Manhunters

44 Relatos de um sobrevivente


Notas iniciais
Olá, pessoal! Cheguei-me aqui para trazer-vos mais um inédito capítulo desta fanfic. Bem, deixando a formalidade de lado... nossa parece que eu não posto um capítulo novo há meses! Nesse meio tempo aproveitei para revisar o capítulo e de quebra terminar de jogar Final Fantasy VI hahaha, o jogo é muito bom! Um super obrigada a você, leitor(a), que acompanha esta fanfic. Eu não vou me estender mais ou dar detalhes do cap porque vou acabar dando spoiler aqui. Vamos ao capítulo? Bora lá!

A detetive sorriu para ele. Uma brisa passou pelos dois e balançou seus respectivos sobretudos. O sargento fechou seus olhos e deixou o vento tocar em seu rosto. Por um minuto inteiro ficaram quase imóveis e em silêncio; talvez pelo medo de estragar o momento.

Foi ele quem seguiu adiante. Respirou fundo e virou-se de lado para observá-la.

— Estou orgulhosa de você. — falou sorrindo.

Ele balançou a cabeça.

— Ainda não.

Confusa, Sara franziu o cenho. Imaginou que o assunto estivesse encerrado.

— Como assim?

Grissom apontou para a frente, na intenção que ambos começassem a caminhar. Então o fizeram.

— Queria que eu te dissesse o motivo de eu ter me esquecido de você, não é?

— Não foi por causa da... morte de Holly? — Ela perguntou ao hesitar brevemente.

— Mais ou menos. — respondeu enquanto olhava pra frente. De repente, parou de andar — Vamos embora daqui?

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O pedido de Grissom foi atendido. Ele e Sara deixaram o cemitério e foram de carro até um parque próximo. O sargento queria estar num ambiente mais "vivo" e agradável, pois sabia que a conversa que teria com ela não seria. O parque estava quase vazio. Poucas pessoas se aventuravam em brincar com seus filhos e filhas ao ar livre mesmo com a baixa temperatura. Alguns caminhavam, corriam, faziam exercícios ou descansavam; nada de incomum. Próxima a área central do pequeno parque havia um banco de pedra. Grissom apontou para o ponto quando já estavam a poucos metros. Sara foi a primeira a se sentar. Sem muitas dificuldades em se mover, ele não demorou em fazer o mesmo.

Ele apoiou o antebraço direito na perna e suspirou ao olhar para baixo.

— Bem, chegamos.

— Você não... precisa falar se não quiser. — Ela fez um gesto com o pescoço ao notar o abatimento no rosto do parceiro.

— Não, — Ele balançou a cabeça — eu preciso te contar. Já passou da hora.

Contente com sua escolha, a detetive sorriu de lado e assentiu.

— Quando... ela se foi... eu... fiquei transtornado. — Ele olhou para o chão. Então levou a mão direita ao rosto e a deslizou.

Sara observava atentamente a cada movimento dele. Podia imaginar o quão era difícil para Grissom dizer aquelas coisas.

— Passei algum tempo tentando me esquecer do que aconteceu, mas era impossível. Cheguei a ficar duas semanas fora do trabalho.

— É normal que isso aconteça. Parece que... quanto mais a gente tenta esquecer alguma coisa, isso "gruda" na nossa mente — Brincou — E o que houve depois? — Ela acabou chamando a atenção dele.

— Voltei a trabalhar, — Deu de ombros — na esperança que... o "fazer alguma coisa" pudesse desviar meu foco daquilo. — Ele suspirou — Era um caso complexo, um serial killer. Foi o primeiro caso que eu peguei após a morte dela.

Ela ergueu as sobrancelhas.

Que droga, Grissom, você não devia...

— Aquele caso me chamou a atenção, eu não podia deixá-lo de lado. Ele estava fazendo várias vítimas nessa área de Las Vegas Valley ao longo de um mês e pouco. Seus alvos eram... — O sargento piscou algumas vezes — mulheres... jovens. O assassino...

A gradativa interrupção em sua fala evidenciou o quanto Grissom se sentia mal em tocar no assunto. Não é à toa que adiou a conversa pelo tempo que pôde.

Num gesto solidário, Sara tocou em seu braço direito por alguns segundos. Assim que o fez, Grissom ergueu a cabeça ligeiramente para o alto e virou o rosto para ela; entretanto, não conseguia manter seu olhar fixo nela.

— O assassino fazia experiências com aquelas mulheres. — falou em voz baixa.

A detetive olhou para o chão.

— Ele... operava suas vítimas achando que elas tinham algum defeito.

