Manhunters

57 Irritação, preocupação e confissão


Notas iniciais
Fala, meus amores, tudo bem? Nossa eu queria dizer que estou apaixonada pelos comentários do capítulo anterior, não tenho outra palavra melhor pra me expressar. Mano quanto carinho! Vocês são incríveis! Um grande beijo e um abraço virtual pra todas vocês, meninas! ♥ Agora eu queria me desculpar por atrasar a postagem do capítulo. Eu e meu grupo estamos no processo de término de algumas gravações e ainda tem a parte da edição (minha parte). Tenho alguns trabalhos pendentes e confesso que tá um pouco puxado. Agradeço a todos pela paciência, desejo tudo de bom pra vocês e boa leitura!

Dez e quarenta e nove da manhã.

— Por quê? Por que eu não consigo resolver isso?

Enfurnado em seu escritório o caçador não estava bem. Sentiu-se inútil, incapaz de resolver um crime, ainda que obtivesse ajuda de sua parceira. Talvez sua capacidade para raciocinar já não era mais a mesma. O tempo ia passando e talvez seu raciocínio para resolver crimes complexos começasse a falhar. Se continuasse num ritmo crescente de falhas haveria a possibilidade de exclusão do caso, talvez até do departamento.

Ele tinha de afastar aqueles pensamentos. Não era o fim, Grissom ainda tinha tempo de colocar as coisas no lugar e ainda terminar por cima. O sargento suspirou e ergueu a cabeça baixa, porém, o celular que estava em cima da mesa começou a tocar para seu descontentamento. Se o estresse pelo trabalho já era pesado, a interrupção lhe causava uma sensação pior.

— Grissom. — Irritado, nem se deu ao trabalho de olhar o identificador de chamada.

Ei, Grissom.

— Sofia? — Ele franziu o cenho — Por que está me ligando? — perguntou quase na mesma hora.

Do outro lado da linha foi possível ouvir um suspiro.

Novidades pra você. — disse, mas não muito animada — Ecklie se reuniu com o pessoal da Corregedoria e eles decidiram que você pode retornar ao trabalho.

O sargento arregalou os olhos. Ficou boquiaberto com a notícia, mas ao mesmo tempo, inquieto. Aquilo foi estranho demais, mesmo com a possibilidade do seu retorno ao caso.

— O quê? Como assim?!

Foi isso mesmo. Só que antes você terá de passar por uns exames médicos e só depois do resultado a sua volta está garantida.

— Faltam quatro dias pro Zodíaco atacar novamente e só agora eles fazem alguma coisa?! — comentou inconformado.

Olha, Grissom. Eu tentei argumentar com o Ecklie depois que ele te suspendeu, mas ele parecia irredutível. Ao menos o seu tempo de suspensão foi reduzido.

— De que adiantou essa palhaçada toda? Ele só atrasou o meu trabalho! — Ainda assim Grissom não se dava por satisfeito. Estava completamente inconformado. Por mais que os dias afastado lhe fizeram bem para seu corpo, sua mente não pareceu ter sido muito afetada.

Se ele te ouvisse falar assim...

— Eu não ligo. — respondeu sem reservas — A única coisa que eu posso fazer agora é tentar recuperar o tempo que ele me tirou. — Grissom levou a mão ao rosto e fechou os olhos — Obrigado por ligar e... desculpe se achou que estou descontando em você.

Não se preocupe. Após uma breve pausa ela continuou — Vá amanhã para o trabalho. Você vai precisar fazer alguns exames. Fale com o capitão que ele vai te instruir com os detalhes.

— Mais uma vez, obrigado... — Por mais que a notícia fosse boa, Grissom não estava contente.

Se cuide, Grissom. Tenta não entrar no ringue com o Ecklie de novo.

Os dois se despediram, e quando o sargento encerrou a ligação, ele olhou para o aparelho em sua mão direita.

