Manhunters

2 Equipe de Duas Pessoas


Notas iniciais
Oi galera! Primeiramente quero agradecer aos comentários das queridas leitoras no primeiro capítulo. Saibam que eu fiquei muito, muito feliz por saber que vocês estão empolgadas com a fic! Isso me motiva muito! Já que hoje é sábado, resolvi adiantar a postagem do capítulo kkkkk Eu até pensei em postar ontem, só que eu resolvi mudar algumas coisas nos capítulo seguintes, mas nada que mudasse o rumo da história. Enfim, chegamos ao cap 2, onde o leque da história vai se abrir. Aproveitem! *Música tema: This Circle, do Paramore*

O clima não estava tão agradável como se esperava, e como poderia? O sargento Grissom foi pego de surpresa, mal teve tempo de reagir. Boquiaberto, demorou em perceber que a ficha caiu sobre ele.

—Hã, o quê? — Foram as únicas palavras que saíram de sua boca.

— Preciso resolver alguns trâmites, mas por hora, dêem um jeito nesse maldito caso.

— Ei, ei! — Gilbert chamou-o em voz alta, mas ele já havia saído. Fechou a porta e deixou os dois ali, sozinhos.

Filho da mãe! Como ele pôde fazer isso...

Mal reparou que estava com o rosto virado para Sara. A mulher ficou sem reação após aquela cena. Encontrava-se num impasse: estava numa sala que não era sua, junto de alguém que visivelmente não queria sua presença. Ela olhou para os lados e notou a careta do homem à sua frente. Chegou a dar uma risadinha.

— Me desculpe, eu já volto. — Envergonhado, Grissom ajeitou o terno e rapidamente saiu da sala.

Grissom chamou a atenção de alguns que estavam próximos a ele, sentados em suas mesas. Após observar o seu público rapidamente, o sargento apertou o passo e chegou até o elevador, mais distante da ala de onde ficavam os outros policiais. O sargento correu um pouco e alcançou o diretor antes que ele chegasse lá. Tocou em seu ombro direito quase com força.

— O que está fazendo, Conrad? Trouxe alguém de fora sem me avisar e para trabalhar comigo no meu caso?! — ele virou o rosto para ver se não tinha alguém prestando atenção neles.

— Você perdeu a memória, Gil? Falamos sobre a vinda de alguém há muito tempo! —o diretor respondeu sem hesitar e até com uma expressão de desdém.

Dois meses atrás, Conrad se reuniu com Grissom e o capitão Brass sobre o andamento do caso. O sargento foi duramente cobrado pela falta de progresso que já se estendia por um bom tempo. O xerife e o capitão pensaram em criar uma unidade especial com mais integrantes para finalizar o caso, no entanto Grissom foi contra em qualquer uma das tentativas de fazê-lo. O projeto foi sendo deixado de lado por causa de outras prioridades para o alívio do sargento. Mas no momento, foi assombrado novamente.

— E eu disse que não queria ninguém! Sério mesmo que você faz isso comigo, Conrad? Depois de tudo que já fiz por vocês? —Grissom apontou para si. Sua testa estava franzida, e era possível enxergar os nervos em sua face.

— É melhor duas cabeças pensando do que apenas uma.

Grissom balançou a cabeça por várias vezes. Chegou a rir ironicamente.

— Se eu disse que poderia cuidar do caso sozinho foi porque eu posso cuidar do caso sozinho! — falou enfático — Você sabe muito bem o que aconteceu antes, Ecklie! Que droga! — Ele balançou a cabeça — E se fosse para colocar alguém comigo seria um policial daqui, não de lá longe.

Ecklie deu um passo para mais próximo do sargento e disse quase ao pé de seu ouvido.

— Tem muita coisa envolvida nisso, Gil. Um conhecido me indicou a detetive Sidle e aqui estamos. — O xerife respondeu sem reservas.

— Conhecido, é? — retrucou sarcástico — Sei. Tem sempre algo atrás dos panos, não é? — O sargento deu um longo suspiro — E o que ela vai fazer? Me supervisionar? Verificar se estou fazendo meu trabalho direito? Porque já tem um monte de gente fazendo isso aqui. — Ele apontou o polegar para trás de si.

— Será muito mais fácil pra você resolver isso com ela. — Ele deu dois tapinhas em seu ombro e depois sorriu — Achava mesmo que conseguiria pegar esse cara sozinho?

O sargento odiou aquele sorriso de Ecklie.

— Isso aqui não é um jogo de gato e rato, tem vidas sendo tiradas por esse maluco.

Sabia que o xerife fez tudo aquilo de propósito para puni-lo.

— E você acha que não estou dando o melhor de mim?

