Manhunters
64 Entregue-se
Notas iniciais
A noite está te chamando. O que fazer? Oferta tentadora, irrecusável. Ela tinha tempo.
Eram nove da noite. Após um dia cheio, Grissom e Sara fizeram reservas num pequeno hotel em Sun Valley. O sargento recusou veemente passar a noite em Cold Springs com receio (e aversão) de jornalistas que os encontrariam para tentar uma entrevista. Sua vontade maior era de ficar em Reno, mas a proximidade com o local do crime pesou bastante.
Tudo o que tinham reunido até o momento foi: Ryan Park estava em busca de informações sobre casos de fraude e corrupção envolvendo empresários de cassinos e outras figuras públicas. Como os policiais ainda não foram até a casa da vítima não tinham muita certeza sobre o início da investigação, provavelmente há poucos meses. De alguma forma, ele e Zodíaco entraram em contato, possivelmente para falar sobre esses casos. O elemento do qual Grissom mais contava seria o contato entre os dois, tanto por telefone como e-mail. Ele não via a hora de ir até a casa da vítima e tirar uma prova disso.
O próximo passo era "visitar" um evento beneficente que ocorreria no sábado, em Cold Springs. Havia um palpite entre os policiais que o assassino estaria lá também, provavelmente para provocá-los, assim como fez ao mandar uma mensagem específica para o sargento, o que o deixou abalado. Grissom sabia que aquilo era uma provocação, mas não tinha outra escolha senão entrar no jogo do serial killer, que se mostrava cada vez mais ousado.
Sara se sentia presa naquele hotel. O ritmo do trabalho da semana foi pesado; ela tinha que esvaziar a mente, ao menos por um breve tempo. Mesmo não recomendado, Sara não iria conseguir ficar naquele pequeno espaço que era seu quarto. Resolveu sair. De forma alguma ousou bater à porta do parceiro, aquilo estava fora de cogitação.
Como não conhecia um centímetro da cidade, Sara perguntou ao gerente do hotel uma dica de um local para beber alguma coisa. Ela foi indicada a um karaokê no final da esquina. A detetive não era do tipo que frequentava esse tipo de estabelecimento, preferia um bom e velho bar, mas era a opção mais próxima. Como não conhecia a região preferiu acatar, evitando assim possíveis problemas. Vestindo uma roupa casual, a mesma de mais cedo com a exceção do cachecol, Sara deixou o lugar sem avisar o sargento. Levou o celular junto e sua pistola caso houvesse uma emergência.
Passando pela rua fria e meio vazia, Sara tentou esvair sua mente assim como as pessoas que via pela rua; descontraídas, sorridentes, típico de uma sexta-feira. Ela gostaria de ter a oportunidade de sair com Catherine e seus amigos, coisa que foi impedida por causa das correntes do trabalho. Tentaria aproveitar o pouco tempo para se divertir já que o dia seguinte seria puxado.
Ao chegar no karaokê Sara foi surpreendida pelo visual acolhedor do lugar: ambiente moderno, som moderado, luzes não agressivas e um open bar esperando por ela mais ao fundo. Vendo aquilo a detetive sorriu e caminhou direto pra lá. Ela tirou o sobretudo e se sentou no banco.
— Boa noite, senhorita. Vai querer o quê? — Um homem branco de cabelo raspado se aproximou dela com um sorriso caloroso. Era o barman.
— Tequila. Bem forte. — Enfatizou fazendo um gesto positivo.
Enquanto aguardava seu pedido, a detetive se virou para o palco mais ao fundo do lugar. Uma mulher acabara de subir, seria a próxima a cantar no karaokê. Ela estava um pouco nervosa, mas os amigos sentados à mesa começaram a gritar seu nome e fazerem brincadeiras para levantar sua moral. Sara não segurou a breve risada. A jovem olhou para o monitor à sua direita e balançou os braços, se preparando para cantar. A música que iniciou foi "Love you like a love song" da Selena Gomez.
A morena fez uma careta. Aquele tipo de música com certeza não fazia seu tipo. O barman voltou com seu pedido e ela se virou logo para pegar o copo e beber. Balançou a cabeça e tomou um gole. Ela apoiou os antebraços no balcão e respirou fundo. Olhou para o copo em sua mão e o ficou admirando.
— Tudo bem, gata? — O barman, um pouco ousado até, tentou puxar assunto com ela. Não chegou mais gente que ele podia receber; entediado, iniciou conversa.
— Tá sim... — Ela respondeu. Sabia que ele não tinha outras intenções. Sara tomou outro gole e desta vez bebeu todo o conteúdo do copo.
— Vai eu conheço esse rosto. Aconteceu alguma coisa que tá deixando assim.
Disfarçando, a mulher fez um gesto com o pescoço indicando que sim e depois pediu por outra dose. A música pop ainda tocava o que a estava deixando nos nervos.
— Obrigada. — disse ela ao pegar a segunda dose. Sara bebeu um pouco e suspirou.
O barman se deu por vencido. Imaginou que não conseguiria bater um papo com a morena para descontrair então pensou em ir embora.
