Notas iniciais
E aí, queridas(os) leitoras(es), como vocês estão? Chegamos a mais um novo capítulo de Manhunters! Peço desculpas porque essa semana foi corrida demais! Meu grupo e eu nos desdobramos para editar e gravar matérias e fazer outras milhares de coisas; não é mole não, galera, mas estamos aí. [ALERTA DE TEXTÃO] Agradeço muito, de coração, ao comentário de todas vocês, meus amores, e em especial a Ana Camila GSR, Molly, DriViana e Bruh GSR Sidle. Vocês são incríveis! Muito obrigada por estarem sempre deixando um comentário! ♥ Agradeço muito, também, a Raphilds, JosiAne e mrsMorningstar que deixaram lindos comentários ao longo dessa jornada. Não posso deixar de citar a Menina Vodka, Thaís H e Carol Bandeira por comentarem também. Valeu, meninas! ♥ E claro, também não posso deixar de citar a Gabi Caskett que deixou o primeiro comentário da fic e isso foi muito especial pra mim. Brigadão, Gabi ♥ GENTE, vocês são demais, sério, tudo o que eu tenho é agradecer a esse carinho que tenho recebido, sem contar com os favs da galeríssima e as recomendações das queridas Molly e JosiAne. Quero que saibam que eu leio com muito amor as palavras de vocês, não só uma, mas várias vezes. É muito legal ver a pluralidade nos comentários com o ponto de vista de cada um e a opinião acerca do cap. Eu sou muito grata a vocês, mesmo, então estou mandando um super grande hiper mega ultra beijo, fechou? Fechou! Por mais que tenha parecido esse não foi um texto de despedida. É que eu só queria dizer que estou muito contente por ter vocês aqui nesse projeto. Vamos dar continuidade nessa aventura aí. Enfim, let's continuar com a fic!

Errado, aquilo foi errado.

Céus...!

Por mais que tenha sido prazerosamente bom, aquele beijo, para Grissom, foi uma atitude reprovável. É claro, ele não pôde conter uma força reprimida por muito tempo que se deixou libertar somente com um pequeno esforço de ambos. Foi bom aproveitar os poucos segundos que passou amando aquela mulher, coisa que talvez nunca mais voltaria a acontecer.

O que eu fiz... Lamentou, levando a mão à testa.

Pior que tê-la beijado foi deixar sua casa sem ao menos se explicar. Ele só se deu conta do estrago feito quando era tarde, já em seu veículo. O que viria pela frente seria um caminho de espinhos, disso ele tinha certeza; tudo isso causado por ele mesmo.

Dirigindo a caminho de casa, nada mais inundava seus pensamentos do que o acontecimento de minutos atrás. Mesmo que uma parte de si tinha o desejo de esquecer, a outra relembrava-o a todo o momento e pedia por mais.

Sua mente era sua pior inimiga. Ainda podia sentir a doçura de seus lábios; o calor provocado por aquele beijo... seus corpos tão próximos como nunca, não apenas por um abraço, mas pelo gesto que dois amantes faziam quando estavam...

Ele freou bruscamente o carro quando estava perto de passar do sinal vermelho e atingir um outro carro que vinha no cruzamento. Seu coração acelerou e seu corpo foi jogado para a frente. Se não fosse o cinto de segurança poderia ter batido a cabeça no volante e adquirido um hematoma feio.

— Droga! — reclamou após o susto. Então recostou sua cabeça no banco e fechou seus olhos. Suspirou.

Beijá-la não despertou um sentimento nele, apenas recobrou este mesmo sentimento enterrado há anos. O problema era que tentar enterrá-lo novamente seria uma tarefa quase impossível. Ou melhor, impossível.

Quem estou querendo enganar...

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Como dormir tranquilamente após os momentos que passou com ele? Uma das poucas tarefas das quais não era necessário esforço estava sendo uma tarefa árdua para Sara. O beijo, especialmente aquele beijo lhe trouxe uma das melhores sensações que não sentia há anos, mesmo quando namorava Hank. Foi bom, bom demais; um gesto que não devia terminar tão precocemente, pelo contrário. Talvez a surpresa pela reciprocidade no beijo vinda logo dele a fez sonhar com algo mais. Sonhar que finalmente ficaria junto do homem que conheceu na Conferência de São Francisco e se apaixonou. Ela o queria, este era um desejo mais que evidente; uma pena que a realidade que encarou foi dura, fria. Sair daquela forma foi, no mínimo, cruel. O sargento não fazia ideia de como aquilo doeu na detetive.