Voltar ao trabalho significava voltar ao caso daquele maldito serial killer. Significava, também, voltar a trabalhar com ela. Era verdade que o mais importante no trabalho era manter uma relação profissional, mas a situação emocional se sobrepunha entre eles. Talvez o momento de seu retorno não fosse o melhor, só que não havia outra escolha.

Segurando o copo de uísque com a mão esquerda, Grissom tentava se manter focado em relatórios, arquivos, provas e fotos de crimes bizarros. Tanto tempo sentado ali e o máximo que conseguiu foi inventar teorias e indagar a si mesmo.

Ele apertou o copo sobre a mão.

Punhal, relógio, hora escrita em sangue. Punhal... relógio... hora... dinheiro.

Arregalou seus olhos. Olhou para o copo de vidro agora vazio e franziu a sobrancelha.

— DESGRAÇADO!

Com toda a força, Grissom jogou o copo na parede à sua esquerda. Ele ficou a respirar incessantemente. Levou as mãos ao rosto e abaixou a cabeça. Só depois de um minuto ele olhou para os cacos de vidro no chão. Apoiou-se na mesa para se levantar e caminhou para perto dos cacos na tentativa de recolhe-los.

— Ah, merda! — reclamou ao olhar para sua mão quando tentou pegar o pedaço de vidro maior, que acabou cortando sua mão. Subestimou tanto o tamanho do caco que mal reparou na força com que o pegou. Foi um ferimento feio.

Ele correu até o banheiro e abriu a torneira. Deixou que a água tocasse na larga ferida que no começo pareceu inofensiva. No começo ele gemeu e contraiu sua mão com força, mas segurou o pulso para impedir a si mesmo de retirá-la da corrente d'água.

— Pelo amor de Deus. — lamentou ao notar o sangue escorrendo até o ralo.

Confiar em si mesmo, apenas, o estava levando ao erro e à dor. Algo precisava ser feito antes que fosse tarde, e o tarde estava chegando.

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Já passava de meio-dia. Cada segundo de demora era uma agonia, intolerável para os detetives, principalmente para Sara, que morria de ansiedade e nervosismo com o decorrer das investigações. Um alerta foi acionado nos estados fronteiriços a Nevada sobre a suspeita da morte de Lewis. Era necessário fechar o cerco o quanto antes ou enfrentariam problemas maiores que este.

— Carver já falou com o juiz para adiantar o pedido o quanto antes. — Maksim voltou à mesa de onde Sara estava enfurnada — Ele não nos deu um prazo, mas vai tentar acatar até o final da semana.

— Que ótimo... — Ela ironizou revirando os olhos.

— Infelizmente as coisas funcionam desse jeito. — Ele deu de ombros — Conseguiu algo? — perguntou ao se inclinar para perto dela e observar o monitor do notebook.

— Estou procurando por pessoas ligadas a Hilary, mas estava pensando em outra coisa. — disse, ao se virar para a direita, encarando-o em seguida — Se ela não morava naquela região, como os dois entraram em contato?

— Hilary e Lewis? — O detetive ergueu as sobrancelhas — O mundo da prostituição é grande. — comentou — Há várias formas de um possível contato entre os dois.

A morena olhou para a frente e mordeu o lábio inferior. De repente, ela arrastou-se para trás com a cadeira giratória.

— Não pensamos nessa possibilidade. — comentou em voz baixa. Então pegou o telefone, já se preparando para discar um número.

— O que pretende fazer?

— Vou ligar para os peritos e pedir que revistem aquele apartamento de novo e tudo que Lewis levou para lá.

— Eles já fizeram isso. Não vejo motivo para voltar nessa parte, Sidle. — Ivanenko tentou falar com delicadeza, ainda que se mostrasse avesso à sua ideia.

Sara expirou e levou a mão direita à testa.

— A história da segunda vítima ainda não terminou. — Ela falou em tom de lamento. Balançou a cabeça e olhou para o outro lado.

