Manhunters

29 Antes de partir


Notas iniciais
E AÍ GALERA! Hoje é dia de quê??? É dia de capítulo novíssimo! Antes de tudo, quero super agradecer a você, Molly, pela recomendação! Nossa, quando eu vi a notificação e li o texto eu fiquei sem palavras, muito emocionada! Obrigada mesmo, de coração! Um grande beijo e um abraço! ♥ Alguns comentários sobre a fic: E após 84 anos, finalmente a playlist da fanfic (Manhunters +) chegou, ahahaha! Caso vocês queiram ouvi-la, o link está na página inicial da fic. E se vocês quiserem deixar sugestões de músicas que combinem com a fic, chega junto, que eu adiciono à playlist! Eu ia postar esse cap na sexta, mas precisei adiantá-lo por motivos de força maior. Achei até melhor em vez de postar na segunda que vem, já que estou nesse ritmo de postar ao menos um capítulo por semana pra vocês. Não se preocupem que o capítulo de hoje não é triste, mesmo que pelo título ele pareça ser kkkkrindo de nervoso. Obrigada a todos vocês que estão lendo e acompanhando a fanfic, boa leitura!

Lá estavam eles. Novamente naquele utilitário, Sara e Grissom seguiam para um endereço dado pelo sargento. Tinham de fazer uma parada antes.

— Por que te colocaram em Henderson? — O sargento questionou-a; seu olhar se mantinha fixado para frente.

Ela ergueu uma sobrancelha, confusa com a súbita e curiosa pergunta. Mas respondeu sem problemas:

— Disseram que não conseguiram um apartamento com um preço bom aqui em Vegas.

— Besteira. — disse, quase resmungando — Conheço vários endereços com casas disponíveis. — Ele balançou a cabeça — Foi um absurdo o que fizeram com você.

— Ah, — Ela riu — ao menos estão me dando o dinheiro do táxi.

— Estou falando sério. — Grissom fez um gesto com a mão esquerda — O que eles pensaram quando trouxeram você? Se acontecer algo urgente você estará longe demais! — disse, franzindo a testa ao se virar para ela — Eu preciso de você por perto.

Sara virou o rosto para ele por breves segundos. Involuntariamente seu coração acelerou.

— Você, é... tá com bastante raiva deles, não é?

— Estou sim. — Assentiu bruscamente.

Ele ficou calado após sua própria resposta, voltando a falar logo depois:

— Vamos tentar resolver essa questão de um apartamento pra você aqui essa semana mesmo. — O homem apontou para a frente.

— Quê? — A detetive ergueu as sobrancelhas — Grissom, não preci-

— Quanto tempo está lá? — Sem se importar, ele a interrompeu.

— Há quase um mês, mas-

— Temos que ver isso o mais rápido possível. Quanto mais avançarmos no caso, exigirão mais de nós. Você não pode morar tão distante.

Ela até que gostou de ouvir aquilo. Saber que, de alguma forma, ele se preocupava com a sua situação — ainda que fosse relacionado ao caso — foi algo bom; não sabia a palavra certa para explicar.

— Vamos deixar essa poeira baixar um pouco, tá? Já temos outras prioridades pra tomar conta e acho que ver um outro lugar para eu ficar não é uma delas. — Ela respondeu. Não quis deixá-lo decepcionado, mas imaginou que o parceiro traria, apenas, um trabalho desnecessário.

O sargento se virou para a detetive. Não se mostrava satisfeito.

— Eu discordo. Isso é uma solução de longo prazo e vai facilitar bastante a nossa vida. Principalmente a sua.

A morena bateu com as duas mãos no volante. Tinha momentos em que era cansativo relutar contra ele (e para ele, vice-versa). Às vezes o melhor que poderia fazer era deixá-lo seguir com o planejado e a vida com o seu curso.

— Ah, Grissom... — Sara inclinou a cabeça para trás — Ok, a gente tenta ver isso logo, quando der.

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— Chegamos. — disse o sargento, apontando para a casa à esquerda de Sara.

