Maldição Wilde
29 Capítulo 27
Notas iniciais
–Taylor! –Melina estava quase arrombando a porta do quarto. –Abre a droga dessa porta ou eu juro qu...
–Que porra você quer?! –Lina deu um pulo quando o loiro abriu a porta de repente, revelando alguém que ela não via há muito tempo. Um cara com olheiras, pálido e com os olhos comprimidos pela claridade do Sol, que ele por acaso não via a pelo menos dois dias.
A morena fungou ao sentir um cheiro conhecido. Chegou perto do garoto e arrastou seu faro apurado pela roupa dele. Ao reconhecer o odor, olhou-o ameaçadoramente.
–Você está fumando?
Taylor cheirou as próprias roupas e fez uma cara de desgosto.
–Eu tomei um banho de perfume antes de abrir a porta, como você percebeu?
–Fumei pela primeira vez aos quatorze anos, lesado...
Ela adentrou o quarto vasculhando as gavetas à procura da cartela. Acabou encontrando embaixo do travesseiro.
–Sério? Duas? Qual o seu problema, Taylor? –Lina o repreendeu.
–Qual o seu problema? –Ele retrucou. –Seu eu quiser me matar eu me mato? Seu eu quiser fumar e matar meu pulmão, eu mato!
–Isso é por causa da Kathleen?
–Não. –Ele cruza os braços e vira o rosto para o lado.
–Não, claro que não. –Ela jogou as cartelas em cima dele, que por reflexo desviou. Ela sabia que ele estava mentindo. –Seu idiota! Não é assim que ela vai te querer de volta.
–Isso não é da sua conta! E você não sabe como é! Não é como se o Alex e você estivessem juntos na época e que aquele beijo tenha sido uma traição. –Ela arregalou os olhos e decidiu ir embora.
–Fala comigo quando seu cérebro voltar ao normal.
(...)
Melina pegou três livros enormes na biblioteca, mas não eram suficientes. Ela odiava os trabalhos de Biologia, teriam que ser feitos à mão, dissertativos e todas as citações deveriam ter os devidos créditos.
“Como eu odeio a vaca da Lesson”.
"Fica tranquila, eu também odeio."
Ao deixar metade dos livros caírem, recebeu ajuda de quem menos esperava.
–Hey, cuidado. –Ian pegou os maiores e devolveu os outros exemplares.
–Obrigada.
–Vai precisar de um carrinho de mão. –Ele observou a garota pegar outros dois volumes extras terminando a lista com seis livros sobre genética.
–Diga isso para velha chata da Lesson.
Os dois se sentaram em uma mesa próxima e Melina pegou o caderno de anotações. Abrindo o volume sobre as Leis de Mendel e começando a escrever rapidamente o que deveria ser destacado.
–Se me permite perguntar. Que trabalho é esse?
–Ela passou há dois dias, e tenho mais dois para terminar. –Ela murmurou sem tirar os olhos do que estava fazendo.
–O Alex deveria ter me avisado. –Ela quis rir com a afirmação do moreno.
Alex tinha uma média perfeita, não tanto quanto a de Sophia, mas ele ganharia uma bolsa para faculdade facilmente, diferente do melhor amigo e da namorada, que havia sido expulsa de quatro escolas em dois anos. Agora a morena estava tentando recuperar o prejuízo.
–Não, não deveria. Se não tivesse chegado atrasado, teria participado da aula. Assuma as consequências dos seus atos.
–Você é má.
–Eu não sou má, só não ligo.
–Claro! A sua filosofia de vida é “Os ignorantes são mais felizes”. –Ela sorriu e abriu o segundo livro o jogando na frente de Ian.
Ele a olhou confuso. Se perguntou o que ela estava fazendo.
–O que? –Ela questionou.
–Eu não entendi.
–Não quer ajuda com o trabalho? –Ela aproximou sua mão do livro para pegá-lo de volta.
–Você vai me ajudar com o trabalho? –Ian levantou as sobrancelhas, cético.
–Sim. Algum problema?
–Você me odeia.
Ela suspirou e prendeu o cabelo com o lápis. Olhou para o garoto que continuava surpreso, até meio assustado.
–Eu gosto de você. –A morena o observou prender o ar e olhar para os lados.
–É algum pesadelo? Você vai acabar se transformando em uma vampira sanguinária que vai sugar todo o meu sangue?
–Ian. Acorda! Estaria tendo um funeral agora se eu te odiasse. Acredite em mim. –Ele engoliu em seco. –E talvez eu queira ser sua amiga, mas nunca achei algo que me aproximasse de você. –Ela se virou e continuou com suas anotações. –É feliz demais para o meu gosto. –Puxou o livro de volta.
Ele sorriu.
–Ou você é chata de mais para o meu gosto.
(...)
Eles iam em direção à piscina, logo depois do toque de recolher soar.
–Melina Wilde conversou com Ian Wolf sem ofendê-lo em momento algum? –Alex Burg estava prestes a gargalhar quando a namorado o impediu de fazê-lo, já que não seria muito normal deixar Alex dar risadas infinitas no meio do corredor e no meio da noite.
–Eu acho que o chamei de irresponsável, mas isso não é uma ofensa, é?
–Você o fuzilou com o olhar? –O loiro continuava com um pequeno sorriso no rosto que logo revelaria um divertimento maior com toda aquela situação.
