Manhunters
98 O quarto 108
Notas iniciais
— Estamos voltando a Cold Springs com mais perguntas que respostas. Quero acreditar que isso seja algo bom. — disse a morena enquanto observava a estrada iluminada pelas lâmpadas dos postes.
Já era noite, umas nove e dezessete. Enfim, os dois conseguiram seguir viagem após um dia bastante trabalhoso, porém não tão produtivo como esperavam. Os cortes solicitados ao técnico foram feitos, ainda assim os dois preferiram continuar com as buscas do rosto do homem no cemitério e estenderam o dia em busca de algo que Park tenha deixado. Sara queria adiar o retorno à pequena cidade para ao menos dois dias depois, mas Grissom não queria; insistiu em terminar com aquilo o quanto antes, talvez uma oportunidade em saber algo importante. A vontade do sargento prevaleceu e os dois voltaram às suas casas para resolver algumas pendências antes de seguir viagem.
— Ter mais perguntas em mente pode ser um bom sinal. — Afirmou ele.
— Podia ter me deixado dirigir. — Sara cruzou os braços encarando-o sem ligar se receberia atenção — Não pode dirigir por mais de três horas, Gil, é melhor se poupar.
— Acho que vou parar num motel.
— Sério? — perguntou surpresa.
Ele afirmou com um gesto.
— Nem chegamos na metade do caminho ainda. Estou cansado e imagino que também esteja.
— Existem motéis nesse pedaço do meio do nada? — Curiosa, Sara atentou estrada à frente na tentativa de achar alguma coisa que não fosse uma vastidão da região semideserta.
O sargento sorriu de lado, mas não chegou a rir.
— Tem, sim.
— Que bom. No que está pensando, um quarto e uma cama? — Ela brincou, mas ao mesmo tempo estava sugerindo.
— Realmente gostaria, mas é melhor não arriscar. Talvez um quarto e duas camas. Dois quartos caso não haja outra opção.
— Por mim está bom, sargento Grissom. Só espero não ser incomodada no meu sono. — disse com ar de superioridade logo após se recostar no banco.
Grissom a fitou por um breve instante e não chegou a sorrir desta vez, mas por dentro sentia-se bem. Por anos sozinho nunca se viu tão bem, não do modo ideal, mas já tinha seus resultados. Ainda havia muito a melhorar naquele relacionamento, principalmente da parte dele, mas só de olhar para seu rosto de Sara ele arranjava forças para continuar.
Quatrocentos metros à frente e os dois chegaram a um motel. Havia uma placa chamativa que lembrava à da entrada de Las Vegas, e talvez tenha sido isso que atraiu a atenção de vários clientes, já que dava para notar luzes acesas em quase todo primeiro andar. Sara chegou a ter receio que não houvesse mais quartos disponíveis por conta da localização do motel: o único que viu a quilômetros de uma cidade.
— Boa noite. Um quarto com duas camas. — Ele solicitou ao atendente.
— Certo... — O homem magro e de cabelos pretos os observou por três segundos e começou a digitar algumas coisas no computador que mal dava para ver, estava escondido atrás do balcão — Forma de pagamento?
— Dinheiro. — respondeu sem hesitar.
Grissom deu mais algumas informações para efetuar a confirmação do quarto. Após isso recebeu a chave 108 e, levando as respectivas bolsas de viagem os dois seguiram para o quarto. Passaram por pouca gente, dois homens conversando próximos ao 102 e uma mulher falando baixo ao telefone bem em frente ao 104. Ao chegarem lá, logo após acenderem a luz o ambiente foi recebido de uma forma positiva num primeiro momento.
— Já veio aqui? — Sara perguntou ao analisar o quarto de cima a baixo.
Nele haviam duas camas separadas por dois metros de distância, respectivos criados-mudos com abajures e uma mesa redonda com duas cadeiras, todas brancas formando o conjunto. Nas camas foram deixadas duas toalhas para cada junto além de sabonetes. Mais ao fundo havia uma porta, como informado pelo atendendo o quarto era uma suíte. As paredes foram forradas com um papel de parede verde musgo estampado dando uma sensação de que regrediram ao século passado. O ambiente visual era bom, na verdade. Ainda haviam cortinas bege para cobrir a grande janela dupla com vidro fumê, um ar condicionado e um aquecedor.
