Maledictions
2 Roupas apertadas, gritos histéricos e dinheiro contado.
Notas iniciais
O moreno, ou melhor, a morena deu um pequeno suspiro.
– Eu sinto muito Kiddo-kun, mas, não encontramos nada sobre isso. Eu mesmo não sei nada!
A voz abafada e fina atravessou ligeiramente o espelho, deixando a menor desconcertada.
– Hai Chichi-ue, eu entendo.
– Por hora, apenas aja normalmente querido!
Viu o espelho perder o brilho e o shinigami sumir, deixando apenas sua aparência feminina amostra. Liz entrou pelo quarto, vendo a garota encarando as mãos em seus joelhos. E a cabeça baixa. Sentiu até pena do pobre menino.
– Qual é Kiddo, ser menina não é tão ruim assim, falou?
A garota a olhou de canto e sorriu.
– O problema não é ser uma menina e sim saber como e por que de isto estar acontecendo, Liz.
Liz sentou-se ao seu lado, levando uma das mãos ao queixo.
– Bom, eu posso não ser a mais inteligente, mas tenho certeza que tem haver com aquela missão que fizemos.
– Da menina de capuz, certo?
– Uhum.
– É, precisamos achá-la.
Liz engoliu a seco e a encarou, indignada.
– E-está brincando, né?
Kidd a olhou sem emoções, como sempre. Mesmo como uma menina aquele típico olhar de nada o consumia.
– Ela me deve, Liz.
Liz se levantou, bufando.
– Você é louco, sabia? Aquela garota quase nos matou e você quer ir atrás dela! Não importa se está de sexo trocado seu idiota, o Shibusen pode dar um jeito nisso!
– Não seja tola Elizabeth, não concluímos a missão, e, como alunos reconhecíveis, temos a obrigação de terminar o que começamos! É parte da simetria da vida!
Pronto. Lá ia vir o papo de simetria outra vez.
– A vida possui simetria, Liz, simetria! O que há de nós sem ela?!
A loira sentou-se e encarou as unhas.
– A simetria é uma grande parte da vida, uma balança entre o bem e o mal. Devemos logicamente seguir as regras básicas para viver numa boa e civilizada sociedade. A sociedade depende das coisas boas e ruins, Liz. Já pensou como seria a vida se ouv–
– Ei, precisa de roupas novas.
Estava tão concentrado que mal percebeu a garota. Raciocinou um pouco antes de voltar seu olhar a ela.
– O-oi?
– Roupas, Kid. Você precisa de roupas de menina agora que tem o corpo de uma.
– Tenho certeza que estas estão ótimas, Liz.
Liz levantou e empurrou-o contra o guarda-roupa de madeira escura e polida. Liz era muito maior que Kid e como não fazia ideia da força de seu novo corpo, acabou assustando-se com o ato. Liz passou a mão entre os seios medianos do corpo dele e apertou firme, puxando-os levemente para cima. Kid engoliu a seco. Sentiu seu corpo esquentar e o sangue invadir suas bochechas brancas. – Vê? Eles vão começar a cair se não usar um sutiã, o que é perturbador caso saia na rua. Vai ficar parecendo uma velha. – As mãos grandes e muito bem ágeis desceram até a parte íntima do garoto, que deu um pequeno pulo. – Você não tem mais o seu brinquedinho, Kid. E uma garota com boxers é horrível, por isso, precisa de calcinhas. Sem falar que tem mais bunda que antes, idiota. Precisa de algo que não aperte tanto, agora que é uma menina. – Liz o soltou e pegou a bolsa entre o cabideiro, perto da porta. – Por isso, vamos às compras, certo?
Kid ainda estava totalmente desconcertado com o ato. Suas bochechas e parte íntima pareciam pegar fogo. Seu corpo estava em chamas. Liz olhou para ele, esperando a resposta.
– Kid?
O garoto saiu dos devaneios e assentiu, ligeiramente.
– H-hai.
OoOoOo
Havia várias sacolas, enormes. Cada um dos três carregava no mínimo cinco. Patty ria descontroladamente enquanto saltitava. Liz procurava mais lojas, totalmente descontrolada. E Kid, bem, Kid procurava desesperadamente algum motivo para sair daquele maldito inferno. Podia estar num corpo feminino, mas compras ainda continuavam sendo o mesmo inferno. Sapatos assimétricos, roupas incrivelmente caras e sem nexo nenhum de cor ou detalhe, modelos excêntricos e assimétricos, acessórios ridículos e assimétricos. Ah, obviamente tudo ali era assimétrico. Como Liz não conseguia enxergar que comprar tudo isso era puro exagero? Sair daquela forma repugnante era o mais óbvio a se fazer e quanto antes, melhor.
