Notas iniciais
OLÁ, PESSOAL! Sabem que dia é hoje né? Nem vou falar (rssss) Bem, como eu precisei adiantar o capítulo na semana passada, estou postando o 30 nessa segunda-feira ♥ Nesse capítulo vocês verão a aparição de alguém que vocês conhecem muito bem *risos*. Eu ia avisar no capítulo anterior, mas era capaz de vocês adivinharem logo ahahaha! Obrigada a todos que estão disponibilizando um tempo para ler essa fic. Eu fico muito feliz em ter vocês como leitores(as). Vocês estão me dando uma grande força! Aproveitem o capítulo!

O sargento acordou. Dormiu de barriga para cima, única posição mais "confortável" para seu corpo, que ainda sofria com dores. Agradeceu aos céus por não sentir mais aquelas fortes dores desde quando saiu do hospital precocemente. Estava zonzo, meio grogue, uma mistura do sono com, provavelmente, o efeito dos remédios. Olhou para o lugar à sua volta e ficou aliviado por não estar mais naquele quarto do hospital.

Grissom vestia apenas uma cueca boxer preta. Ao longo das horas, se cobriu com um cobertor para se proteger da baixa temperatura. Mais consciente, ele deslizou a mão direita no rosto e depois esfregou seus olhos para se acostumar mais rápido a fraca luz do ambiente. Por um breve momento achou que já estava na hora de acordar e ir ao trabalho. Um martírio ter que sair logo num domingo, mas era um mal necessário.

Deduziu que era noite. Respirou fundo e bateu de leve na cama com as duas mãos. Ficou parado ali por um tempo, com preguiça de levantar e seguir adiante. Coincidentemente, seu celular tocou. Estava em cima do criado mudo, sem som, apenas no modo vibratório para não incomodá-lo durante o sono. Lentamente ele se esgueirou para o lado direito e pegou o aparelho com a mão esquerda. Nem viu quem estava chamando por ele, que atendeu a ligação sem pensar. Levou o celular ao ouvido esquerdo.

— Oi, Grissom.

Ele ergueu as sobrancelhas. Reconheceu de cara a voz feminina.

— Heather, oi.

— Está sonolento. falou, parecendo estar sorrindo.

— Acabei de acordar.

— Desculpe, eu não sabia.

— Não, — balançou a cabeça — acordei um pouco antes.

— Hum... certo. — Houve uma breve pausa — Soube do que aconteceu.

— Ah é? — Ele sorriu — Posso saber qual é essa fonte?

— Meus contatos são secretos, Grissom. — A mulher comentou em deboche — O que houve?

— Estava no posto de gasolina perto de Baker. Dois assaltantes... acabei levando dois tiros porque achei que a minha parceira tinha sido atingida.

O sargento mudou de semblante, vindo a ficar sério.

Você me conta essa história como se nada de extraordinário tivesse acontecido. — Heather brincou.

— Sou um policial, acho que... até me acostumei com essa loucura.

Ela riu, em seguida continuou:

Tem uma parceira nova, é? Qual o nome dela?

Ele não respondeu de imediato. Encarou o nada por alguns segundos.

— Sara. O nome dela é... Sara. — nervoso, respondeu tão baixo que parecia estar sussurrando.

Você hesitou, Grissom.

O sargento precisava ter "cuidado" ao falar com Heather Kessler, ou Lady Heather. A dominatrix era calculista, tanto quanto ele, até mais. Podia notar quando alguém alterava o comportamento apenas ao ouvir sua voz.

Grissom engoliu em seco. Não tinha como fugir dela. Não respondeu.

Pelo visto... aconteceu alguma coisa entre vocês dois.

Queria responder que não, mas sabia que iria se complicar.

— Nós... nos conhecemos há alguns anos. — Ele fez uma pausa — Só que, passou o tempo... e eu me esqueci dela. — Suspirou — Agora que lembrei, as coisas não estão... seguindo como esperado.

— Vocês dois tiveram "algo"? — A pergunta foi direta, mesmo parecendo não ser.

— Nós... não. Não tivemos. — Quase se enrolou nas palavras.

