Manhunters
4 Caminhos Separados
Notas iniciais
Ela não devia estar aqui.
Era para ser o seu caso, seu maldito caso. Nem era meio-dia ainda, e Grissom já não aguentava mais. Tudo estava indo ralo abaixo.
Ecklie tinha de trazer a mulher mais teimosa da face da Terra? Por que ela? Ele quer acabar comigo!
Grissom balançou a cabeça e fechou seus olhos. Pensou em tudo que aconteceu nas últimas horas e nos últimos meses. Incrível como tanta coisa podia mudar em tão pouco tempo. Quem era aquela mulher? Era tão boa assim para ser tirada de São Francisco até Las Vegas? Talvez ele estivesse apenas sonhando e prestes a acordar em sua cama, para depois se arrumar e começar mais um dia de trabalho.
O sargento abriu seus olhos. Tinha de voltar à realidade.
—-----------------------------------------------------
Que raiva! Pensou a morena. Nem era meio-dia ainda, e Sara já não aguentava mais. Nunca pensou que o sargento fosse tão cabeça dura e teimoso. Logo em seu primeiro dia, ou melhor, suas primeiras horas, sua vontade era de voltar a São Francisco.
Mas aquilo seria bom demais para o sargento e ela não queria isso.
Sara pegou o elevador e subiu para o quarto andar. Ficou impressionada com o tamanho da área. Nela havia outra recepção com uma larga bancada, o atendente e seu computador, e uma porta com uma senha eletrônica por dígitos. Outro detalhe é que a parede era de vidro transparente, o que permitia ver o lado de dentro do espaço.
— Olá, o que gostaria? — Perguntou o recepcionista. Ele estava vestido com o típico uniforme da polícia.
— Queria acessar os arquivos de um caso.
— Identificação, por favor?
—Sara Sidle. Eu vim de São Francisco auxiliar o sargento Grissom no caso.
— Ah sim. — Ele assentiu — Você tem uma senha para desbloquear a porta?
Ah, droga... Pensou, já que se esqueceu de pedir a senha de Grissom para acessar a sala.
A porta da sala dos arquivos se abriu. Para a surpresa dela um rosto conhecido apareceu junto com outro homem.
— Sara! Que bom te ver novamente! — falou o xerife Ecklie.
— Olá, detetive Sidle. — disse o capitão.
Brass aparentava ter uns 50 anos. Calvo, um pouco abaixo da estatura média e fortinho, mostrava-se por expressão ser alguém firme de suas convicções.
— Se me derem licença, eu preciso resolver uns assuntos. Jim, Sara. — o xerife deu um sorriso e se despediu.
Ecklie deixou a sala, mas o capitão da polícia ficou. Ele se virou para falar com a detetive:
— Então, como estão indo vocês dois? — perguntou num tom descontraído.
— Ah... — A morena tentou disfarçar para não prejudicar os dois lados — Estamos caminhando, sabe?
Brass soltou uma risada.
— Sei... sei sim. — assentiu — Enfim, o que veio fazer aqui?
— Quero acessar os arquivos de vídeo e áudio da primeira vítima, mas não tenho uma senha de acesso. Esqueci de pegar com Grissom.
— 05198. Use a minha até o Leo arrumar uma pra você. — Ele apontou para o recepcionista, que observava a conversa dos dois.
— Obrigada, capitão.
— Me chame de Jim. — O capitão deu um suspiro de cansaço — É um prazer tê-la aqui, Sidle.
Jim acenou rapidamente e saiu da sala.
A detetive virou-se para o recepcionista.
— Vou te dar uma senha logo, não se preocupe. — Disse Leo, fazendo um gesto com a mão para que ela adentrasse.
—-----------------------------------------------------------
— Conseguimos um molde do ferimento da última vítima, Grissom. — disse o perito no telefone.
— Ah, ótimo, ótimo! Estou indo aí. — respondeu num tom quase animado.
Ter uma ideia de qual e como seria a arma do Zodíaco era dar um passo importante. Não somente para entender sua especificação, mas também para conhecer o próprio assassino.
O sargento pegou seu terno, aprontou-se e saiu da sala. Deixou o prédio e entrou em seu carro. Foi embora sozinho.
—--------------------------------------------------------
Algum tempo depois Sara estava com as fitas de gravações das câmeras de segurança do caso da primeira vítima. Ela se encontrava numa sala especial que ficava também no mesmo andar da sala de arquivos. O nome desta era “Análise de Multimídia”, onde nela continha todos os aparelhos necessários para se investigar conteúdos do tipo. Um espaço bem moderno, que podia ser comparado ao que a perícia de Las Vegas possuía.
— Muito bem, vamos ver... Imagens de fora do cassino...
Sara grudou seus olhos naquelas longas gravações. Procurou incessantemente por alguém suspeito nos momentos anteriores da saída de Arthur e após esta. Era difícil se concentrar em tantas pessoas e tentar achar alguém suspeito. Qualquer um podia andar discretamente no meio daquela multidão e ser inocente. Às vezes tinha de voltar o vídeo e passá-lo em velocidade lenta para garantir que não perdeu um único detalhe sequer, ou quando achava algum suspeito. Meia hora se passou e ainda observava a parte da frente do Bellagio.
— Ótimo... — respirou fundo.
A porta se abriu. De fora veio um rapaz que era técnico de multimídia da polícia. Era negro, baixo, de cabelo raspado e tinha um sorriso amigável.
— Você deve ser a Sara. Prazer, Daniel Maison, mas pode me chamar de Dan.
A detetive levantou-se da cadeira e os dois apertaram as mãos.
— Pelo visto já esta com a mão na massa. — ele disse, apontando para a tela de computador.