– Oe, Sammi! Olha que modelinho de vestido fofo!
Kid apertou os punhos entre as sacolas e virou para trás, forçando um sorriso. Sammi. Mal podia acreditar que agora, esse era o raio de nome assimétrico que lhe deram.
– Oe, falta um braço.
Liz riu e puxou a garota até o provador, entregando-lhe várias peças de roupas. Fechou a porta e deixou-o lá.
O olhar do garoto rodou entre várias e várias peças. Parecia que todas elas haviam algo errado. Uma hora era um botão fora da simetria correta, outra um pedaço mal colorido. Mas o quê raios havia com essa moda? Estava quase desistindo quando achou uma pequena saia de pregas azuis, estava obviamente presa a uma camisa de marinheiro branca amarelada com um enfeite inteiramente azul. Pelo menos aquilo, daria por um tempo. Colocou a peça na sacola e seguiu com Liz até outras lojas.
Já estava cansando demais daquilo, até que viu aquele cabelo azul esponjado e bagunçado em sua direção. Maldito Black Star, o que raios ele estava fazendo num shopping? Patty correu alegremente até o moreno, as risadas altas invadiram seu tímpano, junto com a voz fina de Tsubaki.
– Olá, você é parente do Kid?
Kid ergueu os orbes dourados para olhar fundo os olhos azuis noite da morena mais alta.
– Oh, olá.
Forçou um sorriso. Talvez fingir ser outra pessoa não seria tão má ideia assim.
– Sou sim. Faço parte dos... Hum, do grupo das linhas de sanzu. Shingami-sama me contatou para... Am, para poder ficar no lugar de Kid enquanto ele vê umas coisas na... Na Grécia! Isso, Grécia. Estou apenas a passeio.
Tsubaki sorriu e ligeiramente apertou a mão da garota. Kid não havia estendido a mão, Tsubaki instintivamente a pegou e apertou. Obviamente se soubesse que era Kid ali, nunca faria isso. Assim como Liz, as atitudes dela mudaram rapidamente. Mas por quê toda essa mudança repentina de comportamento?
– Okaeri, sou Tsubaki, é um prazer conhecê-la...
Kid estava pronto para reponde-la, mas Liz chegou obviamente com o bonde andando.
– Sammi, Sammi Death. Bonitinha né, Tsu-chan? Ela está de passeio com a gente enquanto o Kiddo-kun está fora! – As mãos de Liz atravessaram sorrateiramente seu pescoço, apertando-o contra seus seios. – Ela é uma gracinha, é super ingênua! – Kid corou automaticamente. Merda. Parecia que ele não havia controle algum sobre as emoções do novo corpo.
Tsubaki sorriu ao ver as bochechinhas brancas ganharem o tom avermelhado.
– Seja muito bem vinda então, Sam-chan!
Como se não bastasse Liz o apertando, encontrou o olhar do esverdeado praticamente despindo-o com os olhos. Aqueles olhos esverdeados. Conseguia sentir a luxúria saindo deles e arrancando cada peça de roupa que vestia seu corpo. Sentiu calafrios invadirem e uma sensação de nojo o consumir levemente. Black Star sorriu ao encontrar os orbes dourados o olhando e corou instantaneamente.
– Oe, quem é a mais bela entre as meninas? Um legítimo Deus como eu precisa conhecê-la!
Tsubaki sorriu e os apresentou. Kid custou para pegar na mão do azulado, que puxando seu pulso até o queixo, beijou calmamente as costas brancas e nuas da mão. Kid sentiu o corpo esquentar, mas obviamente sua alma e mente rejeitara totalmente aquela ação tão tremendamente estúpida. Desde quando Black Star agia formalmente? Argh, com certeza todo mundo estava com alguns sintomas da insanidade do Kishin.
Tentou descobrir alguns motivos para toda aquela loucura, mas nada lhe vinha à mente. Viu saírem todos juntos do Shopping, ouviu algumas cantadas idiotas do azulado, as risadas histéricas de Patty e quando deu-se por si, estavam finalmente na rua de casa. Tsubaki e Black Star iam logo se despedindo, falando algo amais a Liz. Simplesmente não estava nem um pouco com vontade de prestar atenção em algo. Só queria no mínimo, tomar uma boa ducha e um longo banho de banheira. Para resfriar a mente.
Correu até o andar de cima, pegando alguns sabões líquidos e algumas toalhas limpas. Liz o parou no caminho. Kid a olhou, sem muito interesse.
– Kiddo, coloque uma roupa bem sexy e fofinha, tá? Tsubaki convidou-nos para uma festinha na casa dela e do Black Star! Parece que toda a turma vai!
Pronto. Era só o que faltava.
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