Manhunters

36 Breve história e pequena viagem


Notas iniciais
Olá pessoal, meus amores, galeríssima! Hoje é dia de quê? DIA DE CAPÍTULO NOVO! Bem, começo avisando a vocês que fiz uma pequena "mudança" na fic. E a mudança foi: juntar dois capítulos em um só. Ou seja, os capítulos "Breve História" e "Pequena Viagem" se juntaram. Então esqueçam o que eu falei sobre o capítulo de hoje ser curto, haha. Também fiz umas pequenas mudanças nos outros capítulos, mas nada que mudasse a história. Não se preocupem. Fiz isso justamente para dar uma "acelerada" na fic e para chegar na tão esperada parte que vocês estão pedindo ♥. Ah! Quero deixar um agradecimento especial a JosiAne por deixar uma recomendação na fanfic. Eu amei muito essas palavras! Um grande beijo, muito obrigada, de coração! ♥ Obrigada a todos que estão lendo e comentando, que favoritaram e tudo mais. Vocês me deixam contente demais e eu só tenho a agradecer por isso. ♥ Boa leitura, pessoal! Obs: Como esse capítulo é uma fusão de dois capítulos, a primeira "parte" tem uma narrativa um pouquinho diferente da segunda, fechou? Fechou!

Quase lá. Eram duas palavras que poderiam definir toda a situação vigente. Deu trabalho, muito trabalho; um trabalho extremamente cauteloso e cansativo. Um trabalho que se iniciou há cinco dias e que aos poucos dava resultado. Estavam conseguindo alguma coisa, finalmente.

Poderia ser um sinal, que o sargento e a detetive dariam passos mais longos naquela caminhada? Provavelmente. Ambos tinham seus defeitos, suas rixas e complexidades, e talvez o maior detalhe que pudesse contribuir para o máximo desempenho deles seria o fato de que se conheceram há oito anos. Pois bem, seria. Estranho afirmar que justamente esse fator era o que mais estava interferindo na relação dos policiais. Havia algo errado entre eles e sabiam muito bem disso. Se tinha uma coisa que eles não sabiam? Como consertar aquilo do jeito certo.

E então, os defensores públicos de Davis e Philip chegaram à delegacia. Assim como foi antes, os guardas dariam seu depoimento separadamente, só que desta vez, o suspeito e seu advogado contariam com a presença da detetive e do sargento; além do promotor Carver, é claro, como foi anteriormente.

Resumindo, toda aquela conversa durou umas duas horas e meia contando com o depoimento de ambos: palavras iguais às de Hernández. Ainda bem, graças a Deus. Finalmente os caras estavam fazendo alguma coisa certa após esse grande erro. Um grande e miserável erro. Um erro que... custou a vida de uma executiva; ajudou a família de um descendente de latinos financeiramente; de um guarda com aparência de alemão (que conseguiu deixar as contas em dia); e de um guarda viciado em maconha (que admitiu estar sob efeito da erva na noite do crime). Este último não chegou a contar direito o que fez com aquela bolada de dinheiro.

Prosseguindo com o grande emaranhado, todos admitiram que Lewis era o homem a quem Zodíaco entrou em contato e lhe contou sobre a oferta generosa. Não sabiam como e porque Franklin foi o ponto-chave dessa história.

E falando em história, eis a breve (mas não tão breve) história (bizarra ou não) sobre o que aconteceu nos dias anteriores ao assassino de Vanessa e no dia dois de fevereiro, segundo o relato dos três guardas: Hernández, Philip e Davis:

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Lewis e Davis eram o que poderia se chamar de colegas quase amigos. Mais próximos que isso, impossível. Então, num (belo) dia, ou noite, para falar a verdade, Franklin chamou Samuel para uma breve conversa. Certo que Davis não imaginou que o colega de trabalho estaria disposto a oferecer parte do "brinde" porque eram próximos, mas, apenas porque ele trabalhava junto do guarda e este precisaria de certa "ajuda" para efetuar o que fora planejado.

Pois bem, eles conversaram.

— Tenho uma proposta pra você. — falou o guarda Lewis, quando ambos estavam no vestiário. Os outros dois guardas não estavam presentes.