Deitar em sua cama e tentar dormir foi uma tortura. Sua mente não a deixava descansar, toda hora as imagens do que ocorrera voltavam e seu coração respondia a cada flash criado. E a semana mal começou. Final de domingo e os dias seguintes prometiam ser longos, bem longos.

Dia seguinte, oito de novembro, segunda-feira. O desejo de ter acordado de ressaca para inventar uma desculpa e não ir ao trabalho era grande, o que não era possível nem ético. Quando o despertador tocou Sara largou um suspiro longo e cansado. Olhou para o teto e se virou para o lado esquerdo da cama, vazio. Em silêncio, ela se arrastou do cômodo e seguiu em direção ao banheiro. Arrumou-se: vestiu uma camisa de manga curta preta, calça jeans e botas curtas também da cor preta. O dia amanheceu nublado e úmido, então precisou vestir um sobretudo marrom para se proteger do frio.

— Ótimo... — resmungou a detetive ao abrir a janela e se deparar com o clima e temperatura.

De cara emburrada ela tomou o café da manhã. Não ligou a TV, tampouco o rádio; um hábito tão rotineiro foi deixado de lado. Após isso, já pronta, chamou pelo táxi e fez o de sempre; chegou no trabalho quase uma hora antes do turno começar.

Talvez aquela fosse a primeira vez que Sara agradeceu veemente o fato de que Grissom não estava por perto. Ainda tinha a semana inteira pela frente e a semana seguinte sem a presença dele. Em vez de seguir para a sala do sargento, parou quando chegou à mesa de Ivanenko, que já estava a "todo o vapor".

— Bom dia, Sara. — Ele disse, ao deixar de analisar o arquivo em mãos.

— Oi, Max. — respondeu meio cabisbaixa, mesmo tentando disfarçar. Ela deixou a bolsa em cima da mesa, puxou uma cadeira e se sentou ao lado dele — Bem, o que temos para hoje?

— Tenho más notícias para começar o dia.

Sara fez uma careta. Estava com medo de fazer a pergunta.

— Que ótimo... Do que está falando?

— O pedido de quebra de sigilo bancário ainda não foi atendido. Recebi a notificação que essa operação pode levar até o final da semana.

— O quê?! Ah... droga... — lamentou ela — Temos de tentar outra coisa. Não acho também que essa mulher usaria o cartão dele. Seria criar um alarde desnecessário. — A morena olhou para os lados tentando imaginar alguma nova estratégia, mas a pressão era grande e as ideias não surgiam.

A porta da sala do capitão foi aberta por dentro. De lá, Brass saiu e gritou pelo nome dos dois detetives. Os outros que estavam por perto logo tomaram suas atenções para a dupla.

— Sidle, Ivanenko! Na minha sala! — disse ele, apontando para dentro.

Intrigados com a chamada repentina, os dois se levantaram rapidamente e foram até a sala do capitão. Para o alívio deles só o capitão Brass estava presente.

— Dale é um desgraçado mesmo. — falou Jim, quando apontou o controle para a televisão no canto esquerdo da sala.

"A morte de Franklin Lewis, suspeito de ser cúmplice no assassinato de Vanessa Temple chocou a comunidade local na última sexta, dia 4 de novembro em Gateway District. A informação foi cedida com exclusividade pelo advogado da vítima, Regis Dale numa entrevista por telefone."

Os detetives observaram ao canal de notícias, que transmitia imagens dos guardas e de Lewis entrando no tribunal. A repórter dava outros detalhes sobre o crime que ocorreu há oito meses atrás.

— Filho da mãe. — reclamou Ivanenko.

— Pelo visto esse cara é de cumprir o que fala. — Sara deu de ombros.

"Segundo informações do advogado, Lewis foi morto na madrugada de quinta para sexta, dia 4. A suspeita, que não foi identificada, fugiu do prédio levando pertences pessoais. A polícia está buscando informações sobre o paradeiro dele. O departamento responsável pela investigação informou que não dará detalhes sobre o ocorrido."

