Manhunters
31 Dificuldades
Notas iniciais
Eles vieram rápido, graças ao helicóptero moderno da polícia, feito para transportar pessoas por um longo trajeto, diferentemente dos costumeiros. O transporte chegou no heliporto próprio do prédio da delegacia. Se localizar num dos endereços mais nobres de Nevada tinha suas vantagens.
No andar térreo do prédio havia uma passagem que dava acesso às celas e salas de interrogatório. Ficava à esquerda da área de onde os oficiais da polícia trabalhavam nos casos. Esse acesso era bem guardado por seguranças, também policiais, desde o corredor de acesso até a área em si. Antes de entrarem nesse espaço um segurança ficava atrás de uma sala de vidro transparente, que pedia as identificações dos policiais. Tanto Grissom quanto Sara usavam crachás quando se encontravam dentro da delegacia, protocolo padrão. Ambos mostraram as identificações e o guarda os permitiu passar.
Ao chegarem nesse espaço, que era dividido por outras subáreas (celas e salas de interrogatório), deram de cara com o capitão Brass, esperando por eles dois junto com outros policiais.
— Tem sorte que estou de bom humor hoje. — Ele disse, dirigindo-se mais a Sara que a Grissom.
— Sobre a viagem. Chegaram a trocar "algumas" palavras? — A detetive perguntou.
— Não. Garanti que eles estivessem sob total vigilância no caminho. Os policiais se certificaram disso. Os quatro estão numa cela aberta com dois guardas na vigia. Vão lá e façam seu trabalho. Ficarei na sala ao lado para ver o show de vocês. — terminou assentindo.
Antes que o capitão se dirigisse até o local dito Grissom se virou para ele, que passava próximo, e disse:
— Obrigado, Jim. — Assentiu. Sara, que pôde ouvi-lo, sorriu de lado com a atitude do sargento.
— Faça o que tem que fazer, Gil.
Dito isso, Brass seguiu até a sala, à esquerda deles.
— Está preparada? — O sargento a encarou. Sua voz era confiante.
Ela o observou por uns instantes e de pois sorriu.
— Vamos lá, garotão.
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Grissom deixou Sara escolher o primeiro guarda que seria interrogado, para a sua satisfação. Por mais que quisesse escolher George Philip ou Pedro Hernández, o nome de Franklin Lewis persistia em sua mente como o pica-pau bicava a madeira. Eles informaram ao oficial para que o levasse até a sala de interrogatório. O sargento e a detetive foram antes, esperando pelo suspeito e pelo guarda que o trazia.
A porta foi aberta. Lewis foi o primeiro a entrar, enquanto o oficial o deixou junto de Grissom e Sara. Ele era um homem meio alto, magro de cabelos pretos altos e barba a fazer; tinha rosto longo e fino, olhos pretos. Vestia uma camisa cinza abotoada, calça jeans e sapatos pretos. O ex guarda observou a sala por alguns segundos. O local poderia passar uma sensação angustiante: paredes cinzas, largura estreita, comprimento largo. Uma mesa retangular de ferro no centro, com quatro cadeiras, também de ferro, uma paralela a outra. À esquerda, um painel com vidro espelhado, no qual apenas quem estava na outra sala podia ver aquela área.
Lewis entrou lentamente no espaço, encontrando o sargento sentado, de mãos cruzadas, e a detetive em pé, encostada no painel. Na mesa havia uma pasta de papel.
— Franklin Richard Lewis. — falou Grissom, virando o rosto para vê-lo — Finalmente nos encontramos. Tivemos trabalho de encontrar você.
— Vi, me tiraram da minha casinha lá em Baker. — Ele deu de ombros, permanecendo em pé, próximo à porta fechada.
— "Casinha" da sua ex esposa. — Sara o completou sorridente, e acabou por chamar a atenção do homem.
— Vai ficar aí parado, senhor Lewis? — Grissom fez um gesto com a mão — É melhor se sentar, ou vai ficar dolorido. Temos muita coisa pra conversar.
Meio receoso, Lewis caminhou lentamente para a cadeira mais próxima, do outro lado de Grissom.
— Aqui. — O sargento apontou com o dedo para a cadeira à frente dele.
— Tá brincando não é? — Lewis olhou para a porta por um breve momento.
— Acha que estou brincando? — Grissom o encarou seriamente, como se estivesse prestes a devorá-lo — Sente-se aqui e deixe a outra cadeira para o advogado que está esperando. Ou acha que eu não percebi que o senhor está enrolando aí desde que chegou?