— Olhe, — Maksim tocou em seu ombro direito, atraindo sua atenção — Sei que a morte dele abriu um leque de possibilidades para você e o sargento Grissom, mas é necessário tomar cuidado. Primeiro capturamos essa mulher e depois vamos averiguar cada ponto importante.

A morena observou sua mão, que ainda repousava sobre seu ombro. O toque foi de alguma ajuda. Para falar a verdade, Sara estava com os pensamentos acelerados. Essa ambição por tentar resolver os problemas o mais rápido possível estava lhe sobrecarregando.

Ela respirou fundo e voltou a observar o monitor à sua frente.

— Está bem. — disse, um pouco decepcionada.

— Vamos focar nessas pessoas. — Ivanenko apontou para a tela — O caso é importante, não acho que o juiz vai demorar muito para nos atender. — Ele se afastou — Ainda assim é melhor fazermos tudo o que estiver ao nosso alcance aos poucos, mas da melhor maneira possível.

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As horas se passaram. Seis e vinte da noite. Alguém chamou à porta da grande mansão de uma mulher com costumes... peculiares. A dona da mansão atendeu ao chamado pessoalmente, o que não fazia sempre, apenas em casos especiais. Os dois se cumprimentaram e seguiram diretamente para a sala particular da Lady.

— Confesso que estou surpresa pela sua repentina... visita. — disse a mulher quando fechou a porta e trancou-a à chave.

— Me desculpe, eu... — O caçador levou a mão direita à nuca e virou-se de lado. Desorientado, passeava lentamente pela sala sem saber aonde ir — Não tinha a quem recorrer.

— Eu entendo. — Ela apontou para a poltrona, lugar que ele já se acostumou a ficar — Sente-se, Gilbert.

O sargento olhou para o móvel, levando alguns segundos até que finalmente acatou ao seu pedido.

— O que houve com a sua mão? — Atenta, Heather caminhou para próximo dele e pegou sua mão delicadamente.

— Um copo de vidro. — respondeu sem muita vontade, retirando sua mão lentamente.

Percebendo o incômodo ao tocar naquele assunto, Heather se afastou dele e sentou-se na cadeira um pouco à frente.

— Diga-me. O que está te deixando assim?

Ansioso, mas sem carregar as palavras corretas, Grissom cruzou as mãos e olhou para baixo.

— Muita coisa. — terminou falando em voz baixa.

Ela sorriu de lado. O jeito que ele se comunicava e transmitia seus sentimentos era singular, único. Heather adorava aquele jeito simples, mas sincero de Grissom, coisa que não se via muito regularmente.

— Sobre o que está falando, Gilbert?

— Eu não devia estar lá. — O sargento balançou a cabeça — Aquilo foi um erro. Eu... errei com ela.

— Está falando de... Sara?

Ele assentiu.

— Eu não devia- — Levou a mão direita à testa — ter feito aquilo. — Fez uma pausa — Acho que... acho que não podemos mais ser parceiros.

Surpresa com aquelas palavras que soaram um pouco rígidas demais, Lady Heather perguntou curiosamente:

— O que aconteceu-

— Eu a beijei, Heather! — respondeu subitamente — Eu a beijei e depois... fui embora. — Sua voz se acalmou, de repente. Ele baixou o olhar quando falou, porém, logo se voltou a encará-la — Não queria ter feito aquilo, mas, CÉUS, aquilo foi...

— Bom?

Ele ficou em silêncio. Se respondesse que sim ou que não explicitamente seria perigoso.

— O que eu fiz foi errado, por mais que eu tenha sentido qualquer outra coisa. — E ele sentiu, só não quis admitir.

— O que te levou a fazer isso?

Grissom cerrou as mãos fortemente, até se esqueceu da mão esquerda, ainda machucada. Engoliu em seco e olhou para todos os lados.

— Foi um deslize. Me deixei levar por sentimentos e... aconteceu. — Grissom deu de ombros.

