Maldição Wilde
28 Capítulo 26
Notas iniciais
–Estou cansada. –Foi o que Sophia disse quando caiu deitada na cama. O dia havia sido bom, ela não podia negar, mas também cansativo. Um cansativo legal. –Mas ainda dá tempo de ouvir detalhes sobre o que houve com você e o Alex.
–Ah, não foi nada demais. A gente reatou depois de praticamente de uma formação de quadrilha entre vocês. E... Ele me deu o colar da mãe dele. –A ultima frase de Melina foi falada com um brilho nos olhos verdes. Quando ela acreditaria que ele seria capaz de algo tão lindo? Algo que fora tão importante pra ela.
Sophia praticamente pulou da cama nesse momento. A ruiva tinha os olhos brilhando ao encarar o colar no pescoço da amiga:
–Ai meu Deus Lina, isso é tão lindo. E o colar é perfeito. –Sophia sorriu de um jeito meigo. Deus, ela estava tão feliz por Melina e por Alex. Eles eram tão lindos e se mereciam demais. Os dois haviam sofrido e agora precisavam um do outro. Principalmente a amiga, com tantos problemas.
–Você está me deixando sem graça, okay? Eu sei que foi fofo. Mas fofura não é minha área, então, pare de me olhar com esses olhos de gato de botas fofuxos. Conte-me de você e do Ian.
–Conheci a mãe dele.
Foi à vez de Melina dar um pulo da cama:
–Como? E você não me conta isso? Little princess bitch! Agora conta!
–Falou a Queen Bitch. –Sophia riu. –Enfim, a mãe dele é uma graça e me aprovou. Ficamos conversando e deixando ele constrangido. E caramba, ela é gata. –“Seria uma diva, sem as drogas” completou Sophia em pensamento.
“Concordo plenamente.”
“Ah, fica xiu aí, ninguém te chamou.”
“Nossa Sophia, tão má... Espera, vou ali cortar os pulsos.”
“Odeio quando usa a ironia.”
–Falando em gatas senhorita Sophia, meu irmão faltou babar em você. Vou evitar que se encontrem agora, tipo assim, não sei se o Ian é ciumento não é? Espero que ele não seja, porque meu irmão geralmente vem me visitar e aposto como na próxima visita ele vai querer te ver.
–Larga de ser boba. –Sophia corou levemente encarando o chão. –Nada á ver, ele foi educado.
–Aham, coitadinha, conheço meu irmão. Mas enfim, se o Ian não tivesse visto primeiro, eu até daria um jeito. –Ela riu mais quando viu o rubor no rosto da amiga. –Ai Soph, só você mesma pra ficar linda corada. Agora, vamos dormir, sim?
–Vamos.
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A ruiva havia saído mais cedo da aula mais uma vez. Havia terminado as tarefas e a professora lhe liberou já que a ruiva iria ter que ficar mais meia hora olhando para o teto se ficasse na sala. Pra Sophia não significava muita coisa, já que todos os seus amigos ainda estavam na sala e ela acabaria não fazendo nada.
–Olha quem eu encontrei.
–Olha quem eu não queria encontrar. –A ruiva revirou os olhos e seguiu andando, sem nem olhar pra trás.
–Saindo mais cedo da sala ruiva?
–É. Sua irmã está lá então está na direção errada Rafael.
–Estou na direção certíssima. Afinal, acabei encontrando uma ruiva linda, sozinha, que desperdício não?
–Desperdício é sua existência.
“Boa.”
“Eu tento.”
Rafael ficou em silêncio e Sophia abriu um sorriso sarcástico que ela nem sabia que era capaz de dar. Continuou andando, nem sabia que direção estava indo, só sabia que a praga estava seguindo ela. Deus, porque ele não saía do pé dela?
–Soph... Deve ser difícil não é? Toda vez que me vê.
–Ver sua cara? Difícil? –Ela riu, mais uma vez com sarcasmo. –Demais.
–As lembranças...
–Estão trancadas, seladas e eu não me permiti mais sofrer por elas. E se eu fosse você, não ficaria lembrando também. Escapou por muito pouco não é Rafael? Da justiça.
“Mas não de mim. Filho da mãe. Sophia deixe-me entrar. Você já está num reformatório, o que tem mais á perder? Deixe-me dar uma lição nele.”
“Não. Sei suas intenções. Não vou perder minha honra com ele.”
“Você já perdeu.”
–Quem acreditaria em você? –Rafael deu de ombros e a alcançou rapidamente ao apertar o passo.
–Vai para o inferno Rafael.
–Eu diria o mesmo, mas você já está nele.
–A sua cabeça deve ser um. –Sophia falou com um nojo estampado na voz.
–É, estou atrapalhando? –Uma voz feminina soou. A mulher tinha voz firme, cabelos que começavam vermelhos e terminavam loiros e penetrantes olhos azuis. Muito bonita.
–Não, de jeito nenhum. –Sophia fuzilou o ex namorado com o olhar.
–Ótimo. Você é Sophia Merenwen?
–Sim, sou.
