Manhunters
14 "Em Off"
Notas iniciais
Sete e vinte da noite. Grissom levantou um pouco assustado, mas não por causa de um pesadelo. Ele colocara o despertador para tocar, com medo que dormisse demais e perdesse a hora. Já estava escuro, então ele acendeu o abajur no criado-mudo, ao seu lado direito. Num primeiro momento sentiu-se confuso, pois não estava acostumado com o lugar a sua volta. Franzindo um pouco seus olhos e observando atentamente o pequeno quarto, aos poucos se acostumou.
— Ah... — ele bateu a cabeça no travesseiro, suspirando fundo. Levou as mãos ao rosto e esfregou-o. O sargento se levantou aos poucos e ficou sentado na cama, ainda voltando a si. Parecia que tomou uma garrafa inteira de uísque antes e que agora sofria de ressaca. Ao menos a dor de cabeça não era tão forte.
O caçador aproveitou que sua bolsa de viagem estava ao lado e se esgueirou para revirar o bolso da frente e pegar um analgésico. Ele abriu a cartela e pegou um comprimido, engoliu em seco mesmo. Não demorou muito tempo para que o sargento se levantasse logo e calçasse os sapatos. Olhou para si e notou que a camisa estava um pouco amarrotada; ao menos o paletó e o sobretudo disfarçariam o amasso. Logo em seguida o sargento abotoou a camisa, pôs a gravata novamente e o paletó. Pronto.
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Estava mais frio, Grissom pôde sentir a variação da temperatura assim que saiu do quarto. Ele trancou a porta e guardou a chave no bolso da calça. Virou-se para a porta do quarto da parceira e suspirou. Novamente evitou entrar em contato com ela, então passou direto. Planejou ir até o restaurante da pousada e jantar, depois disso esperaria até chegar a hora de falar com o guarda Samuel Davis.
O sargento passou no saguão que dava acesso ao restaurante e entrou no espaço. Dessa vez mais pessoas se faziam presentes no local, ao contrário do pouco movimento notado mais cedo. Tinha gente comendo sozinha, duplas e grupos conversando e tudo mais. O som aglutinado no local o fez sentir uma leve pontada na cabeça. Lembrar-se-ia de pedir uma xícara de café assim que terminasse de comer.
Por alguns segundos Grissom observou o local de entrada a procura de uma mesa livre. Não queria ficar muito tempo em pé para não chamar a atenção dos outros, mesmo parecendo que não estavam nem aí para ele. Logo encontrou uma mesa, só que não estava livre, sendo ocupada por alguém conhecido ao menos. O sargento caminhou até os fundos e tocou no ombro da pessoa, que estava sentada de costas a ele.
— Boa noite, importa-se que eu me sente aqui?
O homem negro de cabelos raspados levou um susto no momento em que o sargento apareceu.
— Ah, é você, sargento. — Ele balançou a cabeça comentando como se não estivesse satisfeito com a presença de Grissom ali — Fique à vontade. — Fez um gesto com a mão, falando não muito animado.
— Não sabia que o senhor fazia dois turnos, guarda Hawnkins. — O sargento deu um sorrisinho, sentando-se à mesa em seguida.
— É... hoje eu precisei ficar um pouco mais. — Disfarçou, e depois comeu duas buffalo wings que eram asinhas de frango acompanhadas de molho picante.
— Sei como é, trabalho é assim mesmo. — falou Grissom, olhando para o lugar à sua volta — É... garçom? — Ele estendeu o braço para o garçom que caminhava próximo a eles.
— Boa noite, senhor, o que gostaria? — Perguntou o empregado.
— Costelas de porco com molho barbecue e batatas fritas.
O guarda disfarçou, fez uma careta e depois deu outra garfada em sua comida.
— E para beber vou querer um vinho que combine. Não entendo muito disso então escolha o melhor, por favor.
— Certamente. — O garçom assentiu.
— Obrigado. — O sargento sorriu satisfeito.
— E o senhor, guarda Hawnkins, vai querer algo mais?
— Não, obrigado.
O garçom assentiu novamente e não esperou mais, se retirando em seguida.