Heather estava mais que satisfeita ao ver comprovada a sua afirmação dita a ele há alguns dias.

— Se arrepende disto?

Ele deixou escapar uma risada.

— Por que se eu dissesse que estou completamente arrependido estaria mentindo? — perguntou retoricamente, então balançou a cabeça — Mas sei que estou errado.

— Grissom, antes de tudo, pare de considerar esses acontecimentos como um crime capital. Você está apenas confirmando que eu te disse.

O sargento a encarou nos olhos seriamente.

— Não precisa trazer argumentos contrários. Você mesmo sabe que não os tem.

— Não... isso não... — Ele mal conseguiu começar e tampouco terminar uma frase concisa.

— Você está apaixonado por ela. Que mal há nisso?

— Eu não estou- — Um pouco irritado, Grissom franziu as sobrancelhas. Todavia, a frase não foi completada.

— Se não está apaixonado, o que é isso que está sentindo?

Aquela pergunta o pegou em cheio. Ele ficou meio boquiaberto, ainda irritado, mas sem saber o que responder.

— Você tenta esconder o que sente, mas não adianta. — Heather o encarou com toda a tranquilidade possível.

Passados alguns segundos, Grissom se apoiou nos braços da poltrona e se levantou.

— Estou confuso. Tem muita coisa passando na minha mente neste momento. — Ele gesticulou com mão esquerda.

— Fique à vontade.

O sargento caminhou para perto de uma estante recheada de livros. Muitos deles eram sobre psicologia, ciência da mente e terapia sexual. Ele observou a lombada de um, mas logo deixou de lado a possível escolha.

— Fui um covarde. — comentou quase sorrindo, ao puxar um livro com o indicador — Várias e várias vezes.

Heather ficou em silêncio. Ficou a esperar a continuidade do amigo, pois sabia que ele precisava de espaço e tempo.

— Aquele dia na Conferência, aquele último dia... — Enfatizou — não terminou.

— Não terminou como esperado?

— Mais que isso. Ele não... terminou. Aquele dia estava de volta.

— Continue.

— Eu nunca vou me esquecer daquele olhar. — Ele virou o rosto para o lado e guardou o livro na estante — Seu rosto... não parecia o de antes, ele... seu olhar não brilhava como antes. Mas ainda assim... Ele... ele me atraía. — completou-se num tom de culpa — E depois ela veio com aquele mesmo... bendito olhar novamente. — disse, referindo-se à noite de domingo — O beijo... aquele beijo... foi um gesto que... não aconteceu no passado. Era como se... voltássemos no tempo.

Grissom ficou de frente para Heather, mas não conseguiu manter seu olhar fixo a ela.

— Eu não queria deixá-la... — Lamentou.

— E por que a deixou?

Ele levou as mãos ao bolso e se virou de lado. Após alguns segundos finalmente respondeu:

— Porque tive medo, Heather. — O sargento ergueu as sobrancelhas.

Grissom tocou em sua bochecha esquerda, então deslizou a mão sobre ela. A barba por fazer estava evidente e aquilo o incomodava.

— Eu disse que um dia voltaria, mas... — Grissom balançou a cabeça — fiquei refém do meu próprio medo. — Fez uma pausa — Não estou bem com isso, muito pelo contrário, sinto vergonha.

— O que aconteceu é passado agora. — Heather gesticulou com as mãos.

— Não adianta falar assim. Toda vez que vejo aqueles olhos o passado retorna. O que me deixou intrigado foi a facilidade dela em me encarar nos olhos, quase tão intensamente quanto daquela vez.

— Pelo visto ela conseguiu deixar essa marca para trás. Já você... ainda não.

Vagarosamente o sargento cerrou os punhos. Virou-se de costas para Lady Heather e falou em seguida:

— Eu falhei com ela de novo. — comentou, olhando para baixo — Beijá-la e depois ir embora foi uma das piores coisas que eu fiz com Sara. — Ele balançou a cabeça — Não adianta, eu não sirvo pra isso.

