Manhunters
96 Nós dois
Notas iniciais
Mesmo impressionada pelo repentino surgimento dele isso não apagou a raiva que ainda estava sentindo. Ela o fitou meio discretamente de cima a baixo, percebendo que ele ainda usava a camisa polo preta de manga larga e a calça jeans que viu antes. Do outro lado, para Grissom nada mais importava a não ser uma reconciliação. Não dava mais para ficar em seu apartamento enquanto a mulher que amava estava longe e com raiva dele. Isso o estava fazendo mal.
— Posso entrar? Está... um pouco frio aqui fora. — Ele brincou ao tentar disfarçar e notando que não receberia resposta.
Sem encará-lo diretamente a morena se afastou para que ele entrasse, mantendo um semblante tão frio quanto a temperatura do lado de fora. Em seguida ela fechou a porta e ficou por lá, de braços cruzados esperando por explicações.
— Realmente, estou surpresa que teve a coragem de vir aqui depois daquilo.
— Quero conversar. — Ele foi direto, sem perder o tom.
— Não acha que já conversou bastante com sua amiga? — Ela não economizou na resposta ácida — Deve estar cansado de falar tanto.
— Não estou cansado. Eu e Heather conversamos um pouco mais depois do que houve. Mas eu não vim aqui falar sobre ela.
— Que ótimo! Então a noite não foi perdida afinal. — Ela ergueu os braços.
— Ela disse que se sentiu mal por aquilo.
— É? — replicou sarcástica enquanto caminhava em direção à sala para desligar a TV.
— É. Eu também me senti mal, ainda mais porque não fui atrás de você naquela hora.
— Ah, então ela sabe da gente, não é? — Enfim, Sara o encarou nos olhos.
Uma onda fria percorreu o cômodo. O olhar do sargento gelou, como se tivesse dito a pior das respostas.
— Sabe. — Ele respondeu com uma leve inclinação da cabeça, entretanto ele manteve sua visão a ela.
— E o que houve com o nosso “trato” em manter isso um segredo?! — Sara deu de ombros sendo sarcástica. Aquilo não era nem 10% de como se sentia realmente ao saber que logo aquela mulher sabia do relacionamento dos dois.
— Sara, ela foi a pessoa que me ajudou a não esconder mais o que eu sentia por você. — Grissom explicou, torcendo para que a situação não ficasse pior.
— Então... ela sabia da história muito antes? — A expressão o rosto da detetive mudou para algo mais perplexo.
— Sabia.
Ela ameaçou dizer algo, mas ao abrir a boca acabou permanecendo em silêncio. Quis deixá-lo ali mesmo e seguir para o quarto, mas não iria fazer isso em sua “própria” casa.
— Por favor, entenda. Eu não tinha mais ninguém a quem recorrer. Como eu disse antes, ela me ajudou a me... a me abrir com você. — Ele tentou explicar, deixou passar alguns segundos e, mais firme, continuou — Além disso sua irmã também sabe do nosso relacionamento.
Sara virou o rosto de lado e aparentava não ter gostado.
— E você acha que eu queria contar aquilo tão de cara?! Ou melhor, queria que ela nos descobrisse assim, tão repentinamente?
— Agora ela sabe, não dá para voltar com isso.
— Quem mais sabe disso, então? — Ela o confrontou, gesticulando com ambas as mãos — Annie, Lady Heather, — enfatizou o título da dominatrix — Zodíaco?!
Ele ficou em silêncio.
— Por que não ficarei surpresa se ele começar a usar isso contra a gente?! Estamos nos arriscando tanto que só faltou nos beijarmos naquele departamento na frente de todo mundo.
O sargento finalmente tomou uma atitude em se aproximar dela. Quando estava a uma curta distância, chegou a balbuciar algumas palavras, mas só falou em definitivo quando ficou a centímetros dela.
— Sei que é um risco, — admitiu — mas... como vou ficar longe de você, Sara? Ainda mais agora?
Tão perto dela a voz do sargento produziu um dano maior. Causou-lhe um calafrio repentino. Parecia que ele fez aquilo de propósito, para desmontá-la por completo. Todavia ela permaneceu firme.
— Nós dois estamos revoltados por tudo que aconteceu. Por Zodíaco, Ecklie... Hank. — Ele forçou a última palavra — Não queria que as coisas tomassem aquele rumo com aquele homem, mas eu não aguentei. Quando me falou sobre seu ex eu...-
— Perdeu a linha.
— Quase isso. — defendeu-se após dar de ombros — Mais ou menos.
