Capítulo 15


São Petersburgo, Rússia, 1822.



— É sempre tão frio aqui? — perguntei quando Edward desceu da carruagem.

— A maior parte do ano, mas há épocas que amenizam um pouco. — ele pôs o braço em volta de minha cintura e gritou algo para o cocheiro, que eu não entendi, provavelmente falava em russo. — O que achou?

Olhei para o palácio que estava a nossa frente e sorri.

— É lindo. E tão claro. — a estrutura era toda ela feita de mármore branco, as janelas grandiosas eram todas de vidro com grades ouro branco e o tamanho era de tirar o fôlego, nada ali era parecido com uma construção inglesa ou francesa. — Deve ser delicioso viver aqui.

— Adoraria dizer que passo aqui boa parte do meu tempo, mas não seria verdade. Passo aqui menos de um mês por ano.

— Por quê? — não acreditava que alguém gostaria de passar um dia longe desde lugar. Era tudo tão bonito. Parecia um daqueles castelos de contos de fadas que toda princesa sonhava em viver ao lado de seu príncipe. Uma ironia do destino que isso fosse acontecer justo com ela.

— Por que não havia nenhum motivo que me fizesse vir para este lugar.

— E agora há algum motivo, Alteza? — pus minha mão em seu peito forte e sorri sedutoramente.

— Pode apostar que sim. — ele sorriu de volta. — Um motivo deliciosamente quente e convidativo.

— Você também é muito quente e convidativo. — sorri e entrelacei nossos dedos. — Você ficará comigo, não é?

— Essa noite apenas. Amanhã terei que ir ao sul de São Petersburgo falar com meu pai e minha mãe.

— Ficará quanto tempo fora? — não queria me separar dele, eu o abracei apertado, minha mão foi acariciar sua nuca e segurar seus cabelos entre meus dedos, esperando que nunca saíssem dali.

— Dois dias. — ele me puxou para dentro do palácio, enquanto o cocheiro trazia as malas. — Aproveite para conhecer a cidade. Eric ficará com você e a levará onde você quiser. Temos uma modista na cidade, ela prepara vestidos ao gosto inglês se você preferir. Vá ao ateliê dela e peça o que você quiser.

— Não acho que seja uma boa idéia você ficar me sustentando. Não preciso de mais vestidos...

— Você é minha mulher agora, é minha responsabilidade e eu vou adorar vê-la vestida com vestidos tão tentadores como esses que você usa, só para eu ter o prazer de tirá-los. Se observar o modo como as russas se vestem, você acharia que todas passaram a maior parte da vida em um convento.

— Você olha muito para as russas? — eu o olhei, enciumada. — Não quero você olhando para outras mulheres. Talvez seja melhor eu ir com você para garantir que não ficará olhando para essas princesas russas. — eu disse e ele rolou os olhos.

— Está com ciúmes, querida? Não quero nenhuma outra mulher que não seja você. E caso você não se lembre. Todas as princesas russas são minhas irmãs e primas.

— É mesmo. — eu corei envergonhada. — Claro que não estou com ciúmes de você. — eu virei meu rosto e fiz uma careta. Eu estava parecendo uma tola apaixonada, mas era o que eu era.

— Ora, você não sente ciúmes de mim? — ele agarrou-me pela cintura depositou um beijo em minha bochecha. — Pois eu não acredito em você. Você está caindo de amores por mim, mas eu não a culpo. Eu causo esse efeito nas mulheres.

— Talvez um pouco... quase nada. E deixe de ser tão metido. Fique sabendo que as mulheres não gostam de homens com o ego maior que a cabeça.

— E você é uma exceção, não é amor?

Uma criada, com não mais que vinte e poucos anos, aproximou-se com a cabeça baixa, interrompendo nosso momento, e disse algo em russo. Ela era loira e tinha a pele muito branca, não era uma grande beleza, mas com certeza havia muitos homens que se interessariam por ela. Parecia ser uma mulher forte, do tipo que daria filhos fortes e saudáveis aos seus maridos. E homens russos valorizavam mulheres fortes, mas ao mesmo tempo submissas. E está parecia ser uma.

