Notas iniciais
Oi, gente! Eu ainda tenho que resolver uns negócios na faculdade, então ainda não estou de férias, guenta firme! Também vou resolver minha vida com os comentários. Essas últimas semanas tão parecendo aquele meme do cara na praia esperando vir a onda kkkkkkkkkk ENFIM, APROVEITEM O CAPÍTULO!

Quinta-feira. O dia amanheceu garoando, típico daquelas épocas que precediam o inverno. Sara resolveu passar o restante do dia anterior com Grissom. Os dois combinaram que ele apenas a deixaria em casa e depois disso ela iria ao trabalho de táxi. Ao tocar nesse assunto, novamente o sargento levantou a questão sobre arranjar uma casa ou um apartamento na região central de Vegas, o que iria beneficiar a vida de ambos. Sara chegou a concordar, mas depois desconversou e mudou de assunto. Não queria absorver outro problema no momento, já havia muitos outros dos quais tinha de lidar.

A detetive acordou com o som do despertador dele, talvez o único detalhe do qual ela não gostasse ao passar a noite em sua casa, já que Grissom acordava mais cedo. Ela resmungou e esperou que ele desligasse o despertador. Mas isso não aconteceu.

— Gilbert... eu vou parar de dormir aqui. — brincou ao se virar em sua direção.

Ela o encontrou deitado de barriga para cima. Pareceu não ter sido (muito) afetado pelo som do alarme, pelo contrário, aparentava querer que o toque parasse tanto quanto ela.

A única coisa que saiu de sua boca foi um breve gemido.

Não que acordar cedo era uma tarefa era pra ser feita sorrindo, mas Sara estranhou o jeito dele. Grissom mal se moveu para pegar o celular e o som persistiu. Então ela decidiu desligar o alarme por si só, mas enquanto o fazia percebeu algo diferente do normal.

— Gil, você tá... bem? — perguntou ao tocar em seu rosto, foi quando sentiu que sua pele estava quente além de suada. Ao tocar em sua testa e pescoço pode ter certeza que o companheiro ardia em febre — Gilbert, você-

— Eu tô bem... — O sargento pegou a mão dela o menos rígido possível na tentativa de afastá-la — Só estou... cansado.

— Você me disse isso ontem, Gil, e olha só pra você. — repreendeu-o.

Para “provar” a ela que não era nada de mais, Grissom tentou se levantar, porém quando tentou se descobrir, sentiu uma dor imensurável em sua perna esquerda e se retraiu na mesma hora.

— Deus!... — lamentou. Estava severamente fraco.

— Droga, Gil! Eu vou te levar para o hospital. — disse com urgência ao tocar em seu rosto de novo.

— Só preciso... de um remédio. — insistiu com uma voz abatida, levando as duas mãos ao rosto — Eu vou ficar... bem!...

Ela franziu a testa ao receber aquela resposta. Sara não iria deixar que a teimosia dele ganhasse a discussão, muito menos esta discussão. Grissom passou dos limites há muito tempo imaginando que fosse capaz de fazer tudo.

— Não, você vai vir comigo ao hospital. Eu não vou deixar que continue se negligenciando.

Na mesma hora a morena se levantou da cama e levou consigo para o banheiro as roupas que iria vestir. Talvez nunca tenha se vestido tão rápido quanto aquele momento. Seus pensamentos se voltavam apenas para o homem deitado na cama; nada sobre o trabalho, muito menos o caso. Todo seu foco era nele.

Ela vestiu roupas simples, uma calça jeans clara, regata branca de manga curta. Quando voltou ao quarto para vestir o restante Sara o encontrou quase na mesma posição que antes. Ele notou sua presença e tentou se erguer por conta própria.

— Ei, ei, calma. — A detetive foi ao encontro, segurando-o pelas costas.

— Sara... — disse ofegante, levando a mão direita à testa. O movimento para levantar piorou a dor, então recuou — Desculpe, eu-

Ela tocou em seu rosto com ambas as mãos e o ergueu para que encontrasse os olhos dela.

— Não é hora de pedir desculpas. — Ao tocar em seu rosto, Sara pode sentir sua pele que ardia intensamente. Nem precisaria de um termômetro para saber que a situação era grave — Eu vou pegar uma coisa pra você vestir, agora aguente firme, tá?

