Manhunters

85 O que nós queremos


Notas iniciais
Oi gente! Eu gostaria de me desculpar por não ter postado o cap mais cedo. Tive prova hoje e ainda tive (tenho ainda) que resolver uns assuntos pendentes. Oficialmente as avaliações estão a terminar, quem sabe não tento postar mais de um capítulo por semana, vamos ver. Muito obrigada a todos que estão lendo e boa leitura!

Passava das nove e meia da noite. Menos cansada e mais alerta, Sara decidiu que já era a hora de “trocar algumas palavras” com sua irmã. Depois do jantar, Grissom indicou seu quarto para que ela tivesse privacidade enquanto ele ficaria no escritório para adiantar o que pudesse do trabalho. Mesmo se sentindo envergonhada por usar o espaço dele Sara aceitou e foi para lá carregando o celular em sua mão, totalmente apreensiva. Não pela irmã em si, mas quais seriam as consequências daquela conversa.

— É você mesma ou seu namorado?

Céus...

— Sou eu, Annie.

— Ah, finalmente! Achei que ia ficar o dia todo se livrando da ressaca na cama com ele.

Mesmo sendo irmãs, havia um limite na paciência de Sara para certas atitudes de sua irmã. Ela atravessou o limite.

— Olha só, eu fui trabalhar sabia? Não podia deixar ele e o caso na mão. Se eu estou melhor muito disso eu devo ao Gilbert, ouviu? — retrucou impaciente — Não era obrigação, mas ele fez isso por vontade própria.

Sem resposta.

— Eu não queria que você ligasse para ele, mas no final foi o melhor que pôde fazer e eu entendo.

Então ficou chateada, é?

— Fiquei. Não queria envolvê-lo nisso, Annie. Tem certas coisas que achava melhor comentar depois.

Era isso ou deixar você à mingua, né, Sara.

— Eu sei! Mas foi difícil ter que explicar minha situação a ele tão... repentinamente. Nós temos nossos defeitos como parceiros e um casal, mas nada vai mudar o que eu sinto por ele.

— Não acredito que você tá falando desse jeito...

— O que que eu vou falar, Annie?! Eu amo ele! Eu amava ele desde muito tempo. — Ela fez uma pausa, impressionada consigo mesma pela declaração — Já está sendo difícil pra gente, e você falando assim não tá ajudando.

— E o que quer que eu fale? Desde quando aceitou a ideia de ir até Vegas você... se distanciou de tudo.

Annastasia mudou de tom. Parecia mais alguém que sofreu um baque severo.

— Você acha isso? Annie, eu só... estava preocupada com o caso. Nunca quis que pensasse assim.

Eu tenho medo, Sar. Você tá longe demais e tá num lugar perigoso. Não vem me dizer que você sabe se cuidar e que agora tem um namorado policial. Não adianta.

— Annie... — Sobre o que a detetive iria reclamar? Tudo o que acabara de ouvir foi um desabafo de alguém que estava chateada com o que estava acontecendo — Nada que eu disser a você por aqui vai adiantar muito, não é? — Sem receber resposta Sara continuou — Mas eu quero que saiba que nós vamos cuidar um do outro por aqui.

Depois de Sara ouvir um suspiro do outro lado da linha, Annie respondeu, finalmente.

— Por que ele, Sara?

Aos poucos um sorriso bobo se formou no rosto dela. De alguma forma sabia que ouviria aquela pergunta de uma pessoa próxima e sua aposta ia direto na irmã.

— Ele me fez a mesma pergunta.

— Nossa... que sentimental. — Ironizou.

— Sabe por que, Annie? — Ela achava que estava pronta para responder, mas faltou-lhe algo mais — Olha, eu vou falar a verdade. Tem coisas que não dá para explicar facilmente, você apenas... sente, sei lá. Eu sinto algo pelo Gil, é algo que nunca tive antes por nenhum homem e não estou falando de paixonite qualquer, Annie, é...

Você já superou o Hank.

— Ah, Annie... — Suspirou — É, eu superei o cara que tava me traindo.

— Que bom. Não suportava mais ele.

