Manos Antes das Minas

1 Turma, quero que conheçam...



Amor á primeira vista, você acredita nisso?

Se me perguntassem isso há um ano atrás, eu provavelmente não teria certeza da resposta, pois nunca havia passado por essa situação antes. Mas hoje eu posso dizer com toda certeza, que não. Eu não acredito nisso.

Meu nome é Diego Coen, tenho 17 anos. Moro na capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, e estou cursando o terceiro ano do ensino médio. Hoje é mais um dia de aula como qualquer outro, indiferente apenas por um pequeno detalhe que mudou completamente minha vida e de meu melhor amigo, James.

─Quanto você tirou? – indaguei a James.
─Menos que você, tenho certeza. – mostrou-me a prova com nota vermelha.
─Tem que dá seus pulos, cara. Ou você irá repetir de ano... De novo.
─Você acha que eu me importo com isso? – cruzou os braços colocando-os por trás da cabeça e relaxando na carteira.
─Claro que não, mas seus pais se importam. – fiz o mudar a expressão de descaso.

James e eu somos amigos desde pequenos. Nossas famílias sempre foram amigas, e assim, acabamos sendo obrigados a nos socializar, o que não foi algo tão ruim, já que hoje somos praticamente como irmãos. Ele é um ano mais velho que eu, e por isso, sempre me tratou como um irmão caçula.

Sempre que eu me metia em confusão na escola, lá estava ele. O garoto popular, estrela do time de basquete, que ninguém gostaria de entrar em uma briga. Após ele ter repetido o terceiro ano, acabamos por ficar na mesma sala. James mora com seus pais e dois irmãos, sendo ele o filho do meio. Ele e eu somos completamente diferentes... Gosto musical, popularidade, personalidade, modo de pensar e etc. Às vezes me pergunto como podemos ser tão próximos tendo tão pouca coisa em comum. Ele é popular com as garotas, um pegador nato. Já eu me contento se ficar apenas com uma garota em um ano, o que normalmente acontece. Desde que chegamos na idade de ficar com meninas fizemos um acordo: "Manos antes das minas". Nunca ficaríamos com o interesse amoroso do outro a menos que houvesse o consentimento de ambas as partes. Fizemos esse acordo e sempre funcionou, mas algo que aconteceu naquele dia poderia desafiar esse acordo.


─Classe, quero que cumprimentem a nova aluna. – isso mesmo que você leu, uma garota nova. Ela era simplesmente linda. Cabelos lisos e castanhos claros. Bem vestida, pele clara, boca perfeitamente desenhada e um olhar lindo que chamava atenção de qualquer cara.
─Que gatinha! – exclamou James que sentava na carteira atrás de mim, apoiando os cotovelos sobre a mesa e aproximando-se dos meus ouvidos.
─... – apenas concordei, consentindo com a cabeça.

Aquele dia parecia que não passava. Só pelo fato de eu olhar para ela a cada minuto me irritava. Sua beleza chamava bastante a minha atenção, e o mistério que a cercava por ser a novata, atraia a minha curiosidade.

Eu gosto de me socializar com as pessoas, principalmente quando essas são novatas. Acho que por eu ter mudado de escola algumas vezes e sentido na pele como é ser o aluno novo, sempre tentava puxar conversa pra poder tranquilizar a pessoa e, quem sabe, criar uma amizade.


─Acho que vou falar com ela. – disse James a mim durante o termino da primeira aula, olhando para ela que sentara na ultima carteira na fileira ao lado das janelas da sala. ─O que você acha?
─Ahan – não liguei muito, prestando atenção na aula que James tanto ignorava.
─O que você acha, devo ir falar com ela? – repetiu, me cutucando várias vezes, tentando chamar a minha atenção.
─Não sei, cara. – finalmente conseguiu me irritar. ─Vai ué. Por que você ta me perguntando isso? Nunca me pediu permissão para conversar com outras pessoas.
─É que eu notei o modo que você estava olhando-a. – fez um sorrisinho sacana que eu tanto conhecia.
─Como assim? – sorri me fingindo de desentendido, logo desviando o olhar do dele. ─Não sei do que está falando.
─Ahan. – inclinou-se para frente para poder abaixar o tom de voz que já incomodara o professor. ─Se quiser pegar ela é só me falar que eu não tento nada. Lembra do acordo né? Manos antes de minas.
─Pode ficar tranquilo, cara. – inclinei um pouco para o lado para observá-la, logo me deparando com a garota fitando James de longe. ─Aliás, acho que ela está interessada em ti. – bati a mão em seu ombro, pedindo para não olhar para trás naquele exato momento.
─Sério? – deu uma leve gargalhada, logo inflando o seu ego e passando a mão em seus cabelos loiros e lisos que deslizam entre seus dedos com suavidade. ─Então ela está no papo.

No final da primeira aula James foi até ela, logo a cumprimentando e puxando conversa, que durou metade da outra aula que começara. Após ter tido sua atenção chamada pela professora, ele retornou ao seu lugar com um sorriso de quem acabara de ganhar um numero de telefone... E não é que ele realmente havia ganhado.