De dois andares, a fachada da casa era bela; um jardim cercado com uma grande macieira à direita da porta, garagem, dois degraus de acesso à varandinha e à porta principal. Típico de uma casa americana. Simples, mas aconchegante.

Sara buzinou duas vezes, como Grissom solicitou.

— Eu vou sair também. — Ele falou, retirando o cinto e se preparando para deixar o veículo.

— Tem certeza?

— Tenho.

Ela foi a primeira a deixar o carro, fechando a porta em seguida. Não demorou muito para que notasse alguém os observando da janela do primeiro andar da casa. Foi rápido, não deu para deduzir quem era. No momento em que Grissom deixou o carro e apoiou-se em suas muletas, a porta se abriu. Como um raio ele veio.

— Ei, garotão! — Grissom exclamou, ao ver o cachorro da raça boxer correndo em sua direção. Ele abriu os braços e o animal praticamente jogou-se em cima dele, quase vindo a derrubar o sargento; o cachorro o lambeu sem parar, enquanto abanava a cauda.

— Tio Grissom! — falou uma voz infantil. Era magro, um pouco baixo, provavelmente com dez anos. Tinha cabelos pretos curtos e um rosto quadrado. Vestia uma calça azul, tênis preto, camisa branca e outra quadriculada por cima. Ele também veio correndo encontrar-se com os dois.

— Calma, Hank. — O sargento fez um gesto com as duas mãos, e logo o cachorro parou e deitou no chão — Ei, Tim, como vai?

O garoto o abraçou fortemente. Não tão forte porque sabia que Grissom fora atingido. Após o gesto, o homem deu leves tapinhas na cabeça do garoto.

— Nossa, o senhor levou dois tiros mesmo, não é! — disse impressionado, apontando para o homem — Caramba!

— Sua mãe te contou é? Bem, foi isso mesmo. — Brincando, o sargento assentiu sorrindo.

— E tá doendo muito?

— Só quando eu respiro.

Sara, assistindo à cena recostada no carro, começou a rir. Só depois reparou em si mesma que aquele era o primeiro momento em que ela riu por causa da situação do parceiro.

— Tá vendo ela ali? — Grissom, que percebeu o riso dela, inclinou-se um pouco para falar com ele e apontou para a detetive — É minha parceira agora.

O menino se voltou para ela, que meio sem jeito, acenou.

— Que legal! — Timothy se virou para ele e depois correu para falar com Sara.

— Oi, eu sou o Timothy! Muito prazer!

A morena, que não esperava por isso, agachou-se para ficar à altura dele. Pega de surpresa, não sabia direito o que falar a Tim, então disse o que era de costume. Estendeu sua mão direita:

— Olá, eu sou a detetive Sara Sidle. O prazer foi meu!

Os olhos do garoto brilharam. Com vontade, ele apertou a mão dela e os dois sacudiram rapidamente por alguns instantes, vindo a rir.

— Você e o tio Grissom vão capturar os caras maus, não é?

Ela visou o sargento ao longe.

— Vamos, sim!

Grissom se aproximou dos dois. Vendo isso, Sara se levantou e o esperou falar alguma coisa.

— Tim, sua mãe está em casa? — perguntou ele, olhando para a casa.

— Sim, quer que eu chame ela?

— Não, não. Já estamos de saída. — Ele se voltou para o garoto — Pode me fazer um favor?

— Qual?

— Pegue as coisas do Hank, por favor.

— É pra já, sargento! — Timothy fez um gesto de continência — Eu arrumei elas quando soube que o senhor tava voltando.

— Muito bom, Tim! Obrigado.

O menino foi correndo para dentro de casa.

— Bom garoto ele. — Ela comentou, observando-o entrar na casa.

— É...

— Como conheceu a família?

— Foi há um tempo atrás... Fui o responsável em resolver o caso do assassinato do tio dele.

A detetive se virou para ele, que permanecia a olhar para a sua frente.

Não teve tempo de falar mais alguma coisa. Timothy logo apareceu com uma bolsa quase maior que ele. Veio correndo, mas não muito rápido por causa do peso da bolsa.

