Manhunters
87 Remonte-se/Desespere-se
Notas iniciais
Quando o sininho da porta do Rose’s tocou, não foram duas pessoas que passaram pela porta, apenas uma. Não foi o sargento que apareceu como de costume, era uma mulher de olhar baixo e um pouco melancólico que evitou de dar oi ao balconista. Reservou para si o lugar mais ao fundo do restaurante, que por sorte, não tinha ninguém.
Não foi Tina quem a recebeu, foi outra mulher da qual a detetive não focou o rosto. Sem alongar a breve conversa ela pediu uma salada e purê de batatas, mas para falar a verdade estava sem muita fome.
Só depois de alguns minutos após fazer o pedido, ela foi “encontrada” pela dona do restaurante, que a recebeu com um aconchegante abraço.
— Ei, Sara, não sabia que estava aqui. Que bom te ver!
— Oi, Rose. — Ela forçou um sorriso.
— Como você está? — perguntou enquanto se sentava à frente da detetive.
— É, eu tô... bem... — Assentiu ao encará-la nos olhos para não parecer insegura.
— E onde está o nosso sargento?
Antes de responder Sara engoliu em seco e observou suas mãos entrelaçadas.
— Está no hospital.
— O quê? — Rose se inclinou para a frente.
— Ele... — Novamente a detetive hesitou em continuar — Sentiu muita dor na perna atingida e precisou ir até lá.
— Deus... Ele parecia bem. — lamentou ela levando a mão ao canto direito do rosto.
Eu não achava isso.
— E é muito grave?
— Provavelmente terá que passar por um tratamento com remédios. — A morena olhou para a janela — Ao menos conseguiram estabilizar a dor.
Rose a ficou observando falar, mas não comentou nada em seguida. Ficou atentando para a expressão de seu rosto, meio abatido e que tentava disfarçar. O real desejo de Sara era que isso não acontecesse, porém, ironicamente, não havia outro lugar melhor do qual ela gostaria de seguir.
— Sinto muito por ele.
— Hã? — Sem prestar atenção nela no momento, Sara enfim ergueu a cabeça para voltar a encará-la.
— Sei que gosta dele, mas às vezes o Gil é muito imprudente e acaba se machucando à toa.
— Espera, o quê? — Ela arqueou as sobrancelhas e ficou boquiaberta. Definitivamente não esperava por uma afirmação tão direta.
— Ele é muito fechado e às vezes acaba afastando as pessoas que querem seu bem. — Rose gesticulou com ambas as mãos — Acho que agora está tentando fazer a coisa certa com você.
Como você... sabe disso?
— Ah... que bom! — Tentou disfarçar como se não soubesse da situação ao todo.
Vendo aquilo, Rose abriu um sorriso carinhoso e então cobriu a mão da detetive.
— Se quiser conversar, qualquer coisa, fale comigo, ok? Venha à minha casa para tomarmos um chá.
— Por que está... fazendo isso, Rose? — Sara a questionou um pouco envergonhada.
— Porque gostei de você e sei que é uma boa pessoa. Assim como o Gil.
Aos poucos Sara se voltou para a janela novamente. Foi a segunda vez na semana que ouviu aquilo e de certa forma foi estranho. Não era acostumada a receber tantas palavras positivas.
— Obrigada. — sussurrou, e então sentiu um leve aperto aconchegante na sua mão.
— Acho que vou visitá-lo quando terminar por aqui. Sabe se ele vai ser liberado hoje?
— Provavelmente sim, talvez no final do dia.
— Aqui, tome meu número. — disse Rose enquanto pegava um caderninho no bolso e anotava rapidamente — Ligue se precisar conversar. — Ela estendeu o papel para morena e pediu o nome do hospital do qual Grissom se encontrava. No momento em que recebeu o número Sara lhe informou o nome do lugar — Adoraria ficar mais tempo com você, mas infelizmente vou ter que ir. — Ela se levantou e foi cumprimentar a detetive mais uma vez.
— Muito obrigada... Rose. — Assentiu, agora com um sorriso mais sincero.
— Fique bem, Sara. — Ela acenou e por fim foi embora.
— Mande um... abraço aos seus filhos e ao seu pai. — falou a morena momentos depois.
— Claro! Obrigada, vou mandar sim. Apareça lá em casa para conversar conosco.
