Manhunters

18 Sangue e Chumbo


Notas iniciais
Hoje é dia de capítulo novo? É SIM! E aí, pessoal, tudo bem? Nossa, eu queria antes de tudo agradecer a todo mundo que tá lendo, estava dando uma olhada nos acessos que a fanfic teve e já tem mais de 1400, sem contar com os comentários, mais de 40! GENTE, VOCÊS SÃO DEMAIS! Muito obrigada mesmo pelo apoio em ler essa história, comentar e tudo mais. Vocês estão, cada vez mais, me deixando feliz! Vamos ao capítulo, que acho que muitos estavam esperando! Pretendia postar na quarta ou segunda (hoje), então acabei optando por segunda mesmo, para a nossa alegria. Está na hora de saber o que aconteceu ao sargento e a detetive, então vamos lá!

De volta no tempo.

Sara entrou na loja, um pouco distraída ao pensar no que gostaria de comprar. Imaginou escolher alguma besteira para enganar o estômago, uma bebida refrescante, e é claro, uma garrafa d'água para Grissom. No fundo estava contente com a situação; tudo corria bem. O próximo passo era entrar em contato com Lewis e depois levá-lo, junto dos outros guardas para a delegacia. A história foi mal resolvida e haviam muitas pontas soltas.

A detetive olhou para os fundos do local; lá estava o atendente atrás do balcão e mais uma pessoa à sua frente. Assim que as duas pessoas ouviram o tilintar do sininho da porta, viraram-se para ela. A detetive também percebeu que, no momento, acabou por ser o centro das atenções.

Assim que o homem — de mais ou menos 1,68m — virou-se para a detetive, esta notou o objeto meio reluzente em sua mão. Era um revólver. A mulher não teve tempo de pegar sua arma. Em poucos segundos de reação, o homem atirou.

— Droga! — reclamou a detetive, que pulou a tempo para o lado. Ela usou uma das prateleiras para se proteger. A mulher virou o rosto em direção à porta e depois voltou-se para o caminho do atirador. Pegou a sua arma e segurou-a como se fosse a única chance de sobreviver. E era mesmo.

Sara tinha poucos segundos para agir. Provavelmente imaginou que Grissom ouvira o tiro e estava vindo. Até lá seria tarde demais, precisava agir por conta própria. Raciocinou mais.

Os possíveis presentes na loja deveriam ser ela, o assaltante e o balconista. Não teve tempo observar o local ao seu redor, mas pelo visto era isso mesmo, já que não viu mais carros no local. Talvez o balconista tenha se escondido. Bom.

Rápido, Sara! Rápido!

Os olhos da mulher se arregalaram. Prendeu a respiração, atenta a qualquer som que o suspeito pudesse produzir. Caminhou agachada, mãos firmes na pistola e o coração tentando se manter num ritmo aceitável. Quando ela se ergueu, com as mãos apontando sua arma para frente, aconteceu.

O rapaz, assim que viu a mulher fugir, correu em sua direção para terminar o trabalho. Os dois se encontraram. Seus olhares se chocaram como um relâmpago que toca o chão. Ele estendeu o revólver em direção a ela, pronto para descarregar toda a munição.

Porém, a detetive atirou antes. Duas vezes. Um tiro acertou o lado direito do peito do jovem — mais precisamente no ombro —, que caiu.

— MERDA! — exclamou agitada.

Não teve muito tempo para se acalmar. Ouviu dois tiros vindos de fora. Depois mais outros. Instintivamente se abaixou para se proteger de qualquer bala perdida.

Que droga, o que acontecendo aqui?! Pensou desesperada, ao se virar para a frente da loja.

— Grissom... — sussurrou. Precisava sair da loja o mais rápido possível. Aconteceu alguma coisa lá fora e não era nada boa, sabia disso.

Hesitou uma vez, preocupada com o lojista que havia se escondido atrás do balcão. Antes disso, se aproximou do garoto caiu no chão. Checou seu pulso; ainda respirava (e gemia de dor pelo tiro no ombro). Ela pegou o revólver próximo de sua mão e o guardou atrás da calça. Depois caminhou alguns passos em direção ao balcão.

— Você está bem?! — perguntou em voz alta — O suspeito já está contido.

O homem se levantou aos poucos e observou a detetive segurando a arma. Ela tocou em seu braço direito para saber se não entrou em pânico.

— S-sim... — respondeu assustado o homem, que tremia sem parar.

A detetive assentiu: — Fique aqui e aguarde. Vou chamar ajuda.

Sara deu meia-volta e antes que deixasse-o, ele chamou por ela.

—O quê? Aconteceu alguma coisa?

— Mu-muito... obrigado. — disse profundamente agradecido, dava para perceber em seus olhos, que começaram a lacrimejar.