— Pronto. Agora todos vão saber o que aconteceu. Esperem por tudo essa semana. — alertou o capitão, apontando para os dois — Vocês estão proibidos de dar detalhes sobre o caso até que tudo seja resolvido. Entendido?

A dupla concordou em uníssono.

— Tenham cuidado com o pessoal da imprensa. Cortem qualquer conversa relacionada a isso, principalmente sobre o caso de Vanessa, está bem, Sidle?

— Entendi.

— Ótimo. Voltem ao trabalho.

Os dois saíram da sala em silêncio e retornaram à mesa do detetive.

— Ok. Esperar por algum registro do cartão de Lewis está fora de questão. Mas e o celular? — Ela sugeriu.

— A operadora de telefone se recusou a ceder a localização sem um mandado judicial e a empresa fabricante do celular ainda não deu uma resposta.

— O quê? Será que esse pessoal só trabalha contra a gente? — Sara foi sarcástica— A notícia da morte do Lewis já está na boca da mídia. É obrigação deles nos ceder essas informações.

— Eu vou ligar para o promotor Carver. Ele deve falar com o juiz e mandar uma pressão nessas empresas. — Ivanenko se sentou na cadeira e pegou o telefone de sua mesa.

— Certo. Vou procurar por ligações de Hilary com outras pessoas.

Assim que seu parceiro fez um movimento positivo, Sara chamou sua atenção novamente.

— Peça também uma quebra de sigilo bancário, telefônico e fiscal dela. Não podemos deixar que nada escape. — Sara apontou para ele.

— Ok.

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De volta no tempo, um longo retorno. Madrugada amena. Três e cinquenta da manhã, 4 de abril na capital de Nevada, Carson City. Era o término de uma festa badalada no Cassino Fandango, comemoração após a formatura dos mais novos profissionais de Educação Física. O evento durou horas no salão do cassino, que foi regado com muita bebida alcóolica, dançarinos e dançarinas, música alta, e é claro, jogos. A comemoração era proibida para menores de 18, mas isso não impediu alguns convidados (e penetras) menores de idade aparecerem.

Josh Williams tinha 22 anos. Branco, de olhos verdes e cabelo castanho, era o típico "garoto clichê" costumeiramente chamado da universidade. Sua aparência, estilo de vida e comportamento chamavam a atenção de vários olhares. Era magro, mas tinha compostura de um atleta. Boas notas, comportamento admirável, meio festeiro; só que desta vez passou um pouco dos limites em vários sentidos.

Sozinho, o jovem deixou o cassino após se despedir dos amigos e ex colegas de turma. Como estava sem o carro e sem o celular, ao menos, decidiu seguir até uma cabine telefônica para chamar um táxi. Ele veio na hora certa.

Ao contrário do que muitos pensavam, as sombras tinham vida. Elas se moviam na surdina sem que ninguém notasse a sua presença. Muitos diziam que não tinham medo, mas no fundo temiam andar à noite, principalmente sem a companhia de alguém.

Josh, cambaleando um pouco no começo, se afastou do cassino e de toda a movimentação no entorno do local. Caminhou até a cabine telefônica mais próxima pela qual se lembrava. O que não reparou, era que no próprio cassino haviam telefones públicos e até mesmo próximo do lugar também haviam. Na verdade ele se esqueceu, o efeito do álcool era forte.

Eram quase quatro da manhã quando o jovem avistou uma cabine de três telefones vazia um pouco à frente. Ele atravessou a rua e, sem muita pressa seguiu para o local planejado.

— Boa noite. — cumprimentou-o um homem que estava sentado e encostado na parede próximo à cabine. Parecia meio cabisbaixo — Ou bom dia. Nem sei que horas são.

— Ah, se você não sabe imagina eu. — Josh foi irônico. Ele riu após o próprio comentário. O homem que olhava para o longe se virou para ele e também riu.

— Voltando de uma festa? — Intrigado, o homem perguntou, dessa vez com total atenção a Josh.

— Está na cara, né...? — O jovem brincou, alongando as palavras — Eu exagerei dessa vez... tô vendo que... vou acordar com ressaca amanhã... tô até vendo. — Balançou a cabeça, então pegou o fone e o levou ao ouvido.