O comentário de Annastasia arrancou um sorriso da irmã.

E falando nesse cara... esses dias eu o vi com uma mulher. Não era uma amiga comum, você sabe do que eu falando.

Decepcionada, como já esperava, Sara fechou os olhos e fez um gesto negativo com a cabeça.

— Como você descobriu?

Ah... depois eu conto com mais calma. Não estou a fim de falar sobre isso.

— Annie...

Confie em mim, Sara. Ainda mais quando eu digo que esse cara não presta. É um rato. Eu não podia deixar de te contar isso, ainda mais se ele vier com um papinho tentando enganar você...

— Obrigada, Annie... mesmo.

Ele já chegou aí?

— Ainda não. Não tenho ideia de quando esse cara vai chegar e isso me deixa angustiada.

Seu atual sabe disso?

— Sim. Contei a ele recentemente... e como eu esperava ele ficou revoltado.

É, ao menos temos alguma coisa em comum. Mas nada disso muda a minha opinião sobre esse Grissom.

— Então por que ligou pra ele? — Era a pergunta que coçava na sua garganta.

Merda, Sara, eu não conheço ninguém aí! — Ela reclamou — Queria que eu ligasse pro teu chefe?

A morena riu.

Isso não é engraçado!

— Você fez um voto de confiança nele, é o que importa.

Se ele fazer alguma coisa com você ele vai estar muito ferrado.

— Me admira que você não partiu para cima do Hank e quer ameaçar um policial. — Brincou a detetive.

Ah, então a minha irmã queria que eu fosse presa por agressão. — Annie retrucou do mesmo jeito cômico e as duas acabaram rindo — Eu ia aproveitar e dar um oi para o Russell.

— E como ele está?

Bem. Disse que se você quiser ficar aí depois do caso ele vai dirigindo para te buscar.

— Ficar? — Ela arqueou uma sobrancelha. E mais uma vez aquela pergunta a cercava. “Ficar em Vegas após o caso”. Ela sempre deixava de lado essa frase e seguia em frente, porém haveria um momento em que teria de erguer a voz para respondê-la. Não fazia isso porque tinha medo de encará-la.

É. — respondeu secamente, mas dando pista que não gostou da resposta-pergunta — Por que, tá com dúvida? — provocou-a.

Sara chegou a mover os lábios, mas de sua boca não saiu resposta. Ainda não era hora de responder, ou melhor, ela não estava pronta para responder.

— Sei que você está doida para me ter aí novamente, mas meu foco é no agora e em como resolver esse caso.

— Olha só eu te conheço e sei que é uma desculpa pra sair do assunto, tá?

Sara suspirou. Tinha em mente que não dava para “enganar” sua irmã de forma fácil, ainda assim tentou a sorte.

— Me desculpa, mana.

— Vou te dar uma colher de chá porque você já deve estar de cabeça cheia por hoje.

— Não acredito que está fazendo isso. — brincou, mas no fundo ficou surpresa.

É, porque na próxima vez que te ver eu vou te perturbar por horas.

— Depois de cantarmos Bring Me To Life.

Depois de cantarmos Bring Me To Life.

As duas riram novamente, desta vez por mais tempo. Sara não tinha dúvidas, sentia muita falta da presença de sua irmã e mesmo se irritando inicialmente com a atitude dela em chamar Grissom, agora se sentia agradecida por ela tê-lo feito.

A conversa prosseguiu por duradouros minutos. Nunca havia falta de assunto para elas, que falavam (um pouco) sobre o trabalho, a vida nas duas cidades e as “fofocas” de São Francisco. Fofocas no sentido mais cru da palavra, já que Sara nunca foi do tipo de falar acerca de assuntos muito banais.

Falar com a irmã aqueceu parte de si, abalado pelos eventos recentes. Ainda assim não era o suficiente para conter a falta que sentia dela. Era estranho, não estava acostumada a sentir esse tipo de sensação. Apagar isso seria impossível, ao menos tinha que deixar de lado e se concentrar no caso.