Ela apenas assentiu. Então correu imprudentemente para fora da loja, mesmo sabendo que outro tiroteio poderia começar. A luz do sol ofuscou um pouco sua primeira visão de fora, e quando se acostumou...

— Ah não... — sussurrou balançando a cabeça repetidas vezes.

Bem na sua frente. Era ele, caído no chão a poucos metros. Logo pôde sentir o cheiro de sangue que a brisa trouxe ao seu nariz. O cheiro, misturado com o odor da gasolina causavam-na uma sensação nauseante. Foi como tomar um soco no estômago; algo dentro dela a impediu de agir ou falar.

Isso não pode estar acontecendo... não pode...

Ela se virou para o lado, encontrou outro homem caído. Um rapaz, na verdade, não muito longe de Grissom. Havia uma poça de sangue em volta de seu corpo; era muita, não podia ter sobrevivido àquela perda. Um dos policiais foi checar se havia pulso. Antes, pegou a arma do rapaz e a guardou; assim que checou o pulso, balançou a cabeça negativamente.

— Grissom...

Tudo mudou em tão pouco tempo. Nada daquilo parecia ser verdade. Não podia ser verdade.

O outro policial que estava próximo ao sargento, lhe dava os primeiros socorros.

— Droga, alguém pode me dizer que inferno aconteceu aqui?! — questionou irritada aos policiais.

— Ouvimos o tiro vir da loja. — respondeu McCarty, que estava próximo ao rapaz morto — O sargento correu para te auxiliar, mas esse aqui o parou. Ele ouviu os tiros novamente e tentou entrar na loja, mas o rapaz pretendia atirar.

— E o que aconteceu?! — Ela fez um gesto com as mãos, mais confusa que antes.

— O sargento Grissom simplesmente... Não atirou. — disse preocupado.

— Como assim não atirou?! — Questionou a morena, mais atônita ainda.

— E-eu não sei! O rapaz atirou logo em seguida e acertou o sargento duas vezes. Eu e o Souza atiramos nele, que acabou morrendo. — terminou apontando para o rapaz e caminhando em direção à ela — Você está bem?

— Estou... Que droga... — A detetive balançou a cabeça, levando a mão ao rosto. Logo se lembrou do garoto na loja — Tem um ferido lá dentro, devia ser o comparsa dele. Ele tentou atirar em mim, mas consegui revidar. Precisa ir lá ajudá-lo.

— Tá! — Assentiu, indo rapidamente para dentro da loja.

— Ah... AH! — gemeu o sargento, caído no chão. Acabou chamando a atenção dos dois que conversavam.

— Aguente firme, sargento! — falou o policial Souza, pressionando a ferida — Essa ambulância tem que chegar logo, ele tá perdendo muito sangue! — alertou.

Sara olhou para o parceiro caído. De repente esqueceu-se de tudo que passou com ele antes. O momento era o agora e no momento, ela tinha medo. Mal tinha coragem de se aproximar dele. Se morresse, não estaria próxima para vê-lo e ouvir seu último suspiro. Ansiava desesperadamente que estivesse apenas sonhando e que o despertador tocasse para livrá-la daquilo.

Sara...!

— Sara! — gritou o policial Souza, o que a fez acordar para a realidade.

— O-o que!

— Ajude-o aqui! Tem que pressionar a mão sob a barriga. Rápido!

Ela se aproximou dele correndo como nunca e quando o fez, observou-o bem. Sua perna esquerda e a barriga — mais precisamente perto da região lombar — foram atingidas. Era possível ver com clareza o sangue manchar as suas roupas.

— Grissom... — sussurrou ela ao se ajoelhar. O policial entregou-lhe um pedaço de tecido. Sara pôde perceber que o tecido que o policial segurava estava completamente manchado de sangue. Com força a detetive pressionou o tecido sobre o ferimento na barriga.

— Sara...! — disse ofegante ao sentir a dor da ferida pressionada — AH... você tá bem?

Que idiota, é ele que está ali perdendo sangue e vem me perguntar se eu estou bem?!

— Grissom, cala a boca! Preocupe-se com você, droga!

Calma, Sara.

— A ambulância vai chegar e eles vão dar um jeito em você, seu idiota. — disse para ele, dessa vez mais calma.

Ele soltou um riso misturado com lamento.

— Quanto tempo, Souza? — falou baixo para o policial ao seu lado.

— Uns dez a quinze minutos. — respondeu — Já alertei aos paramédicos assim que o suspeito foi abatido. Também chamei por outra viatura.

— Eu... já encarei... coisa pior. — O sargento falou de repente.

— Percebi, você não para de falar! — ironizou — Agora, fica quieto!

