Manhunters
73 Ligações
Notas iniciais
Ele estava de volta ao evento, só que vendo-o por outros olhos. A sensação era engraçada, proporcionava-lhe um déjà vu estranho, como se visse exatamente aquelas imagens que apareciam na tela de sua TV; não pelo ângulo da câmera ou pela posição do cinegrafista, mas como se fosse o seu próprio olhar observando tudo aquilo. Tantos rostos, pessoas vagando, correndo para lá e para cá. Parecia uma feira medieval; o propósito do evento era este, de reunir pessoas com melhores condições de vida para ajudar aquelas que não tinham tal privilégio.
Enquanto as primeiras imagens menos importantes surgiam ele preferiu separar os relatórios e começar a lê-los mais uma vez. Se fosse preciso falaria de novo com as pessoas mais próximas às vítimas para refutar ou comprovar a teoria de que seria o próximo alvo. Leu um por um, todas as situações segundo a opinião de outros como o relatório oficial. A primeira vítima, Arthur Kyle, o ponto de partida, o primeiro mover do relógio de Zodíaco. Foi o único que morreu diferente dos outros, com um corte na garganta. Claro que o assassino poderia usar outra região para desferir somente um golpe e matá-lo, o que intrigou o sargento ao longo do tempo; talvez por inexperiência de Zodíaco ou por algum significado.
Por curiosidade espontânea, o sargento aproveitou e pegou as fotos da cena do crime. Aproveitou, também, e pegou o mapa da região que destacava a área.
— Havia uma comemoração... várias... — falou sozinho sem se importar com quem aparecesse à porta — Você não poderia estar no cassino e segui-lo, não poderia prever os passos de Kyle... seria chamar atenção desnecessária. — Ele deu algumas batidinhas na mesa e analisou o mapa cuidadosamente.
Em volta do parque havia um centro de recreação e esportes e uma escola do ensino médio. Segundo o relatório da cena do crime descrita por Sales havia uma comemoração feita pelos integrantes do centro, sem contar com a presença de alguns alunos do ensino médio que se formaram no final do ano e resolveram participar. Realmente aquele parque estava lotado de gente, mas gente embriagada, com sono, talvez até sob efeito de drogas.
— Talvez, não. Com certeza.
A maioria das testemunhas não quis falar, talvez por medo de se complicar com a polícia por sabe-se lá o que. No meio de tanta gente, poucas foram as pessoas que deram depoimento ao detetive depois do raiar do dia. Ninguém poderia imaginar que se trataria do começo de um assassinato em série.
O assassino estava por perto. Ele estava lá, no meio do parque esperando pela vítima que nem ao menos fazia parte da festa. Mas será que o criminoso fazia?
Grissom franziu a testa e se ajeitou na cadeira. Um homem como Zodíaco poderia facilmente se misturar à multidão, mas não depois do crime. Não poderia ficar no meio deles com uma roupa possivelmente ensanguentada e uma arma também ensanguentada, entregar-se-ia facilmente. Poderia estar distante, a uma, duas quadras dali, a um ponto de refúgio; uma casa, hotel, qualquer outro lugar. Ou poderia ter pego um veículo e fugido. Mas por que escolheu logo aquele parque?
Um número lhe veio à mente, mas ele não tinha certeza se era o certo, então usou a agenda em cima da mesa como guia. Era um número do tipo “semiprofissional”, um contato direto com alguém para falar sobre algum assunto de certa importância.
— Rogers.
— Paul, é o Grissom.
— Grissom? Ei, tudo bem? — falou surpreso — Tá ligando pra esse número é por causa do trabalho, não?
— Você acertou. Eu preciso de um favor. É um caso em andamento que está infernizando a minha vida.
— Me diga o que é e eu vou ver o que posso fazer, então.
— Primeiro de janeiro desse ano: Arthur Kyle foi assassinado no parque West Flamingo e tudo indica que o assassino se escondia e se refugiou num raio de possivelmente um quilômetro da cena do crime. Eu preciso de todas as informações de eventos que ocorreram na região que passaram pela aprovação de vocês, Paul.