Está hesitando novamente. Você quer conversar sobre isso, Grissom?

Ele olhou para cima como se estivesse encurralado, mesmo que falasse com ela pelo celular. Abriu a sua boca para lhe responder, mas hesitou e ficou em silêncio. Alguns segundos depois ele respondeu, finalmente:

— Não, Heather. Obrigado, mas estou bem.

A mulher sabia que não era verdade, mas percebeu que Grissom não estava a fim de conversar sobre o assunto.

Certo. Sei que uma hora vocês vão se entender.

— Assim espero...

Bem... só liguei para saber como está. Passe bem, Grissom.

— Obrigado, Heather.

— Boa noite.

A mulher encerrou a ligação. Grissom olhou para a tela do celular e deixou o aparelho ao seu lado. Pensou na breve conversa que tiveram. Não tinha tempo de ocupar seu tempo com assuntos daqueles.

Deslizou o lençol também para o lado e tomou coragem para levantar. Sentiu frio, a temperatura baixou mais ainda.

— Ah! — Assim que fez o movimento para se levantar, sentiu várias pontadas de dor em seu corpo.

Com cuidado, ele se sentou na cama e acendeu o abajur. Apoiou seus cotovelos nas pernas e cruzou os braços por um momento. Virou o pescoço para observar as gavetas do criado mudo. Lembrou-se daquilo. Tinha muita vontade de acender um cigarro e fumá-lo, e depois beber algo forte. Foi explicitamente proibido pelo médico. Mesmo que a vontade fosse grande, tinha de se preservar.

Usando as pernas como apoio, Grissom tomou impulso e se levantou. Pegou uma das muletas, encostadas no criado-mudo e se dirigiu ao guarda-roupa, próximo dele, à sua direita. Abriu uma das gavetas e retirou uma calça preta e um moletom azul. Sentou-se novamente na cama para vestir a calça e evitar um esforço desnecessário. Lentamente vestiu a peça e depois o moletom, sem tantas dificuldades quanto as que teve na peça anterior.

Ele pegou a outra muleta, depois o celular em sua cama. Apagou o abajur e seguiu para fora do quarto. Pensou no que fazer em seguida; preparou algo básico para jantar, assistiu a um filme qualquer na TV, escovou seus dentes, depois voltou a dormir.

Amanhã o dia seria cheio.

—-------------------------------------------------------------------------------

Dia seguinte. Dia atípico para o sargento Grissom, que não costumava trabalhar em finais de semana, apenas quando haviam casos excepcionais, como aquele. Acordou no mesmo horário de sempre, mesmo ciclo. Não saiu ao passeio dominical com Hank e torceu para que o animal entendesse sua posição. O dia estava nublado, mais frio que ontem. Grissom vestiu um conjunto social (sem o colete) cinza escuro, optando por um suspensório preto ao invés do cinto. Camisa branca, gravata preta sem detalhes e um sobretudo cinza escuro completavam o seu vestuário. Tomou um dos remédios receitados.

Sua outra exceção é que não pegou seu carro para dirigir devido às óbvias condições em que se apresentava. Chamou um táxi. Chegou à delegacia às sete e quarenta e três. Apoiando-se em suas muletas, caminhou sem dirigir uma única palavra ou olhar para os presentes naquela área até chegar à sua sala.

Chegou à sua sala. Parecia estar num déjà vu, minutos antes de Ecklie entrar na sala e apresentar a detetive Sidle. Riu até, ao se pegar pensando naquilo. Sentou-se em sua cadeira e fechou seus olhos.

— Ah... — suspirou.

O que tinha de fazer no momento era esperar. Esperar por Sara, esperar pelos homens... esperar por Zodíaco.

Assim que encostou sua cabeça à cadeira, seu "relaxe" foi interrompido. A porta foi aberta, sem ao menos ter sido batida. O sargento franziu a testa, ficou irritado. Queria começar o dia bem na medida do possível, mas percebeu de cara não ia conseguir tal feito.

— Você poderia ter batido na porta, para isso ela está aí. — Ele sorriu ironicamente para o homem que entrava.