Séria, ela o encarou de cima a baixo e ficou desse jeito por alguns segundos. Então admitiu:
— Queria pedir desculpas pelo modo que tratei você, principalmente sobre o caso, só que... parece que tudo contribuiu para isso não acontecer.
— Não é você quem tem que pedir desculpas por aqui. — Ele disse.
Ela fez um gesto em negativa, ainda lamentando.
— Só queria conversar com você. Só isso.
A maior verdade é que o maior motivo por Sara estar chateada foi por encontrá-la na casa dele; não porque era uma mulher, mas porque era justamente aquela. Ela não sabia descrever qual sensação passou por seu corpo, talvez se sentiu “ameaçada” por Heather estar no espaço íntimo de seu namorado, ela não sabia ao certo. Era como se seu refúgio tivesse sido invadido por um estranho.
— Então converse comigo. — Sua voz serena estava destruindo as barreiras dela como uma parede de neve ao toque do sol.
A morena cruzou os braços e respirou fundo. Deixou alguns segundos passar e em seguida soltou as palavras:
— Já dormiu com ela?
— O-o quê? — O rosto de Grissom ficou perplexo. Não era esta a pergunta que esperava.
— Foi isso mesmo o que eu perguntei. Vocês dois já transaram? — Foi uma questão ousada, mas que a incomodava demais para mantê-la em segredo.
Grissom suspirou e manteve a postura.
— Não. — Ele respondeu olhando no fundo de seus olhos — Nós nunca tivemos nada, muito menos um beijo. — Talvez não precisasse se completar com aquilo, mas achou pertinente.
Sara ficou quieta. Se ousasse mais um pouco acabaria rindo em ironia e o pressionado ainda mais. Mas aquilo a incomodou, só de pensar naquela possibilidade já era algo que a deixava tenso.
— Se não aconteceu antes, por que iria acontecer agora? Logo agora? — Gesticulou. A expressão era de alguém que não acreditava no que foi confrontado — Não precisa ficar com ciúmes, querida. Nada aconteceu antes e não vai acontecer.
— Ah, então você é o único que pode ficar assim, não é?! — falou sarcasticamente, voltando a se virar para ele. Toda a raiva do começo pareceu voltar — Você pode ter ciúmes à vontade de mim e de qualquer outro homem com que eu falo, mas eu não.
Ele levou as mãos à cintura e baixou a cabeça.
— Ok. Foi um erro meu. Eu admito, fiquei com ciúme de vocês dois nesses últimos dias.
— Não precisei de nenhum esforço para notar isso.
— Me senti ameaçado, eu não sei... Isso tudo é novo para mim e... achei que...
— Poderia me perder?
O sargento engoliu em seco, encurralado pela vergonha de admitir aquilo.
— Viu? Como acha que eu estou me sentido em relação a vocês dois? — Sara não teve dificuldades em dizer aquelas palavras, ainda que fossem difíceis.
— Eu errei.
— Nós dois.
A resposta direta dela o pegou de surpresa, tanto que não continuou. Ela soltou um suspiro cansado e cruzou os braços, inclinando levemente a cabeça para baixo.
— Esses dias foram estressantes demais. Não dá para ficar bem depois daquilo, com a imagem de um rosto assombrando você. — Sara falou em voz baixa e depois desabafou aumentando o tom — Eu só queria... passar um tempo com a pessoa que eu amo e... — Ela acabou não conseguindo terminar de falar.
Os dois mantiveram um período curto de silêncio até que Grissom tomar coragem.
— Se eu pudesse largaria tudo... todo esse caso.
Ela não ousou confrontar sua declaração, mas imaginou todo o peso e todos os obstáculos que se contrapunham a isso. Faltou pouco para ela tocar em seu rosto como adorava fazer, mas se impediu no último segundo.
— Sara. — chamou ele — O que podemos fazer para consertar isso?
Sem focar nele Sara fez um gesto em negativa e abriu um sorriso torto e começou a caminhar rumo para fora, no intuito de terminar aquela conversa e mandá-lo para casa. Entretanto, Grissom persistiu, tocando em seu ombro e se aproximando mais. Na mesma hora ela parou de andar e ficou de costas, fechando os olhos ainda na tentativa de sair do seu “feitiço”. Então ele beijou seu ombro e foi desferindo vários outros até chegar ao pescoço, o que foi o ponto crítico de Sara.
