Notas iniciais
VOLTEI!!!!!!!!!!!!!!!! E depois de desaparecer sem explicações, retornei de Wakanda para contar uma história pra vocês. Na verdade eu iria lançar o novo capítulo semana passada, porém, fui revisar o seguimento que eu estava dando para a fic e acabei não gostando do resultado final. Então (re)editei os capítulos 89 a 92 (até agora) e isso não foi um trabalho fácil, praticamente remontei o caminho que estava fazendo. Apesar de tudo não foi uma mudança radical no que diz sobre as consequências futuras, mas agora está mais coerente e apresentável do que estava antes. Eu realmente peço desculpas por ter sumido, mas deixo um capítulo com um título polêmico e uma capa nova como um mimo pra vocês (rsrsrsrs). Eu vou admitir que por pouco não descartei essa capa e ela acabou virando um xodó haha. Espero que tenham gostado. Saibam que não abandonei a fic e vamos seguindo com Manhunters até o fim. Obrigada a todos pela paciência e boa leitura!

Sábado, 19.

Um dos eventos mais "esperados” da semana, o funeral de Ryan Park, foi "adiado" para sábado devido a um problema que tiveram com a administração do cemitério.

Diferente dos dias anteriores esse estava quente. Começo da tarde, foi difícil para as pessoas no funeral suportarem a temperatura abafada e a falta de nuvens para bloquear os raios solares, somadas às roupas escuras que vestiam para a ocasião. Eram obrigadas a se abanarem ou usar quaisquer objetos planos para cobrirem suas cabeças.

Por mais que a morte do jornalista tenha sido um caso de comoção grande na mídia, foi uma surpresa que não houve uma presença massiva de pessoas no cemitério Woodlawn. Houve, claro, o comparecimento de muitas pessoas, dentre elas profissionais da imprensa que vieram com o foco em prestar as últimas condolências em vez de fazer o trabalho de cobertura como outros o faziam. Ainda assim, matar um jornalista era mexer num vespeiro e quem levava a primeira ferroada era a polícia. Esta última fazia o de sempre, seguir o protocolo de lançar poucas informações ao público a fim de que o caso corra sem complicações.

Na multidão se via muita gente com roupas escuras, algumas com guarda-chuvas, outras até com chapéus; e a maioria com óculos. Óculos. Muitos deles para protegê-los do sol, óculos escondendo olhos vermelhos de lágrimas, olhares pesados e olhares, quem sabe, sorridentes. Não dava para saber quem realmente estava triste pela morte dele, cada mente era um cofre guardado a sete chaves.

Sara estava lá naquele meio; não muito próxima, porém não muito longe. À frente estavam os poucos familiares de Park e amigos próximos, como o editor do Globe. Já ela estava pelo intermediário, afastando-se o máximo possível do centro, mas se misturando no meio com roupas escuras e os famigerados óculos.

A detetive evitava encarar quem estava próximo dela, não apenas porque era uma policial no meio de civis, como era uma policial no meio de civis e jornalistas que já surgiu nas câmeras para falar sobre outro caso. Aparecer novamente e nesta ocasião seria um problema.

Mas ela não estava ali somente para acompanhar o enterro. Também apareceu por lá para ficar de alerta em pessoas suspeitas. Uma ironia para falar a verdade encontrar suspeitos no meio de tantas pessoas, mas foi que quis. Sozinha, percorria em silêncio por alguns trechos do caminho no cemitério sem chamar muita atenção, evitando contato direto com outras pessoas e pedindo licença discretamente. Claro que a presença de Grissom lhe fazia falta, mas achou melhor assim; ao contrário dela, o sargento já era uma figura conhecida entre alguns.

Algo que chamou sua atenção foram cinegrafistas filmando o funeral bem de longe, talvez por respeito aos presentes, já incomodados com aquilo. Ela contou uns três e só. Fotógrafos estavam espalhados e logo os perdia de vista, eles foram os que se aproximaram mais dos familiares e do caixão.

