Capítulo 3


O ar da noite refrescou minhas bochechas em chamas e acalmou meu rubor. Minha respiração estava ofegante, mesmo eu não necessitando dela, ela ainda fazia com que meu nervosismo passasse mais rápido; meus seios quase saltavam do vestido. A luz da lua deixava minha pele ainda mais pálida, contrastando com o vestido vermelho de cetim que eu estava usando. Tudo estava escuro em volta.

Sentei em um banco que estava na parte mais afastada do jardim, onde os jovens casais conversavam e flertavam; outros até mesmo se beijavam; eu fiquei bem escondida os observando; eu sorri por causa disso, em minha época não eram tão diferentes, os rapazes estavam sempre tentando nos levar para algum lugar mais afastado da vista de nossos pais.

Meu corpo se retesou, quando eu senti uma presença atrás de mim.

— Está sozinha, bella signora? — uma voz atrás de mim perguntou.

— Estava até agora. — eu respondi sem me virar, mas reconheci seu cheiro. — Não deveria estar em outro lugar? Quem sabe com sua noiva, talvez?

— Sim, seria o certo. Mas encontro-me em um dilema, sabe?

— Dilema? — ele sentou ao meu lado e assentiu. Eu desviei meus olhos. — E acha que eu poderia ajudá-lo com seu dilema, Príncipe Romanov?

— Esse é o problema, Milady. Você não pode ajudar, quando na verdade, você é o meu dilema.

— Eu? — eu o olhei. — O que fiz?

— É uma Deusa ou uma bruxa disfarçada, Milady. — ele pegou uma de minhas mãos, puxou a luva e beijou minha palma. Então me olhou preguiçosamente e sussurrou: — Enfeitiçou-me.

— Ora! — eu gargalhei e puxei minha mão, pondo-a em meu colo. — Essa cantada barata funciona com todas as garotas que tenta seduzir?

— Não é uma cantada. — ele fingiu-se de ofendido. — É culpa sua se me encontro em um estado de excitação que não consigo controlar. Meu membro está pulsando violentamente. Deve-me algo em troca e não vou embora até recebê-lo.

— Não fale esse tipo de coisa. Espere! Algo em troca? O que seria... — olhei em seus olhos e me perdi nos tons dourados deles; meu rosto ficou próximo ao dele, nossos lábios quase se tocavam. — E o que seria exatamente, que eu deveria lhe dar?

— Um beijo. — ele sussurrou, olhando para meus lábios vermelhos e eu sorri.

— Meus beijos não são moedas de troca, Milorde. — eu disse me afastando. — Sugiro que vá procurar sua noiva e a beije com todo esse ardor que está disposto a gastar comigo. — levantei-me e andei para longe dele.

— Eu acho que você não entendeu. — ele correu e parou a minha frente. — Não vou embora até que você quebre o feitiço que jogou em mim, bruxa. — passou um braço por minha cintura e me puxou para perto. — Quero um beijo. E eu sempre consigo o que quero.

Então seus lábios estavam sobre os meus, pressionando-os e mordiscando-os. Sua língua suave entrou em minha boca e me devastou completamente, juntando-se à minha em uma dança ardente; meus braços estavam em seu peito e eu poderia afastá-lo a qualquer momento, mas eu não queria afastá-lo.

Eu estava perdida. Que Deus me ajudasse, mas eu não queria parar de beijar o homem ao qual, eu estava agarrada como se minha vida dependesse disso. Eu queria mais dele, mais e mais. Eu estava decididamente condenada ao inferno. E o estava levando junto a mim.

— Pare com isso. — eu o empurrei, contra a minha vontade, mas deveria ser feito, antes que sua vida fosse ameaçada. — Está errado.

— Por quê? — seus lábios estavam em meu pescoço lambendo-me a clavícula, enquanto suas mãos apertavam minhas nádegas e me puxavam contra sua ereção. — Por que está errado?

— Por que... Oh, Deus. Eu... Não consigo me lembrar. — eu suspirei a sentir uma mão sua acariciando meu seio. — Você está... Noivo e eu sou casada.

— Isso não quer dizer nada. — ele prendeu-me contra uma árvore e abriu o laço que ficava em cima do meu decote. — Eu a desejo, como nunca desejei outra.

— Isso não está correto, por favor, me solte. — se ele não me soltasse, duvidava muito que eu tivesse forças, para me soltar sozinha; embora tivesse uma força que equivalia a vinte homens fortes, eu me encontrava desarmada nos braços desse cavalheiro. — Acabamos de nos conhecer, você poderia tirar suas mãos de dentro de minhas saias. Meu marido é um homem violento e morre de ciúmes de mim; não quero que você se machuque.

— Acha que tenho medo dele? — ele me olhou com um olhar desafiante. — A quero para mim.

Reuni minhas forças e o afastei um pouco, mas uma de suas mãos continuava em minha cintura e a outra ele pôs no lado de minha cabeça, prendendo-me contra a árvore. Não queria que ele se machucasse, era a primeira vez que eu me sentia assim depois de tanto tempo, como uma adolescente de dezesseis anos que sonha com um marido perfeito; era por isso que não queria que Dimitri fizesse mal a ele. Tinha que ser isso. Eu não poderia estar apaixonada por um homem que acabei de conhecer. Era só pelo fato dele ter feito com que me sentisse bem.

