Manos Antes das Minas
11 Na Estrada da Vida pt I
Cá estou eu narrando novamente. Sim, sou eu, James. O cara popular que tem, ou melhor, tinha um melhor amigo que é quem geralmente conta essa história. Aconteceram diversas coisas durante todo esse tempo. No começo do ano tive a boa notícia de saber que iria estudar junto de Diego e Luana. Mesmo tendo repetido de ano, eu não fiquei tão decepcionado. Pois estava contando e, por um lado, sabia que ambos iriam fazer de tudo para me ajudar. E eu demonstraria interesse.
A Lucy entrou em nossas vidas e tudo começou a desandar, eu não a culpo, mas sim a mim e Diego que não soubemos conviver com a idéia de ambos estarem interessados nela. Após Diego ter descoberto que eu e Lucy havíamos tido um caso, ele teve uma briga feia comigo. Eu nunca havia visto ele com tanto raiva. A Lu ficou de cara fechada comigo também, mas manteve nossa amizade firme.
No decorrer do tempo eu fui deixando a escola de lado, não tinha mais meus amigos ao meu lado para me encorajarem a estudar e me concentrar na escola, então eu regredi bastante.
─Turma, irei passar um trabalho em dupla e permitirei que escolhem suas duplas. – disse a professora de Português.
Viro-me para trás e encontro Diego que conversava com Lucy, logo me olha nos olhos, não dizendo nada e nem reagindo, apenas ficou me encarando. Levantei-me e fui a sua direção, parando de frente á sua mesa.
─Então cara, vamos fazer juntos? – perguntei esperando uma resposta positiva, pois sempre fazíamos trabalhos em dupla.
─Foi mal. – respondeu com um tom sério e seco. ─A Lucy já me chamou pra fazer com ela. – explicou-se, fazendo-me olhar para Lucy que confirma com um sorriso leve e um balançar de cabeça.
─Se quiserem eu faço com outra pessoa. – disse ela levantando-se da mesa ao lado dele.
─Não, ele faz com outra pessoa. – a impediu, logo encarando seu caderno e ignorando minha presença.
─Desculpa. – ela sussurrou para mim.
─Tudo bem.
Eu deveria saber que ele não ia querer sentar-se comigo, eu traí sua confiança e não sabia como conquistá-la novamente. Na verdade, eu não sabia se ele queria isso. Talvez ele já houvesse se cansado de mim, perdido as esperanças e vontade de me ter como amigo. E olha, eu o dei razão para isso. Eu não compreendi no momento que ele discutiu comigo, mas após ouvir o que a Lu disse para mim e ter re-pensado, eu fiz exatamente o que eu havia dito a ele que não era pra ter feito, mas fiz ainda pior... Eu não merecia sua amizade, nem a dele nem a de Luana... Muito menos, a Lucy.
─Iai James! – Roger veio até mim com uma cara não tão boa.
─Fala Roger, algum problema?
─Pois então cara... Como você sabe suas notas não estão muito boas e para se manter no time tem que estar com no mínimo a media... – foi o bastante para entender aonde ele queria chegar.
─Já entendi. – calei-o. ─Me tiraram do time, não é?
─Sim. – respondeu consentindo com a cabeça. ─Mas eu falei com o treinador e ele disse que se você conseguir melhorar suas notas até o final do trimestre, você poderá retornar ao time.
─Sei... – segui meu caminho. ─Obrigado, mas acho que eu não tenho mais jeito.
Após aquele dia, fui direto para um bar e bebi o máximo que podia e mais um pouco. Minha vida estava uma merda e a cada momento piorava. A escola, o time, meus amigos... Tudo estava derretendo e escorrendo pelas minhas mãos como frágeis esculturas de gelo sobre um escaldante sol de verão. Fiquei por lá até bem tarde. Apenas bebendo e admirando a lua daquela noite.
Meu celular toca. Era Carlos, um dos das minhas novas companhias. Aquelas que minha mãe tanto me dizia para evitar.