Contra sua própria vontade, Franklin quase se arrastou para a outra cadeira, fazendo barulho nos móveis de propósito, demonstrando seu descontentamento.
— O que vocês querem de mim? — Ele apoiou as mãos na mesa e flexionou seu corpo, tentando encarar o sargento.
— A verdade, só isso que a gente quer, Lewis. — Grissom se recostou na cadeira, cruzando os braços — Oito meses atrás, Lehman Creek, Parque da Grande Bacia. Duas da manhã, hora em que Vanessa Temple foi assassinada, golpeada duas vezes.
— Tá, eu sei, eu trabalhava nesse turno, e?
— E, — O sargento enfatizou-se — senhor Lewis, queremos que nos conte a sua versão dos fatos, tudo que se lembra.
Os dois policiais assistiram ao homem virar para o lado, expirar, olhar para a porta, baixar a cabeça e outros montes de movimentos (inúteis).
— Isso aconteceu há muito tempo! Como querem que eu me lembre de algo que aconteceu há oito meses?
Grissom se irritou com aquela resposta. Ele sabia que o homem à sua frente não fez o menor esforço para tentar se lembrar, pelo contrário, era como se zombasse da cara do sargento.
— Ah é?! Então me deixa refrescar sua memória! — Sarcasticamente, Grissom foi direto. Num impulso ele abriu a pasta de papel que estava consigo, e retirou várias fotos. Ele bateu cada uma delas na mesa, em frente a Lewis.
O homem respondeu com um gesto involuntário, contraindo-se para trás. Aquelas fotos eram nada mais, nada menos, que o registro do corpo de Vanessa Temple, morta na cena do crime. As imagens eram bem detalhadas, mostrando com clareza os ferimentos; seu próprio corpo registrado em vários ângulos e o registro já na mesa do necrotério.
— Acho que isso aqui pode te ajudar em alguma coisa! — Grissom apontou para as fotos agressivamente.
— Que horror... ah... — reclamou Lewis, fazendo um gesto com as mãos.
— Olhe para as fotos, Lewis. — O sargento exigiu.
— Tá, eu já entendi.
— Não, você não entendeu, Lewis. — Grissom usou os braços para se esticar pouco mais para a frente — Essa mulher aqui foi golpeada duas vezes numa madrugada de dois de fevereiro. Duas horas da manhã, horário do seu turno!
Sara observava a "atuação" de seu parceiro atentamente. Era a primeira vez que o fazia; primeira impressão? Nada mal, muito bom, até, imaginou; mesmo observando-o por pouco tempo.
— Você, — O sargento apontou para o homem à sua frente, que o encarava impacientemente — Lewis, era o encarregado principal daquele turno. De repente o assassino "entra" no parque sem ser incomodado, segue a moça e a mata e vai embora tão bem quanto entrou!
— Espera aí, está me acusando sem que eu possa me defender! — Lewis ergueu as mãos defensivamente — Ele se dirigiu aos dois. Sara apenas ergueu uma sobrancelha, num gesto de desdém.
— Eu dirigi alguma acusação contra você?! — Grissom retrucou — Só acho estranho que numa área tão "vigiada" um assassino consiga ter entrado pela porta da frente e saído de lá sem problemas. E adivinha quem era o responsável pelo comando do patrulhamento? Isso mesmo.
— Isso não prova nada! Nem provas vocês têm para me acusarem de envolvimento nisto!
A morena se aproximou da mesa. Ela também carregava uma pasta consigo, fechada por um clipe de metal. Retirando o objeto, Sara pegou mais fotos de dentro da pasta e as estendeu na mesa, deixando-as à vista de Lewis.
— Creio que o senhor conhece bem essas imagens, não é mesmo? — Sara encarou as imagens depositadas na mesa.
Lewis observou as fotos, balançou a cabeça repetidas vezes e apoiou as duas mãos na borda da mesa.
— O que é isso? É a imagem do parque?! — Ele apontou com a mão para as fotos.
Sara caminhou para perto dele, inclinando-se um pouco para falar-lhe mais perto.
— Como sabe disso? Se o que "vê" são apenas imagens captadas pela câmera que foi movida no dia do crime?
O homem fechou a cara e soltou um largo suspiro. Foi estúpido.
— Acho que já está se recordando bem, não é? — Grissom o provocou.
— Como eu poderia saber? Vocês me induziram a falar isso!