— Me desculpe. — disse entre um beijo e outro. Depois afastou os cabelos dela, continuou o gesto até o limite e então parou — Desculpe pelo que eu disse hoje sobre o caso.
Ela queria afastá-lo, mas o outro lado a chamava para perto dele como nunca. Quando parou e se pôs à frente dela, os dois não trocaram uma palavra sequer. Ele uniu seus lábios ao dela num beijo curto, mas provocativo. Sara não fez nada para se opor, pareceu ter gostado, até. Só que aí ela tocou em seu peito com ambas as mãos e o fez parar.
— Estou ouvindo.
— Fui um babaca. — admitiu de uma vez e quase arrancou um sorriso dela — O caso não é mais importante que nós dois. Mas precisamos ter cuidado em misturar o profissional e o pessoal. — Grissom segurou seus pulsos com delicadeza.
Ela persistia em manter um contato direto, fazendo de tudo para não ser atraída por seu olhar.
— É um jogo perigoso. — Sara comentou enquanto olhava para o lado esquerdo — Um erro e... acabou pra gente.
— Eu sei. Mas agora é tarde para sair, não acha? — O sargento ficou observando atento a cada expressão em sua face. Aproximou-se dela esperando que desse atenção a ele.
— Talvez...
No momento em que voltou a encarar Grissom, Sara se deixou ser atraída. Ela tinha duas opções: terminar com aquilo neste mesmo momento e tentar esquecer o que aconteceu ou se jogar de cabeça e se entregar como fez naquele quarto de hotel. Acabou escolhendo a segunda, porque seu corpo e mente lutavam numa batalha sem sentido para saber o que fazer em seguida.
Sem resistência a mulher recebeu seu beijo, deixando-se aos poucos se levar pelas carícias em seu rosto. Chegou ainda a relutar logo depois, como se um último resquício de força estivesse tentando fazê-la recuar, porém não adiantou.
— Não estou mais aguentando ficar sozinho naquela cama. — disse ele rente ao seu ouvido. Aquelas palavras foram suficientes para desmontá-la. Foi ela quem voltou a tocar em seus lábios com os dela, inclusive.
O beijo tomou outros ares, era urgente, voraz; suas línguas travavam uma intensa batalha. Como acontecia nas várias vezes em que seus lábios se encontravam, tudo lá fora perdia a importância, inclusive o tempo. Cada toque parecia durar uma eternidade e nada poderia estragar aquele momento.
— Ei, — Ele falou entre um beijo e outro — está frio demais.
— E daí?
— Acho que... devemos passar a noite juntos e... sem roupa.
— É o quê? — Ela o afastou ligeiramente para fitar o semblante atrevido dele — Desde quando você ficou tão abusado assim?
— Desde quando pedir para nos aquecer é ser abusado? — Ele não conteve o sorriso de segundas intenções. Puxou mais uma vez para perto, vindo a beijar seu pescoço sem pressa alguma — Eu gosto de sentir sua pele sem... nada que atrapalhe.
Grissom foi baixando as mãos até chegar aos seus quadris, onde os pressionou com firmeza enquanto continuava a beijar os cantos de seu corpo.
— Eu ainda estou com raiva, sabia? — Aos poucos ela entrelaçou as mãos em sua nuca.
— Espero dar um jeito de mudar isto. — Ele respondeu sorrindo.
— Só que a minha cama está muito longe. — disse a detetive ao olhar para o caminho que dava até o quarto.
— Isso não é um problema para mim. — Ele olhou em direção ao sofá, chamando a atenção.
— Você estava sentindo a minha falta, não?
— Muita. — Grissom falou com certa empolgação.
Sua resposta, dita numa voz cansada e meio rouca, saiu mais como uma confissão. Havia um desejo intenso entre os dois, mas também existia o desejo da proximidade e do toque, o sentimento de estar junto e que o tempo se estendesse.
Sara beijou seus lábios delicadamente e depois o conduziu para trás, bem em direção ao sofá. Ele se sentou e fez um gesto para que ela viesse também.
— E essa perna?
— Eu estou bem, juro. Fiz tudo que me recomendaram. — Ele bateu de leve na própria perna.
— Claro que sim. — Ela zombou.
De lado, a Sara se sentou em seu colo e envolveu sua nuca. Os dois trocaram outro beijo, mais lento desta vez. Quanto mais demorado fosse o tempo que passassem ali seria melhor.
— Sabe, eu senti falta disso. — Rente aos lábios dela Grissom comentou de olhos fechados.
— Ah é?