Alcanço meu celular no bolso e atendo.
─Tá aonde cara? – questionou a mim ao atender.
─To num bar... Bebendo pra carai. – respondi soluçando.
─Dá pra notar pela sua voz. – comentou enquanto ria. ─Fala o nome que vou passar aí.
Após alguns minutos ele chegou de moto, estacionou-a de frente ao bar e veio se sentar comigo.
─Sobrou cerveja pra eu beber ou você secou tudo? – indagou ironicamente.
─Se demorasse um minuto a mais correria o risco de não encontrar mais nada. – retruquei sem expressar sentimento algum.
─Porra, você ta ruim mesmo, hein! O que ta rolando? – perguntou, sentando-se à mesa e pedindo uma cerveja pro dono do bar.
─Uma seleção de coisas ruins na minha vida. Você não vai querer ouvi-las.
─Tem razão... Mas tenho algo que pode te fazer esquecer tudo isso. – sussurrou, retirando um pacote plástico do bolso com algumas pedras de cocaína. ─Ta afim?
─Não, valeu. Eu gosto da minha vida.
─Que isso cara. É só uma. Só pra você esquecer seus problemas. – insistiu.
─Isso não cola comigo, se veio pra tentar vender droga pra mim, pode cair fora.
─Não, relaxa. – guardou o pacote novamente no bolso. ─Mas se mudar de ideia, já sabe.
─Não se preocupe, não vou precisar disso. Pode contar com isso.
Os meses foram passando rápido, e quando eu me dei conta, já estávamos em Novembro e minha turma já estava falando da festa de formatura que, provavelmente, eu não seria convidado, já que não iria passar.
Diego estava radiante, parecia estar bastante feliz sem mim. Já eu, não podia dizer o mesmo. Eu estava igual á um mendigo. As poucas vezes que ia á aula, eu não fazia praticamente nada e dormia em todas as aulas. Lucy parecia ter feito amizade com Diego, estavam quase sempre juntos, dividindo fones de ouvido e lendo livros juntos na biblioteca. A vida dele estava perfeita, mesmo sem a minha presença.
***
Finalmente era final de ano, a melhor parte afinal... Minhas notas estavam mais que ótimas e eu já tinha passado na maioria das matérias, me permitindo vagabundar nos últimos meses letivos. No decorrer desses meses, eu e Lucy começamos a nos conhecer melhor e, adivinhem, tínhamos várias coisas em comum. Estilo musical, livros e series de tevê preferidos e gêneros de filmes. Parecia que um havia sido feito pro outro. A Lu havia superado a decepção com seu noivo e estava sempre ao meu lado. Exceto quando eu estava junto da Lucy, ela sempre desviava e mudava o caminho quando via que ela estava conversando comigo. Eu não sei o porquê, mas acho que ela não vai muito com a cara da Lucy. Durante esse tempo eu o mantive sem conversar com James, admito que senti sua falta, mas eu estava feliz mesmo sem sua companhia. Quando alguém fica distante de mim por uma razão escolhida por ela ou ocasionada por um fato crucial ocasionada por ela, com o tempo ela vai perdendo a importância na minha vida até que chega uma hora que ela se torna um desconhecido. Um nada. Torna-se aquelas pessoas que você sabe que está ali, mas não faz nenhuma diferença. Claro que eu não estava achando aquilo dele, não seria tão fácil esquecer uma amizade de anos, mas estava começando a funcionar.
Fui à aula naquele dia e tinha poucas pessoas ainda na sala. Passei por James, que deitado e babando sobre sua mesa. Alcancei Luana e fui a sua direção, sentando ao seu lado.
─Então, já tem um par pra festa de formatura?
─Eu nem sei se vou. – bufou, fazendo um leve bico.
─Como assim?
─Sei lá, eu estava planejando ir com o Julio antes de... Mas agora, não tem ninguém que queira ir comigo.
─O que você quer dizer com “não tem ninguém que queria ir comigo”? Esqueceu que eu existo? – fingi estar bravo.