Heather soltou um suspiro. Trabalhar os sentimentos de Grissom era uma árdua tarefa, e o exato momento, talvez, foi umas das tarefas mais difíceis que já encarou.

— Ela tem que ir embora.

— Gilbert.

O sargento olhou para a amiga.

— Pare de tentar se refugiar em seus medos. A solidão vai te encurralar até o momento em que você não terá mais saída.

— Não quero que ela vá embora apenas por minha causa ou pelo que eu estou sentindo. Tem um serial killer à solta e ela está sozinha arriscando sua vida por minha culpa! — Ele apontou para a porta.

— Continua inventando desculpas para afastá-la de você? E o que sente por ela, Grissom? Vai deixá-la novamente?

— Eu me importo muito com ela, droga! — Inconformado com a própria amiga que, para ele, não compreendia o peso que seria tomar uma possível decisão como aquela, Grissom aumentou ligeiramente o tom de voz; mas depois voltou ao normal — Não sei o que vou fazer caso ele a pegue... céus...

— Você vai matá-lo. — A mulher respondeu sem reservas, o que atraiu a atenção de Grissom num pulo.

Ele não soube o que dizer.

— Não foi necessário muito esforço para perceber o que você faria caso isso aconteça.

Grissom engoliu em seco e fez um gesto negativo com a cabeça.

— Está em silêncio.

— Heather. — Ele gesticulou com a mão — Por favor, não vamos levar isso a-

— "Isso" é sério, e você sabe muito bem. — Heather aproveitou a deixa e se levantou, vindo a se aproximar dele — Posso enxergar em seus olhos... essa determinação em mantê-la a salvo faz você... — Ela o estudou da cabeça aos pés — ser capaz de tudo. Até mesmo matar alguém por vingança. — Sorriu.

— Eu sou um policial. Eu sirvo e protejo, não ajo por vingança pessoal ou qualquer outro motivo fútil.

— Mesmo se o assassino tocar em Sara?

O sargento mordeu o lábio inferior por causa da impaciência que sentia no momento. Ainda que sua última resposta tentasse defender a si próprio, Grissom já mostrava sinais de um comportamento (possivelmente) agressivo devido aos sentimentos que nutria por alguém; neste caso, pela detetive. Um exemplo disso foi o pesadelo que teve dias atrás onde ele "viu" o assassino matar Sara. Um sentimento tão forte de revolta tomou conta de si que Grissom seria capaz de dar um fim naquela figura com suas próprias mãos.

Se Zodíaco ousasse tocar em Sara ou até mesmo feri-la o sargento não seria capaz de responder por si. Esse era mais um de seus medos.

— É por isso que eu tenho de mantê-la a salvo. — disse, ao finalmente encará-la.

— Para você, mantê-la a salvo é mantê-la bem longe, não é mesmo? — Heather tocou em seu braço direito e depois se afastou dele. Seguiu para a sua mesa — Se está disposto a pedir a ela para que vá embora ao invés de contar o que realmente sente, como pretende fazê-lo?

Meio indignado, Grissom franziu o cenho e deu de ombros.

— Por que está falando desse jeito, como se eu não quisesse o bem dela? — Ele apontou para trás com a mão esquerda — O que eu mais quero é que Sara fique bem! Eu... o que eu sinto ou não pouco importa. — O sargento fez um gesto negativo.

— Está chegando perto. — A mulher brincou.

Ele inclinou a cabeça para baixo. Caminhou, então, de volta à poltrona e se sentou. Apoiou os cotovelos nas pernas e suspirou.

— A Sara... ela... — Grissom interrompeu a si mesmo quando sorriu sem querer ao se lembrar do passado — merece o mundo. Não, — corrigiu-se — mais que isso. O mundo não é o suficiente pra ela.

Não dava mais para maquiar o que sentia. Era uma verdade que não era mais possível esconder de si mesmo. Só que ele tinha medo disto.

