Capítulo 8


Pela força das batidas com certeza era um homem que se batia contra a porta. O trinco cedeu e a porta abriu; eu gritei e uma mão tampou a minha boca. O homem beijou meu pescoço e tirou a mão de minha boca, mas sua outra mão estava em minha cintura me mantendo colada a ele.

— Está assustada, Isabella? — ele sussurrou em meu ouvido, provocando um arrepio que passou por todo o meu corpo; aquela voz sedutora e melodiosa que eu reconheceria em qualquer lugar.

Ele estava bêbado.

— É claro que estou assustada. Um imbecil quebra a janela de meu quarto e entra sem minha permissão. O que diabos você está fazendo aqui? — engoli em seco quando senti seus lábios deslizarem pelo lóbulo da minha orelha. Ele era um louco por ter vindo aqui e se arriscar de tal maneira; Dimitri o mataria com uma mão e apenas para zombar, o faria de olhos fechados, gargalhando como se fosse à coisa mais prazerosa que faria em sua vida, ou talvez fosse.

— Senti saudades de você. — beijou-me na divisão entre meu ombro e meu pescoço. — Não a vejo desde a noite na biblioteca, acreditava que ainda iria querer me ver. Ou não?

— E precisava arrombar minha casa para isso? Aqui está repleto de empregados, meu marido pode aparecer a qualquer momento... Você não teme por sua vida? Acha que brinco, quando digo que ele é perigoso? — afastei-me dele colérica e entrei mais nas sombras do quarto, para que ele não visse o estado caótico do meu rosto. —Por favor, vá embora!

Alguém tinha que ser sensato aqui. Alguém tinha que temer por sua vida já que ele não o fazia. Ele deu um passo para mais perto e eu fui o mais longe possível dele. Manquei um pouco e acho que ele percebeu, pois seu cheiro mudou de excitado para raiva.

— Por que não olha em meus olhos quando fala comigo? — ele ignorou meu pedido com um gesto de desdém, aproximou-se de mim, segurando meu queixo e o virando para que enxergasse meus olhos, mas não foram nos meus que os dele se fixaram e sim no sangue já seco, que esteve escorrendo até pouco tempo do meu nariz. — Ele bateu em você? Maldito miserável! — ele exclamou com fúria me abraçou. Murmurou algo em outra língua, provavelmente russa, algo que eu não gostaria de saber o significado.

— Não é nada fora do normal, nada que você não tenha visto ou sabido pela sociedade, não só a inglesa, como em muitas outras nacionalidades. — eu gracejei, tentando tirar o ar que ficara pesado com o seu ódio pelo meu marido, que poderia acabar com ele em instantes. Sua mão escorregara para lado de seu corpo, sem fazer menção de me tocar novamente.

— Ele o fez por minha causa? Descobriu que nos encontramos na biblioteca, verdade? — ele me olhava profundamente, com uma raiva contida que não era dirigida a mim, mas que por um momento cheguei a pensar que ele poderia lutar contra Dimitri de igual para igual.

— Não, é claro que não. Ele é louco, Edward. Ele me bate por qualquer motivo, não é como se eu já não estivesse acostumada.

Ele rosnou com mais raiva ainda. Talvez eu não estivesse melhorando as coisas, mas não teria nada que eu pudesse falar para deixá-lo mais calmo.

— Você diz isso calmamente como se não sofresse com esses abusos. Você gosta de violência, Isabella, é isso? Você gosta que um homem seja violento com você na cama?

— Eu odeio violência. E não acho que fazer amor misturado com violência seja bom, na verdade eu chamo isso de estupro.

— Então por que está tão calma em relação a isso? Você não tem que aceitar esse tipo de tratamento. Onde ele está agora? — seu olhar era frio, letal, ele poderia não ser um vampiro, mas ele sabia matar e não tinha nenhum problema com isso.

Eu dei de ombros. Eu não tinha a certeza na verdade, Dimitri era louco, poderia ter ido a qualquer lugar de Londres. Edward estava com os punhos fechados ao lado de seu corpo e constantemente os abria como se estivesse apertando algo. Um pescoço talvez?

— Você consegue andar? Se sim, pegue algumas roupas, eu a levarei comigo. Se não, diga-me onde estão e eu mesmo as pegarei. — ele disse definitivo.

— E para onde irei? — perguntei mordazmente. — Para seu palácio na Rússia talvez... ou quem sabe na casa da sua noiva. Assim poderia visitá-la, e com uma desculpa qualquer, arrastar-me para mais um jardim ou biblioteca, para fazermos amor loucamente.

— Não fale assim. Eu não acho que seja uma prostituta, ou algo parecido; eu apenas não consigo ficar longe de você. Todos esses dias, que não nos vimos; eu pensei em você, a cada instante, meus pensamentos estavam recheados de Isabella. Estou apaixonado por você. — ele tocou minha bochecha, ao ver que eu iria retrucar ele falou depressa. — Posso parecer precipitado, mas jamais senti isso por outra mulher. E não estou falando apenas de desejo, mas sim de algo mais; ternura, necessidade de estar perto; meu pai diz que isso é amor. Será que ele está certo?