Ele passou a mão sobre sua coxa e a pressionou firme, se aproveitando para puxá-la para mais perto. Mais macia e sedosa que seu pijama era o corpo de Sara.
— É. Senti falta de tocar em você e sentir a sua pele macia sobre as minhas mãos. — Ele disse enquanto acariciava os lados de seu corpo por dentro da roupa. Parou com o ouvido quase rente ao seu peito para escutar a batidas — Eu não queria falar grosso com você em nenhuma daquelas ocasiões. — desabafou.
— Mesmo chateada com o que você fez — Ela descansou os braços em seus ombros — sei que não queria falar daquele jeito. — A detetive se aproximou até tocar em sua testa. Grissom aproveitou para beijá-la lentamente, de modo que não acabasse tão rápido como tantos outros beijos.
— Obrigado por entender. — Distraído, sua voz quase não saiu.
Ela afastou-se de sua boca para deslizar a língua em seu pescoço, fazendo-o gemer baixo.
— Eu quero você nesse momento — Ele estava quase implorando, segurando-se para não gemer mais ainda — mas não quero que isso acabe tão rápido. — Grissom ficou brincando com a borda de seu pijama, ameaçando baixar a calça com o polegar.
— Não precisa. — Sara passou a mão pelo canto de seu rosto e em seguida beijou seus lábios com voracidade. Ela mudou de posição, pondo-se de joelhos entre suas pernas. Puxou sua camisa para que ele a tirasse e teve seu desejo atendido.
Sara tirou sua camiseta folgada com a ajuda dele e voltou a ficar bem próxima ao sargento, de modo que seus corpos ficassem quase colados, na medida em que foi possível sentir o calor da pele que queimava. Ele a fitou de cima a baixo e curvou os lábios que saiu naturalmente. Nem sabia ao certo se foi de malícia ou euforia.
Os dois trocaram outro beijo; quando suas línguas se entrelaçaram Grissom não sabia mais o que fazer, se resistia à própria vontade em tirar de vez suas roupas e as dela ou continuar com o jogo vagaroso. Ele continuou desse jeito, terminou o beijo e deslizou os lábios do seu pescoço até o peito, onde parou e descansou sua testa.
— O que foi? — Sara sussurrou enquanto afagava seus cabelos.
Grissom resvalou os dedos sobre suas costas enquanto se mantinha de cabeça baixa.
— Eu não vou me esquecer do que me disse no hospital. Que... eu era parte...
— De mim.
— É. — Logo após responder ele ergueu a cabeça.
— Eu estava como os ânimos alterados naquela hora, mas... — Ela acariciou seu rosto — foi tudo verdade o que eu disse a você. Eu nunca falei isso pra alguém. Acredite.
— Acredito em você. Fico feliz em ser o primeiro. — Grissom brincou e os dois acabaram rindo.
— Só você pra me fazer rir agora. — Sara segurou seu rosto com uma das mãos e o puxou para perto, beijando-o várias vezes. Em um momento ele aproveitou para abrir o zíper da calça e tentar baixá-la, e percebendo isso Sara logo interveio — Calma, sargento. Eu não vou a lugar nenhum. — Ela segurou suas mãos, impedindo-as de se mover.
— Ok... tá legal. Você venceu. — O homem riu e a trouxe para perto quando ela afrouxou a pressão — Se eu pudesse ficava apenas te admirando por horas. Mas eu quero mais que isso.
— Eu também. — Ela tocou em seu peito com ambas as mãos — É que não quero seguir apressada. Eu quero... aproveitar isso aqui.
— Certo. — Ele beijou seu peito e seios, resvalando a língua sobre eles. Depois passeou as mãos sobre a lateral do corpo dela e apertou sua cintura — Eu amo você. — disse, partindo para o canto de seu pescoço — Eu amo cada parte de você, Sara.
Grissom não parou de beijá-la. Voltou aos seios onde os abocanhou e chupou delicadamente, mas o bastante para fazê-la gemer e puxá-lo para si na tentativa de que ele continuasse. Parecia que não era o suficiente, ela queria mais que isso. Ele deslizou as mãos para dentro de sua calça e pressionou seu traseiro com vontade.
— Não pare. — A mulher implorou, tão ofegante quanto ele.
Era o que Grissom mais gostaria de ouvir. Ele morria de saudade de tê-la em seus braços e enchê-la de prazer. O sargento recostou no sofá e a trouxe para perto, segurando-a firme enquanto ambos se encontravam em outro beijo, voraz desta vez, como se seus corpos precisassem urgentemente estarem unidos um ao outro. Provocar nela todas aquelas sensações estava sendo ótimo, porém ele queria ir mais além. Mesmo sentado Grissom conseguiu erguer Sara, deitando-a no sofá logo após isso, em cima do cobertor que ela estava usando antes.