Sem responder, Sara apenas acenou com a cabeça e sorriu. Quando Rose se afastou, enfim, o semblante da detetive mudou mais uma vez. A cena em que ela deixava o hospital para comer alguma coisa e reorganizar a mente era semelhante à de semanas atrás, mas num contexto bem diferente e sentimentos bem diferentes. Assim como da outra vez seria a hora de voltar até lá.
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Como informado pela médica Grissom não precisaria ficar internado por muito tempo. Até o final da noite teria alta se não houvesse nenhuma complicação. Ao menos uma boa notícia para ela em seu retorno ao hospital.
Sara não tinha obrigação legal de voltar e ficar com ele; seu dever seria ir ao trabalho, mas como ficaria naquele ambiente estranho do departamento de polícia, sozinha e com mil pensamentos voltados ao quarto de hospital? Ela sabia que uma hora teria de aparecer lá, mas sentiu-se impulsionada a ver o homem que amava, mesmo chateada.
— Ainda bem que você tem plano de saúde. — disse logo ao entrar e fechar a porta. Ele estava acordado e ficou atentando para quem entrara no quarto. Estavam somente os dois.
— Querida... — Ele arqueou as sobrancelhas. Deitado, Grissom se ajeitou o mais rápido possível para se recostar na cama. Ensaiou um sorriso ou um olhar surpreso, mas tudo que surgiu em seu rosto foi certa timidez.
Aos poucos a morena se aproximou dele, mas não fez o de costume: apenas ficou de pé, parada. Aquele olhar dela já foi um alerta ao sargento de as coisas não estava bem.
— Cá estamos nós num quarto de hospital... De novo. — Ela ergueu os braços.
Grissom observou a si próprio e depois voltou a encará-la. Não respondeu.
— Por que não me contou, Gilbert? — Era a pergunta presa em sua garganta. Sua voz baixa já acusava tristeza.
Ele chegou a estender mão para responder, mas a recolheu.
— Eu achei que... isso iria passar. — admitiu.
— É, mas não passou.
— Até pensei em ir ao médico quando a poeira baixasse-
— E quando seria, Gil? — Ela cruzou os braços — Quando começasse a se arrastar pelo chão?
— Eu não queria que aquilo acontecesse, querida.
— Está me chamando de querida para tentar aliviar a situação? É isso mesmo?
Ele desviou o olhar, sabendo que ela não iria se acalmar tão facilmente.
— Eu... queria te contar isso, mas não estava preparado! — retrucou, respirou fundo e continuou um pouco mais calmo — Senti vergonha de admitir que eu fui o responsável por essa... — Ele acabou parando de falar.
— Vergonha? Vergonha de contar pra sua namorada?! — Sara apontou para si mesma com ambas as mãos.
— Vergonha de mim mesmo por criar isso tudo.
Ela olhou para o outro e negou várias vezes. Uma espécie de déjà vu subiu-lhe à mente. Fica frente a ele, que estava sentado numa cama a lamentar tudo o que houve; a cena era praticamente igual a de semanas atrás.
— Sabe como eu me senti quando acordei e te vi daquele jeito?! — questionou sem esperar por resposta. Acabou demorando a responder — Senti parte do meu mundo se desmoronar, sabia disso?
Os dois se entreolharam por um tempo longo demais.
— Você é... é... parte de mim, Gilbert! — A voz não saiu do jeito que ela queria, pareceu abalada demais — Ver você desse jeito... tá me... torturando.
Sara nunca foi do tipo que se declarava com facilidade e talvez nunca seria. Porém não podia e nem conseguiu ficar calada ao se deparar pela segunda vez com ele deitado numa cama de hospital por um problema que poderia ter sido evitado.
A mulher tentou falar mais, todavia não conseguiu se expressar. Chegou a abrir a boca, só que as palavras não saíram. Chegou a olhar para suas mãos, que estavam úmidas e tremendo. As batidas em seu peito estavam aceleradas; realmente não estava bem. As palavras foram poucas, mas suficientes para fazê-lo se sentir o pior dos homens. A culpa não foi dela, muito pelo contrário.
— Pare de se negligenciar, Gilbert. O caso é importante, sim, mas não é mais importante que a sua vida. — Sara tentou se acalmar, todavia não adiantou muito em seguida — E se fosse algo pior com essa perna, hein? Algo que... te deixasse incapacitado de trabalhar? — Ela apontou para a região baleada, fez uma pausa e resolveu se sentar na cadeira.
