Notas iniciais
Gente esse é um caítulo novo dentro da história, pois eu achei que não estava legal o decorrer dela.

Capítulo 4

"Desejar que algo de bom aconteça é como esperar que no mundo não haja mais guerra, mas incrivelmente meu coração continua desejando o inalcançável.”



— Realmente Lady Devonshire, seu marido é uma beldade. — disse Lady Essex fitando Dimitri, que estava conversando com seu marido.

— Sim, ele é bonito. — disse sem prestar muita atenção.

— Está procurando alguém? Eu conheço todos da festa, posso responder se via a pessoa. — Lady Essex, era uma mulher amável, embora às vezes fosse meio inclinada a fazer fofocas. Eu gostava de conversar com ela, mas hoje em especial eu não estava confortável em conversar com outras pessoas, principalmente se elas percebiam minha alienação e o vagar de meus olhos para a entrada da mansão a cada segundo, vigiando quem entrava e saía.

Meus olhos percorriam o ambiente a procura de algo. Ou alguém. Quem eu queria enganar? Eu queria vê-lo de novo, mesmo sabendo o quanto seria perigoso para mim e ele. Mas talvez ele já nem quisesse mais nada comigo. Era isso mesmo, ele já havia se esquecido de mim e encontrado alguém melhor que eu. Alguém que não se negasse a suas investidas. Senti um aperto no coração ao cogitar essa idéia.

— Desculpe-me, mas o que foi que disse? — perguntei, voltando minha atenção para Lady Essex.

— Não era nada, Lady Devonshire. Passar bem. — disse se afastando. “Tudo bem, talvez ela não fosse tão amável assim, mas quem poderia culpá-la?”

Senti alguém tocar meu ombro e me virei. Um dos criados estava com uma bandeja de prata nas mãos onde havia varias taças de vinho tinto. Ele ergueu disfarçadamente a bandeja na minha direção, como se estivesse oferecendo-me uma das taças e me entregou um papel com sua mão livre, olhou-me com um olhar malicioso. Eu o olhei, surpreendida e ele sussurrou:

— Um Lorde mandou lhe entregar, não me disse o nome, mas disse que Milady saberia quem ele é. Com sua licença.

Ele se afastou enquanto eu ainda piscava meus olhos, surpreendida. Fui para o canto do salão e abri o papel, meu coração parecia que saltaria pela boca, enquanto eu lia a nota:

“Está especialmente frio esta noite; espero vê-la ainda hoje para que possa esquentar-me, com seus beijos quentes e deliciosos os quais não consigo esquecer nem por um segundo. Encontre-me na biblioteca daqui a dez minutos. Se não comparecer, não sei se conseguirei ser sensato o bastante para não ir atrás de você em pleno baile.”

Com amor, D.

— Desgraçado. — sussurrei. Como eu fugiria dele agora? O maldito conseguiu me instigar com apenas uma nota. Pensar em seus lábios sobre os meus novamente é mais do que poderia suportar e continuar com minha sanidade intacta.

Eu olhei pelo salão, mas não o vi em nenhum lugar. Havia uma semana desde que ele me seguiu até jardim da mansão Deveraux. E eu não havia apagado a memória dele, pelo menos não completamente. Por que eu não apaguei sua memória? A resposta era simples: eu queria que ele se lembrasse de nosso beijo, assim como eu lembrava. Ele seria realmente capaz de vir atrás de mim em um lugar repleto da nobreza londrina. Eu não ficaria aqui para correr o risco. Mas como fugiria de Dimitri?

Afastei-me de todos disfarçadamente e entrei em um corredor que, intercalava com vários outros, onde havia varias portas de madeira. Em muitas delas eu podia ouvir gemidos, não audíveis para pessoas normais, mas para minha audição melhorada era como se estivessem gemendo em minha orelha. Os humanos essa noite estavam praticando um de seus jogos favoritos. A traição.

