Manhunters
74 Manhã ordinária
Notas iniciais
Carson City. Dez e oito da manhã.
Em vez de voltarem para o centro de Vegas, ****** mudou de planos. Quando o filho recebeu alta, logo no dia seguinte, ele decidiu que iria passar um tempo com a família no rancho que tinham a oeste da cidade. O ar puro e o ambiente pacífico era uma ótima escolha em contramão da agitação constante de Las Vegas. Sua esposa concordou com a ideia e eles nem precisaram voltar para fazer as malas; já tinham tudo preparado no rancho. ****** teve de mudar sua agenda, mas foi tudo para um bem maior, sua família. O ar frio da manhã o fazia lembrar dos tempos de criança. Aquilo lhe trazia diversas sensações saudosistas e nostálgicas; seria bom para relaxar um pouco.
Os três terminavam de tomar o café da manhã preparado pela cozinheira; na mesa retangular média havia uma fartura de comida para três pessoas. A primeira refeição foi de quase total silêncio. A todo o momento ****** observava o filho e a esposa. ****** ficou de cabeça baixa quase o tempo todo enquanto a mulher, assim como o homem atentava para o menino que parecia tristonho.
— Pai, posso ver os animais? — perguntou o garoto após terminar a salada de frutas.
****** olhou para esposa que pareceu não ser contra o pedido do filho. Ele olhou para ***** e sorriu:
— Claro. Tenha cuidado. — Assentiu.
O garoto se levantou da cadeira, levou o prato e copo para a cozinha e depois seguiu rápido para fora. Um minuto inteiro se passou até que a mulher tomou a palavra:
— Não sou contra a ideia de virmos para cá. Gosto deste lugar, mas...
— O quê? — Ele perguntou de cara.
— Nosso filho. Percebeu a cara dele, como ele está ultimamente? Não é por causa do diagnóstico, mas... ele tem estado muito sozinho.
— Estamos sempre ao lado dele, amor. — ****** tomou um gole generoso de café.
— Não quero dizer isso, ***** quase não tem amigos. Ele não estuda em uma escola como a maioria das crianças, quase não tem contato com gente da idade dele.
O homem franziu o cenho quando se inclinou para a frente e apoiou-se sobre o cotovelo.
— Ele tem um ótimo ensino com professores particulares. Quando amadurecer mais podemos colocá-lo numa escola.
— E jogá-lo num ambiente sem ao menos ter “experiência”? — Ela arqueou as sobrancelhas, impressionada com a declaração do marido — ******, ele não vai conseguir muita coisa desse jeito. Eu quero que nosso filho aprenda a conviver com pessoas diferentes, se relacione, tenha amigos. Que mal isso pode fazer a ele?
Os dois tiveram estilos de vida completamente diferentes. Enquanto ele foi reservado, introvertido, vivendo numa espécie de bolha (e ainda o fazia), ela era mais social, extrovertida; gostava de conhecer lugares e pessoas. Algo nela, seu oposto, atraiu-lhe e conquistou seu coração.
— Ele tem que aprender a viver lá fora, também.
****** chegou a gesticular algo, mas se impediu. De certa forma a ideia da esposa não era de toda ruim. Só que a preocupação pelo filho era grande. Depois do que aconteceu, a ideia que ele chegara à exaustão o fazia questionar quase tudo que envolvia seu filho. Apavorava-lhe o pensamento de estar num ambiente com jovens de pensamentos diferentes. Seu dever era treiná-lo para o futuro, para ser um homem e seu herdeiro e por isso tinha de cuidar de todo detalhe.
— Vou falar com ele.
Ao término do café da manhã, ****** deixou a casa. Ele perguntou para um dos funcionários onde é que seu filho estava e então soube que o menino se encontrava no estábulo. ****** se aproximou em silêncio e encontrou ***** acariciando um dos cavalos. Quase sempre que vinham ao rancho o menino passava por ali para ver os animais, principalmente aqueles. ****** tinha doze cavalos e estava pensando em trazer mais um.
Próximo do filho estava a tratadora de cavalos, uma mulher de 38 anos. Alta, forte, tinha os cabelos loiros presos num coque. Usava roupas típicas de um vaqueiro, mas não deixava a maquiagem de lado. Ela era uma pessoa de confiança, a esposa dele gosta de passar um tempo conversando com ela enquanto cavalgavam juntas.