Ao assentir, o homem sentado no chão tirou algo do bolso, um objeto que reluzia ao entrar em contato com a luz amarela do poste. Ele observou por alguns segundos o pequeno objeto que cabia na palma da mão e depois o guardou no bolso da jaqueta escura. Discreta e lentamente ele se levantou, sem chamar a atenção de Josh, que já não ligava mais para o homem que pensou ser um morador de rua, chegando a se virar de lado para não olhá-lo.

O homem estava com a mão dentro da jaqueta quando se aproximou de Josh. Tão rápido como a sombra, ele agarrou o pescoço do jovem com o antebraço direito, que soltou um gemido desesperado, quase sem som. A pressão do golpe foi tão forte que, quase sem forças, Josh era sufocado aos poucos, e em poucos segundos perderia a consciência.

Ágil, o atacante desferiu dois golpes no rim esquerdo de Josh, um em seu estômago, e para terminar, cravou o punhal em seu coração. Impedido de gritar, tudo o que o jovem pôde fazer foi exprimir um gemido abafado. Ele observou a arma em seu peito com olhos em pânico quando ainda tentava tirar o braço do homem de seu pescoço. Aos poucos a desistência de lutar era forte e suas mãos, lentamente, deslizavam para baixo.

Foi quando o homem retirou com força o punhal de seu peito e finalmente libertou o pescoço de Josh. Então o assassino aproximou o rosto ao pé do ouvido da nova vítima e carregando um quase sorriso, sussurrou para ele:

— Seu tempo acabou.

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Grissom não acordou bem. Irônico dizer que após uma "noite como aquela" o sargento pudesse acordar assim. Já eram oito horas da manhã quando ele despertou. Deitado em sua cama a olhar para os cantos, sua face desanimada, — não pelo sono recente, mas pelos eventos, ou melhor, o evento do dia anterior — já revelava a má vontade em levantar da cama e "viver mais um dia".

Era impossível se esquecer do beijo com a mesma facilidade que dava para se esquecer de um almoço. Havia a sensação de que a ficha não tivesse caído, ao mesmo tempo em que ele precisava lidar com a realidade em diante. E seria uma jornada tortuosa.

Ao fazer o movimento para se levantar, o sargento se retraiu quase que imediatamente. Pressionou sua barriga no lado esquerdo e fechou seus olhos. O ferimento que ainda cicatrizava voltou a doer. Não tanto como antes, mas que trazia um devido incômodo. Aquilo poderia ser um problema, um perigoso problema.

— Droga... — resmungou.

Ele retirou a mão, levantou a camisa e olhou para a cicatriz temendo que o ferimento estivesse aberto. Nada.

Ainda bem.

Com cuidado, Grissom deixou a cama, pegou o recipiente com o remédio indicado pelo doutor Griffin e levou um comprimido consigo. Junto de sua bengala ele caminhou até a sala, de onde Hank estava deitado em sua "cama", falou com ele e depois seguiu para a cozinha. Encheu um copo com água e tomou o remédio. Sem demora, mas com um ritmo lento, Grissom foi para o banheiro.

Tomar banho foi difícil, mesmo com a água quente. O efeito do remédio demorou a fazer efeito e não adiantou muita coisa. Quando saiu, apertou o passo de volta ao quarto e vestiu uma calça confortável, uma camisa de manga longa cinza e um casaco preto. Estava morrendo de frio e parecia que nenhuma daquelas grossas peças pareciam suficientes. Sua vontade mesmo era de voltar à cama e ficar por lá o dia todo, mas tinha de fazer algo de útil. Preparou um café da manhã simples: uma panqueca quase sem calda e tomou um suco de laranja de caixa. Por pouco não jogou fora o restante do alimento. Não quis dar para o cachorro com medo que fizesse mal a ele, então se esforçou e comeu tudo. Após alimentar Hank com ração, Grissom seguiu para seu escritório.

