Capítulo 32


Viajamos os dois seguidos com muita pressa, só paramos quando Lissa precisava ir se aliviar, ou arranjar um pouco de comida para ela. Eric assumiu as rédeas quando percebeu que o cocheiro estava morto de cansaço. E o colocou para dormir dentro da carruagem conosco. Edward tentava manter o olhar afastado do homem, assim como de Lissa, mas eu via como os olhos dele brilhavam de fome. A única vez que ele ameaçou a tocar o homem eu o havia impedido. Eu estava dormindo, mas acordei quando percebi um movimento, e lá estava ele com a boca a centímetros da garganta do homem.

Agora estávamos à uma hora parados na clareira de uma floresta escura, esperando algo que só Eric sabía. Edward estava impaciente em sua pedra e eu estava cansada de ficar sentada, mas ele havia me obrigado a sentar, já que eu não tinha aceitado esperar dentro da carruagem.

— Onde diabos estamos? — Edward bradou.

Ele olhou furioso para Eric, que olhava para todos os cantos na floresta escura. A floresta era composta de grandes arvores cobertas com uma fina camada de neve, mas deu-me a impressão que a neve logo desapareceria; a lua era a única luz que fornecia uma iluminação ao local, embora ela não fosse necessária para nós; Lissa estava dormindo ainda dentro da carruagem; mas mesmo assim a escuridão por entre as árvores ainda dava um ar de mistério, o que só tornava o lugar mais horripilante. Não que eu fosse confessar que o lugar era assustador, é obvio.

— Em uma floresta, mais precisamente na Floresta de Windsor. — Eric deu de ombros.

— A floresta Maldita? É conhecida por seus desaparecimentos inexplicáveis. — Edward disse receoso e eu revirei meus olhos.

— O que pode ser mais perigoso que nós? Está com medo de ser atacados por coelhos de olhos vermelhos e dentes compridos? — alfinetei-o mais uma vez, o desgraçado merecia a Deusa bem sabia.

— Não estou com medo por mim e sim por você. — Edward olhou para mim por breves segundos antes de focar sua atenção mais uma vez em Eric. — É segura realmente? Isabella não sofre nenhum perigo?

— Digamos que é segura para quem é convidado a entrar. — Eric abaixou-se e sentou em uma pedra grande que estava coberta de musgo provavelmente a mais anos do que eu era viva.

— E nós fomos convidados? — Edward o olhou alarmado.

— Bem, teoricamente não. Mas logo eles virão atrás de nós. Damon costuma ele mesmo receber “os visitantes”. — Eric nos disse com a expressão mais enfadonha que ele tinha, estava tranqüilo ali sentado na pedra como se estivesse aproveitando um piquenique em baixo do sol, só que de noite, ou em uma das elegantes cadeiras de Vauxhall[1].

— E como eles saberão que estamos aqui? — eu perguntei.

— Eles já sabem. — ele foi categórico. Senti minha pele se arrepiar e a sensação de ser observada me dominou.

— Por que a cada palavra que sai de sua boca, eu me sinto mais temeroso. Esse tal Damon é um homem de confiança. — Edward perguntou.

Eric apenas sorriu, então uma gargalhada angelical e feminina soou pela floresta.

— Acho que você deveria perguntar isso a ele. Ele está atrás de você.

Olhei para Edward no instante que ele se virou para trás e observou o grande lobo negro que estava parado atrás dele o encarando, ao lado da mulher mais bela que vi em minha vida. Edward em um instante estava em minha frente criando uma barreira entre mim, o lobo e a mulher.

O lobo pareceu cheirar o ar quando levantou seu grande focinho para o alto; então uivou; mais dez lobos pularam de entre os arbustos para o meio da clareira, assim como mais dois homens grandes e assustadores. “Estamos mortos!”, uma voz gritou em minha mente. O sorriso de Eric desapareceu e seus olhos ficaram tensos.

— Damon, velho amigo, como está? — o lobo assentiu seus olhos amarelos focaram em mim e Edward, então Eric olhou seriamente para lobo e depois seu olhar mudou para a mulher. — Elena.