─Não, não é isso. Eu até pensei em te chamar, já que são as meninas que têm que fazer o convite. Mas é que eu sei que você quer ir com outra pessoa, então não quero estragar a sua festa sendo um encosto.
─Ei, ei... Quem te disse que você é um encosto? Tá me ofendendo, garota. – coloquei minha mão sobre seu delicado queixo, direcionando seus olhos aos meus. ─Se você for comigo, não será por piedade minha, e sim por que eu desejo a sua companhia. Você esteve sempre ao meu lado, então não vou te deixar em casa comendo um enorme pote de sorvete, assistindo um filme romântico depressivo enquanto engorda feito uma porca faminta. Você vai comigo e ponto final.
─Porca faminta? – semicerrou os olhos. ─Esse é você tentando me colocar pra cima?
─Era essa a intenção, mas não sou muito bom em discursos motivacionais.
─Eu sei. – sorriu. ─Obrigada, viu. E não se preocupe. Durante a festa, se quiser tirá-la para dançar, eu entenderei.
─Sei não. Acho que ela vai chamar outra pessoa. – indiquei com a cabeça para James. ─Aliás, eu estarei do seu lado. E isso que importa.
***
Acordei atrasada naquele dia, então tive que apressar-me no caminho. Ao chegar na escola, encontro Oliver no pátio, assentado debaixo de uma arvore. Adentro em minha sala e vou em direção ao meu assento, colocando minha bolsa sobre a mesa e descansando meu corpo sobre a cadeira enquanto soltava um suspiro aliviado.
─Então amiga, já sabe com quem você vai à festa de formatura? – indagou Julie aproximando de mim que olho para o lado de James e depois para Diego que conversava com Luana.
─Acho que vou chamar o Dih. – respondi em voz baixa, evitando que ele escutasse.
─Ahhhh... – abriu um enorme sorriso saliente. ─Você está afim dele?
─Eu não sei. – suspirei de leve. ─Ele é legal e temos muitas coisas em comum, mas, sei lá, acho que não.
─Entendo. – sentou-se ao meu lado. ─Já eu já sei quem irei chamar.
─Quem?
─O Oliver, claro.
─Sério? – arqueei de leve a sobrancelha.
─É, por quê? – estranhou minha pergunta.
─Nada... É que se você quer realmente ir com ele, é melhor ser mais rápida que as demais garotas. – indiquei um grupinho de meninas secando-o com os olhos.
─Verdade. – começou a roer a unha de nervosismo. ─E agora? Aborto a missão?
─Tá louca? Vai lá e fala com o boy. – falei em um tom irônico. ─Você é mais gostosa que aquelas garotas magrelas e sem sal.
─Concordo. – sorriu. ─Então tá, eu vou lá falar com ele. Se eu levar um fora, você vai ter que ir comigo.
─Não sou obrigada a nada... A nada. – balancei as mãos em desdém, junto de um biquinho empinado.
Julie se levanta e vai em direção á Oliver. A professora chega e me repreende que levantara para ir conversar com Diego. Retorno para meu lugar e aguardo o fim da aula. Após alguns minutos, Julie volta, trazendo um olhar tristonho ao rosto.
─O que foi? Ele rejeitou? – indaguei preocupada e ao mesmo tempo me mordendo de curiosidade. ─Fala, peste.
Ela ergue seu rosto lentamente, encarando-me com o mesmo olhar que se muda ao abrir um enorme sorriso.
─Ele aceitou. – respondeu junto de um leve gritinho.
─Sério? – gritei mais alto que ela, chamando a atenção de todos na sala, inclusive a professora que chama minha atenção novamente. ─Me desculpe. – me redimi. ─Então... Me fala, conta todos os detalhes. – sussurrei agora, escondendo a face por trás da pessoa que assentava na carteira em frente.
─É só isso. Eu perguntei se ele tinha alguém pra ir na festa e ele disse que não, então perguntei se ele gostaria de ir comigo. – manteve o mesmo tom de voz que o meu. Também abaixando a cabeça.