— Sabe o que é? — De repente Sara puxou assunto, chamando sua atenção. Ela tomou um gole generoso da bebida — O cara que eu tô afim não dá uma dentro.
— Hum, sei. — O barman sorriu.
— Que merda. Eu tentei várias vezes me aproximar dele, mas... sei lá ele parece que prefere ficar longe de todo mundo. — lamentou enquanto observava e balançava seu copo.
— Será que ele não quer espaço?
Ela ergueu as sobrancelhas e riu.
— Mais espaço que ele tem? — Fez uma careta — Bem difícil. — Ela ficou em silêncio por um tempo, o que quase fez o barman se afastar novamente — Ele é uma boa pessoa... tem passado por situações complicadas e isso têm deixado mal. O problema é que... às vezes ele exagera e vira uma onda, levando todo mundo junto. — lamentou.
— Talvez ele precise de ajuda.
— Pode ser que sim...
Aquela música no karaokê terminou para a felicidade de Sara.
— Olha, eu não conheço vocês dois. Mas por que não fala com ele? É noite de sexta, o pessoal tá sempre maleável pra conversa, quem sabe umas bebidinhas.
— Eu devia ter chamado ele pra beber comigo. Quem sabe a gente não ficava bêbado junto e conversava melhor, não?
O barman riu com a piada. Uma pessoa se aproximou do balcão e fez o pedido.
— Espero que eu tenha servido de alguma ajuda, gata. Qualquer coisa me chama.
— Obrigada.
A detetive terminou de beber e deixou o copo no balcão, decidindo se pediria mais doses, pediria outra bebida ou se subiria no palco para cantar. Sozinha naquele lugar novo, sua vontade também pendia em deixar o karaokê logo, voltar para sua cama e descansar um pouco. A breve conversa com o desconhecido pôde servir como incentivo, isso ela tinha que admitir. Poderia falar com Grissom; mas falar sobre o quê? Se tinha uma coisa em que os dois eram parecidos era cortar uma conversa no momento em que o assunto era indesejável.
Não custava tentar, ao menos.
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— Diga, Grissom. — falou a mulher.
— Oi, Heather.
Sentado em sua cama e de celular no ouvido, o sargento ligou para a melhor pessoa em quem podia contar nos momentos melancólicos, assim como estava seu estado e seu quarto. Chegou a procurar por Sara anteriormente para falar sobre o caso, mas ela não estava.
— Desculpe ligar a essa hora. — disse, levando a mão ao rosto.
— Você sempre se desculpa. — A mulher riu — Não se preocupe, sempre tenho tempo pra te ouvir.
— Obrigado... — Em vez de continuar, Grissom ficou quieto. Suspirou por pouco tempo.
— O que está te afligindo, Gilbert?
Ele apoiou os braços nos joelhos e virou o rosto para o lado, em direção à porta.
— A situação não está boa.
— Continue.
— Eu não devia dizer isso a você, mas...
— Confia tanto em mim que vai falar?
Ele ficou em silêncio.
— Você é minha amiga. Eu confio em você.
— Estou lisonjeada. Continue, então.
— Eu... o assassino que estamos procurando enviou uma mensagem direcionada pra mim. — Grissom fez uma pausa — Ele quis lembrar o houve comigo anos atrás.
— E isso o atingiu em cheio, não é?
— Não faz ideia. — O sargento balançou a cabeça — Não sei se ele me quer como o próximo alvo ou se quer me provocar. Estou confuso... — Pressionou a mão sobre a testa — chateado...
— Ele quer que você saiba o seu lugar, Gilbert. Quer te controlar.
O sargento ergueu seu olhar para a frente. Se levantou e caminhou para perto da janela.
— Por que ele fez isso justamente agora?
— Não sou policial. — Brincou ela — Talvez ele queira... fazer você entrar no jogo dele.
— Droga. O que mais aquele desgraçado pode saber e usar isso pra me atingir?!
— Será que ele sabe sobre o seu envolvimento com Sara no passado?
Ah não.
Por um momento o sargento não relacionou a detetive nessa história.
— Céus, Heather. — resmungou ele.
— Se em algum momento o assassino descobrir que você está apaixonado por ela e quiser usar isso contra você-
— Eu não vou deixar aquele desgraçado encostar nela. — Interrompeu-a, falando mais rígido que antes.
— Sei que não vai. — Ela fez uma pausa — E a propósito, como vocês dois estão?
— Nosso relacionamento está péssimo. Não acho que ela queira mais nada comigo. — Grissom aproveitou a deixa e desabafou — Ela prefere ficar com aquele outro detetive... Eu vi como ela e o Ivanenko se dão bem.
— Ela te disse isso? — perguntou Heather, mas não muito surpresa.
— Não.
Do outro lado da linha, Grissom pôde ouvir a risada de sua amiga. Ele não gostou, porém ficou calado.
— Vai ficar parado enquanto "observa" os dois se darem bem, então?
