Maldito vampiro.
20 Cabana do amor
Capítulo 19
São Petersburgo, Palácio Peterhof.
— O que houve? Vai ficar aí parada? Olhando-me como um dois de paus. — perguntei exasperada.
Tatyana estava me encarando do outro lado do quarto, olhando-me com aquela expressão tão comum nela que já estava me irritando.
— Ele não vai ficar com você. Você sabe, não é? — ela riu amargamente. — Ele fez à mesma coisa comigo. Sempre tão carinhoso... Prometendo me amar para “todo o sempre”, mas tudo não passa de uma doce ilusão.
— E você veio aqui para que? Para me avisar pela a sua bondade, ou pela fraternidade feminina? Eu não acredito em você.
— Não? O problema é seu. Mas não chore sobre o leite derramado quando ele a abandonar. — ela aproximou-se de mim com suas mãos atrás de suas costas. — Por sua causa, eu não vou poder mais morar aqui. Eu sei que foi você a culpada.
— É claro que fui eu. Você acha que iria viver sobre o mesmo teto que uma cobra como você. — e sorri para ela em deboche.
Ela me olhou com ódio. Um brilho chamou minha atenção no momento em que levantou suas mãos e empunhou um punhal em minha direção. Eu segurei seus braços e os apertei para que ela soltasse o punhal. Essa ordinária estava mesmo tentando me matar? Ela só poderia estar sonhando ou tendo um delírio.
— O que acha que está fazendo, hum? — eu perguntei, arrancando o punhal de suas mãos e o jogando longe. Ela ficou surpresa com minha força obviamente, mas seu estado de letargia acabou rapidamente e ela tentou correr para o local onde a arma estava, mas eu a segurei pelos cabelos. — Eu quero uma resposta.
— Tirando você do meu caminho, sua puta inglesa. — ela gritou tentando se solta e cuspiu em meu rosto.
— Ora, que jeito mais rude de falar comigo. — eu a puxei mais contra mim e mordi seu pescoço. Ela agarrou meu braço e tentou perfurar minha pele com sua unha, mas elas quebraram antes mesmo que conseguisse causar um arranhão em minha pele.
— O que está fazendo? — ela sussurrou; eu tenho a escolha de dar prazer a uma pessoa, mas também poderia causar muita dor com minha mordida. Era justamente isso que eu estava fazendo.
— Estou lhe dando uma lição. — disse passando minha língua nas feridas tomando mais de seu sangue até que ela ficasse com o corpo frio. Mordi meu polegar e passei meu sangue ali para que as feridas se fechassem. Eu a empurrei para longe de mim quando tive o suficiente dela. Seu corpo cambaleou pela sala e ela caiu de joelhos no chão. Ela ficaria muito fraca durante dias, o suficiente para não me oportunar.
— Que tipo de monstro é você? — ela olhou-me com os olhos arregalados com uma expressão de puro medo.
— O tipo de monstro do qual você não vai querer mexer. — eu segurei seu rosto e a obriguei olhar para mim; meus olhos brilharam vermelhos em sua direção. — Você saberá o que sou, mas não contará a ninguém. Toda vez que tentar abrir a boca para falar a verdade, sua voz não sairá de sua boca venenosa.
— Sim. Eu não falarei nada. — ela concordou ainda presa sobre a força de meu olhar.
Ela desmaiou. Antes que caísse no chão e batesse com a cabeça na mesa eu a salvei. Carreguei-a para o sofá e a deixei dormindo ali. Ela estava em meu caminho. Essa mulher ainda seria uma dor de cabeça desgraçada, mas eu não poderia fazer nada com ela, por que ela era a mãe da filha de Edward.
— O que está havendo aqui? Senti cheiro de sangue... — Eric entrou na sala e estancou quando a viu. — O que você fez?
— O que eu fiz? Foi ela que entrou com uma faca aqui e tentou me matar. Essa mulher é uma desequilibrada.
— Você a sugou? — ele pôs a mão no pescoço dela, onde se encontrava a pulsação dela, que no momento estava bastante fraca, mas ela iria sobreviver.
— Sim. Ela se debatia todo o tempo. Tive que fazer com que ela parasse de alguma forma. E tinha que dar uma lição a ela, para que aprendesse a não mexer com as pessoas erradas.
— E seu ciúme não teve nada haver com isso, não é?
— Que bobagem, eu não sinto ciúmes.
Ele arqueou a sobrancelha e me encarou.
— Um pouco talvez.
— Dane-se. — ele a pegou no colo sem o menor esforço e a levou para o quarto dela. — Vou deixá-la lá em cima. Você apagou a mente dela?
— Sim. — menti.
— Ótimo, menos um problema. Vou falar com Edward para que a tire daqui. Estou muito velho, para ter problemas nessa altura da vida. — ele gargalhou da própria piada e foi embora com a russa nos braços.
***
— Isabella. — eu estava deitada de lado na cama já algum tempo, com um livro de romance nas mãos; logo após o incidente na sala de estar do castelo, eu me tranquei em meu quarto.
Já estava no meio da tarde durante o ocorrido, desde então eu estava lá em cima, no segundo andar do palácio que na verdade, mais parecia um palácio da nobreza francesa, só que muito mais fina e elegante. Sem toda a decoração ostentosa e exagerada dos franceses.
Eu senti Edward chegar, desde quando ele atravessou a porta do hall principal. Ele entrou no quarto, meia hora depois. Eu ouvi quando Eric o chamou, assim que alcançou a longa escada para o segundo andar e lhe contou do ocorrido.
