Manhunters

42 Justiça para todos?


Notas iniciais
E aí, galeríssima! Está no ar o primeiro capítulo de Manhunters de 2018. Além disso neste dia 3 a fic completa seu quinto mêsversário kkkkkk ENFIM! Vamos começar esse novo ano com o segmento da história e uma volta ao passado. Obrigada você que está acompanhando esta fanfic. Um grande beijo!

Tribunal de Justiça de Las Vegas. Primeiro de Novembro. 12h23min.

— Detetive Sidle, uma palavrinha aqui! — disse um dos repórteres, que apontava um microfone para Sara junto de outros. Câmeras filmadoras e fotográficas eram aos montes.

A audiência que durou umas quatro horas ao todo (contando os atrasos e outros detalhes) terminara. A última coisa que Sara gostaria no momento aconteceu: foi cercada por vários, talvez dezenas de jornalistas sedentos por alguma informação acerca do que ocorrera há pouco tempo. Quase foi cegada por tantos flashes de câmeras. Viu-se primeiramente sem saída, cercada por um bando de pessoas que estavam apenas fazendo o seu trabalho.

Ela não era do tipo que gostava de aparecer às câmeras, sempre deixava essa parte para outro policial quando podia.

— Ei, detetive, é verdade que a investigação tinha sido encerrada e agora foi reaberta? Como vocês explicam essa mudança repentina? — falou uma repórter segurando outro microfone com o selo de uma emissora bastante conhecida. Tinha um rosto jovem, era uma das que estavam mais próximas a ela.

— Detetive, por que chamaram a você, que é uma policial da Califórnia para resolver esse caso? — perguntou outro repórter apontando um celular para Sara.

— Detetive Sidle, vocês já têm uma pista sobre o assassino de Vanessa Temple? — Este era um senhor de idade. Tinha olhos afiados, parecia ser do tipo que não desistia facilmente.

Sara olhou para Carver, que estava à sua esquerda. Seu olhar já dizia que o melhor a dizer era não dizer nada.

Tomando fôlego, a detetive se voltou aos jornalistas que esperavam atentos por alguma palavra.

— Nós não temos nada a declarar sobre o caso. Estamos satisfeitos que a justiça está sendo feita e que os responsáveis serão levados a julgamento. — A morena assentiu e pediu caminho para os que estavam em sua frente.

— Detetive Sidle, onde está o sargento Grissom? Ele não era responsável pelo caso também? — Disse um repórter que estava no meio dos outros.

A morena diminuiu os passos, mas não se virou para trás. Sabia que se fizesse isso a sua linguagem corporal indicaria algum problema para a imprensa. De cabeça firme, continuou a caminhar. O promotor veio logo atrás.

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De volta à delegacia. Sara foi diretamente para a sala do capitão Brass; Carver não retornou. Ela bateu à porta e ouviu de dentro que poderia entrar.

— Oi Sidle. Não precisa falar, o Bart me contou o que houve. — Ele balançou a cabeça.

Sara engoliu em seco. Pelo tom de voz que o capitão usou parecia que as coisas não estavam indo muito bem.

— Estou satisfeito que disse apenas o necessário para os repórteres. — Assentiu — Na verdade, não precisava falar nada para aquele pessoal.

Aquelas palavras a deixaram aliviada. Achou que tomaria (mais) uma chamada.

— Obrigada. — Ela também assentiu — Não acho que a fiança de duzentos mil que o juiz estipulou para os quatro foi um bom valor. — Deu de ombros.

— Não dá pra questionar a decisão dele. Cabe a nós apenas fazer o trabalho que nos foi posto.

A mulher olhou para o lado a pensar nas horas que passou no tribunal. Os ânimos entre os quatro homens estavam terrivelmente pesados. Philip foi quem se apresentava mais hostil, principalmente a Lewis, que se mantinha praticamente calmo, quase desestressado. Sara torceu para que os policiais os mantivessem separados ou mais uma tragédia poderia ocorrer.

— É, né... o que a gente pode fazer... — Sara comentou de praxe — Ao menos a família de Vanessa está presenciando alguma justiça. — Balançou a cabeça — Tinha que ver a mãe de Vanessa lá. Estava se segurando para não chorar; e a filha de Vanessa, coitada, não entendia nada. — Ela acabou sorrindo de lado ao se lembrar do rosto da garotinha.

