter uma resposta.
Continuamos andando. Agora conseguia-mos ver bem no final da sala um cadeira enorme cheia de caveiras esculpidas. Nela se encontrava um homem loiro que tinha grandes olhos cinzas penetrantes. Estava sentado de forma desleixada com seu corpo jogado levemente para a esquerda, suas pernas estavam cruzadas, seu cotovelo estava apoiado no braço da cadeira, sua mão apoiava a cabeça e seu dedo médio estava pousado em seus lábios. Sua expressão era de total tédio. Atrás dele haviam vários anjos sentados ou deitadas no chão falando baixinho, pareciam estar reclamando de algo. Entre eles estava Lilith, a única que se encontrava em pé ao lado da cadeira e com um sorriso tão alegre que não combinava com a cena.
– Sabe como se sentar? — disse Kesabel me tirando de meus pensamentos. Ele apontava para duas cadeiras vagas na parede. Elas estavam tão alto… Teria que voar até elas, mas tinhas medo de fazer algum estrago com as minhas asas.
– Acho que sim… — disse insegura.
– Então vá na frente. Quero ver se você realmente sabe. — Ele abriu aquele sorriso de canto de boca novamente. Droga...
Abri minhas asas, e como esperado elas ocuparam um grande espaço. Se voasse até o assento com certeza machucaria as outra pessoas com a minha asa.
– Eu não gostaria que ela se sentasse ai. – disse alguém. Olhei para os lados procurando o dono daquela voz, mas nada.
– Como queiras Lúcifer. – disse Kesabel fazendo uma referencia com a cabeça.
Kesabel havia mudado o jeito de falar. Não parecia mais aquele homem pervertido. Seu tom de voz era calmo e demonstrava respeito. Fez sinal para que eu fosse até o homem com a cara de tédio, que pelo jeito era o famoso Lúcifer. Fechei minhas asas e fui em direção a ele. Os anjos que estavam atrás dele se levantaram e começaram a me encarar. Quando fiquei de frente a Lúcifer ele mudou de posição na cadeira. Agora estava com uma cara interessada.
– Fico feliz que tenha aceitado se juntar a mim Alethia. – disse ele com um certo charme na voz.
– Eu nunca aceitei a me juntar a você. Simplesmente não tive escolha. – disse séria. Ele fechou os olhos e sorrio, parecia ter se divertido com a minha resposta.
– É, eu faço as pessoas não terem outra escolha. – disse abrindo os olhos e inclinando a cabeça para o lado, aquele sorriso continuava em seus lábios. – Mas como você não teve escolha e se mostrou incomodada, irei finalmente perguntar. A senhorita gostaria de se juntar a mim em minha vingança?
Tentei me controlar, mas não consegui. Dei uma discreta risada e disse:
– Vingança é ridículo.
– Por que acha isso? – disse Lúcifer curioso.
– A única coisa que se ganha com isso é o caos e frenesi momentâneo. Quando tudo acaba, não há mais nada.
– Belas palavras Alethia. Ainda mais pelo fato de você ainda não ser um demônio.
– Como assim? – Não foi isso que Kesabel me disse – Eu já tive o sonho do julgamento!
– Do que adianta ter apenas um sonho se o que está no seu coração não muda?
O que eu tinha dentro do coração não havia mudado. Eu reclamava de que tudo aquilo era injusto, mas o que eu realmente tinha no coração não mudava, ou mudava? Aquela era uma sensação muito estranha. Eu não sabia o que eu mesma sentia. Talvez eu quisesse sair dali, ou ficar e lutar. Eu ainda não sabia. Não sabia o que responder.
– Então se eu ainda não sou um demônio e também não ganhei a sua confiança, o que quer de mim?
– Obrigado por chegar logo ao ponto Alethia – Lúcifer sorriu e continuou – Eu estive pensando em viver em uma nova e limpa terra como um novo conquistador do mundo. E tornar-me um com você.
– Mas nós anjos não somos uma fonte de impureza na sua opinião? Você não nos odeia tanto?
– Sim, mas imagine como seria se juntássemos nossos poderes, sou o mais forte de minha raça e você da sua. Sabe... se eu souber equilibrar as coisas com muito esforço, revelações surgirão. Amanhecer e anoitecer, homem e mulher, luz e escuridão... Quando estes extremos tornam-se um, eles se tornarão a existência que nosso Pai ama profundamente. – Aquilo estava me irritando. Como ele podia falar do senhor, como se fosse um amigo íntimo? Como ele podia dizer aquilo com aquela expressão serena?
– Eu sou o brinquedo para satisfazer o seu gosto vulgar? – disse eu com um certo tom indignado na voz.
– Não. Mas não importa quanto tempo passe, o destino dos anjos e demônios é empatar. Cansei disso, principalmente agora com você aqui. – Ele tinha razão. Sempre empatamos no final. Sempre buscamos alguém que nos mande ordens, mas não é sempre que tem alguém ali. Além disso mesmo o que eu tenho dentro do meu coração continuar sendo o amor, eu já tive o julgamento, terei que ficar aqui. O melhor será obedece-lo.
– Mas se você quer tornar a terra o caos, terá que convence-los.
– Isso não é problema. Você mais como ninguém deve saber que humanos são vulneráveis a tentações. Quando são forçados a caminhar pelo princípio infernal do desespero, eles irão, com certeza, pegar qualquer rota que aparecer diante deles, não importando em que tipo de teia eles irão se enrolar, não importando que tipo de pessoas sejam.
- Ótimo você saber disso. Espero que seja tão forte quanto diz, ou terá de transformar todo este ódio e tristeza que te pertencem em poder. Isso será bom para que possa seguir em frente.
CONTINUA...
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