— “Salut[2], Eric.” — a mulher lhe sorriu, um sorriso com dentes perfeitos; seus cabelos eram negros e desciam em ondas indomáveis por seus ombros nus, sua pele tão pálida quanto a neve; o vestido que ela usava poderia ser considerado o vestido de uma prostituta, era vermelho sangue, apertado contra seu corpo embora a barra dele estivesse toda rasgada, o colo do vestido era todo aberto dando uma visão privilegiadas do topo de seus seios. Era uma visão selvagem.

Olhei para Edward que a olhava como um bobo e grunhi de raiva. A mulher era formosa, mas olhá-la desse jeito era um exagero, principalmente para quem há algumas horas atrás estava declamando seu amor por mim.

Os homens pertencentes ao grupo deles, que estavam entre os lobos não pareciam afetados pela beleza dela, estavam mais preocupados em observar a nós e ao lobo. Lentamente o lobo começou a se transformar, sua pelagem negra ondulou e começou a desaparecer sendo substituída por uma pele morena.

“Ele era um lobisomem!”

Dimitri havia me falado uma vez deles, disse que eram criaturas horríveis e assustadoras, mas o homem que surgiu não era horrível em nenhuma de suas formas, assustador sim, mas jamais seria horrível. “Deus, ele era lindo.”

Ele olhou-me nos olhos, então estávamos conectados, seus olhos eram âmbares até mesmo na forma humana. Ele não era inglês, talvez nem fosse Europeu, julgando pela cor de sua pele e de seus cabelos. Ele estava nu e era grande, ele tinha cerca de dois metros de altura e era muito musculoso.

— Eric, o que faz aqui? — o homem perguntou, mas seus olhos nunca deixaram os meus.

— Viemos pedir abrigo. Estamos fugindo de um vampiro muito poderoso. Que está nos perseguindo.

— E por que esse vampiro está atrás de vocês?

— Ele quer a vampira e a criança que ela carrega. — Eric olhou para mim.

— A criança é desse vampiro?

Edward saiu de seu torpor, agarrou-me pelos ombros aproximando-me dele.

— Não, é ela minha. — maldito só faltava urinar em minhas pernas para marcar seu território.

Um rosnar ecoou do peito do homem. Qualquer som na floresta foi cessado; até mesmos nós na clareira havíamos prendido nossas respirações.

— Tire suas mãos dela! — Damon vociferou e eu olhei confusa para ele. Ele parecia irritado e como o motivo de sua irritação parecia ser o contato de Edward comigo, eu empurrei Edward. Ele me puxou de volta dessa vez pela minha cintura alargada pela gravidez. — Eu não irei repetir de novo.

As narinas de Damon se alargaram enquanto ele respirava tensamente tentando se controlar. Mas que diabos estava acontecendo aqui? Eric entrou entre nós e colocou sua mão no peito de Damon quando ele tentou vir até nós. Pareceu sussurrar algo que não teve o menor efeito no lobisomem. Os homens vieram para perto tensos pelo contato de Eric em Damon. E eu pude sentir o cheiro de sua raiva, Damon exalava poder e violência bruta.

— Damon, o que há com você? — Elena gritou dessa vez sem deixar transparecer seu sotaque francês.

— Eu sugiro que se afaste, Damon. Iremos conversar com calma. — Eric tentou contê-lo havia me esquecido de que os lobisomens eram tão fortes quanto os vampiros.

— Não há calma. Mande este homem tirar suas mãos imundas de minha mulher. Antes que eu as arranque fora.

Não. Ele não poderia estar falando de mim. Eu não era mulher dele, nem ao menos nos conhecíamos. Mas ele parecia estar muito certo de seu domínio sobre mim.

— Desculpe-me senhor, mas ele não a tocou. — eu disse e acenei para Elena tentando acalmá-lo, o homem deveria ser um louco. Edward olhara sim para a tal Elena, mas não a tocara em nenhum momento.

— Ele não está falando de mim.

— Não o defenda! — Damon rosnou e me olhou com os olhos transbordando de ciúmes e possessividade.

— Ele está falando de você, Isabella. — Edward sussurrou raivoso em meu ouvido. Seus olhos não se separaram de Damon, seus braços em volta de mim protetoramente.

Eu olhei para ele ainda mais confusa. Isso era um absurdo. Eu não poderia acreditar nisso, esse homem era completamente louco.