— Não foi de tão ruim assim, afinal. — Brass assentiu.

— É, não foi. — Disse em voz baixa — Irei voltar à sala do Grissom e continuar a revisar o caso das outras vítimas. — Sara disse após ficar quieta momentaneamente.

— Faça o que for melhor. — Brass fez um gesto com a mão, como se não ligasse muito pela escolha dela.

A detetive estava prestes a se retirar, quando cerrou o punho direito, hesitou por alguns instantes e se manifestou:

— Sobre o Grissom...

O homem ergueu uma sobrancelha.

— Não há outro jeito de diminuir essa suspensão? — Ela disfarçou — Quero dizer... ele está dando tudo de si para isso e vem se dedicando intensamente.

— E esse é o problema. — O capitão apontou para a frente — Grissom se dedica exageradamente nos casos. Já discuti e disse que isso vai acabar matando ele. — Balançou a cabeça.

A morena baixou o olhar. O pior de tudo era que ela concordava quase 100% com aquela opinião.

— Não é de agora que isso acontece.

Então ela ergueu as sobrancelhas e se voltou para ele.

— Desde que perdeu sua antiga parceira ele acha que cumpre um "dever moral" ao se dedicar exaustivamente nos casos. Sem contar que o Grissom nunca mais trabalhou com alguém depois da morte de Gribbs.

— O quê?

— É. — Assentiu — Ele não aceitava um parceiro ou parceira de jeito nenhum. E por causa dessa briguinha dele contra ele mesmo, o idiota quase morreu.

Sara ficou boquiaberta por alguns segundos.

— Eu não... sabia disso.

— Hum. — Ele fez um gesto com o pescoço — Eu posso estar errado, mas o afastamento de Grissom foi a melhor decisão que Ecklie já tomou. Sei que vocês dois estão trabalhando juntos, mas acho que será bom para ele ficar longe disso por enquanto. Além disso você pode dar conta do recado, não é?

— Eu... posso, sim. — Assentiu logo.

Eu espero.

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Sara deixou a sala do capitão, prestes a tomar seu caminho de volta para a sala do sargento. Enquanto seguia para lá seu celular, que estava dentro do paletó, começou a tocar.

— Oi, Sara. — Era ele no telefone.

— Grisom? — Surpresa, a mulher franziu o cenho. Enquanto o ouvia, ela caminhava até a sala — Por que está me ligando?

— Para saber do caso, é claro.

— Achei que estivesse suspenso. — comentou sarcasticamente.

— E estou. Mas nada me impede em querer saber sobre o andamento das coisas aí.

Ela suspirou.

— Céus!...

— Estou bem, obrigado. E você?

Sara abriu a porta da sala e depois a fechou. Aumentou um pouco a voz:

— Não acredito que você tem a cara de pau em me ligar depois do que me disse ontem!

A linha ficou em silêncio.

— Precisamos conversar. — Ele falou seriamente desta vez.

— É. Nós precisamos conversar, sim. Precisamos bastante dessa conversa. — retrucou com ênfase.

— Sim. Mas... agora não é o momento e este não é o meio apropriado para isso.

— Eu sei. — Sara respondeu impaciente — Se quiser saber sobre a audiência, o juiz estipulou duzentos mil de fiança para os quatro. — terminou, ao mudar de assunto.

— Só isso?

— Pois é. Eu não vou me surpreender se o Lewis sair ainda hoje da cadeia. — A detetive largou um suspiro — Agora o melhor que eu posso fazer é continuar a analisar os outros casos.

— Sinto muito por não estar aí com você.

— É. — Assentiu — Eu também sinto.

— O que você vai fazer agora?

A mulher ficou em silêncio. Olhou para os lados, e então deu sua resposta:

— Vou para a próxima vítima.

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Paradise, Nevada. Arredores do Cassino e Hotel Gold Coast. Três de março, 02h52min. Oito meses atrás.

Paradise era um recanto que não tinha a palavra silêncio em seu vocabulário. Era a região que não dormia, tampouco descansava. Terrível e caótico paraíso para os amantes dos prazeres, Paradise era quase uma Vegas, era sua irmã gêmea. Lá se podia encontrar de tudo, praticamente; um mundo dentro de um mundo.

