Notas iniciais
Fala aí pessoal! Estou aqui vivíssima e a fanfic também! Como vocês repararam, eu tinha o costume de postar ao menos um capítulo por semana (ou a cada 7 dias). Então, dessa vez não deu. Foi uma mistura de fatores que foi a volta às aulas, a edição de outros capítulos e a famosa crise de falta de inspiração. Peço desculpas a vocês por essa demora que adiou a postagem em alguns dias. Eu agradeço a vocês, leitores(as) maravilhosos(as) que esperaram pelo cap novo, vocês são demais. Boa leitura! ♥

De volta no tempo. Oito e vinte da manhã.

Não, ele não gostou daquela ideia. Definitivamente não gostou da ideia da qual ela trabalharia com aquele detetive. Nada contra a sua pessoa, é claro, nenhuma rixa ou problema pessoal. O problema era que... ela estava com ele.

O sargento não sabia dizer ao certo o que se passava em sua mente ou coração, seja o que for. Era um sentimento esquisito: Egoísmo? Ciúmes? Não conseguia compreender, só sabia que aquele caso tinha de ser resolvido o mais rápido possível e que os dias da suspensão passassem logo. Ainda era difícil afirmar que a situação tinha sofrido um revés e tanto; Lewis foi morto justamente num momento crucial. Certo que se ele morresse antes de descobrirem toda aquela história o impacto não seria tão forte. Ainda assim seria suspeito.

Grissom pegou seu carro. Enquanto saía da garagem do prédio, ele conectou o celular a um suporte e ligou para uma das poucas pessoas que mantinha contato. Queria saber um pouco mais daquela história e não tinha paciência para esperar.

— Gil, o que houve?

— Oi, Catherine. Liguei pra você num mal momento? — perguntou ele enquanto manobrava o carro.

— Se não for demorar muito...

— Desculpe o incômodo. É sobre a Sara.

Ih... porque sinto que isso não aí não vai ser bom...

— Acho que você está sabendo das notícias...

Da morte do seu suspeito? Lewis?

— É.

Então...?

— Sabe quem está no comando do caso? O Ivanenko.

O Maksim pegou esse caso é? Nossa... — comentou impressionada — Mas o que foi, aconteceu algo entre você e ele?

— Não. É que...

Por que estou ligando para ela?

— Tem alguma notícia de... como as coisas estão se saindo por aí?

Aqui na delegacia ou no caso deles dois? Porque você sabe, não tem como eu ficar de olho neles, Gil.

O sargento soltou um suspiro já que sabia que sua amiga não tinha culpa.

Sei que você tá preocupada com ela agora que está sozinha. Mas o Ivanenko é um bom policial e um bom partido.

Ele fez uma careta ao olhar para o celular rapidamente.

— Está bem... — disfarçou, meio sem jeito — Obrigado por me atender.

— Tchau, Gil. Dava para perceber o tom risonho na voz de Catherine, que logo em seguida desligou a ligação.

Seria medo o que ele estava sentindo? Medo de quê? Ele não sabia e preferiu não saber, pois temia se decepcionar com isso.

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Quatro e quarenta da tarde.

— Não estou surpresa que ninguém, aparentemente, reconheceu a mulher. — lamentou Sara.

— Eles temem o distintivo, preferem se distanciar de qualquer problema.

De volta à delegacia. Eram quatro e vinte e dois da tarde. Após uma volta pela região de onde o crime foi cometido, a dupla Sidle-Ivanenko voltou de mãos vazias. Ninguém revelou conhecer a mulher da imagem montada pelo retrato-falado.

— Pessoas envolvidas nesse mundo têm um "código de honra". Não sairiam por aí denunciando os colegas de profissão. — O tom sério de Ivanenko disfarçou o comentário quase sarcástico.

— Assim como nós, policiais? — Ela brincou.

— Assim como nós. — Ele respondeu no mesmo tom.

Ao tomar o elevador no prédio da polícia, Sara olhou para cima e soltou um suspiro.

— Temos apenas duas alternativas: ou aquilo foi um crime de oportunidade ou foi tudo planejado. Não tinha porque a mulher matar o Lewis simplesmente por matar. Ou ele a agrediu ou a assediou como você disse, ou ela participava de algo maior.