Havia uma caixa de arquivos presente ao lado de sua cadeira. Estava aberta e, claro, revirada. Eram todas as informações adquiridas sobre Zodíaco e suas vítimas. Grissom era esperto, ele sabia que as regras da polícia o proibiram explicitamente de levar arquivos completos ou evidências de casos para casa. Então copiou todos os dados possíveis e levou consigo. A caixa de tamanho mediano continha quase uma réplica dos arquivos do caso.

Seguindo adiante com o plano de reanalisar os arquivos das vítimas anteriores, Grissom prosseguiu no caso da quarta vítima, Josh Williams. Ele foi morto às quatro da manhã a alguns metros distante do Cassino Fandango em Carson City, lugar de onde uma festa de comemoração da formatura acontecia. Quem descobriu o corpo foi um homem que passava de carro por volta das quatro e vinte da manhã. Mais uma vez o assassino usou da esperteza para fazer sua vítima; escolheu uma rua pouco movimentada e desta vez provavelmente "esperou" por sua presa, o desafortunado Josh Williams, jovem que acabara de se formar.

Por algum tempo, Grissom ficou a observar a ficha do caso. Bateu na mesa com os dedos e levou a mão ao queixo.

— Cassinos. — comentou consigo mesmo — Cassinos, droga de cassinos. — Ele cerrou o punho direito.

Quase largou a pasta com os arquivos da quarta vítima na mesa. O sargento se virou para a caixa, e ainda sentado, inclinou-se a procurar por algo dentro dela. Gemeu brevemente pela pontada de dor que sentiu em seu corpo devido ao ferimento causado pelo tiro. Demorando um tempo mais longo que o esperado, Grissom pegou um mapa, afastou os itens em sua mesa e o abriu. Era o mapa de Nevada, que foi marcado nos pontos específicos de onde os assassinatos foram cometidos.

Dez homicídios até agora, sendo que quatro foram próximos de cassinos. Três, para falar a verdade, se excluir o primeiro homicídio, no qual foi considerado uma "coincidência" por parte dos policiais. Arthur Kyle era um crupiê do Bellagio que deixou o cassino e se afastou de lá por uma boa distância até ser morto. Ainda assim, aquela região de Vegas é responsável por abrigar dezenas de cassinos.

Pessoas ricas gostam de frequentar cassinos. Zodíaco, pelo que aparentava, era um homem rico que, possivelmente gosta de frequentar cassinos.

— Você é um miserável que gosta de jogar e matar pessoas, não é? — Ironizou o sargento.

Grissom apoiou os cotovelos na mesa e cobriu o rosto com as mãos. Suspirou por longos segundos e então se recostou na cadeira.

— Se você atacou essas pessoas nesses lugares, então você devia estar por perto... — Ele balançou a cabeça — Céus como eu pude ser tão desleixado! — Bateu a mão direita na testa.

Ele tinha certeza que não encontraria o responsável se percorresse todo o estado sem um rumo definido. Teria que voltar no tempo, assim como Sara tentava explicar quando chegou para trabalhar com ele. Mais que voltar no tempo, o sargento e a detetive precisariam conhecê-lo, antes mesmo de descobrir sua identidade.

Tudo aquilo, todo aquele trabalho tinha vários motivos. Um deles, desviar a atenção de parceira. Tentar esquecer aquele beijo, ao menos por algum tempo.

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Urgência, esta era a palavra-chave da vez. Por mais que o desejo de Sara era apressar o máximo possível a resolução do caso, era necessário agir com toda a cautela. A morte de Lewis, agora na mídia, era mais uma carga de pressão no trabalho dos detetives. Se a urgência era a palavra-chave, cuidado era a ordem da vez.

— Detetive Sidle? — A voz feminina a chamou.

Ela, que estava sentada ao lado da mesa do detetive Ivanenko usando o notebook, virou-se para trás e notou a figura familiar e não muito desejada. Sara mordeu o lábio inferior e mexeu os dedos da mão esquerda. Sua presença lhe causou um pouco de irritação ou qualquer outra palavra que não fosse boa.

— Detetive... é... — disse, ao se levantar e caminhar em sua direção. Sua mente ficou em branco e ela se esqueceu do nome da mulher.

— Curtis. — A loira disse, enquanto se aproximava dela — Que bom que te achei. Tenho novidades pra você e o Grissom.

Era só o que me faltava.