— Que desgraçado! — Inconformada, Sara se manifestou.

— "O Médico" era como a gente o chamava. Isso porque chegou a esquartejar uma vítima e... repor partes de seu corpo em outra. E não parava por aí, ele... fazia várias operações em outras mulheres transplantando órgãos e... céus... foi o pior caso que já peguei na vida.

— O que aconteceu com você, Grissom? — Preocupada com o distanciamento dele em relação a si mesmo, ela inclinou seu corpo levemente para encontrá-lo.

— Minhas investigações me levaram à Universidade de Las Vegas, o centro do espiral do assassino, e a um nome: — Ele engoliu em seco — Albert Stone.

A respiração do sargento aumentou por um breve tempo, fato que Sara não deixou de perceber. Ele se encontrava explicitamente abalado.

— Ele era um cirurgião que trabalhava no hospital da universidade. Com base nas... provas, — Grissom enfatizou a última palavra — Eu fui até sua casa para interrogá-lo, sozinho.

Sara ergueu as sobrancelhas novamente.

— Estava tão convicto que ele era o culpado que pus a minha afirmativa acima da razão. — O homem fechou os dois punhos com força — Fui até lá... entrei em sua casa para terminar com aquela história de vez. Ele me recebeu como qualquer um, e depois disso... foi aí que... tudo virou um... pesadelo.

— Ele pegou você, não foi?

Ao fechar seus olhos na tentativa de se segurar, Grissom assentiu por várias vezes.

— Ouvi o grito de uma mulher no porão de sua casa. Quando segui para o interior da casa logo senti o cheiro do sangue e alvejante. Tentei confrontá-lo sobre isso, mas Albert foi mais rápido me sedou com uma seringa... então eu apaguei. Não deu tempo de reagir.

Após alguns segundos de silêncio, a mulher se manifestou:

— Sinto muito, Grissom. — comentou em voz baixa.

— Paguei caro por isso. Albert, ele... me levou para o sótão. — Ligeiramente, o sargento cerrou o punho esquerdo, apoiado em sua perna — Eu não ouvi mais a mulher que gritou... não sabia se estava morta. — O homem a encarou após uma breve pausa — O que ele disse pra mim...?

A mulher, apreensiva, esperou por uma resposta que demorou para vir.

— Disse que a minha alma tinha defeito, que... ela precisava ser reparada.

Sara atentou para seus olhos. Não brilhavam mais como outrora, há minutos atrás. Eles emanavam tristeza, melancolia, morte.

— Sabe o que ele fez comigo? — Grissom não esperou por uma resposta — Ele me matou.

Ela continuou a atentar para seus olhos. As poucas palavras que ouviu causaram um forte efeito nela. Imaginou falar palavras de conforto, porém elas não saíram. Sentiu-se mal ao ficar em silêncio sem saber o que dizer. Apenas lamentou.

— Não dá para imaginar o que você passou... Eu sinto muito.

— O Médico pôs vários fios na minha cabeça e corpo. Então desferia pequenos sem parar. — Grissom falou com o olhar baixo — Toda hora ele dizia que havia algo errado comigo, algo que... não estava certo. — O sargento suspirou — Não foi só a tortura física, foi a tortura psicológica que aquele desgraçado fez.

Ele olhou para a frente e depois para a mulher ao seu lado.

— Teve um momento que... Albert injetou uma substância na minha veia e... meu coração parou. — Levou a mão ao rosto — Eu não consegui me mexer para sair daquela cama, estava indefeso! — Lamentou ao fechar o punho direito.

Sara o observou fazer aquele gesto e sentiu-se ainda mais incomodada por não poder ajudá-lo.

— Eu estava morto. — Ele soltou uma risada melancólica — Morto. — Ergueu as sobrancelhas — Mas aquilo não foi o suficiente. Para ele ainda tinha algo errado comigo. — Grissom olhou para o alto e fechou seus olhos rapidamente — Ele poderia ter me matado de vez. Mas acho que ele quis fazer aquilo para se sentir no controle. Então me ressuscitou com um desfibrilador.

Ele balançou a cabeça repetidas vezes, depois apoiou as duas mãos sobre suas pernas. Baixou a cabeça. O semblante era de alguém indignado, enraivecido, uma vítima.

Sara se comoveu com ele. Nunca imaginaria que o homem que conheceu na Conferência passaria por todo aquele inferno tempos depois. Ela estendeu a mão esquerda e tocou em sua mão direita. Apesar do susto, Grissom não se absteve e a deixou tocá-lo.