Foram longos sete minutos. Nesse tempo Sara e o outro policial permaneceram na mesma posição a pressionar o tecido na perna e em sua barriga. Eles não podiam deixar que mais sangue escorresse de seu corpo ou seria fatal. O tempo estava acabando e Grissom ficava mais debilitado. O sargento não se expressava diretamente, mas seu olhar e as feições de seu rosto explicitavam a intensa dor que sentia.

— E... estou com... frio. — disse em voz baixa, tremendo.

— Ele está entrando em choque. — disse o policial, se levantando — Vou pegar a manta térmica na viatura. — Em seguida ele correu para o carro, deixando os dois.

O sargento fechou seus olhos por um instante.

— Ei, não durma! Tem que ficar acordado, Grissom! — A detetive balançou rapidamente as suas mãos, na tentativa de deixá-lo alerta.

Assim que a ouviu, o sargento abriu lentamente os olhos, dirigindo-se a ela.

— Olha só, você vai ter que aguentar, Gilbert!

— Gilbert...?

Foi a primeira vez que ela o chamou pelo seu primeiro nome. Estranho o jeito como aquilo soou. Ele soltou uma breve risada espontânea, que foi interrompida por uma tosse. Chegou, ainda, a expelir um pouco de sangue.

— Pare de rir! Isso não foi engraçado! — Nervosa, ela brigou com ele, sabendo que o mesmo não tinha culpa.

Vamos logo, cadê essa ambulância, droga! Pensou, olhando para a estrada ao longe. Ela tentava não se concentrar no estado atual dele para não perder a calma. Foi treinada para isso. Mas parecia que o treinamento não estava adiantando muito.

— Sara... — O homem disse em voz baixa, chamando a atenção dela.

— Que foi? — perguntou, voltando-se rapidamente a ele.

— Eu... tô cansado.

Não fala isso... Por favor...

— A ambulância já tá chegando. — Sara o encarou nos olhos — Você está há muito tempo na procura daquele assassino. Precisa resistir, Grissom! — Ela disse, após flexionar um pouco seu corpo.

Ele tentou erguer a mão direita, mas falhou.

— Ch-cha... ves. — sussurrou ele, sua voz estava notavelmente fraca.

— O quê? Suas... chaves? — A mulher questionou nervosa.

Levemente o sargento assentiu, fazendo força para erguer um pouco a mão e apontar para o bolso direito de sua calça.

— Tá, tá bom. — Sara se esgueirou um pouco e pegou o objeto no bolso de sua roupa, guardando-o em sua jaqueta logo em seguida. Então continuou a pressionar o ferimento em sua barriga, o que parecia ser o mais grave — Agora... vê se aguenta aí.

Souza chegou com a manta térmica e o cobriu rapidamente. Em seguida verificou o estado do ferimento em sua perna que sangrava menos; mesmo assim voltou a fazer pressão para evitar perdas maiores.

O sargento e a detetive não se falaram mais.

Depois de quatro minutos, duas ambulâncias chegaram. A equipe dos paramédicos veio correndo com uma maca na direção dos dois. Outra equipe entrou na loja a pedido do policial que os aguardava do lado de fora.

Os socorristas pediram para Sara e o policial se afastarem, que, em silêncio o fizeram. Foi a última vez que seus olhares da detetive e do sargento se encontraram antes que ele fosse levado para dentro da ambulância. Souza informou aos socorristas tudo o que aconteceu e o estado de Grissom. O sargento foi posto rapidamente na maca e logo lhe colocaram uma máscara de oxigênio. Foi levado em seguida para a ambulância. Um dos socorristas perguntou a detetive se ela queria ir junto.

— E-eu tenho de ficar... — respondeu hesitando.

O homem assentiu e não esperou mais, foi correndo até o veículo, que foi fechado. A porta da loja se abriu e os outros paramédicos trouxeram o suspeito ferido para fora diretamente até a outra ambulância. Nem Souza, nem McCarty acompanharam o sargento, pois já estavam envolvidos na morte do jovem e precisariam ficar na cena do crime.

A sensação de solidão chegou novamente à detetive.

Notas finais
Então foi isso, pessoal. Agora a Sara vai ter que lidar com certas questões sozinha. Imaginem só, ambos estavam seguindo com o plano, estavam até indo bem na relação pessoal; e de repente, esse choque acontece e acaba separando os dois. Sem contar que, quanto mais o tempo passa, o dia da próxima vítima do Zodíaco se aproxima, complicado, não é? O que vocês acham, ela deveria acompanhado Grissom na ambulância? Obs: estou fazendo uma playlist no Spotify com músicas que joguei na fanfic e outras que acho que tem a ver com a história. Qualquer coisa eu posto depois o link dela pra vocês ♥ Muito obrigada por lerem esse capítulo, beijos e até o próximo!