Maledictions
1 Quando o inferno decide queimar sobre a terra.
Notas iniciais
O dia estava bem mais que ensolarado: estava queimando. Parecia que todo o Shibusen resolveu faltar às aulas e ficar em casa. Mas é óbvio que a elite do Shibusen, a equipe Spartói, nunca faltaria por uma coisa tão simples como esta. Pelo menos metade dela não faltou.
- Oe, Kiddo! Está muito quente. Vamos para casa, por favor! – a loira mais velha de cabelos compridos e lisos reclamava incessantemente, para o desconforto de seu artesão.
- Iiê, basta pegarmos uma missão Liz, não se preocupe. – Liz rangeu com a resposta, voltando a abanar-se com seu chapéu.
O moreno de olhos dourados rolou os lindos orbes de ouro pelos papéis impregnados a grande tabela de missões, escolhendo sempre a mais de acordo com seus princípios. Sua atenção mirou-se a um pequeno folheto com o título “Maldição de Azarath”. Achou certamente interessante e retirou-o da tabela, dando a secretária.
OoOoO
Kid planou com Beelzebub á uma pequena planície. Suas armas voltaram à forma humana, encarando o nada a volta. Tudo o que havia ali era simplesmente um local longínquo e plano. O chão asfaltado de pura rocha e pedregulhos arrastavam um ar morto e cinzento. O calor ainda predominava altamente, fazendo seus corpos chorarem por um refrescamento. O céu escuro parecia encaixar-se com o clima escuro do lugar. Ouviam-se pequenos gritos ao longe.
- O-oe Kidd, isso é assustador... Que raio de missão é e-essa? – Liz foi a primeira a se manifestar. Patty apenas olhava em sua volta, anormalmente a menina estava quieta.
- Pelo o que li, há um tipo de kishin fazendo sacrifícios humanos aqui. Nossa missão é detê-lo e recolher sua alma.
Liz estremeceu e olhou a irmã. Patty olhava o chão, parecia hipnotizada. Alguns gritos foram ouvidos ao longe, seguidos de um sussurro. O Shinigami seguiu o olhar até a paisagem longínqua, vendo uma menina encapuzada. Liz apertou Patty em seus braços e escondeu-se atrás do Shinigami.
A garota de estatura mediana havia a pele pálida como a neve. Seus pés eram cobertos por uma bota escura de couro legítimo e surrado. Carregava a cabeça de uma menina – cinco anos no máximo – em suas mãos sujas de sangue. Havia a cabeça abaixada, um capuz azul escuro escondia o resto de seu corpo, junto de seu rosto. Não sorria, não era possível ver se sorria ou não. O rosto da menininha que carregava em suas mãos estava coberto de sangue, com alguns símbolos do kishin em sua testa. Seus olhos haviam sido perfurados e suas pupilas arrancadas. Um sorriso triste era carregado pela face morta.
Suas armas instantaneamente se transformaram e o shinigami instintivamente começara a atirar. A garota pálida continuava com a cabeça baixa, seguindo em direção ao garoto. Suas balas parecia não ter efeito. Sequer acertavam-na. Os passos largos tornaram-se curtos e em segundos a menina começara a correr em sua direção. Kid engoliu em seco e tomando impulso, pulou ao alto, passando por cima da garota. De ponta cabeça, olhou para baixo e apontou as armas gêmeas para a bruxa. Ela ergueu os olhos, murmurando algo. O shinigami encarou a face pálida e os olhos de um negro incessante. Não havia pupila, não havia esclera. O negro e os murmúrios travaram sua mente. Sentiu seu corpo parar e a alma de sua adversária dobrar em um nível imenso. Sentiu a escuridão invadi-lo e tomá-lo para si. De repente não via nada além do branco de sua pele e os olhos negros sem fundo. Sentiu-se engolido. A menina ergueu a mão, segurando a testa do menino – como segurara a cabeça da menina – e puxando seu cabelo, o arremessou ao chão. Kid sentiu o peso de seu corpo ser violentamente arremessado ao chão duro de pedra e seus olhos, que de forma alguma queriam se fechar, olhou mais uma vez os olhos negros de sua adversária em cima de si, sentada, encarando-o. Não conseguia ouvir, não se movia ou sequer escutava, não conseguia fazer nada além de encará-la. As mãos pálidas foram de encontro com sua boca que se abriu automaticamente. Não tinha sequer noção do que aquela megera estava fazendo, ou de como ele estava sendo controlado tão facilmente. Perdeu o ar ao sentir os dois dedos adentrarem sua garganta, assustado, voltou o olhar a menina, que abaixou-se a altura do Shinigami e beijou-lhe a testa, sem sequer cessar seus murmúrios. Depois disso, apenas viu o breu.
OoOoO
“Eyes, your eyes. I can see in your eyes.”
Os orbes dourados abriram-se instintivamente, incomodados com os pequenos raios de luz que atravessavam a janela. Onde estava? Como estava? O quê houve? Uma dor imensa atingiu-lhe a cabeça, fazendo-o automaticamente levar uma das mãos até ela. Passou os dedos entre o cabelo escuro e gemeu em reprovação. O que tinha acontecido mesmo? Não lembrava. Só se lembrava de ter ido a uma missão com as meninas e depois alguns flashes brancos em sua mente. Ah, lembrava-se da escuridão. Não sabia o que era ou de onde veio, mas lembrava-se de algo escuro como a morte. Olhou em volta. Conhecia esse quarto. Era o seu quarto. Mas como raios havia vindo parar no seu quarto se estava em uma missão? Argh, talvez Liz ou Patty soubessem, certo? Aliás, onde elas estavam?!
O jovem levantou-se em um pulo da cama de casal e correu até a porta, abrindo-a rapidamente. Olhou o corredor, passou entre as escadas e desceu até a sala de estar. Elizabeth estava lendo uma revista qualquer enquanto Patty via tevê. Mas o quê raios ouve?
- Oe, Liz, Patty, o que aconteceu? – sentiu uma dor imensa em sua garganta, junto de um gosto horrível. Tossiu algumas vezes antes de voltar seu olhar para sua arma.
- K-Kiddo? – Liz parecia chocada. Kid a olhou confuso, mas ali obviamente não era o artesão fissurado em simetria e perfeccionista que conhecia. Muito pelo contrário. A pose que antes havia como um garoto sério e maduro havia mudado para uma fofa e com um ar ingênuo. O cabelo escuro que antes ia até seu pescoço, agora, descia sobre seus ombros finos. As roupas antes justas e muito bem expostas transformaram-se em largas e folgadas, dando um ar cômico ao menino. Ela não poderia acreditar em seus olhos, seu artesão, o filho do grande Shinigami-sama havia acabado de virar uma menininha fofa e ingênua. Kid era uma menina. O Kid. Uma menina. A loira não aguentou e caiu na gargalhada.
O menino – ou melhor, menina – a olhou, irritada.
- O quê houve com vocês hoje, heim? – Sentiu a finura de sua voz. Onde raio estava à voz grave que havia? – M-minha voz... O que houve com ela?
Passou os orbes dourados até o próximo espelho da sala. Não acreditava no que via. Havia uma menina ali, uma menina fofa e baixinha. Não era possível. Olhou para si mesmo, vendo as roupas folgadas e as mãos finas e pálidas. Ele era uma menina. Ele. Death The Kid. Mas o que diabos estava acontecendo afinal?
Notas finais
Reviews e eu termino. Se não, não.
Kissus All-Chan ~
Fale com o autor