Manhunters

54 Jantar em família


Notas iniciais
Oi galeríssima, meu amores e tudo mais. Antes de tudo deixem-me explicar a minha ausência nestes últimos dias. Peguei uma gripe forte e fiquei uns dias de cama com febre. Pois é, pessoal, infelizmente não pude adiantar muita coisa, nem comentar, nem responder comentários. Graças a Deus estou melhor, só me recuperando da tosse. Bebam muita água todo mundo! Nesse meio tempo vi que mais pessoas começaram a acompanhar a fic e eu fico super feliz. Sejam bem-vindos, pessoal, fiquem à vontade. ♥ Vamos dar continuidade aos acontecimentos, ou seja, a segunda parte desse capítulo que seria um, mas virou três. Obrigada a todos que comentaram e que continuam comentando. Um grande beijo para todos!

Os dois chegaram à casa dos Baker, em Sun City. A casa tinha uma bela fachada, dois andares, uma garagem e um jardim cercado. Os dois saíram do carro e seguiram até à porta. Visto que Sara chegou primeiro, porém, sentiu-se não muito à vontade, ele foi o responsável por tocar a campainha. Duas chamadas depois a porta foi aberta.

— Ei, olha só quem temos aqui! — Quem atendeu foi justamente a dona da casa.

— Oi, Rose. — Grissom respondeu sorrindo.

— Olá, Rose. — Sara também sorriu e acenou em seguida.

— Grissom, Sara, que bom que vieram. — Ela deixou a casa para cumprimentar os dois. Rose tocou no braço direito de Grissom e abraçou Sara, para a surpresa da detetive.

Sara arregalou os olhos e ficou sem reação. Não era do tipo que distribuía abraço para as pessoas, tampouco era pessoa de receber abraços calorosos como aquele. Mal teve tempo de reagir.

— Fico muito feliz que você tenha vindo. — Rose falou ao encará-la frente a frente.

— É... obrigada pelo convite, Rose. — Sara respondeu, ainda meio sem jeito.

Rose vestia uma calça jeans azul escura, uma camisa branca larga de manga longa e uma rasteirinha. Seus cabelos estavam soltos, diferente das vezes em que os deixava presos, como no trabalho.

— Que isso! — A mulher fez um gesto com a mão — Vamos, entrem, entrem! Aqui fora está esfriando demais. — Terminou ao entrar na casa primeiro e abrir mais a porta para que eles entrassem.

Se o exterior da casa já era convidativo, o interior, mais ainda. Ele tinha um aspecto aconchegante, formal e sereno. Numa escala de cores que variava entre o marrom e o branco, os móveis tinham a característica rústica que todo móvel de madeira apresentava. Haviam muitos porta-retratos com fotos de família, espalhados estrategicamente pela sala de estar. Olhando aquelas cenas contida nas molduras, o sorriso de Sara logo se desfez ao notar aquelas particularidades.

— Quer que eu pendure a sua jaqueta? — Grissom perguntou de repente, o que acabou mudando o foco dela.

— Hã? Não, não. Obrigada. — Ela fez um gesto com a mão. Como estava próxima a ele respondeu baixo, tanto que nem mesmo Rose os ouviu — Estou bem com ela.

— Ei, nossos ilustres convidados chegaram! — Disse um senhor de idade que estava sentado no sofá. Carregando um sorriso, ele fez questão de se levantar e cumprimentar os policiais. Ele um pouco alto para a sua idade. Tinha cabelos calvos, rosto circular, barba feita e nariz achatado. Vestia uma camisa xadrez vermelha, calça social marrom e sapatos sociais. Primeiro, apertou a mão de Sara e a envolveu em suas mãos. Depois se dirigiu a Grissom e também apertou sua mão.

— Esse velho novo aí é o meu pai. Desmond.

— Deixa que eu me apresento, Rose! — O senhor de idade retrucou de forma cômica.

— Você não se apresentou antes, achei que tinha esquecido, ué! — Ela deu de ombros e se afastou do trio.

Sara não se conteve e deixou escapar uma risada. Na mesma hora seu parceiro percebeu aquilo e a encarou sem que ela percebesse.

Rose caminhou até as escadas que se encontravam no canto inferior direito da casa. Ao pé delas gritou por dois nomes:

— Anaya, Jackson, desçam logo! As visitas chegaram! — Após isso, Rose voltou para a companhia dos três — Vamos para a sala de jantar. Os meninos já fizeram a mesa e a comida está pronta. Acabei de fazer.