— Isso só terminou quando ele estava a ponto de acabar com a minha vida de vez. Ou melhor... "consertá-la".

Sara não precisou perguntar, seu rosto já lhe fazia esta pergunta.

Grissom virou o rosto para o lado esquerdo, e lentamente se voltou para a detetive.

— O Médico estava pronto para me lobotomizar.

— Céus... — lastimou. Nem percebeu que ainda mantinha sua mão a cobrir a dele.

Silêncio. Uma brisa fria perpassou por entre aquelas árvores e chegou aos policiais.

— Como conseguiu... você sabe... — disfarçou sem ao menos conseguir completar a frase.

— Quando eu "voltei à vida", Albert deixou a sala por algumas horas. Nesse tempo me esforcei ao máximo tentando afrouxar as amarras que ele prendeu em meus braços. Como estava coberto por um lençol não deu para perceber. — Deu de ombros — Só que eu já não acreditava em mais nada. Fiz aquilo só por instinto, já dava a minha "nova" morte como certa.

— Ainda bem que esse pensamento não se concretizou, não é? — Sara deixou escapar um sorriso. Por mais que a história fosse pesada, uma sensação de alívio tomava conta de si ao ter em mente que Grissom sobreviveu àquele inferno e no momento estava ao lado dela para lhe falar sobre aqueles acontecimentos.

— É... — Ele tentou, mas não conseguiu sorrir. Então voltou à história — Quando Albert voltou ele trazia consigo um picador de gelo. Ele nem precisou falar o que era, eu já imaginava... Peguei força não sei de onde, quando o Médico se aproximou... usei meu corpo para derrubá-lo. Estava fraco demais para fugir dali, e o empurrão que eu dei não foi tão forte. Ele tirou do bolso do jaleco uma seringa e se levantou. Eu estava fraco, mas também consegui me levantar do chão.

— E o que houve?

— Voltei ao instinto. — Grissom a encarou nos olhos — Corri para cima dele e o empurrei até a janela.

Ele parecia não mais lamentar, mas ainda era possível perceber uma pontada de tristeza em sua voz e semblante. Ela abriu a boca para falar, mas se calou.

— Só me dei conta do que fiz quando o ouvi o som do corpo quando caiu no chão. Foi estranho... era como se não fosse eu... como se... eu estivesse num sonho, pesadelo. — Ele fez um gesto com a mão esquerda. Foi quando Sara percebeu que ainda tocava na mão dele, então afastou a sua — Não perdi mais tempo e liguei para o resgate. Não demorou muito, eles conseguiram descobrir onde eu estava.

— Eles quem, a polícia? — Ela ergueu as sobrancelhas.

— É. — respondeu um pouco irritado. Não com ela, e sim, com eles — Final da história? Aquela mulher que ouvi no porão sobreviveu. Acho que foi a única mulher que sobreviveu nas mãos dele. Já o desgraçado... ele está preso num hospital psiquiátrico, paraplégico.

Ela ergueu as sobrancelhas.

— Com aquela queda eu achava que ele tinha morrido, mas conseguiu sobreviver não sei como.

— Mas agora acabou, Grissom. — disse, tentando melhorar a situação — Ele nunca mais vai poder fazer mal a alguém.

— Céus, eu queria que tivesse acabado no momento em que eu o empurrei. — Grissom apoiou os antebraços nas pernas, ao afastar sua mão dela — Eu posso ser um homem mau por falar isso. Aquilo pra mim não acabou, muito pelo contrário. Foi só o começo. — Ele fez uma pausa — Quando... eu fui levado ao hospital, horas depois, tive um colapso nervoso. Eu achava que... ainda estava preso num pesadelo, já não conseguia mais raciocinar.

O olhar do sargento ficou distante. Já não se concentrava mais na detetive, parecia estar em outro lugar.

— Grissom?

Ele baixou a cabeça.

— Gilbert? — A morena tocou em seu ombro novamente.

Rapidamente o sargento levou a mão direita ao rosto e inclinou seu corpo levemente para baixo.

— Me desculpe. — Balançou a cabeça, ainda com a mão sobre a testa.

— Ei, tá tudo bem agora... — Instintivamente ela deslizou a mão em seu braço, na tentativa de acalmá-lo.

— É... então... eu acabei ficando duas semanas no hospital. Depois disso precisei ficar seis meses afastado do trabalho. — O homem bateu os pés no chão para se distrair — Saí do país, fui pra Europa e... me esvaziei. — Deu de ombros — Por causa disso tudo... você foi embora da minha mente, não sei por quê... E agora que me lembrei, eu vejo que foi uma das piores coisas que aconteceram comigo.