—----------------------------------------------------------------------------

Ao todo as duas mantiveram a conversa por mais ou menos duas horas. Quando se despediram, Sara não esperou e deixou o quarto, preocupada com o que Grissom iria achar. Acabou por encontrá-lo deitado no sofá assistindo a um documentário sobre animais.

— Ei. — Ela se agachou e o encarou com um sorriso — Desculpe a demora.

— Não se preocupe. — sussurrou, atentando implicitamente para seus lábios.

Notando isso, a mulher se virou para a TV por uns instantes e voltou a encará-lo.

— Tá vendo o quê?

— Não sei... — respondeu sem perceber o que dizia.

Sara abriu outro sorriso e desta vez não resistiu; beijou os lábios dele por dois segundos e se afastou deixando-o com mais vontade.

— Senti falta disso. — Ele se levantou e ficou sentado, dando espaço e a chamando para perto.

Ela se sentou à sua direita e foi envolvida por seu abraço, então aproveitou e se aconchegou em seu peito. Talvez os dois pretendessem que os eventos da noite anterior não existissem ou fossem passado, porém sabiam que aquilo não era algo fácil de se esquecer.

— Como foi a conversa com sua irmã? — Grissom perguntou enquanto acariciava seu braço.

— Bem. — Assentiu — Não queria, mas acabei agradecendo a ela por ter ligado pra você.

Ele se virou para Sara e quando ela percebeu fez o mesmo. Ao ter uma visão melhor de seu rosto, Grissom acariciou seu queixo e beijou sua bochecha.

— Ela ainda me odeia? — Brincou ele enquanto continuava a acariciá-la.

Sem querer responder de uma vez, Sara apenas fez uma careta tentando disfarçar.

— Convencê-la é um processo lento e complicado, Gil. — A detetive sorriu, mas no fundo não era isso que ela gostaria de fazer.

— Espero que um dia ela possa entender.

— É, eu também.

O sargento suspirou e se achegou ao sofá, dando oportunidade para ela se envolver ainda mais em seu abraço.

— O que houve mais cedo?

— Hã?

— Não queria perguntar, mas... fiquei um pouco preocupada. Você... parecia disperso antes de sair. — Admitiu.

Antes de criar uma resposta o sargento umedeceu os lábios. Pensou em afastar o braço envolto nela, mas permaneceu assim.

— Queria um pouco de ar fresco. Pensar no que fazer adiante... — Grissom assentiu — Não pense mal sobre isso, é que...

— Ei. — Ela o chamou — Está tudo bem. Imaginei que fosse isso.

— Muita coisa aconteceu em pouco tempo. E me refiro a coisas que não deveriam ter acontecido.

Ele não precisou sequer citar quais foram estas “coisas”, ela já sabia de todas. Ou ao menos quase todas.

— Mas vai passar. — repetiu o que disse anteriormente e em seguida beijou o canto de sua testa.

— Desculpe por aquilo.

— Aquilo passou. — replicou ele tentando fechar o assunto de uma vez por todas.

— Mas pra mim ainda não.

— E quando vai passar, Sara?

Ao receber a pergunta ela se ergueu um pouco para encará-lo.

— Aquilo passou, Sara. — repetiu — O que importa é o agora. Não é o que você tem dito pra mim?

Por um instante ela olhou para o outro lado. O assunto para ela ainda era incômodo.

— Não é o que importa? Que você esteja bem e que possamos agir para que aquilo não aconteça novamente? — Insistiu ele, percebendo a mulher se afastar um pouco. Mas antes que ele dissesse algo em sua defesa, Sara tomou a palavra.

— Importa. Importa, sim. — Assentiu ainda sem encará-lo.

— Que bom. Porque não quero que isso aconteça de novo. — A voz dele saiu tranquila, apesar do pedido e de seu contexto.

Por um breve período a morena ergueu as sobrancelhas.

— Não estou pedindo que pare de beber, você sabe. Mas caso o faça e passe além do ponto, principalmente se estiver sozinha, eu quero que avise a alguém ou vá embora o quanto antes. Pelo amor de Deus, Sara, não fique sozinha se estiver embriagada. Ainda mais numa região como aquela. — Grissom pareceu implorar. Ele a encarou nos olhos, já esperando uma face revolta dela, mas para sua surpresa não a encontrou.