— Eu não sei o que fazer, Heather. — lamentou, meio irritado. Virou-se para os lados e fechou os olhos brevemente — Talvez o melhor seja deixar como está, acha?
— Se você prefere deixá-la ir novamente como fez antes, tudo bem.
— Por que você sempre faz isso? — Ele retrucou, inconformado com o deboche da Lady.
— Por que você sempre faz isso, Gilbert? — Ela o repetiu sarcasticamente.
O sargento começava a se arrepender em ter feito a ligação. Ele cerrou o punho esquerdo e se encostou na cama.
— Sei que está irritado, eu te conheço muito bem. Mas vai deixar a mulher que ama se apaixonar por outro?
Ele franziu a testa ao ouvir aquelas duas palavras.
— Todos tem o seu tempo. Mas se a deixar esperando demais... uma hora ela vai embora.
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Banho quente para relaxar o corpo e a mente agitada. Grissom vestiu uma calça preta e camisa cinza de manga, sentou-se na cama e ficou em silêncio por um tempo. Ele apoiou seus braços nas pernas e tentou refletir sobre o que houve neste dia. Ao menos o trabalho pôde tirar os pensamentos distorcidos sobre as horas escuras que passou sendo refém de um demônio. Tentaria dormir o quanto antes para descansar o máximo possível.
Entretanto, ouviu alguém bater na porta. Desanimado em atender quem quer que fosse, ele fechou os olhos e aspirou por um breve momento. Já não queria ver mais ninguém ainda mais ela, com quem gostaria de evitar outra discussão como tinha certeza que começaria.
Ao abrir a porta, não surpreso, ele olhou para o lado rapidamente.
— Oi. — falou secamente para ela.
— Oi. — Ela acenou.
Por um breve momento, o sargento analisou as roupas que ela vestia. Uma blusa lisa verde de manga longa confortável e calça xadrez de tom que combinava com a camisa faziam parte de seu vestiário. Um pouco próxima a ele, Grissom pode sentir o cheiro do sabonete que ela usou. Doce, quem sabe de flores; era muito bom, chegou a atraí-lo por um momento, mas ele se absteve.
— Onde estava? Procurei por você mais cedo. — Nitidamente incomodado ele foi direto.
— Saí pra beber alguma coisa. — Sara deu de ombros como se não se importasse.
Surpreso, o sargento arqueou as sobrancelhas. Pensou em questioná-la sobre o perigo de sair sozinha numa cidade desconhecida; mas sabia que criaria outra discussão, e ele não estava a fim daquilo. Ele apenas fez uma careta e deixou para lá.
— Está tarde, não? — Grissom deu meia volta e se sentou na cama novamente.
— Não existe a palavra tarde no vocabulário policial.
— Vamos ter um dia cheio amanhã. — retrucou ele.
— Eu sei. Também sei que você não me quer aqui.
Ele não respondeu, apenas olhou para baixo como costumava fazer.
— Quer falar sobre aquilo? — A morena apontou para trás com o polegar.
— Não. — O sargento sorriu sarcasticamente ao responder.
— Olha só, estou querendo ser de alguma ajuda. Quer que eu fique parada enquanto te vejo se afogar nesse caos todo? — Ela gesticulou com a mão direita. Ficou irritada com a atitude dele.
— Eu vou ficar bem, Sara. — Grissom tentou finalizar a conversa. Ele se levantou e a encarou frente a frente.
— Vai mesmo? Depois do modo que você se comportou naquela hora? — Sara franziu o cenho — Achei que você viraria uma besta, acredite.
— Eu fiquei irritado, está bem? Ver que um desgraçado como o Zodíaco mandou a mensagem me lembrando o inferno que eu passei não poderia me deixar de outro jeito. — justificou-se, sem perder o tom rigoroso.
— Eu sei, por isso mesmo quero ajudar você.
A morena se aproximou dele, foi então que ele desviou seu foco. Ela odiava quando o sargento fazia aquilo.
— Olha pra mim, Gilbert. — insistiu séria.
Com muita insistência ele fez o que lhe foi solicitado.
— Eu não tenho ideia do que você passou com aquele assassino, tá? Mas você não pode deixar que o trauma te consuma.
— Eu sei. — Ele fechou as duas mãos, tentando de todas as formas terminar com aquela conversa — Eu mesmo repito isso. Várias e várias vezes.
— Sabe qual é o seu problema?
— Sou frio, egoísta e antipático. Era isso que você ia dizer?
Em silêncio, Sara fechou os olhos e respirou fundo; impediu a si mesma de explodir com ele novamente.
— Eu não sei por que você ainda tenta, Sara. Depois de tudo que eu te fiz, você... — Grissom fez um gesto com a mão e logo em seguida se afastou — Você não merece passar por isso. Você tem que... parar.
— É isso então? Quer que eu vá embora, simples assim?
— Eu sei aonde você quer chegar com isso. — Ele apontou o indicador para ela — Eu sei aonde você quer chegar. Não era meu desejo ir embora daquele jeito... em ambas as vezes.
Ir embora da Califórnia, assim como foi embora de sua casa no domingo, foi tão doloroso quanto.