— Bom dia, Rachel. — disse ele ao se aproximar dos dois.
Tanto o menino quanto ela olharam surpresos para ele.
— Bom dia, senhor *****. — Rachel acenou.
O homem se aproximou mais um pouco e atentou para o filho, que depois de dar oi para o pai, voltou a acariciar o cavalo.
— Quer sair para uma cavalgada, *****?
O garoto se voltou para o pai num pulo e o encontrou sorrindo. Animado, ***** apenas fez um gesto positivo com o pescoço.
— Ótimo. Rachel, pode preparar o equipamento dele enquanto eu vou adiantando as coisas aqui?
— Claro. — Ela sorriu e foi para o fundo do estábulo pegar os equipamentos guardados no armário.
— Já escolheu algum? — perguntou ao filho quando o viu no meio do corredor a olhar para todos aqueles animais.
— O Estrela Cadente. — ***** apontou para o cavalo um pouco próximo. Era um jovem Appaloosa de pele marrom e branca, salpicado de manchas escuras. Para alguns era uma mistura caótica de cores, mas para outros era um cavalo único, de pelagem magnífica.
— Boa escolha. — O pai caminhou para perto do Estrela Cadente e deu leves batidinhas em seu pescoço — Ele cresceu bastante desde a última vez que viemos aqui.
— É mesmo. — concordou.
****** já tinha sua escolha em mente. Seu preferido era o Meia-noite, um Gypsy Vanner vindo direto da Irlanda. Já era adulto, de pele malhada branca e preta.
Depois dos preparativos, ****** e seu filho já estavam no campo em cima de seus cavalos. O garoto nem precisou de ajuda para montar no Estrela Cadente; desde cedo ele tinha aulas de hipismo e sabia lidar com cavalos muito bem para sua idade. Ainda assim, preocupado com ele, ****** fez questão de oferecer ajuda. Se a mãe soubesse o que os dois estavam prestes a fazer com certeza seria contra a ideia do filho sair por aí cavalgando.
Após estarem a certa distância do estábulo e do casarão, o pai começou a conversa:
— Filho... — comentou sem muita fé, esperando que ***** olhasse para ele — Por que não me contou sobre seu cansaço?
O garoto não respondeu na hora. Olhou para a sua cela um pouco acuado por alguns segundos e respondeu:
— Eu... achei que podia me esforçar pra ser como o senhor.
— *****. — Ele chamou pelo filho, que o encarou finalmente — Você ainda é jovem, tem muito a aprender, não pode tentar avançar essas etapas. — Sorriu — Você ainda vai crescer, assim como seu pai e como seu avô.
— Mas...
— Mas o quê?
— Vai demorar, não é? — perguntou inocentemente. O pai não se conteve e deixou escapar uma risada.
— Tudo tem o seu tempo, ***** e nós não podemos apressá-lo. — Gesticulou com as mãos — Você ainda vai passar por muitas etapas até chegar ao fim. Todo dia nós aprendemos alguma coisa, era o que seu avô sempre dizia.
O jovem fez um gesto positivo com o pescoço.
— Queria ter conhecido o vovô. — O garoto veio com aquele olhar abatido novamente.
— O tempo dele aqui acabou, *****. — Tentou explicar — Ele pode não estar aqui, mas seu avô deixou um legado para nós. E nosso dever é continuar seu trabalho.
Aparentando entender as palavras do pai, ***** assentiu e os dois continuaram o passeio. Dessa vez eles aceleram o ritmo e os cavalos passaram a trotar. Entre um intervalo e outro os dois trocavam algumas palavras, como *****, que gostava de mostrar ao pai a habilidade que tinha na montaria de vez em quando fazia graça com o homem que tentava imitá-lo e errava de propósito.
Havia mais de meia-hora desde que os dois tomaram seus cavalos e foram passear. A diversão os levou até os limites da propriedade. Bem ao longe era possível observar o casarão como se fosse uma réplica infantil. O sol ameaçava surgir entre as densas nuvens e o calor aumentou um pouco.
— Volte, *****. — falou sério para o filho, que pensava em continuar adiante.