Na correria para char algo que ele pudesse vestir além daquela camisa marrom, Sara achou uma calça que provavelmente ele usaria para trabalhar hoje. Com muita dificuldade ela o ajudou a se vestir. A dor o impedia de se mover naturalmente.

— Consegue se levantar agora?

Com uma leve inclinação da cabeça, Grissom, por intermédio da ajuda dela, levantou-se com muito esforço. Quase perdeu o equilíbrio quando distribuiu o peso às duas pernas. A esquerda doía tanto que ficar em pé era o pior dos martírios. Sem tempo a perder os dois seguiram para fora o mais rápido possível e na medida em que ele conseguia caminhar. Sara prometera que cuidaria de Hank depois, mas a prioridade era apenas o sargento. O caminho que levaria poucos minutos do apartamento até o carro levou o dobro do tempo.

A ida ao hospital foi um pouco dramática, não porque ele gritava de dores ou algo parecido, mas porque ele permaneceu em silêncio em praticamente todo o trajeto e isso a preocupava demais. Para checar seu estado de consciência de vez em quando dizia algumas palavras de conforto ou perguntava se estava bem; todavia isso pouco adiantava. A expressão agustante no rosto dele falava por si só.

Os papéis se inverteram em um intervalo muito pequeno.

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Para o alívio de Sara o hospital não ficava longe. Eles chegaram lá em menos de dez minutos, seriam menos se não fosse o trânsito um pouco lento. Sara não perdeu tempo e pediu por ajuda; logo foram atendidos pela equipe de prontidão. A sensação era voltar no tempo, ao momento em que Grissom foi atingido e levado ao hospital. Mesmo por perto desta vez a sensação ruim não passava.

Vê-lo sendo levado por uma maca de novo foi de cortar seu coração de tal forma que parecia uma ferida física. Foi horrível, deprimente, saber que estava naquela posição mais uma vez e o homem que amava era afastado porque sofria as consequências de um fato que não pôde evitar.

— E-eu não sei o que tá acontecendo. — respondeu ao enfermeiro quando foi questionada — Ele tá com muita febre, com dores no corpo, mas... — Balançou a cabeça como se procurasse por palavras que não surgiam o que a deixou severamente irritada — Céus isso!... — Ela se interrompeu de repente.

O enfermeiro tentou acalmá-la; adiantou pouco. Quando se preparava para acompanhar sua equipe a morena chamou por ele novamente.

— Ele foi atingido por tiros a algum tempo, mas vinha reclamando de dores na perna esquerda atingida. — Sara se aproximou dele com olhos aflitos. Ficou mais receosa ainda quando disse aquilo — Será que isso tem...

— Senhora, primeiro vamos estabilizar o quadro do senhor Grissom para depois o avaliarmos. — Ele respondeu com pressa — Iremos informá-la assim que possível.

— Ok... — Ela quase não teve força para replicar. Levou a mão à testa e repetiu a mesma palavra — Ok...

Seu “papel” havia terminado por hora, agora era a parte mais difícil: esperar.

Ela ficou parada num canto, esperando a liberação para ficar perto de Grissom. Acabou se distraindo com os próprios pensamentos que nem reparou quando foi chamada pela primeira vez. Não demorou tanto, mas para Sara foi uma eternidade. A detetive foi levada a outra ala onde precisou esperar junto de outros acompanhantes para ser chamada ao quarto particular. Ela não fez as contas, mas deduziu que desde quando chegou com Grissom até o momento presente deveriam ter passado quase duas horas.

Willows.

— Catherine? Sou eu, a Sara.

Sara? Tudo bem? Aconteceu alguma coisa?

A pergunta foi certeira, como se ela já estivesse adivinhando o assunto que Sara iria falar.

— Eu... — Ela mal sabia como começar — Eu tô no hospital. O Grissom... ele... precisou ser levado para cá porque estava sofrendo de dores muito fortes na perna.

— O quê?! Como assim?

Como explicar à melhor amiga de seu namorado da qual não tinha ideia sobre o relacionamento que ele e ela estavam envolvidos? Contar a real história estava fora de questão.