— O seu melhor não está sendo suficiente, Grissom! — O xerife apontou o dedo para o sargento — E fique contente que não avancei com a ideia de montar uma equipe decente. — Depois seguiu para o elevador e deu de ombros — Acredite em mim, ela é a melhor no que faz.

O caçador não respondeu. Cerrou os punhos como se estivesse aguentando a vontade de socar o homem à sua frente. Viu o xerife entrar no elevador e ficou em silêncio, apenas.

— Eu também sou.

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De volta à sua sala, só não chutou a porta ou jogou algo no chão porque se lembrou da presença de Sara, a quem deixou sozinha à sua espera. A detetive estava sentada na cadeira frente à sua mesa. De pernas cruzadas, analisava a pasta que outrora foi deixada em cima do móvel.

Mantenha o foco, Gilbert. Foco.

— Eu... é, desculpe. Fui pego de surpresa e-

— Entendi, sargento Grissom. — Ela assentiu, cortando-o de repente.

O homem notou que ela olhava cuidadosamente sua pasta. Ficou parado encarando-a, achando que a mulher perceberia seu incômodo, mas deixou-a e voltou para sua cadeira após fechar a porta.

— É, então...

— Sim?

— Eu não sei... — Ele falou, tentando buscar palavras — Me fala um pouco sobre você, sobre o que sabe desse caso. — Grissom deu de ombros, tentando ser mais cordial.

— Bem... não achei que precisaria passar por uma entrevista novamente. — Sara fechou a pasta e pôs de volta à mesa.

— Tenho de saber com quem vou trabalhar agora em diante, não é mesmo? — Grissom forçou a si mesmo para não falar sarcasticamente.

— Olhe, eu não sei se sabe, mas uma ficha com minhas informações foi entregue para você há bastante tempo.

— Eu não sei se sabe, mas ultimamente estou sem tempo até para ler minhas cartas, detetive Sidle.

Em vez de retrucar, Sara encarou o rosto irritado de Grissom, que tentava se manter calmo.

— Eu não gosto de falar de mim. —a detetive balançou a cabeça —Prefiro que me conheça pelo meu modo de agir.

— Ótimo, ótimo. — Ele ajeitou o terno —Vamos ao trabalho, então. Pelo visto já estudou o caso. — O homem estendeu a mão para a pasta deixada na mesa.

— Claro que sim. Passei horas estudando cada um dos casos, além de revisar os relatórios desde a primeira vítima, e ler a sua ficha profissional.

— Leu minha ficha? —O sargento ergueu a sobrancelha esquerda.

— Claro. Fiquei impressionada, até. —Ela soltou um sorrisinho.

— O quê?

A morena desviou seu olhar, pegando a bolsa que estava ao seu lado. Evitou olhar diretamente para ele por alguns segundos, pois chegou a corar. Se empolgou um pouco.

— Sua carreira, sargento Grissom. — Disfarçou — Tem um currículo extenso... É o homem mais jovem a resolver vários casos de assassinos em série. Sem contar nas várias palestras que já deu, dentre as quais já pude assistir uma, em São Francisco. — Ela terminou falando com entusiasmo.

— Não me lembro de você. — retrucou e franziu a sobrancelha.

— Claro que não vai lembrar. — respondeu secamente, voltando a ficar séria — Sobre o caso... fiquei intrigada ao saber que era o único no momento que assumiu esse trabalho. Não acha que é um peso demais para você carregar, detetive Grissom?

— Por isso você está aqui, presumo eu. — respondeu ironicamente.

— É... — Novamente ela deixou escapar um sorriso. — Então...— A mulher esticou a palavra — Voltando ao caso... sugiro começar do início, revisar os casos desde o primeiro.

Grissom fez um gesto com a mão.

— Espera. Desculpe falar, mas não acha que eu já fiz isso? Várias vezes, detetive Sidle.

— Sei disso, não estou duvidando da sua capacidade. — Sara ergueu os braços tentando se defender.

— Então o quê? — Sem perceber ele alterou sua voz, esgueirando-se um pouco para frente.

— Recentemente um senhor de idade foi morto com dez facadas. Conseguiu encontrar alguma pista sequer? E com as outras vítimas? — Ela esperou por alguma reposta, e como não obteve, continuou — Não, né? Então, o melhor que podemos fazer é voltar ao começo. Se continuar assim você nunca vai conseguir capturar esse cara.

— Ah é? Agora que você está aqui tudo vai se esclarecer e vamos pegar o assassino em pouquíssimo tempo.

O clima que já não estava bom, de repente, ficou pior. Grissom já não estava num bom humor ultimamente, e a chegada de Sara contra a sua vontade ajudou a deixá-lo mais estressado.

A morena levantou da cadeira, porém deixou a pasta no chão.