— Não estou vendo uma placa de capitão ou delegado aí na sua mesa. — Era o capitão Brass, que respondeu na mesma medida. Ele fechou a porta com força sem se preocupar se ela ia fazer um forte barulho.

— Como soube que eu cheguei? Ah, já sei: — Grissom ergueu o dedo indicador — Acho que temos pequenos espiões por aqui, não é mesmo? — Ele balançou os dedos.

— Para com essa merda, Grissom. — Brass caminhou para perto da mesa do sargento.

— O que veio fazer aqui, capitão? — perguntou sarcasticamente.

— Eu falei que aquela conversa não tinha terminado.

— Ah...! — Grissom desviou o olhar, resmungando.

— Olha só, nós somos amigos há muito tempo. — O capitão apontou para si e para Grissom — Mas isso não quer dizer que você tem o direito de fazer o que bem entender aqui.

— É isso que você acha o que estou fazendo? — Ele ergueu as sobrancelhas — Como eu falei antes e repito: só estou fazendo meu trabalho.

— Sabe que isso não é de agora, Gil. Só porque tem alguma reputação lá fora não se pode achar como o xerife. Tenta se candidatar ao cargo e aí a gente conversa! Mas enquanto isso, tem que seguir algumas regrinhas.

Sem olhar para o capitão, Grissom, seriamente, assentia a cada sentença dita por ele como se estivesse prestes a retrucar.

— Falando em regrinhas e tudo mais, vamos falar da detetive Sidle. — Ele disse, após esperar o capitão terminar de falar.

— O que que tem ela? — questionou-o impaciente.

— Que história foi essa de mandarem-na pra Henderson?!

— E daí, Grissom? Muita gente que trabalha aqui mora em outros municípios.

— A questão, meu caro amigo, é que ela veio da Califórnia e mal conhece daqui para manter contato, imagine de lá! Não tem como ela se acostumar a isso!

— E desde quando você se importa com Sidle? Era o primeiro que desejava a saída dela desde quando pôs os pés aqui!

O sargento encarou o capitão. Franziu a testa já que não gostou de ouvir ele falar daquele jeito. Era verdade. Grissom, se tivesse poder na época, talvez a tirasse no momento em que soubesse de sua vinda. Mas seu pensamento mudou radicalmente em pouco tempo.

— Mudei de ideia, tá bom pra você? — retrucou mais impaciente — Ela me ajudou bastante. — completou-se em voz baixa — Com a gravidade de um caso como esse não tem como ela morar lá, precisa vir para Vegas.

Jim cruzou os braços e balançou a cabeça.

— Eu não posso fazer nada, e acho que você não vai conseguir nada com Ecklie. — Ele fez um gesto com a mão — Se ela quiser vir vai ter que dar um jeito por conta própria.

— Tá. — Grissom respondeu secamente — Veio só me falar aquilo?

— Não. Seus homens devem chegar aqui em uma hora e meia. Vê se você e Sidle fiquem preparados.

— Certo. — Assentiu, mas seu olhar era de quase desdém.

Brass fez seu caminho até a porta, mas antes de abri-la, virou-se de lado.

— É bom que consigam alguma coisa, porque o FBI já tá de olho nisso há muito tempo e se eles baterem o pé... você sabe. — Não esperou uma resposta, e deixou a sala, fechando a porta em seguida.

— Ótimo! — Por pouco, Grissom não bate com a palma da mão na mesa, parou muito antes de fazer o movimento.

Para ele, os federais eram pragas que dificilmente poderiam ser contidas. Surgiam no pior momento e quase nunca havia remédio para contê-las. Já passou grandes perrengues certas vezes e sabia que a história ia se repetir caso eles aparecessem. Tinha seus contatos, só que mesmo assim não estava garantido em muita coisa.

Alguém bateu à porta.

— Finalmente, alguém com educação! — Foi sarcástico — Pode entrar.

A porta foi aberta. A morena acenou com a mão brevemente e fechou a porta. Aproximou-se dele.

— Bom dia, sargento Grissom. — cumprimentou. Sara vestia uma camisa social abotoada branca de meia manga, calça social preta, um sobretudo de algodão preto e um cachecol marrom. Seus cabelos estavam soltos, divididos ao meio, um pouco volumosos na região próxima do pescoço. Trazia sua bolsa de sempre.

