Maldito vampiro.
24 Voltando para o inferno
Notas iniciais
Capítulo 23
Murmansk
Estávamos em uma estalagem no meio de algum lugar da Rússia. A noite se encontrava fria e o lugar que estava caindo aos pedaços era uma porcaria suja e fedorenta. Dimitri veio para esse lugar para se manter camuflado, obviamente. Os homens que trabalhavam para ele não poderiam sair ao sol, logo deveriam ficar em um lugar onde não chamariam a atenção alheia, nem sofreriam algum tipo de pergunta. Logo reconheci o lugar, era a estalagem suja e nojenta que Edward havia trocado os cavalos.
Passamos uma noite e um dia aqui, havia duas semanas desde o ocorrido nos jardins do palácio real. Afastei de minha mente aquela cena. Lembrar era mais doloroso ainda. Eu não acreditei nem por um minuto que Dimitri nos deixaria em paz se Edward aceitasse ficar comigo, mas ouvi-lo dizer que me repudiava...
— Prepare logo esses malditos cavalos! Já estou farto de ficar nesse país de porcos. Todos fedem nesse lugar. — Dimitri berrou aos trabalhadores da estalagem. — Tragam minha encomenda!
Ele ainda arrastava-me pelo braço, quando se dirigiu ao dono da estalagem, um senhor nojento que praticamente me comeu com os olhos. Ele o informou que estávamos indo embora.
Disse também que levaríamos seu novo brinquedinho. O homem entrou novamente e logo depois voltou arrastando uma menina com ele. A garota muito nova já apresentava muitos sinais de maus tratos; ela tinha o cabelo bastante claro, embora estivesse visivelmente sujo e os olhos azuis estavam molhados pelas lágrimas. Seu corpo era magro e pequeno, ela estava subnutrida.
— Aqui está ela, Milorde. — ele a empurrou de frente para nós e a manteve presa pelo braço. — Ela é um pouco arisca, mas obedece logo após tomar algumas sovas. Amaciar a carne dela, se é que o senhor me entende. — ele deu um sorriso com seus dentes podres o que me enojou mais ainda.
— Eu falei que a queria limpa e sem nenhum machucado quando eu a pegasse.
— Mas ela tentou fugir, Milorde. Ela precisava de uma lição. Minha filha tem que ser castigada. — Dimitri deu tapa no rosto sujo do homem, que vou longe e logo se arrastou para longe de nós.
Eu quase vomitei com essa afirmação. Esse homem era um animal asqueroso. A pobre menina deveria sofrer muito em suas mãos, não apenas machucados como também sexualmente. Dimitri ignorou o homem e pegou a pobre menina tão violentamente quanto o outro homem e a jogou dentro da carruagem, logo após foi a minha vez. Não sem antes um aviso de que me comportasse. Ele jurou que daria a garota para seus outros servos vampiros, para que se divertissem com ela durante toda a viagem. Ele sabia o quanto eu era diferente dele e que eu não poderia ver isso acontecer.
— Não precisa tratá-la assim, não vê o quanto ela já está machucada? — eu entrei na carruagem e abracei a menina que chorou em meus braços.
— Por acaso alguma vez me importou que você estivesse machucada? — eu o olhei com ódio, sabendo que ele nunca ligou para meu bem estar, ele próprio me machucava constantemente. — Por que você acha que eu me importaria com uma porca russa.
— Por que a trouxe, então? — eu sussurrei.
— Acredite, ela estará muito melhor comigo do que com o pai dela. Ele a usava como prostituta dos clientes e para ele próprio. Pelo menos em meu poder, ela será apenas meu brinquedo. E de alguns outros talvez, mas pelo menos viverá em uma mansão. — a garota chorou novamente e eu acariciei seus cabelos, enquanto Dimitri fechava a porta e se dirigia a outra carruagem, fugindo de minha pergunta. Logo a nossa estava em movimento também.
— Qual o seu nome? — perguntei tentando acalmá-la, eu acariciei seus cabelos sujos.
— Lissa. — ela sussurrou.
— Tudo bem, não precisa ficar nervosa. Estamos só nós duas por enquanto. Eu quero lhe dizer que embora Dimitri seja bonito, ele também sabe ser um demônio. — ela ficou ainda mais assustada. — Oh, por favor, não chore! Eu estou tentando ajudá-la. Não quero que seja igual a mim. Já tentei fugir várias vezes, mas ele sempre conseguiu me trazer de volta. Você tornará sua vida muito mais fácil, se você for diferente de mim. Somos vampiros e você provavelmente se tornará uma também. Entende?
Ela assentiu e eu me senti mal por ela. Era horrível ter que dizer a uma pessoa, que ela não tinha escolha a não ser aceitar um destino tão maldito quanto esse. Ficar a mercê de um demônio em pele de cordeiro, que a humilharia e a machucaria. Eu estava na duvida se chorava por ela ou por mim. Seguimos viagem até o porto de Murmansk, onde pegaríamos uma embarcação para a Inglaterra. Entramos em um navio que pertencia a Dimitri. O navio era impecável, como tudo que Dimitri tinha ou fazia. Acomodaram-me na cabine dele, enquanto a menina foi levada para a área da tripulação. Eu sabia muito bem o que aconteceria com ela lá, mas não tinha como controlar, ou impedir.
Dimitri entrou quando já estava quase amanhecendo e meu corpo estava ficando fraco de mais para eu ficar acordada. Ele sentou em uma cadeira e ficou me encarando durante um tempo com seus olhos frios; por ele se muito mais velho, o sol não tinha efeitos nele, pois apenas vampiros com menos de mil anos eram enfraquecidos pelo sol, já que nosso sangue ainda era jovem e vulnerável demais. Olhou-me até que eu fui totalmente envolvida pela inconsciência. Meu ultimo pensamento, foi o quanto eu queria que Edward estivesse comigo, aqui e agora. Amando-me.
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