Um pouco depois do sermão do padre, nos últimos momentos antes do enterro, Sara atentou não somente à cena como as pessoas em volta.

Outra pessoa estava no funeral para assistir à cerimônia. Para prestar respeito à vítima ou condolências aos próximos? Talvez não. Estava vestido com um sobretudo leve escuro, roupas sociais, óculos escuros discretos. Afinal, discrição era a sua palavra do dia, ainda que sua presença fosse dificilmente notada por alguém que o conhecesse. Praticamente mais um parecido com tantos outros.

Meio longe da detetive lá estava ele. A verdade era que estava a procura dela e mais alguém, mas como apenas a encontrou ficou satisfeito, não tanto quanto esperava, porém o suficiente já que a encontrou no meio de muitos. Procurou pelo parceiro, mas como não o viu próximo a ela imaginou que estava sozinha, afinal, eles têm andado juntos quase sempre com o sargento agindo como um cãozinho de guarda.

Ignorando os versículos lidos pelo clérigo ou qualquer outro detalhe incomum, ele atentava somente para a detetive. Era quase uma sombra de tanto cuidado que tomava para evitar ser visto por ela ou pela lente das câmeras. Assim como Sara, o homem também evitava trocar palavras ou olhares com alguém e persistia em ser discreto, como se nem estivesse ali. Ele deduziu que a mulher também fugia das atenções.

Com um olhar sóbrio o homem se aproximou dela o quanto pôde, a uma distância segura. Mantinha-se calado e sério em meio a uma confusão de vozes, assim como ela se mantinha. Não tinha ideia de que era observada, mesmo rodeada por tanta gente.

Sara resolveu não ficar até o final do enterro. O que viria pela frente seria um burbúrio e nada de aproveitável viria daquilo. Entrevistas e se possível chamadas ao vivo. Quanto mais longe disso tudo, melhor. Ela deu meia-volta e pediu licença aos que se encontravam no caminho. Até ficou surpresa com quantidade de pessoas próximas aglomeradas com o passar dos minutos. Sair de todo aquele meio causou-lhe uma sensação de liberdade. Foi uma boa escolha sair dali antes da situação piorar para seu lado. Bom, também, para Grissom; seria uma perda de tempo para ele e um risco estar ali também.

Como fez no começo, a detetive tomaria o caminho para a saída passando pelo túmulo de Gribbs. Aproveitaria, quem sabe, para prestar-lhe homenagens outra vez. E assim foi. Não obteve informações de relevância para o caso, apenas lamentos e reinvindicações, o que já era de se esperar. Mas de uma coisa ela aprendeu naquele funeral: como uma policial, estava próxima a entrar na lista negra da imprensa.

Meio perdida em seus pensamentos planejando o que faria adiante não percebeu que, no meio de suas andanças, viu ao longe um homem que chamou sua atenção. Não porque era, provavelmente, o único a passar pelo mesmo trecho (além dela), mas sim porque ele parou justo em frente ao túmulo de Holly. Claro, parentes ou amigos poderiam passar ali para uma homenagem, porém aquilo a estava incomodando bastante.

Ela apertou o passo ao seu encontro, mas era tarde; o homem já estava longe. Mal chegou a vê-lo de perfil, de costas e envolto pela roupa escura qualquer tipo de reconhecimento foi anulado. Então acabou diminuindo os passos e se aproximou da lápide. Sara não encontrou mais as astromélias deixadas por ela e Grissom, apenas uma rosa branca recente. Não era falsa e pareceu ter sido colhida há muito pouco tempo. Talvez um presente deixado pelo homem, ou por alguém que veio antes.

Fitando a rosa na maior parte do tempo ela não percebeu que havia um pequeno pedaço de papel preso a ela com fita adesiva. Seria errado ler o conteúdo daquele bilhete? Entre o dilema e o fato de que o bilhete parecia não ter nada escrito a detetive pegou os dois objetos e focou no papel. Confusa, de início achou que fosse um bilhete em branco, mas quando tocou na superfície dele sentiu o relevo organizado em pontos formando uma cadeia horizontal. Não bastou muito tempo para que a detetive identificasse aquilo.