— Já pedi que enviassem um alerta às unidades. Ela é a nossa prioridade. Não acho que vá conseguir escapar com tanta facilidade.

— Que bom. — A detetive assentiu, tentando se animar.

De repente o celular de Maksim começou a tocar. Na mesma hora o detetive atendeu à ligação. Pelo seu jeito parecia estar um pouco ansioso. E não era por menos. Após uma breve conversa o detetive encerrou a ligação e guardou o celular.

— Identificaram a nossa suspeita.

A morena ergueu as sobrancelhas e sorriu em seguida. Depois de tanto trabalho num dia, receber uma identificação foi como ganhar uma recompensa pelo trabalho que começou desde cedo.

— Ótimo! Estava precisando de uma boa notícia hoje.

Seguindo apressadamente para uma sala específica, os detetives foram recebidos pelo técnico responsável pela busca, que logo apresentou uma dupla ficha impressa com os dados da mulher e entregou aos dois. Ambos agradeceram ao trabalho do oficial e deixaram a sala.

— Hum... vamos ver... Hilary Gordon. Trinta anos... tem ficha por prostituição e posse de drogas. Por que não estou surpresa... — Sara ironizou enquanto caminhava — A última prisão dela ocorreu há um ano atrás em Henderson.

— O alerta já foi enviado para as unidades do estado inclusive as unidades dos estados vizinhos. Não acho que vá demorar muito até encontrarem-na.

— Se ela for esperta já terá fugido de Nevada. — Por mais que ela tentasse não pensar nessa ideia, era possível.

— Você acha?

— Ela já está metida em problemas. E do jeito que as coisas estão se encaminhando, cada vez mais eu acho que a morte do Lewis foi encomendada.

— Por que teoriza isso, agente Mulder? — Ele brincou, atitude que nem ela mesmo esperava.

Sara balançou a cabeça e sorriu.

— Imagine: se ela sofreu mesmo alguma agressão, por que fugiria desse jeito e não chamaria ajuda? Agente Scully. — A mulher deu de ombros e acabou devolvendo a zombaria.

— Ela é uma garota de programa e já foi fichada. Sem contar com o principal que foi ter matado Lewis.

— Acredite. Se ela tivesse sofrido alguma agressão, sua defesa seria diferente, além do mais ela pediria ajuda. Eu já testemunhei casos parecidos.

— Vamos dizer que a morte dele foi encomendada. — Pretensioso, Ivanenko deixou a ficha de lado e se concentrou em Sara — Por que o Zodíaco não contratou um profissional?

Sara encarou o parceiro, que aparentava estar convicto de suas afirmativas. Ele chegou num ponto do qual sequer passou pela mente da detetive. Após o silêncio de breves segundos, Maksim imaginou que finalmente sua parceira se mostrou mais aberta a mudar sua linha de pensamento.

— Porque levantaria suspeitas demais.

Surpreso, Maksim franziu o cenho sem saber o que dizer em seguida.

— Eu sei, parece estranho. Mas pense comigo: quem asfixia uma pessoa por legítima defesa, e... por que Lewis está morto? Ele não falou nada no interrogatório, estava livre! A única resposta que imagino é porque ele sabia demais e em algum momento se tornou uma ameaça ao Zodíaco.

— Pelo visto você está convicta nessa ideia, não mesmo?

Ela sorriu de lado e baixou seu olhar por um instante.

— Trabalhar com o Grissom já está me deixando louca. — brincou.

— Olhe. — Ivanenko tentou amenizar os dois lados — Vamos encontrar Hilary primeiro e depois vamos dar os outros passos nessa investigação. Tudo no seu devido tempo. — Ele tocou em seu braço direito.

— Está combinado. — respondeu sorrindo — Obrigado, detetive Ivanenko.

— Me chame de Max. — Ele ergueu a mão direita.

— Max?

— É a forma americanizada de um apelido para o meu nome, Maksim.

— Ah! — Sara ergueu as sobrancelhas — Que boba, eu nem percebi. — comentou com uma risada, e acabou arrancando o mesmo gesto dele — Foi um prazer em conhecê-lo.

— Já está indo? — perguntou confuso o detetive.

— O turno já está acabando, além disso eu tenho que correr com o meu relatório. — explicou — Mas isso não quer dizer fim do trabalho pra mim.