Ela não respondeu de cara, mas pelo seu olhar aparentava concordar com o pedido.

— Você é importante demais para mim. Não posso... — O sargento umedeceu os lábios e mudou a visão para o lado. Não terminou de falar.

— Eu sei. — Ela passou a mão por seu peito gentilmente — Eu sei. Isso é uma luta. — sussurrou, e após ficar em silêncio, continuou meio minuto depois — Pode me prometer algo? — Seus olhos se encontraram com os dele. Não era brincadeira ou uma daquelas frases com raso sentido.

— Diga.

Sara se virou para ficar mais frente a frente com ele possível. Ela tocou firme em sua perna e olhou para baixo antes de encarar o companheiro.

— Eu prometo que vou parar de beber, mas quero que me prometa parar de fumar.

— O q-quê?

A pergunta o pegou de surpresa. Não imaginava que Sara viesse com a questão do cigarro logo agora.

— Eu sei que só me prejudico quando bebo, mas não posso prometer algo vendo você se destruir, também.

— Sara, eu- — O sargento fechou os olhos e suspirou.

— Você sabe do que Cassandra, a minha segunda mãe, morreu?

Grissom engoliu em seco e fez um gesto negativo.

— Ela morreu de câncer no pulmão por causa do hábito de fumar.

Foi a vez de ele aparentar não se sentir bem com a conversa. Mesmo falando de uma vez foi doloroso para Sara trazer à tona para sua mente os momentos em que via sua mãe no hospital. Houve um breve período de silêncio até que Sara continuou:

— Cassandra chegou a parar de fumar de vez, meses antes de... descobrir o câncer. Não deu tempo. — Assentiu, ainda firme — Não pense que isto é uma barganha ou um discurso sentimental. Você mesmo disse em agirmos para aquilo não acontecer de novo. Também podemos agir para que isso não aconteça de novo — Ela apontou para ele.

— Eu... realmente sinto muito.

O sargento respirou fundo e se apoiou por entre as pernas.

— Estou tentando parar. — disse ele.

— Mas é difícil, não é?

Ele cruzou as mãos com os braços ainda apoiados nas pernas.

— Eu não fumava há muito tempo. — Grissom fez uma pausa, baixando levemente o olhar — Isso "aumentou" depois da... morte dela. — sussurrou.

Aos poucos ela o abraçou de lado. Passou a mão por suas costas até envolvê-lo o máximo possível.

— Podemos nos ajudar. — Insistiu.

Quando ergueu o olhar, Grissom a encontrou de cara, fitando para ele sem julgamentos.

— Então... — Ele engoliu em seco — prometemos ajudar um ao outro.

— É. A ideia é essa. — Ela sorriu.

Em resposta Grissom acabou soltando um sorriso meio tímido. Todas as vezes que dizia a si mesmo que deveria parar de fumar, acabava quebrando essa “ordem”. Nada era motivo suficiente para que ele agarrasse com todas as suas forças. Ao menos, até o presente momento.

— Se eu não fumasse, você iria continuar? — perguntou, encarando-a nos olhos em busca de uma resposta sincera.

— Estou tentando parar, assim como o seu caso. — disse, mesmo não sendo a melhor resposta que preparou.

Ele virou a palma mão esperando que a dela o envolvesse. Os dois entrelaçaram os dedos e ficaram observando o gesto por algum tempo.

— Eu prometo, — disse — mas farei isso por você.

Surpresa, Sara arqueou as sobrancelhas e antes que pudesse retrucar ele continuou:

— Não consigo pensar em outros motivos mais importantes que não envolvam você. — Ele fez um gesto negativo.

Ela afastou sua mão e sem demora envolveu o rosto dele com avidez.

— Então que seja assim. — A detetive acariciou o canto de seu rosto lentamente.

— Que seja assim.

