Manhunters

15 De volta ao Lehman


Notas iniciais
Hoje é dia de capítulo novo?! Na verdade, não haha! Maaas, atendendo aos pedidos das queridas leitoras lá no grupo do wpp eu adiantei em um dia a postagem (além disso, eu estava ansiosa em postar logo) Aproveitem mais um capítulo de Manhunters! Como de costume, agradeço a todos que estão lendo, ao pessoal do grupo do wpp e do Facebook. Esse capítulo é bem light, acho que vão gostar desse hein!

O celular dentro do paletó começou a tocar; o tempo de "relaxe" do sargento acabou. Grissom ainda se encontrava na cama segurando um copo com vodca quase no fim. Aquele já era a terceira rodada, porém ele se preocupou em tomar um pouco de água entre as doses para evitar ficar bêbado ou perder parte dos sentidos. Fumou apenas um cigarro, uma força dentro de si o impediu de pegar outro, mesmo que morresse de vontade.

Ele deixou passar dois toques e depois se esgueirou na cama para pegar o aparelho.

Onde você ? Já podemos ir. — disse ela.

— Estou no meu quarto, me espere no saguão, já vou descer.

Grissom olhou para o relógio de pulso: 21h35min. Faltava um bom tempo para o turno de Samuel Davis começar, mesmo assim a dupla deveria estar preparada e chegar antes caso houvesse algum imprevisto ou qualquer outra coisa que se sobrepusesse aos seus objetivos.

O sargento pegou o paletó e o sobretudo e os vestiu, já que sabia como a temperatura em lugares como o parque caíam drasticamente. Em seguida procurou em sua bolsa suas luvas de couro. Mas antes, retirou dela um saquinho com pastilhas de hortelã e pôs duas em sua boca para disfarçar o hálito de álcool. Finalmente retirou as luvas da bolsa e as vestiu. Não sentia muito frio, bastavam aquelas vestimentas.

Ele pegou o coldre com a arma e o prendeu o cinto da calça, depois pendurou o distintivo em seu pescoço. Por último, mas não menos importante, uma das melhores amigas de um policial; suas algemas. Pronto, saiu do quarto e trancou-o. Rapidamente ele desceu as escadas e chegou ao saguão. Lá estava ela, de braços cruzados, esperando por ele.

— Vejo que está mesmo preparada. — Ele apontou sorrindo para ela, que vestia além das roupas convencionais, uma touca preta e luvas da mesma cor.

Fazendo uma careta debochada, a morena se aproximou dele, ficando a poucos centímetros de distância. Ergueu um pouco a cabeça para encará-lo nos olhos por alguns segundos:

— Já acabou?

— Já.

— Vamos, então. — A detetive disse friamente, caminhando em direção à porta.

Os dois saíram da Pousada Chapman. Sara foi a primeira a chegar no carro, localizado no estacionamento coberto à esquerda do estabelecimento. Ela se virou para ele, esperando que desbloqueasse o veículo, desligando o alarme e destrancando a porta. Assim que se aproximou dela, surpreendeu-se com um movimento.

— Pode me dar a chave. — Ela estendeu a mão direita para ele.

— O quê? — retrucou, franzindo a testa.

— Eu vi a taça de vinho na sua mesa, Grissom. — disse seriamente, caminhando dois passos em direção a ela, ficando a poucos centímetros — E como eu suspeitei agora a pouco, você é fumante. Pude sentir o cheiro em sua roupa.

— E daí que eu bebi uma taça de vinho e sou fumante? — respondeu um pouco mais irritado.

— Deixe-me ver... Também posso sentir o cheiro de pastilhas vindo da sua boca. — A detetive apontou para ele — Sem contar que boa parte dos fumantes tem o hábito de tomar bebidas fortes, café, cerveja... etc. Não me surpreenderia se você tivesse tomado outro tipo de bebida alcoólica após a janta e ficasse chupando essas pastilhas para disfarçar o hálito.

Merda.

