Manhunters
46 De volta ao trabalho... Literalmente
Notas iniciais
Ainda que tivessem um bom resultado em pouco tempo, de nada adiantava ter pistas concretas sobre a identidade do assassino. Sara e Grissom possuíam poucos para arranjar alguma coisa, mas a notícia pior já era esperada: alguém morreria no dia onze de novembro. A chance de identificarem o assassino até o dia onze se mostrava ínfima. E para piorar mais ainda, apenas 50% do efetivo estava disponível oficialmente: a detetive Sidle.
Era o momento de arregaçar as mangas. Já perderam tempo demais, e o tempo era muito precioso para ser desperdiçado.
Seguindo para o quarto, Sara pegou a bolsa que levou para o trabalho e dela retirou diversas pastas que trouxe do departamento. As pastas continham arquivos decorrentes da terceira e quarta vítima. Primeiramente, Sara separou apenas o da terceira, Cassidy Young. Revisou todos os relatórios possíveis que foram deixados pelo detetive Salas. Leu com bastante atenção o depoimento dado pela amiga da vítima, Liz. Segundo ela, o homem do qual viu do outro lado da rua se mostrava tão "comum" quanto os demais. Roupas escuras, nada de destaque, obviamente. Era um pouco alto, possivelmente loiro ou moreno de cabelos curtos; Sara tratou de marcar esse detalhe. Ainda, segundo o depoimento de Liz, não havia um veículo muito próximo do homem. Geralmente homens esperam próximos de seus veículos. O único carro presente era um Ford Focus azul; a placa foi verificada e não bateu com um perfil do suposto criminoso. Poucos depoimentos foram conseguidos no momento das investigações de pessoas que estavam próximas no local.
Houve também uma busca nas câmeras presentas nas ruas. Em teoria, havia uma chance bem alta em encontrar o assassino. Porém, nos relatórios sobre as análises, não foi encontrado nenhum "rastro" da passagem de Zodíaco por aqueles cantos, como se o próprio tivesse desaparecido do nada. Ela tinha uma escolha: procurar alguma coisa nas câmeras e "tentar a sorte" na busca por ele naquelas ruas, ou procurar por outros meios. Num último caso passaria para a quarta vítima.
Mesmo se quisesse ter o acesso aos vídeos de segurança, Sara precisaria voltar à delegacia, já que era proibido levar uma cópia dos arquivos. Então precisou tomar uma decisão. Pegou o celular e acessou o registro de chamadas. Ligou para o número específico e esperou por alguns segundos.
— Oi, Sara. Está tudo bem?
Ela não pôde conter o sorriso, mesmo que breve. Engraçado o modo que ele quase sempre perguntava se ela estava bem. Mas mudou o foco logo para não se perder no ritmo.
— Oi, tá tudo bem, sim. Estava pensando no caso da terceira vítima, Cassidy Young.
— Tem algum palpite?
— Pensei em voltar à delegacia pra analisar as câmeras daquela rua.
Sentado em seu sofá a analisar os tipos de armas entre catálogos e livros que os pegou para si na biblioteca, Grissom fechou o livro que estava em seu colo para se concentrar melhor na conversa.
— Voltar? — Ele perguntou surpreso.
— É. Eu-... a gente precisa ter certeza que nenhum detalhe escapou.
Nisso ela estava certa. Por causa dessa certeza plena, um grande detalhe foi deixado de lado com a segunda vítima.
— Entendo... — respondeu.
— Outra coisa que eu queria te contar, é que estava pensando em contatar a amiga da vítima. Liz foi a última pessoa a vê-la antes de ser assassinada. — Ela disse, após aguardar alguns segundos.
— Sei, me lembrei dela. Qual o motivo?
— Ainda que indiretamente, Liz conseguiu "ver" o assassino. Ela poderia dar uma boa descrição do Zodíaco pra gente.
— Não queria te desanimar. Mas fazem nove meses que isso aconteceu. E pelo que me lembro a amiga dela estava abalada demais para depor direito.
— Sim, eu sei. Mas... acho que esse caso foi um pouco negligenciado.