— Antes mesmo de ir ao trabalho ele... me disse que não estava bem então o ajudei a vir aqui. — Foi muito difícil para ela camuflar a verdade, mas tinha de fazer o possível para manter a vida particular dos dois um segredo. Num provável futuro teria de revelar tudo a Catherine.

— Deus!... Como ele está agora?

— Está sendo atendido... — Ela fez uma pausa — Olha só, eu... assim que estiver disponível eu irei ao trabalho, mas só peço a você um favor: que informe tudo ao Brass-

— Nada disso! Fique aí com ele e deixe que eu resolvo as coisas por aqui. Grissom precisa de alguém por perto mais do que nunca.

Sara também não queria deixá-lo. Ouvir Catherine apenas reforçou seu desejo em permanecer no hospital, nem que precisasse ficar o dia todo. Não iria ficar longe dele mais uma vez.

— Obrigada, Catherine...

— Obrigada, também por ficar aí com ele. Quando as coisas normalizarem aqui vou tentar arranjar uma brecha para visitá-lo.

— Obrigada, mesmo... até mais.

Depois da ligação Sara precisou esperar mais um pouco. Foi um alívio saber pela médica que Grissom estava um pouco melhor. Ela recebeu a notícia enquanto era levada até ao quarto particular e foi como se um peso infernal se esvaísse de seus ombros, ou ao menos parte dele. Perto de um “estranho” ela se sentiu acuada em demonstrar qualquer gesto de afeto quando entrou e se aproximou do sargento, porém, quando o viu vestindo aquelas roupas hospitalares numa situação frágil, ela não conseguiu se conter. Passou a mão sobre sua testa carinhosamente como se fossem os únicos presentes no lugar. O sargento, sonolento, moveu a cabeça para à esquerda, em sua direção, mas não abriu os olhos. Parecia que estava sonhando.

— Conseguimos estabilizá-lo.

— O que houve com ele? — disse em voz baixa enquanto continuava a acariciar sua testa para que ele não a ouvisse.

— Ele chegou aqui bastante debilitado e reclamando de dores crônicas na perna esquerda. — A médica respondeu enquanto observava o sargento — Fizemos alguns exames e aplicamos medicamentos para aliviar a dor.

— Tem alguma ideia do motivo? — Sara arqueou as sobrancelhas, chegando a se afastar de Grissom — Ele tá com um problema na perna, algum fragmento de projétil... infecção? — Ela odiava ficar situada numa posição que não tinha conhecimento.

— Precisamos fazer outro ou outros exames para se ter uma resposta. Existe a possibilidade de que o senhor Grissom esteja sofrendo de dor neuropática, que é uma condição causada por lesão nos nervos, nesta ocasião, causada pelo ferimento por arma de fogo. É necessário que ele passe por um questionário e depois um exame para confirmarmos ou não.

— Mas ele não... — A morena olhou para o sargento, ainda de olhos fechados. Pouco ouvia dele alguma reclamação sobre dores na perna nos últimos dias. Seu receio era que estivesse escondendo dela esse tempo todo — O que acontecesse depois?

— Bem, depois de confirmada será necessário um tratamento. O mais recomendado é um tratamento farmacológico. Porém, se todos os métodos não surtirem efeito é possível que seja necessária uma intervenção cirúrgica.

Cirurgia?

— E essa cirurgia? Ela... tem risco de... dar errado? — perguntou apreensiva. Estava daquele jeito porque sua mente lhe passava malditos pensamentos que envolviam Grissom ficar incapacitado de trabalhar para o resto da vida.

— Olhe, senhora Sidle, temos que ir por passos. A cirurgia será feita em último caso se nenhum tratamento convencional adiantar. E o tratamento inicial pode durar alguns meses.

Meses?

Aquelas palavras, por mais “animadoras” não diminuíram a tensão da detetive. O que significava um tratamento que levaria meses? Será que ele sofreria com dores esse tempo todo?

— Voltarei para vê-lo depois de alguns minutos. Pode se sentar ao lado dele. — disse apontando para uma cadeira próxima à cama. Sara nem teve tempo de questioná-la.