— Nossa, você já está forte assim?! — O sargento falou impressionado.

— Isso aí! Eu tô treinando pra ser um policial que nem o senhor.

A expressão de Grissom mudou, estava sério.

— Timothy, eu já te falei... — respondeu descontente.

— Ah... — Tim chutou o ar, fazendo uma careta — Pode ser que a mamãe deixe depois! — disse, olhando para os policiais.

— Depois a gente conversa sobre isso com mais calma, tá? — Assentiu o sargento, tentando desconversar.

— Tá... — O menino respondeu, tentando disfarçar a decepção pela reprovação do policial.

Sara pegou a bolsa da mão de Timothy, abriu a porta de trás do carro e deixou-a lá. Grissom pegou a carteira no bolso do sobretudo, tirou uma nota de cinquenta dólares, e entregou para o menino.

— Uau! Tudo isso?! — Ele arregalou as sobrancelhas.

— Pois é. Você merece. Cuidou muito bem do Hank. — O sargento respondeu, sorrindo de lado.

— Nossa, agora eu tô rico! Muito obrigado, tio Grissom!

Grissom soltou uma breve risada.

— De nada. Nós estamos indo, Tim. Fique bem.

O garoto deu outro abraço em Grissom, que carinhosamente deu dois tapinhas em sua cabeça. E em seguida, abraçou Hank, que contente, respondeu o gesto lambendo o rosto dele.

— Tchau garoto. — Sara se aproximou dele, agachou-se um pouco e deu-lhe outro abraço.

— Vamos Hank, entra. — Grissom apontou para o banco de trás do carro, e sem demora o cachorro, que ainda permanecia deitado, correu e subiu no carro.

O garoto correu de volta para casa.

— Tchau tio Grissom, tchau tia Sara! — Ele acenou, ao chegar à porta.

Os dois entraram no carro. Sara, que olhou para trás, ficou impressionada com o cachorro, que se sentou no banco e ficou quieto.

— Bem treinado o seu cachorro.

— Pois é.

Ela fez uma careta e ligou o carro. No caminho não muito distante da casa de Grissom, Sara tomou a palavra novamente:

— Você... falou alguma coisa sobre o caso com essa família? — perguntou ela, pensando justamente em Timothy.

— Não exatamente... — Grissom olhou para baixo — Quando se aproxima o dia do ataque do Zodíaco, eu... aviso para não saírem de casa ou para terem muito cuidado. Já não basta o que aconteceu com o parente deles... enfrentar mais uma tragédia seria demais.

— Hum. — Ela assentiu, reparando o quanto o homem ao seu lado se importava com eles — Não quer que Timothy seja policial, não é? — indagou-o.

— Pareço errado, mas... não quero que o garoto cresça querendo ser um. Tem outras profissões... — O homem fez um gesto com o ombro — não que eu esteja denegrindo a nossa é que-

— Você se preocupa com ele.

— É. É isso. — disse em voz baixa.

— No seu lugar eu ficaria da mesma forma. — Ela deu de ombros — Mas... você tem que ter cuidado, você sabe disso, não é? — completou, virando-se para ele rapidamente.

Ele sabia muito bem e da mesma forma tinha receio. Essa questão de se aproximar emocionalmente de uma vítima ou alguém próximo a ela era algo perigoso. Grissom, que era um grande defensor da ética e regras de conduta profissional, colocava em risco (e em jogo) vários fatores, dentre eles, sua conduta, reputação, e principalmente sua vida e a da família de Tim. O caso do assassinato do parente de Timothy Danvers foi resolvido anos atrás; o suspeito foi preso e condenado a vinte anos de prisão. Ainda assim, um vestígio de medo se fazia presente naquela família, que já chegou a sofrer ameaças há algum tempo atrás. O sargento, que tentava se fazer o mais distante possível deles se contradizia, e sempre que podia, entrava em contato com eles para saber se estava tudo bem.

"Não se envolva com as vítimas e não se envolva com colegas ou parceiros de trabalho. Nunca misture o emocional com o profissional." Era o que ele sempre dizia.