— Percebe agora o que você tem escondido de si próprio?

— O que adianta, Heather? — Ele ergueu os braços e se recostou na cadeira — Ela merece alguém melhor que eu, um homem que saiba amá-la de verdade, não alguém que a hostilizou desde o começo do trabalho, beijou-a e foi embora sem dar explicações. Além disso, depois do que eu fiz ela nunca vai me perdoar. — Em silêncio por alguns segundos, o sargento levou a mão à nuca — Eu agradeço que esteja tentando me ajudar, de verdade. Mas acho que essa época de "amor" já passou pra mim.

Não foi fácil para ele dizer aquilo, por mais que as palavras tenham soado naturalmente. Grissom chegou a um momento de sua vida que só o trabalho e uma parcela de sua vida bastavam. Ainda que o beijo tenha lhe trazido uma sensação incrível da qual não sentia há anos, o sargento tinha em mente que aquilo não passou de um beijo que ele e a detetive gostariam de trocar naquela época. Foi um beijo de despedida, despedida do passado.

Também não era fácil admitir a si próprio que nunca poderia ficar junto da mulher que capturou sua atenção naquela palestra e que passou momentos adoráveis ao seu lado. Tudo isso por culpa de seu medo. Ele pagou caro até então; só lhe restava acordar para a realidade.

— Agora, responda à minha pergunta: Você a ama?

Estático, Grissom encarou Heather como se aquela fosse a pergunta mais íntima que ela já fez a ele. Nervoso, ele tamborilou os dedos sobre os braços da cadeira e engoliu em seco. Seus lábios mexeram ligeiramente, mas a voz não saía.

— Sim ou não, Gilbert. — Ela balançou a cabeça e após alguns segundos, continuou — Oh, me desculpe. O silêncio também é uma resposta.

Seus pensamentos o levaram àquele último dia em que se viram em São Francisco. Ele podia enxergar quase com clareza os olhos daquela mulher o encarando. Por mais que Grissom reforçasse a sua palavra de que retornaria, de alguma forma ela sabia que um encontro como aquele não aconteceria novamente. Sara já estava preparada para o adeus.

"Acho que isso é um... até logo?"

"Você me diz, Grissom."

Mesmo sorridente, ele sabia que havia algo errado com aquele sorriso e com aquele olhar. Disfarçou, tentou animar seus ânimos. Depois de tanto tempo observando seu rosto irradiar um brilho alegre, vê-la daquele jeito o deixou mal.

"Espero te ver em breve."

Quase lentamente ela tocou em seu ombro e aos poucos o envolveu num abraço. Sua resposta foi aquele gesto, o que respondeu muita coisa. Só depois de longos segundos, a jovem detetive se afastou dele e disse nesse meio caminho:

"Eu vou sentir sua falta."

— Então é isso.

As palavras da dominatrix o trouxeram o sargento de volta, que ainda permanecia em silêncio. Grissom a encarou, encontrando um semblante neutro, sem raiva ou alegria. Heather o entendia muito bem e sabia que por muitas vezes seu silêncio era uma resposta.

— Sim.

Surpresa, ela ergueu as sobrancelhas. Não por causa da resposta já que sabia daquilo muito antes dele. Ficou surpresa pelo amigo ter se expressado.

Ele assentiu, e olhando para baixo, confirmou novamente:

— Eu a amo.

Notas finais
BEM! Após uma série de cagadas o Grissom sabe (descobriu) realmente o que sente por ela. Finalmente admitiu para si mesmo que a ama, tanto que faria de tudo para mantê-la a salvo. Porém ele ainda carrega o peso das suas ações e imagina que não existe mais chance para os dois ficarem juntos. Resta acompanhar se ele vai se manter assim ou se vai tentar consertar a relação pessoal com sua parceira de trabalho. Éééé galera, esse termômetro tá doido, oscilando muito haha. Obrigada a todos que leram! Um grande beijo e até o próximo cap ♥