Sara se sentou e se recostou na cadeira, porém não ficou assim por muito tempo; apoiou-se sobre as pernas, baixou a cabeça e suspirou.

— Ah, Gil... — lamentou — Parece que... essas coisas acontecem justamente quando tá tudo bem. — Ela ergueu a cabeça para observá-lo — Mas será que tava tudo bem mesmo?

A mulher tocou em seu braço e acariciou por alguns segundos.

— Por que você fez isso? — sussurrou. Se dissesse alto poderia entregar a voz embargada.

Não passou muito tempo após aquela frase. Grissom moveu o braço direito e em seguida o pescoço na direção dela.

— Sara... — Com uma voz rouca ele falou seu nome e abriu os olhos por um instante. Aquilo fez o coração dela acelerar.

Se por um lado ficou emocionada, por outro uma raiva inexplicável surgiu e a única coisa que ela gostaria de fazer era explodir.

O sargento moveu os dedos da mão direta como quem tentasse mover todo o restante da mão e do braço. Estava tão debilitado que o esforço não adiantou.

— Desculpe... — falou enrolado.

Sara fechou os olhos e baixou a cabeça novamente. Se segurou para conter a vontade de chorar engolindo em seco. O problema era que mal sabia o motivo do vindouro choro. Ela respirou fundo, afastou-se dele e voltou a se recostou na cadeira.

— Por que escondeu isso de mim? — perguntou, mesmo sabendo que não teria a resposta no momento.

Grissom relutava para abrir os olhos, mas mal tinha o controle de seu próprio corpo. Estava pouco consciente, quase vencido pela sonolência.

— Você não... confia em mim? — questionou-o novamente, chegando a sorrir pela melancolia.

Ela não faria aquela pergunta de novo tão cedo.

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— Senhorita Sidle. Senhorita Sidle?

— Hã?

Ela acordou assustada, ou melhor, foi acordada de repente e levou um susto. Ao olhar para cima encontrou um homem magro vestindo roupas de enfermeiro. Seu rosto, apreensivo por ter feito aquilo, permaneceu até o momento que Sara se manifestou.

— Ah, eu... acabei pegando no sono, sinto muito. — Ela riu um pouco nervosa e se ajeitou na cadeira. Quando estava prestes a continuar, seus olhos focaram numa outra figura, uma que estava deitada na cama hospitalar, bem acordada. Era ele.

— Tem uma moça lá fora querendo visitar o senhor Grissom.

— Moça? — Ela arqueou as sobrancelhas, vindo a se levantar o quanto antes. Pediu com um gesto para que o enfermeiro o acompanhasse, para longe do paciente.

— Catherine Willows, o nome dela. — respondeu após alguns segundos pensando.

Sara pareceu mais atônita. Ela olhou para o pulso na tentativa de ver as horas, mas lembrou-se que na correria deixou o relógio no apartamento do parceiro. Então pegou o celular e verificou: 11h34min. Cochilara por quase uma hora.

— Daqui a pouco o horário de visita vai ser interrompido.

— Oh, sim, claro. — Assentiu. Deu um passo para observar o sargento que olhava para os lados ainda sem rumo — Pode me levar até ela?

Catherine não estava muito distante, logo foi “encontrada” por Sara. Ela que já esperava por alguns minutos sentada em uma cadeira junto de outros visitantes.

— Cath? Oi! — Sara apertou o passo para ir ao seu encontro. A detetive Willows se levantou e as duas trocaram um abraço.

— Peguei uma brecha no trabalho e vim assim que pude.

— Obrigada... — Ela forçou um sorriso.

— Como é que ele tá?

— Bem... a... médica disse que ele pode estar passando por uma doença que o faz sofrer de dores fortes, no caso a perna que foi baleada.

— Como assim?

— E-eu não sei bem como isso funciona, mas... ele provavelmente ele vai ter que passar por um tratamento.

— Quando achava que as coisas estavam dando certo... — Willows balançou a cabeça lamentando.

Sabendo que o paciente poderia receber mais de uma visita as duas seguiram para o quarto, acompanhadas de outro enfermeiro. Quando chegaram no “espaço reservado” a Grissom, encontraram-no recebendo um check-up do enfermeiro que acordou Sara. Elas esperaram até que o homem terminasse, e quando enfim as liberou, Catherine tomou um passo à frente e se aproximou do sargento. Sara ficou por ali mesmo.