Sara desviou o olhar por instinto. A última coisa que ela gostaria no momento era ouvir aquele nome, que ainda por cima foi dito por Sofia Curtis. Parecia que, quanto mais ela tentava se afastar, mais aquilo se aproximava dela.

— Ah é...? — A morena respondeu com um ligeiro tom desdenhoso.

— Houve uma reunião do xerife com os integrantes da corregedoria. Eles decidiram que o sargento pode retornar ao trabalho gradativamente mediante exames para avaliarem seu estado.

— Ok, e?

Sara não percebeu, tampouco mediu o tom de sarcasmo contido em sua voz. Até mesmo sua expressão corporal evidenciava a total falta de vontade em estar ali.

— E, — Curtis enfatizou a voz — estou pedindo para que você avise ao sargento Grissom. — Ela franziu o cenho ligeiramente.

— Veja. No momento estou "presa" numa busca desgraçada à suspeita que matou o meu suspeito. Não posso interromper esse ritmo para dar uma notícia. — Ela a encarou nos olhos e falou quase sorrindo — Por que você mesma não avisa a ele?

A última frase deixou um sabor amargo e ao mesmo tempo, doce. Sara já estava incomodada com a interação dela e de Grissom a uns dias atrás, e, somado ao que sentia por ele no momento, bem... foi como libertar palavras presas em sua garganta.

Por que não vai e consola ele, também? Pensou enraivecida, mas não deixou transparecer. Bem, não muito.

Sofia olhou para ela de cara feia. Inconscientemente pressionou o punho direito.

— Não dá. Infelizmente não posso. — Sara deu de ombros. Dentro de si agradeceu fervorosamente por ter aquele compromisso ao invés de ter que falar com Grissom.

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— Pensar como ele... como ele.

Tarefa difícil, tarefa complexa, até mesmo para o caçador de homens. O trabalho se tornava ainda mais árduo quando o sargento se reconhecia numa encruzilhada, um deserto sem horizonte. Nunca antes ele encarou um ser tão ardiloso e inteligente como Zodíaco. Ele era do pior tipo, o que agia minuciosamente e não pela emoção.

— Por quê? — comentou em voz alta — Por que eu faço isso? Por que eu mato pessoas em lugares diferentes num intervalo rigorosamente específico? Quem eu sou? O que eu sou? Eu sou um fanático? — Gesticulou com a mão direita — Alguém que admira a filosofia do tempo? Alguém que sofreu um trauma na infância? Na adolescência? DROGA!

Grissom bateu na mesa com uma admirável força. Sua respiração estava pesada, quase chegava a ranger os dentes por tanta raiva que sentia não somente pelo assassino, mas com ele mesmo.

— O que eu sou, o que eu sou... — repetiu em voz baixa enquanto olhava para as fotos das vítimas sem vida — quem eu sou?

Sua mente estava em conflito. Conflitos.

— Eu já fiz isso antes? Fui levado a fazer isso? Se eu tenho um relógio de bolso é por um motivo simbólico? Foi uma compra, um presente?

O sargento levou as mãos ao rosto e as deslizou bruscamente sobre ele.

— Presente de quem? Do meu pai? Do meu tio, da minha avó?

Presente.

— Pode ser um presente. Um presente do qual tem um alto valor sentimental. Se eu carrego este relógio é porque ele é especial pra mim e eu não posso me desfazer dele. Somente se... eu quiser passar adiante... para um... para um... herdeiro.

O caçador apoiou as duas mãos sobre a mesa, inclinou a cabeça e fechou seus olhos. Expirou.

— Por que eu mato as pessoas com um punhal? Essa arma não deve ser qualquer punhal, deve ser especial pra mim. Pode ter sido um presente, assim como o relógio. Presentes passados de geração em geração. Se eu sou um homem rico isso não é novidade.

Grissom virou o rosto para o lado direito, ainda se apoiando à mesa.

— Desgraçado.

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Em algum lugar de Nevada, um jovem terminava seu treinamento de esgrima com o instrutor. O pai, orgulhoso ao assisti-lo, sempre gritava palavras para incentivá-lo ou colocá-lo na linha.