─Aí, que sortuda.
─Nem me diga. – concordou ainda com aquele sorriso escancarado em seu rosto. ─E você, não foi falar com o Diego?
─Ainda não. Vou falar com ele no recreio, pois sempre lanchamos juntos.
Então foi isso, esperei até o sinal tocar e sairmos para o intervalo. Diego e Luana foram na frente, sentando á mesa que sempre pegávamos. Sigo o caminho, mas sou parada por alguém, que me segura pelo braço.
─Posso conversar com você? – indagou James.
─Oi James. – sorri feito uma boba. ─Claro que pode.
─Então... Eu queria te pedir desculpa, por tudo, sabe? Por ter me aproximado de você, depois ter me distanciado e depois distanciado novamente, após a volta de Diego.
─Então é por causa dele? – tenho que admitir que não fiquei tão surpresa.
─Não... Não é. – tentou se corrigir. ─O problema sou eu, eu sempre estrago tudo. Decepcionei você, o Dih, a Lu, agora meus pais, pois vou repetir o ano novamente. – parou para soltar um suspiro pesado, daqueles que antecedem um choro, mas ele não o fez, apenas abaixou a face.
─James... – fui interrompida.
─Só queria que soubesse que você é incrível, uma garota extraordinária. Eu sei que você queria continuar o nosso lance, mas eu não sirvo pra você. Você merece um cara melhor, que goste de você de verdade.
─Alguém como quem? – perguntei.
─Alguém como ele. – apontou com os olhos para Diego, que nos ver conversar. ─Ele gosta de você, gosta mesmo.
─Mas eu... – calou-me novamente, agora segurando meus ombros com as mãos.
─Não perca seu tempo comigo, pois até eu perdi a fé sobre mim. – olhou novamente para Diego antes de sair, indo em direção ao portão da escola.
─Aonde você vai?
─Esfriar a cabeça, botar as coisas no lugar. – sorriu levemente.
─Você não precisa beber pra isso.
─Na verdade eu preciso. – me contradisse. ─Musicas e livros não surtem efeito sobre mim, não tanto quanto o álcool.
─Você que sabe. – aproximei dele. ─Só toma cuidado, tá?
─... – consentiu com a cabeça.
─Ah... Mais uma coisa. – chamei sua atenção novamente. ─Você me pediu desculpas, mas e o Diego? A pessoa que você realmente deveria se desculpar, você fez isso?
─Eu ia, mas o meu ego fala mais alto que a voz da razão. – respondeu-me.
─Espero que não se arrependa tarde demais.
O vir partir, triste e sem rumo. Ele estava totalmente destruído por dentro, qualquer um que o conhecia podia perceber isso, pois ele não estava mais radiante, brincalhão e provocador como sempre foi. Ele estava morto, sua alma estava fria e sua mente desorientada.
***
─Você não pode me obrigar a ir de terno. – repeti pela segunda vez.
─Ah, que isso Dih. Você vai ficar um amorzinho de roupa social. Já posso até ver.
─Para com isso. – fiz birra. ─Vou com a roupa que eu quiser.
─Mas eu até já tenho o terno comprado. Era pro Julio, mas ele não merece. A menos que vá usar em seu próprio enterro.
─Nossa, que garota rancorosa. – a provoquei, tentando mudar de assunto por um instante.
─Eu não... Só realista, meu bem. Aliás, todos vão morrer um dia. – sorriu. ─E não tente mudar de assunto, você vai com o terno e pronto.
─Isso é o que vamos ver. – semicerrei os olhos junto dos delas.
─Interrompo algo, casal? – disse Douglas, ─ um garoto de pele parda, cabelo estilo militar com os lados da cabeça cortados bem baixinho e por cima, seus cabelos negros e lisos que caiam pro lado, olhos castanhos claros e corpo franzino, assim como o meu ─. Ele havia se mudado para a minha rua, e como de costume, minha mãe me obrigou a ir junto dela para conhecer os novos vizinhos. Acabamos por descobrir que frequentaríamos a mesma escola, e mais tarde, a mesma sala. Construímos uma amizade, e com ela, tentei ocupar a lacuna que James havia deixado.
