Manhunters

17 No caminho para Baker...


Notas iniciais
HOJE É DIA DE QUÊ? DE QUÊ?! CAPÍTULO NOVO! E aí, pessoal, para começar: gostaram da capa? É isso aí, Manhunters tá de cara nova! Fiz ela com muito amor, espero que tenham curtido! Vamos a mais um novo capítulo. Como sempre, agradeço a você, leitor(a) que está acompanhando essa fic, pro pessoal que está comentando e pra galera que favoritou. Saiba que o seu feedback dá uma grande força e me deixa muito contente! Quero agradecer à minha amiga de longa data, Carol, por ter me ajudado a escrever esse capítulo! ♥

Apesar da noite de sono meio conturbada no começo, Sara descansou bem e acordou um pouco mais disposta. Não sonhou. Ainda deitada em sua cama, recobrando os sentidos após acordar com o despertador do celular, a morena esticou os braços para cima e bocejou. Eram sete e meia da manhã, a luz do sol já se fazia presente, atravessando as cortinas de cor vinho e chegando superficialmente à cama de Sara, à sua esquerda. Sua vontade era de ficar ali, naquela cama confortável e passar horas sem fazer nada.

Foco, mulher. Vamos, levanta logo. Brigou consigo mesma.

Após uns três minutos, a morena finalmente moveu seu tronco e ficou sentada na cama. Ao dormir, vestiu apenas a peça íntima inferior e uma camisa grande com manga de cor verde, tudo para ficar o mais confortável possível.

Mais um dia...

Ela pegou o celular no criado-mudo, à sua direita e procurou por alguma mensagem ou ligação relevante. Olhou... olhou... olhou. Franziu a sobrancelha, suspirou fundo e deixou o aparelho de lado, tinha mais o que fazer. Seguiu para o banheiro, então.

A detetive tomou uma ducha rápida, escovou os dentes e saiu enrolada em sua toalha. Arrumou-se. Vestiu uma calça jeans preta, camisa branca de manga curta e uma jaqueta verde escura. Aproveitou e usou os sapatos pretos do dia anterior. Passou uma base simples e batom nude. Pegou em sua bolsa uma mini prancha de cabelo e ajeitou-o em poucos minutos. Perfeito.

Em quinze minutos Sara já estava pronta. Após se arrumar, ela guardou alguns itens e deixou a toalha e o sabonete próximos à cama. Ela e Grissom não sabiam por quanto tempo ficariam na pousada e era sempre bom estar preparada para qualquer coisa. Pegou seu coldre com a arma, o distintivo da polícia da Califórnia e sua bolsa de tamanho médio.

Tendo feito isso, Sara se aproximou da porta. Só que antes de sair vestiu a última peça que faltava em si: sua máscara social.

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A morena desceu as escadas e se dirigiu ao restaurante. Poderia ter pedido serviço de quarto e tomado o café da manhã sozinha, mas preferiu sair. Chegou ao restaurante e encontrou poucas pessoas. Ela se sentou no meio do espaço e não demorou muito para que uma garçonete viesse atendê-la, sem que precisasse ser chamada.

— Bom dia! O que a senhora vai querer?

— Hum... — pensou, já que se esqueceu de olhar o cardápio. Rapidamente ela deu uma olhada e logo respondeu: — Pão integral com geleia de uva e um suco de laranja, por favor.

— Certo. — A mulher assentiu e foi embora.

Sara apoiou as mãos na mesa e cruzou-as. Olhou para o relógio: 07h52min. Virou-se para trás de si e procurou com olhar alguma figura conhecida, e a figura conhecida seria Grissom mesmo.

Doze minutos depois a garçonete chegou com o pedido de Sara. Ela se desculpou pelo pequeno atraso, e em troca, serviu-a um copo com salada de frutas como cortesia. A detetive agradeceu à garçonete sem medidas, respondendo-lhe que não havia problema algum. Logo, Sara começou a se alimentar.

— Bom dia, detetive Sidle. — uns minutos depois, uma voz masculina disse atrás dela, que levou um breve susto.

— Bom dia, sargento Grissom. — Ela forçou, após levar o susto, encarando-o um pouco irritada.

Sem reservas o sargento puxou uma cadeira frente a ela e sentou-se. Grissom vestia uma camisa cinza e gravata preta; o paletó, mesmo de ontem, estava em suas mãos. O resto do conjunto também era o mesmo de ontem.