— Ué, vocês não têm essa informação? — Por mais que a pergunta tenha sido tola, havia certo respaldo em seu questionamento.
— Eu não era o responsável pelo caso ainda. Agora eu tenho meus palpites sobre a localização do assassino, — Grissom odiava palpites, mas não havia outra palavra melhor na hora que falou — e preciso muito de sua ajuda.
Houve um breve silêncio na linha, o que permitiu ao sargento ouvir algumas vozes ao fundo.
— Pra adiantar, também ia querer informações de eventos ao ar livre de outros casos.
— Tem mais coisa, é? — Brincou, mesmo estando um pouco desconfiado dos pedidos de Grissom.
— É um caso grave... vários, na verdade.
Após suspirar Rogers respondeu:
— Olha só, vamos fazer assim: me mande um email com tudo o que você precisa. Não te garanto que vou conseguir essas informações agora, talvez dentro de três, quatro dias, uma semana, quem sabe, ou até mais. O trabalho aqui é uma loucura e infelizmente não posso tratar você como prioridade.
— Eu entendo. — Mesmo decepcionado, Grissom não tinha como pressioná-lo de jeito algum. Já estava recebendo um esforço — Não pretendo demorar a te passar a informação, mas não precisa se preocupar. Mas se der pra você me informar os dados o quanto antes vai ajudar muito. — Mesmo não tentando Grissom pareceu pressioná-lo. Ele não fez por mal, mas quando se tratava de um caso seu tom era do mais sérios.
Ambos trocaram as últimas palavras e encerraram a ligação. Dois pontos já foram trabalhados, agora ele tinha de se apressar para pegar cada uma das cenas do crime e separá-las em pontos próximos à região de Vegas. Ele estava caminhando com o caso, afinal, mal percebeu isso.
Após um suspiro, ele imaginou os próximos passos, mas não pôde deixar de pensar em Sara. Mesmo a querendo por perto, ele desejava que tivesse sucesso naquele caso, ainda que tivesse de passar um bom tempo longe.
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Dez e quatro da manhã.
— A última ligação do Lewis. — O detetive falou um pouco animado ao pôr os fones de ouvido. Vendo-o daquele jeito Sara esboçou um breve sorriso e também pôs o gadget — Vamos ouvir quem foi o último sortudo que trocou umas palavras com ele.
Assim que o arquivo de áudio foi iniciado não demorou nem dez segundos para os policiais reconhecerem a voz da pessoa. Alguém conhecido, na verdade e que já era esperado, ao menos por Sara.
— Ora, ora, o advogado e seu cliente... — comentou sarcasticamente quando reconheceu a voz irritante de Regis Dale.
— Já esperava por isso. — Ivanenko deu de ombros
A dupla de detetives ficou em silêncio para ouvir a conversa entre os dois. A última ligação não durou muito, mas foi a que chamou a atenção primeiramente.
“Olha só, você me garantiu que iria resolver essa merda.” Era Lewis, reclamando em médio tom.
“Eu disse que ia e vou resolver, Frank.” Ao contrário do cliente, Dale parecia tranquilo.
“Pare de me chamar assim, isso é sério!” Ele retrucou duro “Os caras estão em cima de mim!”
Alguém soltou um suspiro e depois bufou. Os detetives precisariam ouvir novamente a ligação para identificar quem fez aquilo.
“Não é tão simples tirar você dessa situação, Franklin.” Ele deu ênfase ao nome de Lewis “Tem que me agradecer por não estar lá dividindo uma cela fria com seus amiguinhos.”
“Se eu tô te pagando, e muito bem pra falar a verdade, é pra você fazer seu trabalho direito. Já vi gente pior numa situação muito melhor que a minha.”
“Eu- Olha só... Acalme-se, Franklin. Faça o que eu sugeri. Tudo vai ser resolvido logo, está bem?” Dale mantinha a voz calma, como de costume.