— Ela é pontual quando a questão é comida, por isso quis me certificar que chegaria na hora. — Grissom se virou para Sara, que assentiu e sorriu brevemente.

Rose fez um gesto com a mão para que os policiais prosseguissem; seu pai foi logo em seguida. A mesa de jantar estava organizadamente posta e coberta com uma tela. A dona da casa retirou o tecido e o guardou.

— Estou muito feliz que você veio, Sara. — Rose disse logo após que Sara se sentou. Grissom sentou-se ao lado esquerdo dela.

— Agradeço que tenha me convidado, Rose, mesmo que a gente tenha se conhecido há pouco tempo. — Ela ergueu as sobrancelhas e riu.

— Não se preocupe com isso! Você é amiga do Gil, então já é amiga minha. — A mulher respondeu enquanto erguia as bandejas — Como você é vegetariana eu fiz questão de preparar um prato especial pra você.

— Ei, não precisava disso, Rose. — Surpresa, Sara respondeu modestamente.

— Claro que precisava, Sara! — Ela retrucou rindo, antes mesmo de abrir a panela com o prato que fez por sua causa — Espero que goste. Fiz bife de soja, e para acompanhar, risoto cremoso.

— Está com um cheiro ótimo!

— Concordo com ela. — Grissom se manifestou, chamando sua atenção. Ela se virou e ficou encarando o sargento, que sorriu ao perceber isso.

Duas pessoas chegaram à sala de jantar. Eram Jackson e Anaya, que ficaram surpresos ao notar a presença de Grissom e Sara. Jackson era o mais velho. Franzino e um pouco alto, tinha 18 anos. Seus cabelos eram crespos, o que mais lhe chamava a atenção era o seu topete black e o sorriso caloroso. Ele vestia uma camisa polo preta, e uma jaqueta do Golden State Warriors, seu time de basquete favorito.

— Ei, sargento Gil! — O jovem de dezoito anos falou sorridente. Logo foi ao encontro de Grissom. Jackson era o único que o chamava de "sargento Gil".

Quase na mesma hora os policiais se levantaram como gesto de educação. Jackson apertou a mão de Grissom e deu duas batidinhas em seu braço.

— Como você está, Jackson?

— Bem, valeu.

Em seguida, o rapaz se virou para Sara:

— O-oi, muito prazer. — disse meio envergonhado ao encarar a detetive e estender-lhe a mão.

— Muito prazer, também. — A detetive sorriu.

— Ai, Jackson, para de ficar fazendo essa cara aí de bobo. — Sua irmã revirou os olhos ao ver aquela cena.

Anaya tinha 16 anos. Era mais baixa que Jackson, da altura da mãe. Um pouco magra, de olhos castanho claros; eu rosto era triangular e seu nariz também era achatado, assim como o do irmão e da mãe. Seus cabelos profundamente cacheados estavam cheios. Ela vestia uma saia longa de cós alto

— Que cara de bobo?! — Incomodado com a situação, Jackson virou-se para Anaya e fez uma careta.

— Essa que você tem desde quando nasceu. — Anaya respondeu com uma risada.

— Parem de brigar vocês dois. Querem causar uma impressão ruim na Sara? — Rose os repreendeu.

— Ah, eu acabei me esquecendo de falar com ela. — A jovem caminhou em direção à detetive — Para de ficar babando, Jack, e me deixa falar com a Sara. — brincou.

A detetive ergueu as sobrancelhas e encarou o parceiro, que assistia à cena risonho. Anaya se aproximou de Sara e a abraçou.

— É um prazer te conhecer, detetive Sara. — Ela lhe mostrou um sorriso caloroso.

— Obrigada, o prazer é meu. — Sara assentiu.

Anaya se virou para Grissom e também o cumprimentou.

— Pronto, agora que todos já conheceram vamos comer logo antes que a comida esfrie. — Rose se comentou, enquanto terminava de abrir os recipientes.

Todos tomaram seus respectivos lugares, exceto Desmond, que já estava sentado.

— Eu conheço este cheiro. — Jackson falou animado e esfregou as duas mãos — A senhora fez a torta de mirtilo para comemorar a minha visita, não é, mãe? — Ele apontou para o forno à sua direita.

Rose franziu as sobrancelhas e balançou a cabeça.

— Ah, até parece. Fiz a torta por causa dos nossos convidados aqui! — A mulher retrucou ao se sentar.