O coração dela acelerou. Não imaginava que Grissom (ainda) se importasse tanto com ela. Ao se apresentar como um homem totalmente diferente do que conheceu anos atrás, a esperança de que ele pudesse demonstrar algum sentimento a ela era quase impossível. Talvez nem tudo estivesse perdido.

Sara virou seu corpo para ficar quase frente a frente com ele. Ela tocou em sua bochecha com a mão esquerda e mordeu o lábio inferior. Nunca o fez, mas seu instinto a levou a fazer aquilo. No momento só enxergava uma vítima que sofreu duros golpes no passar dos anos. Ele não merecia nada daquilo.

— Eu devia estar com você. — falou, segundos após tocar em seu rosto com delicadeza.

— Não. — Ele negou veemente — E se alguma coisa acontecesse com você?

— Como você ia saber?

Grissom ergueu o braço direito, pronto a afastar a mão dela de seu rosto, só que mudou de ideia. Para falar a verdade ele gostou de sentir o toque de sua mão pela primeira vez em tanto tempo.

— Não saberia. — respondeu melancolicamente.

— Então? — A detetive deu de ombros e sorriu de lado. Em seguida deslizou a mão de seu rosto e se separou dele.

— Está bom do jeito que está. Ao menos você está bem.

— Mas e você? — Um pouco indignada com aquela afirmativa, Sara franziu as sobrancelhas.

— Eu paguei por minhas escolhas.

— Grissom, você se martiriza demais. Isso só faz mal a si mesmo e aos outros à sua volta, sabia? — Ela o repreendeu.

— Você?

A mulher fez uma careta, afirmando sua resposta. Grissom olhou para o chão um pouco decepcionado com a resposta.

A detetive suspirou.

— Olha, eu sei que você está se reconstruindo após tudo aquilo que aconteceu. Mas precisa saber que você não tá sozinho. Não precisa enfrentar esses fantasmas sozinho.

Ele ficou em silêncio após ouvi-la. Já recebeu diversas palavras de apoio e ânimo de várias pessoas, inclusive de gente próxima a ele. Mas ouvir as palavras de Sara foi como receber o único consolo da Terra. Foi diferente, não pelas palavras, mas por algo a mais. Talvez porque foi ela quem disse.

— Você é um sobrevivente. Aquilo foi passado, e o melhor que você pode fazer é... pensar no agora.

O sargento deixou-se contagiar pelo sorriso dela e acabou fazendo o mesmo.

— Obrigado, Sara. Eu... precisava disto. — Assentiu por várias vezes ao encarar a morena — Muito obrigado.

— Ei, não tem problema. Sabe que pode contar comigo. Nós somos...

— Amigos?

Amigos... Pensou ela com uma pontada de decepção. Poderia ser egoísmo, mas ela desejasse que aquilo fosse um pouco mais além.

— É... — respondeu, mas no fundo não estava satisfeita.

Ela olhou para o relógio. Já passava das seis.

— Está na hora. — O sargento comentou.

— Eu vou chamar um táxi pra mim.

— Não. Vamos com o meu carro. Eu consigo dirigir de volta pra casa.

— Grissom. — Retrucou séria já que não gostou da ideia. Decerto que Grissom já se movia com mais facilidade, porém ainda usava a bengala para dar suporte ao corpo ela aumentou seu tom de voz.

— Não se preocupe comigo. — Sorriu de lado — Você já teve o trabalho em ir a minha casa. O mínimo que posso fazer por você é isso.

— Eu tenho escolha? — Ela deixou escapar um sorriso ao vê-lo daquele jeito.

— Não, não tem.

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Sara tomou seu caminho para casa... dirigindo o carro de Grissom, como esperado. Pouco menos de meia hora eles já estavam em frente à residência (alugada) dela. Ao longo do trajeto o silêncio reinou quase que plenamente. O "choque" das conversas anteriores esgotaram o assunto. Também acharam que o momento para falar sobre o caso de Zodíaco não era o ideal. Então ficaram quietos, mas o silêncio, diferentemente das outras vezes, não foi angustiante ou perturbador; era uma quietude serena.

— Pronto, chegamos. — falou, ao desligar o carro.

O sargento se esgueirou para observar a casa à sua direita.

— Nada mal. É uma bela casa. — disse ao dar atenção à detetive.

— É. — Assentiu sorrindo.

— Ainda assim, o melhor é que a gente consiga uma casa em Vegas.