O garoto virou o rosto para ele. Confuso, achou que o pai estava brincando, mas também fez o Estela Cadente se virar para o lado.
— Venha para cá.
Obedecendo à ordem dele, ***** voltou e ficou próximo a ele. Seu rosto estava meio tristonho e ele deixou o olhar baixo novamente.
— Você não pode passar adiante, ouviu? Seu limite é até aqui.
— Por quê?
Crianças tinham essa mania de perguntar sobre quase tudo inclusive ele, mesmo sendo uma criança rigidamente educada. ****** teve de aprender a ter paciência com o filho.
— Apenas me escute. Um dia você saberá porque, mas agora apenas obedeça, ok?
— Tá bem. — Mesmo não gostando da resposta vaga o garoto concordou.
O garoto não tinha saída. Fez o que o pai pediu e deu meia-volta. Atento ao filho até ele se aproximar, ****** olhou na direção “proibida”. Ainda havia muito caminho a percorrer, só no final era possível enxergar uma casinha. Parecia abandonada pela vista dali. Sério, o homem observou-a por alguns segundos e logo se voltou ao filho.
— Vamos voltar. — ****** estendeu o braço para ele — Logo sua mãe ficará preocupada conosco.
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— Eu preciso que analisem todos os pertences do Lewis. De novo.
— O quê?
— É isso. Poderemos ter deixado algo importante escapar e eu não quero pensar nessa possibilidade.
— Com base no que, detetive Sidle? — o perito não estava com a cara boa. Se já não bastasse toda a fila de tarefas que precisavam estar prontas o quanto antes, agora tinha que lidar com um pedido de outra análise da evidência. Aquilo estava mais para um insulto.
— Falta encontrar um sentido na morte do Lewis.
O perito franziu a testa e esperou por algo mais. Mas como não recebeu, ele tomou a palavra:
— Não são vocês, detetives, que têm de encontrá-lo? — O perito ironizou, mas logo baixou o tom — Olha, detetive. Eu e meu parceiro analisamos cada pertence do Lewis, além dos objetos no quarto e até mesmo a lixeira.
— Procurando o quê?
Se ele a conhecesse há mais tempo e fosse amigo dela diria que aquela foi uma pergunta tola, até esmo ridícula.
— Procurando evidências do assassino, detetive. — Ele retrucou mais irritado — Nós encontramos e agora a suspeita foi detida.
— Essa história ainda não acabou, existe um buraco que não explica o motivo do qual ele foi morto! — Sara não era tola de compartilhar a ideia de o advogado se encaixar em sua lista de suspeitos. Ainda havia risco.
— Detetive... Sidle. — O perito juntou as mãos ao se lembrar do sobrenome dela. Ele tentaria acabar com a conversa de vez — Infelizmente não posso ajudá-la com isso. Tenho várias outras tarefas pra concluir. Por que não tenta falar com a suspeita e conseguir alguma explicação ou reviste as evidências do caso se preferir? Caso realmente encontre uma evidência que possa comprovar sua teoria nos falamos novamente.
A morena franziu o cenho ligeiramente, mas logo se desfez. Tentou, mesmo por um mínimo de tempo, se colocar no lugar do perito. Era possível notar sinais de olheiras em seu rosto e seus cabelos lutavam para não arrepiar. Mesmo assim nada a conteve de ficar chateada com o rapaz.
Ela deixou a sala e seguiu pelo corredor do laboratório se perguntando o que fazer. Caso ela se valesse do relatório dos peritos, não havia nada na cena do crime, nem mesmo entre os pertences de Lewis algo que comprovasse o contato dele com Hilary. Uma das perguntas que rondava sua mente era: como os dois entraram em contato? As câmeras externas só capturaram o momento em que os dois estavam juntos e as internas mostraram apenas o esperado. Ela entra com Lewis e depois vai embora sozinha.
Vamos, Sara, pense!
Sara só percebeu que parou de caminhar quando um funcionário pediu licença a ela.
— Ah, desculpe. — Ela abriu um sorriso torto.
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— Ivanenko.
— Max, é a Sara.
— Oi! Conseguiu o que queria?
— Infelizmente, não. O perito não quis analisar as evidências do caso de novo sem um caminho coerente.
— O quê?!
Maksim ignorou completamente o que estava fazendo para se concentrar nela.