Edward negou com a cabeça e respondeu na mesma língua. Ela foi embora, mas pude ver quando ela me lançou um olhar de ódio; o que me fez pensar se ela não teria nada com Edward. Antes que pudesse formular minhas duvidas em uma pergunta. Edward me puxou por um corredor. Aquilo estava irritando-me um pouco, era estressante eles estarem em volta de mim falando sabe-se lá o quê.

— O que ela queria? — eu perguntei tentando esconder minhas suspeitas.

— Nada de importante. — ele desviou os olhos dos meus, ele parecia nervoso. — Venha, quero lhe mostrar o resto da propriedade.

Ele me mostrou cada quarto de empregada e cada sala do andar de baixo, depois subimos por uma grande escada que dava acesso ao nosso quarto e dos hospedes. Os moveis eram claros no lado de dentro, assim como as paredes. Nada era escuro como na mansão em que eu vivia com Dimitri. Esse lugar fazia com que me sentisse leve. A mansão de Dimitri parecia algo saído da mente de John Polidori. Ele retratou muito bem a realidade vampiresca e a sujeira por trás dela.

— Tudo aqui é tão lindo... — eu passei minha mão pela cortina de pano vaporoso em um tom de azul clarinho que contrastava com a parede de mármore branco. — Foi você quem decorou esse lugar?

— Não, foi Alice.

— Quem é Alice? — tentei minha voz mais monótona, para que ele não reconhecesse o ciúme que estava dentro de mim. Será que ter passado tanto tempo perto de Dimitri, me contaminou com a loucura dele? Estava sentindo-me muito possessiva.

— Minha irmã mais nova.

— Oh... quantas irmãs você tem?

— Duas. Alice que é a mais nova e Tanya que a mais velha de nós quatro. Mas como mulheres não herdam o trono... Meu irmão herdará.

— Deve ser maravilhoso ter uma família tão grande. — eu disse lembrando-me de minha família, a qual fui impedida de visitar por Dimitri, quando eles ainda eram vivos. Eles praticamente empurraram-me em cima dele.

Algo veio em minha mente, que eu nunca cogitei. Passei tanto tempo culpando meus pais que, não havia chegado à hipótese de Dimitri tê-los hipnotizado. Meus pais me amavam, eu tinha certeza disso. Eles não me entregariam a alguém que eu não amasse, mesmo com a chance de eu ficar mal falada dentro do reino.

— Ela é sua agora. Tenho certeza de que eles irão amá-la, assim como eu a amo. — ele abraçou-me por trás e beijou minha nuca. E percebi que ele falara comigo durante um tempo sem que eu prestasse atenção. — Já lhe disse como está deliciosa nesse vestido?

— Não, Alteza. — virei-me para ele e passei minha mão por seus braços fortes, tentando gravar em minha mente cada contorno de seu corpo. — Você não me disse, mas só de olhar em seus olhos eu consigo ter uma idéia.

— Diga-me: o que você vê em meus olhos? — ele aproximou seu rosto do meu e olhou-me fixamente nos olhos. — O que vê?

— Sua alma. Uma incrivelmente bela por sinal, alguém diferente de todos que já conheci. E você o que vê nos meus?

— Uma mulher que merece ser amada durante dias a fio, por um homem que lhe deseje acima de todas as coisas. — ele arrastou seu nariz em meu pescoço, sentindo meu cheiro entranhar em suas fossas nasais.

— E seria você esse homem, Alteza? — eu gemi ao sentir sua mão massageando meu seio.

— O único que irá tocá-la pelo resto de nossas vidas. — ele sussurrou em meu ouvido.

— Acho melhor... Procurarmos um quarto, Edward. — falei quando ele começou a desamarrar os laços de meu vestido.

— Essa é uma idéia da qual não posso discordar. — ele agarrou minhas pernas e as envolveu em seu quadril, levou-me para um dos quartos, sem nem ao menos olhar qual e colocou-me na cama. — Não posso mais esperar para ter meu corpo sobre o seu...

— Venha meu príncipe russo. Pegue o que lhe pertence. — fechei meus olhos e senti seu peso sobre o meu corpo. — Amo-te, Edward. Por toda a eternidade esse sentimento nunca vai acabar.