— Eu sei. — O homem respondeu, ligeiramente incomodado — Estou tomando cuidado.

É melhor mesmo. Pensou ela.

Não demorou muito para que os dois chegassem no apartamento donde Grissom morava. A morena seguiu para o estacionamento subterrâneo e parou o veículo no local reservado para o sargento.

— Me admire que te deixem ficar com... Hank, aqui no prédio. — Ela falou, hesitando um pouco ao falar o nome do cachorro. Em seguida desligou o carro.

— Os síndicos sabem que sou um policial. Se sentem mais "seguros" comigo aqui e por isso relevaram.

— Ah, tá. — A mulher riu, desviando olhar e voltando-se a ele — Bem... estão entregues.

— Obrigado, Sara.

— Vai, esquece isso. — brincou.

— Não é apenas por isso, você sabe.

Ela olhou para a frente. Se lembrou logo do que fez naquele posto de gasolina. Nunca tinha feito aquilo antes para um parceiro enquanto trabalhava em São Francisco; fez logo por ele.

— Arriscou jogar a sua carreira fora por causa daquilo. — Grissom falou seriamente.

— E você arriscou a sua vida ao agir daquela forma. — Sara cruzou os braços.

— Não... não vamos voltar com aquela discussão novamente, não é? — Ele balançou a cabeça, aflito por ter que ouvir aquilo mais uma vez.

A morena procurou por seus olhos.

— Não, não vamos.

— Ótimo. — O sargento assentiu, e depois se virou para trás. Queria saber se Hank estava bem. Até chamou por ele e acariciou sua cabeça.

— O que acha que vão fazer com você? Provavelmente você vai ter que passar por algum exame psicológico, né?

— Não sei, talvez. — Ele a fitou, e depois continuou a brincar com o cachorro — Tenho ainda que me preocupar com a possível audiência no júri. E você também.

— É, eu sei disso. — A mulher assistiu à cena do sargento brincando com Hank.

— Ah, quase me esqueci. — O sargento disse de repente.

— Do quê?

Ele procurou no bolso do sobretudo e retirou sua carteira. Dela, pegou uma nota de cinquenta.

— Eu não sei quanto custa um táxi daqui para Henderson. — falou, entregando o dinheiro a ela.

— Grissom, não preci-

— Precisa, sim. Tome. Agradeço por ter nos trazido até aqui. — comentou ao virar-se para o Hank e sorrir — E nem tente me devolver.

— Ok, obrigada. Estou rica! — A mulher brincou, ao se lembrar das palavras de Timothy.

Ele deixou escapar um sorriso.

— Ainda assim, já falei que não precisava. Da mesma forma quando você me emprestou o cachecol. — Sara aceitou o dinheiro, evidenciando-o próximo do rosto.

— Você estava morrendo de frio. — Grissom zombou dela — Se ficasse daquele jeito poderia ficar doente.

— Tá bom, tá bom! — Ela ergueu os braços em defesa — Confesso que não estava preparada pra todo aquele frio.

— Que bom que admitiu. — Ele assentiu, com um semblante meio risonho.

Sara pegou a chave do carro e saiu dele. Encaminhou-se até o porta-malas e tirou sua bolsa de lá. Fechou o compartimento e caminhou para perto do banco carona.

— A gente se vê amanhã, sargento Grissom. — despediu-se, entregando-lhe a chave do carro.

— Até amanhã, detetive Sidle. — O sargento pegou a chave da mão dela e depois acenou. E então viu a morena se afastar dele, sem olhar para trás.

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— É amigão... chegamos, finalmente.

Grissom abriu a porta do apartamento. Hank foi o primeiro a adentrar no espaço, correndo para o sofá e subindo nele. Graças ao bom relacionamento que tinha com o porteiro, a quem pediu sua ajuda, Grissom não precisou se esforçar excessivamente para carregar a bolsa de viagem, e assim, o homem ajudou o sargento a levar a bolsa até seu apartamento. Assim que entrou na casa e fechou a porta, largou a bolsa no chão, vindo a suspirar e soltar um longo gemido de cansaço.