Lewis mostrava certa calmaria ao chamar o colega, que intrigado, o questionou sobre o que seria essa "proposta". E aí que o negócio ficou mais sério. O que Davis achava que fosse uma brincadeira, na verdade, se tornava mais complicado.

Distante dos outros, os guardas seguiram para um lugar distante da cabana e conversaram com mais privacidade. Quando o caminho e lugar estava seguro, foi aí que Lewis abriu o bico:

— Tenho um conhecido que tá oferecendo um negócio aí.

— Que negócio, cara? — Davis, curioso com aspecto fechado de Lewis, o questionou impaciente. Já estava preocupado que fosse uma pegadinha ou pior: tráfico de drogas. Irônico — E que conhecido é esse?

O guarda relutava em dizer mais detalhes sobre esse "conhecido", então partiu logo para a boa: disse que essa pessoa estava disposta a entregar 800 mil dólares. Os olhos do guarda confuso se arregalaram.

— Oitocentos mil?! — falou excitado.

Oitocentos mil que seriam divididos entre eles, é claro. Quatrocentos mil; mas já era uma coisa, uma coisa muito, muito boa.

Só que o Davis ainda estava desconfiado. Que tipo de pessoa chega perto dele e fala que um conhecido ofereceu 800 mil para algo que ele nem sabia o que era?

— Pra quê o dinheiro? Quer dizer, o que que esse cara vai querer em troca?

Davis nunca se esqueceu daquele olhar.

Lewis o fez prometer que aceitaria o dinheiro e que depois ele contaria a verdade. Precisaria, ainda, confirmar seus dados de identidade para que houvesse um "depósito" bancário. O conhecido de Lewis era cauteloso; não iria entregar uma bolada nas mãos daqueles homens.

Mas aí, ainda haviam outros problemas: Philip e Hernández. Lewis precisava garantir que seu conhecido não tivesse nenhum "incômodo" ou imprevisto quando fosse fazer o seu... negócio.

E então, mais trabalho foi feito e mais dinheiro teria de ser gasto. Prossigamos.

Os dois guardas falaram com o homem que tinha aparência de alemão. Não difícil, o próprio Philip acabou admitindo isso. Saber que ganharia uns duzentos mil fácil só por qualquer coisa que tivesse de fazer foi uma oferta tentadora.

— Duzentos mil? — Os olhos dele brilharam — É claro que eu topo.

Ele estava tão motivado pelo dinheiro, que se pedissem para ele matar alguém, talvez o faria.

O motivo pelo qual os três receberiam apenas 200 mil/cada? Hernández.

Faltava o guarda com aparência de latino concordar com o plano. Uma porção do montante já estava reservada para ele, já que, como dito anteriormente, Lewis precisava garantir que seu conhecido não fosse "incomodado". Só que para isso, precisava ser cauteloso. Hernández era conhecido por ser um "molenga", um covarde e coisa pior, para não baixar o escalão. Sempre foi daquele jeito, quieto, acuado, homem de poucos amigos.

Bem... se não podiam convencê-lo por pura e boa vontade, havia outra opção, ou melhor, outras opções: chantagem, suborno, ameaça. Para encaixá-lo no esquema seria um pulo. Três contra um, certo? Só que o guarda com aparência de alemão, Philip não o queria metido naquela história. Não porque se importava com ele, mas porque temia que o cara abrisse o bico assim que fosse pressionado. Ele relutou, relutou, tentou por várias vezes impedir os outros de contar o plano a Pedro, mas no final teve de ceder. Como Lewis repetia, seu conhecido não poderia ser "incomodado".

Só que aí, um detalhe pelo qual não esperavam, era que o Hernández estava curioso. Curioso com esses momentos em que os encontrava conversando. Ora, nunca imaginou que aqueles três pudessem ficar de papo; nunca foram amigos!

Esse fato ajudou o trio a "conquistar" a mente do latino. Tiveram que admitir que Hernández foi o mais difícil de se convencer, mas conseguiram, no final.

O próximo passo era deixar tudo planejado para aquele dia. Tinha de ser aquele dia e aquela hora, somente. E não podiam discutir, tampouco questionar a escolha daquelas condições.

Um detalhe importante era mover a câmera: deixá-la de um modo que fosse imperceptível a mudança de posição para que ninguém percebesse a diferença, e esse ninguém era a equipe de investigação. Enquanto Davis e Hernández estavam posicionados na sala do supervisor, de onde havia apenas um monitor de segurança, Philip e Lewis estavam do lado de fora, prontos a efetuar o trabalho físico.