— Gil! — A detetive o abraçou quase no mesmo instante que se aproximou dele. O gesto não foi muito forte, é claro, mas foi o suficiente para demonstrar todo o carinho que sentia.

Por um segundo Grissom desviou o olhar para Sara, que ao se encontrar com ele acabou olhando para o lado.

— Oi... Cath. — falou com a voz cansada.

— Grissom, caramba! Como é que você foi acabar desse jeito? — Nem mesmo Catherine pôde se conter ao ver o amigo numa situação debilitada novamente.

— Eu não sei. — Ele respirou fundo e respondeu quase friamente.

— Sabe, sim. — Ela retrucou. Então se virou para a outra detetive — Sara, não queria ser inconveniente, mas... poderia nos deixar a sós?

Tanto ela quanto o sargento ficaram surpresos. Grissom, nem tanto, mas ela sim. A morena até se esqueceu de responder, chegando a balbuciar umas palavras.

— Ah, claro! — Assentiu rápido — Acho que vou... almoçar. — Com um breve aceno para quem o visse, a morena deixou o lugar.

— Obrigada, Sara.

Grissom ficou observando-a sair, brigando consigo mesmo para não pedir que ficasse ou que não dissesse uma onda de pensamentos que lhe vinham à mente. Catherine não era exatamente a primeira pessoa com quem ele gostaria de conversar.

— Por que... pediu para ela ir? — questionou-a, tentando se ajeitar na cama, porém seu corpo estava tão fraco que não adiantou.

— Queria que ela ouvisse que o culpado de estar nessa situação é você mesmo?

Ele suspirou. Já adivinhava o tom da conversa desde quando Catherine pediu a Sara para se retirar.

— Estou pagando pelos meus erros, Cath... — Ele respondeu pausadamente.

— Por que você é tão cabeça oca, hein? — Ela bateu as mãos nas pernas — Aposto que se você não tivesse se forçado tanto depois de ser baleado não estaria assim. Nem ao menos sente muito?

— Recebi tantos sermões nestes últimos dias que... acabei me acostumando.

— O suficiente pra mudar de vez? — Ela o ironizou, vindo a se sentar na cadeira.

— Olha... — Novamente o sargento tentou se ajeitar. Ficar na mesma posição por muito tempo era um inferno para ele — Foi um erro meu naquele dia. Tanto tempo sem um... parceiro e acabei entrando em pânico. — Ele fez uma pausa, esperando por uma resposta, mas não a recebeu — Eu não sou assim, você sabe, Catherine.

— Mas você mudou. — falou sem reservas — De uns anos pra cá você se distanciou de todo mundo.

— Eu sei. Até hoje eu venho pagando por isso. — Ele suspirou — Você veio aqui apenas para... falar essas coisas? — As últimas palavras saíram com dificuldade.

— Claro que não. Você sabe que eu te amo, Gil. Eu amo tanto que fico revoltada quando te vejo assim. Você tem que cuidar de si mesmo e parar de por o trabalho em primeiro lugar. — desabafou, agora com a voz melancólica — A gente quase te perdeu e não foi a primeira vez.

— Catherine...

— Às vezes é melhor parar um pouco, mesmo um viciado no trabalho como você. — Ela brincou, o que acabou tirando um sorriso tímido dele — Teu corpo já está te alertando que está no limite.

Os pensamentos dele levaram-no a Sara e o quanto seu discurso era semelhante ao da amiga. Lembrou-se até de Heather e sua fala dura acerca da imprudência do sargento.

— É possível substituir a força policial, mas não o ser humano. Não dá pra simplesmente colocar outro no seu lugar e ficar por isso.

Os dois trocaram um olhar em silêncio.

— Warrick faz falta. — disse ele.

A detetive fechou a cara.

— Foi escolha dele nos abandonar. — Ela deu de ombros.

— Ele não quis nos abandonar de fato. Sabe que foi muito mais que isso.

— Não tenta mudar de assunto envolvendo ele, Gil. É golpe baixo. — A ruiva cruzou os braços em reproche.