— Está bem. — Assentiu ela, suspirando em seguida — Está bem. — disse em definitivo. Cansada de continuar ali, a detetive se preparou para deixar o quarto dele.
— Fiquei com medo, Sara! — Grissom deu um passo à frente — Eu era jovem, bem mais ingênuo! — Apontou para si mesmo com as mãos — Eu- Eu nunca senti- — Ele se virou para o lado e tentou buscar palavras melhores — Não sabia lidar com o que eu estava sentindo. Fiquei com medo que fosse algo... algo além da amizade.
— Imaginei que fosse isso. — Sara respondeu quase friamente.
O sargento olhou para o lado esquerdo. Envergonhado com o fato, ele buscava palavras na tentativa de se retratar ou tentar algo do tipo.
— Sei que você não vai me perdoar. Você tem todo direito. — Após uma pausa de alguns segundos, voltou-se a ela novamente — Pode fazer ou pensar o que quiser de mim, Sara, eu mereço. Eu só quero que saiba que... — Ele cerrou os punhos brevemente e se corrigiu — Levei muito tempo para entender esse sentimento, essa... sensação de que... eu queria estar perto de você. Eu queria estar com você, mas não como um... como um amigo ou um professor. Céus!... Eu queria estar com você, perto de você como um homem está com a mulher que ama, como amantes.
Ela ficou quieta. Passou tempo demais para ele dizer aquilo, tanto que Sara não mostrou reação. Mas no fundo até ficou tocada por aquela declaração.
— Você foi a única mulher que realmente eu me apaixonei e é a pessoa que eu tenho errado mais. — O sargento levou as mãos aos bolsos da calça e baixou a cabeça — Eu lutei contra mim mesmo temendo que estivesse amando você naquela época. Só depois de muito tempo eu descobri que estava. — Ele fez uma breve pausa — Mas você merece alguém melhor que eu. Não merece passar por tudo isso.
Terminando de ouvir aquilo, Sara continuou ali, parada, sem demonstrar reação. Quando ergueu seu olhar para ela, a culpa invadiu sua mente. Doía ver o rosto que por várias vezes irradiava calor e alegria; mas para Grissom, tudo o que ele podia dignamente fazer, era terminar com aquilo antes que fosse tarde demais.
Entretanto, antes mesmo de dar o primeiro passo da despedida Sara se aproximou dele, o que aumentou ainda mais sua angústia. Ele queria recuar, mas não teve forças.
— Eu não consigo ficar com raiva de você por muito tempo. — disse ela, deixando escapar um sorriso breve — Eu fiquei decepcionada, isso é verdade, mas... tem algo, uma coisa... terrível que não me deixa te odiar.
— Sara, eu-
Ela tocou em seu rosto com as duas mãos e o fez se manter fixo nela. Um arrepio passou pelo corpo do sargento ao sentir aquele mesmo gesto de antes.
— Eu tenho que admitir: Desde a Conferência eu me apaixonei por você e... ainda sinto isso.
Grissom queria afastá-la como da outra vez para evitar outra possível desilusão. Mas ao sentir o toque de suas mãos ele ficou impotente, fraco. Perdeu a coragem de reagir. Suas mãos eram como o mais fino veludo que acariciavam e protegiam sua pele. Ninguém mais conseguia lhe proporcionar aquela sensação como ela. Ele não merecia tanto carinho, mas não queria que tivesse fim.
— Você tinha uma... energia, uma força que contagiava. Sua paixão pelo que fazia me moveu de uma forma tão grande que... quando me dei por conta já estava te amando. — Ela não tirava seus olhos dele.
O sargento balançou a cabeça. Ficou envergonhado ao ouvi-la dizer aquelas palavras, chegando a acreditar cada vez mais que não merecia tê-la por perto.
— Sara.
— Que foi? — perguntou ela ao atentar para seus lábios.
— Por quê? — perguntou entre um suspiro.
Sara acariciou seu rosto com os polegares lentamente.
— Não sei... realmente eu não sei.
Por favor, implorou Grissom para que ela parasse com aquilo, mas quanto mais o tempo passava ele não conseguia resistir.
Grissom aproximou seu rosto ao dela e aos poucos suas testas se tocaram. Era como se a noite de domingo retornasse, mas dessa vez havia algo mais que o outro dia não teve.
— Depois de tudo que eu te fiz, — Ele atentou para seus olhos — você ainda tem coragem de fazer isso?
— Não dá pra explicar. Eu só... sinto.
Algum tempo depois ele engoliu em seco. Balançou a cabeça lentamente e fechou seus olhos:
— Eu... preciso de você.
As palavras que quase saíram como um sussurro causaram um arrepio em Sara. Demorou um tempo para que ela descobrisse que estava apaixonada pelo detetive de Vegas que veio palestrar nos dias da Conferência. Poderia ter se envolvido com Hank anteriormente, mas era por Grissom a pessoa por quem ela se apaixonou intensamente. Quando o encontrou em Las Vegas o sentimento descoberto antes retornou ainda mais forte. E esta força pela qual Sara lutou tanto para resistir aos poucos tomou o controle e se libertou finalmente.