Ainda se apoiando nas muletas, deslocou-se até a janela, à sua frente, mais para o fundo da sala. Foi uma árdua caminhada, que ironicamente, era um caminho menor do que percorreu no dia. Após isso, ligou o aquecedor no canto superior direito. A temperatura da casa estava baixa, precisou fazer isso antes que sofresse ainda mais com o frio. Então deu meia volta e sentou-se no espaço "deixado" por Hank no sofá.

— Ah... finalmente... — falou ao deixar as muletas de lado, recostar-se no móvel e fechar seus olhos. Se pudesse, passaria horas e horas naquela posição.

Estava errado em deixar o hospital tão cedo, mas a insistência foi mais forte que a precaução. Grissom levou a mão direita no local do ferimento na barriga e gemeu brevemente; tinha de tomar um remédio para dor que lhe foi recomendado. Ele saiu da posição para observar o estado do ferimento, ainda costurado. Então desabotoou sua camisa e retirou os sapatos e as meias. Recostou-se novamente; estava cansado, com fome, com dor. Mas foi firme e evitou demonstrar quaisquer uma dessas sensações. Era um detetive, sabia mentir muito bem.

Grissom não podia ficar ali para sempre, tinha suas necessidades. Depois de cinco minutos, em silêncio, levantou dali e deixou o sobretudo no sofá, já que o efeito do aquecedor já se fazia presente. Hank continuou deitado, observando-o. Com cuidado e lentamente, arrastou-se para próximo da bolsa e a revirou até achar o remédio prescrito. Pegou o pequeno recipiente e depois, somente uma das muletas. Lentamente se dirigiu à cozinha. Retirou uma garrafa d'água da geladeira e encheu um copo que estava na pia. Abriu o recipiente, tirou dois comprimidos e os pôs na boca. Bebeu a água.

Apoiou os dois braços na pia, baixou a cabeça e fechou seus olhos. Expirou por dez segundos, e logo sentiu uma pontada de dor na barriga, levando sua mão automaticamente na região para cobri-la. Estava cansado física e psicologicamente. A dor atacava seu corpo e mente. Ferimentos. Lembranças; lembranças passadas e de dias atrás.

As imagens do passado voltavam num loop infernal. Um conjunto de memórias vividas surgiam em quase todo momento. Sua mente não tinha descanso: posto de gasolina, hospital, Conferência em São Francisco, Sara.

Será que ela ainda nutria alguma raiva dele? Ela o abraçou no quarto, já era alguma coisa. Se estivesse com raiva dele não faria aquilo, certo?

Ele sabia que aquela questão não seria resolvida tão cedo e tinha medo do que viria pela frente.

Céus...

Em sua mente o "talvez" o atormentava como fantasma. Talvez, se tivesse mantido o foco naquele jovem, parando-o no momento certo, não levaria aqueles tiros, e, obviamente, não iria parar no hospital. E provavelmente não teria se lembrado de Sara. A detetive de São Francisco continuaria a ser uma estranha, que, contra a sua vontade, ficaria ao lado dele na incessante busca por Zodíaco.

Talvez se tivesse tentado se lembrar dela nada disso poderia terminar naquele agora. Ou, se tivesse tentado manter contato com a jovem detetive de olhos cativantes naquela época, talvez, nada daquilo poderia ter acontecido.

Talvez não fosse o responsável direto por tudo aquilo, mas ainda assim culpava a si mesmo.

Grissom levou a mão esquerda ao rosto, depois a retirou. Decidiu seguir para o banheiro; com muita dificuldade tirou as suas roupas e tomou um longo banho quente. No decorrer do tempo, admitiu a si mesmo que não estava bem.

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— Pronto, até que enfim. — disse aliviada. Finalmente chegou em "casa".