─Muito pelo contrario, caro amigo. Você acaba de ser meu gongo. – sorri, apertando sua mão com força.
─Salvo pelo gongo? – indagou para ter certeza se havia entendido a piada.
─Acertou, miserável. – rimos.
─Sem graça. – bufou Luana, dando-me um tapa na cabeça.
─Qual é a boa, Doug? – perguntei enquanto esfregava a mão sobre a região atacada.
─Vou poder ir na festa... Só falta um par.
─Eu tenho de meia, serve? – zombei de sua cara, que se fecha diante a minha pergunta.
─Não, seu idiota. – riu.
─Acalme-se, você vai encontrar alguém pra poder ir. – disse Luana, tranquilizando-o.
─Esse é o problema, eu não vou. Pois todas as garotas dos terceiros anos já têm um parceiro. Ou seja...
─Você sobrou igual legume em prato de gordo. – completei novamente, fazendo-o rir.
─É serio cara. O que eu vou fazer agora?
─Oi gente! – Lucy cumprimentou-nos.
─Hey Lucy, senta aqui com a gente e me ajude a zombar com a cara do Douglas.
─Oi? Co-como assim? – sorriu meio desentendida.
─O Don Roan aqui não tem par pra festa. – joguei o braço sobre seus ombros, fazendo-o me olhar de soslaio.
─Então, na verdade foi por isso mesmo que eu vim até aqui. – parou, olhando bem nos meus olhos. ─Você quer ir comigo?
─Ir com você? – olhei aflitamente para Luana, que abaixa a face.
─Sim. – consentiu com a cabeça com um enorme sorriso esperançoso que se desmancha ao notar a minha reação. ─A menos que você não queira.
─Não... Não é isso. É que eu já tenho um par. – indiquei com a cabeça para Luana que abre um leve sorriso vergonhoso.
─Ah... Nossa, me desculpem. Eu não sabia. – deu um passo para trás.
─Tudo bem. – sorri levemente. ─Mas, eu pensei que você fosse com o...
─O James? – riu. ─Não. Nem se eu quisesse, ele pediu para eu ficar longe dele, pro meu próprio bem.
─Ele disse isso? – estranhou Luana. ─Não parece nem um pouco com o Jay.
─Não parece mesmo. – comentei em voz baixa. ─Ele deve estar bem pra baixo pra dizer isso.
─É o que parece. – sentou ao meu lado. ─Ele está sofrendo com a briga de vocês. Não só por isso, mas ele está até bebendo. Mais do que o normal.
─Eu não sabia... – senti um leve frio no estomago.
─Por que você não vai falar com ele? Acabem logo com essa birrinha entre vocês. – sugeriu Lucy.
─É fácil falar.
─Na verdade é fácil agir também, Dih. Só que o seu orgulho fala mais alto. – retrucou Luana.
─Aé, por que ele não veio falar comigo? Ele que tem que pedir desculpas a mim.
─A mesma coisa. Ele é outra cabeça dura que não dá o braço a torcer. Prefere sofrer e ver um amigo perdido do que pedir desculpas. – disse Lucy dando-me uma bronca.
─Ela tem razão, Dih. Me diz, você prefere ficar sem seu irmão á engolir esse seu orgulho idiota e ir até ele e se reconciliarem?
─Não, Lu. – a respondi cabisbaixo, como uma criança diante a mãe. ─Mas esse não é o caso, já discutimos assim antes, não por tanto tempo como agora, mas já ficamos semanas sem nos conversar e na maioria dessas brigas eu era sempre o que voltava atrás. Tentava ser superior e pedia desculpas, mesmo não sendo eu o errado. Mas agora é diferente, eu estou farto de agir como um trouxa. Cansei de ser o único que luta para mantermos nossa amizade de pé.