Um breve silêncio na linha.
“Tá. Nos falamos depois.”
Fim da ligação.
Sara e Ivanenko trocaram olhares confusos, mais para desconfiados. Em vez de prosseguirem com a próxima ligação, Sara foi a primeira a retirar os fones.
— “Faça o que eu sugeri”? — Ela repetiu as palavras do advogado — Porque acho que ele está falando de Hilary? — A mulher sorriu intencionalmente.
— Se foi isso mesmo Dale não foi bobo em dizer explicitamente.
— Ah. — Sara abriu um sorriso mais largo. Aparentava estar surpresa, ao mesmo tempo que não — Eu não acredito nisso. Dale-
— Calma, Sara. — Ivanenko a cortou logo — O que nós temos aqui não prova nada. Pode ser qualquer coisa. — Alertou ele.
Como não?!
— Como também pode ser o advogado de Lewis sugerindo a ele pagar pelo serviço de uma garota de programa e terminar morto.
Max cruzou os braços e afastou-se para trás com a cadeira giratória.
— Ok. Vamos dizer que ele sugeriu isso mesmo. Mas como vamos provar que Dale indicou Hilary para Lewis? E por que ele iria querer o cliente morto?
A morena franziu o cenho. Ao ouvir aquilo seu raciocínio que girava como peças de um relógio foi subitamente interrompido.
Por que Dale iria querer Lewis morto? A não ser que...
— Ainda temos um longo caminho pela frente, Sara. — Ele gesticulou com a mão — Eu sei que tudo isso pode ser até óbvio, mas temos que ter cuidado ou iremos à ruína com um passo em falso.
Sara baixou o olhar e virou o rosto para o lado. Aquela ideia de o advogado conspirar contra o próprio cliente se instaurou em sua mente e não queria deixá-la de forma alguma.
— Sara. Sara?
— Hã? — Ao levar um susto por causa da distração, ela respondeu confusa.
— Você não vai tirar essa teoria da cabeça, não é?
— Sinto muito, mas não. — Sorriu um pouco mais animada. Ela olhou para o fone em seu colo e depois se voltou para o parceiro — Eu esperava que a última ligação dele fosse para Hilary, mas tudo o que temos é a conversa dele com Regis.
— Hum... — Maksim levou a mão ao queixo — Ele pode ter feito a ligação do telefone do lugar onde estava hospedado... um telefone público, ou até mesmo do celular do advogado.
— Não acho que Dale iria fazer isso. Iria complicar sua vida se descobrissem que seu celular foi usado numa ligação para uma prostituta.
— O que nos resta é o telefone do quarto ou um telefone público. — O detetive assentiu.
— Será que vamos precisar de um mandado ou o pessoal vai colaborar?
— Conto com a primeira opção, mas sempre espero a segunda.
— Certo. Eu vou pedir aos peritos os pertences do Lewis e que procurem por algum registro do número da Hilary.
— Eles disseram que não encontraram nada relevante. — Ele deu de ombros.
— Ainda assim não estou satisfeita. Preciso ter certeza. — Sem demora ela se levantou da cadeira e deixou a sala de análise em passos apressados.
Finalmente os dois tinham uma pista ou ao menos parte dela. Sara podia enxergar um pequeno ponto iluminado no fim do túnel. Sabia que estava longe, mas ao menos estava caminhando na direção certa. Sabia também que tinha de ter cuidado com o advogado, seu suspeito; mas em vez de ficar preocupada, aquilo era como incentivo.
— Me empresta o seu carro? — Perguntou ela de repente antes de sair.
— O quê? — Surpreso pela pergunta Ivanenko franziu as sobrancelhas, não sabendo o que falar direito.
— Eu vou até o laboratório e não quero pagar um táxi. — Sara brincou, mas estava falando a verdade — Vai ser rápido, não se preocupe.
— Ah, sim. — Ele pôs a mão no bolso da calça, tirou a chave e o alarme do molho e jogou para Sara, que pegou-os no ar.
