Manhunters

71 A tempestade está vindo


Notas iniciais
Edit 1: SOCORRO EU ESQUECI! A fanfic acaba de completar UM ANO!!!! Caramba nunca pensaria que seria tão bem recebida por vocês. Vocês todos são incríveis, quero agradecer a cada um que dedicou um tempo para ler cada capítulo ♥ FELIZ ANIVERSÁRIO, MANHUNTERS! Chegou a ATRASADA! Fala, pessoal, eu estou aqui pela septuagésima primeira vez para trazer mais um capítulo de Manhunters! Eu quero agradecer à Lola pelo comentário. Seja bem-vinda, flor ♥ E também mando um agradecimento a essa galera show que acompanha, lê a fanfic, mandou um fav e tudo mais.

Grissom acordou pela madrugada como fazia de costume. Deitado de costas ele respirou fundo e levou as mãos no rosto. Olhou para a esquerda até o momento em que seus olhos se acostumaram com a escuridão. Ela dormia de bruços e seu rosto estava voltado para ele. Gostaria de beijá-la e acariciar seu rosto, mas achou melhor deixá-la assim. Grissom ficou sozinho por tanto, tanto tempo que não se lembrava como era estar apaixonado. E ele estava, muito. Não estava somente apaixonado pela jovem detetive prodígio de oito anos atrás, como pela detetive madura e altamente dedicada de agora.

Céus.

Como poderia aceitar ficar longe dela, sua companheira, amante e melhor amiga? Zodíaco estava fazendo bem o trabalho dele em atormentar o caçador de todas as formas possíveis. Grissom não aguentaria ficar acordado ali, esperando o momento que o sono retornasse enquanto sofria calado e preso; teve que se levantar. Com cuidado, o sargento se descobriu e deixou a cama rezando para que ela não acordasse. Quanto menos ela o visse daquele jeito, melhor.

Vestindo apenas sua cueca, Grissom pegou o roupão xadrez pendurado na cama para se proteger do frio. Abriu aquela maldita gaveta proibida no criado-mudo e tirou o que menos queria, o velho maço de cigarros. Não que tinha orgulho disso, ele não tinha, mas pegou por impulso, estava ansioso demais. Ele abriu a porta e antes de sair do quarto olhou uma última vez para Sara, imóvel em seu sono. Melhor assim.

O sargento foi até a cozinha de onde pegou uma caixa de fósforos e a trouxe consigo até a sala. Em vez de acender a luz geral ele preferiu a luminária próxima do sofá, situada numa mesinha no lado direito. O sofá era mais confortável que a cadeira de seu escritório, por isso preferiu aquele cômodo. Ele se sentou e suspirou cansado. Recostou-se no móvel e fechou os olhos brevemente. Era muita coisa para pensar, mesmo após aqueles momentos maravilhosos na cama com sua companheira, lá estava ele com a mente sobrecarregada.

Grissom tirou um cigarro com desgosto e olhou para ele. Hesitou e hesitou. Levantou-se do sofá e apertou o passo até a cozinha novamente. Pegou um copo de vidro e o encheu com vinho. Não era a bebida que ele realmente queria, lembrar-se-ia de comprar algo com álcool em breve. Retornou à sala e notou que Hank, encolhido em sua “cama” ao lado esquerdo do, movera a cabeça. Pelo visto estava acordado.

— Não seja como eu, Hank. Volte a dormir. — brincou ele.

O sargento se sentou novamente. Colocou o copo na mesa de centro e pegou o cigarro deixado no sofá. Colocou-o na boca e tirou um palito de fósforo. Quando estava próximo de acender, retrocedeu. Esticou-se para pegar o copo e tomou um gole do vinho. Recostou-se no sofá e lamentou quieto.

O que fazer adiante? Viver “cercado” e vigiado por medo de um assassino onisciente? Se for assim teria, então, de abdicar do maior motivo do seu sorriso. Não poderia passar um tempo, ainda que mínimo, ao lado de Sara porque certamente iriam descobrir que estavam juntos.

Que piada.

Gilbert Grissom, um dos maiores defensores das regras se fazia refém de uma delas, ou melhor, se fazia refém do descumprimento de uma delas. Mas como não abraçar um relacionamento com ela? Todas suas convicções de regras caíam quando se tratava de estar com Sara Sidle. Ele era capaz de arriscar sua carreira para amar aquela mulher, que se danem as regras. Ele ficou sozinho por tempo demais e não havia mais ninguém que ele gostaria de amar como ela.