— Porque ela era uma garota de programa, não é?
Sara ficou satisfeita já que Grissom pensava da mesma forma que ela. Ao ouvir sua resposta, ela olhou para a foto da mulher caída no chão.
— Exatamente. É sempre assim... como foi ela quem morreu, aposto que muitos acharam que não passava de um crime banal. Deixaram passar.
— Sales.
— O detetive Sales? — Ela franziu o cenho — Oh, sim, ele foi o responsável por pegar os primeiros casos...
— Pensando bem, não posso jogar toda a culpa pra cima dele. Era responsabilidade minha averiguar esses detalhes.
— Hum. — A mulher sorriu.
— Ao menos uma coisa boa aconteceu. Você está aqui, agora.
E mais uma vez a declaração dele fez seu coração acelerar. Bom que ele não estava por perto, ou veria o rosto dela ficar vermelho.
— É. Eu vim pra colocar ordem no caso. — brincou.
Ela pôde ouvir uma breve risada ao fundo. O sorriso permaneceu em seu rosto.
— Enfim. Eu vou retornar à delegacia e ver o que eu posso conseguir.
— Sobre isso... acho melhor você ficar em casa e deixar isso para amanhã ou vai se cansar. — O sargento respondeu preocupado.
— Eu sei, Grissom, mas o tempo tá acabando. Quanto mais tempo a gente desperdiçar vai ser pior no futuro.
Alguns segundos se passaram e nada de resposta imediata. Sara ficou preocupada com a decisão dele, mas de qualquer forma já dava por certa sua volta à delegacia.
— Certo.
— Ótimo. Eu te ligo caso eu encontre alguma novidade.
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Eram nove e vinte. O turno da noite dos policiais se mostrava agitado como sempre. Vegas tinha um alto índice de ocorrências naqueles horários. Sara estava de volta à famigerada sala de arquivos. De lá, adquiriu os vídeos de seguranças cedidos à polícia de estabelecimentos locais e do departamento de trânsito. Porém, precisou adiar sua análise por alguns minutos já que a sala de multimídia estava cheia por conta de outros detetives que faziam uso dela para outros casos. Como eram recentes, tinham prioridade.
Enquanto esperava sua vez, Sara preferiu seguir para outro passo: analisar o caso tecnicamente. Então seguiu para a sala do sargento levando consigo praticamente todos os arquivos sobre a terceira vítima, exceto suas roupas ou itens de análise técnica conveniente à perícia.
Não pensou de cara, mas aquelas fotos lhe chamaram a atenção. Sara abriu uma das gavetas da mesa de Grissom e pediu desculpas mentalmente por fazer aquilo. Para sua felicidade ela encontrou o que queria: uma lupa. Ela ainda aproveitou a oportunidade e sentou-se em sua cadeira. Então analisou com cuidado as fotos. As fotos tiradas na autópsia mostravam marcas nos pulsos de Cassidy, o que indicava que Zodíaco se sobrepôs a ela antes de matá-la. O assassino não a matou de uma vez como fez com Arthur Kyle, a primeira vítima. Lembrou-se, então de Vanessa Temple e do soco que a mulher levara antes de ser morta. Zodíaco "saboreou" o momento antes e durante o assassinato de ambas as mulheres, e se reparar bem, fez isso com todos os outros seguintes.
— Desgraçado... — A morena comentou indignada.
Zodíaco se mostrava ser mais perigoso do que se imaginava. Qualquer um que estivesse na mira de dele corria um alto risco de morrer. Dez pessoas foram escolhidas e nenhuma sobreviveu. E pior estava aí: qualquer um. Qualquer um poderia ser a próxima vítima; uma professora, um vendedor, uma advogada... um policial.
Enfurnada em seus pensamentos, Sara mal percebeu que alguém bateu à porta e entrou em seguida. Foi aí que ela dirigiu seu olhar para a frente. Quem ela viu foi uma figura nova, um homem do qual não se lembrou de ter visto em nenhum momento.