— O pior que ele tem razão. Não temos nada que comprove alguma ligação entre o advogado e a suspeita, apenas uma interpretação de uma chamada.
— Sinto muito, Sara. — Ele sabia o quanto ela estava motivada em voltar naquelas evidências. Só de ouvir sua voz deu para perceber o banho de água fria que ela tomou.
— É, eu também. — Ela fez uma pausa — Max, a gente tem que falar com a Hilary.
— Na primeira vez que a interrogamos ela não quis falar. Por que iria querer falar agora?
Um suspiro foi ouvido ao fundo.
— Às vezes temos de usar alguns artifícios... pressioná-la com o que temos. O que acha que o promotor pode oferecer?
— Vai depender do que nós poderemos oferecer. — O detetive virou a cadeira para o lado, tentando pensar nos próximos passos.
— Temos de falar com o promotor e tentar fazer uma visita a Hilary. Ela pode ser o nosso melhor caminho.
— Provavelmente não vamos conseguir nada hoje. É bom que seja desse jeito, assim a gente ganha um tempo para revisar tudo antes de falarmos com ela.
— Pode ser. — Vendo que não tinha escolha, acatou — Estou voltando.
— Certo. — Ele sorriu — Ah, lembrei. Nesse meio tempo acabei pedindo um ordem judicial para liberar o registro de ligações do telefone público mais próximo.
— Coragem. — Brincou a detetive — Você quer uma opinião?
— Estou aceitando.
— Se tivermos acesso ao registro do número de Hilary e das ligações, não será preciso buscar o registro dos telefones públicos.
— Claro!... Que idiota...
— Não, você não foi idiota. Nem eu estava pensando nisso até você falar dos telefones públicos.
— Um pedido de quebra de sigilo já estava em andamento, vou pedir ao promotor para fazer uma pressão e ver se a gente consegue pelo menos até o final da semana ou antes.
— Eu espero mesmo que o pedido seja atendido. O advogado dela vai pressionar e a sorte não está muito ao nosso favor. Mas estou confiante.
— Ótimo, então. Até mais.
— Até.
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Onze e trinta e três da manhã.
Poucos minutos se passaram desde o momento em que o sargento finalizou o que precisava reunir para enviar o email ao colega do departamento de trânsito. Ainda precisava conferir tudo, mas um grande passo já foi dado. Sua melhor companhia era uma xícara de café morna quase no fim. Foi um trabalho cansativo trabalhar cada passo e que valeria muito a pena se conseguisse algo que o levasse ao assassino.
Alguém bateu à porta tão rapidamente que mal deu para ouvir o som, logo ela foi aberta.
— Griss, ei!
— Catherine? — perguntou confuso enquanto ela fechava a porta tão rapidamente quanto entrou — O que está fazendo aqui?
— Uma breve escapada para checar você. — Ela brincou como sempre.
— Estou bem, na medida do possível... — O sargento olhou para o lado — E você?
— Estou bem. — A mulher se sentou na cadeira próxima — Soube da última vítima. Sinto muito.
— Por mim ou pela vítima? — Era uma péssima hora para fazer trocadilhos, mas essa ele deixou escapar, junto com um meio sorriso.
— Estou começando a ficar preocupada dessa vez. Como ele conseguiu achar aquele cara, logo ele? — Cath apontou com o polegar para trás — Não pode ter sido coincidência e você sabe disso. — Catherine era uma das poucas pessoas no departamento que sabia sobre a foto que Ryan tirou.
— Park era jornalista. Ele não vivia apenas daquela cobertura. — Grissom afastou sua cadeira para trás.
— O assassino pode ter feito o dever de casa sobre você, Gil, já parou pra pensar?
Já.
Catherine não fazia ideia sobre a existência daquele bilhete e Grissom deixaria a situação assim. Quanto menos gente soubesse daquilo, melhor, mesmo que ela fosse sua melhor amiga. Uma de suas melhores amigas.
— Ele pode ter feito isso para me intimidar, mas só me deixou mais irritado.
— Tem certeza que ele não quer levar isso para o lado pessoal, Gil?
Ele já levou.
— Talvez ele esteja com medo de que eu e Sara estamos avançando no caso.