Enquanto andavam silenciosamente pelo jardim, Melina olhou para os lados com medo de que alguém pudesse pegá-los.
–Não. Mas podemos parar de falar sobre o Ian?
Ele sorriu malicioso.
–E sobre o que você quer falar?
Ela piscou os olhos antes de falar e sorriu.
–Talvez... Sobre a sua nota em francês, Sr. Burg.
Alex bufou ao perceber a esperança se esvaziar do corpo.
A morena seguiu o namorado para a porta dos fundos que dava para os vestiários. Ela tirou a calça jeans e a regata, sentindo o olhar de Alex sobre si. Se não fosse tão segura de si, teria corado, mas o que fez vou sorrir maliciosamente como ele havia feito alguns segundo atrás.
–Ou podemos falar sobre a minha mãe querer te conhecer? –Ele sorriu novamente.
Ela parou um pouco, tentando se lembrar de como se respirava. Ele não poderia estar falando sério. Poderia?
–Sua tutora quer me conhecer, certo? –Alex também retirou as próprias roupas acompanhando-a até a borda da piscina.
–Ela não gosta quando eu a chamo de Grace, mas isso não vem ao caso...
–Com certeza não! Estou mais preocupada com as caixinhas música. –Ela ergueu as sobrancelhas e o observou ficar sem palavras. –É bem mais importante descobrirmos quem enviou a caixinha da Soph.
–Não vamos descobrir nada aqui... No reformatório.
–Certo e como sair? –Ela ficou séria.
–Não tenho ideia. Mas podemos resolver isso depois. –Ele a enlaçou pela cintura e olhou para a água. –Você vem comigo? Só não te puxo porque pode gritar.
–Claro. –Mas ela pula antes dele, fazendo a água voar em direção a ele, que antes de entrar já estava encharcado.
Ele pula também, fazendo a água voar mais ainda.
–Ainda me pergunto como você consegue sorvete e a chave da piscina. –Ela nadou para longe quando o viu se aproximar.
–Nem queira saber.
–Talvez você seja... Apenas um cara que não cometeu crime nenhum e está aqui para investigar a minha vida.
Ela se encostou à borda e mordeu o lábio.
–Acha mesmo que sou tão sujo assim?
–Talvez...
Ele tomou seus lábios com vontade e passou os braços por sua cintura, encontrando seu tronco com o dela. Melina, como sempre, colocou os dedos entre os cabelos dele, descendo para o pescoço e em seguida para o início das costas.
Alex desceu as mãos da cintura da garota para suas coxas, fazendo-a passar as pernas por seu quadril. Ela estava quente, algo que não acontecia com frequência. Os lábios dele estavam descendo para o pescoço da morena quando um luz forte invadiu o local, os revelando.
–Vocês dois, voltem para os quartos, amanhã vão ter uma conversinha com a diretora. –Logo em seguida, o inspetor saiu deixando os dois adolescentes saírem da piscina e voltarem para os respectivos dormitórios.
(...)
Melina olhou para as unhas pintadas de preto e balançou a perna, impaciente, enquanto esperava ser chamada para a diretoria.
Sophia havia dito para Alex que tudo iria se resolver e com sorte ele não seria transferido. Já com Melina era mais complicado, ela estava literalmente enlouquecendo.
“A morena se deixou cair na cama, logo depois de chegar ao quarto e acordar Sophia, que havia adormecido lendo, com um grito.
–Eu não quero que ele venha me ver, ruiva. – Ela estava a ponto de chorar.
–Fica calma, afinal seu irmão não é seu responsável?
–É, mas aquela mulher me odeia e faz de tudo para me ferrar.
–A culpa é meio sua.
–Lógico que é. Ninguém me forçou a quase transar com o Alex na piscina. Mas ninguém forçou aquele inspetor idiota estar lá.
–Lina, é o trabalho dele.
–Sophia, eu estou tentando aliviar a culpa, deixa a sua mania realista de lado pelo menos agora, merda.”
–Amor, para de balançar a perna. –Alex colocou a mão sobre a coxa dela, a forçando a diminuir o ritmo do balanço. Ele sorriu tentando acalmá-la.
–Eu não consigo.
–Isso não é medo dele vir, é um tique, Lina. Você está sempre fazendo isso.
Ela se calou e ouviu o som da porta se abrindo, revelando a diretora com uma carranca olhando para o casal.
–Podem entrar, por favor.
Os dois se dirigiram ao local e se sentaram em um pequeno sofá no canto da sala. A garota ficou olhando para a parede, mordendo o lábio.
–Muito bem. Os dois desrespeitaram não apenas uma, mas três normas do instituto. Relacionaram-se amorosamente com outro interno, saíram do dormitório após o toque de recolher e entraram em local restrito para alunos com exceção de aulas especiais. –Ela fez uma pausa. –O que têm a dizer sobre isso?
–Não irá se repetir.
–Você pode dizer isso, Sr. Burg, mas e quanto a Srta. Wilde?
–Eu assumo os meus atos e aceito a punição. –Ela disse, em um fio de voz.
–Ótimo, eu estava esperando uma razão maior para isso, mas sinceramente, a senhorita é um caso perdido...
–Como assim? –Alex questionou.
–A senhorita será transferida.
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