Aquele comentário causou o riso de quase todo mundo. Grissom apenas sorriu e balançou a cabeça.

— Pois bem, agora que estamos reunidos já podemos nos preparar. Jackson, você faz a oração.

Surpreso, o jovem logo se manifestou:

— Ué, logo eu?

— Claro! É você quem não tem estado aqui nesses dias. Vamos matar a saudade. — Seu avô respondeu com um largo sorriso.

Vendo que não tinha escolha, o jovem ergueu as mãos para o lado. Desmond e Anaya deram as mãos a ele, enquanto Rose deu as mãos ao pai e a Grissom. Faltavam apenas a detetive e o sargento. A filha de Rose olhou para ela e estendeu sua mão. Logo a detetive segurou-a para não ficar mal depois. Restava apenas Grissom. Quando ela se virou para o parceiro foi pega de surpresa, já que ele já esperava por ela a observá-la. Ambos olharam para suas mãos quase na mesma hora. Uma última troca de olhares foi feita antes de, finalmente, darem as mãos. Foi Grissom quem segurou a mão dela.

Os dois não tinham o costume de fazer aquilo, poderiam então deixar de lado e apenas ficar em silêncio como respeito. Mas fizeram questão de fazer como os anfitriões. Fecharam seus olhos em seguida.

— Senhor Deus, obrigado pela reunião que o Senhor permitiu realizar. Obrigado, também, pela comida que está na mesa. Em especial, obrigado pela presença do Gilbert e da Sara. Que o Senhor possa abençoar todos que estão aqui. Amém.

— Amém. — Os outros disseram em uníssono. Exceto por Sara e Grissom, que permaneceram em silêncio.

Ao final da oração, todos abriram seus olhos e separam suas mãos um do outro. Naquele momento, o sargento e a detetive se entreolharam por breves segundos e abaixaram suas mãos... juntos. Só depois se separaram completamente. Para disfarçar, os dois viraram o rosto de lado e tomaram sua atenção à mesa.

— Ótimo! Agora podemos nos servir. Eu já faço muito isso no meu restaurante, então se virem vocês. — Rose não perdeu a oportunidade e brincou. Foi a primeira a se servir.

Os outros fizeram o mesmo logo depois. Sara deixou a timidez de lado e também se serviu. O jantar tinha frango assado com purê de batatas e molho especial, sem contar com o prato alternativo que Rose preparou em consideração à detetive. Para beber, suco de maçã e um vinho leve para os adultos.

— Sabe, é muito bom ter a companhia de dois irmãos de armas. — Desmond apontou para Grissom e Sara.

— Ah é? — Impressionada, ela encarou o senhor de idade.

— Ele é veterano de guerra. — Rose falou e depois comeu uma porção do purê.

— De novo, Rose? Eu ia falar isso em seguida! — Desmond franziu a sobrancelha e fez uma careta para a filha.

— O que eu posso fazer, pai? Achei que você tinha se esquecido. — Zombou. Os outros riram com a cômica situação entre pai e filha. Rose nunca perdia a chance de brincar com o pai.

Após quase dois minutos de silêncio total na mesa, Jackson disfarçou e olhou para Sara, que comia um pouco retraída e mantinha-se mais concentrada em seu prato. Vendo isto, o jovem aproveitou a oportunidade e tomou a palavra:

— Então, detetive Sara...

Surpresa, ela ergueu seus olhos a ele. Até mesmo Grissom ficou surpreso.

— Diga. — Ela respondeu.

— Como, é... você... Quero dizer — Jackson balançou a cabeça. Estava nitidamente nervoso — Quando surgiu o desejo de entrar para a polícia?

Sara o encarou por alguns segundos. Reparou logo no brilho dos olhos daquele jovem, que esperava quase ansiosamente por uma resposta. Sem querer acabou se lembrando numa pergunta semelhante que fez para um detetive numa conferência em São Francisco. Não sabia se ele recordava daquilo, mas ela se lembrava de cada palavra.

— Bem... — A detetive sorriu. Ela repousou o garfo no prato, porém, ainda o segurava — Acho que... isso veio quando... eu ainda era jovem. — Fez um gesto com o pescoço — Eu tinha uns... 15 anos, por aí... — Grissom, que olhava para ela, observou a leve mudança no tom de sua voz — Senti o desejo de entrar para a polícia para resolver crimes. Naquela época havia muita violência, sabe — Ela fez um gesto com a mão.