— Há muito tempo. — Ele deixou a bolsa no chão e se sentou na cama mais próxima à porta, mas logo se deitou. Afrouxou a gravata e a tirou, depois os sapatos, vindo a suspirar de cansaço — Muita coisa mudou.
Já Sara abriu a porta do banheiro apenas para ver como era. Simples, mas bem ajeitado, detalhe para a banheira larga com chuveiro e o espelho largo acima da pia. Havia um cheiro aceitável de desinfetante e outro produto de aroma agradável. O chão de piso claro brilhava como novo.
— Nada mal. — comentou entusiasmada.
Ao retornar ela o encontrou deitado ainda a olhar pela janela. Grissom chegou a abrir a camisa até certo ponto e retirá-la dentro da calça, porém não saiu disso. O cansaço e até mesmo a preguiça fixaram-no ali, deixando o sargento sentir o peso do dia, da semana, do mês. Não chegou a perceber sua presença quando se aproximava dele, virou-se apenas quando a detetive se sentou ao seu lado.
— Tudo bem? — perguntou ao passar a mão sobre sua testa carinhosamente.
— Mais ou menos. — Seu olhar estava fixo na janela semicoberta, tentando encontrar algo mais que silhuetas na escuridão do lado de fora — Faltei à fisioterapia hoje. — Ele a fitou esperando sua reação.
— Gil. — protestou.
— Fui à psiquiatra em vez disso.
— Sério?
O homem se levantou e suspirou, permanecendo sentado e com o olhar fixo à frente. Ela ficou do mesmo jeito que antes, aguardando o que faria.
— Falei sobre muitas coisas. — declarou em voz baixa.
— Não precisa comentar se não quiser.
— Eu contei sobre estar apaixonado por uma mulher. — Admitiu logo após contrair os ombros — Alguém por quem eu não deveria me apaixonar.
Grissom apoiou-se sobre as pernas e dirigiu o olhar para a porta. Silêncio. Foi uma curiosidade para a detetive, que não se conteve e o questionou de sem ser agressiva.
— E por que não deveria se apaixonar?
Ele soltou uma risada breve ao notar que Sara também entrou no jogo.
— Porque tudo implica para eu não ficar junto dela. Mas ainda assim eu a quero e fico louco por isso.
Sara franziu os lábios para não sorrir de cara, mas não o evitou. Ela aproveitou o espaço e foi para o meio da cama, aproveitando para tocar em seus ombros.
— E você acha que esta mulher sente o mesmo? — disse Sara, começando a massageá-lo lentamente, de modo que pressionava seus músculos em pontos específicos.
— Acho que sim. — respondeu com sua voz já afetada pelo transe daquela massagem.
— Hum. Imagino que ela também esteja louca.
O sargento ergueu a mão esquerda para envolver a sua. Ele fechou os olhos e se deixou levar pela massagem. Mesmo macias, suas mãos conseguiam penetrar no mais fundo de seus músculos e fazê-los relaxar. Ele fez um som de que estava gostando, provocando nela um sorriso. Não bastava muito para Sara desarmá-lo e ultrapassar suas defesas. Sendo ainda seu refugo, a detetive era sua maior fraqueza.
— Não acredito que disse aquilo à doutora.
— Eu também não.
Diminuindo o ritmo ela foi parando a massagem, descendo as mãos até do pescoço até alcançar sua camisa onde ameaçou terminar de desabotoá-la.
— Tem espaço na banheira para mais um. Por que você não vem comigo? — sugeriu quando cruzou as mãos ainda envolta nele.
— Não sei... — Grissom respondeu reticente.
— Vamos. — A morena se levantou e ficou frente a ele. Então segurou suas mãos e, insistindo, o fez levantar.
— Estava pensando em comprar o jantar. — Grissom resistiu mesmo de pé.
— Deixe isso para depois. — Sara tocou em seu peito e se aproximou para beijá-lo — Acho melhor você relaxar um pouco antes disso. Eu não estou com fome ainda e não está tarde ainda.
Ele fora tentado por uma oferta quase irrecusável. Quase. Dentro de si corpo e mente clamavam por aquele pedido, clamavam para que ele aceitasse, se jogasse na verdade, numa atmosfera de paixão e desejo onde ninguém seria capaz de tirá-los dali. Mas havia uma outra parte, um outro lado que o puxava para longe, uma vontade de recusar o pedido. Talvez fosse a culpa a maior causadora disso tudo. Um sentimento que não surgia do nada, era alimentando quando ele se encontrava num momento particular no qual imaginava estar sem defesa alguma.