— Sei que pedir desculpas não vai adiantar. — comentou cabisbaixo.
— É, não adianta muito. — Assentiu.
Após isso os dois evitaram trocar muitos olhares, principalmente ela. Ficaram assim por um minuto e meio, até a mulher o questionou:
— Você sentiu dores na perna quando fizemos amor? — Mesmo baixa, a voz de Sara não apresentou receio ou hesitação.
Grissom a encarou com olhos assustados, engoliu em seco e virou o rosto para o lado. Ele umedeceu os lábios e voltou-se à mulher.
— Na primeira vez, não. Na segunda... senti um leve incômodo — Ao notar uma alteração em sua expressão ele continuou rápido — que passou depois.
— Eu devia ter começado a desconfiar desde aquela vez no banheiro. — Ela o reprovou, e como esperado, ele baixou o olhar triste — Ao menos andou tomando o remédio?
— Sim. Mas pelo visto não adiantou.
Ela fez um gesto em negativa.
— Não quero que se sinta culpada por isso.
Sara chegou a rir em sarcasmo pela resposta. Mas a expressão mudou logo.
— Não quero que isso aconteça de novo. — disse ela — Aquilo tem que ser algo que seja... bom para nós dois, sem... sem problemas ou... dores.
— Sinto muito. — Ele não sabia mais o que dizer.
— Gil... — A mulher balançou a cabeça. Respirou fundo ao olhar para o lado e após alguns segundos continuou: — Quer saber de uma história? — Ela nem esperou por uma resposta — Cinco anos atrás, Downtown. Estávamos à procura de membros de uma gangue conhecida de lá. — Ela se recostou — Chamaram nossa unidade para ajudar a resolver uma série de assassinatos, então... lá estava eu. — Acabou deixando escapar um sorriso — Enfim, as semanas passaram e teve um momento em que eu e minha equipe entramos numa perseguição no meio da vizinhança.
— E o que houve? — perguntou meio preocupado.
— Teve uma troca de tiros tensa e a situação tinha fugido de controle. — Sara suspirou — A ordem era reagrupar e esperar por reforços, mas... — Ela abriu um sorriso maior — Eu já estava puta com o caso e resolvi continuar.
Ouvi-la falar daquele jeito fez sorrir.
— Desacatando ordens, detetive? — Ele brincou, na tentativa de amenizar o clima.
— Não dava para aceitar aquela ordem, estávamos quase pegando um peixe grande e simplesmente o deixaríamos fugir. — Ela deu de ombros — Então eu segui em frente. Consegui conter um, mas... fui baleada logo em seguida.
A expressão no rosto dele mudou da água para o vinho. Nem em seus piores pesadelos poderia lidar com Sara sendo baleada.
— Foi bem aqui. — A detetive indicou o bíceps esquerdo — A cicatriz já sumiu...
— Sinto muito.
— Você acha que eu parei depois disso? — A voz dela era desafiadora.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Meu braço estava todo ferrado, mesmo assim corri atrás do babaca. — Sara cruzou as pernas e com um olhar sereno ao longe, continuou — Adrenalina estava lá no alto e nem o sangramento importava mais naquela hora. No final de tudo... conseguimos conter aqueles caras, mas quase fui demitida e fui suspensa por uma semana. — Seu olhar estava tristonho desta vez — Faltou muito pouco pra bala acertar meu peito. A morte passou muito perto de mim e eu não dei a mínima.
Quando terminou de falar a morena visou-o com um olhar sério e repreensivo.
— Sabe por que eu te contei isso, não sabe? — perguntou como uma afirmativa — Não vale a pena arriscar a vida num momento desse, mesmo sabendo que isso pode gerar bons resultados.
Grissom olhou para a frente, meio abatido após o “sermão”. Sara ficou ali esperando receber a atenção de novo.
— Valeu a pena?
— Depois de um tempo eu tive a certeza que não valeu. Pus em risco não só a minha vida como a dos meus parceiros e dos civis no meio disso.