— É disso que eu gosto. De gente que tem a vontade de servir e proteger. — Desmond apontou para Sara.

A mulher sorriu.

— Motivos pessoais me impulsionaram a seguir na carreira policial. — A mulher assentiu — Mas o meu grande objetivo é entrar para o FBI.

— Uh, FBI. — Impressionada, Anaya comentou com um largo sorriso.

— Gostei de você, Sara. — Desmond falou, enquanto terminava de comer um pedaço do frango — Você pensa alto. — Novamente o senhor de idade apontou o dedo para ela.

— Obrigada. Estou me esforçando ao máximo pra conseguir.

Grissom olhou-a de lado ao perceber que mais uma vez sua parceira diminuiu o tom de voz.

— Vocês disseram que já se conheciam antes, não é, Gil? — Rose perguntou ao tomar um gole do suco de maçã.

— Sim, sim. — O sargento assentiu — Eu e Sara nos... conhecemos há uns oito anos. — respondeu, sem manter o foco em Rose. Eu era um dos palestrantes do dia, e... — Um pouco nervoso, ele acabou hesitando e pausando-se sem querer — Nos encontramos.

Estou impressionada que você não citou o nosso "encontro" de olhares, pensou Sara, quase deixando escapar um sorriso.

— Ele estava meio nervoso no começo, mas depois conduziu bem a palestra. — A detetive brincou.

— Gilbert Grissom nervoso? Ah, eu queria ter visto. — Da mesma forma que Sara, Rose também comentou.

— Não... — Sara fez uma careta e balançou a cabeça — Ele foi ótimo. — Sorriu — Nem dava para perceber.

— Você está sendo modesta. — O sargento falou, e depois deu uma garfada em seu purê — Eu estava nervoso, sim, mas... depois fiquei mais calmo. — Por pouco ele não virou o rosto para lhe falar diretamente. Fazer aquilo poderia criar um clima que não existia entre os dois para os ouvintes naquela mesa.

É claro que nenhum dos dois falaria sobre aquele encontro de olhares do qual não conseguiam explicar o que era, mas que estava interligado com o momento de outrora. Então omitiram aquela informação.

— Então, Jackson, você tá na faculdade, é? Está cursando o quê?

O jovem arqueou as sobrancelhas e engoliu em seco.

— Ah, caramba eu nem falei isso, desculpe. — Ele coçou a nuca — Eu faço Engenharia Industrial em Stanford, na Califórnia.

— Ei, parabéns! — Contente, ela fez questão de enfatizar o elogio — Está gostando de lá?

— Estou sim.

— Esse garoto aí praticamente trocou a vida social pelos livros. Hoje ele ganhou uma bolsa e está fazendo bonito lá na Califórnia. — Rose o elogiou — Anaya é a próxima da lista. Está se preparando para entrar na universidade também.

— O que a senhora falou antes é verdade, o Jackson é uma traça de livros. — Anaya completou a mãe.

— Vou considerar isso como um elogio.

Novamente os que estavam reunidos à mesa começaram a rir. Grissom riu brevemente, o que chamou a atenção de Sara, a única que não chegou a rir totalmente, apenas sorriu.

Passado o momento cômico o silêncio reinou mais uma vez naquela mesa. Ninguém se arriscava a começar um assunto por simples vergonha. A presença de um rosto novo na casa deixou a família um pouco tímida, até mesmo Rose, que não se arriscava muito. Foi então que Anaya, uma das poucas que não iniciou a conversa, perguntou:

— Então, Sara, você... está namorando?

A detetive arregalou seus olhos. Grissom, que não estava prestando muita atenção repousou ligeiramente o garfo no prato e assistiu àquela cena.

— Anaya! — Na mesma hora sua mãe lhe repreendeu — Isso é pergunta que se faça?

— Mas-

— Mas nada! Ela está nos visitando pela primeira vez e você me vem com essa? — Um pouco nervosa, ela aumentou seu timbre de voz.

— Tinha que ser ela, não é? — Jackson zombou da irmã.

— Ah, até parece que você não estava pensando na mesma pergunta, Jackson. — retrucou sorrindo — Só que você estava com vergonha demais pra perguntar.

— Quem disse isso?!

— Você mesmo já se mostra. — Anaya deu de ombros.

— Não ligue pra isso, Sara. Tem horas que os meninos exageram um pouco. — Rose comentou visando diretamente seus filhos de olhos arregalados.