Com o uso de uma escada (suportada por Lewis), Philip subiu até a parte de onde a câmera antiga se localizava, e cuidadosamente a moveu para o lado. Ele teve de ter muito cuidado, um trabalho de uma única tentativa, pois se falhasse e aparecesse nas imagens, o plano seria um fracasso. Não poderiam apagar as gravações pois revelariam de cara que estavam envolvidos nisso; nem ao menos a opção de desligar a câmera era viável. Tinham que dar um jeito de parecer o mais discreto possível. E conseguiram.

E então o dia chegou. Vanessa Temple chegou (ao parque). A partir disso, a palavra é de Lewis, que, provavelmente, foi o último a vê-la com vida, tirando o seu conhecido, é claro.

Foi isso. Mais ou menos. Achavam que tudo passaria com os dias, semanas, meses. A polícia deixou passar a investigação devido à falta de provas. Tudo bem. O que não contavam era com a aparição de duas figuras de fora que, de uma hora para outra, abriram as cortinas do palco e revelaram algo que estava há oito meses encoberto.

Que estraga prazeres.

A história estava incompleta, é claro. Para fechar o conto, ainda faltava o toque de um dos personagens mais importantes. Franklin Richard Lewis, o "elo" de ligação entre os guardas e o vilão da história, Zodíaco. O trabalho não havia terminado. Uma parte da verdade foi contada, somente. A brava dupla de policiais precisaria trabalhar bastante para acessar as últimas páginas desse capítulo.

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— Então foi isso. — A mulher comentou em voz baixa, na tentativa de manter-se com seriedade.

O sargento a observou. Logo notou que sua parceira não estava tão bem quanto tentava aparentar.

Ele, Sara e o promotor Carver estavam na sala de observação. O depoimento de Philip terminara há poucos minutos; o guarda, então, foi levado de volta à sua cela. O que os três faziam no momento era criar uma história para os fatos que se procederam. Os depoimentos bateram perfeitamente. Como um bônus, se é que se podia falar assim, os três guardas confirmaram suas contas nos bancos localizadas em paraísos fiscais. Nem mesmo os dois policiais esperavam que eles fossem cooperar daquele jeito.

Pronto, tinham um caso.

— Vocês dois fizeram um bom trabalho. — Bartholomew disse para eles, encarando-os.

— Obrigado, promotor, mas ainda há muito a fazer. Não podemos mais perder tempo. — falou Grissom. Ele se encontrava ao lado direito da porta. Sara, que estava encostada no painel, se dirigiu a ele e para o promotor, mais distante, à direita dela — Vamos chamar o Lewis para depor. Ele não tem mais saída.

— É, concordo. — Sara respondeu, também em voz baixa.

— Está bem. — O sargento assentiu, depois se virou para o promotor — Pode ir na frente? Nós temos algo a resolver antes.

A morena ergueu uma sobrancelha.

— Certo. Eu preciso resolver umas pendências. Encontro com vocês na sala do interrogatório.

O promotor deixou a sala em seguida. Quando o fez, Grissom virou-se novamente para Sara, que o encarava um pouco confusa.

— Você não está bem.

Mais confusa ainda, ela franziu a testa.

— Hã? Por que diz isso? — Deu de ombros.

— Porque você está falando baixo. — Ele respondeu sem reservas.

— Só por isso você acha que eu não estou bem? — A mulher revirou os olhos e retrucou.

— Eu reparei em você. Quando está com raiva, você fala mais alto, e quando está triste, você fala baixo.

— Nós temos alguém para interrogar, Grissom. Não vamos perder tempo com isso, tá legal? — Sara ergueu a mão direita.

Parece que você não passa parte do tempo avoado como se mostra na maior das ocasiões.

— Foi por causa do que eu disse, não foi?

Ela cruzou os braços e fechou a cara. Odiava quando ele levantava aquelas questões nos momentos mais desapropriados para isso. Soltou um suspiro. Decidiu responder da forma mais fria e cortante possível para encerrar o assunto e continuar com o trabalho:

— É, foi sim. Foi por causa disso, está bem? Mas não precisa se "preocupar" com o meu estado. Eu tenho controle. — Impaciente, caminhou em direção à porta e a abriu — Vamos lá, parceiro, temos de continuar com o trabalho. — Feito isso, deixou a sala.