— Nem nos conhecemos direito, não é possível que esteja tão desejoso de possuir meu corpo. — eu corei ao dizer isso. — Por favor, eu sei que você deve trair sua noiva, com cada mulher que resolve jogar seu charme. Mas eu não sou uma cortesã. E tem mais: eu gostei muito de sua noiva, não quero fazer isso com ela.

— Eu não amo Rosalie. — ele passou a mão no rosto exasperado. — Ela não sabe, mas eu a pedi em casamento, por ordem do meu pai. Ele e o pai dela fizeram um acordo entre as famílias e eu devo me casar com ela. Mas não a amo. Não tenho nenhum remorso em traí-la.

— Isso não é problema meu. Tem também o fato de eu ter um marido, ele não vai gostar de saber disso. Ele poderia matá-lo...

— Ele não precisa saber. — ele afirmou.

— Ele vai saber. — eu acariciei seu rosto e sorri docemente. — Ele sabe de tudo; eu sou mantida sob vigilância, é por isso que eu quero um favor seu.

— O que você quiser. É só pedir, Isabella. — ele cheirou meu pescoço.

— Quero que me deixe mordê-lo. — sussurrei de volta.

Eu precisava mordê-lo, pois se houvesse alguém nos vigiando, ele iria contar a Dimitri que eu realmente estava me alimentando.

— O que? — ele levantou a cabeça e olhou-me sem entender.

— Shiss. Será muito bom. Eu prometo! Você não irá sentir nenhuma dor. — eu olhei em seus olhos e usei minha compulsão.

— Seus olhos... Estão vermelhos. — ele sussurrou, mas enquanto eu mantivesse meu contato visual, ele não correria.

— Eu sei querido, mas eu não vou machucá-lo, quando eu acabar com você, não irá se lembrar de ser mordido. Você apenas lembrar-se-á do beijo que me deu. Está bem? — ele balançou a cabeça afirmando.

Eu o segurei pelos cabelos e trouxe para mais perto de mim; afastei a gola de seu colete e a da blusa branca que usava, e lambi a pele quente de sua garganta, depois com bastante calma perfurei sua jugular, para sugar seu sangue. O liquido escarlate escorreu por meus lábios até passar por minha garganta aquecendo-me por dentro. Uma fome tomou conta de mim, agarrei-me mais ao seu corpo e eu não queria parar de me alimentar dele, seu sangue era tão bom e convidativo, ele se esfregar em mim só aumentou minha excitação, mas parei quando senti seu corpo amolecendo pela perda de sangue; lambi sua ferida para cicatrizá-la.

— Agora querido, quero que você vá para casa e esqueça que te mordi. — ele deu-me um beijo nos lábios e então foi até a esquina em que sua carruagem estava e partiu para longe.

Deixei-me cair no chão, encostando-me na árvore. Olhei para o céu que estava estrelado e fiquei ali pensando, em como minha vida poderia mudar tanto de uma hora para a outra. Primeiro, foi quando Dimitri apareceu em minha vida do nada, transformando-a em uma bagunça, em um inferno e agora isso. Quem esse jovem tolo pensava que era para vir aqui e tirar meu sossego?

Meus lábios ainda estavam quentes por causa de seus beijos, tanto que eu ainda sentia seu gosto, misturado com o sabor de seu sangue e meus seios expostos pela a abertura do vestido ainda se sentiam como se suas mãos estivessem ali.

Eu não conseguia parar de pensar nele e isso sucederia por muitas semanas, eu tinha certeza.

Voltei para a festa e fiquei ao lado de Dimitri, calada como uma boa esposa deveria ser na sociedade, quando estivesse frente a homens, principalmente se esses homens possuíam negócios com seu marido. Depois de nos despedimos dos anfitriões da festa, fomos para a carruagem. Sentamos cada um de um lado do banco, meus olhos novamente perdidos no lado de fora, pensando em como eu gostaria de ter a vida da prima da Rainha.

— O que houve? — Dimitri me perguntou.

— Nada. — respondi distante.

— O que houve com sua luva? — olhei para minhas mãos e percebi que apenas uma delas estava com a luva. “Maldição”! Edward ficara com ela. E eu nem ao menos percebi. Dimitri deveria estar furioso por eu estar na festa com apenas uma luva, era obvio que todos repararam e que esse seria o assunto principal das fofoqueiras de Londres.

— Eu a sujei de sangue. Tirei para que ninguém visse.

— É uma porca mesmo. Eu já não lhe disse que tem que tomar o sangue sem se sujar? E por que você ainda está com a outra luva? Todos viram que faltava uma delas.

— Sinto muito. — abaixei minha cabeça de forma submissa. “O diabo que eu sentia muito”. — Vou tentar me controlar da próxima vez.

— É o que espero. Ou então seria melhor que você nem saísse de casa. O que acha? Gostaria de passar mais algum tempo presa no quarto? — balancei minha cabeça negativamente, se tivesse que passar mais uma década presa dentro de um quarto eu enlouqueceria.

Mais tarde, quando já estava quase amanhecendo, eu e Dimitri estávamos deitados em nossa cama, seus braços em volta de minha cintura possessivamente, após termos relações, mesmo assim seus toques não foram capazes de apagar os de meu príncipe. Meu? O que eu estava pensando? Ele não era meu, assim como eu nunca poderia ser dele e eu sabia disso. Então por que, meu coração não podia compreender isso? “Eu o quero para mim!”, foi a ultima coisa que pensei antes de adormecer junto ao nascer do dia.