Madrugada sem nuvens e com poucas estrelas; as luzes constantes das construções ofuscavam os astros celestes. No meio de um monte gente, um grupo de mulheres trabalhava pesado naquela noite/madrugada. O trabalho estava rendendo um bom dinheiro e essas mulheres voltariam para casa com um sorriso satisfeito no rosto. Chamá-las de prostitutas ou garota de programa era ofensivo, depreciativo. Elas se auto intitulavam acompanhantes de luxo, um nome digno para um trabalho tão marginalizado por autoridades e pela sociedade.

Cassidy Young, mais conhecida como Tory, terminara mais um trabalho meia-hora atrás. Faturou nele 150 dólares, sem contar com o que ganhou em outras vezes só naquela noite. Pôde considerar o dia bastante lucrativo. A mulher alta, de cabelos ruivos — uma peruca, na verdade, já que seus cabelos naturais eram pretos —, rosto fino e largo no qual uma forte maquiagem realçava seus olhos e lábios, vestia uma roupa chamativa para opiniões alheias. Minissaia preta, botas da mesma cor, meia-calça rasgada, blusa tomara que caia azul e uma jaqueta de algodão para se proteger do frio.

Ela conversava com suas colegas enquanto caminhavam pelas ruas movimentadas de Paradise, sempre a evitar um possível encontro com policiais, é claro. Se bem que muitos deles já solicitaram seus serviços; ainda assim era necessário ter cuidado.

— Acho que eu vou pra casa, tô muito cansada. — Liz, sua colega e amiga comentou.

— Mas já?! — Tory ergueu as sobrancelhas — Estou impressionada com você. Já ficou trabalhando até o sol raiar!

— Sim, e daí? — Deu de ombros — Cada um tem dias e dias. Hoje eu estou exausta.

— Hum, imagino. — A amiga debochou.

As duas riram.

— E você? Vai ficar?

Tory olhou para os lados, como se estivesse procurando por algo ou alguém. Ficou por alguns segundos avoada.

— Tory? Ei, Tory, sua louca! — Liz estalou os dedos para ela.

— Hã?

— Ah, o que você tá pensando aí que está tão distraída?

— É... eu acho que... eu vou ali.

Sua amiga lhe lançou um sorriso malicioso ao olhar para o outro lado da rua.

— Pelo visto você encontrou alguém interessado em falar com você.

— Pois é. — respondeu brincando — Eu já volto.

— Ah, pode ir. Eu vou é pra minha casa. Se eu demorar mais daqui a pouco a minha irmã aparece aqui desesperada. Pode ficar o tempo que quiser.

— Então tá. Até mais.

Tory se despediu da amiga e, em seguida, atravessou a rua. O que lhe chamou a atenção foi um homem que estava em pé e encostado a parede. Enquanto conversava com a amiga, aquele homem ficava a todo momento a observando. Não era possível enxergar muitas de suas feições, apenas que ele vestia roupas escuras (calça jeans e jaqueta preta). De alguma forma, Tory reparou que ele reparava nela. Era como se fosse uma atração química e física. Ele estava chamando por ela.

Ao seguir em direção a ele, o homem se afastou da parede e caminhou em direção oposta da mulher. Poderia ser estranho, mas de alguma forma, Tory sabia que ele estava interessado nela. A forma com que ele discretamente a observava era óbvia.

Ela o seguiu. Ele, enquanto caminhava, virou-se para a mulher. Finalmente Tory pôde se encontrar com aqueles olhos. Eram mortalmente sedutores; uma tentação maliciosamente perigosa. Mas o homem não sorria, pelo contrário, mantinha-se sério. No momento em que olhou para ela, parou de caminhar e ficou em pé à sua espera. Então a mulher continuou a caminhar vindo ao seu encontro. Àquela altura poucas pessoas transitavam por aqueles cantos. Estavam mais aglomeradas nos pontos de encontro como cassinos e bares.

— Oi... — Ela acenou quando se aproximou dele — Eu notei que você tava me reparando ali. — Apontou para o outro lado da rua — Por acaso eu... interessei você? — terminou em voz baixa?

A noite estava um pouco fria, e com a ida de sua amiga para casa, Tory decidiu que aquele seria o último trabalho.

Ele não respondeu. Ficou a encará-la como se estivesse vidrado em algo que a mulher nem mesmo sabia. Talvez fosse a aparência ou o físico, pensou ela. Cassidy ou Tory era bastante atraente e sempre fisgava o olhar tanto de homens quanto de mulheres.