— Ei!
— Machuquei você?
Ela respondeu balançando a cabeça em negativa.
— Não sabia que estava malhando esses braços, sargento. — Sara estava quase sem fôlego quando comentou, foi pega de surpresa.
— Nunca se sabe quando vou ter que usá-los. — Ele brincou, apoiando-se sobre o móvel e se ajustando para ficar na melhor posição que era possível.
Corpos entrelaçados, os dois retornaram com as carícias, não muito rápido para que o momento fosse aproveitado da melhor forma. Quando podia ela resvalava as unhas sobre suas costas cuidadosamente, causando-lhe calafrios. O coração de Grissom acelerou e ele continou a beijá-la com vontade. No momento em que ela começou a se desfazer de sua calça ele começou a fazer o mesmo. Grissom pegou a carteira dentro do bolso da calça e retirou um preservativo.
— Você estava escondendo isso, é? — Vendo aquilo ela se ergueu e deu um leve tapa nele.
— Nunca se sabe quando-
— Tá bom! — Ela não segurou o riso quando o viu repetir aquilo novamente..
Sem perder tempo o sargento tirou sua peça íntima, protegeu-se e logo se juntou a Sara. Adentrou nela com cuidado e começou a se mover num ritmo lento, arrancando um gemido de sua companheira, que não se importou em disfarçá-lo. Ela afundou as unhas em suas costas pedindo para continuar daquele jeito.
A falta que Grissom sentia dela, de fazer amor com a mulher que amava era cruel demais. Ficara tão apegado que o pouco tempo longe de Sara pareceu uma eternidade. A questão do caso, de Hank e até de Heather pioraram as coisas e os levou a uma situação do qual ele teve medo de não conseguir sair. Cada momento juntos, cada segundo era precioso demais e não podia ser desperdiçado. O toque, carícia era uma oportunidade para escapar do que havia de pior lá fora.
Ela continuou a mover seus quadris mais rápido induzindo-o a fazer o mesmo. Tudo o que se ouvia a seguir eram respirações pesadas e sons como gemidos. Fazer sexo num lugar que não fosse a cama era algo um tanto novo, excitante, até. Foi extremamente prazeroso, mas cansativo para ele principalmente por conta da posição não muito confortável que acabara ficando.
— Tudo bem? — percebendo algo de estranho nele ela perguntou logo.
— Um pouco... cansado. — respondeu ofegante enquanto continuava a se mover — Mas eu consigo.
— Não. Melhor trocar. — Ela deslizou a mão em seu rosto já suado — Não vou arriscar a saúde do meu sargento.
— “Meu”? — Grissom não conteve o sorriso bobo que se abriu em seu rosto.
— É. Você é meu. — A mulher afirmou a poucos centímetros de seus lábios e o puxou para beijá-lo em seguida.
Ele adorava aquele lado possessivo de Sara porque também despertava nele algo mais intenso, mas ávido. Heather nunca esteve tão certa sobre aquilo, sobre falar que ambos dominavam e se deixavam ser dominados. Não sabia se era uma coisa boa na verdade, mas a última coisa que gostaria era que aquilo terminasse.
— E você é minha.
Grissom afirmou com toda a certeza, olhando em seus olhos como se pudesse penetrar ao fundo de sua mente. O sorriso no rosto dela só confirmou o quanto a mulher gostou daquilo.
— Eu tenho uma ideia.
Ele quebrou o beijo e, sorrindo, tomou uma atitude inesperada. Ele se ergueu e se “jogou” no chão. Sara nem teve tempo de falar algo devido ao susto e porque logo foi “puxada” para cima dele.
— E então?
— Gil, eu vou matar você! — Mesmo sorrindo ela ainda se recuperava do segundo susto que levou dele.
— Bem, se eu morrer, ao menos estarei em boas mãos. — Grissom aproveitou para acariciar seu corpo e admirá-lo — Inclusive acho que devemos aproveitar meus últimos momentos continuando com isso.
— Você é louco, sabia?
— Eu sei. — concordou — Se for o mesmo sempre que graça vai ter?
Ela se abaixou para beijá-lo, mas ao invés disso parou a poucos centímetros de sua boca.