O que tá acontecendo? Droga. Droga!

A detetive não tinha ideia de o porquê estar daquele jeito. Confusa, meio abatida, acabou demonstrando uma das outras emoções que sentia no momento: raiva. Ela sentia raiva. Mas não era para estar assim.

Ele não tinha culpa, tinha? Disse aquelas "meias verdades" para ela de um modo complicado, como se estivesse lutando contra si mesmo para lhe contar. O sargento parecia sofrer quando entoava cada palavra naquela hora. Ouvir aquilo foi tão marcante quando o ouviu dizer que não se lembrava dela e depois, quando disse que se lembrou.

E novamente a detetive se pegou desmontada por causa de poucas palavras ditas pelo sargento. Odiava se sentir daquele jeito.

Sara pensava nos momentos anteriores enquanto tomava seu caminho para as celas. Pensou, pensou... pensou demais. O tempo em que passou ouvindo os depoimentos foram até bons, já que tinha apenas de se concentrar no presente, na palavra e na voz dos guardas. Não precisava pensar na voz e nas palavras de Grissom, que falara sofrer um mal terrível; tão terrível que o fez se esquecer dela e que talvez tenha deixado danos irreparáveis.

Nisso ela não pensou.

Ela parou de caminhar. Franziu o cenho, virou o rosto para o lado direito.

Droga...

Talvez tenha exagerado um pouco. Talvez o tenha tratado mal. Ainda mais após ele ter se "aberto" daquele jeito com ela; meio desconcertado e tímido, mas o fez. Ela nem ao menos chegou a se abrir e falar um pouco de si, e o que fez naqueles anos.

Deu meia volta. Algo dentro dela a incomodava e a detetive precisava reparar isso.

Assim que se virou deu de cara com o sargento que vinha logo atrás, no seu ritmo reduzido. Confuso, ele ergueu uma sobrancelha e tentou seguir mais rápido para alcançá-la.

— Está tud-

— Me desculpa, tá? — A morena, de repente, soltou aquelas palavras. Ao falar-lhe, não conseguia se manter fixa em seus olhos, e desviava dele a todo o momento — Eu é... não queria falar daquele jeito com você.

Ainda mais pelo que você me falou antes. Mas... que droga, você não colabora!

Grissom aparentou estar surpreso. Quando Sara terminou de falar, a primeira coisa que fez foi olhar para a frente, para longe dela. Depois, em silêncio mesmo, voltou-se para a detetive e suspirou brevemente.

— Não se preocupe. Esqueça. — completou em voz baixa. Disse aquilo com a intenção de não chamar a atenção de outros, visto que passavam a caminhar um pouco mais à frente deles.

Em seguida, o sargento começou a tomar seu caminho, entretanto, a morena, não muito conformada com aquela resposta, ergueu a mão esquerda, fazendo-o parar.

— Sabe que aquela conversa não terminou, não é?

Ele a encarou.

— Não dá para fugir disso, não é mesmo? — Deu de ombros. Ela abaixou a mão, e o que o sargento fez foi continuar a caminhar.

Sara ficou de costas para ele por alguns instantes, virando-se para a frente logo depois. Ela cerrou os punhos brevemente, mas se conteve. Por que estava daquele jeito?

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Não, não se passou muito tempo após aquela breve discussão dos dois. Ambos foram à cela de Lewis para chamá-lo a depor na sala de interrogatório junto de seu advogado. Tudo estava seguindo seu curso; era o momento de completar a verdade com o depoimento do guarda e tentar buscar alguma informação relevante que pudesse ajudá-los na procura por Zodíaco.

Só que havia um detalhe, na verdade, um empecilho. Na verdade, um grande problema.

— Ele conseguiu o quê?! — Grissom questionou irritado.

— Isso mesmo. Regis Dale acaba de conseguir uma ordem judicial de soltura imediata para o nosso amiguinho, Lewis. — O capitão Brass respondeu.

Um banho de água fria que interrompeu todo o raciocínio dos policiais. Um detalhe que, talvez, poria tudo a perder na investigação.