— Braille...? — Com os olhos arregalados ela se virou para o caminho que o homem — Zodíaco!

O coração disparou. Na urgência ela guardou a rosa e dentro do bolso interno da jaqueta e saiu em disparada na direção que viu o homem passar. Sem ao menos sacar a arma para evitar atenção ela correu como se sua vida dependesse disso. Nem esperou para pensar no que fazer ou tomar um veredito, ela tinha de alcançá-lo.

É ele.

Era ele, sem dúvidas era. Ninguém mais faria isso, mandar uma mensagem em braille logo no túmulo de alguém conhecido de Grissom e, por “coincidência” no dia do enterro de Park, que a propósito Sara estava presente.

— Viram um homem com sobretudo passar aqui?! — Ela quase berrou ao casal de jovens próximos a um mausoléu. Estava desesperada, parecia uma situação de vida e morte. De certa forma.

Assustado o casal mal conseguiu responder. Os dois apenas fizeram um gesto em negativa o que a deixou irritada demais.

— Merda! — exclamou sem se preocupar com quem estava por perto. Ela ergueu os braços e olhou devastada para o "cruzamento" do qual se encontrava.

— O que houve, moça? — Um senhor de idade se manifestou ao ver a expressão aflita no rosto dela.

— Tô procurando um homem. — respondeu sem dar atenção a ele.

Antes que o senhor de idade pudesse falar de novo a detetive saiu apressada para o caminho que decidiu tomar. Ela tinha tudo a perder e nada a perder ao mesmo tempo, era se jogar no abismo.

Correu, talvez como nunca tivesse corrido antes ou como quando correu com o braço atingido naquele tiroteio em busca do criminoso. Chegou a tirar os óculos para que nada atrapalhasse sua visão, já era difícil identificar o suspeito com tantas pessoas vestindo trajes escuros. O tempo estava acabando e ela sentiu que desperdiçara muito parada em frente à lápide.

Enfim, ela chegou à saída. Para sua infelicidade havia um fluxo mediano de pessoas por ali o que atrapalharia sua busca. Não tinha outras alternativas senão sair passando e pedir licença depois enquanto procurava por alguém do qual mal conhecia o rosto; tudo isso sem tempo de paradas. Quando chegou ao estacionamento aberto olhou para os quatro cantos na tentativa de achar aquele homem no meio de tantos. A adrenalina estava a mil, parecia estar numa floresta em busca da presa ou fugindo dela. Ao percorrer seu olhar no meio daquelas pessoas e cantos o mundo parecia correr em câmera lenta e os rostos pareciam borrões, não havia foco e seu poder de raciocínio estava abalado.

No desespero passou por todos aqueles carros enfileirados que pareciam não ter fim. Cores e tamanhos diferentes, vazios e às vezes cercados por gente; mas nenhum dos homens pareceu bater batia com a descrição do homem que vira a pouco. O receio maior era de ter passado por ele, mas o negligenciado pela rapidez com a qual verificava cada um. Quem sabe não passou por ele, afinal o “viu” apenas de costas.

Sara decidiu voltar para dentro do cemitério, temendo que o homem tentasse misturar a outros aglomerados de pessoas vestindo roupas escuras. Olhava para todos os lados naquele labirinto de pedra. O tempo passava e suas esperanças diminuíam cada vez mais. Quase em desespero Sara perguntava a alguns sobre o paradeiro do homem, que sumiu sem deixar rastros. Procurá-lo no meio de tantos parecidos e num lugar tão grande como aquele era uma tarefa impossível. Meia-hora se passou. Fim da busca?

— Merda... Eu não acredito nisso. — Ela balançou a cabeça e exclamou — Merda!

A angústia tomou conta de si, que chegou a lhe causar enjoo. Foi algo devastador, como se algo tivesse devorando seu corpo de dentro para fora sem que ninguém pudesse ver. Era a oportunidade de ouro, Sara estava muito perto dele e o deixou escapar.