Ele levou as duas mãos ao rosto e soltou um longo suspiro.

— Noite de sono ruim? — perguntou ela, após morder um pedaço do sanduíche.

— Não... até que não. Só estou... suspirando mesmo.

— Ah, sim... — A mulher assentiu, mas no fundo não achou a resposta convincente.

Grissom chamou a garçonete, que veio até ele. O sargento pediu ovos com bacon e um suco de laranja, também. Num primeiro momento chegou a se sentir mal por fazer aquele pedido sabendo que a parceira era vegetariana, mas logo passou.

— Depois que terminarmos aqui vamos voltar ao Lehman para saber se o guarda Hawnkins já tem algo para nós. Em seguida iremos para Baker, onde foi o último registro de moradia do Lewis.

— Certo. — Sara tomou um gole do suco, e depois de uma pausa, disse: — O que acontece se... nenhum deles quiser falar?

— Se mesmo assim os nossos amigos não quiserem falar, vamos intimar os superiores. Nem que seja necessário mover montanhas nós vamos, sim, conseguir alguma coisa. — respondeu com firmeza — É a reputação deles que está em jogo. Eu não duvido que se o pessoal da impressa souber de alguma informação sobre isso, vão cair em cima deles. Eles vão fazer de tudo para manterem-se "a salvo".

— Eu adoro uma ameaça pela manhã. — A morena apontou a colher para ele assim que comeu uma porção da salada de frutas.

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No decorrer do breve café da manhã, Grissom e Sara trocaram poucas palavras genéricas. Comentaram sobre o sabor do alimento, sobre os guardas e sobre o supervisor Hawnkins. Nada muito importante, como se fosse apenas uma conversa simples e corriqueira. Assim que Grissom terminou de comer, os dois saíram da pousada diretamente para o estacionamento, de onde o sargento pegou as chaves do carro e o destrancou.

— Creio que agora estou liberado a dirigir. — Ele disse, dando uns tapinhas no capô do seu utilitário preto.

— Ninguém merece você. — Sara balançou a cabeça, entrando no carro.

O sargento entrou por último no veículo. O homem ajeitou o banco para si e prendeu-se ao cinto. Ele deu a partida no carro e os dois foram embora da Pousada Chapman. Enquanto dirigia, virou-se para a mulher ao seu lado, que aparentava estar bem longe dali.

— Porque você quer tanto entrar no FBI? — Perguntou a ela.

A mulher se virou para ele. Franziu as sobrancelhas estranhando aquela pergunta. Sentiu-se como se ambos fossem amigos ou já trabalhassem há bastante tempo para que ele a questionasse.

— Porque quer tanto saber? — retrucou.

— Porque... você é minha parceira...! — retrucou ironicamente. E antes que ela continuasse, ele se adiante — Eu... li sobre você. Vi que tentou o ingresso lá algumas vezes.

— Isso não estava na minha ficha, não a que enviaram a você.

— Eu meio que... pesquisei sobre você. — Disfarçou, tentando não parecer invasivo. Terminou batendo levemente os dedos no volante.

— Pesquisou, é...? — Ela cruzou os braços, claramente demonstrando insatisfação — O que mais você procurou sobre mim?

— Nada de mais, Sidle. — O sargento respondeu quase lamentando. Arrependia-se veemente de ter feito aquela pergunta.

— Que tal fazermos um pequeno jogo contínuo de perguntas e respostas, então? — A morena, empolgada, até, ergueu a mão esquerda.

— Não estamos muito ve-

— Você me faz uma pergunta, e se eu responder, terei o direito de perguntar e ter uma resposta concreta. — enfatizou a última palavra — E vice-versa.

— Ah... por favor, Sara!

Ela se virou para ele na mesma hora que a chamou pelo primeiro nome.

— Se você quer me conhecer eu tenho direito do mesmo. — Suas palavras soaram como lâminas.

— Está bem! — Rendeu-se, sabendo que não teria como argumentar mais com a detetive — Por que você quer tanto entrar para o FBI?

A morena olhou para a janela, deu um longo suspiro e depois se voltou a ele:

— Não estou pronta para responder essa pergunta. — disse em voz baixa — Porque sei que você não está pronto para responder a minha.

O sargento se voltou a ela. Seu rosto já não era tão desafiador quanto antes.

— Eu me arrisco.

— Não se arrisca, não.

