Manhunters

84 Objetivos distintos


Notas iniciais
Deixa eu só falar um negocinho aqui rapidão Chegamos a DEZ MIL VISUALIZAÇÕES GALERAAAAAAAAAAA Sabem o que é isso? Que chegamos a dez mil visualizações!!!!!! Acho que nunca pensei quando esse dia chegasse (chegou anteontem) e estou feliz demais com isso. Isso nunca aconteceria se não fossem vocês, leitores de todos os tipos e que eu amo de montão. Acabei mudando para a primeira capa (temporariamente) para fazer uma pequena comemoração. Eu sei, eu devia ter feito isso quando a fic completou um ano só que eu me esqueci legal! Pra vocês terem ideia, eu ainda me lembro da tarde que lancei o primeiro capítulo. Confesso que fiquei em dúvida se haveria gente que leria essa minha história, mas as visualizações registradas e os comentários são prova disso. Obrigada por darem uma chance a Manhunters, galera. Vamos ao capítulo? Boa leitura!

A tempestade desceu no vilarejo sem piedade, obrigando os moradores a se abrigarem nas suas casas ou qualquer teto que não desabasse. Não foi o período mais intenso de chuvas, porém a daquela noite foi intensa e não deveria ser ignorada. Também seria marcada na memória de muitos.

Teve gente que se abrigou em construções precárias que viam pela frente ou em instalações criadas para os animais, que a propósito estavam incomodados. Um raio cortou os céus e assustou ainda mais os animais. Eles chiaram e chegaram a forçar por um momento as paredes feitas de madeira na tentativa de se libertarem da prisão.

Mas não somente isso tirava a paz dos bichos no celeiro da família Murphy. Haviam mais que apenas animais encarcerados no celeiro. Três pessoas estavam presentes, também; dois homens e um pré-adolescente.

— Isso vai acabar logo. — disse o homem em pé para o jovem ao seu lado. O terceiro estava caído no chão, consciente ainda.

Falando neste terceiro elemento, caído no chão e ainda consciente, era difícil para ele gritar já que sua língua foi cortada com um punhal. Nem mesmo seus gritos abafados adiantavam, os sons dos animais, a chuva e o vento abafavam qualquer tentativa.

O jovem observava calado à toda sessão de tortura que o homem provocou ao caído. As mãos do homem estavam ensanguentadas de tanto socar o rosto do outro. Mas ele não somente bateu como também desferiu cortes em seu corpo, furou sua mão direita e chutou suas costelas.

— Disciplina. — falou ele e o jovem ouvia tudo sem dizer nada. Ao limpar o suor e sangue do rosto, o homem se virou ao pré-adolescente e estendeu-lhe o punhal — Termine.

Foi a primeira vez que os olhos dele se arregalaram e por um segundo estremeceu com a voz do homem mais velho o encarando. Pelos clarões era possível notar relances de seus olhos, mais ferozes que qualquer animal visto por ele.

— E-e-eu...

Vendo aquilo o homem sorriu e pressionou o punhal sobre a mão.

— Preparei-te por muito tempo e não será hoje que irá falhar.

O homem caído moveu a mão furada e os dois pés na tentativa de se recompor. O breve movimento foi suficiente para chamar a atenção do outro.

Quando se voltou para o jovem, o homem com o punhal parecia ainda mais nervoso. Seus olhos ardiam mais que a chama da lamparina acesa na velha pilastra dos fundos.

— Faça. Agora! — Ele apontou com a arma para o caído.

O jovem ficou sem palavras. Ele deveria estar preparado para isso, mas por que estava hesitando num momento tão crucial? Suas mãos começaram a tremer de repente, e o pior, o homem notou.

— FAÇA, SEU BASTARDO! — Num impulso ele puxou o jovem pelos cabelos agressivamente e o jogou no chão, bem ao lado do outro homem.

Logo após ser lançado ao chão, o jovem se virou direto para o caído e viu de perto o estado dele. Nunca se esqueceria daquilo. Foram poucos segundos de uma troca de olhares estranhas, tanto que o caído abriu um sorriso debochado ao ver o garoto atônito. Tudo isso foi interrompido pelo homem de pé que pisou na barriga do jovem com força, o que enfim, o fez se manifestar.

— Você é um FRACO! — Ele pressionou o pé sobre a barriga do jovem, que segurou o choro para não levar uma repreensão mais severa.

Era a primeira vez na qual o homem se encontrava tão irritado, desde quando pisou os pés naquele celeiro. E tudo foi por culpa do jovem, o outro homem estava longe de causar cólera nele.