Grissom tocou em seu ombro por dentro do roupão e desceu até o peito, precisamente no local onde Sara deixou uma marca. Ele passou a ponta dos dedos ali e mordeu o lábio inferior. Nunca esteve tão apaixonado por alguém como estava por ela. Aquilo ultrapassava os limites da condição humana.

E então, de volta àquela batalha.

O sargento não aguentou e acendeu o cigarro com raiva.

Seria egoísmo de sua parte querer aproveitar o tempo que tinha com Sara em vez de aceitar proteção? Para muitos seria não somente egoísmo como loucura. Mas por que aceitar proteção se nada confirmava que ele seria a próxima vítima do serial killer?

— O que você quer de mim, seu desgraçado? — perguntou com o cigarro na boca. Ele tragou por alguns segundos e depois o retirou. Tomou outro gole da bebida e suspirou por longos segundos.

Grissom odiava se sentir indefeso, aquilo era um inferno. Já passou muito tempo naquele lugar para ter que passar novamente. Ele não apenas se sentia indefeso, como não sabia de que modo manteria as pessoas que amava a salvo. Sara, principalmente, sua parceira. A pessoa que amava mais próxima do olhar de Zodíaco. Se de alguma forma o assassino descobrisse a relação dos dois e se aproveitasse daquilo Grissom ficaria destruído.

— Deus! — Lamentou em moderada voz. Ele fechou os olhos tentando apagar esses malditos pensamentos.

Sua melhor e única saída era resolver o caso, nem que tivesse de trabalhar por horas e horas sem parar. Não havia outra escolha.

O som do silêncio, reconfortante, ao mesmo tempo era desolador. Não havia nada. Conseguia ouvir sua própria respiração, os mínimos sons que vinham do roçar dos tecidos do roupão e do sofá e alguns barulhos distantes como era costumeiro ouvir em Vegas. Tragou o cigarro novamente e fechou os olhos para desviar o foco da realidade. Seus ombros doíam por causa do peso que carregava e somente ele sentia essa dor.

A total falta de som permitiu que ele ouvisse a porta de seu quarto se abrir. Ele se virou ligeiramente e a encontrou sonolenta, tentando manter os olhos abertos enquanto semicerrava o olhar para encontrá-lo.

Pronto, ela o viu com o cigarro. Com raiva dele mesmo, Grissom o apagou no cinzeiro que ainda mantinha próximo à luminária.

— Gil? — A detetive caminhou em sua direção.

— Querida.

Sara vestia apenas a calcinha e a camisa dele. Ela olhou para cena, atentando para o cigarro recém apagado, o copo de vinho na mão dele, e claro, ele. Mal sabia por onde começar.

— Não queria que me visse desse jeito.

— Com o que, com o cigarro?

Ele assentiu. Sem falar nada ela se juntou a ele, sentando-se à sua esquerda. Continuou quieta variando entre olhar para o chão e para ele.

— Não estou conseguindo dormir. — Aquele silêncio o estava matando então ele foi direto. Ele se ajeitou no sofá e respirou fundo — Não consegui arranjar outra alternativa, eu admito. — disse olhando para o cigarro apagado.

Sara ergueu as pernas no sofá e se acomodou perto dele. Ficou em silêncio.

— Deve estar decepcionada.

— Em ver você fumando? — Ela arqueou as sobrancelhas — Não. Eu fumava também há alguns anos. Sei como é isso.

Dessa vez foi ele quem arqueou as sobrancelhas quando se virou para ela.

— Como conseguiu se desvencilhar?

— Certa... força de vontade. — Sara gesticulou — Tentava distrair a minha mente e fazia outras coisas...

— Hum. Preciso de umas dicas. O que você fazia?

— Ah... eu... cantava, comia porcaria... fazia sexo. — Brincou ao se aproximar dele, que acabou sorrindo também.

A companhia dela o fez bem, afinal, infinitamente melhor que o cigarro.

— Eu comprei aqueles... preservativos hoje. — disse baixo par a surpresa dela — Não pensava em me relacionar com alguém até... me "lembrar" de você.

Sorrindo, Sara tocou passou a mão por entre o roupão dele e tocou em seu peito.

— Não quero ficar longe de você. — Ele tocou em sua mão.

— Eu também não quero.

— Não me conformo com isso. — Balançou a cabeça — Eu não me conformo. Estou... tentando pensar em todas as possibilidades. O problema é que não posso tomar essa decisão sem ao menos ter mais alguma prova de que o assassino me quer como alvo.

— Concordo com você, — Ela esfregou a mão em seu peito carinhosamente — mas... eu... quase te perdi antes. — sua voz parecia embargada.

Ele se virou para a parceira.