— Obrigada. — A detetive fez um sinal positivo com a mão — Prometo que vou devolver sem muitos arranhões. — Sem esperar por uma resposta ela saiu e fechou a porta rapidamente.
Ivanenko não conseguiu conter a breve risada mesmo após ela ter deixado o lugar. Ele ficou observando para a porta por alguns segundos, segundos a mais do que esperava. O semblante risonho dele desapareceu e mudou para algo sério, meio melancólico. O detetive balançou a cabeça e voltou a se concentrar nos áudios.
Sara deixou de passar na sala de Grissom para adiantar o trabalho o quanto antes. Eles ainda teriam muito tempo para ficarem juntos e o momento de agora era o caso; os casos, na verdade. Sua mente maquinava sem parar os diversos motivos que levariam à morte de Lewis e não mais quem o matou. Hilary o matou, isso era fato, agora o motivo para a morte do ex-guarda era a pergunta da vez.
Será que... Dale mandou matar Lewis porque “trabalhava” com Zodíaco?
A única pessoa a quem ela poderia compartilhar a ideia sem correr o risco de ser repreendida era Grissom; não porque era seu namorado, mas porque era seu parceiro e porque poderia entender seu ponto de vista. Quando tivesse a oportunidade falaria com ele.
Quando chegou ao estacionamento e pressionou o botão para desativar o alarme, o carro descaracterizado a uns dez metros de distância emitiu o som do destrave. Era um Ford Crown Victoria Interceptor prata. Ela poderia ter pedido o carro de Grissom emprestado, mas não sabia se ele tinha a intenção de usá-lo para uma emergência ou coisa do tipo. Aproveitou que estava trabalhando com Ivanenko para pedir o favor.
Antes mesmo de chegar na metade do caminho, o celular de Sara tocou. Seus primeiros palpites seriam de Grissom ou de Ivanenko, prontos para dar uma notícia importante. Mas o nome no visor jogou derrubou-os por terra.
— Annie? — questionou-a quando atendeu a ligação ligeiramente.
— Ei, mana. — A voz da irmã não era das boas.
— Annie, tudo bem? Por que está me ligando a essa hora? — Sara retornou seu caminho até o carro.
— Eu ouvi a mensagem que você me mandou ontem.
— Que bom. Olha... — Sara fez uma pausa — não queria cortar a conversa, mas é melhor nos falarmos depois, ok? Eu estou prestes a sair daqui do departamento e-
— Más notícias. — Ela o interrompeu de súbito.
— Hã? Céus, o que foi?! — O coração da detetive acelerou de repente. Annie tinha o péssimo hábito em mudar o tom da conversa e interrompê-la quando achava o assunto muito importante.
— Sabe o teu ex?
Ah, não, o que foi agora...
— Ele tá indo aí, pra Vegas.
Os lábios da morena se separaram, mas de sua boca não saiu palavras, apenas a tentativa de emitir algum som. Ela deixou de abrir o carro para focar totalmente na ligação. Não poderia ser uma piada, nem mesmo Annastasia faria uma coisa dessa.
— Como é que é?! Annie, explica isso direito!
— Foi isso aí mesmo! Ele veio aqui, bateu na nossa porta pra “conversar”. Queria saber o motivo de você parar de atender as ligações e responder as mensagens-
— O que você falou com ele? — Dessa vez foi Sara quem interrompeu. Sua voz já estava ansiosa.
— Ah!... Eu xinguei ele! Depois eu falei que ele sabia muito bem o motivo e que você não suporta gente mentirosa. — Ela fez uma pausa — Eu não conseguia olhar na cara dele direito por um minuto, fiquei com nojo, sinceramente.
Sara levou a mão à boca e olhou para o lado. Fechou os olhos e tentou buscar algum equilíbrio em sua mente. Então balançou a cabeça repetidas vezes.