— Eu... — Ele engoliu em seco — Eu vou comprar o jantar, não demoro.
Grissom voltou a se sentar na cama e voltou a calçar os sapatos com certa agilidade, até. Levantou-se e abotoou a camisa.
— Gilbert. — A detetive segurou sua mão, ainda sob a camisa. Seu olhar demonstrando preocupação empurrou ainda mais fundo a lança cravada no peito dele. Estava sendo sufocado.
— Querida. — disse ele de modo a tentar explicar, entretanto, acabou perdendo a coragem — Eu... volto logo.
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Ela contava tudo de si, de sua vida, compartilhava segredos com tanta facilidade, porém ele não teve coragem de contar o que ia fazer quando tivesse a chance. Não contou que em breve estaria frente a frente com o homem que destruiu sua vida. Não contou aquilo e agora sentia culpa, uma culpa exagerada, talvez? Não sabia dizer, porém sabia o quanto isso o consumia pouco a pouco. Teve a oportunidade de falar, todavia se retraiu em suas incertezas.
Por que era tão difícil contar? Um sentimento negativo sobrevia-lhe antes mesmo de dizer um “a”. Grissom sabia que estava errado em fazer o que pretendia fazer e mais errado em continuar às escondidas. Achava que tinha de lidar com aquilo sozinho, sem intervenções ou comentários adversos, mas para ele, prosseguir assim também seria como traí-la.
Mãos pressionadas no volante e uma atenção dividida entre a o caminho à frente e suas divagações. Queria um cigarro em sua boca, realmente queria, tanto que se tivesse algum por perto acabaria não resistindo. A vontade era tanta que podia sentir o cheiro correr por suas narinas; ele suspirou por bons longos segundos tentando não pensar naquele maldito cigarro. Torcia fervorosamente para que no lugar aonde fosse não os vendesse ou a luta contra si mesmo seria pior.
Ele voltou ao motel quase uma hora depois trazendo comida mexicana depois da aprovação de sua companheira. Trouxe burritos, de carne para ele e legumes para ela e também um pote de guacamole para ambos dividirem.
Quando entrou no quarto a encontrou-a sentada à mesa e mexendo no computador. O sargento deixou o jantar sobre a mesa e se aproximou dela.
— Achei que já tinha tomado banho. — comentou ao notar que ela vestia ainda as mesmas roupas. Aproveitou depois para dar uma olhada na tela do notebook.
— Eu queria mesmo tomar banho com você. — disse com um sorriso malicioso sem se preocupar — Mas você foi embora e eu pensei em mudar de ideia. Só que eu acabei ligando o computador e aqui estou eu.
— O que está fazendo?
— Pensando naqueles homens.
— Possíveis suspeitos.
— É.
O homem desviou o olhar da tela.
— Vamos comer antes que a comida esfrie. O banho fica para depois.
Sara lhe lançou um olhar ousado, recusando-se a sorrir para ele. A detetive afastou o notebook para o lado e observou as sacolas, imaginando o que fosse a partir do cheiro agradável que sentia.
— Trouxe guacamole? — Ela perguntou antes de revirar as sacolas.
— Sim.
— Maravilha.
Os dois preparam a mesa, arrumando os últimos detalhes. Sara chegou a sair do quarto para trazer dois refrigerantes que eram vendidos na máquina próxima à recepção do motel. Ao retornar os dois começaram a comer.
— Muito bom. — disse a detetive enquanto saboreava a comida.
— Ainda bem. Nunca tinha comprado lá. — Ele brincou. Dobrou as mangas da camisa e desabotoou-a mais um pouco.
— Você tem um bom gosto pra essas coisas, hein sargento.
Grissom deixou escapar um meio sorriso enquanto atentava para o burrito em sua mão.
— Sabe, — comentou Sara após uns dois minutos de silêncio — estive procurando mais coisas sobre os homens de quem você suspeita, aqueles ricaços.
— E?
— Bem... é estranho que não encontrei muita coisa nos arquivos ou na internet sobre alguns deles.
— Ah é?
— Foi um pouco difícil encontrar alguma coisa relevante sobre esses caras. Todos eles sem passagem no registro policial, nada polêmico nas matérias. Até contatei uns amigos lá de Los Angeles para saber se havia algo...