Brass, Carver, Grissom e Sara estavam de volta à sala do capitão. Antes que a dupla de policiais pudesse chegar à cela de Lewis, deram de cara com Jim a alertá-los sobre um pequeno "incidente", no qual não falou abertamente, vindo a pedir que se dirigissem à sala dele.

Os quatro estavam de pé. Brass, atrás de sua mesa e o trio próximos a porta, um do lado do outro. Ninguém estava com paciência para se sentar numa cadeira.

— Como diabos ele conseguiu em cinco, seis horas um mandado judicial pra isso?! E em pleno domingo?! — reclamou o sargento, plenamente inconformado.

— O filho da mãe é esperto. — A morena balançou a cabeça — Aproveitou o tempo dos outros interrogatórios e conseguiu fazer isso.

— Talvez ele tenha uma "relação amistosa" com algum juiz daqui. Não é possível que ele tenha conseguido livrar justamente o homem mais ligado a Zodíaco!

— Não foi à toa que ele tenha contratado um advogado daqueles. — Sara cruzou os braços.

— Bart, a gente tem que dar um jeito nisso, logo! — O sargento apontou com a mão para ele — Tem como segurá-lo, Brass? — Ele se dirigiu ao capitão — Quanto tempo ainda temos? Umas dezoito, quinze horas?

Brass olhou para baixo, na tentativa de procurar uma resposta ou bolar algum plano.

— Não sei se posso deixar o cara por muito tempo depois dessa ordem judicial, Grissom. Vão vocês três falar com o juiz que eu tento segurar o Lewis.

— Quem é esse juiz que emitiu a ordem? — Intrigada, Sara fez um gesto com o pescoço.

— Solomon Hatkins. — Carver respondeu não muito contente.

— O quê? O juiz Hatkins está nessa? Ah, que ótimo! — O sargento foi sarcástico.

Sem perder tempo com palavras desnecessárias, Carver tomou a palavra:

— Vamos resolver isso logo. Venham comigo. — O promotor foi direto. Logo, saiu da sala.

Grissom assentiu para a parceira, que entendeu a mensagem e o acompanhou.

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— Qual é o problema que aconteceu com vocês e o juiz?

O promotor, a detetive e o sargento não perderam tempo. Seguiram no carro do promotor para a casa do juiz Hatkins em Summerlin. Tinham de ser rápidos ou uma boa parte do trabalho seria perdida com a soltura de Lewis.

Carver olhou para o retrovisor e encarou brevemente a detetive. Não respondeu, já que a pergunta foi dirigida tanto para ele quanto o sargento.

Quando a ouviu, Grissom olhou para a janela à sua direita e depois balançou a cabeça. Olhou-a ao responder:

— Um conjunto de "inconveniências". — disse ao sorrir quase intencionalmente.

Ela fez uma careta, não satisfeita com a pobre resposta.

— Vamos dizer que eu e ele não somos melhores amigos. Com o promotor ele não tem tanta rixa, mas comigo... Ah...

— Ele te odeia. — Sara ergueu as duas sobrancelhas maliciosamente.

— Me odeia por ter exposto o caso ele com uma mulher ao resolver um crime do assassinato de um cara. Longa história. Tem outras coisas... mas essa é a principal.

— Que droga, hein?

— Eu não sou culpado se ele não sabe ficar com uma mulher só.

— Não é culpado, mas isso quase custou sua carreira, sargento Grissom. — O promotor chamou-lhe a atenção.

Grissom deu de ombros, aparentando não se importar com aquilo.

— Vamos tentar convencê-lo a reverter aquela ordem, mas eu mesmo acho difícil, ainda mais se ele estiver sabendo que eu estou no caso. — Ele soltou um suspiro longo ao se voltar para a frente — Droga. Porque ele pediu logo ao Hatkins? Porque tinha que ser logo ele?

— Será que esse advogado sabia sobre o desentendimento entre vocês?

O sargento olhou para ela rapidamente.

— Isso não é de conhecimento da maioria. Poucas pessoas no meio jurídico e policial sabem. Ainda mais com a ordem de sigilo sobre a sua figura no caso.

— Ele pode ter te investigado, Grissom. Nunca se pode saber. Não foi à toa que ele falou aquilo pra gente, antes de deixar a sala do interrogatório.