— Sabe qual o seu problema, Ishnir? — Ele ergueu o punhal para o alto — Você é um pobre coitado. Bonzinho demais.

O homem com o punhal finalizou o trabalho por si só. Nem se importou que o jovem assistiu toda a cena ainda caído no chão. O sangue pintou seu rosto.

Dias atuais.

— ******? ******?

— Hã?! — respondeu assustado à chamada de sua esposa.

— Estão nos chamando, ******. — discreta, ela o repreendeu.

— Ah...

O casal que esperava sentado num banco do corredor da instituição. Quase vazio, ****** deixou-se levar pelo passado enquanto observava o nada. Ele e a esposa foram chamados pela diretora de uma conceituada escola de Nevada com uma das sedes em Vegas. Era o trabalho de “pesquisa” feita pelos pais em procurar uma escola para o filho, enfim. A mulher venceu a discussão que já perdurava algum tempo e no ano seguinte, se possível, o garoto iria começar a estudar numa escola ao invés de ficar somente recebendo ensino em casa. Mas para isso os dois fizeram questão de buscar a melhor instituição para matricular o filho, trabalho que levaria mais de um dia.

Era a esposa, inclusive, quem mais fazia perguntas e trocava palavras com a diretora que recebeu o “casal rico” com o maior prazer. Já ****** se revezava entre a realidade e a irrealidade de seus pensamentos. Respondia com poucas palavras e frases quase vagas às perguntas objetivas da mulher que tinha um grande desejo de acolher o filho deles. Ainda era avesso à ideia de o garoto entrar nesse ambiente, para o homem, faltava muito ainda ao filho para enfrentar este mundo.

— Tenho certeza que o pequeno Duane irá se sentir muito bem em nossa instituição. — disse a mulher com um sorriso de orelha a orelha. A entrada do filho deles seria um grande prestígio para a escola e a diretora faria de tudo para convencê-los a dar uma chance.

— Hum. — Devidamente incomodado, ****** se limitou a responder.

Depois de contínuos minutos numa troca de palavras, a diretora pediu licença a se retirar por um breve período. Foi o momento que os dois ficaram sozinhos.

— Se não quiser continuar pode ir, ******. — Ao notar o marido olhando para o relógio, ela foi direta. Aproveitou, claro o momento do qual a diretora não se encontrava mais na sala.

Por um instante o homem franziu as sobrancelhas, porém se recompôs logo. Revirou os olhos e tentou se focar, ao menos um pouco, nos minutos finais da conversa. Quando finalmente os dois se despediram daquela escola ela voltou a criticá-lo:

— Sei que você não queria isso, mas pode pelo menos fazer um esforço por nosso filho? — Enquanto desciam as escadas, ela disse bem próxima a ele para que ninguém mais a ouvisse.

De novo ****** estava de cara fechada com aquele comentário.

— Nunca foi a minha intenção de colocá-lo num colégio agora, *****. — retrucou sem aliviar o tom.

O motorista da família os esperava próximo ao carro. Ele abriu a porta para ambos, que entraram em silêncio; em seguida o homem as fechou e se encaminhou ao seu lugar. Deu a partida e seguiram adiante.

— Eu sei, ******. Mas nosso filho precisa disto! Quer que ele viva como um eremita?

Pela primeira vez dentro do carro ele encarou a esposa nos olhos.

— Duane não está pronto, *****! — Precisou maneirar a voz antes que gritasse de vez.

— Ele não está pronto. — repetiu ela, quase em sarcasmo — Deus, qual o problema dele então, ******.

— Nosso filho é... bonzinho demais.

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Depois da breve conversa entre Sara e Maksim e de Grissom ter encaminhado a intimação ao advogado de Lewis, o próximo passo a pedido do sargento era investigar o material coletado da casa de Park, além daquele encontrado no quarto em Cold Springs, já presente na sala do sargento. O vídeo ficaria para depois, a prioridade era o conteúdo daquelas caixas.

— Não contei a você. Pedi a Catherine para que me arranjasse uma conversa com Sam Braun. — Ele comentou enquanto analisava um dos recortes de jornal e escrevia numa folha a parte.

— Hã? — Sara, que fazia o mesmo não sabia por onde começar. Com uma cara confusa ela ficou encarando Grissom que nem percebeu que estava sob observação. Só depois se ligou.

— Catherine. Eu pedi a ela que falasse com Braun.

— Eu entendi, mas quem é Sam Braun? E o que Catherine tem a ver com ele?

— Ele é... hum... — Grissom olhou para ela por pouco tempo — dono de uma rede de cassinos e lojas daqui. Catherine é filha dele.