— Será que um assassino como aquele tem medo? — Ela apontou para o quadro ao fundo com as fotos das vítimas.
Grissom observou o quadro assim como ela enquanto pensava naquelas palavras. Talvez fosse medo ou intrepidez, ele só sabia que o objetivo de provocá-lo deu certo. Grissom nunca esteve tão instigado a continuar no caso como agora.
— Se ele não sentir medo antes, logo logo vai sentir.
— Ai, ai. — Catherine sorriu e balançou a cabeça — Você é impossível.
— Obrigado. — Ele retrucou sarcasticamente.
— Cadê a sua parceira?
— Está trabalhando no caso do Lewis. — Grissom se arrastou para perto da TV onde o aparelho de DVD ainda estava ligado.
— Ainda? Achei que tinham pego a mulher que matou ele. — A detetive se levantou e caminhou para perto dele, onde aproveitou o espaço na mesa e se sentou nela para ver o conteúdo na TV.
— Pegaram, mas ainda não encontraram um motivo aparente.
— Qual a teoria da vez? Que a morte dele foi encomendada pelo assassino? — Catherine quase riu.
— Não temos nada que ligue a morte dele com Zodíaco, mas com o advogado... existe uma dúvida.
— Espera, o quê? — A mulher franziu a testa. Seu tom de voz atraiu a atenção de Grissom, que se virou para ela. Ele respondeu com um olhar meio confuso — Esse caso está... tenso demais, e olha que já encarei vários.
— Nem me diga. Eu aceitei esse caso e agora tenho de ir até o final.
— Corrigindo: você pegou esse caso para si. — Ela sorriu quando o sargento se virou para encará-la.
— Que seja. — Grissom deu de ombros e retomou o vídeo.
Passados alguns segundos desde que o vídeo estava passando, a detetive tomou a palavra novamente:
— O que foi isso aí?
— Um evento que arrecadou fundos pra caridade.
— Que meigo. Vocês acham que o assassino estava aí no meio?
Grissom fez um movimento com o pescoço e cruzou os braços.
— Estamos estudando uma linha de investigação na qual o assassino é um homem bem-sucedido. Rico, na verdade. Alguém que... pode se locomover pelo estado sem problemas e sem chamar atenção.
— Ah, um dos piores.
— Imagino que o assassino não tenha ido muito longe do local do crime em praticamente todos os casos. Ele matou Ryan e logo no dia seguinte poderia estar no evento na mesma cidade. — Grissom descruzou os braços para apontar a tela. — Tinha muita gente rica nesse evento. Não sei como a mídia não estava em peso lá.
— Tudo pelas crianças e pela privacidade.
— Hum... Tinha gente de Vegas lá. Pessoas envolvidas com cassinos... — Ao terminar de falar o sargento virou o rosto para a amiga.
— E? — Catherine deu ênfase à monossílaba.
— Você conhece alguém que é envolvido nesse mundo.
— Gil, não acredito que você-
— Catherine. — Ele se virou para ficar frente a frente com ela — Se o Sam puder nos dar alguma coisa... algum caminho... Isso vai ajudar. — Grissom mal terminava de falar quando Catherine se afastou da mesa erguendo as mãos.
— Você sabe que eu não gosto de envolver o Sam numa investigação.
— Não quero que ele se envolva, apenas que me diga algo. Não precisa ser à vista de todos, Cath. — Mesmo sentado Grissom fez um último esforço para tentar convencê-la.
Ela parou de caminhar e deu meia-volta.
— Por favor. — A voz baixa e cara quase de cachorro pidão causaram efeito nela.
— Você me paga, Grissom. — Catherine odiava quando ele fazia aquilo porque quase sempre seu coração derretia.
— Depois nos acertamos. — Ele sorriu.
Finalmente a detetive encerrou sua presença ali e fez o seu caminho para fora.
— Catherine. — O sargento a chamou quando estava prestes a abrir a porta.
— Oi.
— Obrigado.
Foi ela quem sorriu desta vez. Mesmo que achasse a ideia do amigo se envolver em outro caso de um serial killer loucura, Grissom merecia terminá-lo. Ele sofreu demais antes e o que pudesse fazer para ele se livrar do assassino o mais rápido possível ela daria um jeito.
— Tá me devendo essa, hein.
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