— Bem... Onde está a sua parceira... Sidle, né? — O guarda fez um gesto com a mão, tentando se lembrar.
— É. Ela está em algum lugar aqui. — Grissom respondeu secamente, tentando tirar um sorriso do próprio rosto.
— Certo. — O guarda bebeu um gole do vinho branco na taça e acabou alongando a conversa — Então, conseguiram o que desejavam ao falar com meus guardas?
— Sabe que não posso sair falando detalhes... a mais, senhor Hawnkins. — Grissom deu de ombros — Mas, se o senhor quiser falar algo que possa nos ajudar, eu pensarei no seu caso. — terminou cruzando os braços.
— Isso aqui virou um interrogatório agora? — O homem ergueu as sobrancelhas, falando desconfiadamente.
— Não precisa ser. Podemos conversar em off, como novos e bons amigos. Apenas um bate-papo. — O sargento sorriu intencionalmente.
— Ah, sargento Grissom... — Steve fez um gesto com a mão, rindo ironicamente — Por favor! Não quero falar alguma coisa e sair como o dedo-duro da história.
— Então o senhor tem mesmo algo a dizer! — Grissom apontou com a mão o guarda, que parecia mais recuado.
Levou alguns segundos para que Hawnkins voltasse a encarar o sargento. Ele bebeu outra taça de vinho e falou em voz mais baixa:
— Olha só, não posso falar muita coisa até porque peguei esses homens há menos de um ano. — Ele movimentou um pouco seu tronco para falar-lhe mais baixo.
— Tá. Fale-me o que sabe sobre aqueles dois. Como se comportavam nos primeiros dias da mudança de turno?
— Bem... Philip se acostumou fácil. — Ele voltou à posição em que estava — Nem parecia que trabalhou na noite que a moça foi assassinada. Já ouvi outros falarem que ele estava envolvendo com algumas mulheres aqui.
— Fez alguma coisa em relação a isso? — Grissom ergueu as sobrancelhas.
— Não tive provas, então não pude fazer nada. Não tinha como sair encarando ele! — O guarda deu de ombros.
— Além disso, Philip apresentou algum comportamento suspeito?
— Não sei... Sua pessoa já é estranha... nada contra ele, é claro. Mas se fosse para deduzir um suspeito... — Hawnkins não terminou, mas já deixou a resposta clara implicitamente.
— Parece meio convicto disso... senhor Hawnkins. — O sargento gesticulou com as mãos — Por acaso já teve problemas com ele?
Steve tomou o último gole de sua taça e encarou o homem à sua frente.
— Vamos nos concentrar no que interessa, senhor Grissom. — respondeu ao comer uma das últimas asinhas que sobravam em seu prato.
— Certo. — Assentiu — Não vou te pressionar, se acha que é isto que estou fazendo agora. — Grissom ergueu a mão direita — Ele disse que vinha "reclamando" da falta de melhorias na segurança. Sei que naquela época haviam apenas três guardas patrulhando aquela área. Era isso mesmo ou havia falta de pessoal.
O supervisor dos guardas olhou para o lado, desconfiado.
— O número de guardas ao todo naquela época era de cinco, no máximo. Já o turno do dia contava com dez.
— Nossa! — O sargento moveu o corpo para trás, fingindo surpresa — E logo no dia do crime contavam apenas com três homens? O que foi dessa vez? Corte de pessoal, ou as duas benditas almas faltaram ao trabalho?
Hawnkins revirou os olhos ao notar aquele explícito tom irônico de Grissom.
— Apenas estes. — Steve forçou as palavras — Não tínhamos problemas com a segurança por aqui.
— Tudo tem uma primeira vez, não é mesmo?
— É. — respondeu secamente.
O sargento esperou que o guarda comesse a última asinha de seu prato e então continuou:
— E o Hernández?
— Pedro é fechado, não gosta muito de conversa. Eu mal conheço sua vida direito.
— Por acaso ele já se queixou sobre problemas com Philip ou outros guardas? Ele me contou que estava querendo trocar de turno há um tempo, talvez por problemas?