— O que? — Além de confusa ela se encontrava espantada no momento — Nossa, nunca iria imaginar. Por essa eu realmente não esperava. Ela não tem... medo?

— Medo? — Ele arqueou uma sobrancelha, voltado seu foco à detetive.

— Eu não sei medo de visarem ela e... Eu não sei! — Deu de ombros. Sem saber o que responder ficou envergonhada — Tenho que parar de ver esses filmes de máfia com a Annie. — Ela balançou a cabeça falando bem baixo.

Grissom deixou escapar um breve sorriso.

— Pouca gente sabe disso. Além do mais, Catherine sabe se cuidar.

— É... eu reparei.

Depois de dez segundos de completo silêncio, Grissom, que acompanhava de canto de olho o que Sara estava fazendo acabou falando:

— Annastasia falou a você quando ele viria?

A detetive ergueu o olhar meio atônita para o sargento, que focava seriamente nela. Não precisou de esforço algum para saber a quem ele se referia.

— Não. — respondeu o mais séria possível. Ela sabia que seu parceiro iria voltar naquele assunto de alguma forma, só não esperava que fosse bem ali — Ele não avisou quando viria. Annie insistiu, mas Hank não quis revelar. Quer fazer uma “surpresa”, afinal. — Ironizou.

— É, e que surpresa. — O sargento nem escondeu o tom enraivecido. Segundos depois reparou o quão infantil estava sendo e voltou àqueles papéis.

— Já disse que eu vou cuidar disso. — Apoiando as mãos na mesa ela declarou tão firme quanto antes — Só... por favor, pare de ficar se preocupando.

— Não consigo. O número de problemas que podem ocorrer com a vinda dele até aqui é grande. — O homem gesticulou.

— Eu tenho culpa nisso, eu admito. — Ela tocou em seu próprio peito — Se eu sou a responsável então é meu dever dar um fim nessa história. Mas eu não quero que você absorva esse problema.

Ele não seria capaz de culpá-la por isso.

— Estamos falando de um homem que vem pra cá com a intenções desconhecidas, Sara. — Agora o foco total dele era a conversa que tanto rondava a sua mente — O que é que se passa na mente dele?!

— Fui eu quem preferiu não responder às ligações do Hank. — Admitiu novamente, chegando a olhar para a porta preocupada com quem pudesse aparecer — Estava com tanta raiva que não queria ouvir a voz dele nem por ligação! Não queria que as coisas chegassem a esse ponto, mas eu sei lidar com problemas assim. Já encarei piores. — Quando terminou de falar Sara se encostou na cadeira e ficou atenta à expressão de seu parceiro.

A troca de olhares que, em silêncio, dizia tudo, voltou a ocorrer.

— Então tá. — A detetive sorriu como nada daquilo tivesse acontecido — Vamos voltar ao que interessa.

— Você sabe que... essa conversa ainda não terminou.

— Sabe aonde eu queria que tudo isso terminasse? Na minha cama. — Ela sorriu maliciosamente.

Foi uma resposta ousada, até demais. O sargento engoliu em seco e olhou para o lado para não ter que encarar aquela voracidade no rosto dela.

— Dormindo. — completou-se, ainda carregando aquele semblante malicioso. Uma risada escapou de sua boca e então ela tratou de observar aquelas matérias de jornais. Em seguida um montinho de documentos a esperavam para serem analisados — Já imaginou se... esse Sam Braun pode ser um dos nomes que Park estava investigando?

Grissom que havia voltado aos seus afazeres, se virou mais uma vez para Sara, que agora falava sério. Para ela foi um escape poder mudar de assunto.

— Bem... — Ele hesitou — Nossa vantagem, ao menos por enquanto, é que pouca gente sabe sobre esse último trabalho do Park. — Em seguida o sargento olhou em volta naquele monte de papéis — Mas não podemos nos esquecer de que o foco é o assassino, não se Braun está envolvido.

Brevemente a morena baixou o olhar e se virou para a porta.

— Se ele conseguiu essas informações porque tem contato com eles, Zodíaco é o denominador comum.

— É. — concordou enquanto olhava para os arquivos na mesa. Era uma variedade entre matérias recortadas, fotos tiradas de distante revelando possíveis encontros ou a presença de um dos homens investigados em lugares suspeitos; alguns documentos de acesso público como cópias de licitações e registros de compras. Park realmente montava um dossiê sobre um possível escândalo envolvendo empresários.

— Ryan poderia não ter o suficiente para uma denúncia, mas tinha o suficiente para irritar alguns. Se Zodíaco estava mesmo interessado em entregar pessoas, porque matou ele? — Sara questionou ao bater a caneta na mesa — Será verdade que o motivo da morte dele foi apenas para te provocar?