— Mas que filho da mãe. Isso não pode ficar assim.

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Chegaram à casa (mansão) do juiz Hatkins. Teoricamente, o juiz não trabalhava naquele dia, então seria inútil procurá-lo em seu escritório oficial. Grissom e Carver torceram para que o jurídico não estivesse fora, já que o homem de 64 anos era muito imprevisível e às vezes inventava de sair para qualquer lugar, seja em relação ao trabalho ou para lazer.

A empregada estava de folga. Quem atendeu foi a esposa, uma senhora de 59 anos, Lane. Carver foi quem dirigiu a palavra à ela, dizendo que precisavam falar com o juiz em regime de urgência. Lane respondeu que o marido não estava a trabalhar no dia, só que Grissom, insistente (e sem muita paciência) retrucou-a, citando o fato de que o próprio juiz emitiu um mandado não muito tempo atrás.

A mulher se sentiu um pouco desconfortável com aquelas palavras, ditas de um modo frio e grosso, mesmo que não fosse a intenção do sargento em dizê-las daquela forma.

Encurralada, a senhora Hatkins não teve escolha senão deixá-los entrar em sua casa. Informando-lhes que o juiz se encontrava em seu escritório, no primeiro andar, Grissom, Sara e Carver foram para lá. O promotor bateu à porta e o juiz, achando que fosse a esposa, permitiu que fosse aberta, gritando:

— Pode entrar, Lana!

Bartholomew abriu a porta, e quando o juiz olhou para frente, deu de cara com ele, e depois com os policiais.

— O quê? Mas que diabos-

— Boa tarde, juiz Hatkins. — falou Carver, mostrando-se neutro.

Logo em seguida os dois policiais entraram após o promotor dar-lhes passagem. Ao ver o homem de muletas, o juiz fechou a cara.

— E eu achava que não podia piorar... O que está fazendo aqui, Gilbert Grissom?! — O homem de cabelos brancos e ralos apontou para o sargento.

— Eu-

Mas o promotor estendeu a mão esquerda próxima a ele, interrompendo-o antes que o sargento "exagerasse" com suas palavras.

— Viemos aqui para resolver um assunto de urgência, juiz.

— É o que seria? — retrucou irritado — Para vocês me incomodarem num pleno domingo?

Ah... não se faça de desentendido, seu babaca!

— Franklin Lewis e Regis Dale. Isso te lembra alguma coisa? — Mesmo com a chamada de Carver, Grissom tomou a palavra. O promotor não gostou. Então tentou continuar a discussão para o lado mais ameno possível.

— Lewis está envolvido num caso se assassinato sob suspeita de ser cúmplice. Nós recebemos a "notícia" de que o senhor emitiu um mandado de soltura imediata para ele.

O juiz franziu o venho, vindo a encarar o promotor, o sargento, e depois a detetive, a quem lhe chamou a atenção.

— Hum... Ah, lembrei. O que tem ele? — questionou como alguém que se sentia no direito de não dar explicação alguma — O advogado dele veio falar comigo e me explicou que Franklin Lewis não representa ameaça à sociedade. Sem contar — Ele ergueu a mão direita — que vocês não têm provas que ele tenha participado do crime.

Se pudesse, Grissom se aproximaria da mesa do juiz e bateria bem forte com a palma da mão. Falaria "umas poucas e boas" para o homem a quem não tinha um apreço sequer. Todavia, precisava se controlar do forte desejo.

— Nós temos o depoimento de três guardas confirmando o envolvimento de Lewis e que ele foi o principal homem dessa história! — Grissom ergueu as mãos, vindo a se apoiar nas muletas em seguida.

— O que vocês têm é isso. Apenas o depoimento de três homens que mentiram anteriormente e que tinham um bom motivo para mentir nesse depoimento para livrar suas bundas e pôr a maior parte da culpa em Lewis.

O sargento apertou o suporte das muletas tão forte que suas mãos ficaram vermelhas. Sua raiva era tão grande, que mesmo Sara não olhando para ele, podia sentir algo estranho no parceiro. Evitou o contato visual com ele.

— Então é isso? Vai cometer outra besteira e deixar mais um suspeito livre? — Grissom não aguentou o desaforo que imaginava estar recebendo e soltou aquilo.