— É... não se preocupe, Rose. — Sara balançou a cabeça e gesticulou com a mão — Na verdade eu... estava namorando, sim.

Grissom a olhou de lado, desta vez moveu se pescoço ligeiramente para o lado dela. Então desviou seu olhar rapidamente.

— Só que aí... não deu certo. — Sua voz aparentava estar um pouco abatida. Ela olhou para seu prato quase vazio e depois se dirigiu à Anaya.

— Ah... sinto muito, Sara.

— Não se preocupe com isso, Anaya.

Foi uma surpresa para ele. Nunca imaginaria que sua parceira tivesse um namorado e terminou o relacionamento por um provável motivo ruim. Quando a ouviu falar daquele jeito, fez todo o possível para apagar aqueles pensamentos de sua mente. De certa forma, só se sentiu mal ao saber que ela ficou mal ao término do relacionamento e se sentiu bem ao saber que ela não estava mais em um relacionamento.

— Azar o dele. — Jackson comentou enquanto pegava o copo de suco.

— Jackson!

A repreensão da mãe fez o sargento acordar para a realidade.

— O que foi, mãe? Eu só disse que o azar é do cara. — O jovem fez uma careta.

Grissom permaneceu em silêncio, mas concordava com o comentário de Jackson veemente.

— Vamos fingir que essa conversa não aconteceu, está bem, Jackson e Anaya? — Por mais engraçado que soou, Rose foi dura com os filhos.

Naturalmente o assunto foi trocado. O restante da conversa foi regado de comentários acerca da vida pessoal de quase todos, exceto por Grissom e raramente por Sara. Para aproveitar o momento do término do jantar e da descontração, Rose serviu à mesa um pedaço generoso de sua famosa torta de mirtilo. Era o que faltava para terminar o tempo na sala de jantar.

— É por isso que eu digo que a minha mãe faz a melhor torta do mundo. — Jackson comentou ao comer a segunda garfada.

— Pare de tentar me comprar. Você só está falando isso pra ganhar outro pedaço. — Sua mãe respondeu brincando — Mas eu agradeço o elogio. — Sorriu e após alguns segundos, continuou — Vai, pode pegar outro pedaço.

— Obrigado! — Contente, o jovem não esperou mais e logo cortou outro pedaço.

— Você é fã do Warriors, né? — Sara, ao reparar no escudo do time em seu casaco, apontou para ele.

— Ah, não, não pergunte isso! — Anaya ergueu as mãos. O semblante era de alguém desesperado.

— É o meu time do coração! — Empolgado, Jackson abriu um largo sorriso.

— Tarde demais... — Sua irmã balançou a cabeça e a abaixou.

— Não tive muitas oportunidades de assistir ao jogo no estádio, mas não perco um jogo deles. O Warriors é-

— Ele é fanático pelos Warriors, quando pode o Jackson fica horas e horas falando deles e blá, blá, blá. — Ela apontou com o polegar para ele — Ele até tentou entrar para o time de basquete lá da universidade.

— Ah é? — Sara arqueou as sobrancelhas.

— Pois é — Jackson deu de ombros — Quando não consegui entrar foi então que descobri que a minha área era somente a matemática.

— Hum. — Assentiu — Você disse que joga basquete, não é?

— Ah... — O jovem fez uma careta — um pouco, só.

— Topa jogar um mano a mano comigo?

Rose, que estava comendo o pedaço da torta quase se engasgou ao rir. Ela se inclinou para a frente e olhou para a detetive. Todos na sala olharam surpresos para ela, inclusive Grissom. Ou melhor, principalmente ele.

— Essa eu quero ver! — Rose limpou a boca com um guardanapo.

Grissom franziu o cenho e lhe dirigiu um olhar confuso.

— Você joga basquete, Sara? — Anaya perguntou impressionada.

— Ah, eu... aprendi alguns movimentos quando era jovem. — Sorrindo e de olhos fechados, ela deu de ombros — Mas então, você aceita, Jackson?

Após a primeira tentativa de Sara, a reação de Jackson foi a de choque. Até a segunda pergunta, ele ficou boquiaberto.

— Em boca fechada não entra mosca, Jack. — Sua irmã revirou os olhos.

— Hã... cl-claro que eu a-aceito. — respondeu hesitando.

— Ótimo! Vamos fazer isso valer. Quem ganhar fica com o último pedaço da torta. Mas antes disso, vamos dar um tempo para descansar. Eu não quero que ninguém coloque a comida pra fora antes da hora.