Eles apreciam a sensação do perigo a qual se encontram; enquanto seus maridos e suas esposas interagem com o restante dos convidados, eles estão os traindo desavergonhada e prazerosamente com seus amantes nesses quartos. O cheiro de sexo era tão denso, que eu poderia ficar sufocada. Desde que o mundo era mundo isso acontecia e parece que quatrocentos e noventa e nove anos que vivi não foram suficientes para mudar a imoralidade.

Os corredores em si estavam vazios e intercalavam com vários outros. Ouvi um movimento e segui o som que não estava tão abafado quanto os que saiam dos quartos; o que queria dizer que havia alguém no corredor.

Encontrei uma criada no meio de um desses corredores. A pobre garota estava vermelha, com os cabelos negros desalinhados e as roupas amassadas, lágrimas escorriam por seus olhos. Na certa fora vitima de algum desses velhos nojentos. Afinal o que poderia fazer, ninguém acreditaria nela. Era a palavra dela contra a palavra de um Lorde. E Londres não era conhecida por seus habitantes com grande senso de justiça.

Meus olhos brilharam vermelhos ao sentir o cheiro de sangue. Sangue virginal. Ela foi estuprada.

— Querida, venha aqui. — eu a chamei, ela aproximou-se receosa. — Onde fica a biblioteca?

— No corredor à direita, Milady. — ela disse limpando os olhos.

— Obrigada. — ela assentiu e ia se afastar, mas eu a segurei. — Espere. O que aconteceu com você?

— Nada. — ela disse nervosamente.

— Não precisa ficar com medo de mim. Não quero lhe fazer mal. Não importa o que você disser eu vou acreditar em você.

— Eu... Eu... — ela olhou-me com duvida brilhando em seus olhos, mas em fim decidiu contar-me a verdade. — Estava no quarto, arrumando a cama dos senhores da casa, quando... Um dos Lordes entrou, eu não queria, mas ele... Empurrou-me na cama e... Encostou suas mãos em mim. E depois... Eu acho que o matei. — ela novamente debulhou-se em lágrimas.

— Não diga mais nada. — eu a interrompi. Ela se encolheu com medo de mim. — Não precisa ficar assustada. Quero saber onde ele está.

— Ele está no quarto dos senhores. Eu juro que não queria...

— Pode deixar. Eu irei ajudá-lo e me certificar de que ele está bem. — certificar-me-ia também de que ele nunca mais voltasse a abusar de uma menina.

— Oh Milady, não sabe o quanto sou grata.

— Não é nada de mais. — disse carinhosamente, eu já fui uma mocinha tola abusada por um desgraçado poderoso.

— Ele é seu. — eu puxei de meu dedo um anel de esmeraldas e a entreguei. — Vale cento e cinqüenta libras. Vá embora dessa casa, arranje um emprego longe daqui e longe dessa gente

— Mas Milady...

— Fique com ele. — eu me afastei, deixando-a atônita no meio do corredor. — Diga-me onde é esse quarto.

— No andar de cima, a ultima porta do corredor. — eu a deixei e subi a escada que dava ao andar de cima. Havia mais portas naquele andar, mas encontrar a porta certa foi fácil, já que a pobre garota estava tomada pelo cheiro de sangue e do homem que a estuprou.

Entrei no quarto de onde exalava o cheiro do Lorde. Para minha surpresa o Lorde abusivo era Duque Hugo Clarence. O inepto era sócio de Dimitri em algum tipo de negocio sujo que eles praticavam. Dimitri não ficaria nada feliz em saber que matei seu sócio, mas o desgraçado merecia uma morte lenta e dolorosa.

Eu não tinha nenhum problema em matar alguém, desde que essa pessoa não fosse um inocente, mas quando não passava de um estuprador asqueroso, matar me dava muito prazer.

Ele estava levantando-se do chão a garota batera na cabeça dele com força, muito provavelmente usando o abajur que estava caído no chão. Ele olhou para mim com os olhos arregalados, mas logo seu olhar tornou-se luxurioso, o que me deu ânsia de vomito.

— Venha aqui gatinha, o titio vai te dar muito prazer. — porco bêbado mal se agüentava em pé. Ele ficou nervoso ao ver minha expressão de nojo e tentou vir até mim, mas ele cambaleou e caiu no chão.