— Menos tempo que você tem levado. — Sara lançou-lhe um sorriso ousado e caminhou até a porta.

— Ei, aonde você vai? — questionou irritado.

— Vou tomar um café. Posso ir ou vou ficar de castigo?

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A morena saiu da sala e respirou o ar fresco da liberdade. Sentiu-se livre de uma jaula com um leão nervoso que não queria dividir o alimento. O Grissom que ela conheceu outrora não parecia ser o homem dentro daquela sala. Eram duas pessoas completamente diferentes.

Mesmo assim Sara não ia desistir tão facilmente. Já encarou gente pior que ele e continuará a resistir até chegar a hora de receber seu desejado reconhecimento. Não foi à toa que aceitou pegar esse trabalho assim que foi solicitada pelo comissário da polícia de São Francisco. Seu sonho era entrar para o FBI, só que nunca havia conseguido por não atingir os resultados esperados. Então se dedicou até a exaustão e se tornou uma das melhores detetives que já pisou o prédio do Departamento de Polícia.

Aos 30 anos, nascida e criada em Tomales Bay, Califórnia, Sara tinha personalidade forte. Era uma pessoa amigável, que também não deixava que outros passassem a perna nela. Era fria e calculista nos casos, mas às vezes deixava-se levar por emoções, como em ocasiões de agressão familiar ou violência contra mulheres ou crianças. Um prodígio, com um ótimo desempenho na academia. Formou-se com louvor, e logo conquistou a patente de detetive. Muitos enchiam sua bola, dizendo que futuramente poderia concorrer ao cargo de capitã da polícia. Só que ela queria mais. O FBI era seu maior alvo de muitos anos.

A jovem detetive não conhecia direito o pessoal do departamento, a não ser o xerife Ecklie e o capitão Brass. Para ela, os dois seriam suas únicas referências e apoio daqui em diante. Nem tanto com o Ecklie, é claro. Pelo modo em que conheceu sua pessoa, era o tipo de homem em que se devia tomar todo o cuidado.

O segundo andar do prédio tinha sua própria copinha. Lembrando-se das dicas que recebeu do diretor, das quais informava os locais necessários para ir, Sara deixou a sala de onde estava e de cara viu dezenas de detetives e outros funcionários andando de um lado para o outro. Sentiu-se um peixe fora d'agua. Não por causa do ambiente, mas pela gente desconhecida. Respirou fundo e passou por eles. Ela estava confiante. Confiante que eles iriam ver o seu trabalho e aceitá-la no seu lugar de direito, o FBI.

Zodíaco era só mais um.

A detetive caminhou até os fundos, à direita, onde ficava a pequena cozinha. Por sorte fizeram café recentemente e ela teve a oportunidade de pegá-lo fresquinho.

— Oi? Eu conheço você?

A morena levou um susto com a voz feminina vindo de trás, tanto que quase derrubou a xícara de sua mão.

— Ah, olá... — ela respondeu desconfortavelmente.

— Você é nova por aqui, pelo visto.

Ela era loira, de cabelos curtos e lisos. Tinha um olhar afiado e aparência sedutora. Ela usava um terninho marrom escuro e saia longa do conjunto com a mesma cor. Usava também uma sapatilha de salto baixo.

— Sou Catherine Willows, detetive, como pode ver. —a loira disse brincando, ao mostrar sua identificação na barra de sua saia.

— Sara Sidle. Detetive de São Francisco. Estou aqui para trabalhar com o sargento Grissom.

— Ah, você é a garota que trouxeram da Califórnia pra ajudar o Gil é? —Catherine virou-se para ela enquanto enchia copinho com café. — E então, como estão indo vocês dois?

— Ah... começamos a trabalhar juntos há poucos minutos. —disse, desviando seu olhar. Queria dizer que foi um início péssimo, mas quis abafar.

— Hum... Pelo visto não começaram muito bem. — Catherine notou a mudança de expressão no rosto de Sara.

A morena virou-se para ela um pouco apreensiva. Não queria causar má impressão dela e de Grissom, que, mesmo deixando-a irritada, evitou diminuir sua imagem.

— Não se preocupe, — ela fez um gesto com a mão, aliviando a barra de Sara — eu conheço o Gil. Ele é um homem fechado, meio cabeça dura, precisa de tempo e jeito pra lidar com ele.

Sara percebeu sinceridade em suas palavras. Talvez ela fosse alguém de confiança. Sorriu então para a detetive.

— Espero que sim. — assentiu, sorrindo mais uma vez.

— Boa sorte no caso. — Cath disse num tom de despedida.

— Obrigada. Estou confiante que vamos pegar esse cara logo, tudo uma questão de trabalho e tempo. — disse naturalmente.