— Oh, sim. Está bem. Até mais, Sidle. — Ivanenko acenou brevemente.

— Pode me chamar de Sara. — Ela falou brincando.

— Ok. — Assentiu sorrindo — Até mais, Sara.

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De volta à sala do sargento, sala da qual era praticamente sua por um período temporário. Sara escreveu o documento com pressa e deixaria a revisão de erros quando terminasse. Nesse meio tempo, lembrou-se de pegar o celular em sua bolsa sem intuito de algo, apenas por "mania". Ao olhar a tela do aparelho, seus olhos arregalaram na mesma hora.

— Ai que droga. — Comentou nervosa.

Com rapidez, Sara ligou para o número que a chamou diversas vezes ao longo do dia. Levou apenas uns três toques para que a ligação fosse atendida.

O que aconteceu para eu te ligar o dia todo e não receber uma resposta? — A voz no fundo estava nitidamente ansiosa.

A pessoa do outro lado da linha era nada mais, nada menos que o sargento (irritado) Grissom. Ela não gostou nem um pouco daquele tom de voz e daquelas palavras. A diferença de tom entre ele e Ivanenko foi evidente.

— Oi pra você também, e sim, estou bem. — retrucou meio irritada.

Me desculpe, mas o que posso fazer se você não respondeu às minhas ligações?! Estava quase indo aí.

— Já disse que estou bem, Grissom! — Ela deixou escapar a irritação que sentiu a pouco em seu tom de voz.

Obrigado. — Ele foi sarcástico — Agora estou mais tranquilo.

— Ah... — lamentou após suspirar — Fiquei praticamente o dia todo trabalhando na identificação da suspeita! — Defendeu-se ainda indignada — Eu e o Max ficamos fora quase o dia inteiro trabalhando nesse caso!

Max?

— Não, ah... — A mulher levou a mão à testa. Já estava confusa a pensar em tantas coisas ao mesmo tempo — É o detetive Maksim. Max é o apelido dele.

Eu sei, mas... — Grissom acabou calando a si mesmo antes que falasse algo que não devia. Então mudou de assunto — Como você... como estão se saindo aí?

— Nós... — Ao perceber a diminuição de tom e até uma leve pontada de decepção, ela hesitou — conseguimos identificar a suspeita de ter matado o Lewis. Eu não devia fazer isso, mas vou te falar. O nome dela é Hilary Gordon. Já foi presa por posse e prostituição. Fiquei surpresa, até pelo seu perfil, que não incluía assassinato.

Talvez isso seja um plano do Zodíaco para nos confundir.

— É, eu pensei a mesma coisa. Já enviamos um alerta para as unidades como prioridade. Espero que a gente consiga pegá-la o mais rápido possível antes que... sei lá o Zodíaco encontre ela antes? — falou com uma pitada de ironia.

Hum.

Houve um silêncio na linha. Na mesma hora ela percebeu que o clima entre eles estava pesado. Tentou, então, reverter a situação.

— E você? Conseguiu falar com Amanda?

Consegui. — respondeu unicamente — Ela se apresentou um pouco nervosa no começo, mas acabou se abrindo. Não disse muita coisa, apenas uns detalhes adicionais naquela noite. Eu... anotei os pontos... depois os mostro a você.

— Ei, a sua voz está diferente. O que foi? Ainda está chateado por causa das ligações?

Vamos mudar de assunto, está bem?

— Não vamos, não. Quero me certificar que não vamos terminar essa conversa até que isso esteja resolvido. — Ela esperou por um instante — Olha só, me desculpe por isso, tá? Mas acho que isso poderia acontecer tanto com você quanto comigo.

Grissom não respondeu.

— Vou manter o meu celular perto de mim por mais vezes, tá bom? — Brincou.

Está bem, Sara. — respondeu quase secamente.

— Então... nos falamos depois?

Sim.

— Ok. Tchau, Grissom.

A ligação não terminou como esperava, terminou pior, num clima chato, ruim. Ele foi o primeiro a desligar. Ficou olhando a tela do celular por alguns segundos e deixou-o no sofá quando chegou à sala. Seu rosto tinha um semblante sério; sério, não, irritado. Grissom não aguentava mais ficar em casa, proibido de voltar ao trabalho e continuar no caso. Pior que isso, era saber que a cada minuto que se passava o incômodo em sua mente aumentava ainda mais, tudo porque Sara tinha um "novo parceiro". Ela estava bem, deveria se contentar com isso, mas não adiantava. Poderia ser "pirraça" ou mania inventada por ele mesmo, ainda assim a inquietude dentro de si não terminava.