— Bom dia, Sara. — Ele assentiu, acenando de volta.

— Eu vi o Brass saindo daqui agora a pouco, aconteceu alguma coisa?

— É, eu... — O sargento coçou a nuca — ia falar sobre isso com você. Ele disse que... os guardas devem chegar aqui em uma hora e pouca.

— Que bom! — Sara ergueu as sobrancelhas, sentando-se na cadeira e deixando a bolsa no chão, ao seu lado direito. Ela encarou o sargento, que olhava para o nada, de repente — Só isso?

— Por quê?

— Você tá olhando meio... esquisito. — A detetive apontou para ele, meio sem jeito.

— Céus, não consigo nem disfarçar mais. — Grissom balançou a cabeça "brincando" consigo mesmo.

— É muito grave?

— Ah... — O sargento expirou — Não queria dizer isso a você para não tirar a sua concentração... Você sabe, óbvio, que vai fazer um ano que nós da polícia estamos atrás de Zodíaco e até agora, nada. — Ele terminou de falar num tom de voz nitidamente melancólico.

Ela notou que Grissom nem se preocupou em disfarçar a decepção que sentia.

— Nossos "amigos" federais estão de olho no caso e a qualquer momento ou deslize nosso, vão tomá-lo da gente. — Grissom deu leves batidinhas na mesa com os dedos da mão direita e observou o movimento.

A morena ficou em silêncio e virou o rosto para o lado.

— Sei que você quer entrar pro FBI, mas ia se sentir bem se tivesse que bater de frente com eles? — Ele a encarou, entrelaçando as mãos.

Sara franziu um pouco a testa.

— Primeiro: nós vamos resolver esse caso pra jogar na cara deles. — Ela apontou para baixo — Segundo: caso eles tentem tomar da gente... Nós vamos defender o nosso território. — Em seguida, apoiou sua mão direita na mesa — Eu tô aqui, não tô? O FBI não é minha prioridade do momento, Zodíaco é.

Grissom lhe lançou um sorriso satisfeito. Depois de ouvir tanta coisa negativa, as palavras dela foram como uma injeção de ânimo. Se fosse o caso dele, com certeza diria a mesma coisa. Poderia ser egoísmo do sargento, mas saber que ela se apresentava completamente dedicada ao caso o deixou muito contente. Era, talvez, o que mais precisava no momento.

— Bom saber disso. Muito bom. — Ele apoiou o antebraço na mesa e assentiu. Alguns segundos depois olhou para o relógio no pulso — Vou até o Rose's, quer... vir comigo? Não sabemos quanto tempo vai durar os interrogatórios. É bom comer alguma coisa já que não sabemos quanto tempo os interrogatórios vão durar.

Acho que trocaram o Grissom de dias atrás, não é possível. Ela pensou, após franzir o cenho.

— Rose's? — questionou-o.

— O restaurante de uma amiga minha. Foi de lá que eu trouxe a torta de mirtilo.

— Ah não, sério?! — disse impressionada.

— Pelo visto você gostou.

— Caramba, claro que sim! Só não disse isso porque estava com raiva de você. — Ela debochou.

— Só precisava de uma torta de mirtilo pra deixar você melhor? — O homem apontou para ela.

Sara deu de ombros, debochando dele.

— Vamos lá, quero apertar a mão dela por ter feito a melhor torta do mundo. — Animada, Sara revirou sua bolsa, tirou sua carteira e guardou-a em seu bolso. Depois se levantou da cadeira.

— De nada...

Sara caminhou até a porta, esperando por Grissom. Logo depois o sargento se levantou, trazendo consigo suas muletas, apoiando-se nelas. Ela abriu a porta e saiu, Grissom veio depois e fechou-a.

Novamente, sem contatos visuais demorados. Poucas palavras ditas por Grissom para cumprimentar alguns com quem não tinha desprazer de manter contato. Sara ficou em silêncio, já que não conhecia aquelas (poucas) pessoas, sentindo-se, ainda, um peixe fora d'água. Caminhando lado a lado, a detetive e o sargento seguiram para o elevador. Foram para a entrada do departamento de polícia, no andar térreo.