— Não banque o desentendido, Lewis, você sabe muito bem. — Sara falou sarcasticamente — Somente dessa forma o assassino poderia ter entrado e saído de lá sem ser notado. Quase não dá para perceber a mudança, mas isso foi vital para que ele pudesse entrar e sair.
— E daí que essas são as imagens da câmera de lá? Não sou o responsável por elas. Qualquer um poderia ter mexido!
— Justamente no horário do turno de vocês. Acho difícil. — O sargento fez uma careta — Uma hora antes do assassino entrar no Lehman essa câmera foi movida. Os únicos visitantes presentes vieram muito antes do exato horário.
— Sobra você, seus coleguinhas e o próprio assassino. — Sara deu de ombros.
Após os momentos de grande resistência, Lewis se viu vencido pelos policiais e não tinha outro meio de terminar com aqui se não falar o que lhe foi pedido.
— Tá bom. — Parecendo mais calmo e ciente da situação, Lewis encarou os dois — Vou falar pra vocês o que eu me lembro.
— Desembucha. — Grissom fez um gesto com a mão direita, apressando-o.
— Ok. Eu me lembro que estava variando entre a cabana e a parte da frente do parque. Não estava parado, dormindo num canto se você acha.
— Continue, senhor Lewis. — Sara disse, se afastando para trás.
— Então eu-
A fala dele foi interrompida pela porta, que foi aberta quase que bruscamente.
— Não fale mais nada, Franklin! — Um homem chegou, e apontou para ele. Tinha estatura média, branco, cabelos altos e grisalhos com rosto retangular longo. Usava óculos, vestia um terno azul marinho com gravata vermelha e camisa branca. Seu olhar era agressivo para com os policiais, principalmente a Grissom. Regis Dale era seu nome.
Carregando uma pasta preta de couro, ele a descansou na mesa e encarava as três figuras.
— O que estão fazendo com o meu cliente? Por acaso acham que podem sair fazendo perguntas sem mim que sou advogado dele?! — perguntou raivoso.
Olhando-o com desdém, Grissom virou-se para o lado e deu uma batida rápida na mesa com a mão esquerda.
— Desculpe se temos de cumprir nossos compromissos e prioridades em vez de esperar por um jurídico atrasado. — O sargento ironizou o advogado, que não respondeu.
— Meu cliente evoca o direito de ficar em silêncio. — disse, virando o rosto para Lewis — Agora, podem me dar licença para que eu fale com ele?
Grissom e Sara se entreolharam. Ele fez um gesto com o olhar, pedindo que ela saísse da sala junto dele. Sara assentiu, e voltou para a mesa, de onde retirou todas as fotos que se encontrava lá e caminhou até a porta.
Encarando Lewis e Regis, Grissom, de cara fechada, pegou as muletas que estavam no chão, apoiou-se na mesa e levantou. Saiu da sala junto de sua parceira. Os dois seguiram para a sala ao lado, diferente da de interrogatório, na qual o capitão Brass se encontrava, assistindo-os.
Mais alguém assistia ao interrogatório junto do capitão. Era Bartholomew Krishna Carver, promotor de justiça. De 57 anos, tinha a pele bronzeada como a de um indiano, a quem tinha ascendência. Fortinho, baixo, de cabelos curtos pretos meio grisalhos e rosto quadrado, era um homem bastante respeitado no meio jurídico por sua seriedade e compromisso com a lei. Fala curta e grave, era uma dor de cabeça para os advogados de defesa. A primeira pessoa na área a quem a polícia chamava para assuntos como aquele.
— Olá, promotor, que bom que veio compartilhar conosco a sua presença nesse martírio de trabalho num domingo. — Falou Grissom ao vê-lo próximo do painel fumê.
— Sargento Grissom. Soube do que aconteceu. — O promotor sorriu de lado, se aproximou dele e apertou sua mão direita. Depois ele se virou para Sara — Você é a nova parceira dele, não é?
— Sim, detetive Sara Sidle.
Carver deu dois passos para se aproximar dela e apertar sua mão.
— Muito prazer, detetive. Sou o promotor Bartholomew Carver. — Assentiu, depois se voltou para Grissom — Cheguei há pouco tempo. Conseguiram alguma coisa?
O sargento balançou cabeça.
— Nada. — Grissom respondeu em desgosto, quase resmungando — O desgraçado do Lewis ficou enrolando até que o advogado dele chegasse. Conhece ele? — perguntou ao promotor.