Talvez fosse ciúme. Ciúme de saber que Sara trabalhava ao lado de Maksim Ivanenko; ciúme por que ela não estava perto dele. Talvez fosse egoísmo, também. Talvez Grissom começava a se reconhecer ciumento e egoísta. Será que era pedir demais que tudo aquilo acabasse a situação voltasse a ser como antes?

Grissom levou as mãos ao rosto. Pressionou seus dentes e deslizou suas mãos sobre a pele. Sentir aquilo não fazia bem a ele. Chegou a cogitar num primeiro momento a possibilidade de que Heather estava certa. Mas certa de quê? De que ele gostava de Sara não apenas como amiga?

Mas do que adiantaria se ela não sentia o mesmo por ele segundo o seu julgamento pessoal?

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Sábado, cinco de novembro. Se já não bastasse a Sara ter que cancelar dois compromissos (a conversa com a Amanda e a saída com Catherine), a detetive precisou trabalhar novamente no sábado. Parecia que a cada semana o trabalho se tornava mais complexo e cansativo. E se já não bastasse o tsunami que invadiu a vida de Sara, a detetive teria de encarar outro perrengue. O advogado de Lewis. Surpresos pela ausência do jurídico que não deu sinal algum no dia da morte de seu cliente, sua aparição na delegacia logo causou certo desconforto por parte dos policiais.

— Não consigo acreditar que vocês tiveram a incompetência em deixar que o MEU cliente morresse dessa forma! — Dale quase berrou na sala do capitão Brass. Ivanenko e Sara chegaram logo depois.

— Não éramos seguranças particulares do Lewis! — Brass retrucou rigidamente.

— Vocês sabiam muito bem que Franklin era mais que um suspeito para vocês. Ele era uma peça vital nesse caso e vocês simplesmente deixaram que ele fosse morto por um desgraçado de um assaltante! — Ele ergueu os braços — Onde está o trabalho da polícia em servir e proteger?! — Deu de ombros.

— Não fomos nós que mandamos o cara lá pra onde Judas perdeu as botas. O local foi escolhido por vocês dois! — O capitão apontou diretamente para o advogado.

Sara observou aquele movimento e atentou para a expressão no rosto de Regis, que pareceu dez vezes mais irritado que antes. Até deu gosto de ver aquela cena.

— Em nenhum momento o Franklin pediu proteção ou falou que estava sendo ameaçado. Fizemos o que podíamos, ou melhor, o que não precisávamos fazer. — Brass se enfatizou — E quem manda não controlar o teu cliente e as calças dele?

— Eu vou processar vocês pela morte do meu cliente e o constrangimento que vocês nos causaram! Isso não vai ficar assim. — Dale ameaçou o capitão e os detetives sem reservas. Quando se virou para Sara e Maksim, ele os encarou nos olhos como se pudesse matá-los com o olhar somente — A imprensa vai saber disso, ouviram bem?!

— É, fala mesmo. Aposto que vai querer muito que seu nome role por aí num caso como esse.

Ao receber aquela resposta, Dale cerrou o punho direito com tanta força que sua mão ficou vermelha logo depois. Nenhum dos detetives se manifestou no decorrer daquela conversa. Só o capitão conseguiu dar conta do jurídico rapidamente.

Antes de sair, o advogado lançou um olhar mortal para os dois detetives. Então deixou o local e bateu a porta com força.

— Já recebi ameaças piores de gente mais importante que ele. — O capitão disse aos subordinados — Mesmo que ele tente nos processar, tenho certeza que a acusação não segue adiante.

— Tem certeza disso, capitão? — questionou o detetive ao cruzar os braços.

— Tenho. — Assentiu — Podem voltar ao trabalho.