— Eu... — pela primeira vez na minha vida eu fiquei sem palavras, apenas o encarei por um longo tempo antes de conseguir falar. — Eu também acho que sinto essa mesma coisa por você e é por isso que estou pedindo que você vá embora e não volte a me procurar nunca mais. Deixe-me terminar de falar. — pus minha mão em seus lábios ao ver que ele ia retrucar. — Meu marido é um homem perigoso, do pior tipo de espécie; se quer alguém morto, essa pessoa morre. É muito provável que já tenha gente atrás de você, isso se não está cuidando disso ele mesmo. Quero que vá embora e se proteja, não volte a me procurar, para seu próprio bem. Não quero desgraçar sua vida.

— Eu conheço muita gente também. Lutei em guerras famosas que ajudei a ganhar. Posso conseguir proteção para nós dois, podemos fugir juntos. Eu largaria tudo por você. Eu a amaria, Isabella.

— E deixar alguém tão boa e especial quanto Lady Rosalie Rutherford? Ela pode te dar filhos e eu não.

— Mas eu quero você. Eu não me importo em ter filhos. Eu simplesmente não consigo parar de pensar em você.

— Então sugiro que arranje algo para fazer, algo que ocupe seus pensamentos, pois não quero que me procure nunca mais.

— Você não está falando sério. Eu vejo em seus olhos que você quer ir embora comigo. Posso ver neles todo o seu sofrimento. Não me peça para deixá-la para trás. Isso é algo que não irá acontecer, aceite esse fato. E se eu tiver que lutar com seu marido por você, eu irei lutar.

— Então você será um homem morto. É isso que quer para você? Terminar em uma cova, ou em um terreno baldio, largado como um morador de rua.

— Por você eu morreria. — ele tentou se aproximar de mim, mas o afastei.

— Nem me conhece direito. Não sabe o que eu sou. Eu não sou boa para você. Sou uma mulher sem vida, sem coração; estou morta por dentro. Cv não imagina o que sou. — as lágrimas rolaram por meu rosto sem que eu pudesse evitar.

— Então me diga, eu imploro. Por que eu acho que sei o que você é. — eu o olhei, alarmada; como assim ele sabia o que eu era? — Você é a mulher que amo não me importa nada mais.

— É um tolo, se pensa que com mentiras ilusórias vai fazer com que eu fuja com você. Não pode me obrigar a ir com você. — eu cambaleei para trás e cai sentada na cama.

— Posso sim. Não só posso como vou levá-la daqui, agora mesmo. — ele andou até a janela e abriu novamente, esta estava apenas encostada, já que ele quebrara o ferrolho. — Eric, venha até aqui.

— Está falando com quem? Não... você trouxe alguém com você? Eu vou gritar, está me entendendo. Por favor... não vê que quero salvar sua vida?

— Não se preocupe Isabella. Ele não vai fazer nada conosco. Eu esperei que ele saísse de casa, vamos embarcar para Rússia, ainda essa noite. — ele veio até mim e passou os braços em minha volta, pegando-me no colo; eu já não tinha mais forças para lutar. Estava fraca pela perda de sangue e por estar muito tempo sem me alimentar, ou era o simples fato de querer ficar perto dele.

— Estaremos mortos em breve. — eu disse encostando minha cabeça em seu peito.

— Não vou deixá-lo fazer nada de mal a você. — ele me deu um sorriso confiante. — Seremos apenas você e eu agora.

— Você é um jovem tolo se acredita que pode escapar daquele demônio. E tão logo o efeito da bebida passe, você acordará para a vida e me deixará no primeiro porto que pararmos.

— Quer apostar? — ele arqueou a sobrancelha e me levou para a sacada. — Eric, pegue-a.

Ele me estendeu com seus braços fortes para um homem robusto e com cara de mal encarado, que me segurou no colo e voltou pra dentro do quarto. Algo no seu olhar me chamou a atenção, mas eu estava muito fraca para pensar nisso agora. Eu só queria descansar um pouquinho...

— Posso botá-la na carruagem, Edward? — Eric perguntou a Edward que pulou da janela com alguns vestidos meus nos braços.

— Não, me dê ela. Eu a levo para a carruagem, você coloca os vestidos dela no compartimento atrás da carruagem e depois pode ir assumir as rédeas. — ele me pegou no colo e logo estávamos entrando em uma carruagem. — Pode partir.

A carruagem começou a se locomover, enquanto Edward me acomodava melhor no banco a seu lado. Ele encostou minha cabeça em seu peito e me abraçou com aquele par de braços fortes.

— Você está bem, meu amor? — ele perguntou roçando seus lábios nos meus.

Eu fiquei em silencio. Como fui deixar as coisas irem tão longe? Minha carência fez com que eu deixasse Edward se aproximar de mim e agora ele corria perigo. Fechei meus olhos com força, estava cansada de viver.

— Isabella, pelo amor de Deus diga alguma coisa. — ele sussurrou para mim, seus lábios pressionaram minha testa.

— Não... Deus, o que foi que nós fizemos? Ele vai matar você... — sussurrei antes de cair na inconsciência.

Notas finais
Disse que postaria logo espero que gostem e deixem varios reviews e recomendações. bjsss