— Desculpe. Soube que você ia demorar um pouco então comecei a analisar o vídeo, já que tenho uma pequena noção de como esses softwares funcionam. Acabei me empolgando por aqui.
— Que isso! Não tem problema! — respondeu com um gesto da mão. — Já poupou parte do meu trabalho!
Sara riu com o senso de humor dele. Para seu contentamento foi recebida bem por mais um integrante da polícia de Las Vegas. Exceto por Grissom.
— Obrigada. — Ela sorriu.
— Vamos continuar. Primeiro você me conta tudo que eu preciso saber para ter ajudar, certo?
—-------------------------------------------------------
O laboratório criminalista de Las Vegas ficava a poucas quadras do departamento de polícia. Indo de carro, Grissom enfrentou um leve engarrafamento. Estava impaciente; queria o mais depressa possível analisar o molde que o perito arranjou para dar mais um passo na caçada ao Zodíaco. Para ajudá-lo, Gilbert chamou um colega que era especialista em armas brancas. Anthony era um amigo de longa data que o ajudou a resolver alguns casos anos atrás. Ele chegaria em breve ao laboratório.
— Eu vou te pegar seu desgraçado. Ninguém é tão perfeito assim. — bufou enquanto esperava o semáforo indicar o sinal verde.
Já passou pela mente de Grissom ser uma das vítimas de Zodíaco. Se fosse, talvez, teria a chance perfeita de capturá-lo ou até mesmo matá-lo. Seria quase um final poético, já que o sargento imaginou diversas situações em que isso acontecia. Afinal, Zodíaco merecia morrer, depois de tudo o que fez e planejava fazer.
Mas havia um porém; acima de tudo, Grissom era um policial e seu dever era servir e proteger. Matar por simplesmente matar não era ético, faria do sargento um justiceiro e ao mesmo tempo, assassino. Valeria a pena?
Grissom chegou ao laboratório. O sargento foi ao encontro do perito que estava à espera em uma das salas de análise. James Hill, homem branco, alto e de rosto largo recebeu o sargento. Os dois apertaram as mãos, e Hill levou Grissom até a mesa donde estava o molde do ferimento de todas as vítimas.
— Foi o melhor que conseguimos. — disse o perito com uma voz cansada, apontando para o molde da última vítima.
— Ótimo. — Ele assentiu, aproximando-se da peça — Eu posso? — apontou para o molde.
— Claro!
Com cuidado o sargento pegou o item. O molde foi feito com uma solução de alginato, um pó branco que somado à água torna-se gelatinoso e depois se solidifica; muito usado para fazer moldes internos. Tinha uns nove centímetros e meio de comprimento e largura de dois centímetros e meio. A forma era a mesma dos outros moldes tirados nas vítimas anteriores; longa na base e ia se afinando até a ponta. Tinha uma leve variação de comprimento ao serem comparadas.
— Vocês encontraram mais alguma coisa na vítima? — perguntou o sargento — Fios de cabelo, fibras... substâncias estranhas?
— Não... — James balançou a cabeça. Até agora nenhum resíduo ou fibra foi encontrado nas vítimas.
— Nada, até agora? — Grissom pôs o molde de volta à mesa.
— Esse assassino é detalhista demais. Eu te garanto que não encontramos nada já que analisamos as últimas vítimas e os locais de crime várias e várias vezes.
— Desgraçado. — Grissom deu um tapa na mesa.
— Infelizmente o melhor que podemos fazer é esperar que ele dê o próximo passo e erre.
— Não dá pra ficar esperando, Hill. Quem sabe se um de nós não é o próximo alvo?
O perito ergueu as sobrancelhas e ficou em silêncio, encarando-o.
O celular de Grissom começou a tocar, quebrando o clima tenso na sala. Ele saiu da sala e se dirigiu para o final do corredor.
— Ei, Gil.
— Anthony, onde você está?
— Olha só... tive um imprevisto aqui e não poderei ir ao laboratório.
Droga, Tony! Logo agora! Pensou irritado.
— Ah... — bufou o sargento, que estava sem ideia do que fazer no momento.
— Pode ao menos me enviar algumas fotos do molde para meu email? Assim que eu puder, mando-lhe minha análise e depois falo com você pessoalmente.
— Posso, sim. — respondeu secamente.
— Desculpa, meu amigo. — falou o especialista, notando a audível decepção na voz do sargento.
— Tudo bem... até mais. — Então desligou.
Grissom retornou à sala e contou ao perito sobre o motivo da ausência de Anthony. Tirou fotos de vários ângulos e as enviou para o especialista como pedido.
— Posso levar esses moldes? Vou tentar buscar algumas pistas sobre a arma do crime.
— Não somos de deixar isso com os detetives, mas vou quebrar o seu galho. — James levou a mão à cabeça e baixou a voz para que ninguém ouvisse.
— Ótimo. — Sem demorar mais o detetive assentiu e deixou novamente a sala, deixando o laboratório em seguida.
—-----------------------------------------------------
— Temos um bom ângulo aqui do carro da mulher. — Comentou o técnico.
Após começarem um árduo trabalho que durou algumas horas, Sara e Daniel encontraram, finalmente, imagens do carro de onde Arthur estava.
— Que bom que conseguimos identificar a placa. Irei mandar para a pesquisa agora mesmo. — Sara anotou a placa num papel e se levantou da cadeira.
A detetive deixou o lugar. Seu próximo destino era buscar o proprietário do carro enquanto Dan tentava achar imagens do assassino no entorno. Imaginava que quem estivesse no carro poderia não ter visto o suspeito, mas trabalhou com uma possível ideia.
Ela levou os dados para a identificação da placa e o atual dono. O resultado fez a detetive abrir um sorriso satisfeito.
Fale com o autor