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O sábado foi um dia dedicado exclusivamente na investigação da morte de Franklin Lewis. A recente dupla formada Sidle-Ivanenko passou o dia todo entrevistando pessoas próximas a ele, visitando lugares que ele costumava frequentar e tudo mais. Uma quebra de sigilo bancário e telefônico foi solicitada à justiça, porém era necessário um tempo de espera até que o pedido fosse atendido. O final do turno se aproximava trazendo consigo poucas novidades, dores de cabeça e uma ameaça de processo.

Eram quase cinco da tarde. A dupla de detetives se enfurnava numa pilha de papéis e documentos (e comida chinesa) em busca de algo relevante que pudesse apontar uma possível ligação entre Hilary e Zodíaco. Assim como foi difícil achar alguma prova que apontasse o envolvimento entre os guardas e o próprio serial killer, o caminho se mostrava complicado como na última vez.

— Estou chegando num ponto em que começo a desconfiar de quase todo mundo ligado a Lewis. — comentou Sara ao esfregar seus olhos e se recostar à cadeira.

— Ainda não temos a certeza se essa mulher está realmente envolvida numa conspiração na morte dele. — Maksim continuava um pouco cético.

— Para uma garota de programa ela se esconde muito bem. — Ironizou.

— Tenho a certeza que ela será achada em breve. — Ele fez uma careta e balançou a cabeça.

— Assim espero. Não sei o que vai acontecer caso outro "imprevisto" aconteça. — Sara revirou os olhos, depois observou o relógio em seu pulso — Já tá na hora, não é? Eu vou embora. Minha mente está sobrecarregada demais pra continuar aqui.

O detetive riu.

— Eu entendo. No seu lugar eu teria surtado.

— É mesmo? — A mulher ergueu as sobrancelhas.

— Não exatamente. Só fiz isso para saber se você iria rir também.

Surpresa, ela continuou com o mesmo semblante impressionado de antes. Riu só depois.

— Por essa eu não esperava. — respondeu sorrindo.

— Achou que eu fosse um homem sério e sem coração? — Ele ergueu uma sobrancelha.

— Admito que sim. — Brincou, e em seguida se levantou da cadeira.

Enquanto ela selecionava alguns documentos que eram de sua posse, Ivanenko ficou parado a observá-la.

— Até depois, Max. — Acenou brevemente.

O detetive balançou a cabeça rapidamente ao voltar de seu mar de pensamentos.

— Tchau, Sara. — Sorriu — Se eu tiver alguma notícia sobre Hilary eu ligo pra você.

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De volta no tempo. Meio-dia e quinze.

Grissom não estava a fim de preparar o almoço então foi no restaurante que mais costumava ir: o Rose's. Após uma caminhada com Hank, o sargento decidiu sair novamente para almoçar. Então tomou um banho e trocou de roupas: vestiu uma calça jeans, sapatos marrons, camisa preta e uma jaqueta escura. Não fazia tanto frio quanto os dias anteriores, então deixou de lado a escolha do sobretudo.

Ao chegar no restaurante Grissom seguiu diretamente para o caixa ao ver uma figura conhecida. Era Jin, que surpreendentemente trabalhava num sábado. Vendo o sargento se aproximar, o jovem se voltou a ele.

— Senhor Grissom, que bom te ver aqui! — falou ao mostrar um sorriso.

— Pare de me chamar de senhor, Jin. — respondeu insistente.

— É mania. — O rapaz deu de ombros.

— Ah... — Sorrindo, o sargento balançou a cabeça — Mas então, porque está trabalhando hoje?

— Estou querendo juntar mais dinheiro para a faculdade e para outros investimentos pessoais. Admito que cansa um pouco, mas está valendo a pena.

— Entendi. — Assentiu — Bem... bom trabalho.

— Obrigado. — Ele riu com o curioso comentário.

Grissom acenou para o amigo e se virou para as mesas. Para a sua satisfação, seu lugar favorito não fora ocupado. Não perdeu tempo e se tratou de seguir até lá. Nem precisou chamar alguém, visto que Jin pediu para que Rose fosse chamada. Ela não era do tipo que sempre atendia os seus clientes, mas fazia uma exceção com Grissom.

Ele se sentou e expirou por longos segundos. Pôs seus cotovelos sobre a mesa e apoiou o queixo em sua mão direita. Ficou olhando para o lado direito, em direção à janela; mas na verdade, encarava o nada. Grissom permaneceu daquele jeito até um minuto e meio depois, quando Tina veio ao seu encontro para lhe atender. Ele a cumprimentou e fez seu pedido: bolo de carne com molho e purê de batatas. A garçonete se afastou dele e novamente o sargento voltou à mesma posição de antes.