Os policiais trocaram olhares e o tempo parou. Eles não podiam ficar separados e eles sabiam muito bem disso. Os dois se encontraram em um abraço forte, aconchegante, redentor. Sara deslizou as mãos até a nuca dele e o trouxe para mais perto. Seus lábios se tocaram como se fosse o primeiro beijo; aquela sensação de borboletas no estômago misturou-se com a chama de um amor que queimava cada vez mais e incendiava todo obstáculo que estava pela frente.
O beijo, carinhoso, mostrou-se mais doce que o de domingo. Havia mais que paixão, era todo um conjunto de sentimentos de amor e perdão que se misturaram em algo muito mais forte. Eles não se preocuparam em acelerar o gesto que causava calafrios fazia o coração disparar a cada investida. Grissom a puxou carinhosamente para mais perto, assim como fez naquela noite; mas desta vez faria diferente, não iria se afastar tão cedo dela.
Parecia que o tempo não fosse suficiente para recuperar tantos anos de solidão. Algumas vezes Grissom podia sentir desespero ao imaginar que aquilo uma hora ia terminar. Mas então ela o encarava no fundo de seus olhos e aquilo trazia uma paz que não dava para explicar.
Houve o momento em que o beijo por si só não foi suficiente para ela, que deslizou suas mãos por baixo da camisa. Sentir o toque de suas mãos quentes em sua barriga causou calafrios nele. Cada vez mais ela subia suas mãos até que chegou nos mamilos, quando parou e resolveu instigá-lo a tirar sua camisa. Com urgência, ele cessou o beijo apenas para retirar a peça de roupa, mas ela queria mais. Vendo o peitoral descoberto do parceiro, tudo o que fez foi empurrá-lo até a cama. Sara foi logo em seguida. Subiu em cima dele e fez questão de retirar sua camisa; não tão rápido, apenas para que ele fizesse questão de não perder os detalhes. Ela, que não usava mais nada por baixo da camisa inclinou-se até chegar aos lábios dele novamente. Livres de quaisquer peças de roupa à altura do peito, o contato da pele suave incendiou o momento.
Da boca, a morena desceu até seu pescoço e o beijou lentamente por várias vezes; aproveitando o momento, ela deslizou a língua sobre sua pele. Cada vez que fazia isso era como um choque para o sargento que respondia com gemidos, implicitamente pedindo por mais. Sara continuou a descer e quando chegou ao peito ela mordiscou seus mamilos levando-o à loucura. Ela foi recompensada por um gemido do parceiro e pelo volume que cresceu entre suas pernas. Sentindo isso, ela sorriu, tocou naquela área específica para provocá-lo e pressionou levemente. A feição no rosto dele era impagável.
Grissom apertou a cintura dela e deslizou sua mão por de sua calça na intenção de tirá-la. Mas ela foi mais rápida e virou seu corpo levando-o junto.
— Ah é? — Ele perguntou maliciosamente após ter sido interrompido.
— É. — Ela riu.
Ele se virou por completo; por cima dela, pôde admirar a visão que obteve. Então apoiou suas mãos sobre a cama e começou a beijar seu pescoço. O perfume que exalava de sua pele era extasiante. Grissom fechou seus olhos e deixou-se levar por aquela fragrância. Entre um beijo e outro sua língua corria sobre o pescoço e ela respondia na mesma hora com arranhões em suas costas. Aquilo não o incomodava, muito pelo contrário, o deixava ainda mais excitado.
Uma onda de adrenalina percorria em seu corpo. Ele desferiu mais e mais beijos em seu pescoço e foi descendo até chegar aos seios. Ao encostar seus lábios, Sara reagiu de imediato puxando-o para mais perto. Grissom entendeu aquilo como permissão para continuar. Ele tomou um dos seios com a boca e o chupou intensamente enquanto acariciava o outro seio com a mão. Sara gemeu e arqueou suas costas assim que sentiu o toque dos lábios brincarem com o seio. Enquanto isso, Grissom massageava o mamilo direito com movimentos circulares do polegar lenta e rapidamente; fez os mesmos movimentos com o outro seio, também. Cada vez mais ele arrancava gemidos desesperados de sua parceira, e ela, continuava arranhando-o na medida em que recebia esses estímulos.
Grissom nunca imaginou seu sonho se transformar em realidade. Aquilo era melhor que o sonho, não dava para comparar. Ele realmente estava amando sua parceira, desejo que foi enterrado desde a época em São Francisco. Por incrível que parecia, ele estava recebendo uma nova chance de amar alguém e foi exatamente ela. Talvez ele não seria capaz de amar outra pessoa tão intensamente quanto amava Sara.
Não se contentando em esperar por seus movimentos, ela o beijou lentamente para saciar um desejo interminável. Depois disso ela desceu as mãos até a calça dele e começou a provocá-lo. Ele olhou para baixo e, atendendo ao pedido da parceira, tirou a peça rapidamente e a chutou até o chão.