O que o homem de olhar misterioso fez a surpreendeu. Ele pegou algo do bolso. O que Tory imaginou que fosse um preservativo, era, na verdade um objeto redondo que reluziu ao entrar em contato com a luz do poste a oito metros de distância atrás dele. Era um relógio de bolso. Por alguns segundos o homem observou-o, a ver a hora, é claro, e depois o guardou. Voltou-se a Tory, então. Ergueu a mão direita em direção a ela, que ergueu as sobrancelhas, surpresa.

Um detalhe no qual ela percebeu somente naquele momento, foi que ele usava luvas pretas, tipo de couro. Ao observá-lo bem, imaginou que fosse um motoqueiro à procura de uma "montaria".

Confiante, Tory deixou escapar um sorriso e caminhou em sua direção.

Suas mãos se tocaram. O homem de olhar misterioso a segurou firme e acariciou-a com o polegar. Não esperou, induziu-a a vir com ele até um beco próximo ao Gold Coast. Ele a puxou lentamente segurando-a pelas duas mãos; aproximou-a para perto de sim, mas nem tanto. O suficiente para que ele pudesse encará-la perfeitamente e sentir seu cheiro. De repente, ele a empurrou contra a parede. Tory não esperava que ele fosse dar o primeiro passo tão rápido.

O homem ficou a pouquíssimos centímetros dela. Então tomou-a pelos pulsos e os pressionou fortemente contra a parede. Ela não admitiu, mas a forte pressão a incomodou um pouco. Tory observou seus olhos e viu um homem obstinado a ir até o fim.

Ele inclinou o pescoço para bem próximo dela e falou perto de seu ouvido:

— Feche os olhos. — Ele falou pela primeira vez. Tory não pôde fingir que não gostou de ouvir aquela voz rígida e, ao mesmo tempo, suave. Não eram todos os homens que a tratavam daquele modo.

Tory o fez. Esperou por ele. Não era pessoa de agir assim, mas relevou.

O homem de olhar misterioso apreciou a visa por alguns instantes. Então elevou a mão direita e a enfiou para dentro de sua jaqueta. Retirou dela um objeto reluzente. Mas não era o relógio no qual mostrara antes, era algo totalmente diferente. O que aconteceu foi em poucos segundos. O homem que aparentava ser carinhoso e afável, de repente, pressionou o antebraço contra o pescoço de Tory, que, em pânico, abriu seus olhos rapidamente. Não obteve forças para gritar por causa da força que ele usou contra a garganta.

Um punhal foi o que ele retirou de sua mão. Assim que o fez, desferiu três golpes com toda a força que podia: um no estômago, outro no rim esquerdo e na veia jugular. Nesse último, ele manteve o punhal por alguns segundos e observou o rosto da mulher em seus últimos momentos em vida. Seus olhos estavam arregalados a encarar a própria morte, frente a frente.

A respiração do homem estava ofegante. A adrenalina corria em seu sangue, podia senti-la correr em suas veias. Sentia um terrível desejo em voltar segundos atrás e repetir o mesmo feito. E de novo. E de novo.

Num súbito movimento, ele retirou o punhal de seu pescoço e o sangue da mulher jorrou em seu corpo, até mesmo em seu rosto. O homem sanguinário fechou seus olhos para sentir o sangue escorrer por sua pele. A sensação era inescrutável, foi um prazer bizarro.

— Seu tempo acabou.

Notas finais
Então é isso! Conhecemos, então, a terceira vítima do Zodíaco, sem contar que mais do "comportamento" dele foi revelado. Pois é, pessoal, ele é bem perigoso, mas pra mim esse não é o maior problema. Vocês vão entender isso no decorrer dos episódios futuros. É bom que os nossos policiais tenham cuidado. E no próximo capítulo (que pretendo postar ainda nesta semana) haverá algo bem especial, mas não vou contar mais ou acabo soltando spoiler, haha. Perguntinha: Vocês acham que a suspensão do Grissom foi uma boa ideia? Boa ideia no sentido de que ele precisa descansar e esfriar a cabeça; ou foi uma ideia ruim, já que a Sara está sozinha para continuar no caso, mesmo que seja apenas por quinze dias? Ou uma ideia ruim porque foi mancada o Ecklie tirar o caso que o Grissom estava tão empenhado em resolver? Nos vemos no próximo cap, galeríssima! Um beijão a todos, tchau! ♥