— Vou te perdoar só porque escolheu bem as palavras. — A mulher sorriu maliciosamente e capturou seus lábios com os dentes, vindo a beijá-lo com sensualidade e delicadeza. Se ergueu em seguida apoiando-se em seu peito e com a ajuda dela Grissom voltou a penetrá-la.
Os dois continuaram num ritmo normal e que foi acelerando. O silêncio da sala era cortado por seus gemidos e sons ofegantes, sem conversa ou distrações desta vez. Não havia vontade para falar, tampouco força para isso. Cinco minutos se passaram e ambos já estavam ficando cansados, principalmente ele. Eles chegaram ao clímax não muito tempo depois; primeiro Grissom, já exausto pelo esforço físico. Sara não levou muito tempo após ele.
Ela deitou ao seu lado e o único som presente no momento eram de suas respirações ofegantes e rápidas. Algumas risadas fracas e uma tentativa de iniciar um diálogo.
— Eu tô esgotado. — disse ele ao retirar o preservativo — Mas eu faria de novo. — brincou.
— É, eu não duvido disso. — Sara virou-se de lado para apoiar o braço em seu peito.
— Ainda está com raiva de mim? — Ele perguntou de modo descontraído, mas no fundo ainda havia certa pontada de dúvida.
Sem responder Sara passeou os dedos sobre sua pele, variando entre pequenos círculos. Ficou meio ficada naquilo então demorou a responder.
— Só um pouco.
— Ah é? — O sargento ergueu as sobrancelhas, entrando em seu jogo.
— Mas está passando. — Ela segurou seu queixo e beijou seus lábios por um instante — Lento, mas está passando. — A detetive aproveitou para sorrir enquanto zombava dele.
— Que bom. Não iria aguentar ficar sem momentos como esse. — Grissom encostou a cabeça no chão e ficou olhando para o teto. Quando percebeu que ela tentava alcançar o cobertor ele puxou para baixo e cobriu os dois.
— Bem melhor. — Sorridente a detetive se aconchegou ao seu lado. Além do cobertor o tapete grosso abaixo ajudava a manter o calor.
Eles ficaram quase dois minutos em silêncio, ouvindo o barulho da respiração e até alguns sons vindos de fora como os de veículos passando pela rua. Era uma sensação tranquila, daquelas raras que os dois raramente sentiam em tantos momentos conturbados.
— Isso está tão bom... — Ele respirou fundo — Acho que vou dormir por aqui mesmo.
— Ah é? E vai deixar de aproveitar a oportunidade de dormir numa cama quentinha comigo? — Sara o provocou, passeando os dedos no peito dele.
— Vai mesmo me trocar por uma cama? — Grissom também se virou, desta vez se apoiou no braço para encará-la melhor.
— Você não tá me deixando escolha, sargento. — Sara respondeu, segurando-se para não rir. Mas tão logo a expressão risonha em seu rosto foi se apagando. Grissom tocou em seu queixo e se inclinou para beijá-la. Quando ele terminou os dois trocaram olhares que expressavam desejo. Assim que ele afastou sua mão a morena o puxou pela nuca, trouxe para si onde “roubou” outro beijo e o fez deitar-se com ela. Não era necessário muito esforço dela para encantá-lo e fazê-lo se esquecer de tudo lá fora.
— De novo? — Ele sugeriu.
— Não. Agora não. Só queria beijar você. — A detetive sorriu e encostou seus lábios no dele para mais um beijo — Não me canso de fazer isso.
Se ela aceitasse Grissom estaria totalmente disposto a fazer de novo, ignorando suas fraquezas e seu cansaço. Como não aconteceu ele acabou se dando por satisfeito. Quando terminaram o sargento voltou à posição que estava e envolveu a parceira em seu braço. Era mais um daqueles momentos em que Grissom desejava com todas as forças ter o poder de parar o tempo e ficar ao lado dela mais que algumas horas.
— Fiquei pensando no que me disse hoje...
— Sobre?
— Se arriscar. Eu... — Ele hesitou — Até aquele momento eu não pensava nisso. Na verdade eu nunca tive uma intenção real de me arriscar.
— Sabe que não precisa fazer isso, Gil.
— E vou deixar você encarar tudo isso sozinha? — Ele se moveu para alcançar seus olhos.
— Quero dizer que... não precisa fazer isso para me provar algo. — Sara tocou em seu peito — Eu sei que lutaria por nós agora. Do seu jeito, mas sei que faria.
Grissom não soube o que dizer sobre isso. Ele daria de tudo para o caso, mas daria o impossível por eles dois. Só não sabia como isso iria acontecer.