— Vamos, me dá logo essa chave. — Ela fez um gesto com a mão, insistindo.

— Estou em plena faculdade das minhas ações, Sidle! Posso muito bem dirigir.

— Céus, como você é teimoso! Que se dane que você não esteja bêbado! Se um policial nos abordar e testá-lo com o bafômetro, você vai se encrencar, droga! — Sara ergueu os braços.

O sargento se afastou dela, visivelmente irritado. Ele cerrou os punhos como se quisesse retrucar o que ela disse, entretanto, seria inútil.

— Se quiser ir, vá em frente. — A mulher apontou para o carro, sabendo que não podia obrigá-lo a fazer o que pediu — Mas eu vou para lá de táxi ou qualquer outra coisa.

Não seria má ideia. Ele pensou maliciosamente. Mas também sabia que se fizesse isso estaria sendo um babaca (e dos grandes), sem contar que poria sua própria vida em risco. Pronto. Em poucos minutos ela conseguiu desconcertá-lo e, ao mesmo tempo, salvar sua pele.

Grissom se virou para ela e caminhou em sua direção. Retirou a chave do bolso do sobretudo e entregou em sua mão. Só que antes de soltar, segurou firme na mão dela e a encarou.

— Sabia que ia fazer a coisa certa. — disse ela, balançando a chave próximo ao rosto.

— Sério?

— Não sabia, não.

A mulher desligou o alarme e entrou no carro, ele fez o mesmo em seguida. Ela ajeitou o banco para que ficasse na posição certa para sua altura e depois atou o cinto. Grissom a observou o tempo todo.

— O que foi? — Sara perguntou desconfiada.

— Nada. — Grissom balançou a cabeça, voltando seu olhar para frente.

Sara deu a partida no carro, saiu do estacionamento e pegou a estrada. Se não fossem os postes que iluminavam o caminho, aquilo estaria um breu. Ela imaginou a solidão pela qual Vanessa Temple deve ter sentido naquela madrugada.

Alguns minutos se passaram. Tudo o que se podia ouvir era o som vindo de fora e do motor do carro. Mas não eram suficientes, havia certo incômodo por parte dos dois. Grissom foi quem se manifestou primeiro:

— Obrigado. — comentou o sargento ao olhar pela janela.

— Hã? — Ela olhou rapidamente para ele — Nossa... você está me surpreendendo hoje. — Comentou meio surpresa voltando-se para a frente.

Ele virou o rosto para ela, que percebendo o movimento, continuou.

— Ah... Você me pediu desculpas, de novo, aquela hora. Agora está me agradecendo... confesso que fiquei surpresa, mesmo.

Uns dez segundos depois ele respondeu:

— Uma vez, minha mãe disse para nunca dormir quando tiver brigado com alguém. Era criança na época, nunca entendi ao certo o que ela quis dizer numa frase tão simples.

— E? — Sara perguntou curiosa.

— Só depois comecei a entender... que temos de consertar as coisas antes que seja tarde demais. Nunca se sabe o que pode acontecer quando se estiver dormindo.

— Hum... — ela assentiu.

— Ou, que se você for dormir, é capaz de acordar com um plano maligno na cabeça para se vingar da pessoa.

A morena soltou uma risada. Foi a primeira vez que ela riu por algo que ele fez sem ser irônica ou sarcástica. O homem notou aquele gesto e se virou para ela, abrindo um discreto sorriso.

— Sua mãe é sensata. — Assentiu a detetive.

— Enfim, — disse ele, agora sério — consegui falar com o guarda Hawnkins.

— Ah é? Achei que ele trabalhasse apenas no turno do dia.

— Ele me disse apenas que precisou ficar mais tempo no trabalho. Não quis perguntar mais detalhes.

— E o que ele falou de bom? — Ela perguntou, dando de ombros.

— Não disse muita coisa importante, mas jogou suspeitas maiores ao guarda Philip.

— Eu não fui com a cara dele desde o começo. — Sara disse convicta.