O sargento sorriu mais uma vez. Ele achava que não merecesse ter a amizade de Catherine, uma pessoa boa demais para ter um desgraçado de homem como amigo.

— Se não consegue fazer por você faça ao menos pela Sara, poxa. Ela tá dando muito de si para estar aqui.

— Eu imagino.

Grissom lamentava ter que esconder a verdade a ela. Dificilmente ele guardava segredos pessoais de Catherine, porém teve que fazer uma exceção. Quanto menos gente soubesse daquele relacionamento, melhor.

— Mas então, como está essa perna? — perguntou ela depois de ficarem quase um minuto em silêncio.

— Está dormente... melhor que antes.

— Sara me disse que você estava com muitas dores aí. Como foi a sensação?

O sargento semicerrou os olhos na tentativa de buscar palavras concretas que traduzissem o que sentiu. Tentar se lembrar dos momentos anteriores lhe causavam uma sensação estranha, como se seu próprio corpo reagisse e o ameaçasse a sentir aquela dor mais uma vez.

— Desejei que minha perna fosse arrancada. — admitiu, então olhou para a perna coberta. Foi algo forte de se falar, mas não havia algo melhor para definir o que pensava anteriormente.

— Céus...! — Ela fez um gesto negativo com a cabeça — Espero que a partir de agora você mude seu jeito antes que arranquem um membro seu de vez.

— Obrigado por me fazer rir. — Assentiu e após alguns segundos continuou — O que o Brass falou?

— Bem... ele xingou algumas vezes... acho que vai barrar você do trabalho.

— Acho que não tenho escolha...

— Finalmente encontramos um jeito de fazer você não trabalhar. — Ela brincou — Mas falando nessa história aí do posto, soube que querem processar o estado.

— Não acho que vão vencer. O garoto atirou primeiro. — Grissom suspirou. Foi incômodo a ele dizer “garoto” ao invés de “cara” ou “homem” — A única coisa que me preocupa agora é uma possível alegação de força excessiva. Acho que os homens ficaram desesperados e exageraram um pouco.

— É só o júri olhar você e todos os laudos médicos que vieram junto. Geralmente ficam do lado da polícia. — Ela deu de ombros com certa melancolia.

— Assim espero. — Ele moveu o corpo para se recostar melhor na cama

— Isso não devia ter acontecido, mas estavam fazendo o trabalho deles.

— É. Mas por enquanto prefiro não comentar sobre esse assunto enquanto for possível. Já tenho coisas demais para me preocupar. E sobre o Sam? Conseguiu falar com ele?

— Grissom, o que a gente acabou de conversar agora?! — Impressionada a mulher chegou a sorrir — De novo falando sobre trabalho, seu viciado?

— Bem... — O sargento deu de ombros.

— Você não disse agora a pouco que tem coisas demais para se preocupar?

— Só estou perguntando. — Grissom fez uma careta como quem não quer nada.

— Ah é? Então deixa eu te fazer uma pergunta: Há quanto tempo você não transa?

Ele ficou boquiaberto desta vez, quase envergonhado e quase abrindo um sorriso. Faltou pouco para responder, mas lembrou que sua amiga não sabe de sua “segunda vida” ou algo do tipo. Acabou não respondendo, fez uma careta o que levou sua amiga a rir sem parar.

Se você soubesse...

Notas finais
O final foi engraçado, mas depois não vai ficarkkkkkkkkkkk ops É aquele negócio, né, o Gil "deixou-se" de lado; o corpo dele tava alertando mas ele ignorou. Na verdade ele não ignorou completamente, ele meio que foi levando até o ponto em que teria que tomar uma atitude, acontece que não deu tempo. Eu levei um tempinho para escrever esse capítulo porque fui pesquisar sobre a dor neuropática. Li vários artigos científicos que falam sobre o tema, tudo pra deixar o mais real possível pra vocês e para deixar as coisas certinhas, legais. Quem for da saúde e ver que tem algo errado é só me falar que terei o prazer em corrigir. Não vou falar nada sobre o próximo capítulo né, num vou dar spoiler, mas é isso haha. Obrigada a todos que estão lendo! Um grande beijo e até o próximo capítulo ♥