— Talvez. Talvez juntou tudo isso e acertou um monte de coelhos.

Grissom olhou à sua volta aqueles arquivos e focou naquele quadro novamente. Sem avisar ele se levantou e encarou a superfície, mais preciso naquelas fotos.

— O que vai fazer?

Sem responder ele retirou as fotos dos seus suspeitos, pegou a caneta e começou a desenhar o que seria um diagrama.

— Zodíaco, como você disse, é o denominador comum. — Ele desenhou um círculo no meio do quadro e escreveu o sinal de interrogação. Depois escreveu seu apelido acima dele e em seguida um esquema com linhas a partir daquele círculo. Escreveu os (possíveis) nomes encontrados na lista de Park e abaixo dele os nomes dos quais o sargento tinha certa suspeita. Acima de Zodíaco escreveu em caneta de outra cor o título de “pessoas ligadas ou não” e abaixo escreveu “possíveis suspeitos”. Se tinha uma palavra que Grissom tinha aversão era “possibilidade” e suas variações. Infelizmente com o que tinha só podia trabalhar assim.

Sara se levantou para observar mais de perto seu trabalho.

— Eles não são qualquer um. São pessoas com alto poder aquisitivo e que certamente possuem influência no meio onde vivem. Chegar neles será algo difícil, sem provas, impossível. — Ainda com a caneta em mão ele cruzou os braços. Parecia tenso — Pedi a um colega do departamento de trânsito que me desse informações sobre todos os eventos que ocorreram em locais próximos dos assassinatos.

— Quem ficou de fora foi a segunda vítima. Vanessa Temple.

— Foi o caso que até agora deu mais dor de cabeça. — Sara comentou — Parecia que as coisas iriam fluir, mas de repente tudo desandou com a morte da única pessoa que teve contato com Zodíaco.

— Essa história não terminou ainda. — Ele descruzou os braços — Se o advogado estiver mesmo envolvido nisso e se alguma forma também entrou em contato com Zodíaco essa pode ser a nossa chance.

— Tentei procurar alguma coisa sobre ele, mas não quase nada, nem uma matéria relevante sequer.

— Então deve ser a hora de procurarmos alguma ligação entre ele e essa gente.

Sara mudou a atenção, do quadro para Grissom. Aquele rosto sério, quase zangado que ele mostrava a deixou inquieta.

— Vai mesmo querer dar esse tiro? Não foi você que pediu a mim e ao Ivanenko para termos cuidado com Dale? — Alertou-o apontando para fora.

— Eu sei, — admitiu — e é por isso que nós três precisamos dessa reunião para definir os próximos passos. Ivanenko tem um crime com uma ré confessa, mas com motivos sob suspeita e um advogado excêntrico que mais parece ter comemorado a morte do cliente. — Ele ironizou — Nós dois temos a morte mais suspeita de todas que ocorreu justo no momento mais delicado. Como Lewis encontrou esse cara? Como um homem como ele pode ter morrido logo dessa forma? Sabemos que se fosse obra de um profissional tudo apontaria para queima de arquivo, mas não foi. Foi obra de uma garota de programa que o sufocou até a morte nos dando uma série de motivos plausíveis.

A voz meio alterada indicava a perturbação que Grissom sentia. A morte do Lewis pareceu não ter descido ainda, sem contar com a morte do jornalista e o bilhete de provocação que recebeu diretamente do assassino. Ele suspirou por um segundo e visou o chão, umedeceu os lábios e voltou em silêncio a analisar aqueles documentos. Ela não fez nada.

Mais alguns minutos se passaram e alguém bateu na porta e entrou na sala, atraindo a atenção dos dois policiais. Era Maksim, que acenou rápido e se aproximou deles, um pouco mais perto de Sara, que havia sentado na cadeira frente à mesa de Grissom.

— Bom dia. — cumprimentou olhando para os dois — Peço desculpas pelo atraso. Brass me encaminhou a outro caso enquanto isso.

— Ele quer encerrar o do Lewis? — A morena perguntou preocupada.

— Não. Por enquanto não. — respondeu.

— Sente-se. — Grissom apontou para a cadeira mais ao fundo da sala. Max olhou confuso para ele, que logo argumentou — Prometo que não vamos nos estender muito.

— Certo. — Sem ter outra escolha o detetive acatou e trouxe a cadeira, deixando-a na posição em que ele se encontrava, ao lado esquerdo de Sara. Enquanto se ajeitava Max aproveitou para olhar a colega por dois segundos; notando que ela o observava a mulher preferiu desviar o olhar — Vamos falar de negócios, então.