— Temos pouco tempo e as escolhas são poucas... difíceis.

— Não quero tomar essa decisão sozinho. Preciso de você. — Grissom tomou um gole do vinho e dirigiu a ela.

— Não quero falar pra você recusar essa oferta e sair por aí desprotegido, ou que aceite e espere por algo que pode ou não acontecer. Só não quero que arrisque sua vida à toa, Gilbert, eu já perdi pessoas demais-

— Você não vai me perder. — Ele falou baixo, mas firme.

— Céus, estou contando com isso. Também não quero que tome uma decisão por impulso e se arrependa depois.

Ambos desviaram o olhar. Sabiam que uma hora teriam de ter aquela conversa e sabiam que ela seria daquele jeito.

— Eu sinto muito se não tenho uma resposta pronta pra te dar porque a melhor pessoa para fazer isso é você, Gilbert. — Sara tocou delicadamente em seu rosto e passou a mão por seus cabelos — Mas saiba que eu vou estar com você independente da escolha que for tomar.

Ele recostou a cabeça no sofá e fechou os olhos como se tentasse descansar. Pressionou o copo de vinho quase vazio e o apoiou em sua perna. Sara olhou aquela cena presa numa sensação de impotência e inconformidade. Não era sempre que ela tinha o "poder" de melhorar seu humor, mas dessa vez tinha que tentar. Ela virou-se para os lados por alguns segundos e depois falou com ele:

— Quando você comprou aquele quadro de borboletas? — perguntou ela quando tirou a mão de seu peito. Sara apoiou a cabeça em seu ombro enquanto descansavas suas pernas no sofá.

Ao ouvir a pergunta, Grissom, intrigado, olhou para o quadro na parede. A pergunta de Sara desviou o foco dele quase completamente.

— Há alguns anos, por quê? — Confuso, o sargento emendou outra pergunta.

— Foi na época em que a gente se conheceu?

Pensativo, o homem levou a mão ao queixo para tentar se lembrar.

— Não... depois. Comprei aqui mesmo em Nevada. — Assentiu — Achei bonito... interessante.

— Ele me lembra aquele cordão que eu tenho. De uns tempos pra cá parei de usá-lo...

— Ele ficava tão bem em você... — O sargento a encarou.

— Acho que devia ter usado quando te encontrei aqui em Vegas. — Deixou escapar o comentário sorrindo — Mas acho que não daria certo mesmo assim.

— Hum. — Grissom sorriu brevemente e ela percebeu — Obrigado pela tentativa em querer me animar. — Ele se apoiou nas pernas.

— Consegui? — A mulher ensaiou um sorriso tímido.

Ele virou o rosto para encontrá-la e tocou em sua perna carinhosamente. Tentou sorrir de volta, mas foi difícil.

— Olha, não precisa mentir. — Sara se aproximou dele — Sei que você está passando por uma situação difícil e não vai ser esse comentário bobo que vai melhorar seu ânimo completamente.

— Você é ótima. — Ao se recostar no sofá novamente ele deixou escapar um breve lamurio.

— E... — Ela fez uma breve pausa — como você está?

— Melhor.

— Melhor como? — Insistiu desconfiada.

O sargento olhou para o lado e tocou em sua perna esquerda.

— Melhor... que antes. — disfarçou.

— Você tinha que descansar esse corpo, está exigindo mais de si mesmo. — A detetive se aconchegou melhor no sofá.

— Eu sei. Estou carregando até onde posso.

Ela não prosseguiu a conversa de imediato; ficou em silêncio a olhar para a frente.

— Deveria tirar umas férias quando isso aqui acabar. Dar um tempo disso tudo...

— Talvez... Tem muita gente aqui que precisa de mim.

Sara arqueou uma sobrancelha; surpresa com a resposta ela chegou a sorrir incrédula.

— E você?

Grissom chegou a balbuciar umas palavras, mas ficou calado no final.

— Já pensou em dar um tempo e... recuperar as energias, colocar a mente no lugar? — questionou-o surpresa com o comentário anterior — Não estou falando de nós dois, estou falando de você mesmo.

Ao tomar o último gole do vinho em seu copo, deixando-o na mesa, Grissom suspirou e cruzou as mãos.

— Depois que... retornei do afastamento de seis meses, eu... percebi que minha vida não vai muito além do escritório, da arma e do distintivo.

— É claro que vai. — Ela discordou — Você não é uma máquina, não pode viver apenas trabalhando, Gil. — Tocou em seu braço e o segurou — Olha só pra gente. Estamos juntos porque nós dois nos damos essa chance. Nossa vida não se resume apenas a servir e proteger 24 horas por dia, sete dias por semana.