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Em poucos minutos o sargento e a detetive chegaram ao Lehman... novamente. Eram oito e cinquenta e cinco da manhã; a brisa matutina soprava com pouca força, e, somada com a umidade baixa, traziam uma temperatura agradável. Boa forma de começar o dia. E mais uma vez os policiais seguiram até à cabana dos guardas; encontraram o jovem Lucas, distante como sempre; disseram que gostariam de falar com o Steve. Em pouco tempo ambos foram atendidos e permitidos a entrar na sala do supervisor.

O guarda mexia no computador quando os policiais entraram. Parecia bem concentrado pela sua expressão séria e fechada. Logo que pôs os seus olhos em Grissom foi como se encontrar com um indesejado amigo. Já o sargento se mostrava tranquilo, satisfeito, seu oposto. Sara foi a última a entrar; ela fechou a porta e esperou próxima da mesma. Grissom se aproximou de Steve e estendeu sua mão num gesto cordial. Para não "fazer feio", o guarda se esticou um pouco e apertou a mão do policial.

— Bom dia, guarda Hawnkins. — cumprimentou Grissom, com um concreto sorriso nos lábios. Sara apenas acenou de onde estava.

— Olá, sargento e... detetive. — respondeu forçado.

— Bem, vamos evitar quaisquer redundâncias sobre o que eu falei a você ontem. — Ele fez um gesto com a mão — Conseguiu o que eu te pedi?

— Não tive muito tempo de "agitar" essas coisas, sargento Grissom. Meu turno começou há pouco tempo e-

— Certo. — Grissom o interrompeu — Voltamos aqui depois. Desculpe o incômodo e bom trabalho. — De repente, o sargento começou a se afastar da sala, vindo a voltar-se ao guarda logo em seguida — Lembre-se: não se preocupe com a sua identidade, essa conversa fica por aqui. Ligue-me se precisar.

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Grissom e Sara mal ficaram vinte minutos no parque. Eles retornaram ao carro em silêncio, nem quiseram entrar em contato com os guardas Hernández e Philip novamente. Na verdade, Sara não opinou, preferiu observar o sargento e ficar próxima.

— Ei, você está ansioso novamente. — Ela disse, após ficar um bom tempo calada.

— Isso foi uma pergunta? — Grissom respondeu como se não estivesse a fim de trocar muitas palavras. Ele prendeu-se ao cinto e encaixou a chave do veículo na ignição.

— Foi uma afirmação. — Respondeu após prender-se ao cinto de segurança — Eu sei como é isso... ficar tanto tempo à procura de respostas e quando dá de cara com uma possibilidade, a gente fica a mil por hora.

— Estou bem, Sidle. — O sargento olhou para o lado e notou que seu tom de voz não era dos melhores — Não... se preocupe. — Fez um gesto com a mão, encarando-a — O importante agora é encontrar com Lewis e depois seguir com o planejado.

— Certo. Dê a partida, capitão.

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De volta à estrada. Grissom chamou pelos policiais do estado para ajudá-los no caminho adiante. O pedido foi aceito e uma viatura foi mandada com dois policiais. O próximo destino era a casa de Lewis, em Baker, a seis quilômetros e meio a nordeste da pousada. A cidadezinha que ficava na divisa de Nevada e Utah tinha poucos habitantes, menos de 70. Era o tipo de lugar isolado que alguém poderia buscar para se afastar das grandes capitais e metrópoles.

— Se Franklin fez alguma coisa ou saiu da cidade logo saberemos. Esse é o bom de cidades pequenas, todo mundo se conhece. — comentou a detetive — Acredite, eu vivi em um lugar assim.

— Bom saber. — Respondeu Grissom enquanto dirigia. Ele olhou para o painel do carro e deu um longo suspiro — Vou parar no posto de gasolina.

— Por que não viu isso antes? — Sara revirou os olhos.

— Eu planejava fazer isto antes, mas decidi que o melhor era fazê-lo por aqui.

— Você se esqueceu.

Grissom não respondeu, apenas pressionou suas mãos sob o volante. O sargento avisou pelo rádio aos policiais que os acompanhavam sobre a parada no posto de gasolina que ficava a uns duzentos metros. O oficial responsável concordou com a decisão do sargento e os dois carros pararam no posto em seguida. Eram nove e vinte da manhã e o sol não perdoava; o calor já era incessante.