Não passando muito tempo, a dona do restaurante se aproximou dele com o largo sorriso de sempre.

— Olá, Gil. Estava ocupada com outro negócio e por isso não vim antes. Como você está? — perguntou animada ao tocar em seu ombro esquerdo.

Grissom virou o pescoço de lado para vê-la. Abriu um meio sorriso como cordialidade.

— Bem, na medida do possível. E você?

— Estou muito bem. Jackson voltou da faculdade pra passar um tempinho aqui. — disse, referindo-se a seu filho.

— Ah é? Que bom. Fico feliz por vocês. — Assentiu — O garoto tem muita capacidade.

— Obrigada, Gil. — Rose apertou levemente o ombro dele, depois se sentou frente ao homem.

Ao ficar encarando a figura, como costumava fazer, de cara a mulher percebeu o semblante meio abatido do Grissom, que variava sua atenção entre ela e a janela.

— Vai, me conta. O que houve desta vez?

Ele ergueu uma sobrancelha e a encarou.

— Nada. — disfarçou, voltando a observar a janela.

— Para um investigador você está mentindo muito mal. — Ela brincou.

Não recebeu resposta, apenas um Grissom hesitante e que não sabia como se expressar, que no final acabou permanecendo em silêncio. Numa outra tentativa de "arrancar" algo dele, Rose persistiu:

— Como está indo no trabalho?

— Eu não te contei... Fui suspenso por quinze dias por causa de uns problemas. — respondeu em voz baixa.

— O quê?! Caramba, Gil! Você não pode ficar longe da minha visão por muito tempo, não é?

Finalmente ela conseguiu arrancar algum sorriso de Grissom, que balançou a cabeça. Mas aquele sorriso tão breve deu lugar àquele semblante melancólico de antes.

— Ela tá trabalhando sozinha agora. — Falou ele ao baixar ligeiramente a cabeça — Sozinha, não. Está com outro parceiro.

— Como é que é? — Rose franziu o cenho.

— É temporário. Houve uma reviravolta e agora ela está... tendo que trabalhar com um outro detetive num caso relacionado ao nosso.

Após alguns segundos de minuciosa observação para com o amigo, Rose, sem hesitar soltou as palavras:

— Quer dizer que você está cabisbaixo por que... está com ciúmes da sua parceira?

Quando ouviu o questionamento, na mesma hora Grissom encarou atônito a mulher à sua frente.

— Esperava que fosse me dizer que eu estava assim porque estava afastado ou, ou qualquer outra opção! — retrucou meio indignado.

— Bem, pela sua cara a primeira e mais óbvia alternativa que veio à minha mente foi essa. — Ela deu de ombros — Vai me dizer que não é verdade?

— Eu não es- — Ele se calou e ainda interrompeu o gesto com a mão que estava prestes a fazer para se defender.

— Vocês se conhecem há um tempo, não é? É normal que se sinta assim. — Rose fez uma careta.

O sargento suspirou por longos segundos e levou as mãos ao rosto.

— Pelo visto é isso mesmo. — A mulher sorriu.

Grissom continuou a esconder seu rosto com as mãos.

— Eu não devia me sentir desse jeito. Isso é infantil, é reprovável. — lamentou ao deslizar as mãos sobre o rosto.

— É completamente normal, Gilbert! — Ela ergueu as mãos, surpresa ao ver o comportamento do amigo — Já te falei: é normal sentir ciúmes de quem se gosta! Por exemplo, eu morro de ciúmes dos meus filhos, mesmo que estejam crescidos. Você, bem... sente ciúmes de Sara porque gosta dela e se importa com ela.

Aquela palavra chegou aos ouvidos dele novamente como uma onda. E mais uma vez o sargento não respondeu. Tina chegou com o pedido dele o que acabou por findar a conversa entre Rose e ele.

— Rose, o Lenny tá te chamando. — Falou a garçonete enquanto servia Grissom.

— Ah, não, o que aquele homem quer de mim? — Perguntou brincando e logo em seguida se levantou, apoiando as duas mãos sobre a mesa — Vou te deixar por enquanto, tá bom, Gil? Fique à vontade. — disse ao tocar em seu ombro e agradecer a Tina.