— Não, não, como disse antes não posso te dar muitos detalhes.
Interrompendo a conversa, o garçom chegou o com pedido de Grissom e o serviu. Era um prato recheado que encheu os olhos do sargento.
— Obrigado. — agradeceu com vontade.
Em seguida outro garçom veio e trouxe uma garrafa de vinho tinto e uma taça. Antes que ele fosse embora, Grissom pediu para que levasse a garrafa, explicando que estava a trabalho.
— Bem, voltando à nossa conversa... — comentou risonho, enquanto pegava o garfo e a faca e começava a partir um pedaço da carne — Diga-me sobre o que se lembra naquela época... os funcionários e essa administração. — Quando terminou, comeu um pedaço.
— Agora isso parece um interrogatório. — Steve deu uma breve risada.
— Não precisa responder. Mas saiba que estou apenas fazendo o meu trabalho. — O sargento tomou um gole do vinho e continuou — Quero pegar o desgraçado que matou a mulher covardemente. Nós temos prova que a câmera foi movida na hora do crime e temos quatro homens suspeitos de terem ajudado o assassino. A não ser que você tenha ajudado o criminoso, acho que seria uma boa escolha nos ajudar a resolver esse caso.
O guarda, que apoiava as mãos sobre a mesa, cerrou os punhos. Grissom notou com clareza aquele gesto, percebendo o incômodo.
— Não me falaram nada quando eles chegaram. A administração apenas me informou sobre a troca de turno. O máximo que vi aqueles dois interagindo foram nos primeiros dias. E não, não tenho nada a ver com essa maldita história, sargento Grissom. Nem trabalhava naquele turno!
— Então me ajude! — O sargento fechou o punho direito na frente do homem para que pudesse vê-lo — Dê-me os relatórios daqueles homens; possíveis queixas ou desentendimentos. Preciso ter certeza que, ou eles estão envolvidos nisto ou não.
— Isso não vai comprovar nada. — Steve deu de ombros, confuso.
— Não, mas vai me ajudar de outra forma.
Os dois homens se encararam. Grissom estava confiante de que estava prestes a convencer o guarda a ajudá-lo, pois notava a leve variação de expressões e atitudes que Hawnkins praticava em todo o momento que lançava-lhe uma pergunta. Se o guarda não quisesse mesmo "auxiliar" o sargento, já teria cortado o assunto logo no começo.
— Olha só, — O guarda levantou um dedo, apontando-o para o sargento — eu vou ajudar, mas quero seja... discreto, entendeu?
— Claro. Discrição total à sua pessoa, senhor Hawnkins. — Grissom bebeu um gole do vinho, e lançou um sorriso para o homem.
— Irei arranjar os arquivos para vocês dois, só assim para largarem do meu pé...
— Não fique assim, senhor Hawnkins. Nós, da polícia, agradecemos a sua colaboração.
— Hum. — Ele balançou a cabeça, preparando-se para levantar da cadeira — Dentro de alguns dias eu posso-
— Não. Precisamos disso o mais rápido possível. — Grissom foi curto e grosso.
— Defina "o mais rápido possível".
Grissom olhou para o relógio de pulso em seu braço esquerdo.
— Hoje é terça-feira, não é? Bem, como estamos num regime de quase urgência, preciso dos arquivos até... amanhã.
— O quê?! — O guarda ergueu um pouco a voz — Está brincando, não é?
— Eu não brinco com essas coisas. — O sargento garfou uma porção das batatas e comeu — Quanto mais tempo gastarmos será pior. — Ele fez uma pausa — Vocês têm os arquivos digitalizados, não é? Pode mandá-los a mim por e-mail, caso não consiga "agitá-los" a tempo.
Steve parecia que ia explodir com o sargento. Estava saturado, pois o homem abusou da paciência que bondosamente havia cedido. A única coisa que gostaria no momento era fugir para mais longe possível daquele policial. Mesmo não sendo, sentiu-se como um suspeito e que Grissom o "perseguiria" até conseguir o que desejava.