Na entrada, mais precisamente na parte central e aos fundos do lugar ficava o balcão de atendimento. Dois oficiais conversavam à esquerda do recepcionista, que ouvia a conversa e participava algumas vezes. Quando Grissom e Sara passaram à direita balcão, prestes a seguir em direção à porta, uma mulher que entrara no departamento chamou a atenção de Grissom. Era branca, loira de cabelos ondulados até a nuca; aparentava ter uns quarenta anos. Um pouco fortinha, baixa, que vestia uma calça jeans clara, uma camisa branca, jaqueta (também jeans) e sapatilhas pretas. Assim que dirigiu seu olhar aos dois, ela veio ao encontro deles em passos rápidos.

— É... olá, bom dia. Sargento Grissom? — ao apontar para o sargento.

Ele, que ergueu uma sobrancelha olhou para Sara rapidamente. Deu um breve suspiro, como alguém que farejou problema à vista e não estava nem um pouco a fim de resolver.

— Sim, sou eu. No que posso ajudá-la, senhorita? — Assentiu, ajeitando um pouco seu corpo para não forçar muito a sua perna esquerda.

— Meu nome é Grace Bailey, filha de Martin Bailey, assassinado há alguns dias atrás.

Pronto. Era só o que faltava.

A mulher, a quem Grissom achava um pouco familiar, mas não se lembrava de onde a tinha visto logo refrescou sua memória. Ela não precisava dizer mais nada, já que Grissom deduziu o motivo da vinda dela. Mais cobrança.

— Soube que o senhor ainda estava a encarregado de resolver o crime.

— Ainda estou, senhorita.

— Eu vim aqui para — Ela hesitou um pouco, tocando no pingente pendurado no pescoço, um crucifixo — saber o andamento do caso.

Grissom levou a mão direita à testa por um instante, fechando seus olhos.

— Olha, senhora Bailey, não posso dar detalhes da investigação. Eu estou-

— Só queria s-saber o porquê? — A mulher o interrompeu, deu para perceber o tom emocionalmente alterado em sua voz — Porque mataram um senhor de idade como o meu pai? — Ela tocou em seu peito — Nossa, eu... não consigo entender!

— Nós estamos tentando resolver o caso, senhora. — Grissom respondeu, tentando fechar o assunto o mais rápido possível.

— Meu pai era um homem inocente, nunca se envolveu com nada de errado, céus! Por que ele foi esfaqueado tantas vezes?! — Grace balançou os braços — Tanto tempo se passou e o senhor não tem nenhuma pista?! O que estava fazendo esse tempo todo?!

Tanto o recepcionista quanto os oficiais ficaram a prestar atenção àquela cena.

Grissom, assim como várias pessoas, não gostava de ser cobrado incessantemente. Até aceitava algumas cobranças que considerava legítimas, mas odiou aquele jeito como foi tratado.

— A senhora fala isso como se eu pregasse o meu traseiro o dia todo numa cadeira, não é? — Em voz baixa, Grissom a encarou nos olhos.

— Só estou dizendo que-

— Está dizendo que eu fico cinco dias por semana, sete, agora, sentado numa cadeira olhando uma pilha de arquivos, comendo rosquinhas até o fim do meu maldito turno.

— Então me diga! Me dê alguma coisa. Eu só quero saber se o culpado vai ser preso e se o meu pai vai ter justiça!

— Vai ter se a senhora me deixar trabalhar em paz! — Ele franziu a testa. Tentou seguir seu caminho em frente, decidido a sair da delegacia.

— O-o senhor não pode falar assim comigo! Eu só quero justiça! Não ficaria da mesma forma se fosse com o senhor, sargento Grissom?!

— Eu fui baleado duas vezes, senhora Bailey! — exclamou, dando um passo à frente para encará-la de perto — Tudo porque eu estava tentando seguir uma pista nessa droga de caso! Reclama tanto que eu não faço nada? Aqui estou, num domingo de manhã, cheio de malditas dores no meu corpo esperando os suspeitos para o interrogatório.