— Negócios. — Grissom repetiu, sem transparecer que não gostou da palavra para se referir ao caso. Ele ajeitou a gravata e tamborilou na mesa — Soube que vocês têm enfrentado dificuldades para chegar à uma conclusão no caso do Lewis.

A detetive ergueu uma sobrancelha, atraindo o olhar direto do sargento.

— Hilary se recusa a falar além da confissão. Prefere enfrentar uma pena dura a revelar algo que desse um maior sentido a essa história. — Maksim terminou se virando para Sara. Sem querer ela se virou quase na mesma hora e os dois trocaram um breve olhar. Momentaneamente o detetive franziu o rosto. Já Grissom percebeu algo de estranho entre os dois e logo se manifestou.

— Queremos que o advogado venha aqui depor. — disse ele, interrompendo o gesto.

— Oh... — O homem se virou para Grissom mais uma vez — Acham ele suspeito, não é?

— E você não? Temos bons motivos para acreditar que ele esteja envolvido. — Foi a vez de Sara tomar a palavra.

— Ainda não tive a oportunidade de interrogar novamente a suspeita. Estou esperando a resposta do defensor.

— Enquanto isso nós poderíamos falar com o advogado, afinal, ele não depôs oficialmente. Temos o pretexto daquela última ligação, também.

Ivanenko moveu os lábios para responder, todavia calou-se e se ajeitou na cadeira.

— Nosso tempo está acabando e não temos muitas escolhas, detetive Ivanenko. Regis ou Hilary. — O tom de Grissom foi direto, como uma cobrança.

— O que é isso? — Max abriu um sorriso sarcástico breve.

— A chance de descobrirmos se Lewis foi morto porque sabia algo sobre a morte de Vanessa Temple, detetive. — Aparentando calma Grissom falou com uma leve inclinação para frente.

Alguns segundos de silêncio deixaram o clima ainda mais pesado entre os três.

— Sei que Brass não escolheria qualquer um para pegar esse caso. — O sargento se recostou e apoiou somente o braço direito na mesa.

Sara tocou na testa e fechou os olhos por poucos segundos apenas. Dessa vez os dois policiais dirigiram o olhar a ela, que nem percebeu. Grissom observou o detetive Ivanenko, temendo que ele desconfiasse do estado de sua parceira.

— Precisamos fechar esse caso logo, Maksim. — Ele falou novamente para tirar o foco em Sara — E então?

Deu para notar que o detetive se sentia um pouco incomodado com a pressão indireta do sargento. Todos no departamento já conheciam a fama de Grissom por ser um policial duro, um dos motivos que Ivanenko preferiu não o ter como parceiro.

— Tentarei agendar o interrogatório até este final de semana. Hilary já está encarcerada e vocês sabem como a burocracia funciona. — Max argumentou na defensiva — Em seguida partiremos ao advogado para evitar complicações.

— Entendido. — disse o sargento, mas não menos tranquilo.

A “reunião” não parou por aí. Os policiais trocaram mais palavras acerca da relação entre os dois casos, como o andamento de ambos e detalhes acerca dos próximos passos. Sara notou que o ambiente foi preenchido pela tensão envolvendo os dois homens e por ela mesma, que em quase todo o tempo tentava não manter um contato visual com o detetive.

Ao final da conversa, Ivanenko se levantou e despediu-se dos dois com um gesto da mão breve. Quando olhou para Sara não chegou a se despedir oficialmente.

— Esqueci de te entregar um relatório. Pode vir comigo? — perguntou baixinho, como se não quisesse que o sargento o ouvisse.

Não adiantou. Grissom ergueu uma sobrancelha e olhou direto para Sara, que não aguentava mais tanta pressão vinda de todos os lados.

— Tá bom. — Ela concordou. Quando o detetive se virou em direção à porta a morena lançou um olhar afiado a Grissom, esperando que o sargento parasse com aquilo. Por pouco ele não fez outra careta para argumentar.

Sem demora os dois detetives saíram da sala deixando Grissom ainda enfezado com a situação. Mesmo não querendo, Sara aceitou o pedido dele esperando que fosse algo breve e que não fosse em um lugar muito longe do andar.

Max fez um gesto para que ela passasse primeiro, sendo a pessoa que fechou a porta. Para a surpresa da mulher, ele não continuou a andar.

— Sara, você... está bem?

A pergunta repentina a pegou em cheio. Maksim aproveitou que as persianas da porta de Grissom estavam abaixadas e a questionou ali mesmo. Dois segundos se passaram e a ficha de uma pergunta tão simples não tinha caído.