— Eu também te amo. Você é tão doce. — ele disse beijando meus lábios. — Poderia ficar por toda minha vida sentindo seu gosto. — ele acariciou meu lábio inferior com seu polegar, deixando a pele sensível avermelhada com o contato dele. Seu olhar quente e penetrante viajando de meus olhos para minha boca.

Ele apertou minha cintura e levantou a barra do meu vestido. Seu olhar percorreu minhas pernas e ele gemeu. Minhas pernas estavam molhadas pelos meus sulcos.

— O que foi? — eu perguntei, sustentando meu peso com meus cotovelos na cama.

— Você se importa de pularmos os preliminares? Acredito que passar muito tempo preso em uma carruagem, sem poder tomá-la como minha, deixou-me um pouco ansioso.

Eu sorri.

— Nem um pouco. Já estou queimando de desejo desde que entramos naquela maldita carruagem.

— É uma bruxa mesmo, está me deixando enfeitiçado por você. — ele começou a abrir sua calça com pressa e um botão voou longe, segui o percurso do mesmo, que parou próximo a uma parede, onde tinha um ursinho e reparei na decoração do quarto.

— Edward... de quem é esse quarto? — olhei em volta e estranhei o fato de ter unicórnios desenhados na parede e brinquedos espalhados por todo canto.

Ele olhou em volta.

— De minha filha. — ele disse deitando em cima de mim.

Filha? Ele tinha uma filha? E por que ele havia escondido isso de mim?

— Você tem uma filha?

— Sim. — ele beijou meu pescoço, enquanto suas mãos subiam meu vestido.

— E você não pensou em me contar isso?

— Ela não mora mais aqui, não achei que tivesse importância. Nós não somos muito íntimos.

— Então não iria me contar? — perguntei irritada.

— É claro que eu iria, só que não agora. Não tem como eu esconder uma filha.

— Quando então?

— Quando voltasse do palácio de meus pais.

— Por que só até lá? — eu segurei sua cabeça para que ele não se enterrasse em meu pescoço e fizesse com que me esquecesse de suas mentiras.

— Ela mora com eles. — ele suspirou. — Eu ia trazê-la para que vocês se conhecessem.

— Ótimo. Há mais alguma coisa que você esconda de mim? — perguntei com os braços cruzados tampando meus seios.

— Não. — ele suspirou e rolou para o lado da cama, quase caindo, pois a cama não era muito grande. — Não faremos amor hoje, não é?

— Não. — levantei da cama e bufei. — Estou em greve...

Levantei da cama e sai deixando-o praguejar o quanto quisesse. Onde já se viu? Ter uma filha e não me contar até o ultimo momento. Ele que me aguardasse. Será que eu só consigo me envolver com homens ordinários? Embora nada em Edward fosse igual a Dimitri, homens não prestavam em nenhum lugar do mundo. Eles eram acostumados a pensar mais com as partes de baixo, do que com a cabeça.

— Isabella! — ele gritou.

— Não quero falar com você. — gritei de volta e em um segundo estava no quarto que ele havia me mostrado como nosso. Tranquei a porta e deitei na cama. Ele começou a bater na porta. Estava tão furiosa que poderia quebrar todo esse castelo. — Juro por Deus que se você tentar arrombar essa porta eu volto para Londres.

Ele parou e escutei seus passos se afastando da porta. Outra porta se bateu. Ele havia ido para outro quarto e ainda por cima resmungando. A única pessoa com direito a ter raiva era eu. Não falaria com ele até que ele voltasse do palácio de seus pais. Tudo que eu tinha que fazer era ficar presa nesse quarto, esperando ele sair.


Notas finais
Deixem reviews e recomendações.
Amei as recomendações, obrigada a:
anzampoli
Nathallya Faria
Rayana Oliveira
Por deixarem o que mais ninguem deixou. Aprendam com elas.
bjs a todas.
Gente eu achei uma fic que parece ser boa.
http://www.fanfiction.com.br/historia/146285/Love_Desire_and_Complicity
E pediram para mim promover essa aqui:
http://www.fanfiction.com.br/historia/174540/Amor_De_Primavera/ageconsent_ok