Ao notar que o semblante do parceiro mudou ela soltou um suspiro e prosseguiu:
— Você não colocou minha vida em risco, Gil, mas colocou a sua tentando me proteger. — Ela apontou para trás — Nem tanto com os outros policiais, mas acabou que o garoto foi alvejado e... esse processo de força excessiva deve estar rolando e provavelmente vão querer nos envolver nisso.
Quando terminou de falar Sara se levantou e se sentou entre o espaço livre na cama, bem próximo a ele. Percebendo isso, Grissom tocou carinhosamente em seu braço.
— Por que eu sempre acabo perdoando você... — Foi um quase lamento. A morena baixou um pouco a cabeça e suspirou.
— Não sei. Você é maravilhosa e... — Ele continuou a deslizar a mão sobre ela e parou aos poucos — eu não mereço nada disso.
Sara permaneceu em silêncio.
— Por que você continua? — perguntou ele.
— Eu não sei... uma parte de mim fica me... puxando a isso. É como se fosse uma voz falando na minha cabeça. — Deu de ombros.
— E você gosta desta voz?
Ela se virou e encarou o sargento. Ficou surpresa com a reação dele, curioso para saber a resposta. Então olhou para a frente e depois para o braço que ainda recebia o toque dele.
— Gosto de estar com você. — Admitiu sem olhar para ele.
Grissom alcançou a mão dela e a entrelaçou com a sua por alguns segundos.
— Acho melhor começar a cuidar do seu corpo ou eu vou deixar você e voltar à Califórnia. — Ela cruzou os braços em zombaria.
— Ah é? — Grissom fez um esforço para se levantar e ficar próximo dela — Você me deixaria aqui... sozinho?
— Tá fazendo o quê, Gil? — Espantada por conta de sua ousadia, Sara virou-se para ele e tentou impedi-lo de — Não te falei pra se cuidar e você... — Aos poucos ela foi parando de falar porque se deixou atentar demais aos olhos e boca dele — Droga.
Ela tocou em seu rosto com as mãos e o puxou para um beijo rápido, apenas seus lábios se tocaram. Mas depois, não se contentando com apenas isso a detetive o beijou mais uma vez, desta vez mais intensamente. Para a infelicidade de ambos o beijo não durou muito tempo ou correriam o risco de serem “vistos”.
— O que você disse a eles? — Grissom perguntou ainda ofegante. Sara fez uma careta, não entendendo o que ele quis dizer — Perguntaram se você era alguma parente minha?
— Ah! — Ela riu e inclinou a cabeça para trás momentaneamente — Eu disse apenas que era uma amiga próxima. — Terminou deslizando a mão sobre o lado esquerdo de seu rosto.
— Amiga, é?
— É. Uma amiga com... benefícios. — Bem próxima dos lábios dele Sara não conteve o sorriso malicioso — Muitos benefícios.
— Acho que... eles não vão se importar.
Grissom e Sara beijaram mais duas vezes e, então aos poucos a morena trocou o sorriso por um olhar tristonho.
— Me promete que vai avisar quando não se sentir bem e parar de guardar para si mesmo? — Ela perguntou enquanto passava a mão por seus cabelos.
— Pra você? — sussurrou ele.
Sara deslizou a mão até a lateral de seu rosto. Seu toque era mágico, inigualável. Ao sentir a carícia tão próxima ele fechou os olhos e se deixou levar pela mulher. Apenas quando ela parou, segundos depois Grissom abriu os olhos.
— Me promete?
Ele a encarou nos olhos e respondeu:
— Prometo.
Sua resposta fez Sara abrir um sorriso. Ela segurou seu rosto e o puxou carinhosamente para beijá-lo nos lábios. Quando terminou, ainda se manteve naquela posição, então o sargento envolveu a mão dela com a sua, porém não disse nada.
— Já almoçou? — Como não houve manifestação dele, ela tomou a palavra.
— Já.
— Que bom. Vou ficar aqui com você o restante do dia.
— Eu... acho melhor você ir. Uma hora eles vão estranhar que minha parceira, — Ele se enfatizou — que não tem nenhum envolvimento comigo não foi ao trabalho.
— Mas e você? — Ela tirou as mãos de seu rosto e tocou em seu peito. Mesmo concordando de certa forma ela não gostou do pedido.
— Tem muita gente olhando por mim aqui. — Ele abriu um sorriso tímido — E logo logo serei liberado, então não precisa se preocupar.
A morena olhou para o lado, ainda a pensar nas alternativas.