— Que bom, a gente aqui estava precisando de alguém que pensa positivo. — ela tomou outro gole.

— Não é pensar positivo... — Sara deu de ombros — esse homem é apenas mais um assassino que tenta chamar a atenção dos outros matando pessoas de um modo peculiar.

Cath arregalou os olhos, impressionada com a confiança em suas palavras.

— Como todo ser humano ele é suscetível a erro. É aí que vamos pegá-lo.

— Não é à toa que eles chamaram você, Sidle. — Catherine assentiu — Fico contente que alguém vai trabalhar com ele. O coitado estava carregando um fardo muito pesado, e mesmo assim insistia em trabalhar sozinho.

A morena fez uma cara surpresa.

— Bem, se me der licença, tenho que voltar ao trabalho. Foi um prazer em conhecê-la, Sara.

— Igualmente. E mais uma vez, obrigada pelo apoio, detetive Willows.

— Que nada, me chame de Cath.

As mulheres apertaram as mãos e Catherine deixou o espaço. Sara terminou seu café, e preferiu não comer nada, indo embora em seguida.

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A detetive abriu a porta e encontrou o sargento no mesmo lugar quando saiu.

— Ei. — disse Sara ao bater e entrar.

— Oi. — Ele respondeu sem ao menos olhá-la.

Grissom estava nos fundos da sala a observar o painel na parede onde continha as fotos das vítimas de Zodíaco.

— No que está pensando? — perguntou ela.

— Nas vítimas. Estou... analisando seus casos. — Grissom terminou quase rangendo os dentes.

Sara se aproximou do sargento com um sorriso no rosto. Sabia que revisar o caso novamente era o melhor a se fazer.

— Vamos lá, então. — A mulher mudou de expressão rapidamente e olhou para o lado. Deu um leve suspiro e soltou as palavras — É... eu não queria ser grossa com você agora a pouco.

O sargento virou seu rosto para a mulher por alguns segundos.

— Esqueça. — O sargento lançou a mão para o alto, voltando sua atenção para o quadro logo depois — A décima vítima ainda está no necrotério para análise. Conseguimos a liberação para tentar fazer um molde dos ferimentos e assim trabalhar com a forma da arma do crime.

— Bom. — Ela assentiu — Enquanto isso podemos analisar novamente os outros casos. Segundo o relatório da autópsia da primeira vítima... — Sara voltou para a mesa de Grissom e procurou entre as pastas o arquivo do primeiro caso — Vamos ver... a primeira vítima, Arthur Kyle, morreu de hemorragia devido ao corte que levou em seu pescoço por um objeto cortante. — ela virou a página — Branco, trinta e seis anos, classe média, casado... sem filhos, trabalhava como crupiê no Cassino Bellagio.

— Os policiais imaginaram que se tratava de um acerto de contas já que Arthur era um crupiê. Só não sabiam explicar a mensagem feita em sua testa. E assim começou a história.

— Temos uma lista com os possíveis suspeitos, não é? — ela fechou a pasta e cruzou os braços.

— Arthur não tinha problemas pessoais com a família nem com os amigos. Ele era um crupiê de um cassino. Dezenas de pessoas que perderam uma fortuna no Blackjack tinham motivos inúteis para querer sua cabeça. — Grissom deu de ombros, e pegou a pasta de sua mão — Nenhum deles tem relação com as vítimas seguintes. — O homem levou a mão à testa e esfregou-a numa pífia tentativa de aliviar a dor de cabeça causada pelo estresse — Foram descartados. Todos que jogaram na mesa dele naquela noite deram depoimento e os mesmos tinham álibis. Eu mesmo verifiquei quando peguei o caso.

— Bom, então vamos analisar as evidências em si, desde o começo.

— Sidle, — Grissom fechou a pasta — esse é o primeiro caso. De dez. Temos ainda uma lista de no mínimo três suspeitos para cada vítima. E eu já conferi, não há uma relação próxima entre os suspeitos! Esqueça! Você não vai encontrar nada com a primeira vítima. Não há vestígios, nem evidências!

— Se você ficar continuar desse jeito aí que não vamos pegar esse cara, sargento Grissom.

Os dois se encontraram num olhar. O sargento queria falar muito mais do que se expressou. Ela lhe jogou um sorriso desafiador, tão confiante como se o caso fosse resolvido em pouquíssimo tempo. Tentou imaginar seu rosto ao deparar com a primeira falha e decepção, que pelo visto seria em breve por causa do jeito que estava querendo levar as rédeas.

Talvez o lugar dela não fosse lá com ele. Não que ele a queria mal, queria apenas bem longe.

Notas finais
Obrigada por ler, até a próxima, beijos!