Grissom observou as duas mulheres se afastarem dele. O homem olhou para seu prato, pegou o garfo e a faca, mas não comeu de imediato. Ele pressionou os talheres em suas mãos e respirou fundo.

"É normal sentir ciúmes de quem se gosta." Pensou nas palavras da amiga.

Dizer que não gostava de Sara era uma inverdade desprezível. Grissom mantinha um enorme apreço por ela desde a Conferência em São Francisco e que aumentou ainda mais após sua "recordação" da detetive. Apreço este que o fez se arrepender em não ter voltado à Califórnia não por um motivo profissional, mas por ela.

Enquanto não tentava pensar demais em questões internas, Grissom comeu seu almoço. Ainda que tentasse deixar de lado a conversa que teve minutos atrás que o levou a uma imersão em pensamentos, estes não largavam de jeito nenhum. Passados uns vinte minutos, já no término da refeição, Rose retornou e aproveitou para se sentar frente a frente com ele.

— Olá novamente, Gil. Como estava a comida?

— Impecável, como sempre. — respondeu ao limpar a boca com um guardanapo.

— Ótimo! Só por isso vou te dar um desconto de 10%. Mas só se levar um pedaço da minha torta de mirtilo. — A mulher deu duas batidinhas na mesa com a mão direita.

O sargento não se conteve e riu brevemente.

— Está bem, mas desta vez não vou comer aqui, vou levar.

— Certo, certo. — Ela balançou o indicador frente a ele — E sobre o que estávamos falando antes...

— Pensei sobre isso enquanto comia. — Grissom comentou ao se recostar no banco.

— Então, eu tive uma ideia: vou fazer um jantar especial no domingo e queria que você e Sara participassem.

Grissom ergueu as sobrancelhas. Surpreso, ou melhor, chocado com o que acabou de ouvir, não conseguiu responder de cara.

— O quê? — retrucou quase perdendo a voz.

— É isso mesmo. — Rose deu de ombros — O que foi, não gostou da minha ideia?

— Achei surpreendente, — disfarçou — ousada e não-convencional.

— Eu não esperava uma enxurrada de respostas. — A mulher cruzou os braços — Mas me diga, por que não gostou?

— Não disse que não gostei da ideia, Rose. É que... — O sargento cruzou as mãos e as observou — são vários fatores que vão contra isso. — Ele a encarou — Mal sabemos se ela estaria disposta a ir...

— Pergunte a ela, oras!

— Esse não é o maior problema. — Ele relutou ao olhar para os lados repetidamente — Nós... nos conhecemos há um tempo sim, há uns oito anos numa Conferência em São Francisco. Após o evento não mantivemos contato e por isso não acho que tenho... muita afinidade com ela para-

— Besteira, Gil! Isso não tem nada a ver. — Rose fez um gesto com a mão, reprovando-o — Chamá-la para o jantar vai ser até bom já que será uma oportunidade em que todos nós vamos conversar um pouco e esfriar a cabeça. E você não disse que vocês dois não se falam há um bom tempo? Então, coloquem o papo em dia! Ninguém aguenta trabalhar direto, é preciso um tempinho para relaxar.

Grissom encarou a mulher. Pelo seu olhar, Rose se mantinha firme a continuar até o fim. Ele moveu seus lábios e balbuciou logo de início:

— Tá... está bem. Eu vou falar com ela.

Notas finais
Pois é, pessoal, tá sendo difícil pra Sara administrar esse novo trabalho sem ter que deixar de lado o outro caso. Sem contar que ela tem que lidar com o Grissom e a possível ameaça do advogado do Lewis. Ao menos a relação dela com o Ivanenko está boa, sem problemas para um início de trabalho (melhor do que foi com o Grissom, isso nós temos que admitir). Tivemos também o convite (super inesperado) da Rose, que chamou o Grissom e Sara para um jantar. Éééé galera, será que a Sara vai aceitar o convite? Uma coisa que tá evidente é que o Grissom tá cheio de ciúmes, só não consegue admitir. Isso aí vai ser trabalhado nos próximos capítulos hehe. Então é isso, galera. Obrigada a vocês que leram, beijão e até o próximo cap.