— E então?
— Estou esperando resposta. Acontece que o mundo dos negócios é um mundo complexo. Estamos lidando com homens que tem contatos e estão envolvidos em coisas grandes. Se Ryan tinha o que tinha é porque seu contato, então o assassino está lá dentro.
— Como é que um homem desse pode ficar fora de vista enquanto mata todas aquelas pessoas? — Grissom indagou.
— É justamente esse tipo de homem que fica indetectável, longe de olhares desconfiados. Veja só Yohann: ele é empresário, investidor e ainda é filantropo. Só ele e o Benjamim são conhecidos por fazer isso.
— Te chamou a atenção?
— É um pouco estranho imaginar que um dos dois é o assassino ainda mais nessas circunstâncias.
— É um bom disfarce. — Ele deu de ombros — Se esconder na última figura de quem poderiam desconfiar.
Depois de algum tempo pensando nisso, Sara deixou para comentar sobre o caso outra hora ou iria acabar enlouquecendo. Ela continuou a comer em silêncio e ficou por ali o que intrigou o sargento, esperando por ouvir mais dela. Respeitando sua decisão ele também continuou a refeição sem citar mais os suspeitos ou o caso em si.
— Tem um lugar lá em São Francisco que tem uma comida mexicana maravilhosa. Aposto que você iria gostar.
— Imagino que sim. — O sargento respondeu com um breve sorriso — Gostaria de voltar até lá em breve. Muita coisa mudou por lá, não é?
— Sim. Está mais calmo.
— Minha mãe mora na Califórnia.
— Ah é? — Perguntou surpresa.
— Santa Mônica. — Ele disse antes de tomar um gole da bebida.
— Bem, agora sei que tem mais de um motivo para ir até o litoral. — A detetive brincou, o que o fez rir.
Após terminarem o jantar curiosamente houve um pequeno período de silêncio entre os dois.
— Sabe... a oferta da banheira ainda está de pé. — Sugeriu após lamber a colher sobre a boca. Isso tirou a atenção de Grissom para o nada.
Ele ficou meio que sem reação com a proposta. Não teria o que perder, apenas se a recusasse. Mas o pensamento no trabalho o travava para qualquer outra coisa no momento que ele estava a um passo de recuar.
— Nós nunca tomamos banho juntos numa banheira, não é mesmo? — A detetive o atiçou ainda mais e sem sair do lugar.
— Não...
— E então?
— Acho que não posso recusá-la, não é? — O sargento, enfim, começou a comer o guacamole.
— Pode se arrepender depois.
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Foi ele quem entrou primeiro. Sem pressa, subiu na banheira e ao sentir a água quente sob a pele, logo sentiu seus rígidos músculos se aliviarem. Recostou-se nela apoiando os braços na borda e fechou os olhos por alguns instantes. Respirou fundo. O silêncio da noite era tão tranquilizante quanto uma droga. Era bom, gostaria de desfrutar de mais momentos como aquele.
Não passou muito tempo e ela entrou no banheiro. De cabelos presos num coque bastou um único olhar dele em seu corpo despido e o coração do sargento disparou como uma arma. Não havia mais ninguém que pudesse arrebatá-lo como ela. Seu corpo magro e esbelto era perfeito e ele não mudaria nada, nem se pudesse. Melhor ainda era tê-la em seus braços, tocá-la e ser tocado por ela. Não havia nada melhor.
Quando seus olhares se encontraram os dois acabaram sorrindo. Sem dizer uma palavra a detetive se aproximou da banheira, e com a ajuda dele, entrou para lhe fazer companhia.
— Falei que ia se arrepender se não aceitasse. — disse ela com um sorriso malicioso.
— Céus... você é... linda. — Ele mal prestou atenção no que Sara falou. Seu foco era apenas no corpo despido, agora coberto pela água.
Tão próxima de Grissom, Sara não pôde disfarçar o vermelho que surgiu no rosto logo após o elogio. Às vezes ele a deixava desconcertada, porém de um jeito bom, daqueles que sentia falta de receber.
— Você não cansa de me deixar sem jeito, não é? — Ela brincou, fazendo-o sorrir.
— Você não me deixa outra escolha.
Ela não segurou o riso. A verdade era que não resistia ao sargento.
Logo após entrar ela se ajeitou na banheira, fechou os olhos e respirou fundo.