Quase no modo automático a mulher pegou o celular e ligou para o número salvo.

Oi, Sara.

Sem resposta. O silêncio durou ao menos cinco segundos.

Sara?

— Gilbert. — Ela umedeceu os lábios, que tremiam sem parar e quase a impediram de continuar. Acabou sussurrando — Eu... vi Zodíaco.

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Sara nem voltou ao apartamento. Após a ligação feita ao sargento os dois acabaram indo juntos para a polícia depois de muita insistência dele. Ela não queria que Grissom deixasse o repouso para isso, ainda mais sob um possível efeito colateral dos remédios; ela o queria em casa, descansando e longe daquela confusão. O encontro, ainda no cemitério, foi marcado por uma mistura de apreensão e melancolia. Ele não sabia o que dizer e tampouco ela. Sara chegou com a pior expressão do mundo, na verdade, não queria nem conversar, mas se não o fizesse pouco iria adiantar o silêncio.

— Calma, Sara. Isso não é o fim do mundo! — alentou o sargento, mesmo que sua mente estivesse tão perturbada quanto a dela ao saber da notícia. Aflito pela ligação, o sargento trocou de roupas o mais rápido que pôde, vestindo uma camisa preta de meia manga com botões, uma calça jeans escuras e sapatos pretos.

— Claro que é! Olha a oportunidade que eu deixei escapar, QUE DROGA! Ele tava perto de mim... Ele...

— Já enviei um alerta para os oficiais aqui da região. — Grissom persistiu em tentar acalmá-la.

— O que adianta, Gil?! Eles vão procurar por quem? — rebateu desesperançosa — Por um cara que se parece com a maioria dos outros lá do cemitério?

Sara se mostrava redutível mesmo com as várias tentativas dele em confortá-la, que começaram desde a ligação. Nada tirava a sensação dela que perdeu uma das maiores oportunidades em sua carreira. Em vão, Sara ainda tentou perseguir o homem pelo cemitério por mais alguns minutos, mas o perdeu de vista como um fenômeno sobrenatural.

— Não dá pra acreditar nisso, Gil!

— Querida. — Tentou chamá-la, porém ela não deu bola. Ele não pôde ficar olhando para ela por muito tempo porque agora estava no volante.

Ela ficou negando por várias vezes enquanto observava o porta-luvas, lugar onde deixaram a rosa com o bilhete envoltos num recipiente de papel.

— Eu não acredito que deixei aquele cara escapar. — lamentou e pelo visto continuaria assim por bastante tempo.

— Temos que analisar isso o quanto antes. — comentou Grissom a fim de mostrar algum fio de esperança. Sara permaneceu em silêncio.

— O desgraçado tava lá, devia estar me vigiando... — disse a olhar para fora. A imagem do homem com sobretudo a atormentaria por muito tempo e ela sabia disso.

— Tenha calma. Ele poderia estar lá por outros motivos, também, não exatamente por causa de você. — disse ele — Pare de se culpar. Já imaginou se o confrontasse e de alguma forma ele atacasse você, Sara?

— Eu sei cuidar de mim mesma. — respondeu friamente.

Ele suspirou por um momento.

— Sei disso, mas não sabemos como ele iria se comportar numa situação dessas!

Grissom estava tão irritado quanto ela, mas a diferença era a apreensão sentida por ele desde o momento da ligação. Ouvir aquelas palavras sobre ver o assassino despertou nele uma sensação de pânico e impotência. Zodíaco estava tão perto dela, e ele, longe. Longe demais. O tempo de seu retorno ao departamento parecia durar uma eternidade e ela aparentava estar do outro lado do mundo.

O problema era que Sara não parecia estar com medo, muito pelo contrário, estava agindo como o sargento.

— Aquele desgraçado estava tão perto... — Sara fez um gesto em negativa por várias vezes.

— Nós vamos pegá-lo. Nunca estivemos tão perto de uma pista, Sara! Não foi você quem sempre falou assim?