***** era habilidoso. Manejava o florete com simplicidade, mas com desenvoltura. Desde cedo, seu pai, ******, o pôs nas aulas para aprender a disciplina e a filosofia desta arte. Incentivado por ele, o pequeno ***** já demonstrava características de um bom esgrimista. Animado com o seu desenvolvimento, seu pai o inscreveu nos mais diversos campeonatos disponíveis pelo país. No período presente, ***** se preparava incansavelmente para o próximo torneio que ocorreria no dia onze de novembro em Reno, oeste do estado.

Ele estava totalmente atento aos movimentos do filho; não deixava de reparar nos mínimos detalhes.. Aos poucos, ****** enxergava a si mesmo no filho e se orgulhava profundamente desse fato.

Após o aluno e professor se cumprimentarem, o jovem tirou sua máscara e caminhou em direção ao pai, que o assistia sentado em uma cadeira.

— Pai! Obrigado por vir! — disse o menino após abraçá-lo. Estava nitidamente animado, não era sempre que recebia uma surpresa como aquela.

— Eu não poderia deixar de acompanhar o treino do meu filho, poderia? — ****** deu dois tapinhas no ombro do filho, que sorridente, balançou a cabeça em resposta — Vamos?

Ao seguir para o vestiário, o garoto trocou de roupa rapidamente e quando saiu de lá, encontrou o pai esperando por ele pacientemente por ele. Os dois deixaram o ginásio, e entraram no carro de ******, rumo ao lar.

— Não sabia que o senhor ia me buscar. — comentou o garoto, contente pela presença dele. ****** fez questão de dirigir o carro ao invés de deixar o trabalho para um motorista, coisa de um pai dedicado que veio buscar o filho.

****** olhou para trás rapidamente e avistou o jovem o encarando com um largo sorriso.

— Quis fazer uma surpresa. — Ele respondeu sorrindo.

— Obrigado! — respondeu com entusiasmo.

— Como estão as aulas de esgrima? — perguntou ele após um breve silêncio.

— Bem. O professor falou que eu tenho que mover mais o meu corpo para me sair melhor.

— Isso é prática. Com o tempo e um pouco de esforço você vai se tornar um excelente esgrimista. Sei que você está no caminho certo.

O garoto abriu um largo sorriso. Era evidente em seu rosto o cansaço, mas não podia deixar de sorrir após o comentário do pai. Ele não sabia muita coisa do mundo, era muito jovem, mas o homem à sua frente estava pronto para segurar sua mão e guiá-lo ao caminho correto.

Após um silêncio de um minuto, ***** chamou pelo pai:

— Quando o senhor vai me contar a história do vovô?

O homem ergueu a sobrancelha direita.

— Por que está tão interessado em saber, *****?

— Ah... — O menino balançou os pés no ar — Eu ouço o senhor falar dele às vezes.

Levemente, ****** pressionou as mãos sob o volante e olhou para os lados.

— Ainda não está na hora, filho. Você ainda não tem maturidade para isso. — Assentiu — Quando o tempo certo chegar, eu vou te contar.

— Até sobre o relógio? — Curioso, o garoto se inclinou para a frente.

— Inclusive sobre isso. — O homem se virou de lado, e após um pausa, continuou — Nós somos guerreiros, *****. E o primeiro passo para alcançar a glória é saber esperar.

Notas finais
Essa semana vai ser agitada, em pessoal. Temos o conflito na relação do sargento e da detetive, a caçada pela suspeita em matar o Lewis e o Zodíaco vivendo mais um dia normal, contando o fato em que ele está se preparando para fazer mais uma vítima. Por enquanto nossos policiais favoritos estão sentindo o "efeito" da noite anterior. Cada um reagiu de uma forma, mas ambos ficaram mal com isso. O sentimento de arrependimento chegou pro Grissom, mas ele não tem ideia da real consequência que isso vai trazer a ele e sua relação com Sara, agora abalada. É, galeríssima, tá chegando o dia do Zodíaco fazer outra vítima. O sargento e a detetive precisam ficar de olho e tentar se reconciliar o mais rápido possível; ou... ao menos dar um jeito de trabalhar sem levar a questão pessoal junto, mas nós sabemos que isso pode não ser fácil, ou melhor, não vai ser fácil. Muito obrigada a todos que estão lendo. Um grande beijo e até o próximo cap! ♥