— Ai, Rose, às vezes acho que vocês três são irmãos. — Desmond levou a mão à testa, balançou a cabeça e começou a rir.

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Após uns momentos de conversa e descontração, todos estavam fora da casa, na parte dos fundos ligada à cozinha; exceto por Desmond, que se despediu de todos para descansar. Para a sorte dos dois jogadores a noite não estava muito fria como se esperava; o sangue, em breve, ferveria com o jogo. Jackson trouxe a bola de seu quarto, retirou a jaqueta do Warriors e deixou-a na sala. Sara também achou melhor retirar sua jaqueta para se movimentar melhor; mas antes que voltasse para lá, Grissom, que ficou perto da porta, estendeu sua mão e a encarou nos olhos.

— Deixe que eu seguro para você. — disse em voz baixa.

Sara torceu para que ninguém, especialmente ele, não percebesse o calafrio que passou por sua pele ao ouvi-lo falar.

— Tá bom. — Ela foi firme em sua voz — Obrigada, senhor cavalheiro. — Fez uma careta sorridente, e então correu para o "garrafão".

Contagem regressiva do celular acionado: cinco minutos. Anaya veio correndo até o local e trouxe consigo uma pequena filmadora. Ela não perderia a oportunidade em registrar aquele momento e caso o irmão perdesse, iria lembrá-lo pelo resto da vida.

— Ok, como você é a visita, pode começar a jogada. — Jackson quicou a bola no chão algumas vezes e depois jogou para Sara, pondo-se em frente ao aro.

— Sério? Sério mesmo que quer fazer isso? — A detetive ergueu as mãos. Estava animada para aquela partida.

— Vamos lá, Sara! Não facilite pra ele! — Rose, que veio da cozinha gritou para ela, que se virou rapidamente e acenou.

— É isso aí, Sara, acaba com ele! — A irmã zombou.

Sara tentou os primeiros movimentos. Ela quicou a bola no chão e observou atentamente a linguagem corporal do adversário.

Rose se afastou um pouco de Anaya para falar com o sargento. Ele, que estava atento à partida, mal percebeu a chegada de sua amiga.

— Você nunca me falou dela.

Grissom, que não prestou atenção no primeiro momento, só se deu conta de que ela falava com ele alguns segundos depois.

— Não foi por mal. Eu sofri um... acidente há alguns anos num caso e acabei me esquecendo de certas coisas... Sara foi uma delas. — Ele respondeu, pressionando involuntariamente a jaqueta dela em suas mãos. Seus olhos estavam fixos no jogo.

— Nossa. — Rose tocou em seu braço — Deve ter sido difícil pra vocês.

— Nem imagina. — O sargento respondeu após um suspiro. Ele baixou um pouco a cabeça e depois voltou a acompanhar o jogo.

— Estou gostando dela. Ela tem algo que... uma coisa boa, sabe?

Sara partiu ao encontro de Jackson. Ela usou seu corpo para proteger a bola, esperou o momento certo, driblou-o e lançou a bola na cesta. Dois pontos.

— Sara não está de brincadeira, não, Jackson! — Rose levou a mão próxima a boca e gritou.

O jovem foi o próximo. Impressionado com a jogada anterior, atentou-se a ela e movimentou-se por todo espaço que podia. Sara não perdia um movimento sequer e o cercava constantemente.

— Rose. — Grissom chamou por ela.

— Diga.

Ele se virou para a amiga.

— Por quanto tempo o Jackson vai ficar aqui?

A mulher fez uma careta. Confusa, logo respondeu:

— Até sexta. Ele vai embora no sábado pela manhã.

O sargento assentiu.

— Quero que vocês tomem cuidado nessa semana. Muito cuidado. — Grissom virou seu rosto para que pudesse observá-la.

— Não tô gostando dessa cara.

Após enfrentar uma forte marcação de Sara, Jackson arriscou de fora e arrancou três pontos.

— Isso! — O jovem ergueu o punho com gosto.

— Estou falando sério. Evitem saírem à noite e sempre que possível andem com mais alguém na rua. — O sargento voltou a assistir ao jogo — Seu pai ainda carrega aquela arma?

— Infelizmente, sim. — A mulher cruzou os braços.

— Sei que não gosta disso, mas será bom caso seja necessário.

Ela fez uma careta.

