Manhunters

79 Esteja lá por ela


Notas iniciais
Fala aí, galera, chegamos nessa sexta-feira com mais um capítulo novo. Não tenho ideia do que escrever aqui, apenas dando um oi mesmo e desejando boa leitura.

De volta no tempo. Brevemente.

O relógio do pulso de Sara apontava as horas: 20h07min. Só que ela não dava a mínima para isso, até se esqueceu que tinha um relógio em seu pulso. Ela estava mal, pelo menos para os outros, porque para ela mesma estava muito bem e nunca esteve melhor.

Ela bebeu, bebeu muito. A mistura de sabores e a sensação que cada gole descendo pela garganta lhe proporcionava foi um prazer culpável. Sim, ainda havia certo ponto de senso dentro de si que a culpava por beber tanto. Estava embriagada, essa era a verdade. Mas já era tarde para se martirizar.

Sara não só bebeu como fez amizades. Liz, é claro, o primeiro contato depois de Catherine naquele pequeno, mas aconchegante bar, uns caras quase tão bêbados quanto ela, dos quais não recordaria seus rostos e uma mulher de meia-idade que não ficou muito tempo lá.

Só quando ergueu a cabeça escondida por entre os braços, já que foi acordada por Liz, foi quando Sara se deu por conta que acabou cochilando, apoiada sobre o balcão.

— Ei, docinho, melhor não dormir. — Liz deu leves tapinhas no braço da detetive.

— Ah, não... quanto você... cobra... Esquece. — Ela nem conseguiu terminar de falar. Quando se ergueu totalmente (ou quase isso) Sara atentou para o copo já vazio de uísque do qual não se lembrava quando terminou de tomar. Os sons ao redor eram estranhos, vozes confusas, luzes intensas. Ainda estava sentada, mas o lugar ao redor girava um pouco.

A mulher frente à detetive fez um gesto negativo e antes de se afastar, Sara ergueu a mão chamando por ela. Sua fala saiu alongada:

— Me dá um copo d’água, por favor?

— Ok. — A mulher mais velha não teve como recusar. Pegou um copo maior daqueles que Sara se servia, encheu e deu para a mulher, que tomou tudo com voracidade.

Após isso Sara levou as mãos ao rosto e suspirou. Seus olhos mal se fixavam num ponto direito, parecia estar seriamente chapada.

Algo começou a incomodá-la em meio a vários outros fatores que já a incomodavam sem parar. A bolsa incrivelmente guardada por cima de suas pernas começou a vibrar.

— Que... — Com raiva, ela revirou a bolsa em procura do objeto que a infernizava — merda!

Ela nem olhou para o visor, e se arrependeu de não tê-lo feito.

— Sidle...

— Sara? Por que tá falando assim? — Era Annie no telefone. Começou estranhando já que Sara nunca começava a conversa com ela falando seu sobrenome.

— Annie?! Por que... tá me... — Ela levou a mão à testa, sua voz estava alterada demais para disfarçar — ligando?

— A gente ia conversar, não lembra? — A jovem parou de falar de repente — Perai, você tá bêbada?

Tanta hora pra ligar...

— Droga, Annie... — A última coisa que Sara queria era que sua irmã soubesse do seu estado, então tentou falar firme — Eu... tô bem tá? Nunca estive melhor.

— Que merda, Sara! Você... você não devia estar assim!

— E daí, Annie? — Ela retrucou irritada, sem ao menos conseguir evitar o tom puxado causado pela embriaguez — Que se danem os outros, eu não tô nem aí.

— Ei, escuta! — Annie já estava perdendo a calma — Você tá aonde? Tá sozinha?

— Pra quê quer saber disso...?

— Me fala, Sara! — Annie estava prestes a explodir. Sara ficava uma pessoa bem difícil de se lidar quando estava embriagada.

— Para de gritar, Annie! Não tô surda!

De repente um sorriso se abriu no rosto da morena, que começou a rir. Ela não fazia ideia do motivo da pergunta, mal raciocinava direito. A mulher tapou o microfone e chamou por Liz:

— Ei, Liz, qual o nome dessa esp... desse lugar aqui?

— Officine. — respondeu um pouco desconfiada.

— Officine, Annie. Tá feliz agora? — Sara respondeu totalmente alterada — Não se preocupa, tá bom? Vou ficar bem.

Ei, Sara?!

Sem pensar duas vezes a mulher desligou.