— Depois ele veio na cara de pau me pedir o endereço do teu trabalho pra ir aí falar contigo. Eu falei que não era doida de fazer isso. Mesmo assim o babaca disse que iria dar um jeito de ver você.
— Merda! — Sara abriu a porta do carro e entrou bruscamente nele, chegando a se esquecer por alguns segundos que o veículo não era seu — Ele falou quando viria?
— Não, nem pensei nisso, Sara. Tentei impedir ele de continuar com essa idiotice, mas não adiantou.
— Ah!... — Ela recostou a cabeça no banco e fechou os olhos — Não basta os problemas que eu tenho aqui...
Depois de alguns segundos, Sara já pensava em se despedir e tentar voltar com o raciocínio do trabalho, mas Annie se pronunciou mais uma vez:
— Sara, o que você quis dizer com “está tudo bem agora”, lá naquela mensagem? — A voz da irmã mais nova estava desconfiada.
Ah, não, Annie. Agora não.
Sara mordeu o lábio inferior. Annastasia ligou na pior hora possível e trazendo assuntos dos quais ela não tinha cabeça para ficar discutindo.
— É uma longa história. Eu te conto depois, agora não dá. — Ela disse baixo, implorando internamente para que Annie não a pressionasse.
— Sara. Isso não tem nada a ver com o-
— Annastasia, por favor. Eu prometo que vamos conversar sobre muita coisa depois, ok? — Definitivamente aquele não era o momento apropriado para falar de seu novo relacionamento com a irmã — Agora não dá.
— Tá, tá bom! A gente se fala depois, eu espero. — Houve certa ironia na voz de Annie.
— Céus... — A morena sussurrou sem que a irmã pudesse ouvi-la. — Se cuida, Annie. — Foi a última coisa que disse. Ela recebeu uma resposta mais ou menos parecida e finalmente Sara encerrou a ligação. Guardou o aparelho e encaixou a chave na ignição.
Antes mesmo de ligar o carro ela passou a mão pelos cabelos e suspirou alto.
Como isso foi acontecer?! Como ele tem a coragem de fazer isso?
Hank estava a caminho de Vegas e Sara não tinha ideia de quando seria sua chegada. Se já não bastasse aquela mentira que escondia uma traição agora ele viria para tentar Deus sabe o que. Um pedido de desculpas, talvez e quem sabe conseguir reatar o namoro? Hank apenas perderia tempo; a única coisa que conseguiria fazer além disso seria atormentar a mente da detetive.
Um sentimento de culpa tomou conta dela. Talvez devesse ter atendido suas ligações cortando de vez qualquer laço que o ex achava que ainda tinham. Sua mente estava tão ligada ao caso que trabalhava que ela não pensava em outra coisa, sem contar que seu coração estava ferido demais para ouvir a voz dele. Ela bateu no volante algumas vezes e cerrou os dentes com força. Sara odiava ser enganada.
O que ela deveria fazer? Tentar ligar para ele na tentativa de impedi-lo? Falar com Grissom?
Ah, não.
Seu namorado era um outro detalhe, uma pessoa do qual ela não queria envolver nessa história toda. Colocá-lo nisso seria adicionar outro problema e os dois já estavam cheios disso. Ela teria de resolver esse problema por si só.
Sara pegou o celular novamente e discou o número do ex que, infelizmente, sabia de cor. Seu estômago embrulhava só de saber que teria de ouvir aquela voz de novo. Com muito custo chamou por ele. Um toque, dois, três... vários toques e a ligação caiu. Tentou de novo e de novo. Nada.
— MERDA!
Podia sentir o calor em seu rosto. Devia estar vermelho de raiva, de angústia. Num momento tão importante do trabalho uma notícia como aquela veio para tirar seu foco, deixá-la desnorteada. O remorso também bateu na mente; ela poderia ter falado com Hank e terminado aquilo tudo. Porém ela preferiu se distanciar, preferiu o silêncio e agora teria de lidar com mais um problema evitável. Sara mal sabia se estava com raiva dele ou dela mesma.
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