— Regis Dale... — comentou pensativo — Não muito, já ouvi falar. Não se deixem enganar por ele. Dale pode ter seus truques, tenham cuidado.
— Lewis sabe de alguma coisa, disso eu tenho certeza. — Grissom estava convicto — Só esperou o advogado dele chegar para não falar coisa que não devia. Não viu como ele se enrolou quando Sara mostrou as fotos do parque? — completou, olhando tanto para o promotor quanto o capitão.
— Pois é. — Sara concordou — E notou como Dale dele se veste? — Ela apontou para o vidro, diretamente para o advogado — Um Armani autêntico. Não duvido nada que os serviços dele sejam bem, bem caros. E não acho que um ex guarda de parque tenha arranjado tanto dinheiro assim em tão pouco tempo para contratar um advogado daquele.
— Ganhou na loteria? — Grissom retrucou sarcasticamente — Ou está minerando ouro em Elko.
— No que ele trabalha agora? — perguntou Brass.
— Guia turístico. — Sara respondeu.
— Um salário daquele não deve dar para pagar um advogado daquele porte. — Grissom riu.
— Mesmo assim. — Bartholomew ergueu o dedo indicador — Se não tiverem como provar que Lewis realmente foi cúmplice e recebeu algo do assassino, vocês não podem fazer nada.
— A gente sabe. — O sargento coçou a bochecha — E outra: Lewis tem enfrentado certos problemas com a Receita e com a ex mulher, tudo por causa de dinheiro. — Ele ergueu a mão — Falando nisso, já conseguiu autorização para um mandado de quebra de sigilo bancário? — perguntou, dirigindo-se a Brass.
— Não. O juiz quer mais que uma câmera movida.
— Movida justamente no horário do turno dos guardas; no qual não foi registrada nenhuma visita de alguém de fora. — Grissom argumentou impaciente.
— Ele quer mais que isso. — O capitão deu de ombros — Sem contar que os Federais também estão nessa.
— Alguma confirmação deles para ver se nos cedem as informações sobre o caso? — Grissom olhou para o capitão.
— Nada ainda, mandei a solicitação na sexta mesmo, e até agora... — Brass deu de ombros.
— Que merda. Eles têm que mandar isso logo, não dá pra segurar o Lewis por mais de 48 horas. Ainda mais com um advogado daqueles.
— Uma confissão, talvez? — Gesticulou Sara, ao observar os rostos dos homens presentes na sala.
— O quê? — O sargento questionou-a meio confuso — Oh, sim. — disse, após entender a questão rapidamente.
— É uma boa escolha. — Carver assentiu para Sara — Entretanto, vocês precisam ter muito cuidado. Uma confissão nem sempre é verdadeira.
— Geralmente as pessoas confessam para proteger alguém ou como última alternativa, enquanto estiverem sob pressão. — Grissom concluiu o argumento do promotor.
— Acham que conseguem fazer esses caras confessarem? — Brass questionou os dois policiais, apontando com o polegar para trás de si.
— Bem difícil. — A morena admitiu — Se todos forem culpados, provavelmente combinaram um pacto de silêncio. Se nem todos forem, o inocente ou inocentes podem ter sofrido ameaças e permanecerão quietos.
— É só pressionar o lado mais fraco. — O sargento sugeriu — Não é o que diz aquele ditado? — Deu de ombros.
Sara entendeu na hora o que ele quis dizer. Ela ergueu as sobrancelhas e se virou para o parceiro.
— Hernández? — indagou meio apreensiva.
— Ele mesmo.
— O latino? — Jim franziu as sobrancelhas — O que tem ele?
— Sara percebeu que ele se apresentava nervoso quando falamos com ele lá no parque. Talvez esteja com medo. Se a gente pressionar mais um pouco, quem sabe não conseguimos uma confissão.
— Façam o que for necessário. — Brass foi direto ao apontar para Grissom e Sara.
— Tá falando em ameaçar ele? — Ela perguntou, um pouco indignada.
— Estamos falando do uso de meios contidos dentro de uma rede de possibilidades legais. — O promotor respondeu convictamente.
— Ele é o lado mais fraco da corda, como você mesma disse, dias atrás. — Grissom afirmou.
Sara queria responder, mas sabia que poderia prejudicar a si mesma. Sem contar que admitir-se-ia o uso de juízo de valor ao "defender" Pedro Hernández, imaginando que, sendo latino, esse seria o "lado mais fraco" da corda. Ameaçado, portanto, propenso a confessar a culpa ou contar a verdade com mais facilidade.
