Manhunters
85 O que nós queremos
Notas iniciais
Passava das nove e meia da noite. Menos cansada e mais alerta, Sara decidiu que já era a hora de “trocar algumas palavras” com sua irmã. Depois do jantar, Grissom indicou seu quarto para que ela tivesse privacidade enquanto ele ficaria no escritório para adiantar o que pudesse do trabalho. Mesmo se sentindo envergonhada por usar o espaço dele Sara aceitou e foi para lá carregando o celular em sua mão, totalmente apreensiva. Não pela irmã em si, mas quais seriam as consequências daquela conversa.
— É você mesma ou seu namorado?
Céus...
— Sou eu, Annie.
— Ah, finalmente! Achei que ia ficar o dia todo se livrando da ressaca na cama com ele.
Mesmo sendo irmãs, havia um limite na paciência de Sara para certas atitudes de sua irmã. Ela atravessou o limite.
— Olha só, eu fui trabalhar sabia? Não podia deixar ele e o caso na mão. Se eu estou melhor muito disso eu devo ao Gilbert, ouviu? — retrucou impaciente — Não era obrigação, mas ele fez isso por vontade própria.
Sem resposta.
— Eu não queria que você ligasse para ele, mas no final foi o melhor que pôde fazer e eu entendo.
— Então ficou chateada, é?
— Fiquei. Não queria envolvê-lo nisso, Annie. Tem certas coisas que achava melhor comentar depois.
— Era isso ou deixar você à mingua, né, Sara.
— Eu sei! Mas foi difícil ter que explicar minha situação a ele tão... repentinamente. Nós temos nossos defeitos como parceiros e um casal, mas nada vai mudar o que eu sinto por ele.
— Não acredito que você tá falando desse jeito...
— O que que eu vou falar, Annie?! Eu amo ele! Eu amava ele desde muito tempo. — Ela fez uma pausa, impressionada consigo mesma pela declaração — Já está sendo difícil pra gente, e você falando assim não tá ajudando.
— E o que quer que eu fale? Desde quando aceitou a ideia de ir até Vegas você... se distanciou de tudo.
Annastasia mudou de tom. Parecia mais alguém que sofreu um baque severo.
— Você acha isso? Annie, eu só... estava preocupada com o caso. Nunca quis que pensasse assim.
— Eu tenho medo, Sar. Você tá longe demais e tá num lugar perigoso. Não vem me dizer que você sabe se cuidar e que agora tem um namorado policial. Não adianta.
— Annie... — Sobre o que a detetive iria reclamar? Tudo o que acabara de ouvir foi um desabafo de alguém que estava chateada com o que estava acontecendo — Nada que eu disser a você por aqui vai adiantar muito, não é? — Sem receber resposta Sara continuou — Mas eu quero que saiba que nós vamos cuidar um do outro por aqui.
Depois de Sara ouvir um suspiro do outro lado da linha, Annie respondeu, finalmente.
— Por que ele, Sara?
Aos poucos um sorriso bobo se formou no rosto dela. De alguma forma sabia que ouviria aquela pergunta de uma pessoa próxima e sua aposta ia direto na irmã.
— Ele me fez a mesma pergunta.
— Nossa... que sentimental. — Ironizou.
— Sabe por que, Annie? — Ela achava que estava pronta para responder, mas faltou-lhe algo mais — Olha, eu vou falar a verdade. Tem coisas que não dá para explicar facilmente, você apenas... sente, sei lá. Eu sinto algo pelo Gil, é algo que nunca tive antes por nenhum homem e não estou falando de paixonite qualquer, Annie, é...
— Você já superou o Hank.
— Ah, Annie... — Suspirou — É, eu superei o cara que tava me traindo.
— Que bom. Não suportava mais ele.
O comentário de Annastasia arrancou um sorriso da irmã.
— E falando nesse cara... esses dias eu o vi com uma mulher. Não era uma amiga comum, você sabe do que eu tô falando.