─Olha só o que eu consegui. – mostrou-me um pedaço de papel com o numero da garota.
─Ela te passou o numero dela, sério? – espantei-me com a facilidade que ele havia conseguido.
─Não bobão, ela passou o numero da avó dela. – esfregou a mão sobre meu cabelo, bagunçando-o carinhosamente.
─E então... Como ela se chama? – esperei ele abrir a boca para me responder, logo o interrompendo. ─Não, esquece. Deixa que eu mesmo pergunte.
─Tenho um rival? – franziu o cenho, semicerrando os olhos. Logo sorrindo, demonstrando que estava apenas encenando.
─Calma mano, só quero conhecê-la. Sabe que gosto de me interagir com novatos. – sorri erguendo os braços em ato de paz. ─Mesmo se eu quisesse, não tenho chance contra você. – o fiz rir junto a mim.
─Esse seu autoestima é hilariante. – ele disse.
─Que autoestima? Se você achar me fala que eu não o encontro desde que te conheci.

Esperei até o termino da ultima aula, assim poderia conversar com ela livremente. Mas foi perca de tempo. Me desanimei ao notar um grupo de garotos a rodearem como cães sobre um pedaço de carne. Naquele momento eu só seria mais um. E eu queria conhecê-la melhor, mas aquela não era a hora adequada. Então adiei a minha apresentação.

No fim da aula, retornando para casa, como sempre, eu e James fomos pelo mesmo caminho enquanto conversávamos. Ele sempre ia para a escola de bicicleta, pois sua casa era bastante distante da escola, mas mesmo assim, sempre passava pelo mesmo caminho que eu uso para ir embora, sendo esse mais distante da casa dele, mas isso não o incomodava, sempre tínhamos algo para conversar e a conversa sempre nos distraia. Muitas vezes, com pressa e fome, ele acabava por ir até a minha casa e almoçava por lá mesmo.


─Oi tia. – James cumprimentou minha mãe ao vê-la.
─Oi Jay! (modo carinhoso que ela e os pais dele o chamavam. E até eu, quando pretendia irritá-lo, já que ele não gosta do apelido.)
─Jay não, tia. Assim você pesa pro meu lado. – jogou-se sobre o sofá, arrancando um sorriso dela.
─Então, como foi na escola? – perguntou em aberto, indo em direção a cozinha para vigiar as panelas no fogo.
─A chatice de sempre, tia. Se não fosse pelas gatinhas na minha sala eu nem ia. – disse tranquilamente.
─Que isso, garoto. Escola é lugar de estudar, não é lugar para ficar paquerando "gatinhas". – lançou um sermão típico de adulto.
─Fala isso pro seu filho. Ficou a aula toda conversando com uma garota nova. – provocou-me, olhando para mim enquanto falava, esperando a minha reação.
─Eu né. – ri, dando lhe um tapa em sua cabeça e sentando ao seu lado no sofá, retirando o controle de sua mão e trocando de canal. ─Não acredita nele não, ta mãe?
─Você acha que eu acredito em tudo que esse menino fala? Conheço-o desde pequeno, sempre foi assim. – aproveitei o momento para caçoá-lo.
─Aê troxa... "You shall not pass".
─Ok meninos, está pronto. – ela anunciou enquanto ajeitava a mesa de jantar.
─Vou começar a cobrar a comida que você come aqui, cara. – provoquei-o novamente.
─Faz isso que eu mando a conta que você tem dos almoços e jantares que você já filou na minha casa. – retrucou. ─Você deveria saber que assim que começou a ser meu amigo você teria que me alimentar, me ajudar na escola e fazer meus deveres de casa sempre que eu precisasse.
─Não tenho que trocar sua frauda também não, bebezão?
─Chega meninos, agora não é hora pra isso. – nos repreendeu , franzindo o cenho e colocando os ombros sobre a mesa e juntando as mãos, nos lembrando de agradecer o almoço em uma oração tradicional.

Mais tarde naquele dia, após James ter ido embora, deitei-me sobre minha cama com o quarto completamente escuro, sendo iluminado apenas pela luz de meu celular, que dava um leve contraste azul no teto. Enquanto ouvia minhas musicas, me peguei pensado na novata. Seus cabelos, seu sorriso e aquele olhar não saiam da minha cabeça. Ao mesmo tempo em que eu cantava desafinadamente (tenho que admitir) a letra da musica, flashes da garota passavam em minha mente. As frases que eu ouvia, coincidentemente se encaixavam com a situação, o que facilitou a entrada da garota em meus pensamentos. De repente, ouço um zumbido e logo olho para meu celular, me deparando com uma mensagem no meu "Whatsapp".

[─Oi!!!]
[─Diego, não é?]
[─Sou Lucy, entrei hj na sua sala.]
[─Peguei seu numero com o James, pois queria conversar com vc.]

Continua...

Notas finais
Então galera, esse é apenas o primeiro capítulo. Espero que tenham gostado. Segunda postarei o capítulo 2 e na próxima sexta-feira, darei sequencia.