— Ué, achei que o sargento Grissom estaria aqui. — falou ironicamente o homem. O homem era branco, um pouco gordo, alto e de rosto obviamente circular. Não apresentava barba e tinha calvície. Vestia um terno verde oliva com uma gravata azul escura e sapatos pretos — Achei até estranho já que... ele tá suspenso. — Deu de ombros.
Sara percebeu aquele tom irônico no qual o homem se encaminhou em demonstrar.
— É verdade, ele está. A propósito, quem é você? — perguntou ao franzir o cenho.
— Eu sou o detetive Kevin Sales. — Ele respondeu sem muita vontade.
Ah, não. Era só o que me faltava.
Se o responsável por tomar os primeiros casos das vítimas e que foi tirado da investigação estava presente, coisa boa não era.
— Você deve ser a nova parceira dele, né? — perguntou sarcástico ao apontar para ela.
— Sim. Sou a detetive Sara Sidle. — disse entre um suspiro.
— Ah! Então você é aquela policial que trouxeram da Califórnia. — Sales caminhou alguns passos em direção a ela.
Sara franziu ligeiramente as sobrancelhas ao vê-lo se aproximar. Tudo o que ela não queria no momento era uma interrupção como aquela.
— Olha, realmente não consigo entender porque mandaram alguém de tão longe pra resolver um caso como esse.
Deve ser porque você não conseguiu resolvê-lo?
— Eu também não. — Ela balançou a cabeça — Mas estou aqui agora, pronta a fazer o meu trabalho.
Ele pareceu não gostar daquela resposta. Sara "esperava" que não tivesse, pois desse jeito o detetive sairia do local o mais rápido possível.
— Vocês acham que são espertos o bastante pra resolver esse caso logo e jogar na minha cara, não é? — perguntou provocativo.
Ah, céus! Eu não... mereço isso logo agora!
— A gente não acha nada, detetive Sales. — Sara respondeu um pouco mais impaciente.
— Ah, não? — O detetive deu mais um passo. Chegou a tocar na mesa do sargento. Ela apenas o acompanhou com o olhar — E essa história de reavaliar o caso do zero pra procurar algum erro?! Acha que eu sou um palhaço desleixado que não sabe fazer o trabalho direito?
Aquilo foi a gota d'água pra Sara, que queria muito terminar o assunto do jeito mais cordial possível. Então se levantou da cadeira quase lentamente.
— Palhaço, não. Desatento, sim. — Ela quase sorriu ironicamente — Me explica o porquê daqueles guardas serem presos logo agora, hein, detetive Sales? — Encarou-o nos olhos.
Ele não gostou daquela resposta, odiou-a. O detetive nunca a viu antes e por isso não esperava que Sara fosse retrucar daquela forma, ainda mais uma policial que veio de outro estado.
O homem cerrou os punhos.
— Você acha que eu queria fazer isso? Passar horas e horas reanalisando um caso de meses atrás enquanto poderia avançar no caso da última vítima que morreu com dez punhaladas?! — Ela ergueu os braços — Que droga! Por que você não tenta ajudar a gente ao invés de falar essas...
Merdas!
— Bobagens! — A mulher se conteve para depois não ter problemas.
Sales fechou a cara ainda mais. Ele apontou o dedo para Sara:
— Pra uma novata aqui você fala demais. Espero que você aprenda o seu lugar, assim como o sargento Grissom.
Ele não esperou mais. Deu meia volta bruscamente e se encaminhou para a porta. A morena se arrependeu em não ter sido mais dura em suas palavras. Num último esforço foi curta e grossa:
— Ah, eu sei qual é o meu lugar, sim. É trabalhando junto com o sargento pra resolver o caso que você não se preocupou em resolver. — Cruzou os braços e ergueu uma sobrancelha.
Sales virou o pescoço para vê-la. Estava nitidamente irritado com o comentário "abusado" de Sara. Porém, ele mesmo sabia que não tinha argumentos fortes para retrucar.
— Isso não acabou, não, viu? — falou ele, e depois saiu da sala.
Após expirar por longos segundos, Sara finalmente se sentou na cadeira e comentou:
— É, não acabou mesmo. Está longe de acabar.
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Já passava das onze e meia, Sara ainda estava presente na delegacia. Sozinha, passou todo tempo que lhe foi disponível a analisar os vídeos de segurança. E aquela mesma cena se repetia pela terceira vez. Virou rotina.
Antes mesmo de conseguir autorização para usar a sala de multimídia, a detetive procurou nos registros policiais informações sobre Liz, a amiga da vítima. Como ela era garota de programa, poderia ter ficha na polícia. Não foi difícil encontrar uma ocorrência. Em poucos minutos, as informações sobre Amanda Carter foram reveladas. Como esperado, ela não morava mais em Vegas, mas sim em Pahrump, 102 quilômetros a oeste. Para sua sorte, Amanda tinha endereço fixo e telefone. Tentaria ligar para ela no dia seguinte.
Já com as câmeras não teve tanta sorte, se é que se podia falar assim. Depois que Zodíaco matou Cassidy, ele deixou o beco e passou quase despercebido pelas câmeras, como se soubesse onde cada aparelho estivesse posicionado. Talvez ele tenha estudado o local há mais tempo. Sara não deixou de anotar esse comentário que passou por sua mente. Nas análises iniciais dos vídeos encontrou apenas a passagem de algumas pessoas no entorno. Ninguém reparou em Cassidy até às seis da manhã.
Ainda que tivesse passado umas duas horas na sala de multimídia, Sara precisou, infelizmente, deixá-la. No momento o turno estava cheio e havia prioridade em acessar os equipamentos da sala era grande. Então, foi "obrigada" a voltar a sala do sargento. Já prestes a deixar a delegacia, a detetive fez uma última ligação.
— Ei, Sara. Conseguiu alguma coisa?
— Me parece que você estava ansioso por isso.
— Confesso que sim.
Ela sorriu.
— Bem. Só pra começar o turno da noite está um caos e por isso mal consegui usar a sala de multimídia direito. O pouco que consegui não mostrou uma imagem clara do nosso homem.
— Não estou surpreso com isso, infelizmente.
— Mas, — Ela aumentou o tom de voz animada — consegui as imagens de pessoas no entorno que poderiam ser boas testemunhas. Pesquisei sobre aquele local e ele é bem conhecido por ter um ponto de venda de drogas, sem contar a prostituição.
— Acho que será difícil para você entrar em contato com pessoas desse mundo, Sara. Já foi difícil para o Sales falar com a amiga da vítima...
— E falando no Sales...
— O que tem ele? — perguntou desconfiado.
— Eu não queria falar isso com você, mas... Enfim. Seu "coleguinha" me fez uma visita.
— Visita?
— É. Eu esperava que viesse mandar alguma coisa boa sobre o caso, mas ele só veio querer tirar satisfação.
— Filho da mãe... — O sargento resmungou. Só pelo tom de voz, Sara percebeu que Grissom não gostou nem um pouco da notícia.
— Pois é.
— O que ele disse?
— Nada de mais. Só ficou reclamando que a gente "pegou o lugar dele". — Ela deixou escapar uma breve risada.
Mas o sargento pareceu não deixar de lado essa questão.
— Ele... mexeu com você, Sara? — perguntou em baixa e fria voz.
— Não. O máximo que ele disse foi pra gente saber o nosso lugar. Mas eu já o coloquei no lugar dele, não se preocupe. — Ela tratou logo de responder à pergunta. Sabia que ele não tinha se acalmado.
— Eu vou falar com ele. — Cada vez que ele falava, o sargento aparentava ficar mais frio ainda. Ela não gostou de ouvi-lo falar daquela forma.
— Ei. — Sara arqueou as sobrancelhas — Tá tudo bem, tá? Esquece isso.
— Sales não tem o direito de querer tirar satisfação acerca do caso. A culpa foi dele de não fazer o trabalho direito.
— Tá, mas não precisa querer revidar só por causa desse episódio. O Ecklie já te suspendeu, lembra? Se souber que você arranjou briga com o Sales, será você quem vai sair mais prejudicado.
Houve um silêncio na linha. Sara torceu que o parceiro tivesse concordado com sua lógica e desistido do "plano" ou seja lá o que se passava em sua cabeça.