— Levante-se, seu porco normando. — usei uma expressão que há séculos atrás usei frequentemente ao me referir ao marido de minha irmã mais velha. Ele a havia seqüestrado em pleno território real, perto do castelo do rei e a havia obrigado a casar com ele.

Hugo Clarence xingou-me de cadela e tentou engatinhar até onde eu estava parada, agarrou em minha perna as acariciando e jogou-me um olhar de desejo. Eu o chutei para longe de mim, não suportando o toque de algo tão asqueroso.

— Você, seu velho nojento, não fará mal a mais ninguém a partir de hoje.

— E você acha que uma criadinha suja como você pode fazer algo contra mim? — ele estava pior do que eu imaginava, estava tão bêbado que estava confundindo-me com a criada que ele abusara há pouco.

— Eu não sou uma criada. — eu o peguei pela lapela e o segurei no alto. Suas pernas balançavam de um lado para o outro e suas mãos tentavam inutilmente soltar a minha de seu casaco. — E ao contrario do que você pensa, eu posso fazer muito contra você.

Meus olhos ficaram vermelhos repentinamente e pus minhas presas para fora. Senti a excitação e o cheiro do medo dele me atraiu ainda mais. Seu rosto murcho ficou mais pálido do que já era e seus lábios perderam a cor. Então o cheiro de urina preencheu o local invadindo minhas narinas. Ele estava urinando em suas calças com medo de mim. Eu não o julgaria por isso, mas mesmo assim isso era patético. Eu afastei seu corpo do meu para que não sujasse minha roupa.

— Não grite! — eu ordenei. — Você é patético. Não está tão corajoso agora, não é?

Eu avancei em sua garganta e o mordi rapidamente, suguei até que suas forças fossem todas drenadas. O joguei no chão ainda vivo e inutilmente ele tentou se arrastar para longe de mim. Eu pisei em sua perna quebrando-a e ele gemeu de dor.

— Por favor. Por favor. — ele sussurrou.

— Por favor? Acaso a pobre menina que você estuprou também não pediu, por favor? Lembra-se dela não é? Ou será que ela é tão pouco importante que você não se lembra dela, dez minutos depois de usá-la. Você teve piedade da garota que tinha idade para ser sua neta? Responda seu rato bêbado. Quantas garotas mais você usou? — pisei novamente em sua perna e ele gritou.

— Eu darei dinheiro a ela, a todas elas, eu peço desculpas. — ele implorou.

— Ora, e quanto à humilhação que ela passou? A inocência que você tomou? Dinheiro não irá ajudá-la a esquecer, Dimitri. — eu estava ficando louca, distorci a situação e na minha frente eu só enxergava minha situação com Dimitri.

— Meu nome não é...

— Cale a boca. — eu chutei seu estomago com força. — Você não irá mais me machucar, ou a qualquer outra. — eu sentei em seu peito de frente para seu rosto, minhas mãos contornaram sua cabeça ligada ao corpo por seu pescoço empapuçado, que em minha mente era o pescoço de Dimitri; rodei sua cabeça fazendo com que os ossos estalassem e sua cabeça saísse do lugar, deixando-a rolar para longe de mim, onde olhos mortos encaravam-me assustados, mas sem vida por trás deles. O sangue jorrou pelo chão rapidamente e eu levantei antes que sujasse meu vestido e provocasse a ira de Dimitri, por sorte ele era vermelho não seria possível distinguir algum resíduo.

Sai do quarto e quando estava indo em direção ao salão, minha mente limpou-se de todo o ódio que anuviava minha visão, lembrei-me do que eu estava indo fazer anteriormente. Os donos da casa teriam uma surpresinha esta noite, quando fossem para o quarto. Eu mudei minha direção.

Parei em frente à porta dupla de madeira maciça que era a porta da biblioteca. Minha mão ficou sobre a maçaneta o que pareceu uma eternidade, enquanto eu decidia o que deveria fazer da minha vida. Era agora ou nunca. Eu estava indo ser mais uma entre tantos? Eu estava pronta para ser mais uma adultera da sociedade? Pode apostar que sim.



Notas finais
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