Ele deixou o carro ao lado de uma das bombas de gasolina. Sara olhou para o lugar ao seu redor e notou que estava quase vazio. Apenas três carros estavam presentes: o deles, a viatura policial e mais um próximo à loja de conveniência, mais para o fundo. Grissom pegou a pistola de gasolina, abriu a portinhola e começou a despejar o combustível para dentro do carro. Como Sara não queria ficar ali esperando, decidiu se mover.

— Vou comprar alguma coisa. — Disse a detetive, afastando-se do carro — Não se preocupe, vou comprar uma garrafa d’água pra você. — Completou ironicamente, após se virar para trás.

Sara não viu, mas ele largou um sorriso que nem mesmo percebeu.

Grissom terminou de pôr gasolina no tanque e retornou a pistola à bomba. Restava apenas passar o cartão de crédito na bomba e esperar por Sara. Tudo estava indo conforme planejado. O sargento sentia-se próximo de algo concreto que por pouco não o causava euforia. Era apenas uma possibilidade, sim. Mas depois de tanto tempo caminhando às cegas, expectativas nele surgiram como passe de mágica. Com o carro reabastecido bastava apenas seguir viagem e procurar por Lewis em Baker. Não foi como planejado, mas a situação estava sob controle.

Mas nem sempre as mãos e atitudes humanas conseguiam sustentar certas situações. Tudo mudou num instante. Um breve som ecoou pelo lugar e fez com que o sargento largasse tudo que estava fazendo.

Foi um tiro. Um tiro, que partiu de dentro da loja, segundos após Sara ter entrado no estabelecimento. Grissom olhou para lá assim que ouviu o disparo. Foi como se tudo ao seu redor perdesse o som.

— SARA! — gritou. Automaticamente ele pegou a arma da cintura e correu em direção à loja. O sangue fervia em suas veias que mal pôde sentir o coração bater acelerado. Na verdade, sentiu como se o próprio órgão tivesse parado de bater. Toda a sua concentração era naquele lugar. Nada mais importava, somente a sua chegada à loja.

— Ei, ei, parado aí! — Uma voz próxima a ele gritou. Era masculina num tom meio agudo, parecia ser de um jovem. Assim que Grissom ouviu, virou-se para o lado esquerdo e apontou sua pistola em direção. Mesmo preocupado com ela, como um bom policial treinado, ele não ignorou a voz e logo tomou uma posição defensiva.

Um garoto estava ao lado do carro estacionado próximo à loja. Não devia ter nem dezoito anos, mas já portava um revólver em sua mão esquerda. Era branco, estatura média, cabelos loiros e carregava olhos ardendo em chamas. Bastou apenas um olhar para saber que o rapaz era capaz de apertar o gatilho sem nenhum problema.

Os policiais que estavam próximos também apareceram portando suas armas.

— Larga essa arma. — disse friamente o sargento, segurando a pistola com as duas mãos. Estava sério, pronto a atirar caso fosse necessário — Garoto, larga essa arma! — repetiu em voz mais alta ao perceber que o garoto não ia acatar a ordem. Ele não queria atirar. Se pudesse insistiria até o último instante.

Se o físico do sargento estava do lado de fora, sua mente estava dentro da loja. Não parava de pensar no que possa ter acontecido a detetive, justamente no momento em que ele não pôde estar lá. Poderia ser ela atingida pelo disparo, caída no chão, sangrando. Morrendo.

Grissom virou seu olhar para a loja por um segundo.

Sara... o que acont

E aconteceu de novo. Dois tiros seguidos dessa vez. Os dois vieram da loja.

Não, não! Ele arregalou os olhos. Isso não...

No momento em que os ouviu, Grissom instintivamente virou seu rosto para o lado e moveu seu corpo, pronto para entrar. Mas o jovem estava atento.

— Ei! — gritou o rapaz com força, dando um passo para frente.

O sargento sabia que ele ia atirar, já viu aquelas cenas várias e várias vezes. Então não teve escolha, apertou o gatilho de sua arma. Todavia, a arma não disparou. O jovem à sua frente, sem pensar, atirou contra o sargento, que foi atingido.

Notas finais
É, galera... admito que enquanto escrevia a fanfic esse plot twist não estava previsto. A ideia veio de repente e aí não pude deixar de escrevê-lo haha. Então, pessoal o que acharam? Não sintam raiva de mim kkkk Posso dizer que coisas vão mudar para os dois, que não verão um ao outro da mesma forma. Mais uma vez, obrigada a todos que leram, beijos e até o próximo capítulo!