— Satisfeita? — perguntou maliciosamente.
— Claro que não. — Sorriu e o fez sorrir também. Ela persistiu e tentou retirar a última peça de roupa restante de seu corpo. Não se daria por satisfeita até que o terminasse o trabalho. Logo o fez, baixou a cueca verde enquanto seu parceiro precisou apenas terminar o trabalho.
Grissom se aproximou ao pé do ouvido dela. Beijou sua bochecha e seu pescoço por várias vezes.
— Eu te amo, Sara. — disse, causando-lhe arrepios. Talvez não fosse o melhor momento para dizer aquilo, mas algo dentro dele o incentivou. Poderia ser a frase mais clichê para se falar, mas não haviam outras palavras que pudessem expressar melhor e totalmente o que ele estava sentindo. Para um homem como Grissom ter uma oportunidade como aquela foi uma dádiva.
Sara virou o rosto para encará-lo. Estava sorrindo, ao contrário dele que se mantinha quase extasiado por compartilhar um momento daquele. A detetive uniu seus lábios aos dele trazendo-o para si. Incrível como ele conseguia deixá-la excitada e apaixonada ao mesmo tempo. Em sua juventude nunca poderia imaginar que criaria um sentimento tão forte pelo homem treze anos mais velho que conheceu em São Francisco. Da mesma forma, ele não imaginaria que pudesse nutrir um amor por alguém, este que se achava incapaz de criar uma relação como aquela.
— Eu quero você. — Ela o encarou nos olhos e o puxou para beijá-lo, entrelaçando sua língua na dele só para mostrar que nunca esteve tão convicta de seus desejos quanto agora.
Não perdendo mais tempo, na mesma hora ele tratou de tirar as roupas ainda presentes nela. Seus corpos, já sem roupa alguma, se entrelaçaram num contato que fez o coração acelerar ainda mais.
— Sara. — Ofegante, ele falou ao pé de seu ouvido.
— O quê...? — De olhos fechados ela alongou a última palavra.
— Você-
Na mesma hora ela segurou o rosto dele e o fez encará-la nos olhos.
— Eu tomo remédio. — Sara respondeu, visando seus lábios. De alguma forma sabia muito bem qual seria sua pergunta ou o caminho pelo qual ele iria tomar.
Ele assentiu e suspirou rapidamente. Grissom não fazia sexo há anos e nem pensava que fosse fazer novamente. Sentiu-se um pouco nervoso, por mais que estivesse explodindo de paixão e excitação por sua parceira. Chegou a sentir medo de fazer algo errado e terminar o prazeroso momento da pior forma possível.
— Ei. — Ela o chamou, ainda segurando seu rosto com ambas as mãos — Relaxe. — Sorriu, descendo a mão direita sobre o braço esquerdo dele até chegar à mão, conduzindo diretamente para seu membro já ereto.
De olhos fixos em Sara anteriormente, Grissom olhou para baixo e completou o trabalho. Lentamente ele penetrou nela. Gemendo, ela mordeu o lábio inferior e fechou seus olhos. Envolveu suas mãos nas costas dele e pressionou suas unhas sobre a pele. Quando adentrou nela ele começou a se mover, tão lentamente quanto entrou. Ele também fechou os olhos e gemeu.
Nada podia explicar o que ele sentiu quando fez o primeiro movimento. O tempo parou, o que estava fora daquele quarto não importava, somente a sua parceira. Ele queria satisfazê-la, mostrar para ela o quanto era desejada. Aquela poderia ter sido sua última chance de fazer a coisa certa, se deixasse de agarrar a oportunidade seria tarde demais.
Grissom moveu seus quadris lentamente apoiando-se na cama para ter controle de seu corpo. Manteve o mesmo ritmo lento e só o aumentaria quando ela decidisse ou estivesse pronta. Ouvir sua voz quase desesperada de excitação era música para seus ouvidos. Ele também não ficou quieto. O deslizar das unhas dela em suas costas e os toques firmes e delicados por sua pele que acariciavam e apertavam a todo o momento o conduzia a murmúrios e gemidos.
No decorrer das investidas os dois se encontravam em beijos apaixonados. Suas línguas se entrelaçavam furiosamente enquanto seus quadris se mexiam em sincronia. Quando chegava fundo nela, Sara arqueava suas costas e inclinava a cabeça para trás. Grissom a estava matando de prazer, mas aquele ritmo lento já não era suficiente.
— Mais rápido. — ordenou ela ao falar-lhe ao ouvido.
Grissom não pestanejou em atendê-la. Apoiou-se mais firme na cama, mordeu o lábio inferior e acelerou a penetração. Mais rápido. Sara envolveu suas as pernas um pouco acima das nádegas dele. Deslizou suas mãos sobre seu cabelo e envolveu sua nuca, trazendo-o para si. Ele aproveitou a deixa e brincou com o seu pescoço desferindo-lhe beijos.