— Tá bom! — O supervisor ergueu as mãos — Farei o que puder! Agora me deixe... descansar! — Ele ergueu as sobrancelhas.
— Oh, sim. Boa noite! — Grissom acenou timidamente.
Steve estava prestes a se afastar quando novamente o sargento se dirigiu a ele.
— O que foi, senhor Grissom?
— Tome o meu cartão. Ligue ou mande um e-mail se precisar. — O sargento retirou o bolso interno do paletó um pequeno cartão e entregou ao guarda, que observou rapidamente os detalhes e voltou-se a ele.
— Mais alguma coisa? — Hawnkins perguntou sarcasticamente.
— Não. — Grissom respondeu no mesmo tom — Obrigado, senhor Hawnkins, e boa noite. — Assentiu.
— Boa noite. — Sem esperar mais, o guarda empurrou a cadeira para perto da mesa e foi embora.
Não demorou muito tempo para que um dos empregados viesse recolher o prato e taça de vinho usada pelo guarda Hawnkins, uns dez minutos depois. Grissom continuou o seu jantar ali mesmo, em silêncio. Estava satisfeito consigo mesmo por "arrancar" alguma coisa do chefe dos guardas do turno do dia. Quem sabe não poderia extrair algo mais dos guardas com os arquivos que receberia? Assim como Sara, o sargento carregava suas certezas sobre o possível cúmplice de Zodíaco. Não havia como ser alguém de fora, precisava ser um trabalho interno. Era necessário apenas um pouco mais de "pressão" para com os suspeitos, e logo descobririam a verdade.
Seus pensamentos foram interrompidos subitamente. Grissom olhou para sua frente, que era uma vista privilegiada de todo o restaurante. Ficou quieto e imóvel, apenas observando o que lhe chamou a atenção. Era ela, sua parceira.
A morena caminhava com uma expressão neutra, quase tranquila, como se todos os seus problemas tivessem desaparecido. Estava totalmente diferente da última vez que a viu, antes de sair de seu carro sem dizer uma única palavra. Sara, para a (grande) surpresa de Grissom, não sentou do outro lado do restaurante para implicitamente demonstrar que morria de ódio dele, não. Ela parou à mesa ao lado esquerdo dele, mas sentou-se de costas para o sargento. Por breves segundos Grissom estremeceu, mas não deixou isso à mostra.
E então veio o silêncio, uma das duas coisas que os dois sabiam fazer de melhor; a outra coisa era discutir.
O sargento olhou para o prato quase vazio e taça de vinho pela metade. Arrependeu-se de não ter deixado a garrafa por perto. Ergueu a mão direita que segurava o garfo, prestes a pegar um pedaço da carne já partida por ele.
— Oi, eu já tenho em mente o que vou querer. — disse a mulher para o garçom. Gilbert nem precisou se virar para saber quem falava com quem. Até se esqueceu do alimento em seu garfo — Cogumelos shitake com creme de brócolis e arroz integral.
Grissom franziu a testa; ambos tinham gostos totalmente diferentes. Ainda bem que não eram casados.
O garçom foi embora, e novamente não se ouviu uma palavra sequer. Aos poucos e com muito custo, o sargento terminou o seu jantar. Ele deixou o garfo e a faca na mesa, limpou-se com o guardanapo e apoiou os braços na superfície. Suspirou fundo.
Fale logo, droga!
Ele cerrou os punhos fortemente. Sabia que se não o fizesse isso logo, talvez tudo poderia caminhar por água abaixo.
— Me desculpe. — Soltou as palavras como se estivessem entaladas em sua garganta.
Mesmo parecendo que não, ela estava atenta e ouviu claramente o que ele disse. O sargento já pedira desculpas antes, mas daquela vez pareceu diferente. Mais... sincero.
Ela não respondeu.
— Eu... não queria...
— Ser um babaca? — A mulher se sobressaiu. Virou apenas o rosto de lado quando falou.
Grissom olhou para os lados já que ficou sem jeito e sem palavras para continuar. Tomou coragem novamente:
— Olha. Nunca foi a minha intenção desacreditar você... ou ofender sua posição ou... — ele deslizou a mão sobre o rosto — qualquer outra coisa, tá?! — continuou, virando o pescoço para o lado — Eu tenho estado meio nervoso ultimamente e... Tenho exagerado um pouco.