Decepcionada, como já esperava, Sara fechou os olhos e fez um gesto negativo com a cabeça.
— Como você descobriu?
— Ah... depois eu conto com mais calma. Não estou a fim de falar sobre isso.
— Annie...
— Confie em mim, Sara. Ainda mais quando eu digo que esse cara não presta. É um rato. Eu não podia deixar de te contar isso, ainda mais se ele vier com um papinho tentando enganar você...
— Obrigada, Annie... mesmo.
— Ele já chegou aí?
— Ainda não. Não tenho ideia de quando esse cara vai chegar e isso me deixa angustiada.
— Seu atual sabe disso?
— Sim. Contei a ele recentemente... e como eu esperava ele ficou revoltado.
— É, ao menos temos alguma coisa em comum. Mas nada disso muda a minha opinião sobre esse Grissom.
— Então por que ligou pra ele? — Era a pergunta que coçava na sua garganta.
— Merda, Sara, eu não conheço ninguém aí! — Ela reclamou — Queria que eu ligasse pro teu chefe?
A morena riu.
— Isso não é engraçado!
— Você fez um voto de confiança nele, é o que importa.
— Se ele fazer alguma coisa com você ele vai estar muito ferrado.
— Me admira que você não partiu para cima do Hank e quer ameaçar um policial. — Brincou a detetive.
— Ah, então a minha irmã queria que eu fosse presa por agressão. — Annie retrucou do mesmo jeito cômico e as duas acabaram rindo — Eu ia aproveitar e dar um oi para o Russell.
— E como ele está?
— Bem. Disse que se você quiser ficar aí depois do caso ele vai dirigindo para te buscar.
— Ficar? — Ela arqueou uma sobrancelha. E mais uma vez aquela pergunta a cercava. “Ficar em Vegas após o caso”. Ela sempre deixava de lado essa frase e seguia em frente, porém haveria um momento em que teria de erguer a voz para respondê-la. Não fazia isso porque tinha medo de encará-la.
— É. — respondeu secamente, mas dando pista que não gostou da resposta-pergunta — Por que, tá com dúvida? — provocou-a.
Sara chegou a mover os lábios, mas de sua boca não saiu resposta. Ainda não era hora de responder, ou melhor, ela não estava pronta para responder.
— Sei que você está doida para me ter aí novamente, mas meu foco é no agora e em como resolver esse caso.
— Olha só eu te conheço e sei que é uma desculpa pra sair do assunto, tá?
Sara suspirou. Tinha em mente que não dava para “enganar” sua irmã de forma fácil, ainda assim tentou a sorte.
— Me desculpa, mana.
— Vou te dar uma colher de chá porque você já deve estar de cabeça cheia por hoje.
— Não acredito que está fazendo isso. — brincou, mas no fundo ficou surpresa.
— É, porque na próxima vez que te ver eu vou te perturbar por horas.
— Depois de cantarmos Bring Me To Life.
— Depois de cantarmos Bring Me To Life.
As duas riram novamente, desta vez por mais tempo. Sara não tinha dúvidas, sentia muita falta da presença de sua irmã e mesmo se irritando inicialmente com a atitude dela em chamar Grissom, agora se sentia agradecida por ela tê-lo feito.
A conversa prosseguiu por duradouros minutos. Nunca havia falta de assunto para elas, que falavam (um pouco) sobre o trabalho, a vida nas duas cidades e as “fofocas” de São Francisco. Fofocas no sentido mais cru da palavra, já que Sara nunca foi do tipo de falar acerca de assuntos muito banais.
Falar com a irmã aqueceu parte de si, abalado pelos eventos recentes. Ainda assim não era o suficiente para conter a falta que sentia dela. Era estranho, não estava acostumada a sentir esse tipo de sensação. Apagar isso seria impossível, ao menos tinha que deixar de lado e se concentrar no caso.
