Maldito vampiro.
25 Meu nome é Rurik de Novgorod
Notas iniciais
Capítulo 24
São Petersburgo, Palácio de Catarina.
Edward
— Por que você não se importa mais com ela? Até ontem mesmo você disse que a amava. Ela não teve culpa pelo o que aconteceu. — Eric tentava colocar um pouco de juízo na cabeça de Edward, já que parecia que o imbecil havia se fechado para o mundo, enquanto estava deitado em sua cama chorando como uma mocinha. Fazia dois dias que ele não saía da cama, nem ao menos agüentou ir ao enterro do irmão.
— Ela era um deles. O marido dela matou meu irmão. — ele disse com a voz repleta da angustia que, assolava seu peito.
— Se eu me lembro bem, foi você quem a trouxe aqui contra a vontade dela. Ela é só mais uma vitima nas mãos daquele desgraçado. Você acha que essa foi à vida que ela pediu a Deus? Ela foi transformada à força por ele.
— Como você sabe? — Edward o olhou.
— Ela me disse, ora essa. — ele disse exasperado.
— Então você sabia que ela era um deles e não pensou em me dizer? Meu irmão está morto por sua causa. — Edward disse gritando, mas mesmo assim, nem a raiva foi capaz de fazê-lo levantar da cama. Ele estava fedendo e sujo de bebida. Não havia melhor modo para um homem desgostoso da vida, afogar suas magoas do que nas bebidas alcoólicas.
— Não me culpe por suas burradas, seu principezinho de bosta. Estou farto de vê-lo aí nesta cama se lamentando por algo que não tem volta. Eu posso até entender que você não queira ir atrás dela por medo da criatura que é o marido dela. Mas não a culpe na minha frente. Ela o amava e isso era nítido. Adrian sabia que ela era uma vampira, pois eu mesmo contei a ele e a seus pais e nenhum deles a culpou pelo destino miserável que ela teve. Embora seus pais temessem por sua vida. — ele puxou o lençol que Edward se cobria, expondo seu corpo ainda vestido com a mesma roupa de duas noites atrás, quando aconteceu o assassinato de seu irmão. — Adrian teria vergonha de você.
— Todos sabiam menos eu. — Edward se lamuriou, como se não houvesse escutado uma única palavra de Eric, o que tirou todo resquício de paciência que sobrara em Eric.
— Já chega, levante esse maldito traseiro real desta cama, ou eu mesmo o expulsarei daí. — Edward não se moveu, ele nem mesmo parecia estar ouvindo o que seu amigo dizia; Eric segurou na ponta do colchão e o puxou, jogando Edward de bruços no chão.
— Diabos, o que você pensa que está fazendo? — Edward berrou ao se levantar, já havia uma sombra de barba crescendo em seu rosto e a pele de baixo dos olhos estava funda, como se ele não houvesse dormido a noite, o que era muito provável.
— Estou fazendo, o futuro Czar da Rússia, sair de seu pequeno mundinho de autopiedade e enxergar que há uma nação inteira que precisará de sua atenção.
— Eu não serei o novo Czar. — ele disse com os braços caídos ao lado do corpo e as mãos serradas em punhos.
— Quem então? Napoleão Bonaparte? — Eric perguntou trincando os dentes.
— O marido de Isabel, talvez. — Edward deu de ombros, não dando atenção a raiva de Eric.
— Não creio, ele é um parvo. Não tem capacidade para comandar todo o Império Russo.
— Eu não me importo. Não me importo com mais nada. — Edward começou a chorar, estava mais bêbado que um gambá, e a bebida libertaram as emoções presas dentro dele.
— Oh, claro. Você é a vitima não é mesmo? — disse Eric sarcasticamente. — Pobrezinho, passou a vida sofrendo e agora só quer pensar em si mesmo.
— Eu nunca disse que era a vitima. Apenas não quero tomar o lugar de meu irmão. Não sou digno dele.
— Esse lugar sempre foi seu, idiota. — Eric disse antes que pudesse se conter, mas devido à situação em que estavam, não tinha mais escapatória além de contar toda a verdade para Edward.
— Como assim? Do que está falando. — Edward cambaleou em direção a Eric, que o segurou para que não caísse.
— É uma história muito longa. A qual você precisa saber todos os detalhes. Entende que eu preciso que você preste muita atenção ao que vou lhe dizer? — Edward assentiu e Eric suspirou pesadamente, embora não fosse necessário fazê-lo. — A primeira coisa que deve saber é: sou eu, também, um vampiro.
