Malígno
2 Capítulo 2
O Livro, o medo
Uma semana após isso, tudo mudou completamente. Estávamos sós, em nossa casa, fazendo o que cada um costumeiramente fazia. Contudo, meu irmão, Christopher, estava andando pela casa e achou uma porta escondida atrás de uma escrivaninha. A porta estava disfarçada com papel de parede, que por ventura meu irmão (muito detalhista) conseguiu descobrir que havia uma pequena dobra em destaque, descobrindo-a.
Inocentemente, abriu a porta, que estava sem tranca. Ela dava para um porão, a muito não aberto. Petterson então começou a descer as escadas e achou um pedaço de corda presa em algum lugar com um pequeno molde de plástico preso em sua ponta.
Ao puxar a corda, luzes se acenderão.
Christopher agora se encontrava em um lugar distinto de todos os lugares que já havia visto. Uma sala separada por setores, que mais tarde descobriu que era uma biblioteca particular. Durante horas se perdeu nas seções de sua preferência e depois saiu, como se nada tivesse acontecido. Em uma distanciação curta de dias, meu pequeno irmão passou nessa biblioteca, esperando que nenhum de nós soubesse da existência dela.
Sua façanha não durou muito. Billie, fazendo uma pequena vistoria costumeira em todos, em dias anteriores, notou a distanciação de Christopher de assuntos que antes o intrigavam e o levavam a discussões interessantes com Billie para dar lugar ao silêncio absoluto. Obviamente, meu irmão mais velho começou a prestar mais atenção em Petterson, e achou seu esconderijo.
Ele, assim como Christopher, se abismou com o lugar ao adentrá-lo. No inicio parecia um simples porão, mais seu interior era repleto de conhecimento e entretenimento para os amantes da leitura. Em poucos segundos após sua entrada no local, encontrou Christopher, lendo o que mais lhe chamava a atenção: gibis.
O surpreendeu rapidamente, fazendo-o pular da cadeira onde estava, e depois rindo bem alto para que todos ouvissem. Ao descer, todos nos maravilhamos com a riqueza do lugar e seu ar antiquado. Todos adoravam isso, e então passamos a ficar uma boa parte de nosso dia naquele lugar, cada um em seu setor predileto.
Minha preferência era dividida em dois setores, os de mistério e os de suspense. Durante dois dias, eu fiquei no setor “Mistério”, e achei vários livros interessantes, já no terceiro dia, meu pequeno irmão Christopher deu a idéia de trocarmos os setores, para talvez nos adequar a outra coisa.
Exatamente nessa hora, eu fui para o setor “Comédia”, meu irmão mais velho ficou no setor “Mistério”, Petterson foi para “Aventura” e Christopher e Christally foram para “Suspense”.
Confesso que nos divertimos bastante na troca de setores, mas, Christopher, em seu silêncio, me deu uma apreensão pesarosa, me fazendo ir ao seu encontro. Ao chegar ao seu encontro, ele olhava para mim como se eu estivesse vestida com roupas assustadoras, e isso me deu medo.
Cheguei próximo a ele, enquanto me apontava o livro que encontrara.
O peguei e fui à mesa, onde estávamos todos, que pararam sua leitura prazerosa para focalizar sua atenção á nós. Neste momento, coloquei o livro sobre a mesa, e sue titulo era “O Livro Da Morte”, escrito com uma grafia macabra. A princípio, olhei e pensei: o livro é para ser assustador, estava no setor “Suspense”, mas depois li um pequeno bilhete em sua fronte que me fez entender por onde tudo aquilo começava.
Sua descrição, em grafia um tanto borrada, dizia: “Não o abra, faça isso e todos passarão por seus piores medos. Alguns não resistirão. Não o abra...”. Ao ler isso, dei um pulo da cadeira, abismada com o que estava lendo. Meus irmãos se surpreenderam mais ainda, e Billie chegou perto de mim, para tentar entender o que estava acontecendo.
- Ammy, o que houve?- já próximo de mim- Porque está assim, é apenas um livro.
- É claro que não é apenas um livro. Olhe, você pode sentir o mesmo que nós. Ele representa um perigo inimaginável. Sonhei com ele!”– Diz Christally, já de pé.
- Você também?- Eu disse atordoada.
-Todos tiveram o mesmo sonho. Ao menos acredito que sim. — Disse Petterson.
-Não!- diz Christopher, enquanto olhava diretamente para o livro. – Me surpreendi porque eu sonhei detalhadamente com ele. E com flashes de coisas terríveis.
- Definitivamente, não devemos abrir este livro. – disse Billie, pegando o livro e colocando em seu devido lugar. – Sairemos daqui e não voltaremos mais. Alguma objeção?
- Não – todos disseram ainda abalados.
- Então vamos. – disse Billie, fazendo-nos subir em fila.
Depois que subimos, Eduardo recolocou o papel de parede. Mais ainda não havia acabado, e para nosso desespero, estava apenas no começo. No começo do fim.
Pensamentos
A vida, para nós, após ter se fechado a porta daquela biblioteca escondida, se tornou compulsiva e entediante. Não tínhamos mais prazer em realizar nossas atividades diárias, não queríamos a companhia um do outro, não fazíamos mais nada para aproximarmo-nos. E mal sabíamos que estávamos sendo influenciados por aquele livro.
Nossa personalidade mudou, ficamos mais frios, mais distantes. Queríamos a mesma coisa: rever aquela biblioteca. Tudo o que fazíamos mostrava isso. Ao menos uma de nós não mudou: Christally.
Isso sempre me impressionou nela. Sempre se mantinha instável. E um belo dia, fui perguntar pra ela o porque:
- Christally? – Bati em seu quarto, com a voz baixa e tênue.
- Sim, Ammy. – Ela respondeu, sem tirar os olhos do livro que estava lendo, cujo título era: O que fazer, quando ninguém sabe, exceto você?
- Posso en.. – ela interrompeu.
- Pode, Ammy... Pode – com sua voz infantil, mas de quem sabia o que eu queria.
- Só vim perguntar como você consegue ficar tão normal, sem nenhuma curiosidade do que tem naquele livro.
- Não faço igual a vocês.
- Como assim?
- Simplesmente ajo normalmente. Mas isso não significa que eu não tenha curiosidade. Na realidade, tenho mais curiosidade do que vocês. Apenas não deixo isso aparente. – Nesse momento, ela fecha o livro que esta lendo e olha pra mim, suas palavras me deixam realmente intrigada. – Ammy, sei que sua curiosidade está apenas ligada ao que você tem visto, sentido, sonhado e desenhado, mas, isso está apenas começando, e você sabe o que vai ter que fazer. – Então, ela se levanta e sai, como alguém que sabe o que falar, mas reluta para si o direito de ficar calada.
Após isso, fiquei durante muito tempo pensando, pensando em sua frase: “... isso está apenas começando, e você sabe o que vai ter que fazer...” E sabe o pior, ela está certa...
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