Silêncio já não existia mais nos minutos que se sucederam. Suas vozes, quase roucas, ecoavam pelo quarto. Não ligavam se alguns "vizinhos" os escutassem; ao menos, longe do lugar de onde os holofotes se encontravam eles estavam seguros. Eles perderam tempo demais em brigas desnecessárias e tudo o que queriam era compensar os momentos.
Grissom sentiu que estava perto de chegar ao clímax e talvez não conseguiria segurar por muito tempo. Ofegante, ele sussurrou:
— Tô no limite.
Ela também estava próxima de ter um orgasmo, mas sentiu que o parceiro estava muito mais próximo.
— Continua. — Ela foi firme.
Por mais que estivesse se cansando, as palavras dela serviram de motivação. Num último esforço Grissom pressionou os dentes sobre o lábio inferior e agarrou o lençol da cama com toda a força. Manteve o ritmo rápido, mas suave, não agressivo. Beijava seu ombro, seu pescoço, tudo para deixá-la mais à vontade e satisfeita possível.
Passado um tempo, chegou o momento em que seu corpo não resistiu e ele chegou ao clímax. Parou aos poucos devido ao esforço feito, chegando a prender a respiração brevemente. Só não parou de uma vez porque sabia que Sara ainda não estava saciada por completo. Então continuou a se mover dentro dela mesmo quase exausto, mas não ia parar e deixá-la a esmo.
— Quase lá. — sussurrou, implicitamente pedindo para que ele continuasse. Sua quase não voz o fez sorrir.
Ouvindo aquilo o sargento fez um último esforço e manteve o mesmo ritmo. Se por um lado estava cansado, por outro era bom demais saber sentir-se daquela forma, sabendo que ele conseguia saciar os desejos dela.
De olhos fechados e agarrando-se ao parceiro, Sara finalmente chegou ao clímax. Ouvir aquele gemido de satisfação foi a melhor coisa para ele, que parou os movimentos aos poucos. Os dois estavam ofegantes, o cansaço era evidente, principalmente para Grissom.
O sargento se ergueu um pouco para vê-la. Quando ela percebeu deixou escapar um sorriso cansado e olhou para o lado. Ele aproveitou a deixa e beijou sua bochecha esquerda.
— Eu também te amo. — disse em voz baixa. Sara deslizou a mão direita sobre o rosto dele e acariciou. Em resposta Grissom fechou os olhos e beijou a mão que o acariciava.
Foi necessário um minuto para que eles recuperassem o mínimo de fôlego para, enfim, se separarem. Exausto, Grissom descansou a cabeça em seu peito e soltou um suspiro de cansaço. Em troca recebeu o carinho dela ao deslizar suas mãos sobre os cabelos.
Houve silêncio, provavelmente o "choque" por aquilo ter acontecido, mas não de uma forma ruim, muito pelo contrário. Foi como se todo o peso daquelas brigas, discussões e sentimentos ruins fosse retirado e jogado fora. Talvez eles não tivessem dado conta ainda que agora estavam juntos e que nada daquilo era um sonho.
— Você foi ótimo... sabia? — comentou enquanto brincava com seus cabelos. Também cansada, sua voz baixa refletia seu estado.
— Eu estava nervoso.
— Esquece, eu também estava. — Ela riu.
— Você foi maravilhosa. — Grissom se aconchegou ainda mais seu peito e assim pôde ouvir seus batimentos — Coração... tá... batendo rápido. — disse ele em voz baixa.
— E o seu, não está? — Brincou ela enquanto continuava a mexer em seus cabelos.
Sara pôde sentir que ele sorriu ao ouvir seu comentário. Após finalmente se erguer, Grissom encarou o rosto dela, beijou seus lábios e sua bochecha. Então se lançou na cama, suspirou por longos segundos e esticou o braço para alcançá-la. Sara, que o observava, se achegou nele e apoiou o braço esquerdo em seu peito. Silêncio. Na verdade, o silêncio ainda estava distante, o que se podia ouvir o som das respirações que aos poucos se normalizavam.
Sem palavras para se expressar direito, tudo que conseguia fazer era deslizar os dedos carinhosamente em seu braço.
— Então... nós... — Grissom falou, mas não sabia como prosseguir.
— Estamos juntos agora. — Ela respondeu brincando.
— Isso. — Assentiu.
Sem querer os dois riram ao mesmo tempo.
— Dá pra... acreditar no que houve aqui? — perguntou a detetive.
O sargento beijou sua testa. Ela se ergueu e os dois trocaram outro beijo.
— Não... não dá. — Ele respondeu, atentando para seus lábios quase hipnotizado — Isso foi... tão... maravilhoso que eu... parece mentira.
— Nunca pensei que nossa primeira vez seria num quarto de hotel. — Sara brincou e acabou rindo em seguida.
Surpreso, Grissom arqueou as sobrancelhas.
— Já imaginou a nossa primeira vez antes?
— Admito que sim. — Ela sorriu e deu de ombros — Mas não dá pra comparar um sonho com o que houve aqui.
O sargento disfarçou olhando para o lado momentaneamente.
— Eu também admito que... sonhei com isso.