O trajeto no táxi durou pouco mais de 25 minutos. O trânsito estava bom, para alívio da detetive, que não aguentava mais ficar sentada numa poltrona de carro. Ao chegar em casa, aprontou-se em tomar um banho, usar roupas confortáveis e descansar em sua cama. Vestiu uma blusa leve de algodão vermelha e calças de estilo pijama brancas. Nem queria se dar o trabalho de preparar a comida, imaginando pedir um delivery depois.

Ela se jogou na cama e ficou de lado por uns instantes. Pensou no que aconteceu. Aqueles foram os dias mais loucos de sua vida, e olha que já viu de quase tudo em anos de carreira.

Sara deslizou o braço direito para baixo do travesseiro e se encolheu ali mesmo. Não fechou os olhos, mas recobrou-se de muita coisa que houve nesses dias, principalmente do tempo em que passou no hospital com Grissom.

Discutiram. Reconciliaram-se. Discutiram novamente. Selaram um acordo de paz. Ela o abraçou por impulso. Passou a noite no mesmo quarto que ele. Ele sonhou com ela e gritou desesperado. Ela estava lá, pronta para defender a si mesma e a ele.

E depois mais história.

O mais impressionante de tudo aquilo foi encontrar um Gilbert Grissom totalmente diferente do que ela viu anos atrás. Um Grissom que não se lembrava dela sabe-se lá porque. Talvez aquele tenha sido o maior choque para a detetive, que estava tão empolgada em trabalhar pela primeira vez com o homem que conheceu na Conferência.

O que poderia ter acontecido com ele? Era a pergunta que se fazia presente na mente dela em quase todo o momento e que tinha medo de perguntar. Não era exatamente um medo, mas um receio, angústia, aflição em saber aquela resposta. Alguma coisa aconteceu com ele, ela sabia disso, e duas forças opostas a faziam entrar em conflito. Uma, empurrando-a a questioná-lo sobre o passado depois do passado deles; e outra, que a puxava para a esfera da incerteza e dúvida, uma caverna que relutava em não a deixar sair.

Ela estava pronta a continuar com a "amizade" interrompida pelos anos assim que chegasse na sala dele. Todavia, deparou-se com uma resposta de poucas palavras.

"Não me lembro de você", foi o que ele disse.

Ela perdeu seu raciocínio. Ficou sem reação, quase indefesa. Se encontrou com um homem que aparentava nunca a ter visto em sua vida, e que se mostrava bastante hostil em relação à sua presença.

E ficou encurralada. Não lhe perguntou o motivo.

Sara mudou de posição na cama, descansando suas costas no colchão. Olhou para o teto. Tinha que parar com aquilo. Já não era mais a jovem detetive ingênua de anos atrás que, mesmo não querendo admitir, sentia algo por ele.

Precisava seguir em frente. Mas era difícil, até demais.

Notas finais
É, galera! O capítulo não teve treta *risos*, mas revelou algumas coisas sobre os dois. Pois é, a Sara de anos atrás sentia algo pelo Grissom. Será que a Sara de agora também sente? E o Grissom? Será que ele também sentia algo por ela no passado? Motivo pelo qual escolhi seguir esse caminho? O próprio canon de CSI no qual eu me baseei em partes para escrever a fanfic. Também me inspirei no filme Manhunter para desenvolver o Grissom nessa história (e busquei inspiração no Bobby Goren do Law & Order rsrs); e é claro, no Grissom Grissom ahahaha. Voooltando ao que eu falei acima, uma hora o Grissom vai ser questionado pela Sara (e por ele mesmo) o motivo de ter se esquecido dela. Ele sabe a resposta, agora, pra falar aí já é outra história. Nosso sargento é fechado, dificilmente ele se abre e em raras ocasiões comenta sobre si mesmo. E falando no sargento, Grissom está sendo atormentado novamente pelo passado. Agora sente mais remorso pelo que houve. Mesmo a tentar mudar o jeito de como ele trata a Sara e se relaciona com ela, ainda sente uma certa culpa de ter "negligenciado" a morena. E NO CAPÍTULO 30: dia seguinte e mais treta, pois é! Muito obrigada a todos que estão acompanhando essa fic ♥. Um grande beijo e até o próximo capítulo!