A detetive o encarou, esperando que ele correspondesse e olhasse para ela. Foi quando o sargento pegou sua mão, entrelaçou-a e a beijou. Calado, envolveu sua mão na dele e assim ficou por vinte segundos.

— Eu te amo. — Foi tudo que a mente dele conseguiu pensar e ele falou.

Como se lessem a mente um do outro, os dois aproximaram seus rostos e trocaram um breve olhar antes dos seus lábios se tocarem de um jeito meigo. Ela tocou na lateral de seu rosto, aprofundou o beijo e deslizou a mão até o pescoço.

— Droga, Gil. Olha o quanto eu tenho que me segurar pra não beijar você em público. — Sara brincou quando estava com o rosto rente ao dele.

Grissom abriu um sorriso bobo. Era grato por tê-la como amante uma pessoa que se importava tanto com ele, ou talvez nunca seria grato o suficiente.

— Vamos voltar pra cama, querida. — Ele deu dois tapinhas em sua perna — A semana vai ser cheia.

A morena se levantou e esperou por ele, que apagou a luminária e voltou com ela para o quarto. Grissom tirou o roupão e o deixou onde estava. Não vestiu outras roupas e logo se uniu à parceira na cama. Deitou de costas, primeiramente, e esperou até seus olhos se adaptarem à escuridão. Quando se virou para a esquerda notou aquela estava deitava e virada para seu lado. Ambos não conseguiam enxergar um ao outro completamente, mas isso não importava.

— Céus, eu sou egoísta demais querendo ter esse momento todos os dias. — Ele se virou de lado.

— Então nós dois somos. — Ela esticou a mão e alcançou seu rosto. Deslizando-a lentamente pôde sentir os traços da barba por crescer. Mal podia traduzir a sensação que tinha em todas as vezes que sentia o rosto dele sobre a palma de sua mão e a ponta de seus dedos.

O casal se beijou de um jeito lento, carinhoso, tudo para o momento não acabar logo como as horas da madrugada passavam.

— Eu não quero mais dormir. — disse ele com o rosto rente ao dela, tomando-a pela cintura para trazê-la mais perto — Se eu fechar os olhos as horas vão passar e depois... vamos ter que ir embora daqui.

— Gilbert... — Ela não queria que o parceiro falasse daquele jeito.

— Não sabemos quando será a próxima vez que vamos estar juntos de novo. — Insistiu.

— Nós não sabemos, mas vai acontecer. — Sara tentou reconfortá-lo — Independente do que você vai escolher, isso não muda em nada, ok? Podemos dar um jeito de passar um tempinho juntos e mesmo a gente não consiga, vamos continuar firmes.

A única resposta que recebeu foi um suspiro. Na maioria das vezes Sara conseguia convencê-lo, mas dessa vez não ficou satisfeita e percebeu que ele também não ficou.

— Gil... — Ela deslizou a mão sobre seu rosto. A morena não percebeu, mas ao receber o toque Grissom fechou os olhos e em seguida tentou esconder o rosto.

— Isso não é justo, Sara... — sussurrou.

Ela se aproximou dele e beijou-lhe a testa.

— A vida não é justa. — As palavras foram duras, mas era verdade. Sara aprendeu aquilo da pior forma.

Silêncio.

— Só resta a gente dar um jeito de fazer a nossa felicidade.

Notas finais
Esse capítulo, na verdade, seria parte de outro capítulo, mas decidi separá-lo. Eu não tenho muito a falar; gostei muito de ter escrito esse cap que aborda os conflitos que o sargento tem passado com esse problema recente. Mesmo que tenha a companhia de Sara e seu apoio ele ainda se sente balançado, a escolha que for tomar daqui pra frente terá uma consequência e eles vão precisar se adaptar. No fundo, no fundo, a Sara quer mantê-lo seguro, como vimos atrás. Depois do que presenciou e do que soube dele a ideia de que o sargento possa ser a próxima vítima também a assombra. Ela não respondeu explicitamente porque acha que é o Grissom que tem de tomar essa decisão, porém, a detetive estará lá para apoiá-lo, qualquer que seja sua escolha, mas também estará lá para alertá-lo caso a situação piore. Vamos voltar, ou melhor, eles vão voltar ao trabalho nessa segunda (segunda no tempo da fanfic, mas eu vou tentar adiantar o mais rápido possível os próximos capítulos kkkk ♥). Vai ser a hora dos dois arregaçarem as mangas e continuarem a investigar esse caso. Muuuuito obrigada a todos que leram! Um beijão a todos e até o próximo capítulo ♥