Annastasia estava deitada na cama de seu quarto na casa delas em São Francisco. Como se cansou de esperar a irmã ligar, Annie tomou a iniciativa imaginando que pudesse trocar uma conversa com Sara e resolver todas as pendências deixadas na ligação de mais cedo. Só que aí ela a “encontrou” do pior jeito possível. Do tempo que a conhecia saber que Sara estava embriagada era um problema sério.

— DROGA, SARA! — Ela exclamou ao celular ao término forçado da ligação — Merda, merda...

A jovem pressionou o celular tão forte que sua mão ficou num tom avermelhado. Na mesma hora Annastasia pensou em ligar para ela novamente, mas parou antes mesmo de começar uma nova chamada. Seria inútil tentar argumentar com a irmã.

— Que que eu faço...? — Sussurrou.

Annie olhou para os lados na tentativa de achar uma solução. Ao contrário de Sara, ela não era do tipo racional, aquela pessoa que conseguia manter a calma e pensar em algo numa situação delicada. Muitas vezes teve raiva de Sara por ser assim e várias vezes pediu por sua ajuda.

O desespero batia à porta e ela não sabia o que fazer ainda. Ela cobriu o rosto e prometeu descobri-lo somente quando uma ideia surgisse. Trinta segundos se passaram, ela desceu as mãos aos poucos e abriu seus olhos; focou em primeiro lugar no notebook ligado bem à sua frente. Viu nele a melhor chance de fazer alguma coisa boa para a irmã.

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De volta ao presente. 20h49min.

— Ela bebeu muito e precisa de ajuda!

— Deus, como isso foi acontecer?!

— Eu não SEI! — Tão irritada ou talvez mais irritada que Grissom ela retrucou sem hesitar.

— Onde ela tá, Annastasia?

— No Officine. Eu não sei se é um bar, deve ser... você tem que tirar ela de lá!

— Droga... — O sargento levou a mão ao rosto — Eu tô indo.

Pelo amor de Deus, cuida dela.

Antes mesmo que Grissom pudesse comentar sobre isso, a jovem encerrou a ligação.

— Meu Deus, isso... isso- — Ele guardou o celular com pressa e seguiu em passos largos até a porta.

— O que houve? — Heather estava apreensiva, situação rara em que ele a via desse jeito.

— Sara. — A voz quase não saiu. Seu rosto ficou pálido e por pouco ele não deixou o escritório sem falar — Ela... tá com problemas.

— Vá. — Disse apenas, sem questioná-lo o motivo.

Com uma despedida discreta o sargento fez seu caminho para fora bem depressa. Pegou o carro e ligou o GPS, batendo na tela constantemente para que ligasse logo. Não conseguia pensar direito se o local era conhecido por ele, só queria chegar lá o quanto antes.

— Onde diabos fica isso? — resmungou, ainda batendo na tela do aparelho.

Quando o sistema ficou disponível, ele digitou o nome do lugar e adicionou “bar” no mecanismo de busca, torcendo para que houvesse poucas ou apenas uma única opção. Grissom estava nervoso, não conseguia pensar em nada que não fosse o estado de Sara e como ele a encontraria.

— Droga! — Lamentou, batendo no volante com força.

Parecia que o destino o estava fazendo pagar por tudo de ruim que fez. Ele que há poucos minutos dizia amar tanto a parceira e que a manteria segura foi bombardeado com uma ligação daquela. A vida o estava cobrando das piores formas.

Quando o GPS apontou uma localização de um bar próximo a Strip com aquele nome e outro a muitos quilômetros longe de Vegas, Grissom sabia que a primeira opção era a correta. Antes mesmo do aparelho traçar uma rota ele ligou carro e saiu ligeiro.

Ele acelerou o quanto foi possível, bem no limite de velocidade. Mesmo louco de ansiedade, não podia ser imprudente... mais uma vez. Enquanto dirigia, Grissom apertou tanto o volante com ambas as mãos que não notou que elas tremiam. Ele tinha de chegar logo, tirá-la daquele lugar e mantê-la segura. Chegou a questionar a si mesmo como o possível culpado de tudo aquilo, porém afastou logo esses pensamentos. Muitos erros cometidos por sua parte vinham de pensamentos como este. Em certo momento tocou em sua testa por culpa da dor em um ponto específico. Talvez fosse o estresse.

Levou dez minutos para que Grissom chegasse ao destino. Como se tivesse recebido uma bênção divina, ele encontrou uma vaga quase em frente ao bar. Por precaução deixou o pisca-alerta ligado. Quando saiu do carro olhou bem para o letreiro do bar e confirmou que era ali mesmo o local informado por Annastasia.