— A água está ótima, só faltou um vinho.
Ao olhar para ele, notou que o sargento fazia uma cara desconfiada. Então se defendeu logo:
— Ah, imagine só: nós dois numa das praias de São Francisco ao pôr do sol... tomando aquele vinho maravilhoso após um dia curtindo juntos. — Voltando a ficar de olhos fechados, a morena fantasiou como se fosse um dos melhores sonhos que teve.
— Vamos fazer isso um dia. Mas eu prefiro um local mais reservado. — Ele apoiou os braços sobre as bordas da banheira.
— Eu me esqueci que você é assim. — Sara brincou.
— Vamos fazer o que nós quisermos quando a oportunidade chegar, não se preocupe.
— Ah é? — Aproveitando a deixa, Sara se inclinou para a frente, onde o provocou ameaçando beijá-lo, o que não aconteceu.
Grissom não tentou beijá-la, mas girou o indicador para que ela mudasse de posição. A mulher arqueou uma sobrancelha, mas ele se manteve firme, sem querer mudar de ideia.
— Abusado. — Ela retrucou com desdém, e após um olhar insistente do sargento acabou atendendo ao seu pedido.
Ele não deixou de tirar o olho dela momento algum, ainda mais quando a viu se apoiar na banheira para tomar impulso e se levantar. Aquele corpo esbelto era sua perdição, o quebrava por completo.
— Perfeito. — sussurrou no ouvido dela.
— Animado, sargento? — perguntou após mover a única mecha de cabelo solto para trás.
— Pode se dizer que sim. — Mais confortável, ele voltou a apoiar os braços sob a banheira — O que você dizia?
— E que tal um rancho no interior? Vista para as montanhas... — Ela deslizou os dedos sobre o braço esquerdo dele — Admiramos a vista, enquanto tomamos aquele vinho logo após o sexo.
— Você tem ideias... ousadas.
— E você, garotão?
— Não penso em muita coisa. Algo simples, longe da visão de outras pessoas. — O sargento entrelaçou a mão na dela — Eu, você e um pouco de paz.
— Viu só? Não foi ruim aceitar minha proposta. Eu, você. E um pouco de paz numa banheira.
— Pelo visto... não foi ruim mesmo. — Grissom rebateu no mesmo tom. Ele passou a mão sobre seus braços sentindo a pele molhada e macia de sua parceira — Qualquer lugar junto de você vai ser bom.
Grissom beijou seu pescoço pelo lado direito, ganhando um gemido satisfeito de recompensa. Mesmo se retraindo ela gostou do gesto e pediu por mais. Ele chegou a continuar, mas foi parando aos poucos. Disfarçou um suspiro cansado enquanto resvalava seus dedos sobre a pele macia de Sara. Sua feição não estava boa, e foi melhor para ele que Sara não o visse assim. Quando estava assim, próximo à mulher que amava de repente se sentia receoso. O medo de perdê-la a todo o momento o assombrava como um fantasma. Grissom se empenhava em não pensar nisso, mas quando se tratava de um caso como aquele, parecia se tornar impotente de uma hora para outra. E se algo desse errado? E se Zodíaco viesse com algum plano de atacar Sara no pior momento possível? E se Grissom não fosse capaz de protegê-la na hora certa?
— Você tá bem? — Sara perguntou como se soubesse dos pensamentos do parceiro.
Ele apoiou seu queixo sobre ela e a beijou em seguida. Esqueceu-se de responder à pergunta, pois fechou os olhos e ficou pensativo. Grissom, Gilbert Grissom não deveria ser o homem que se apaixonou por alguém; sua história não era essa. Estava fadado a viver uma vida sozinho em busca de assassinos e infratores da lei, não se apaixonar por sua própria parceira. Ou melhor, voltar a se apaixonar pela mulher que encontrou na Conferência de São Francisco. Não era de seu feitio, acabara de sair da própria curva.
— Estou pensativo. — sussurrou ao voltar à posição de antes.
— A gente sempre diz que vai ficar tudo bem, não é? Mas eu sei que às vezes nos bate um desânimo.
Angústia. Medo.
Sara ergueu a mão para que ele a envolvesse e então o fez. Não houve palavras de ânimo ou suporte como “vai ficar tudo bem” ou “vamos pegá-lo”. O silêncio bastou a eles. Silêncio que disse muito, que revelou muito.
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