Sara, que estava próxima a ele, assistindo à discussão quase que encurralada, virou-se para ele. Estava preocupada com o parceiro, da mesma forma quando o viu discutir com o capitão Brass. Ainda por cima ouviu de sua boca que ainda sentia dores. Ela sabia que Grissom tinha de ficar mais tempo no hospital, mas ele era teimoso demais, e fez de tudo para voltar ao caso.

Grissom se virou para ela. Prestes a dar meia-volta, aproximou-se um pouco para falar-lhe:

— Perdi a fome. — disse com desgosto, sem ao menos olhar para a mulher próxima deles. Então se virou completamente, e voltou, rumo ao elevador.

Ela ficou. Encarou Grace, que cerrou os punhos; ainda se mostrava indignada pelo tratamento que recebeu.

— É... dá um crédito pra ele. — Sara disse, olhando para a porta e depois se voltando a ela.

— O quê? — Grace retrucou irritada.

— Eu sou a detetive Sidle, parceira dele. — Assentiu — Sinto muito pelo que houve. Mas veja, dá um desconto para o sargento Grissom. Posso te garantir que ele está dando tudo de si e mais um pouco para esse caso.

A loira cruzou os braços e balançou a cabeça.

— Ele não podia me tratar daquela forma.

Sara deu de ombros, sem saber o que dizer.

— Grissom foi baleado há quatro dias enquanto estávamos trilhando uma pista sobre o caso. Ele não devia estar aqui, tinha que estar no hospital para se recuperar melhor. Mas insistiu em voltar ao trabalho. É, foi chato, o que ele fez com a senhora, mas... tente se colocar no lugar dele. Grissom está sendo muito pressionado.

Grace virou o rosto para o lado, não respondeu.

— A gente tá fazendo de tudo para resolver isso logo. Eu só peço que tenha paciência.

—--------------------------------------------------------------------------------

Na porta ouviu-se duas batidas rápidas, e ela logo foi aberta. Era Sara, que entrou no espaço e logo encontrou o sargento em pé, mais ao fundo, observando o quadro das vítimas. Ela fechou a porta e caminhou até onde ele estava. Quando a percebeu próxima, Grissom virou o rosto para a detetive.

— Veio me dar um sermão? — Ele perguntou, ao se virar para o painel.

— Não vou ficar do lado de ninguém. Só digo que ambos estão errados. — afirmou sem receios — Certo. Você tem trabalhado feito louco e sabe-se lá se tem tirado uma folga. Só que ela também está sofrendo! A mulher perdeu um familiar! — Sara apontou com a mão para trás de si.

Grissom quis disfarçar, mas foi óbvio o semblante irritado; até bufou em ouvir aquilo.

— Não precisa disfarçar, Grissom, eu sei que está com raiva. — Ela revirou os olhos.

— Como ela sabia que eu estava aqui? — Irritado, perguntou retoricamente.

— Sei lá, — Sara deu de ombros — deve ter ligado para cá. Mas isso não importa agora. — Fez um gesto com a mão — Vamos mudar de assunto, por favor. — Ela fez uma pausa — Por que não me disse que estava com dores fortes? — Encarou-o séria, procurando por seus olhos.

— E isso é importante? — Grissom deu de ombros, virando-se para ela.

— Claro que é, Grissom! É sua saúde! — Sara ergueu os braços, insatisfeita com aquela resposta.

— Eu vou ficar bem, Sara, não se preocupe comigo. — Sua voz era de alguém impaciente, que não estava a fim de ouvir tais palavras. Ele fez um gesto com a mão, retornou à sua cadeira e sentou-se nela.

Vendo aquilo, Sara mudou de semblante e ficou meio aborrecida. Ela caminhou para a frente dele, bateu na mesa dele com as costas do dedo indicador. O sargento se voltou a ela.

— Tem certeza que você está... preparado para o interrogatório?

— Preparado como? — Ele apoiou os cotovelos na mesa e cruzou as mãos.

— Você sabe. Psicologicamente.