Edward não pode dizer nada. Seus olhos piscavam atonitamente, provavelmente havia escutado mal o que o homem que conhecera por toda sua vida dissera. Como ele não disse nada, apenas uma sombra anuviou em seus olhos, Eric continuou contando sobre sua história.
— Eu tinha quarenta e três anos quando fui transformado a cerca de mil e quinhentos anos atrás, quando ainda morava na Suécia. A Rússia ainda era um território divido, havia mais de quinhentas cidades fundadas por diversas tribos eslavas todas banhadas no sangue e no caos. A terra era fraca e os habitantes embora fossem fortes, lutavam entre si como animais. Mais ou menos quinhentos e dez anos depois de eu ser transformado, eu havia reunido uma riqueza considerável, e os habitantes começaram então a clamar para que comerciantes Varegues governassem a região, para que assim trouxessem riquezas...
— Você é um maldito vampiro. Por que está me contando a historia da Rússia como se eu já não soubesse. — Edward perguntou tentando controlar sua irritação havia sido enganado por toda a sua vida, por todos aqueles a quem confiava. — Conte-me o que quero saber, não sobre a historia da Rússia.
— Por que você não sabe a real historia por trás de tudo isso. Como eu estava dizendo: Foi naquela época que eu decidi que estava na hora de aumentar meu poder. Eu era um homem sanguinário, embora não fosse envolvido pela loucura. Eu matava a meus inimigos sem piedade, mas não aos inocentes. Eu vim para a Rússia e adquiri mais poder do que eu poderia imaginar. Naquela época eu ainda usava meu nome de batismo... Meu nome era Rodrik, ou Rurik de Novgorod como eu era conhecido na Rússia.
— Mas… — os olhos de Edward piscaram quando ele começou a entender o que Eric estava falando.
— Sim, — Eric o interrompeu. — Eu sou Rurik de Novgorod. O Primeiro Imperador e formador do estado Russo. Eu sou o legitimo Czar da Rússia.
— Deus!Por que não toma o seu lugar então? Não quero esse poder em minhas mãos.
— Por que eu jurei não mais tomar partido da Rússia. Jurei a minha esposa, nunca mais governar o país que acabou com a vida de meu filho. Assim como jurei a ele, que tomaria conta de seus filhos e os filhos deles e assim por diante.
— Não estou entendendo nada. Você... teve filhos quando já era um vampiro?
— Sim. Eu me apaixonei por uma mulher humana. Ela era a coisa mais linda que vi em minha vida. Era doce, sensível, amorosa. Ela sabia o que eu era e me amava mesmo assim. Nós passávamos noites e mais noites de amor, até que descobrimos que ela estava grávida. Eu enlouqueci e a expulsei de minha vida, pois acreditava que não poderia perdoá-la por me trair. Eu feri a mulher que amava entende? Mas eu me arrependi, fui atrás dela um ano depois e pedi que voltasse para mim. Disse que não me importava que o filho não fosse meu, mas então... ela entrou no quarto da cabana em que morava com a criança e a trouxe até mim. Era um menino. Muito parecido comigo.
— Ele era seu filho? — Edward parecia muito angustiado, afinal ele não havia feito à mesma coisa? Não havia abandonado a mulher que amava, acusando-a de traição, embora não de uma traição carnal.
— Sim. Ela abaixou a túnica e deixou seus seios expostos; caí de joelhos desesperado por não ter acompanhado a gestação de minha mulher, por não ter sido o primeiro a segurar meu filho e principalmente, por ter magoado a mulher que eu amava. Pois ali em seus seios estava a prova de que a criança era minha. Seus seios estavam cheios de marcas, marcas essa que só poderiam ter sido feitas por um vampiro. Com pouca idade sim,pois os dentes eram pequeno e mal formados, mas ainda sim um vampiro, meu vampirinho. Ele cresceu mais demoradamente que uma criança normal, mas ainda sim crescia. Descobri também que ele podia andar no sol, o sangue poderia ser tomado quando ele quisesse, pois servia apenas para rejuvenescê-lo e para que ganhasse mais força, embora ele fosse mais fraco que um vampiro normal e mais forte que um humano. Ele era a união de dois seres. Descobri a pouco tempo que a maldição que nos torna vampiros, tem suas interferências; aos mil anos podemos andar no sol e aos quinhentos nos tornamos férteis, mas só podemos ter apenas um filho, uma única chance. Como eu amei a aquele menino, o meu único filho.