Um pouco? Só isso?
Ainda sem resposta. Ele pensou em duas alternativas: esperava por mais alguma coisa ou xingava-o mentalmente.
Eu também fico nervosa e também me estresso. Mas eu tento não descontar nos meus parceiros!
Sara novamente pensou em uma resposta, só que não as emitiu. Preferiu ficar calada e ouvir tudo que ele tinha a dizer.
— Não a culpo por estar com raiva de mim, eu também estou. — disse, enquanto brincava com o garfo, riscando-o no prato.
A mulher soltou um baixo riso sarcástico. Balançou a cabeça repetidas vezes, como se não acreditasse no que ouvira a poucos instantes. Quem diria que o sargento estava de coração amolecido.
Ambos permaneceram de costas um para o outro. Estava sendo melhor estranho modo de conversar.
— Eu... — O sargento hesitou.
Não queria você por perto. Não queria ninguém por perto. Fiquei com muita raiva quando descobri que tinha uma nova parceira. Agora não sinto mais aquela raiva... ainda assim, queria que você ficasse o mais longe possível disso tudo.
— Vou deixar você jantar em paz. — Acabou por dizer aquilo, somente. Em seguida se levantou da cadeira — Avise-me quando estiver pronta.
Aquele foi o primeiro momento em que seus olhares se encontraram desde mais cedo. Foi rápido, Grissom levantou da cadeira, recostando-a à mesa e depois se virou a Sara, que seguiu seus movimentos com o olhar. Foi diferente como das outras vezes, mesmo rápido, seus olhares não carregavam fúria ou desgosto. Quase um olhar de lamento.
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Grissom voltou ao seu quarto. Ele acendeu a luz e abriu as janelas para deixar o ar frio entrar no espaço. Retirou o paletó, deixou-o na cama e sentou nela; levou as mãos ao rosto e baixou um pouco a cabeça.
O sargento se levantou e caminhou até o lado esquerdo da cama, de onde havia um mini frigobar. Queria ver se tinha algo decente para beber, mas temia que tivesse apenas as "bebidas de jovens". Gilbert desejava algo forte ou qualquer coisa não muito fraca. Agachou-se e revirou o pequeno aparelho; encontrou uma garrafa de vodca. Pegou o copo de vidro em cima do frigobar e despejou a bebida até enchê-lo. Ele deixou o copo em cima do criado mudo e procurou em sua bolsa algo que não devia. Assim que sentiu em sua mão, pegou o maço de cigarros e uma caixinha de fósforos. Do maço retirou um cigarro e o pôs na boca, em seguida o palito de fósforo.
Naquela hora não queria pensar em mais ninguém, estava ansioso, estressado e sobrecarregado. Que se danem aqueles malditos adesivos.
Sem demora ele acendeu o cigarro e apagou o fósforo. Aspirou lentamente a fumaça e depois soprou para fora. Tirou o cigarro da boca com dois dedos e depois levou a mão ao rosto. Sentou-se na cama recostando-se nela, pegando o copo de vodca com a mão esquerda. Sua vontade era de tomar aquela garrafa toda e fumar quantos cigarros tivesse vontade. Entretanto tinha um trabalho a fazer... junto dela.
Grissom tomou outro gole da bebida, tragou o cigarro por três segundos e depois liberou a fumaça com a boca bem lentamente. Observou a fumaça que se esvaía da boca, a brasa do cigarro e o quarto vazio que se esfriava aos poucos. Percebeu o silêncio, sentiu a inquietude, a solidão. Uma calmaria sacra, como se o tempo tivesse parado e interrompido todas as suas angústias. Para alguém que corria com sua vida numa alta velocidade, Grissom valorizava as brechas naquele curto espaço de tempo de 24 horas.
Ele fechou seus olhos e respirou fundo. Mas, de repente, os abriu. Esqueceu-se de ter pedido uma xícara de café.
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