— Hã? Eu...

— Notei que você está um pouco... meio... abatida.

Esse cara tá me observando?

— Não, eu... — Ela sorriu como uma resposta imediata ao nervosismo — só estou cansada, só isso. — Afirmou, desviando o olhar do detetive por um segundo.

— O trabalho está cansativo, não é?

Sara franziu a testa ligeiramente pelo tom e teor daquela pergunta. Os dois ficaram se encarando até ela resolver falar de novo:

— Eu aguento, Max. — Foi direta — E o relatório? — Ela tentou não ser grossa, mas o desvio de assunto não a deixou.

— Oh, sim. — Rápido o detetive se virou para a frente e fez um gesto para que ela o seguisse. Dava a impressão que ficou envergonhado. Até mesmo ela não se sentiu muito confortável com aquilo.

Maksim e Sara pararam próximos à mesa do detetive, onde ele se sentou em na cadeira e começou a mexer em seu computador. Sara preferiu ficar em pé, mesmo desconfiada com os possíveis olhares destinados a ela. Trabalhar de ressaca era um risco e quanto menos pessoas soubessem, melhor.

A detetive não percebeu o tempo que passou enquanto criava um mar de pensamentos em sua mente, apenas quando o detetive a chamou pelo nome.

— Aqui. — Ele entregou alguns papéis e disse logo em seguida — Me desculpe.

— Esqueça. — Sara respondeu com um breve gesto da mão. Ela passeou seus olhos por pouco tempo naqueles papéis. Depois o encarou, pronta para se despedir.

— Fique bem. — comentou ele — Não hesite em me procurar caso precise de ajuda.

Sara ficou sem palavras pelas palavras tão afetuosas. Ela não era acostumada a receber este tipo de comentário, raramente recebia. Não era sempre que alguém de pouco tempo que conhecia falasse deste jeito com ela.

— Eu... obrigada. — respondeu, nem percebendo que havia corado e não era por causa da ressaca.

Um sorriso de canto do detetive pôs fim à conversa. Então a detetive retornou à sala de Grissom. Ela foi recebida pelo olhar atento do sargento, que não via a hora de seu retorno.

— Aqui. — Ela disfarçou um sorriso erguendo as folhas em sua mão.

Quando se aproximou dele o sorriso forçado de Sara sumiu de repente.

— Quer saber qual é a do Maksim? Ele tá desconfiado. — falou meio nervosa.

— Desconfiado? — O sargento retrucou quase no mesmo tom.

— Da minha ressaca, Gil. — lamentou, voltando a se sentar — Se ele já está assim imagina o que os outros estão pensando. — Ela fez um gesto negativo com a cabeça. Começava a achar uma ideia ruim ter vindo ao trabalho.

— Para seu consolo, você não foi a primeira nem a última pessoa que trabalhou aqui de ressaca.

— Isso foi uma tentativa de me animar? — Sara arqueou as sobrancelhas.

— Funcionou?

Ela não respondeu, ficou em silêncio observando o registro de chamadas transcritas do número do Lewis. Nunca pensou que a morte de um ex guarda traria tanta dor de cabeça, tanta quanto sua ressaca.

— Não acho que ele percebeu isso porque é detetive.

— O que quer dizer com isso? — Sara franziu a testa.

— Ivanenko estava reparando em você. — Grissom relutou em responder, mas respondeu — E eu não acho que o motivo foi porque ele é um policial.

— Hã? Eu não- — Ela fez uma careta — Acredito-

— Não é ciúme. — O sargento se adiantou, erguendo a mão direita.

— Nem precisei responder, não é? — sorriu maliciosamente.

Se já não bastasse o problema futuro que chegaria só Deus sabe quando, agora havia um “problema” presente. Tudo isso contribuiu para seu incômodo.

— Só você para tirar um sorriso do meu rosto nesse momento, Gil. — Sara deixou escapar uma risada, mas aos poucos foi trocando a expressão para algo melancólico — Desculpe por ontem. — comentou baixinho e olhando para o lado — Você não mereceu ouvir aquilo... você é a última pessoa quem eu gostaria que ouvisse.

Ele não sabia responder algo que fosse além do “está tudo bem”. Isso ia muito além daquela frase simples.

— O que importa... é que você está melhor. — disse atentando para seus olhos. Parecia que ela percebeu e o encarou também.

Depois de alguns segundos de silêncio, Sara voltou a olhar para aqueles papéis.

— Vamos continuar com isso aqui. — Sugeriu — Que tal procurar por eventos que vão ocorrer no dia doze do mês que vem?