— Eu queria mais tempo com você. — desabafou — Esse caos está nos consumindo demais.
— Mas houve algo de bom nessa merda toda. — Ela respondeu.
— Nós? — Grissom se voltou a ela e recebeu uma resposta em assertiva — É...
— Acho que... a única coisa que podemos fazer por enquanto é aproveitar esse tempo. Zodíaco não é Zodíaco 24 horas por dia.
— Acho que sim. — Grissom concordou um suspiro — Porém imagino que isso não deva mais acontecer com tanta... frequência. — Ele virou o rosto em sua direção — Você sabe...
— Eu sei.
O sargento, se virou para a detetive e suspirou antes de falar novamente.
— Voltando àquele assunto, da sua pesquisa.
De repente, Grissom se ergueu e pegou duas almofadas do sofá para ele e sua companheira usassem para apoiar a cabeça.
— Obrigada. O que tem isso?
— Você vai mesmo se mudar, não é?
Mordendo o lábio inferior por um instante, a morena desviou o olhar para seu peito descoberto que se movia calmamente com o decorrer de seu respirar. Por instinto ela o tocou com a palma da mão, fazendo o ritmo do coração do sargento mudar.
— Quando você comentou sobre isso pela primeira vez eu não me senti confiante. Não... queria me mudar, estava me sentindo bem aqui. Mas agora...
— Você está com medo? — perguntou de uma vez, mas com uma voz compreensível.
Ela buscou seu olhar antes de responder e então assentiu.
— Está tudo bem. — disse ele.
— Eu não sei... talvez, talvez não. — De repente o brilho no rosto de Sara se apagou. Ela mostrava um semblante abatido — Só estou um pouco preocupada.
Sem dizer palavra alguma ele a chamou para perto apenas movendo seus braços. Envolta nele Sara sentia-se mais protegida. Ela fechou os olhos e respirou fundo.
— Não devia estar assim, eu sei.
— Está tudo bem, querida. Eu não vou deixá-lo tocar em você.
Sara esboçou um meio sorriso. O problema naquilo era a possibilidade de o assassino tocar nele e colocar em risco a vida do homem por quem estava apaixonada. Não, ela não podia pensar nessa possibilidade que já estremecia. O terror que Zodíaco emanava era o simples fato de saber muita coisa sobre eles.
— Gosto do jeito que sai em minha defesa, mas você tem que se cuidar também, Gil. — Ela fechou o punho rente ao seu peito e soltou um suspiro.
— Eu sei.
— Quero me mudar logo e acabar com isso. Final de dezembro, janeiro... só quero fazer isso logo. O único problema vai ser convencer os superiores sobre a mudança.
— Eu posso interceder por você. — Grissom falou enquanto resvalava a mão por suas costas.
— Eles vão duvidar.
— Não se usarmos o argumento de sua segurança. E isso é verdade.
— Ah. — A morena deu um suspiro cansado e se afastou dele para voltar à posição de antes, deitada sob o travesseiro.
— Estive dando uma olhada em alguns apartamentos lá no centro.
— Você fez isso? — perguntou interessada.
— Seria uma surpresa... eu acho. Estava criando um argumento para te convencer a se mudar. — Ele sorriu de lado.
— Achei que tinha desistido depois de tanta coisa que aconteceu.
— Não. Ter você mais perto não é uma causa que eu desisti. — Ao se virar para a mulher ele admirou seu rosto (agora sorridente) antes de beijá-la — Não é na minha casa, mas quanto mais perto, melhor.
— Eu gosto de ver você assim, mais relaxado. — Sara passou a mão por seu rosto, notando que Grissom aparentava certa tranquilidade que não via há tempos.
— Momento raro, não é?
— É. — Ela e segurou para não rir.
— Você me deixa assim. — Ele confessou enquanto olhava para o alto. Sua declaração a pegou de surpresa, fazendo o peito disparar — Na verdade você me faz sentir muita coisa.
— Isso é bom? — perguntou sorrindo, mas por dentro havia uma pontada de receio pela resposta.
O sargento ficou de lado para encará-la melhor.
— Há anos não me sinto tão... bem. — Bem próximo a ela Grissom aproveitou para beijar seus lábios. Antes de voltar Sara aproveitou o momento para puxá-lo e roubar outro beijo. Adorava fazer isso, pegá-lo de surpresa e desferir carícias que o deixavam sem voz.