Ele entrou no quarto e fingi que estava dormindo.
— Isabella? — ele beijou minha bochecha e tirou meus cabelos do rosto. — Está acordada, amor?
— Talvez. — eu disse sem abrir os olhos. — Por que você quer saber?
— Por que eu tenho uma coisa em mente, que eu gostaria muito de sua ajuda.
— O que? — eu abri um olho.
Ele sorriu e beijou meus lábios.
— Encontre-me lá em baixo, daqui a vinte minutos. Nós iremos sair.
— Agora? — eu dei um pulo da cama e o olhei animadamente, não agüentava mais ficar presa neste palácio sem nada para fazer.
— Sim, vou recompensá-la por ficar presa aqui o dia inteiro e pelo acontecido dessa tarde.
— Oh, Eric lhe contou. — eu perguntei limpando uma poeirinha imaginária de meu vestido, embora eu já soubesse que Eric havia contado.
— Sim, não se preocupe. Ela não fará mais nada a você, enquanto estiver na Mordóvia. Foi ela quem pediu por isso.
— Tem certeza?
— Claro. Agora se arrume, nós sairemos daqui a vinte minutos.
— Sim, Alteza. — disse me encurvando sedutoramente e mostrando a curva de meus seios. Ele sorriu e me beijou intensamente, antes de nos separar.
— Ah, diaba. Não me provoque. — eu soltei uma risadinha.
— Preciso me arrumar? Devo pôr algo em especial?
— Não, você só precisa por algo quente. Um casaco de pele talvez.
— Eu não trouxe nenhum. — disse envergonhada.
— Não tem problema, pegue um dos meus. Estão no quarto contíguo, de qualquer maneira, iremos a um lugar abastado do resto da população.
— Onde fica? — não pude disfarçar minha curiosidade.
— É um segredo, Moya Lyubov. Se eu lhe contasse, não seria mais uma surpresa.
— Oh, conta, por favor! — eu juntei minhas mãos na frente de meus seios e implorei. Sempre fui muito curiosa, coisa que sempre me meteu em grandes confusões desde que eu era pequena e ter me tornado uma vampira não mudou esse lado de minha personalidade.
— Nada disso. — ele me deu um beijo na testa e passou pela porta correndo de meu interrogatório.
— Ora, mas que... — entrei em seu quarto e procurei pelo armário; diferente do meu, o quarto de Edward era do jeito que um quarto de homem devia ser: bastante rústico e de aparência sóbria, embora eu conseguisse ver muitos objetos de Edward. O quarto estava quase frio, Edward só o usava para guardar as roupas, pois dormia todas as noites comigo.
Peguei um casaco qualquer, embora eu não sentisse frio como os humanos, eu deveria disfarçar. Desci até o hall onde ficava a porta principal e Edward me esperava com uma cesta em mãos. Ele sorriu a me ver descendo as escadas, e estendeu uma de suas mãos para que eu a pegasse. Eu a aceitei de bom grado. Ele me conduziu até uma carruagem simples que estava em frente do palácio.
Ajudou-me a entrar, mas não sentou a meu lado.
— Não virá comigo? — perguntei. — Está uma noite muito fria aqui fora.
— É claro que vou querida. — ele rolou os olhos. — Mas não quero ninguém nos atrapalhando, por isso eu mesmo irei conduzir a carruagem.
— Você sabe? Não desejo morrer jovem, entendeu? — disse brincando, mas minha preocupação era com ele. — Por que tanto mistério?
— Por que eu decidi que não venho lhe tratando muito bem. Eu vou lhe recompensar, por isso deixe de ser curiosa e feche essa portinhola.
— Tudo bem, Alteza. — respondi e fechei a portinhola.
Já estávamos em movimento havia algum tempo e entravamos cada vez mais em uma floresta perto da propriedade. Ele parou um uma clareira e eu abri a porta ao ver que não avançaríamos mais.
— Então... esse é o lugar que queria me mostrar? — ele rolou os olhos novamente e me pegou pelo braço.
— Mas é obvio que não, Isabella. Só deixarei a carruagem aqui, pois ela e os cavalos não passam pelo o caminho que seguiremos.
— Oh, e qual caminho seria esse?
Ele apenas riu e me puxou delicadamente para mais fundo daquela floresta escura. Ele parecia conhecer bem o local, pois em alguns minutos chegamos a uma pequena cabana. No meio da floresta? Quem diria?
— Passaremos um dia inteiro aqui. — ele disse. — Apenas eu e você. Longe de problemas e de confusões.
— Edward. Ela é linda. É sua? —era uma pergunta tola, obvio que era dele. Essa cabana feita de madeira e simples era o tipo de lugar que eu gostaria de viver quando ainda era humana.
— Meu pai vinha aqui com minha mãe, antes de meu pai ser coroado o Czar da Rússia. Ele e minha mãe conceberam Tanya bem aqui.
— Nossa. Ela está habitável?
— Sim, eu a mantenho limpa constantemente. Os criados limparam e trouxeram a lenha para botarmos na lareira para não morrermos de frio. Venha, antes que congelemos aqui fora. — nós entramos na cabana que parecia um lugar muito confortável. Ela era toda feita de madeira, havia uma cama no meio, grande o suficiente para nós dois, e uma lareira gigante feita de pedra.
— Seu pai que mandou construí-la?
— