Manhunters

95 Coisas que nós não gostaríamos de ouvir na verdade


Notas iniciais
Pessoal, estou aqui mais uma vez para mandar outro capítulo desta fanfic louca. Porém, infelizmente eu tenho notícias não agradáveis para contar a vocês. Não foi uma decisão fácil, mas eu achei melhor tomar do que acabar decepcionando a mim e a todo mundo. Manhunters vai entrar em hiatus oficialmente. Tenho meus motivos, mas o principal deles é o final da graduação e o TCC que eu preciso me focar. Tem outras coisas também, menores, mas que vem me incomodado ultimamente em relação a esta fic. Não é o fim, eu não vou abandoná-la, mas acho que preciso de um tempo. Dizer que ela vai entrar em hiatus não quer dizer necessariamente que vou parar de escrever para ela e para a outra fic que venho trabalhando, mas significa que não vou postar mais capítulos por um período de tempo. Vocês notaram que a capa está diferente, é uma variação em negativo. Quando virem que ela retornou ao normal é porque estarei de volta.

Esfriou bastante na região. Céu sem nuvens, abrindo espaço para os que gostavam de aproveitar a noite. Friozinho para manter as pessoas dentro de estabelecimentos e de casas.

Sara parecia não sentir o peso da baixa temperatura. Sua mente trabalhava o tempo todo a pensar naquela imagem. O retrato falado do qual ela não podia ter plena certeza a assombrava do mesmo jeito. Era como olhar para Zodíaco e ao mesmo tempo olhar para um estranho, um candidato apenas. Seu coração por mais estranho que parecia palpitava quando ela imaginava que este homem, não o da foto, mas o suspeito, a estava observando o tempo todo no funeral, e quem sabe por muito mais tempo. Seus olhos pequenos a encaravam como se estivessem se movendo, atento a cada movimento da detetive. Era perturbador.

E depois de passar horas e horas tentando criar caminhos para si em relação ao suspeito Sara acabou se esquecendo de alguém. A pessoa a qual odiava ficar com raiva, uma raiva do qual não podia conter e disfarçar. Sara odiou aquela discussão, assim como tantas outras que teve com ele das quais ambos saíram mal. Era um ciclo praticamente e acabou se acostumando com isso.

Ela também sentia sua falta, e como sentia. Ficar junto dele num “esconderijo particular” era a forma de ambos escaparem do mundo e de todos os problemas que estavam envolvidos. Sentia falta de estar com ele e não falar nada, fazer nada. Era como se houvesse um vazio ao seu redor e que nenhum de seus vícios poderia preencher. Então tomou uma atitude que iria se arrepender se fizesse, e mais ainda se não o fizesse: pegou um táxi e foi até sua casa.

Quando falou com o porteiro, ainda do lado de fora, Sara foi informada que não precisava se preocupar com permissões de Grissom; ela tinha acesso direto ao seu apartamento e só tinha de seguir direto. Acabou se esquecendo disso e abriu um sorriso discreto por se recordar do “privilégio”.

Ela não vestia as roupas do trabalho, apenas um traje casual: calça jeans, sandálias e uma regata salmão. Antes de bater à porta a detetive fechou os olhos e respirou fundo. O que iria falar à frente ela não tinha ideia, apenas a companhia dele bastava, mesmo que passassem minutos, quem sabe horas em silêncio.

Então o fez, mas em vez de bater, tocou a campainha. Esperou por dez segundos.

— Sara? — Como já se esperava, Grissom estava demasiadamente surpreso.

— Oi. — Ela respondeu com um breve aceno e um meio sorriso — Queria saber se... você... gostaria de conversar. — disse, revezando em manter o foco nele.

Diferente do que estava acostumada, Sara viu em Grissom uma expressão apreensiva e hesitante. Ele olhou para trás por um breve segundo e suspirou momentaneamente antes de responder.

— Eu... — Grissom levou a mão ao rosto, parecia meio abatido — não sei se é... — O homem parou de falar para criar uma resposta melhor, porém acabou ficando com a mesma — uma boa hora.

— O que foi, está tudo bem? — perguntou preocupada.

O sargento suspirou por um instante e olhou para ela.

— Se importa com a minha visita?

— Visita?

— É. — Ele assentiu com os olhos voltados para baixo — Heather. Minha amiga, se lembra? Ela está aqui.

— Heather? — Sara hesitou ao falar seu nome, chegando a ficar irritadiça — A Lady Heather?!

Grissom fechou os olhos e inclinou a cabeça minimamente para baixo quando assentiu. Todo aquele tom retraído de Sara no começo deu lugar a algo mais impulsivo logo depois.

— Então... eu tô interrompendo a conversa de vocês dois, não é? — Ela perguntou sarcasticamente, ainda que evitasse com todas as suas forças.

— Você não está...

Antes que o sargento pudesse continuar já que Sara esperava por uma resposta convincente, outra pessoa surgiu no meio da discussão.

— Pelo visto a minha presença está incomodando. — Era Heather, que apareceu pouco tempo depois.

— Não. — Grissom e Sara responderam quase em uníssono.

Quando a detetive terminou de falar olhou imediatamente na mulher um pouco atrás dele. Foi a primeira vez que se encontrou pessoalmente com Heather, a tal da dominatrix citada pelo sargento. Seus olhos delineados foram a primeira coisa que atraíram Sara, tão profundos como um abismo e mortais como de uma pantera. Seu corpo era magro, bem definido e bem cuidado chamava a atenção e era um exemplo de qualquer um que almejava um corpo como o da Lady. Era uma mulher bela e atraente, isto não podia negar.

— Não está incomodando, muito pelo contrário. — Sara retrucou sem perder o tom afiado.

— Você deve ser a Sara.

— Isso mesmo. E você é... a Heather.

— Exato. — Assentiu — Heather Kessler. É um prazer conhecê-la, detetive Sidle. Gilbert fala bastante sobre você. — disse ela, fazendo com que Sara o visasse mais uma vez e causasse um calafrio no sargento.

O som da voz de Heather falando o primeiro nome de Grissom a incomodou, parecia que tudo na mulher à sua frente a deixava inquieta.

— É? Que bom. — Ela forçou um sorriso para disfarçar — Se me derem licença, sou eu quem está incomodando aqui. Até mais. — Sara forçou um sorriso e encarou as duas figuras antes de dar meia-volta e ir embora.

— Sara. Sara! — Ele se aprontou de ir atrás dela. Olhou para Heather com um olhar pesado, querendo pedir desculpas pela cena — Desculpe. — sussurrou para ela.

Ela não se importou em correr, porém apertou o passo. O arrependimento de não ter ficado em casa trabalhando batia forte, sem contar com o sentimento de vergonha que sentia no momento.

— Ei, Sara! — Ele a chamou novamente, antes que Sara chegasse ao elevador.

— O que você quer, Gilbert?! Não estava conversando com sua amiga? — Ela respondeu enquanto pressionava o botão, sem ao menos se virar para trás.

— Sara, por favor. — Quando conseguiu se aproximar dela ele tocou em seu ombro na tentativa de ganhar sua atenção — Não pense algo ruim sobre isso.

— E o que quer que eu pense? Que tudo não passou de uma conversinha amigável entre vocês dois? — Ela retrucou irritada.

— Claro! — Ele apontou para trás com o polegar — Ela veio me visitar porque soube da minha condição na perna e queria saber se eu estava bem. Só isso! Eu não a chamei, ela quem veio aqui sem avisar.

— Coincidência ela ter vindo logo... hoje. — Sara não quis citar o convite dele para jantar.

— É, eu concordo com isso. — Assentiu — Mas não pense que ela veio com segundas intenções, Sara. Não precisa ficar assim.

— Se você fosse na minha casa e encontrasse a mim e ao Ivanenko não ia ficar como estou? — questionou-o e viu logo uma mudança de expressão no seu rosto. Ela se virou para o elevador, notando que faltava apenas um andar para chegar — Então. Eu vou embora. Vim aqui para me desculpar com você sobre hoje, mas... — Vazio, o elevador se abriu e a detetive tomou o primeiro passo — melhor deixar para outro dia.

— Espera. — Ele insistiu e segurou seu braço delicadamente, fazendo-a parar no mesmo instante. O toque de sua mão quente na pele fria foi como um choque térmico. Não houve pressão ou qualquer hostilidade, muito diferente de como aconteceu com Hank.

— O que? — Ainda sem olhar para Grissom, Sara pressionou a mão direita sobre a porta do elevador para que não se fechasse.

— Venha, por favor. — Ele disse bem baixinho — Eu não quero que isso termine mal de novo.

Houve uma luta interna para a mulher entre ignorá-lo e entrar no maldito elevador, ou dar meia-volta e encarar seu rosto. A segunda escolha venceu por pouco. Sara inclinou a cabeça para baixo e fechou os olhos por dois segundos antes de se virar para o companheiro.

— O que foi, Gilbert? — Ela cruzou os braços.

— Você é a mulher por quem estou apaixonado. — O sargento tocou no peito — Acha que eu iria te trocar por qualquer pessoa?

Ela o encarou nos olhos tentando buscar o motivo pelo qual sempre o perdoava, mas o acúmulo do estresse a cegava e deturpava seus julgamentos pessoais.

— Sei que está chateada por isso, também acho que não foi uma boa hora para Heather aparecer, mas... não deixe que isso afete o nosso relacionamento. — Grissom balançou a cabeça. Vendo que ela estava disposta a continuar ouvindo seu discurso, ele deu um passo à frente, ficando a poucos centímetros dela — Não seria louco, um idiota em te trocar. — Ele tocou no rosto dela e sussurrou — Eu te amo.

Em seguida ele beijou sua bochecha e descansou a testa rente ao seu rosto. Grissom tinha de admitir que ficava diferente perto dela como num passe de mágica. Era uma atração irresistível, que o fazia tomar atitudes que racionalmente não tomaria. Mas era Sara de quem estava falando e nenhuma lei criada por ele se aplicava naquela situação.

Grissom beijou-a novamente e foi descendo até o pescoço. Deixou que o sentimento falasse mais alto, ainda que não estivessem na “fortaleza segura” de um quarto. O toque dos lábios em seu pescoço a fez estremecer na mesma hora. Na primeira vez não resistiu, mas a partir do segundo beijo ela o afastou com as mãos.

— Câmeras, senhor discrição. — disse ela em deboche, mas ainda séria. Não que ela não gostou do gesto, mas o clima prevalecente cortava qualquer ânimo.

— Pro inferno essas câmeras. — respondeu sem tirar os olhos dela.

— É, mas não vou ficar me arriscando. Tchau, Gil.

De novo ela tentou se afastar de Grissom, que continuou persistindo.

— Mas... — Ele engoliu em seco. Achou que seu discurso mudaria o curso da situação; pelo visto se enganara — O que está havendo?

Ela queria falar sobre Hank. Dizer que foi a seu encontro, que discutiu com ele e até chegou a alertá-lo com a mão quase rente a arma. Também queria contar sobre o caso e como se sentia em relação ao dia do funeral e toda aquela atmosfera pesada que se criou acima de sua cabeça. Após a sequência desastrosa de “encontro” e perseguição, a paz na mente da detetive acabou. Grissom era a melhor pessoa para compartilhar o que sentia, mas de alguma forma encontrava-se presa dentro de si.

— Nos vemos amanhã de manhã. — Ela acenou com a cabeça e deu meia-volta em seguida, acionando o elevador novamente.

— Então me deixe te levar para casa. — O sargento tocou em suas costas. Visto que não haveria mais conversa no corredor, Grissom tentou uma última vez a chance de ficar bem com ela.

— Não se preocupe, eu vou de ônibus. — Sara virou o rosto para encará-lo, mas retornou ao elevador.

— Por favor, Sara.

— Grissom, já chega! — A paciência dela estava no fim, tanto que o chamou pelo sobrenome, coisa que raramente tem feito. Então desistiu de entrar no transporte — Eu tô estressada, sim, tá? Parece que tudo quer desabar na minha cabeça!

— Por que não quer me contar?

— Eu queria, mas você está ocupado. — Apontou para a frente, na direção do apartamento dele.

— Eu falei. Foi uma coincidência que ela tenha aparecido aqui logo hoje. — Ele tentou se defender mais uma vez.

— Então pode continuar aproveitando essa coincidência.

— O quê? Sabendo que você está assim? — Grissom ergueu as mãos na defensiva — Me deixe tentar ajudar! Sara, o que é que está acontecendo?

A morena fechou os olhos com agressividade e tentou gesticular algo, porém não conseguiu de cara;

— Quer saber?! Eu falei com o Hank, tá?! Ele estava aqui em Vegas. — Ela soltou as palavras de vez.

De uma hora para outra Grissom mudou de boquiaberto para quase furioso. Chegou a perder as palavras, como se o tempo tivesse parado e ele tentasse administrar a informação que acabara de receber.

— O Hank está aqui?! — O sargento não economizou no tom de voz.

— Fale mais alto para os outros escutarem! — repreendeu-o, olhando para as portas ao redor para checar se alguém iria aparecer.

— Sara, você tá me dizendo que ele está aqui e não quer que eu fique desse jeito?! Por que não me contou antes? — Ele tentou maneirar a voz, mas era difícil. O sangue parecia ferver por entre suas veias e nada mais ao redor era importante, tampouco discrição.

— Porque eu disse que iria resolver isso, e resolvi.

— Céus, Sara! — Grissom nem sabia o que dizer certamente. Havia um monte de palavras embaralhadas em sua boca que mal pôde trazê-las para fora. Levou um tempo até que conseguisse falar — Não sabe do risco que tomou ao fazer isso sozinha?

— Eu sei lidar com gente assim, sou uma policial. — Ao contrário dele, Sara parecia não afetada pelas circunstâncias.

— Onde ele está? — A voz dele já havia mudado, estava firme e séria.

— Eu mandei ele embora.

— E ele aceitou assim? De prontidão? — Havia certo sarcasmo na pergunta de Grissom e Sara entendeu perfeitamente.

— Não fiquei lá para saber. Agora acabou.

— Deus... — Ele baixou a cabeça e negou várias vezes — poderia ter me contado isso. — sussurrou, já sem forças para se exaltar. Grissom a encarou com o olhar de alguém que foi enganado.

— Como você poderia ter me contado um monte de outras coisas. — Ela retrucou, mas pela expressão que fez dava para notar certa dor ao dizer isso. A detetive olhou para o lado e respirou fundo; achou que era melhor ir embora — Até amanhã, Gil.

Desta vez ele não tentou impedi-la, deixando-a chamar pelo elevador. Saber que estava sem ninguém novamente foi um alívio para Sara, que entrou e se virou para vê-lo uma última vez. Ela pressionou dois botões antes disso e aos poucos a porta foi se fechando. E então se foi.

O sargento cerrou os punhos e os olhos, decepcionado consigo mesmo. O dia por si só foi péssimo e terminaria tão ruim quanto. Mesmo não parecendo, esta foi uma das coisas mais difíceis que ele teve de fazer, mas o fez; deixou-a seguir seu caminho.

De cabeça meio baixa, Grissom voltou ao seu apartamento. Fechou a porta e procurou por Heather, que estava de pé a olhar pela janela. Quando notou a presença dele, virou-se prontamente e descruzou os braços. Seu rosto estava apreensivo, coisa que raramente ele via nela. Ele retornou ao apartamento com uma derrota gigantesca em suas costas.

— Onde ela está? — perguntou ao se aproximar dele.

— Foi embora. — respondeu baixo, vindo a se sentar no sofá.

Heather o conhecia muito bem para saber que ele se encontrava num daqueles momentos de melancolia e poucas palavras.

— Talvez eu devesse ir. Tudo isso começou por minha causa. — sugeriu ela após ficar frente a frente com ele, que permanecia de cabeça baixa.

— Não foi culpa sua, Heather... — Ele virou o rosto para a esquerda e começou a acariciar Hank, que estava deitado no sofá — Nós... estamos passando por algumas dificuldades ultimamente. Mas isso passa. — Completou sem muito crédito.

A dominatrix analisou seu rosto um pouco mais de perto e notou o olhar vazio e distante do sargento.

— Ela se sentiu incomodada por minha presença aqui, como quase toda mulher se sentiria ao ver alguém como eu na casa do namorado.

— Eu não sabia que ela viria para cá. Deus, parece que tudo aconteceu de propósito. — lamentou balançando a cabeça algumas vezes — Mas não precisa ir embora se quiser. — Ele gesticulou com a mão.

Observando-o por um breve período Heather decidiu pegar uma cadeira da cozinha e trazê-la para se sentar em frente a Grissom. Preferiu daquele jeito do que ficar ao lado dele, assim poderia captar suas emoções ou ausência delas.

— Por que está fazendo isso? — Grissom perguntou sem focar nela.

— Eu quero te ver melhor. — Ela respondeu sem hesitar.

O sargento respirou fundo e tentou se recostar melhor no sofá.

— Eu devia ter ido atrás dela. Por que eu não fiz isso? — Ele se autoquestionou enquanto continuava a acariciar o cachorro.

— Ela queria seu espaço e você respeitou seu desejo.

— Isso não me deixa melhor. Eu sinto como se devesse ter feito algo mais. — O homem negou com a cabeça. Depois afastou a mão de Hank quando pensou no nome do cachorro e se lembrou do ex — Droga...

— Quer me dizer o que está havendo?

Grissom não respondeu na hora, precisou de um tempo para falar.

— O ex de Sara esteve aqui em Vegas e ela não me contou. — falou ressentido. Ele fechou os punhos com força e mordeu o lábio inferior — Esteve... está... eu não sei.

— Por que está tão incomodado? Ele é apenas um ex.

Na mesma hora que a ouviu o sargento a encarou com um olhar incomodado.

— Porque- — Ele chegou a retrucar irritado, mas se conteve — ela devia ter me contado. Uma coisa importante como essa, Heather! Não se sabe o que se passa na cabeça de um ex que vem de outro estado para fazer sabe-se Deus o quê!

— Assim como você, Sara também é policial.

— Eu sei! — De alguma forma Grissom já esperava por uma resposta parecida — Mas não sabe quantos casos existem de homens que cometem crimes passionais?

— Então imagina que o ex de Sara veio para cometer um crime baseando-se nas estatísticas e no seu medo?

— Heather... — lamentou, com vontade de retrucar, mas sem forças para fazê-lo. Ele não estava a fim daqueles “joguinhos” que Heather fazia com sua mente.

— E esse medo é alimentado pelo fato de Sara ser sua parceira ou sua namorada? Ou os dois?

Incomodado ele acabou se levantando e cobriu parte do rosto com a mão. Não sabia para onde ir, só queria dar um jeito de encerrar aquele assunto que a amiga começou sem ter que pedir explicitamente.

— Você precisa para de pautar quase tudo no medo.

— Não é- — Grissom fez um gesto com a mão, mas fechou-a logo sem seguida — Talvez seja medo, preocupação, que seja. Eu não tenho medo desse cara, mas sim do que ele pode tentar fazer com ela.

— Se sente ameaçado por ele?

— Já falei, não tenho medo dele. Sara disse que me amava e eu acredito nisso com todas as minhas forças. — Grissom não hesitou em momento algum quando falou aquilo.

Atraído pelo quadro de borboletas o sargento se aproximou dele e apoiou a mão ao lado direito da parede, permitindo-o enxergar seu próprio reflexo.

— Eu amo aquela mulher. — Ele admitiu — Eu não posso... perdê-la, Heather. Ela é a única pessoa que... eu não sei, eu... me entregaria por completo. E eu sei disso porque quando Sara está por perto, sinto que posso fazer tudo.

— E isso te incomoda?

Grissom olhou para ela de lado, mas logo em seguida se voltou ao quadro.

Por alguns segundos a dominatrix o observou por alguns instantes até se levantar e caminhar em sua direção; tocou no ombro dele e ambos atentaram para o quadro de borboletas.

— Acho que é algum tipo de poder. — comentou o sargento em voz baixa. As palavras saíram fluentes, como se não tivesse controle sobre sua voz.

— Alguns relacionamentos são marcados por isto: poder.

O sargento a encarou de canto de olho, mas não ficou assim por muito tempo.

— É uma palavra forte demais, não acha?

— Concordo. — A mulher revezou entre fixar seu olhar sobre as borboletas de diferentes tamanhos e a expressão pálida do homem ao seu lado — Você sabe que tem poder neste relacionamento, Gilbert. — afirmou.

Grissom não respondeu. Levou as mãos aos bolsos da calça e passou a língua pelo lábio inferior, aproveitando para desviar o foco daquele quadro. Imaginar que tinha poder não era um exercício que tinha o costume de praticar.

A dominatrix ficou de frente a ele.

— E da mesma forma que você tem poder neste relacionamento, ela também tem.

Disso ele não tinha dúvidas. Mas às vezes se esquecia disso e imaginava que Sara também se esquecia.

— Você a domina da mesma forma que ela domina você.

— Deduziu isso apenas pela conversa de agora há pouco? — Ele brincou.

— Não deduzi. Confirmei isso.

Ele riu por um instante.

— Dois poderes podem acabar entrando em choque e depois ao colapso. — Grissom comentou.

— Mas também podem se anular.

Ele a fitou de um modo confuso, tentando compreender o que poderia trazer daquela alegoria ao relacionamento dele e ao de Sara.

— Você sabe... forças podem entrar em choque na disputa de quem domina quem. Mas também podem se unir e virar algo mais intenso.

O silêncio tomou conta da sala. Grissom apoiou a mão esquerda na parede, ao lado direito do quadro e respirou fundo. O som de sua respiração, alto, parecia demonstrar cansaço.

— Eu vou embora. — A ruiva assentiu e em seguida mostrou um sorriso caridoso — Passe bem, sargento Grissom.

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Faltava pouco para as dez da noite. A temperatura beirava aos nove graus e mesmo assim não afastou muita gente das ruas daquela região. Nem as noites mais frias afastavam as pessoas das ruas de Vegas e da região.

Deitada no sofá da sala, Sara estava a assistir uma série de TV. Terminou de jantar há pouco tempo e não demoraria muito para ir dormir; isso se sua mente, rodeada por pensamentos sobre o que houve nos últimos dias, a deixasse descansar. O pior de tudo é que não parava de pensar no que ocorreu. Aquilo foi humilhante, ser surpreendida pela presença daquela mulher na casa de seu namorado foi um baque do qual não esperava receber. Era como se houvessem milhares de rostos olhando para ela naquele momento.

Ela foi pega de surpresa quando ouviu sua campainha tocar. Resmungou baixo e demorou a se levantar do seu conforto, quase se arrastou até a entrada. Quando abriu a porta não mostrou reação.

— Oi. — Ela apenas se limitou a dizer uma única palavra a ele.

— Oi. — Ele respondeu meio tímido.

Notas finais
É isso. Saibam de novo que não vou abandonar a fic. Para quem quiser sabe onde me encontrar para trocar uma ideia e tudo mais, eu vou estar por perto sempre. Obrigada a todos que leram. Beijos ♥