— Como foi que ele morreu? — Edward perguntou compadecido.
— Atacaram-lhe enquanto dormia, quando eu já havia passado o trono para ele. Eu havia forjado minha própria morte, pois os humanos estranhariam que eu tivesse quase sessenta anos e minha aparência continuasse a de um homem de quarenta e três anos. Ele morreu em meus braços, mas antes disso pediu-me que não deixasse a Rússia virar o buraco que fora anteriormente, ele amava sua terra. Felizmente o desgraçado que matou meu filho não esperou que um demônio aparecesse em seu quarto na calada da noite e arrancasse sua pele fora, pois foi o que fiz. Eu o torturei e o devorei com minhas próprias mãos e dentes.
Edward engoliu em seco, enquanto escutava o que Eric, ou melhor, Rurik fez com o assassino de seu filho.
— Desde então venho cuidando de cada herdeiro ao trono, como se fossem o filho que perdi.
— Então por que não cuidou de Adrian? — Edward voltou a ficar nervoso. Onde estava Eric quando seu irmão estava morrendo nas mãos daquele monstro de uma maneira tão indigna e cruel?
— Meu dever era cuidar de você. Adrian renunciou ao trono há muito tempo. Disse que tinha o coração muito tenro para ser o Czar da Rússia. Que você por ter sido comandante do exercito de seu pai seria muito mais apto e inteligente para ser o novo Czar.
— Ele disse isso?
— Sim, mas pediu que você tivesse uma vida normal, enquanto seu pai não morresse. Esse foi um segredo entre ele, seus pais e eu. Entende? Meu dever era protegê-lo.
— Sim.
— Irá cumprir com desejo de seu irmão?
— Sim. — ele respondeu impassível.
— Edward, escute! Eu te amo como a um filho. Entenderei que não queira nada comigo, mas mesmo assim o protegerei como ao filho que não pude proteger. Você me odiará a partir de hoje?
— Não. Você me criou. Foi com você que aprendi a montar a cavalo, a lutar, a conquistar uma mulher. Eu o amo como um pai. — ele sorriu fracamente.
— Isso quer dizer que você irá perdoar Isabella?
— Não. — todo o resquício de sorriso desapareceu do rosto de Edward.
— Por quê? — Eric ergueu sua sobrancelha inquisitivamente.
— Por que, não posso olhá-la. Não neste momento. E não sei se poderei olhá-la algum dia. Sei que não foi culpa dela, mas olhar para ela é lembrar que a culpa foi minha por trazê-la, mesmo sabendo que haveria conseqüências.
— Enquanto isso, ela sofrerá nas mãos daquele vampiro. — Eric disse.
Isso foi como um tapa no rosto de Edward. Agora que a dor havia passado um pouco, ele conseguia pensar mais claramente. Não poderia olhá-la é verdade, mas o sentimento por ela ainda estava ali dentro dele.
— O que posso fazer? Sou apenas um homem. — ele disse exasperado. — Eu a amo. Não deveria ter deixado que ele a levasse.
— Você não teria como impedir. — tentou consolá-lo.
— Ele disse que a deixaria comigo, se eu a aceitasse. Mas eu a repudiei. — ele segurou a cabeça com as mãos. — Eu a deixei ir.
— Ele não deixaria que ela ficasse com você. Ele só estava jogando com vocês.
— Mas eu feri seu coração... ela me amava, não é?
— Sim, ela arriscaria a vida por você. — ele andou até a porta e disse. — Espero que você desça para o café da manhã. Seus pais estão preocupados com você.
— Eu irei descer. — ele disse resolvido. — Eric? — uma pergunta alagou o coração de Edward.
— Sim?
— O que aconteceu com sua esposa? — ele perguntou, antes de fazer a pergunta que mudaria toda a sua vida.
— Morreu. Eu não queria transformá-la em um monstro como eu. E embora me aceitasse, ela queria ter uma morte natural. — ele ia sair quando Edward o chamou novamente.
— Mais uma coisa... Quais são as chances de que Isabella esteja grávida?
— Muitas. Ela completou quinhentos anos a duas semanas atrás...
Seu coração escureceu-se.
Notas finais
Xoxo
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