A gente? Ela ergueu as sobrancelhas. Uma breve risada chegou a escapar.

— O que foi? — Confuso, ele perguntou.

— Não, nada. — Ela balançou a cabeça — Vamos resolver isso logo para ter um problema a menos. — respondeu ao tirar o cinto de segurança.

Ele a assistiu fazer o procedimento em silêncio. Queria dizer-lhe algo, mas ficou sem jeito.

— Até mais, Grissom. — Sara acenou brevemente.

O sargento apenas retribuiu o gesto, mas em silêncio.

Sara se esgueirou para pegar a bolsa na parte de trás do carro. Quando o fez, encontrou-o fixo a observá-la.

— Tá... tudo bem? — Foi a vez de ela estranhar o comportamento do parceiro.

— Se cuide, está bem, Sara?

A detetive arqueou as sobrancelhas. Ela fez uma careta, ainda sem entender a mensagem que ele queria passar, mesmo que as palavras fossem tão óbvias.

— Se... tiver problemas lá na polícia, não hesite em falar comigo.

— Não se preocupe com isso, eu vou ficar bem.

— Não tem como eu não me preocupar com você, ainda mais agora. — Ele fez um gesto com a mão esquerda.

— Agora que... eu sei o que aconteceu com a sua parceira; agora que você se lembrou de mim, ou agora que você está suspenso do trabalho? — Seu tom foi meio sarcástico, mas ela não fez de raiva.

— Tudo isso. — Grissom inclinou a cabeça para baixo e depois a encarou novamente — Só quero que tome cuidado.

— Ei.

— O quê? — Ele ergueu uma sobrancelha.

— Vem cá. — Sorrindo, Sara fez um gesto com o indicador.

Acanhado com aquelas palavras, o sargento franziu o cenho e se aproximou vagarosamente.

— Eu estou muito contente que você tenha compartilhado aquilo comigo. — Disse ela, rodeando seu rosto com o olhar — Eu vou tomar cuidado, sim. E quero que tome também. — Terminou observando indiretamente os lábios dele. O sorriso se apagou e ela o encarou nos olhos.

Os dois estavam próximos, próximos demais. Uma distância que nunca alcançaram antes. Grissom ficou imóvel, respiração um pouco acima do normal, porém ainda sob controle. Não tinha poder de reação, refém de uma força invisível.

Ela, então, se inclinou para próximo dele e beijou sua bochecha esquerda. O beijo durou dois segundos. Nem mesmo quando tinham cultivado certa amizade na conferência Sara foi capaz de fazer aquilo. Mas algo dentro de si a empurrou, e ela não resistiu.

— Senti sua falta. — Quase sussurrou para ele enquanto se afastava — Se cuida, tá?

A morena não esperou uma resposta. Pegou sua bolsa e saiu do veículo. Sem ao menos olhar para trás ela entrou na casa e fechou a porta.

Grissom ficou na mesma posição mesmo com a saída de sua parceira. Não compreendia até o momento o que acabara de acontecer. Se pudesse resumir em uma palavra aquele breve momento interminável que passou com ela, a escolhida seria: maravilhoso.

Notas finais
Mais uma vez esse foi um dos capítulos mais intensos que eu escrevi. Na verdade essa é a continuação direta do cap anterior, então digo que os dois forma um só capítulo. E aqui vemos o segundo motivo que levou o Grissom a se esquecer do passado com a Sara. Motivo esse que eu considero o mais forte. Passar por aquela experiência traumática mudou bastante o comportamento dele de uns anos pra cá. Ele poderia ter desistido de tudo se somasse a morte da parceira com o momento em que foi refém de um serial killer, mas não. O nosso sargento prosseguiu. Realmente ele é um sobrevivente. E mais uma vez eu tive uma forte inspiração no filme Manhunter para falar desse passado do Grissom. Até porque alguns elementos nessa fanfic foram inspirados no filme dos anos 80. Tivemos, também, um desenvolvimento maior na relação do Grissom e da Sara, minha gente! No decorrer deste capítulo eu já planejava um beijo daqueles. Não era aquele beijo beijo que nós esperávamos, mas digo que não estamos longe, hein. E também digo que esse beijo significou muito para ambos. Cada vez mais os dois vão se aproximando emocionalmente. O Grissom consegue perceber que se sente muito bem quando está perto dela. É uma sensação que não consegue descrever. Já a Sara admitiu pra si mesma que ainda sente algo pelo sargento. A cada capítulo a relação entre os dois vai melhorando um pouquinho. Então é isso. Muito obrigada a todos que leram! Um grande beijo e até mais! ♥