— Dessa vez é diferente! Não iria ficar assim se acontecesse com você?!

— Claro que iria ficar chateado! Mas não parou pra pensar que ele poderia estar te atraindo pra uma emboscada?

Ela virou o rosto para a janela do carona e cruzou os braços.

— Talvez ele achasse que eu estaria lá também e tentou se aproveitar da minha ausência. Não tente achar que isso aconteceu por culpa sua. — Grissom argumentou mais uma vez enquanto seguia centrado no caminho à frente. Meio minuto depois, quando a fitou na esperança que estivesse melhor Grissom a encontrou do mesmo jeito — Quer saber? Me sinto aliviado sabendo que você não continuou com a perseguição.

Sara voltou a encará-lo, agora irritada e severamente inconformada por ouvir seu comentário.

— Não acredito... Você só disse isso porque estava com medo que alguma coisa acontecesse? É isso?

— É, é isso.

— Se fosse com você seria diferente, não?! — Ela retrucou com raiva.

— Não se lembra do que me disse no hospital sobre arriscar a sua vida e a dos outros? — Sem resposta e sem saber se ela o encarava diretamente o sargento continuou — Céus...! Não vamos desistir dele. Vamos fazer de tudo para conseguir gravações, relatos, tudo que for relevante para nós. — Ele fez uma pausa — Você tá bem e é isso que importa pra mim.

Depois de um bom tempo de cara fechada, enfim, Sara olhou para ele com um semblante um pouco melhor. Preferiu o silêncio, não porque ficou chateada com sua declaração e sim porque se sentiu um pouco melhor com aquilo, mas não quis admitir.

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— Espero que isso seja verdade mesmo, pra me tirar da minha folga raríssima nessa cidade. — O capitão estava devidamente incomodado por ter sido chamado por eles ao departamento. Nem vestia as roupas costumeiras, valendo-se apenas de uma calça social amarrotada e uma camisa polo branca.

— Claro que é verdade! — Sara logo se manifestou — Quem mais saberia do bilhete em braile? — Inconformada ela ergueu os braços.

— Melhor chamar o desenhista, Brass. Talvez o que ela saiba pode servir de ajuda. — Grissom sugeriu, recebendo um olhar desaprovador de Sara.

— Isso não vai adiantar... — A mulher lamentou.

Se esse cara for mesmo o Zodíaco. — Brass interrompeu o breve diálogo — O que foi que você viu, na verdade?

Sara semicerrou os olhos na tentativa de se lembrar do que viu. O homem estava longe e o estresse que sentia distorcia seus pensamentos.

— Um homem... branco... de um metro e setenta e cinco... oitenta... — respondeu hesitando, acabando por prejudicar a si mesma.

— Nada disso garante que seja o assassino, pessoal! — Jim quase ironizou a fala dos dois — E se for um parceiro dele, ou alguém que ele pediu para entregar o bilhete, hein? E se o assassino deixou a rosa muito antes?! Esse cara quer é fazer a cabeça de vocês, isso sim. Vocês estão ficando paranoicos demais.

Silêncio na sala do capitão.

— Eu vou... traduzir a mensagem. — A mulher disse em voz baixa.

— É melhor mesmo. Não sabemos se um amigo próximo de Hobby é que cego. — O capitão não maneirou no comentário afiado. Se fosse alguém conhecido de muito tempo com certeza ela iria se manifestar

— Sério mesmo, Jim? — Grissom reclamou. O descrédito contido na declaração dele não ajudava em nada. O sargento olhou para Sara, que estava com a cabeça um pouco inclinada para baixo.

— É, é sério. Não somos o tipo de pessoa que pode sair se arriscando com informações vagas. Leva essas coisas pra análise depois. — O capitão apontou para os objetos na mão dela.

— Ok. — Sem esperar por ele Sara deixou a sala e um clima pesado entre os dois policiais.