— Então tá. Vamos terminar de interrogar Lewis e depois vemos o Hernández. — disse, ligeiramente incomodada.
— Não seria melhor interrogá-lo por último? — Grissom sugeriu, gesticulando com a mão direita — Assim, nós tiraríamos quaisquer suspeitas para os outros que estejam desconfiados.
— Certo. — Ela concordou, mas ainda parecia um pouco frustrada.
— Vão. Ainda temos mais três homens putos da vida esperando pelo interrogatório. — O capitão Brass soltou a piada e riu de si mesmo.
Grissom e Sara se entreolharam e depois deixaram a sala. Só que, antes mesmo que ela pudesse tomar seu caminho para a sala ao lado, o sargento a impediu.
— Ei, Sara.
— O quê. — A mulher respondeu como se não estivesse a fim de conversar.
— Eu reparei em como você reagiu sobre quando falamos do Hernández. Por acaso está com pena dele? — Ele a encarou, franzindo a testa.
— Claro que não, Grissom! — Sara ergueu os braços, inconformada com a "acusação" — É o jeito como falaram em "usar todos os meios necessários" com Hernández.
— Não acho que disseram aquilo porque ele é latino, Sara. — retrucou em voz baixa — Se fosse qualquer um deles, tínhamos de fazer a mesma coisa. É o caso de um serial killer que estamos lidando!
Ela cruzou os braços e desviou sua atenção.
— Eu preciso saber se a minha parceira está comigo. — Ele disse, de repente, ao olhar para baixo, e depois para a detetive à sua frente.
Sara descruzou os braços lentamente. Não esperava ouvir aquilo e naquele momento.
— Eu tô. — respondeu após expirar.
— Ótimo. Então vamos. — Assentiu satisfeito com a resposta.
O sargento e a detetive seguiram para a sala. O oficial, que se encontrava lá dentro, "vigiando" Lewis e Dale, se retirou do espaço ao notar a presença dos policiais.
— Bem, voltamos. — Falou Grissom, sentando-se na cadeira e deixando as muletas no chão. Sara ficou em pé, novamente; afastada, próxima ao painel — Espero que o senhor tenha se lembrado do que aconteceu para nos contar. — concluiu sorrindo maliciosamente.
Lewis e seu advogado se entreolharam. Dale assentiu rapidamente para o cliente, que se virou para o sargento e disse:
— Tá bom, eu vou contar o que eu me lembro.
— Ah, então você se lembrou, que bom! — Grissom exclamou ironicamente. Ele ergueu as sobrancelhas e deu uma leve batida na mesa com as duas mãos — Vamos, pode começar.
— Ok. Eu me lembro que estava numa área próximo à entrada do Lehman. Variava entre esse ponto e a cabana. Se visse alguém mexendo na câmera ou entrando no parque com uma faca... sei lá o quê, eu saberia e chamaria a polícia! — completou indignado.
Ah, céus. Pensou Sara, ao observá-lo.
— Era por volta de uma e pouca, duas da manhã quando me chamaram pelo rádio. Era o Davis, avisando que uma mulher tinha sido esfaqueada. Pedi a localização deles e corri para lá.
— Deixando a entrada do Lehman aberta para o assassino sair de lá e fugir sem problemas. — falou, ironizando-o.
— Sargento Grissom. — O advogado o reprovou.
— Não estou acusando o seu cliente de nada, senhor Dale. Até porque a câmera foi movida, não é mesmo? Não há como saber se o que ele está dizendo é verdade. — Ele deu de ombros — Não há como o senhor provar sua culpa, tampouco inocência! — O sargento exclamou, encarando Lewis diretamente.
— Já disse que não tenho nada a ver com aquela câmera! — retrucou.
— Como você pode provar isso, Lewis?! A única câmera funcional e presente foi movida antes do crime! Seus colegas estavam longe demais para comprovar o que você diz. — Irônico, Grissom deu de ombros.
Tanto o administradores do parque quanto os homens estavam pagando caro pela "falta de segurança" e aparatos do local.
— Temos de aplaudir o assassino por ter sido tão esperto. Comprou um de vocês, ou todo mundo, e agora vocês, ou melhor você, tá sendo o maior suspeito. — Sara assentiu em deboche.
— Bem falado. — Grissom ergueu o dedo indicador, concordando com a fala da detetive — Não estou vendo outra alternativa para o senhor, a não ser cooperar conosco.