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Ao todo as duas mantiveram a conversa por mais ou menos duas horas. Quando se despediram, Sara não esperou e deixou o quarto, preocupada com o que Grissom iria achar. Acabou por encontrá-lo deitado no sofá assistindo a um documentário sobre animais.
— Ei. — Ela se agachou e o encarou com um sorriso — Desculpe a demora.
— Não se preocupe. — sussurrou, atentando implicitamente para seus lábios.
Notando isso, a mulher se virou para a TV por uns instantes e voltou a encará-lo.
— Tá vendo o quê?
— Não sei... — respondeu sem perceber o que dizia.
Sara abriu outro sorriso e desta vez não resistiu; beijou os lábios dele por dois segundos e se afastou deixando-o com mais vontade.
— Senti falta disso. — Ele se levantou e ficou sentado, dando espaço e a chamando para perto.
Ela se sentou à sua direita e foi envolvida por seu abraço, então aproveitou e se aconchegou em seu peito. Talvez os dois pretendessem que os eventos da noite anterior não existissem ou fossem passado, porém sabiam que aquilo não era algo fácil de se esquecer.
— Como foi a conversa com sua irmã? — Grissom perguntou enquanto acariciava seu braço.
— Bem. — Assentiu — Não queria, mas acabei agradecendo a ela por ter ligado pra você.
Ele se virou para Sara e quando ela percebeu fez o mesmo. Ao ter uma visão melhor de seu rosto, Grissom acariciou seu queixo e beijou sua bochecha.
— Ela ainda me odeia? — Brincou ele enquanto continuava a acariciá-la.
Sem querer responder de uma vez, Sara apenas fez uma careta tentando disfarçar.
— Convencê-la é um processo lento e complicado, Gil. — A detetive sorriu, mas no fundo não era isso que ela gostaria de fazer.
— Espero que um dia ela possa entender.
— É, eu também.
O sargento suspirou e se achegou ao sofá, dando oportunidade para ela se envolver ainda mais em seu abraço.
— O que houve mais cedo?
— Hã?
— Não queria perguntar, mas... fiquei um pouco preocupada. Você... parecia disperso antes de sair. — Admitiu.
Antes de criar uma resposta o sargento umedeceu os lábios. Pensou em afastar o braço envolto nela, mas permaneceu assim.
— Queria um pouco de ar fresco. Pensar no que fazer adiante... — Grissom assentiu — Não pense mal sobre isso, é que...
— Ei. — Ela o chamou — Está tudo bem. Imaginei que fosse isso.
— Muita coisa aconteceu em pouco tempo. E me refiro a coisas que não deveriam ter acontecido.
Ele não precisou sequer citar quais foram estas “coisas”, ela já sabia de todas. Ou ao menos quase todas.
— Mas vai passar. — repetiu o que disse anteriormente e em seguida beijou o canto de sua testa.
— Desculpe por aquilo.
— Aquilo passou. — replicou ele tentando fechar o assunto de uma vez por todas.
— Mas pra mim ainda não.
— E quando vai passar, Sara?
Ao receber a pergunta ela se ergueu um pouco para encará-lo.
— Aquilo passou, Sara. — repetiu — O que importa é o agora. Não é o que você tem dito pra mim?
Por um instante ela olhou para o outro lado. O assunto para ela ainda era incômodo.
— Não é o que importa? Que você esteja bem e que possamos agir para que aquilo não aconteça novamente? — Insistiu ele, percebendo a mulher se afastar um pouco. Mas antes que ele dissesse algo em sua defesa, Sara tomou a palavra.
— Importa. Importa, sim. — Assentiu ainda sem encará-lo.
— Que bom. Porque não quero que isso aconteça de novo. — A voz dele saiu tranquila, apesar do pedido e de seu contexto.
Por um breve período a morena ergueu as sobrancelhas.
— Não estou pedindo que pare de beber, você sabe. Mas caso o faça e passe além do ponto, principalmente se estiver sozinha, eu quero que avise a alguém ou vá embora o quanto antes. Pelo amor de Deus, Sara, não fique sozinha se estiver embriagada. Ainda mais numa região como aquela. — Grissom pareceu implorar. Ele a encarou nos olhos, já esperando uma face revolta dela, mas para sua surpresa não a encontrou.