— Ele comentou que George se acostumou fácil com a mudança de turno. Disse até sobre a possibilidade de o guarda estar se envolvendo com outras mulheres.

— Esse "envolvendo" quer dizer nesse sentido mesmo ou no sentido de assédio?

— Hawnkins não deixou muito claro, mas disse que se pudesse "deduzir" um suspeito, seria o Philip.

— É, só que não adianta muita coisa. Até eu suspeito dele, mas se não tivermos nada para comprovar, será inútil.

— Concordo. Mas não foi só isso que me deixou incomodado. Nessa conversa "extraoficial" nossa, ele me contou que o número máximo de guardas no turno naquela época era de cinco pessoas; e que os disponíveis eram apenas três.

— Só isso? Por quanto tempo estavam assim?

— Não sei. Pedi a ele todos os registros internos sobre os nossos guardas o mais rápido possível, e pelo visto, teremos de falar com os administradores do parque. — O sargento olhou para o retrovisor do carona a estrada atrás de si.

— Será que fizeram isso de propósito? Se alguém de cima estiver envolvida nisso, vai gerar um escândalo terrível. — A morena terminou balançando a cabeça — E novamente voltamos à pergunta: por que matar uma mulher no Lehman?

Grissom se voltou para Sara.

— Ele tinha de estar lá.

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Os dois chegaram ao Lehman Creek num curto trajeto que durou uns doze minutos. Sara estacionou o carro no local apropriado e ambos saíram do veículo. Assim que abriram a porta puderam sentir o clima quase congelante do parque. Nevada era um estado caótico, ao mesmo tempo em que possuía desertos e um calor infernal, tinha montanhas e parques florestais com temperaturas que baixavam demasiadamente, a ponto de ficaram abaixo de zero em alguns casos.

— Ah! — Reclamou Sara, fechando a porta ao sair — Não sabia que estava tão frio assim!

— Parece que você não se preparou o bastante. — Zombou o sargento ao sair e caminhar ao seu encontro.

— Vá se ferrar, sargento Grissom. — Ela retrucou, cruzando os braços.

O sargento a encarou por alguns segundos, vendo-a caminhar na tentativa de aquecer o corpo. Ele abriu um sorriso ao ver o quase fracassado esforço e a seguiu.

— Que pena. As chaves, por favor. — Estendeu a mão a ela.

A morena, brava com aquela atitude jogou em direção a ele o objeto, que pegou no ar.

— Obrigado. — Assentiu e disse sarcasticamente, indo direção ao carro.

Ele abriu o porta-malas e começou a revirá-lo, despertando a curiosidade da morena. Assim que encontrou o que queria, fechou o compartimento e seguiu para perto de Sara.

— Tome. — Ele estendeu uma espécie de tecido a ela.

— O que é isso?

— Um cachecol.

— Não preciso. — Ela forçou um "obrigada".

— Precisa, sim. Se você ficar doente não vai conseguir se concentrar no caso. — respondeu quase com desdém.

A mulher ergueu as sobrancelhas. Realmente ficou surpresa ao ver aquela cena.

— Vamos logo, Sidle. — Insistiu, revirando os olhos.

— É, realmente você está diferente hoje. Tem certeza que não está sob efeito do álcool? — Sara acabou por pegar o acessório marrom da mão dele, que cruzou os braços esperando que ela o usasse — Satisfeito? — A detetive ergueu os braços, mostrando a si mesma após se enrolar com o cachecol.

O sargento não esperou e saiu caminhando em direção à entrada do Lehman. Passou perto dela e disse:

— Estou.

Notas finais
Admito que bolei esse capítulo meio que de última hora, sabe. Ele não estava nos planos originais da fanfic, e estou muito satisfeita em tê-lo escrito. Adoro escrever umas partes GSR ahaha, enfim. O que vocês acharam? Parece que os nossos policiais, mesmo não querendo admitir, se "importam" um com o outro. Já é um começo, não é? Até o próximo capítulo!