— O que foi disse, sargento Grissom? — Alterado de propósito, o juiz o questionou — Com quem você pensa que está falando?!

— Juiz Hatkins. — Carver tomou a palavra novamente, na tentativa de acalmar os ânimos — As contas no exterior de três guardas foram comprovadas. Isso já é mais que o necessário para revogar essa ordem e emitir um mandado de quebra de sigilo bancário.

O jurídico encarou as três figuras. Sara era que parecia a menos nervosa, até porque não falou. Então balançou a cabeça.

— Enquanto não tiverem provas definitivas que Franklin Lewis tem participação no crime, a ordem continua. E espero que vocês já o tenham liberado ou vão se complicar por obstrução da justiça. — Ele fez um gesto com as duas mãos, cortando o assunto — Essa é minha palavra final.

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De volta ao carro do promotor. Silêncio, desde a saída do trio do escritório do juiz. Caras fechadas, emoções exprimidas. Palavra para resumir o breve encontro? Fracasso.

— Eu não vou falar nada porque você já sabe, sargento Grissom. — O promotor balançou a cabeça. Sua expressão estava mais séria que o comum. Nitidamente estava decepcionado com o sargento.

— Aquele desgraçado vai fugir assim como Zodíaco.

— E sobre a questão da saída dele do emprego, a suspeita que a Receita tem por causa da sonegação de impostos? — A morena argumentou — Isso não é relevante?

— Não temos nada, Sidle. — Grissom respondeu olhando para a janela.

— Não, ainda deve ter alguma coisa contra-

— Dá pra você parar com isso?! Nós não temos nada, Sara! — Sem paciência, Grissom explodiu e pela primeira vez falou com ela num alto tom de voz.

A detetive o encarou como se não estivesse acreditando que ouviu uma resposta tão fria e elétrica como aquela. Aquela resposta, dita pelo homem de forma tão dura, dita pelo homem a quem ela nunca imaginou que receberia algo como aquela resposta, doeu. Poderia ter ficado chateada com qualquer um que fosse o responsável por falar tais palavras por tais modos. Mas foi ele, logo ele. Sentiu não uma mistura, mas um elixir de emoções.

Sara desviou-se dele após permanecer a olha-lo indignada, enraivecida, decepcionada. Bruscamente virou o pescoço para a esquerda.

— Então a gente senta o traseiro de volta naquelas cadeiras e procura por algo de novo.

Como se isso fosse-

Envolto por pensamentos negativos acerca do comentário dela, Grissom, de repente, parou de pensar naquilo. Prestou bastante atenção naquelas palavras. Ela falou baixo, mas de uma forma diferente. Era como se algo estivesse entalado em sua garganta. Tristeza, raiva. Não imaginou que suas próprias palavras a deixassem daquele jeito.

Ele a feriu.

Se já não bastasse aquele estado em que se encontrava, agora deixou-a daquele jeito. Logo ela.

Não adiantava tentar pedir desculpas no momento, pioraria a situação. Agora tinha que aguentar o clima pesado e desgastado que se transformou. Tanto trabalho para tornar as coisas mais simples e amenas para os dois, destruído por poucas palavras.

Ah, Sara...

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De volta à delegacia. O que parecia ser um caso que finalmente fluiria adiante, mostrava-se uma terrível pista de obstáculos; a cada caminho passado, as barreiras surgiam maiores que as anteriores.

E então aquilo. Ele a decepcionou. Decepcionou logo a última pessoa em quem devia ter feito isso e a primeira em quem deveria confiar e manter uma boa relação.

Estava tudo errado.

O promotor saiu do carro e logo os policiais fizeram o mesmo. Quem tratou de apertar o passo foi Sara, que saiu do veículo rapidamente, sem ao menos olhar para o sargento. Parecia aquela mesma cena de dias atrás, quando os dois chegaram à pousada. Só que no mesmo dia se "resolveram" e fizeram as pazes daquele jeito estranho deles. Porém, desta vez, foi Grissom o principal responsável por aquele problema todo. O sargento temia consideravelmente que nunca mais tivesse a chance de começar ou continuar qualquer boa relação com ela.

Sozinho, Grissom tomou seu caminho até o elevador. Como haviam duas cabines, Sara tomou o elevador esquerdo, sem a companhia do promotor, que preferiu esperar pelo sargento. Grissom viu aquilo e teve mais certeza ainda de que estava em maus lençóis.