Surpresa, ela ergueu as sobrancelhas o encarou com um sorriso malicioso.
— Você sonhou, é? E como foi? — Ela deslizou os dedos em seu peito.
Ele mordeu o lábio inferior, meio envergonhado por falar aquilo.
— Muito bom.
— Muito bom, como? — A mulher o provocou ainda mais.
— Bom demais. Mas não tem como comparar com o que houve agora. — Brincou ao repetir quase a mesma fala de sua parceira — Isso aqui foi real, é impossível comparar com um sonho.
— Hum... — Ela gostou bastante da resposta — Fico muito contente em saber disso. — disse, após dar um leve tapinha em seu peito.
Depois de um pequeno período em silêncio, Grissom tinha algo a dizer que pensou ser dever seu em falar para ela. Se não o fizesse aquele pensamento ficaria preso em sua mente.
— Sara.
— Oi.
— Eu... — Ele se virou de lado para encará-la melhor — queria pedir desculpas pelo que tenho feito ultimamente.
— Não precisa pedir desculpas agora.
— Preciso, sim. Ultimamente eu só tenho te decepcionado... Eu queria que você ouvisse da minha boca que estou arrependido.
Sara envolveu suas mãos em sua nuca. Beijou seus lábios lentamente e depois o beijou rápido por várias vezes.
— Acredito que as pessoas podem mudar. — falou baixo — Eu acredito em você.
Grissom passeou seus dedos nos cabelos castanhos dela e ficou admirando a mulher por quem se apaixonou. Observando aquilo, Sara pegou sua mão a entrelaçou, porém desfez o gesto; virou a mão dele e deslizou o polegar sobre a palma. Sentiu um corte recentemente cicatrizado.
— O que houve aqui? — perguntou um tanto preocupada.
— Um caco de vidro... — disfarçou. Pensou em fechar sua mão, mas deixou que ela continuasse daquele jeito — Longa história.
Ela fez uma careta. Não ficou satisfeita em receber uma resposta tão evasiva ainda mais que além de parceiros, agora eram mais íntimos que antes ou ao menos começavam a ser.
— Eu... quebrei um copo jogando ele no chão e me machuquei quando tentei limpar a bagunça.
A mulher envolveu sua mão na dele. Não respondeu já que sabia que não ia adiantar muita coisa.
— Você tem que relaxar...
— Não é algo fácil, você sabe.
— Mas você tem que tentar. Eu tô aqui agora, do seu lado. — Ela ficou em silêncio, olhou para o lado e continuou a falar — E sobre hoje...
— Tá falando sobre-
— Sim. — Sara assentiu — Fiquei muito preocupada, Gil. — Ela tocou no canto de sua testa e deslizou até chegar à bochecha.
— Eu sei. Eu exagerei, eu... — Grissom balançou a cabeça — quero mudar.
— Vamos fazer isso juntos, ok? — Sorriu.
— Ok. — Assentiu, meio sério, mas ela relevou.
O sargento a acariciou com a mão cicatrizada. Aproveitando a deixa, Sara tocou em sua mão mais uma vez a cobriu carinhosamente.
— Eu não queria que essa noite acabasse. — lamentou ela enquanto brincava com seus dedos.
Ele se virou para ficar de frente para a parceira.
— Eu também não. — concordou — Queria fugir com você pra longe dessa correria. — disse após suspirar.
— A gente pode fugir depois que isso acabar. — Ela riu.
Sorrindo com o comentário, Grissom apoiou-se sobre o cotovelo.
— Somos só eu e você agora. — O sargento sussurrou, atentando para seu olhar.
— Contra todo mundo?
Ele assentiu.
— Contra todos.
Próximos um do outro, os dois trocaram um beijo rápido.
— Queria ficar a noite toda acordado... Mas amanhã será um dia cheio, amor. — Com o polegar, Grissom tocou no canto de sua boca e deslizou-o lentamente.
— Infelizmente não descobriram como fazer o tempo parar, não é?
Não deu para conter o sorriso. Quase tudo que Sara fazia ou falava era motivo para ele sorrir.
O sargento se levantou, caminhou para perto do interruptor e desligou a luz. Voltou rápido para a cama e para perto da mulher que amava. Grissom puxou o edredom ao pé da cama e cobriu os dois. Ela se virou de lado, chamando-o para perto. aconchegou em seu peito novamente e suspirou.
— Eu te amo, querida. — disse após beijar sua bochecha.
— Querida?
— Não gostou?
Sara virou o pescoço para encará-lo. Estava sorrindo.
— Eu amei, de verdade. — Após isso Sara o beijou carinhosamente. Ela voltou para sua posição e quase na mesma hora Grissom a acompanhou.
De agora em diante tudo seria diferente. Após um longo tempo de incertezas e obstáculos, Grissom e Sara finalmente abraçaram um amor cultivado anos atrás. Eles sabiam que assumir um relacionamento daqueles seria, também, assumir riscos. Mais que nunca o sargento e a detetive teriam de atentar para um cuidado redobrado. Era perigoso para ambos, mas era um perigo que valia a pena correr.
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