— Já nos conhecemos senhor? — eu perguntei, dessa vez foi Edward que grunhiu.

— É obvio que não se conhecem. Ele está louco. Você é minha. — ele me apertou mais contra ele.

Todos ficaram tensos a nossa volta. Damon e Edward desprendiam fúria de seus corpos como se fossem suas áureas brilhando.

— Edward, afaste-se dela. — Eric pediu enquanto segurava Damon com a ajuda da mulher, ele tentou pular em nossa direção.

— Não irei a lugar nenhum. Isabella é minha mulher e não a deixarei desamparada.

— Ela é minha! — Damon vociferou e empurrou Eric para fora de seu caminho, ao mesmo tempo em que os outros lobos pularam em frente dele, para impedir que ele detivesse Damon.

Em um segundo Edward estava a meu lado e no outro... ele estava atracado com Damon, os dois rolaram pelas samambaiais e arbustos, desferindo socos no outro até que Damon tinha Edward debaixo dele, enquanto segurava seu pescoço com força contra o chão.

— Por favor, pare com isso. — eu implorei, estava cansada de brigas sem sentido. Eu temia pela vida de Edward. Damon olhou para mim, então soltou Edward no chão e começou a vir em minha direção. Edward tentou levantar-se, mas três lobos o rodearam, com seus caninos pontiagudos a mostra para Edward.

Damon parou em minha frente. Seu corpo musculoso tão perto do meu, que eu podia sentir sua respiração em meu rosto e os batimentos de seu coração. Eu era tão pequena e ele tão grande, era o homem de maior tamanho que já havia conhecido. Ele era muito masculino... agitei minha cabeça tentando formar algum pensamento coerente. Até que ele levantou sua mão e acariciou meu pescoço, então eu estava mais uma vez perdida... perdida nele.

— Damon, você não está sendo razoável. — Eric disse tentando se aproximar.

— Oui, mon amour, il n'est jamais raisonnable[3]. — Elena disse debochadamente.

— Ele é seu marido? — Damon sussurrou para mim. — Se o for, o desafiarei até a morte por seu amor. E a levarei comigo.

Ele estava realmente dizendo que iria matar Edward, para ficar comigo? Isso não era uma opção aceitável, apesar de tudo o que aconteceu, eu ainda amava Edward, não o queria morto. Uma raiva tomou-me ao olhar para Edward preso entre os lobos com o olhar ferido e ao mesmo tempo ciumento. Esse homem nem ao menos me conhecia, que direito ele tinha de me pressionar e de ameaçar o pai de meu bebê.

— Ele... — contive minha raiva, ele poderia ser formoso, mas isso não lhe dava o direito de agir como se eu fosse sua; por que eu não era; mas o fato é que ele poderia matar Edward e isso eu não permitiria. — Ele é apenas o pai de meu filho. Não, significa nada para mim. — Dizer isso doeu em meu coração.

— Isabella... — Edward sussurrou ferido. — Ama-me, sei que sim. Não tem que ir com ele.

— Cale a maldita boca. — Damon gritou.

— Damon, você não tem esse direito. — Eric gritou.

Damon ignorou a suplica de Eric. Ele só tinha olhos para mim.

— Ela estará segura comigo. Não terá mais que se preocupar com ela. Ela é minha responsabilidade agora. — ele acariciou a curva de meu seio. — Tão bonita. E toda minha.

Ele puxou-me para mais perto, então me levantou do chão possessivamente. Andou rapidamente para dentro da floresta escura, sendo seguido por Elena, os homens e os lobos. A última imagem que pude ver foi Eric segurando Edward, e o ultimo som que ouvi, foi os dos gritos de Edward; gritos esses que eram furiosos, desesperados, e feridos.

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[1] Jardim que foi um dos palcos principais para entretenimento público em Londres, Inglaterra de meados do século 17 até meados do século 19.

[2] Olá em francês.

[3] Sim, meu amor, ele nunca é razoável.



Notas finais
oi, amores desculpe pelo atraso, mas to enrrolada aqui. Fiz uma pagina pro pessoal curtir, vamos dar fama a fic da tia violet. para quem nao sabe meu nome verdadeiro é Larissa Marchette, então podem me add no facebook. Não esqueção de comentar e deixarem recomendações, não ganho ela já faz muito tempo. bjss