O jogo estava acirrado, mas com poucos pontos. Dois minutos se passaram e o placar continuava o mesmo 9 a 8 para Jackson, que acertou uma linda bola de três no começo. Nesse meio tempo ambos estudavam um ao outro.

— Eu tenho que admitir, você é muito boa. — Comentou o jovem, que logo ficou envergonhado — Quero dizer, no jogo, é claro! — Apontou para Sara quicava a bola.

— Ah! Obrigada! — Ela riu — Você também.

O jogo foi intenso para duas pessoas que mal jogavam basquete direito. Quinze segundos para o jogo acabar, alertou Rose. O placar estava 13 x 12 para Jackson. Quem tinha a posse de bola era Sara.

— Tá quase acabando o tempo, Sara. — Jackson riu propositalmente.

— Hum. — A morena lhe lançou um sorriso desafiador.

Ela precisava se concentrar. Se errasse o alvo ou deixasse que Jason tomasse a bola, seria o fim. De repente, Sara olhou para o lado, justamente na direção de onde Grissom se encontrava. O sargento percebeu que a detetive procurava por ele. Instintivamente ele abriu um meio sorriso e assentiu para ela.

Sara não se conteve. O sorriso se formou em seu rosto como antigamente. Ela se voltou para o adversário, olhando-o fixo. Mordeu o lábio inferior e partiu em direção a ele. Jackson, ávido para marcá-la, cercou-a intensamente. Seria difícil para ela tentar uma enterrada ou fazer um lançamento curto.

Sara não viu, mas faltavam apenas cinco segundos para o cronômetro zerar. Vendo que não tinha chances de tentar uma cesta normal, instintivamente arriscou uma bola de três.

Todos olharam aquele lançamento que pareceu correr em câmera lenta. Sara ficou imóvel e observou a bola fazer o seu trajeto... diretamente no aro. Três pontos. Fim de jogo, 15 a 13 para Sara.

— Fim de jogo! — Gritou Rose.

— Ah! — A detetive ergueu as mãos para o alto. Nem ela mesma acreditou que a sua única bola de três cairia na cesta.

— Caramba! — De olhos arregalados, o jovem se virou para ela.

Sara caminhou em sua direção e os dois apertaram as mãos num gesto cordial.

— Acho que não estou enferrujada quanto pensava. — comentou para si mesma.

— É isso aí, a Sara arrebentou! — gritou Anaya.

— Você foi... ótima! — Jackson a elogiou — Se meu pai estivesse aqui com certeza ele iria te chamar pra jogar num time.

O semblante dela mudou ligeiramente. O largo sorriso que Sara mostrava antes, de repente, foi diminuindo aos poucos. Foi só o garoto citar aquela palavra que um gatilho disparou em sua mente.

Anaya e Rose foram em direção ao dois para conversarem sobre o jogo. A jovem não perdeu a oportunidade para tirar sarro com o irmão mais velho, mostrando-lhe alguns lances da partida. Grissom ficou onde estava. Visou a parceira, que pareceu um pouco distante dos familiares, ainda que estes a cumprimentassem pela vitória.

Sara pegou a bola do chão, entregou-a a Jackson e apertou sua mão novamente. Disfarçou alguns sorrisos, esperou que os três entrassem para que fosse também. Ao se aproximar de Grissom — que mesmo percebendo uma leve mudança de comportamento não se manifestou —, a morena agradeceu o favor e entrou na casa em seguida. O sargento ficou parado por alguns segundos, observando-a seguir seu caminho. Não podia fazer nada.

Notas finais
Como dito antes esse jantar não iria correr, mas quase de última hora eu o coloquei de volta, e claro, não me arrependo nem um pouco. Foi ótimo escrever essas cenas sobre a interação da família da Rose, ou a família Baker. A Sara já conquistou o coração de todo mundo sem o mínimo de esforço (como não amar a Sara, não é mesmo?) O momento do jantar foi também o momento em que o Grissom descobriu que a Sara namorava alguém e com certeza ficou surpreso com isso. Ainda tem muita coisa que ele não sabe sobre ela. Aos poucos ele percebe que o intervalo de tempo que os dois ficaram separados criou uma barreira entre os dois. O que resta para ambos é tentar (re)construir a amizade que foi interrompida. No próximo cap teremos a última parte dessa "trilogia", galera. Brigadão a todos que estão lendo; tentarei colocar as coisas em dia aqui no site, haha, beijos e até o próximo cap! ♥