—---------------------------------------------------------------------------------

O dia seguinte foi marcado por uma vitória. Daisy havia conseguido decodificar os dois discos rígidos pertencentes a Park. A notícia foi entregue no final do turno de quarta porque a técnica ficou impedida de atuar nos HDs por conta de tarefas mais urgentes das quais ficou encarregada.

Grissom e Sara deixaram tudo que estavam fazendo para se concentrarem somente no conteúdo armazenado naquelas memórias. A mudança de planos valeu a pena: os arquivos revelavam-se uma possível mina de ouro. Se “cavassem” mais fundo no meio de todos aqueles algoritmos, poder-se-ia encontrar informações das quais pessoas matariam para ter ou apagar de vez.

— Acho que... estamos lidando com algo grande demais para ser revisto até o dia doze do próximo mês. — comentou Grissom, perplexo demais com o que estava encarando. Ele se ajeitou na cadeira e suspirou, levando as mãos ao rosto.

— O quão “grave” nós estamos falando, Grissom? — perguntou Daisy enquanto assistia ao sargento e a detetive vasculharem os arquivos digitais.

— Caso para o FBI. — admitiu com devido incômodo em sua voz.

— FBI? — Sara questionou.

— Tem muita coisa aqui que envolve a receita federal e outros órgãos. É pior do que pensei. — Ele passou a mão pelo rosto — Se eles souberem disso vão brigar com unhas e dentes para tirar de nós... inclusive Zodíaco.

— É só manter isso abafado. — A técnica argumentou, na tentativa de melhorar os ânimos.

— Quisera eu que fosse assim. — Ele sorriu para disfarçar e depois de ficar quieto por alguns segundos, continuou — Pode nos ajudar a levar isso aqui ao meu escritório?

— Claro.

—--------------------------------------------------------------------------------

O restante do turno – que se estendeu por mais duas horas – foi definido pela estadia dos dois policiais dentro daquele escritório. Além de terem trabalhar com os arquivos, era necessário verificar os e-mails e quaisquer meios que pudessem ser usados para se comunicar com o assassino. Quando resolveram deixar o departamento não tinham analisado nem 10% daquilo.

— Desculpe-me por manter você aqui por mais tempo. — disse ele momentos depois de ambos entrarem no carro.

— É o nosso trabalho. — respondeu ela — Me admiro que não tenha preferido ficar mais.

— Não, melhor vermos isso com calma amanhã. — Ele balançou a cabeça — Estou cansado, além disso e imagino que você também esteja.

— É, eu... concordo. — A morena olhou desconfiada para trás — Acho melhor eu voltar para casa de táxi amanhã.

— Por quê? — Grissom perguntou enquanto manobrava o carro.

— Já é a segunda vez seguida que nós viemos e saímos juntos daqui.

— Quase todo mundo dá uma carona para o parceiro, Sara. Não há o que se preocupar. — Ele respondeu sem alteração na voz.

Ao olhar para o rosto dele Sara reparou certa inquietação traduzida em movimentos ligeiros de suas mãos, ombros tensos e semblante fechado. Talvez não tenha sido a pergunta que o tenha deixado assim, mas algo complexo e que perdurava em sua mente.

— Eu quero um cigarro. — admitiu após perceber que estava sendo observado — Estou cansado, inquieto... puto por não conseguir colocar aquelas coisas no lugar e... — Acabou parando quando notou que começava a se alterar. Então pressionou as mãos no volante e semicerrou os olhos — Sinto muito.

— Não é vergonha admitir que você quer um cigarro, nem que... está com raiva disso.

Quando teve a oportunidade o sargento a fitou por alguns segundos e tentou sorrir, mas o que saiu de sua boca foi uma fraca tentativa de executar o gesto. Ele estava exausto, realmente. Sua cabeça explodia, seus ombros estavam pesados e não tinha ânimo nem para acariciar sua companheira ou dizer algo romântico. Quisera ele que as coisas fossem diferentes.

Notas finais
Então foi isso! Com as férias chegando prometo que vou me acertar com as coisas aqui do site, tipo comentários a responder/fazer ou leituras pendentes. Tá uma loucura, muito louco! É isso. Obrigada a todos que leram, beijos e até o próximo! ♥