Lewis franziu a sobrancelha brevemente. Grissom logo notou aquilo, tanto quanto Sara. Eram detetives muito bem treinados, sabiam analisar um comportamento suspeito. Dale, nervoso com o cliente que não conseguia disfarçar suas emoções, logo se manifestou:
— Meu cliente ficará em silêncio. — Assentiu — Como o senhor mesmo disse, não tem provas que o incrimine diretamente, então não sei o motivo de manterem ele aqui.
— Ah, nós temos um motivo sim, vários, até. — Sara retrucou sarcasticamente.
— Pelo visto o senhor não vai cooperar agora, não é? — Grissom se virou para Sara, e pediu em voz baixa para que chamasse o oficial lá fora. Atendendo ao seu pedido a detetive abriu a porta e chamou pelo homem que os aguardava. Então ele entrou e Sara retornou para o lugar de onde estava — Manda ele pra cela, por favor. — disse para o guarda.
— Não podem fazer isso comigo! — Lewis estendeu seus braços na mesa.
— A gente pode, sim, Lewis. Você é suspeito de conspiração antes e após o fato. E caso os seus coleguinhas aceitem cooperar, acho que você vai passar um bom tempo na prisão, mais que eles.
O guarda puxou o homem pelo braço esquerdo, que não teve outra alternativa a não ser levantar.
— Algemo ele? — O oficial perguntou para o sargento.
— Não... — Ele balançou a cabeça — Não acho que vá oferecer resistência para tentar fugir daqui.
O oficial assentiu, e, segurando-o pelo ombro e braço, saiu da sala com Lewis. O advogado se levantou da cadeira. Mesmo em silêncio, encarou Grissom e Sara como se aquele fosse a última vez que os dois "zombariam" da situação de seu cliente.
— Não pensem que vão ficar com esse sorriso.
Vendo sua saída, Sara caminhou para próximo de Grissom e sentou-se na cadeira à sua esquerda. Ela apoiou os cotovelos na mesa e cruzou os dedos.
— Nunca tive medo de ameaças de advogados, muito menos de engomadinhas como aquele. — A mulher deu de ombros.
— Eu também não. — Ele suspirou — Já estava esperando que Lewis fosse mostrar resistência, mas aquilo foi ridículo. Não tem como um cara na posição em que ele se encontrava não tivesse visto ou ouvido nada.
— Talvez Lewis seja leal demais ao acordo que eles mesmos criaram.
— Ou talvez ele esteja sofrendo ameaças. — Grissom comentou sem dar muito crédito a si mesmo.
— De quem, Zodíaco? — Sara ergueu as sobrancelhas.
— Não sei... — O sargento recostou-se na cadeira e esticou os braços para trás — Ah! Droga. — reclamou de dor, ao sentir uma pontada em sua barriga. Retraiu-se logo.
Ela franziu a testa. Odiava aquele comportamento imprudente dele que punha em risco sua própria vida. Grissom era insistente demais, tão quanto ou mais que a detetive.
Imaginando que o capitão ou o promotor ainda estivessem na outra sala a ouvir toda a conversa, Sara falou em voz baixa:
— Você tomou algum remédio, Grissom? — Ela disse, olhando para a mesa para disfarçar.
— Tomei. — Ele respondeu, no mesmo baixo tom de voz — Mas o efeito dessas porcarias às vezes demora... às vezes só alivia a dor por algum tempo... — disfarçou.
— Devia ir ao hospital. — A detetive o reprovou.
— Já falei que não precisa se preocupar. O importante agora é o caso.
— Não sabia que um caso era mais importante que a sua saúde. — Sara retrucou, agora mais impaciente. Ela virou um pouco o corpo para encará-lo melhor.
— Ah... — O sargento suspirou, tentando se controlar para não falar em voz alta — Por que está tão preocupada comigo?
— Da mesma forma que você se "preocupa" comigo. — Sara deu ênfase à palavra — Somos parceiros!
Grissom repousou as duas mãos na mesa e fez um leve movimento com os ombros.
— Estou contente com a viagem que fizemos. A gente já consegue suportar um ao outro. — brincou.
— Ah, céus! — Sara escondeu seu rosto com as mãos. Como ele consegue fazer piadinhas numa hora dessa?!
— Vamos dar prosseguimento com os interrogatórios. — Grissom terminou a discussão, ao normalizar a sua voz.
— Concordo. Vamos continuar com essa merda logo. — Ela balançou a cabeça e se levantou. Então saiu da sala para dar continuidade aos interrogatórios.
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