Um frio percorreu por sua espinha bem antes de chegar à porta. Ele estava com medo. Medo do que encontraria e medo de ser rejeitado. Medo do que iria ocorrer adiante. Ele aspirou todo ar que podia em poucos segundos tentando se recompor. Não havia tempo em ter medo, então entrou.

Já havia uma quantidade considerável de pessoas no bar, mesmo numa segunda. O jogo de luz do local não foi muito favorável para o sargento que acabou o incomodando ainda mais. Parado por algum tempo na porta à procura dela, Grissom começou a caminhar lentamente para não deixar escapar nada de sua vista.

— Cadê você, Sara... — sussurrou ele profundamente preocupado, já pensado na possibilidade de Sara ter ido embora — Céus... isso não tá dando certo.

Seu instinto o fez atentar para o balcão. Ignorando os possíveis olhares tortos Grissom caminhou por mais alguns passos. Deveria perguntar por ela aos que viu primeiro, porém a única coisa que pensava era achá-la, somente isso.

Para seu alívio quase imediato, ele a encontrou sentada ao balcão.

— Sara!... — Grissom apertou o passo. Não tinha como não ser ela; ele a reconheceu mesmo estando de costas. Estava desesperado para encontrá-la que não pensou na possibilidade de aquela mulher ser outra pessoa.

— Sara! — Ele não pôde conter o tom devido ao nervosismo quando se aproximou dela. Não chegou a tocá-la para não provocar um susto, mas não adiantou.

Em seu lento, mas surpreso ritmo, a morena se virou espantada para o lado direito. De começo achou que estava delirando, mas levou poucos segundos para seu delírio se transformar em realidade.

— Grissom?! — Os olhos dela se arregalaram, mas tão rapidamente ela franziu as sobrancelhas. Por um momento achou que estava sonhando — O que tá fazendo aqui? — A mulher tentou segurar o tom para não demonstrar embriaguez. Não era muito difícil, até uma criança iria reparar se prestasse atenção.

— Deus, Sara... — lamentou quase incrédulo — Eu vim te levar pra casa. — Ele se aproximou um pouco mais e tocou em seu braço.

Mas ela afastou-o com certa agilidade. Ela não o queria por perto e fez questão de evidenciar.

— Quem disse que... eu quero isso? — respondeu de modo grosso.

Sua resposta o atordoou. Ele tentou relevar pelo estado alterado dela; bastante alterado.

— Sara. — Ele se virou para encará-la melhor — Eu só quero te ajudar. — Após a fala ele a analisou bem e percebeu que ela ainda usava as roupas de mais cedo; deduziu que ela não chegou a voltar para casa. Sua vontade era de abraçá-la e desabafar o quanto aliviado estava por encontrá-la, mas era um risco. Então manteve a distância, tirou o terno que vestia e a cobriu para protegê-la da temperatura baixa lá de fora.

— Grissom, por que você não... volta pra casa já que eu... tô te envergonhando aqui, hein?

Aquilo já estava passando dos limites. Eles precisavam ir embora dali o quanto antes. O sargento inclinou-se para falar-lhe mais próximo e não aumentar a voz:

— Porque eu me importo com a minha companheira. — Mesmo quase sussurrando Grissom se enfatizou — E você não está me envergonhando. — retrucou de última hora.

— Eu tô bem... — Ela ergueu a mão.

— Não, você não tá. E eu não vou sair daqui sem você.

Ela soltou uma risada breve e o encarou sarcástica.

— Tá me intimando?

— Não. Apenas disse que... vou ficar com você e não vou embora sozinho.

Por que você tá assim, Sara...? pensou perplexo. Não adiantaria perguntar isso a ela no momento.

Reprovando-o ela balançou a cabeça e ficou brincando com o copo de água vazio em sua mão. Observou-o de canto de olho ou o que sua visão conseguiu focar. A presença dele a incomodava, não teria como pedir outro copo de uísque ou seria capaz de entrar num coma alcoólico.

— Posso ficar aqui a noite toda. — Depois de vinte segundos ele a provocou, buscando seus olhos.

O homem ao seu lado não iria ceder, mesmo bêbada ela tinha certeza daquilo. Talvez fosse a hora dela ceder para sua própria insatisfação.

— Liz! — chamou-a naquela voz enrolada. O semblante da detetive era fechado, cara de quem teve a diversão interrompida.

— Fale.

— Conta... por favor... — Ela ergueu o indicador.