Momentos após a partida de Sara, Jim se dirigiu a ele:

— Céus, que confusão é essa Gil? Você tem certeza que mais ninguém sabe disso pra não termos cometido um erro? — De pé, Brass apoiou os braços em cima da mesa. O sargento não precisou de muito esforço para notar a falta de plena confiança dele para com a detetive.

— Claro que sim. — Afirmou um pouco impaciente — Apenas nós três sabemos disso. E Zodíaco.

— Sei não... — O capitão balançou a cabeça — Você sabe que qualquer louco gosta de imitar um maníaco. E também existe a chance sobre não ser uma mensagem do assassino ser verdade, né?

— Eu acredito na Sara. — Grissom não iria ceder por quaisquer palavras do superior — Também acredito que fizemos um bom trabalho de sigilo e somente as pessoas que eu citei sabem disso. Eu também não vou descartar a sua ideia de ele ter um parceiro. Nem mesmo um homem só poderia ser capaz de fazer tudo isso.

Se isso for mesmo verdade será pior do que Grissom imaginou.

— Por que não traduziram logo essa merda? — reclamou o capitão, que ficou sem resposta.

— Porque fizemos questão de relatar isso a você o quanto antes, capitão. — Grissom enfatizou o título dele.

Notando que ele poderia se manifestar mais sobre o assunto, Jim começou outro:

— E essa perna, hein? — Brass mudou de assunto enquanto vinha se sentar.

— Comecei o tratamento e vou fazer fisioterapia. — respondeu seco.

— Foi por pouco, hein, Grissom.

— É. Por muito pouco.

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Antes de Grissom retornar à sua ele bebeu um copo d'água e trouxe outro consigo para oferecer à parceira. Tinha a esperança de conversar melhor com ela sobre o ocorrido e tentar amenizar a situação. Ainda era muita coisa para administrar e não seria saudável fazê-lo a só.

Quando chegou ele fechou a porta e caminhou para perto dela, que estava sentada a usar seu computador. Nem olhou para ele direito e permaneceu quieta por todo o caminho que o sargento fez.

— Oi querida. — Grissom deu início ao diálogo sabendo que ela não iria fazê-lo. Ele deixou o copo com água perto dela.

— Oi. — respondeu secamente.

— Você está bem? — perguntou com medo da resposta que fosse receber.

— Não... — disse baixo.

Curioso sobre o que ela pesquisava no computador, ele se aproximou da detetive e olhou para o monitor, mas mudou de rumo na última hora. Um papel junto do bilhete lhe chamou a atenção. Havia algo escrito nele com caneta, algumas anotações riscadas e a última, definitiva. Ele pegou o pedaço de papel e o analisou. Franziu as sobrancelhas ao notar que, mais uma vez, o conteúdo da mensagem era uma data.

— Não... de novo... — lamentou ele, temendo ansiosamente o significado daqueles números — Tem alguma... ideia do que possa ser isso agora? — perguntou receoso.

A morena, enfim, o encarou com um olhar triste, voltando a dar a atenção ao monitor mais uma vez.

— É sobre mim, Gilbert.

Notas finais
TÁ TENSO, GALERA Nossa, que saudade de comentar nas notas que as coisas estão tensas ♥ Então é isso, pessoal. Esse parte sobre o bilhete e a perseguição foi quase algo de última hora, mas achei que ficaria interessante na história e resolvi continuar. Não é somente o Grissom que o Zodíaco gosta de mandar bilhete, pelo visto. Esta data marca algo delicado que ocorreu na vida de Sara e o assassino sabe disso. Cada vez mais ele vem conhecendo nossos policiais, que ao contrário dele, pouco sabem sobre sua identidade. Mas isso vai começar a mudar. Outro detalhe que me "afastou" desta fic foi a produção da minha nova história. A produção estava boa, tinha dado uma travada, mas a ideia voltou a fluir. Ainda não garanto quando vou lançar, ainda nem tem capa haha, então qualquer novidade grande eu aviso. Eu agradeço a todos que leram, um beijão e até o próximo! ♥