— Aceitar esse trabalho aqui não foi tão ruim, afinal. — disse rente aos lábios do parceiro, que se deixou levar pelo desejo.
Grissom até se movimentou para ficar em cima dela e continuar com as carícias, porém não muito após isso ele acabou interrompendo o beijo.
— Espera. — falou ele, ainda se apoiando no chão acima dela — Espera.
— Que foi?
— Eu não consigo tirar uma coisa da minha cabeça. — Enquanto se afastava dela era possível notar o incômodo que sentia. Ela se limitou a fazer uma careta para questionar o motivo de sua mudança repentina — Seu ex.
— Ah não. — lamentou ela — Vamos acabar com esse momento só por causa dele?
— I-isso é sério. — Grissom rebateu. Preferindo ficar sentado ao invés de se deitar novamente, ele se virou de lado para responder — Eu não consigo tirar ele da minha cabeça.
— Ei... — Sara tentou animá-lo, porém não adiantou. Acabou se levantando também, sentando-se de modo que ficou um pouco atrás dele.
Quando se sentiu preenchido pelas mãos dela, que deslizaram sob suas costas e subiram até seus ombros, um calafrio percorreu seu corpo e o sargento fechou os olhos, rendido ao toque daquela mulher que o levava às alturas.
— Eu não consigo ficar tranquilo com esse cara andando por aí. Por aqui, para ser mais específico. — Continuou.
— Gil.
— O que ele disse a você? — perguntou, virando-se de lado para vê-la. Seu olhar e voz estavam tão sérios quanto reproduzia no trabalho.
Ela afastou suas mãos aos poucos e olhou para baixo por um instante.
— Eu disse que acabou para nós e ele disse o contrário. — respondeu, não dando muito crédito ao que seu ex declarou.
Naquele momento Sara pôde notar os músculos das costas dele se retraindo. Sem que Grissom dissesse alguma coisa ela reparou o quão irritado ele ficou saber disso. Ele apoiou o braço esquerdo no sofá e passou a mão no rosto.
— Eu não vou intervir, acho que não devo me meter nessa história, mas se aquele cara tentar alguma coisa contra você... — Ele resvalou a mão pela boca. Nem terminou de falar, mas sua voz era fria, assim como nas vezes em que falava sobre o caso.
— É isso que me deixa preocupada. Não podemos nos esquecer de quem nós somos. — alertou a detetive, aproximando-se dele para falar-lhe ao ouvido. Grissom fechou os olhos ao sentir o ar quente atravessar o canto de seu rosto. Ela falava sobre o fato de ambos serem policiais e a obrigação de andarem abaixo da lei ser importante. Qualquer decisão que cruzava esse limite devia ser feita com todo o cuidado possível.
— Sara... Se aquele cara tentar algo...
Ele parou de falar quando sentiu o queixo dela em cima de seu ombro. Sara envolveu seus braços nele, deixando-o indefeso e sem reação. De algum jeito Grissom conseguiu se lembrar do que havia conversado com Heather horas atrás sobre poder. Esse era o poder de qual ela estava falando.
— Eu não quero que faça nada, ouviu? A não ser que seja... necessário. — A última frase pareceu ter segundas intenções, das quais ela não quis se aprofundar.
— Querida-
— Não quero ver o meu sargento se prejudicando por causa disso.
A última palavra o fez despertar de seu transe. Ele arqueou as sobrancelhas e novamente se virou para ela. Seus lábios se tocaram com naturalidade. Foi gentil, mas de certa forma provocativo, ainda mais quando Sara aproveitou a oportunidade e deslizou as mãos por seu corpo vindo a puxá-lo levemente para trás, aproveitando-se para mordiscar sua orelha.
— Ok. — Ele respondeu entre um sussurro. Engoliu em seco para sua voz sair firme. Tentou resistir a Sara, ainda, mas ela sabia atravessar suas defesas.
— Eu não quero pensar naquele homem, nem Zodíaco, nem nada lá de fora. Só nós dois.
Sara estendeu a mão à frente dele, que ao notar o gesto acabou retribuindo. Suas mãos se entrelaçaram fortemente.
— Só nós dois. — Ele repetiu enquanto olhava para sua mão e a dela.
O sargento fez um movimento para ficar de frente para ela e logo a detetive subiu em seu colo mais uma vez. Ele a analisou de cima a baixo, sentindo desejo por aquele corpo mais uma vez. Sara tocou em seu rosto com as mãos e o trouxe para unir seus lábios aos dele.
— Espero que tenha trazido mais camisinhas.
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