— Estive procurando inicialmente ontem, mas não pude me aprofundar. Falar sobre eventos, só aqui em Vegas, é citar dezenas de realizações de diversos tipos. Centenas. E nada vai nos garantir que o assassino estará aqui. — argumentou ele — É por isso que preciso falar com Braun o quanto antes, ao menos para ter uma direção. Ele conhece pessoas importantes da área. Mas por enquanto...

— Por que ele confiava tanto assim no assassino? — Sara questionou.

— Talvez não confiasse. Talvez fosse a única fonte, uma fonte boa demais para ter cuidado.

— Hum... O irmão comentou se Ryan sofria alguma ameaça?

— Joseph não disse muita coisa. Dava para perceber que ele não queria minha presença na casa do irmão, inclusive aqueles colegas da vítima. — Ele se recostou e respirou fundo — Se a história vazar isso vai ser péssimo. Vai impedir nossa oportunidade de encontrar o assassino, que pode ser amiguinho de um deles e que vai se aproveitar da poeira levantada pela mídia.

— Se esse editor-chefe estava lá não apenas para prestar condolências, então Ryan tinha algo concreto.

— É... — Assentiu, reparando que passou um tempo mais ou menos longo para respondê-la.

Grissom não percebeu que ela notou seu jeito disperso. Para tirá-lo daquele estado ela fez outra pergunta:

— Sabe se ele registrou ameaças?

Ao arquear as sobrancelhas ligeiramente, Grissom atentou para o computador próximo a ele e sem responder acessou o registro da polícia. Não falou, mas no fundo não imaginava que pudesse encontrar algo. Acabou repreendendo a si mesmo, pois deveria ter feito isso muito antes.

— A queixa mais recente de Park foi sobre perturbação e vandalismo na propriedade dele. — Ele fez uma pausa para analisar melhor as informações — Os policiais foram investigar, mas no final não deu em nada. O caso nem avançou.

— Ele fez outras queixas?

— Não... e imagino o porquê. Não iria querer atrair atenção desnecessária. Ou as perturbações pararam, ou ele preferiu ficar quieto. Não dá para saber se é algo relacionado ao trabalho dele.

Mesmo parecendo mais alerta, Sara ainda tinha suas suspeitas para o mundo que Grissom havia se transportado.

A dupla continuou a trabalhar usando o material adquirido na casa de Park e todo o aparato de dados que o departamento podia oferecer. Na pausa para o almoço Grissom sugeriu comida chinesa e ligou para o restaurante que conhecia; tudo para não fazer a companheira ter que sair.

O restante do dia foi resumido naquele escritório. As horas iam passando e o trabalho nem chegara à metade. Era uma tarefa complicada e que consumiu a energia de ambos, principalmente da detetive, que precisou de uma garrafa inteira de café para se manter ativa. Aquilo não estava sendo bom para ela, Grissom era totalmente contra àquela ideia.

Ele tomou a decisão. Preferiu encerrar o trabalho às cinco em ponto. Saiu junto da parceira e inventou uma desculpa em sua mente para quem perguntasse. À sua colega, Daisy Abbott, responsável por desbloquear os arquivos internos de Park, pediu para guardá-los “a sete chaves”. Para a satisfação do sargento ninguém perguntou o motivo de ele e Sara deixarem o departamento ao mesmo tempo.

Sara nem ao menos quis voltar para casa, preferiu ficar com Grissom pelo resto do dia ou ao menos pelo tempo que pudesse ficar. Não via a hora de chegar à segurança da casa e da companhia dele, longe do caótico mundo lá fora.

— Amor, você tá bem? — perguntou ela quando Grissom terminava de manobrar o carro no estacionamento do condomínio.

— Hã? — O sargento se virou rápido para ela.

— Sou eu quem está de ressaca, mas você parece mal.

Ele retirou o cinto e franziu as sobrancelhas ligeiramente.

— Estava distraído... desculpe.

Sem se estender, Grissom deixou o carro e ela fez o mesmo. Eles seguiram para o apartamento de Grissom, onde foram recebidos por Hank. Ao contrário de Sara, ele não parecia tão animado em falar com o cachorro. Grissom deixou sua pasta no sofá e se sentou para descansar. Só que mal ficou lá por mais de um minuto.

— Droga. — resmungou baixo.

— Que foi? — Não fazia muito tempo que Sara se sentou, também.

— Tenho que comprar algumas coisas e acabei me esquecendo. — O esforço para levantar foi grande.

Sara achou melhor ficar por ali e deixá-lo, mas acabou mudando de ideia e se levantou.