Ela não respondeu de cara, mas pelo seu olhar aparentava concordar com o pedido.
— Você é importante demais para mim. Não posso... — O sargento umedeceu os lábios e mudou a visão para o lado. Não terminou de falar.
— Eu sei. — Ela passou a mão por seu peito gentilmente — Eu sei. Isso é uma luta. — sussurrou, e após ficar em silêncio, continuou meio minuto depois — Pode me prometer algo? — Seus olhos se encontraram com os dele. Não era brincadeira ou uma daquelas frases com raso sentido.
— Diga.
Sara se virou para ficar mais frente a frente com ele possível. Ela tocou firme em sua perna e olhou para baixo antes de encarar o companheiro.
— Eu prometo que vou parar de beber, mas quero que me prometa parar de fumar.
— O q-quê?
A pergunta o pegou de surpresa. Não imaginava que Sara viesse com a questão do cigarro logo agora.
— Eu sei que só me prejudico quando bebo, mas não posso prometer algo vendo você se destruir, também.
— Sara, eu- — O sargento fechou os olhos e suspirou.
— Você sabe do que Cassandra, a minha segunda mãe, morreu?
Grissom engoliu em seco e fez um gesto negativo.
— Ela morreu de câncer no pulmão por causa do hábito de fumar.
Foi a vez de ele aparentar não se sentir bem com a conversa. Mesmo falando de uma vez foi doloroso para Sara trazer à tona para sua mente os momentos em que via sua mãe no hospital. Houve um breve período de silêncio até que Sara continuou:
— Cassandra chegou a parar de fumar de vez, meses antes de... descobrir o câncer. Não deu tempo. — Assentiu, ainda firme — Não pense que isto é uma barganha ou um discurso sentimental. Você mesmo disse em agirmos para aquilo não acontecer de novo. Também podemos agir para que isso não aconteça de novo — Ela apontou para ele.
— Eu... realmente sinto muito.
O sargento respirou fundo e se apoiou por entre as pernas.
— Estou tentando parar. — disse ele.
— Mas é difícil, não é?
Ele cruzou as mãos com os braços ainda apoiados nas pernas.
— Eu não fumava há muito tempo. — Grissom fez uma pausa, baixando levemente o olhar — Isso "aumentou" depois da... morte dela. — sussurrou.
Aos poucos ela o abraçou de lado. Passou a mão por suas costas até envolvê-lo o máximo possível.
— Podemos nos ajudar. — Insistiu.
Quando ergueu o olhar, Grissom a encontrou de cara, fitando para ele sem julgamentos.
— Então... — Ele engoliu em seco — prometemos ajudar um ao outro.
— É. A ideia é essa. — Ela sorriu.
Em resposta Grissom acabou soltando um sorriso meio tímido. Todas as vezes que dizia a si mesmo que deveria parar de fumar, acabava quebrando essa “ordem”. Nada era motivo suficiente para que ele agarrasse com todas as suas forças. Ao menos, até o presente momento.
— Se eu não fumasse, você iria continuar? — perguntou, encarando-a nos olhos em busca de uma resposta sincera.
— Estou tentando parar, assim como o seu caso. — disse, mesmo não sendo a melhor resposta que preparou.
Ele virou a palma mão esperando que a dela o envolvesse. Os dois entrelaçaram os dedos e ficaram observando o gesto por algum tempo.
— Eu prometo, — disse — mas farei isso por você.
Surpresa, Sara arqueou as sobrancelhas e antes que pudesse retrucar ele continuou:
— Não consigo pensar em outros motivos mais importantes que não envolvam você. — Ele fez um gesto negativo.
Ela afastou sua mão e sem demora envolveu o rosto dele com avidez.