–Sou sua psicóloga, Ruby Hoffman. Prazer. Eu soube que saiu mais cedo da aula e resolvi iniciar nossa sessão mais cedo.
–Claro. –Soph estava confusa. Melina havia dito que eles só arranjavam psicólogas quando você tenta se matar ou matar alguém. E ela não havia feito nenhuma dessas coisas. Mesmo assim, estava agradecendo á Deus á existência dessa mulher, afinal, ela a tirou de perto da praga que um dia ela chamara de namorado. –Com licença Rafael.
E as duas saíram.
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–Então você foi acusada por calúnia e difamação.
–Sim.
–E você mentiu mesmo?
Sophia sentiu vontade dizer “Não”, mas sabia que ninguém acreditaria. Então desviou seus olhos para o relógio e viu que já era hora de a sessão acabar. Para a graça divina, porque aquela pergunta seria constrangedora:
–Nossa sessão acabou senhorita Hoffman. –A ruiva sorriu gentilmente, o sorriso de quando queria manipular alguém ou esconder as lágrimas. –Foi um prazer conhecê-la.
–Claro. Sophia, antes de ir, quero que saiba uma coisa: Pode confiar em mim. Estou aqui pra ajudar você.
“Duvido.”
“Sim, eu também.”
–Claro, claro.
–Depois de amanhã, mesma hora, mesmo lugar.
–Tudo bem. Até.
E a ruiva saiu apressada da sala, louca pra se livrar de uma vez daquela psicóloga. Porque, todos os seus problemas, eram resumidos á aquele maldito dia e á aquela maldita pessoa. E ela não poderia falar nada. Nada mesmo. Aquilo que Makayla havia dito... Detestava pensar que era verdade.
“Ah Soph, qual é? Sabe que eu não falei por... Esquece”.
Aquilo, prender a informação na garganta e ver todos a acusando por algo que ela não fez, era horrível. Fazia o coração doer e doer demais. Já não bastava a presença de Rafael ali, a atormentando sempre. Sentiu uma tontura rápida e iria cair se dois braços não tivessem a segurado. A ruiva olhou pra cima e encarou Alex:
–Hey Soph, onde estava? Estávamos todos preocupados.
–Psicóloga. Arrumaram uma pra mim.
–Você está pálida.
–Não é nada, Alex... Estou bem, juro.
“Ele não vai cair nessa”
“Makayla, já é ruim ter você aí, por favor, só fale quando possuir o meu corpo, obrigada.”
–Não acredito nisso. Se eu não tivesse aparecido, você teria caído. Vem, vamos conversar.
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Biblioteca como sempre. Foi o lugar calmo pra onde Alex levou á amiga, sempre com um braço a segurando gentilmente para caso ela caísse. Não confiou quando a ruiva dissera que estava bem. E lá estava ele agora, fazendo-a se sentar e encarando os olhos azuis:
–Sophia, eu sei que a primeira visita á psicóloga é complicado, mas...
–Não é nada disso. É coisa minha Alex. Sério, estou bem agora.
–Rafael andou te atormentando?
–Também. –A ruiva massageou a cabeça. –Mas já estou acostumada com ele. Estou colocando ele no devido lugar.
–E esse lugar seria?
–Debaixo dos meus pés.
“Boa. Está aprendendo.”
Alex até assustou com a resposta imediata que saíra da boca de Sophia:
–Nossa. Até arrepiei agora. –O loiro sorriu e pegou as mãos delicadas. –Soph, quero que saiba que eu te vejo como minha irmãzinha. Que pode contar comigo pra qualquer coisa, qualquer conselho, se quiser que eu bata em alguém ou simplesmente querer um ombro amigo. Eu estou aqui. Odeio ver isso. Você sai por aí ajudando as pessoas, quebrando os muros que elas criam em volta de si, mas o seu muro você não derruba. Acha que eu não vejo? O jeito que você se esconde, esconde seus sentimentos. Sophia, você cuida de todo mundo e nos nega o direito de cuidar de você, isso não é justo.
–Concordo plenamente. –Melina falou se aproximando. –Ele tem razão em tudo que disse.
Soph encarou o chão. Como explicar para eles que estava morrendo sufocada justamente porque não podia falar nada?
–Cuida dela. –Ouviu Alex sussurrar pra Melina e sair da biblioteca enquanto a morena se sentava ao lado de Sophia.
–Quer me contar? –Lina olhou para Sophia tentando desvendar no mar daqueles olhos azuis, tentar achar qualquer coisa que ajudasse. Detestava aquela parte de Sophia. A ruiva saía descobrindo e resolvendo os problemas de todo mundo, mas os problemas dela, ela guardava.
A ruiva não disse nada. Apenas abraçou a amiga e chorou. Começou á chorar todas as lágrimas que havia guardado desde que entrara naquele reformatório. Chorou por tudo que aconteceu, pela justiça não ter funcionado, por ter que ver Rafael todos os dias e fingir que ele não o afetava, por ter tantas rachaduras dentro de si. Mais uma vez ela estava chorando por não poder ser consertada.
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