─Bem, você que sabe. – deu-se de ombros. ─Agora vou ver se consigo um parceiro antes que não sobre mais ninguém. – levantou-se da mesa.
─Espera... Acho que você não precisa procurar. – chamei-a, dando uma cotovelada em Douglas, que reage, levantando-se e parando de frente á ela.
─Eu também estou sem um par, então...
─É um pedido? – exclamou, recebendo um consentimento tímido do garoto. ─Então, eu aceito.
─Valeu. – a agradeceu.
Os dias foram passando e os preparativos para festa já haviam começado, já estávamos na semana de provas finais e todos estavam presentes, menos... Bom, acho que vocês sabem quem. Passou-se a semana de provas e veio a confirmação para os que já haviam se formado.
─Eu passei. – gritou Oliver encarando incredulamente para seu nome na lista dos aprovados. ─Não acredito nisso. Deus ouviu minhas preces.
─Minha vez. – disse Julie empurrando Oliver para fora da fila, passando o dedo sobre o papel colado na parede, a procura de seu nome. ─Santa Beyoncé! – exclamou após encontrar seu nome. ─Julia Santos: Aprovada! – gritou euforicamente, pulando nos braços de Oliver, que logo a beija.
─Óóóó... Bem menos, pombinhos. – disse Lucy, tomando frente e verificando o papel.
─E então? – questionei a ela.
─Eu passei. – abraçou-me alegremente.
─Parabéns. – respondi próximo ao seu ouvido. ─Na verdade eu já sabia que você ia passar.
─Isso graças a você. – saiu de meus braços, encarando-me. ─Obrigada.
─Não precisa agradecer. – sorri. ─Te mando a conta depois.
─Bobo. – encarou meu sorriso por um tempo, até ver Luana por trás de mim. ─Oi Luana, já olhou sua nota?
─Já sim. – respondeu serenamente. ─Tenho boas notícias, e você?
─Eu também passei. – sorriram juntas.
─Parabéns. – disseram em uníssono, dando-se as mãos.
─Desde quando vocês são amiguinhas? – arqueei levemente a sobrancelha.
─Desde sempre, baby. – respondeu Luana, mandando um beijinho de longe.
─Sei... Deixa eu ir ver uma coisa. – saí de perto delas, indo até o papel e verificando um nome.
─Tá olhando se ele passou? – questionou Douglas que chegou por trás de mim sorrateiramente.
─Eita cara, ta querendo me matar do coração? – coloquei a mão sobre o peito. ─Ele quem? Tava só olhando de novo se eu passei mesmo.
─Não vem com essa, você já sabia que tinha passado antes mesmo de vir olhar a nota. – encurralou-me. ─Pode falar... Você estava verificando se o James passou, não é?
─É... Eu estava olhando, tá feliz agora?
─Não, por que eu já sabia a resposta. – sorriu. ─E então?
─Como eu esperava, ele não passou. – entortei os lábios em sinal de decepção.
─Que pena. Será que ele vai continuar na escola?
─Eu duvido. – suspirei. ─Eu sei que não é culpa minha, mas algo dentro de mim diz que ele não passou por minha causa. Eu deveria ter me mantido ao seu lado e o encorajado a continuar estudando e...
─Claro que não, Dih. – colocou a mão sobre meu ombro, apertando-o com força. ─Ele fez a escolha dele, você não ia poder fazer nada. Ele já é maior de idade e vacinado. Você não é os pais dele, na verdade, nem eles mesmos podem obrigá-lo a continuar.
─Tem razão. – suspirei com pesar. ─Nossa, agora que me dei conta... Os pais dele devem estar decepcionados.
─Quer que eu vá com você lá?
─Na casa dele? Não... Não quero me encontrar com ele.
─Não precisa, todo mundo sabe que ele está passando mais tempo em bares do que em casa.
─É, tem isso. – consenti com a cabeça. ─Então ok, eu vou lá.
Continua na parte II...
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