A mulher mais velha pegou uma caneta, um pedaço de papel e começou a anotar o saldo de toda aquela bebedeira. Enquanto isso, Grissom assistia à árdua tentativa dela em abrir a bolsa para pegar o dinheiro.

— Deixa. — Ele estendeu a mão para ela. E sem dar a oportunidade para que Sara respondesse ele pegou a carteira no bolso do terno e dela pegou o cartão de crédito.

— Não aceitamos crédito. — Liz o alertou.

Após bufar, o sargento retirou uma nota de cinquenta, nem se dando o “luxo” de saber qual foi o valor da conta. Recebeu dez dólares e alguns centavos de troco.

— Volte sempre. — Brincou a mulher, mas o sargento não gostou nada e respondeu com uma expressão fechada.

— Vamos, Sara. — Grissom tocou em suas costas. Ela chegou a relutar, mas não teve escolha e se levantou.

Se não fosse por ele a perda de equilíbrio a levaria ao chão. Grissom foi rápido, segurou-a no momento que Sara se levantou e tentou dar o primeiro passo. A sensação que ela teve foi como se o chão fosse uma enorme cama elástica.

— Calma. — Ele estava paciente, ao contrário dela, que agora tinha o desejo de ir embora.

Sara usou as mãos para afastá-lo, mas estava sem coordenação e sem força suficientes para fazê-lo. Não era a primeira vez que Grissom teve de lidar com o lado “arisco” de sua parceira, então seu lado longânimo deveria estar mais que presente. Se tinha algo que o ajudou a enfrentar isto foi o alívio em ter chegado a tempo de algo pior.

Ele envolveu seu braço no dela como se fossem um casal apaixonado. O único pretexto que poderia ser usado para caminharem desse jeito. Porém, se pareciam um casal pelo gesto, seus rostos diziam o contrário. Sara só aturou aquela pose porque não teria forças para se sustentar sozinha.

Em silêncio os dois seguiram até carro. Grissom fez questão de acompanhá-la até o banco do carona. Ele abriu a porta e a ajudou a entrar no veículo. Sara ficou em silêncio desde o momento em que resolveram sair do bar, só se manifestou quando ele tentou fechar o cinto de segurança do seu lado.

— Eu posso fazer isso. — A detetive tentou pegar o cinto da mão dele.

— Não pode, não. — Ele retrucou enquanto prendia a trava. Depois que saiu do carro para fechar a porta ele perguntou: — Está se sentindo bem?

— Acha que eu vou... vomitar no teu carro? — perguntou de modo ácido.

O sargento fechou a porta, ergueu a cabeça para o alto e respirou fundo. Não ligou o carro como pensou em fazer.

— Não precisava ter... — Sara levou a mão à testa, já prevendo a si mesma a dor de cabeça que teria mais para frente.

— Claro que eu precisava. — O homem correu para dar a volta no carro e entrar nele — Acha que eu ia te deixar lá à própria sorte?

Ela nem olhou para ele.

— Talvez você se esqueça de tudo que tá acontecendo.

— Melhor mesmo. — Ela se adiantou, depois levou a mão à cabeça de novo — Céus... que droga... ah!...

— Vou levar você ao-

— Só quero ir pra casa. — Interrompeu-o. Aos poucos ela deixou o corpo decair até encostar a cabeça na janela. Tentou se aconchegar, mas o cinto de segurança a dificultava. Depois de se mexer por várias vezes ela parou e fechou os olhos.

O sargento ligou o carro e seguiu adiante. Uma parte do caminho foi de total silêncio como já era de se esperar. No momento em que parava no sinal vermelho aproveitava para fechar os olhos e recostar-se no banco. Tentava acalmar os ânimos, respirar um pouco.

Já Sara de vez em quando voltava a se mexer para conseguir uma posição confortável. Quando parou de ouvir os sons Grissom virou o rosto na direção dela e percebeu que ela se acalmou. Não parecia, mas ainda estava em choque ao vê-la nesse estado. Imaginou os motivos que a levaram a isso, mas ignorou quando percebeu que o importante no momento era pensar na consequência.

Ao menos o primeiro susto passou.

Notas finais
Então é isso, pessoal. Inicialmente este capítulo seria maior, mas eu resolvi dividi-lo ou ficaria grande demais, demais. Bem, eu acho que é isso mesmo, se eu me lembrar eu coloco um edit. Infelizmente estou com aquela sensação que eu tenho de falar algo, mas não estou lembrando hahaha. Muito obrigada a todos que leram! Um grande beijo e até o próximo capítulo ♥