— Ei, — Ela tocou em seu ombro enquanto estava de costas — me conta o que tá acontecendo.

Grissom a encontrou encarando-o seriamente; nem o cansaço ou a dor de cabeça eram motivos para impedi-la de questioná-lo. Ele sabia que qualquer resposta não serviria, não para ela.

— Estou um pouco... cansado. — A última palavra saiu baixo demais do que esperava — Tudo o que tem acontecido nesses últimos dias tem me deixado um pouco sobrecarregado.

Sara não precisou perguntar os motivos já que sabia muito bem, inclusive, que ela era um desses motivos.

— Vai passar. — Ele se completou.

Ela passou a mão sobre seu rosto como se acostumou a fazer. Como resposta — ou alternativa para encerrar a conversa — o sargento beijou seus lábios brevemente.

— Por que você não... toma um banho... troca de roupas e vai descansar um pouco, querida? — Grissom acariciou o rosto dela com ambas as mãos.

Sem responder de cara a detetive atentou para os olhos fatigados do companheiro. Tinha dezenas de respostas para argumentar, mas algo dentro de si a impediu de falar todas.

— Ok.

Ele deslizou as mãos até o ombro dela.

— Não pretendo demorar. — Grissom a beijou mais uma vez e em seguida pegou o terno deixado no sofá, vestiu-o e deixou o apartamento.

Assim que a porta foi fechada, Sara suspirou por alguns segundos e então olhou para Hank, que havia deitado próximo ao sofá.

— É. Somos só nós dois agora.

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A noite estava começando. O jantar estava quase pronto e ******, pronto a conversar brevemente com o filho. O homem acabou se encontrando com o ele no meio do caminho, pelo corredor.

— Pai? — perguntou o menino.

— Duane, venha comigo. — Gentilmente, ****** tocou no ombro do filho para que retornasse ao quarto dele.

Sem questionar o garoto fez o que lhe foi pedido. Quando os dois entraram ****** fechou a porta, mas não a trancou, pois não havia chave. Duane se sentou no meio da cama e ficou encarando o pai meio confuso. Até ele sabia que se demorassem muito a mãe daria por falta deles e iria reclamar.

— Sabe que eu e sua mãe estamos sempre escolhendo o melhor do melhor para você, não é?

— Sim, pai. — respondeu, mas deu para notar a falta de ânimo na resposta do menino.

— Queremos te colocar na melhor escola da região, mas pra isso você precisa fazer sua parte.

Duane fez uma careta confusa.

— Para entrar num lugar cercado de pessoas com mentalidades diferentes você tem que saber se posicionar. Não pode deixar ninguém se aproveitar de você.

O garoto ouviu tudo com atenção, mas não compreendia com clareza a todo o discurso dele. Parecia mais um daqueles momentos que ele discursava para homens velhos em lugares chiques. Fez o possível para absorver o que entendia.

— Você precisa mudar isso aqui. — Ele apontou para a sua própria têmpora — E como pai eu vou te ajudar.

O garoto parecia surpreso com a fala do pai. Ele não parecia nervoso, mais chateado pelo que percebia. Temeu por estar fazendo algo errado.

— Quer conhecer a cabana que eu te proibi de se aproximar? — perguntou com um sorriso afável.

A expressão de Duane mudou de uma hora para outra. Um sorriso surgiu pela primeira vez no filho desde que entraram no quarto.

— Quero!

— Ótimo.

Notas finais
E temos a primeira revelação da família do Zodíaco, seu filho Duane. Não revelei o sobrenome que se não a brincadeira iria acabar logo kkkkkk Bora lá. É, as primeira e últimas cenas do capítulo têm relação. Tenso. Parece que tem um rolo aí acontecendo com o esse trio de policiais. A Sara (e o Gil kkkk) tá achando que o Ivanenko possui um certo interesse mais-que-profissional nela. Cês repararam que tudo tá acontecendo para estressar o pobre Gilbert, não? Tadinho até eu sinto pena. Ai gente eu queria tanto revelar o que vai acontecer nos caps seguintes, mas aaaaaa, eu tô quase voltando a postar dois capítulos por semana. É tipo "AAAAAAA" Quem sabe nas férias isso não volte a acontecer, hein? Vamos ver, vamos ver. Acho que vou deixar esta capa por uma, duas semanas ou mais. Caso queiram que eu coloque uma das capas postadas eu jogo, sim. E ainda tem 3 capas que eu fiz que estão no limbo, não sei se vou postá-las ainda. Muito obrigada a todos que leram! Um beijão e até o próximo capítulo! ♥