— Tem certeza disso, Gil?
— Tenho. — Ele respondeu e logo em seguida pegou sua mão direita e a beijou.
Ela precisava fazer esse voto de confiança nele, e além disso, não podia colocar o relacionamento deles em risco não aparecendo ao trabalho.
Enfim, Sara se levantou e decidiu ir como pedido por ele.
— Leve meu carro, ok?
— Tá bom. — Antes de sair ela se aproximou dele e beijou sua testa — Fica bem, amor. — Sussurrou e acariciou seu rosto.
— Eu te amo. — disse a ela enquanto ainda estava próxima — Obrigado por cuidar de mim.
Após uma rápida troca de acenos, Sara deixou o quarto e se encaminhou par fora do hospital.
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As roupas que estavam usando eram suficientes, ainda assim, ela precisou voltar à casa do sargento para pegar alguns pertences, a arma e o distintivo; pegou também o sobretudo já que pelo visto o dia aparentava esfriar bastante como ameaçou mais cedo. Após isso Sara foi direto ao departamento torcendo para que não fosse “interrogada” pelos colegas de trabalho.
— Detetive Sidle? Ah, que bom que apareceu. — Assim que a avistou, Judy chamou por ela o quanto antes.
— Oi... Judy, não é mesmo? — Apontou para a mulher.
— Sim. Tenho um recado para te dar.
Confusa sobre o motivo de ser chamada, principalmente sobre o teor da mensagem, a morena se aproximou com cautela.
— É sobre o sargento Grissom?
— Não. É sobre você.
— Hã? — Ela franziu a testa — Sobre mim? O que foi?
Ela engoliu em seco pensando nas inúmeras possibilidades que poderiam ser “aquele recado”. E nenhuma delas era coisa boa.
— Um homem veio falar com você, disse que era urgente. — Ela procurou por uma folha de papel no meio do balcão.
— Homem? — questionou apreensiva, e quase irritada por Judy não ter revelado seu nome de uma vez. Uma lista se formou em sua mente e todos os nomes se embaralharam nela.
— Hum... Hank Pediggrew.
Não pode-
— É o quê?! Ele veio aqui pessoalmente?
— Sim. — afirmou sem problemas — Disse que era seu namorado e que precisava muito falar com você. Até pediu o endereço da sua residência, mas somos proibidos de fazer isso.
Céus, ainda bem.
— O que mais ele falou? — Sara estava mais apreensiva que antes, mas dessa vez irritada.
— Ele me deu o endereço do lugar onde está hospedado e pediu que fosse vê-lo o quanto antes. — Judy a entregou um pedaço de papel.
A morena fechou o punho que carregava o endereço com tanta força que chegou a amassá-lo um pouco. Se esquecendo de que ainda falava com Judy, Sara ficou envergonhada em permanecer calada e com um semblante estranho.
— É... O-obrigada. — Ela ergueu o papel e seguiu rápido para dentro do departamento.
Isso não é bom, isso não é bom... pensava repetidas vezes enquanto passava pelos outros totalmente distraída. Acabou mudando de planos e entrou na sala de Grissom. Fechou a porta com as persianas baixadas, e caminhou até a mesa, onde apoiou-se sobre elas e baixou a cabeça.
— Eu não... acredito! — Exclamou, mas não muito alto para não despertar curiosidade para os de fora. Só que não foi o suficiente; ela se sentia sufocada como se estivesse num cubículo tentando respirar.
Os problemas não paravam de surgir, era como se a vida lhe pregasse repetidas peças. Ou melhor, lhe pregasse os mais variados desafios.
— O Hank tá aqui. — Ela sussurrou, agora de olhos fechados. Não achava que esse homem fosse cumprir com a promessa dita à sua irmã. Sara já sabia de sua possível vinda, mas não imaginava que ocorresse num momento tão delicado. Mal podia imaginar o quão pior seria se ele conseguisse o endereço de sua casa, saber onde ela estava trabalhando já era um problema. Ao menos, poderia ter sido pior.
A detetive não sabia dizer se era uma coisa boa Grissom estar no hospital, alheio à “notícia”. Entretanto, uma hora ele saberia e a reação não seria das melhores, pelo contrário. De uma coisa ela sabia: tinha que tirar seu ex de Vegas o quanto antes ou seria ruim para todos os lados.
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