— Vocês precisam dar um jeito nisso. Não posso fazer mais nada se não tiverem algo mais concreto. — disse o promotor quando o sargento se aproximou dele.

— Eu sei, Bart, eu sei. — respondeu um pouco impaciente.

Ele não queria admitir. Corriam o risco de deixar escapar uma peça vital para o caso. Provavelmente o único homem quem entrou em contato com Zodíaco estava prestes a passar pela porta da entrada da delegacia e ir embora.

— Talvez vocês devam admitir a possibilidade de que estejam chegando num beco sem saída.

Grissom franziu a testa. Não se irritou com o comentário do promotor, mas com a real possibilidade daquilo.

Talvez tudo fosse planejado. Talvez Lewis ou Zodíaco ou quem diabos seja o investidor tenha planejado aquele obstáculo desde o começo; ao menos para livrar a cara do guarda, supervisor na época.

O sargento olhou para o lado. De repente, aquele pensamento tomou conta de sua mente não o deixou mais.

— O desgraçado pode ter planejado isso tudo desde o começo.

Bartholomew franziu o venho.

— Talvez o assassino ou o homem que arrumou as contas para os caras tenha imaginado essa situação. Com o dinheiro que Lewis pegou, bastava contratar um bom advogado que ele daria conta disso. Como Franklin era o homem mais importante, bastava ajudar somente ele. Que se danem os outros. — Grissom deu de ombros.

O promotor coçou a bochecha direita e depois deslizou a mão no cabelo para ajeita-lo.

— Isso pode ser verdade. Mas você sabe que para comprovar essa possibilidade, terá mais trabalho ainda; uma investigação dentro de uma investigação. E vocês dois não têm garantia nenhuma que vão conseguir alguma coisa e tampouco que os deixarão fazer isso. Ainda acha que valeria a pena?

Grissom expirou por cinco segundos. Era uma decisão complicada de tomar. Arriscar continuar com a investigação e tentar ir até o fim, ou deixar de lado e prosseguir para o caso das outras vítimas. Nada disso teria acontecido de a detetive não tivesse a ideia de revisar os casos. Mas isso não queria dizer que foi algo ruim. Graças a ela, três homens que estavam livres há quase um ano foram presos e, em breve, seriam julgados.

Se continuassem até o fim, também correriam o risco de perder tempo e, logo, o dia da próxima vítima chegaria. Mas essa era uma decisão que ambos deveriam tomar, afinal, eram parceiros. Uma equipe de duas pessoas.

Só que como prosseguir num caso da melhor forma, se a relação dos dois, provavelmente, voltara a ser como antes? Uma verdadeira bomba relógio.

— Espero que... aquele momento entre vocês dois tenha sido apenas um... mal entendido. — falou Carver, num tom que mais parecia uma ligeira ameaça.

Grissom o olhou de canto de olho. Torcia para que o comentário fosse verdade, mas no fundo sabia que aquilo era apenas a ponta do iceberg.

Notas finais
É Grissom... tu vai ter que ralar agora, hein. Vocês devem estar pensando: "Mas miga do céu, a gente queria que o Grissom contasse a verdade e você nos vem COM ESSA TRETA?! EU NÃO ACREDITO NISSO CARA!!!!!!!!!!!" Gente, calma, socorro. Eu tinha viajado quando escrevi o capítulo "Pequena Viagem". Escrevi do celular, foi uma loucura kkkkk Então me veio essa ideia louca e acabou que "gostei" do resultado final. Mas não se preocupem, galera. Tudo será resolvido logo. A partir do próximo capítulo (que vou postar ainda nessa semana), vamos começar a trabalhar com o passado do Grissom (e veremos mais tretas)! Obrigada pela paciência, meus amores ♥ Falando em capítulos, gostaria de saber a opinião de vocês. Querem que eu continue com essa "liberdade" em postar certos capítulos com mais de 3 mil palavras, ou que os divida para a leitura não ficar extensa demais? Seria muito bom saber a opinião de vocês, galeríssima. Adoro ler o comentário que vocês mandam, vocês todos arrasam! Muito obrigada por todo esse apoio que vocês tem me dado. Vocês são demais! Beijos e até o próximo capítulo!