— Está bem. Mas eu vou ficar de olho nele.
Ainda bem. Ao menos isso. Ela fechou os olhos e suspirou aliviada.
— Ótimo. Estou feliz que você tenha tomado a decisão correta.
— Hum... — Ele fez uma pausa —mais alguma coisa?
— Ah, quase me esqueci. — A detetive esfregou os olhos rapidamente. Depois olhou para as pastas em sua mesa — Eu estava olhando as fotos da autópsia de Cassidy, depois olhei brevemente as fotos das outras vítimas e... tá mais que óbvio que Zodíaco está gostando cada vez mais em matar essas pessoas.
Grissom não respondeu, porém, Sara imaginou que ele compreendeu seu raciocínio e esperava por outro comentário.
— Não sei se você reparou, mas em cada vítima há uma curva crescente. Ele... meio que se aproveita do estado vulnerável delas ao invés de só matar. O assassino está matando por prazer, não um prazer sexual, mas um prazer sádico.
— Era o que eu temia... — Ele suspirou.
— Amanhã eu volto pra cá e continuo a busca por alguma coisa nos vídeos. Depois vou entrar em contato com a amiga da vítima. Se eu não achar algo relevante de cara vou passar para a outra vítima.
— Está bem. Até mais, Sara, e... tome cuidado.
— Você também.
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Enfim, de volta ao lar... novamente e definitivamente. Realmente foi um dia cheio para a detetive. Um dia cheio, mesmo; tanta coisa ocorreu em 48 horas que ela mal se deu conta, apenas quando já estava em sua cama pronta a fechar seus olhos e dormir.
Não se conformava com aquela resposta fria e irracional do sargento. Dizer que matou a própria parceira era algo pesado, forte demais. Não podia ter sido aquilo, e mesmo se fosse, Grissom, o homem que ela conhecia há bastante tempo, não falaria daquela forma. Alguma coisa estava errada e ela buscou saber o porquê. Entendeu parte da verdade. Ainda faltava essa "segunda parte" e só encontraria a resposta com o próprio sargento.
No dia seguinte veio a audiência, a cansativa audiência que durou mais de quatro horas para o pouco tempo que foi o "show principal". Não esperava que a fiança fosse tão "baixa" se fosse considerara a possibilidade que os homens tinham recursos para pagar a fiança. Bem, de volta à delegacia, finalização de relatórios, e, após isto, fim do turno.
Foi aí que as coisas mudaram de rumo. Não se esqueceu do que Grissom falara. Ela bateu o pé e tomou coragem. Ligou para ele, mas ligou para ele quando já estava em seu prédio. Tomou aquela oportunidade como a melhor e única.
Foram ao cemitério prestar homenagens à falecida policial. Ele não precisou falar muita coisa, pois Sara já sabia dos fatos. Eles se abraçaram novamente; e dessa vez foi por iniciativa dele, que precisava daquele abraço mais que tudo. Passado um tempo os dois foram ao parque... e finalmente a detetive entendeu o motivo das atitudes e comportamento de Grissom. Compreendeu, enfim, porque ele mudou tanto em oito anos. Aquele homem sofreu demais e, ao contrário do que ele mesmo pensava, nada daquilo foi por culpa dele.
Antes de se despedirem e se verem pela última vez no dia, ela fez algo inesperado. Foi um gesto simples, despercebido, talvez, mas que de alguma forma foi especial. Um beijo na bochecha. Sem contar que se despediu e evidenciou o quanto sentiu sua falta. Foram oito anos longe. Ela admitiu para si e para ele que sentia falta daquele homem de olhos azuis que chamou a sua atenção naquela conferência.
Conteve a si mesma quando percebeu que sorria. Estava indo longe demais quando se deu conta que já não se recordava dos eventos anteriores, mas sim, sonhava. Por mais que esses pensamentos fossem maravilhosos, tinha que manter o foco no trabalho. Certo que às vezes tinha o direito de se desviar um pouquinho, mas precisava ter em mente que o caso vinha em primeiro lugar.
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