Antes que Grissom retrucasse ela continuou:

— Eu reparei em você. Vi como está estressado. — concluiu em voz baixa.

— Não vou pôr tudo a perder por causa desses pequenos problemas, se você acha isso.

— Não é isso! — A detetive retrucou um pouco impaciente, vindo a se sentar na cadeira — É que você... tá diferente. — comentou sem querer. Desviou seu olhar em seguida, arrependendo-se de ter dito aquilo.

— Diferente do Grissom de dias atrás ou do Grissom de oito anos atrás? — retrucou, quase provocativo.

Ela ficou séria. De tantos momentos para falar sobre o passado e ele escolheu o pior.

— É melhor a gente não discutir esse assunto. Muito menos agora. — respondeu ao cruzar os braços e balançar a perna repetidas vezes.

— Você deu a entender que queria.

— Mas eu falei errado! — retrucou mais irritada.

— Sabe que uma hora a gente vai ter que voltar nisso, Sara. — Ele insistiu — Ou vai querer seguir em frente como se nada daquilo tivesse acontecido? — terminou, dando de ombros, surpreso com aquela atitude.

Sara se virou para baixo. Queria responder que sim, que queria "voltar aos velhos tempos", continuar de onde tinham parado. Só que ao invés dessa resposta, de sua boca saíram outras palavras.

— Por que você se esqueceu de mim? — A detetive perguntou em voz baixa, enquanto voltava a encará-lo.

Aquela pergunta estava entalada em sua garganta desde quando recebeu a resposta fria e curta de Grissom, no primeiro dia de "parceria" deles. Assim como a dele, sua pergunta foi feita no pior momento possível. Ela admitiu a si mesma que perdeu várias oportunidades de questioná-lo sobre isso. De impulso e no calor da situação, deixou escapar aquilo.

Aos poucos, o sargento mudou sua expressão, de impaciente para atônito. Sabia que uma hora ela faria aquela pergunta, só não imaginou o impacto que teria. Foi jogado contra a parede, encurralado.

Ele a encarou por breves segundos, depois virou um pouco a cadeira de lado. Silêncio.

— Então é melhor que a gente... siga em frente como se nada tivesse acontecido. — Ao perceber a tentativa de desvio do parceiro, Sara respondeu de repente e sorriu brevemente.

— Não!... — Assim que ouviu aquela resposta, ele se voltou e ergueu a mão direita. Fez errado, não queria demonstrar ansiedade.

Eu não quero.

— Então responde. — Ela foi curta e grossa.

Fim da conversa. O telefone da mesa do sargento tocou. Grissom fechou seus olhos por alguns segundos, decepcionado com a interrupção e consigo mesmo.

— Grissom. — disse. Após alguns segundos, respondeu: — Certo, estamos a caminho. — Em seguida, finalizou a chamada e falou com a parceira — Eles chegaram.

Notas finais
Então, pessoal! Finalmente a Sara perguntou ao Grissom o motivo de seu esquecimento. Só que aí a conversa foi interrompida na hora H. Ao menos o nosso sargento já tem em mente que a detetive está bastante incomodada com aquele "empecilho" entre os dois. Se a questão da viagem, acidente com o Grissom e os momentos no hospital foram importantes para a relação dos dois, com certeza a questão vai ser importante. Uma hora ele vai responder, digo que o momento não está muito distante de chegar. E OLHA QUEM APARECEU, LADY HEATHER! Talvez vocês pensaram: "Nossa cara eu não acredito que você COLOCOU A HEATHER NESSA HISTÓRIA" e afins. Caaalma, pessoal, está tudo bem! Ao menos por enquanto. kkkkkkk brincadeira, mas com um pingo de verdade. Sim, logo logo a Sara vai ter conhecimento dela e vai conhecê-la, ainda. Só o que eu tenho a falar. Nos próximos capítulos começam os interrogatórios com os guardas. Vai ter bastante conteúdo, hein! E já aviso a vocês que essa "saga" com o caso da segunda vítima está acabando. Muito obrigada por ler, pessoal! Beijos e até o próximo capítulo! ♥ Obs: Não, o Grissom e a Heather não estão juntos *risos*