— Então que seja assim. — A detetive acariciou o canto de seu rosto lentamente.
— Que seja assim.
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O dia seguinte foi marcado por uma vitória. Daisy havia conseguido decodificar os dois discos rígidos pertencentes a Park. A notícia foi entregue no final do turno de quarta porque a técnica ficou impedida de atuar nos HDs por conta de tarefas mais urgentes das quais ficou encarregada.
Grissom e Sara deixaram tudo que estavam fazendo para se concentrarem somente no conteúdo armazenado naquelas memórias. A mudança de planos valeu a pena: os arquivos revelavam-se uma possível mina de ouro. Se “cavassem” mais fundo no meio de todos aqueles algoritmos, poder-se-ia encontrar informações das quais pessoas matariam para ter ou apagar de vez.
— Acho que... estamos lidando com algo grande demais para ser revisto até o dia doze do próximo mês. — comentou Grissom, perplexo demais com o que estava encarando. Ele se ajeitou na cadeira e suspirou, levando as mãos ao rosto.
— O quão “grave” nós estamos falando, Grissom? — perguntou Daisy enquanto assistia ao sargento e a detetive vasculharem os arquivos digitais.
— Caso para o FBI. — admitiu com devido incômodo em sua voz.
— FBI? — Sara questionou.
— Tem muita coisa aqui que envolve a receita federal e outros órgãos. É pior do que pensei. — Ele passou a mão pelo rosto — Se eles souberem disso vão brigar com unhas e dentes para tirar de nós... inclusive Zodíaco.
— É só manter isso abafado. — A técnica argumentou, na tentativa de melhorar os ânimos.
— Quisera eu que fosse assim. — Ele sorriu para disfarçar e depois de ficar quieto por alguns segundos, continuou — Pode nos ajudar a levar isso aqui ao meu escritório?
— Claro.
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O restante do turno – que se estendeu por mais duas horas – foi definido pela estadia dos dois policiais dentro daquele escritório. Além de terem trabalhar com os arquivos, era necessário verificar os e-mails e quaisquer meios que pudessem ser usados para se comunicar com o assassino. Quando resolveram deixar o departamento não tinham analisado nem 10% daquilo.
— Desculpe-me por manter você aqui por mais tempo. — disse ele momentos depois de ambos entrarem no carro.
— É o nosso trabalho. — respondeu ela — Me admiro que não tenha preferido ficar mais.
— Não, melhor vermos isso com calma amanhã. — Ele balançou a cabeça — Estou cansado, além disso e imagino que você também esteja.
— É, eu... concordo. — A morena olhou desconfiada para trás — Acho melhor eu voltar para casa de táxi amanhã.
— Por quê? — Grissom perguntou enquanto manobrava o carro.
— Já é a segunda vez seguida que nós viemos e saímos juntos daqui.
— Quase todo mundo dá uma carona para o parceiro, Sara. Não há o que se preocupar. — Ele respondeu sem alteração na voz.
Ao olhar para o rosto dele Sara reparou certa inquietação traduzida em movimentos ligeiros de suas mãos, ombros tensos e semblante fechado. Talvez não tenha sido a pergunta que o tenha deixado assim, mas algo complexo e que perdurava em sua mente.
— Eu quero um cigarro. — admitiu após perceber que estava sendo observado — Estou cansado, inquieto... puto por não conseguir colocar aquelas coisas no lugar e... — Acabou parando quando notou que começava a se alterar. Então pressionou as mãos no volante e semicerrou os olhos — Sinto muito.
— Não é vergonha admitir que você quer um cigarro, nem que... está com raiva disso.
Quando teve a oportunidade o sargento a fitou por alguns segundos e tentou sorrir, mas o que saiu de sua boca foi uma fraca tentativa de executar o gesto. Ele estava exausto, realmente. Sua cabeça explodia, seus ombros estavam pesados e não tinha ânimo nem para acariciar sua companheira ou dizer algo romântico. Quisera ele que as coisas fossem diferentes.
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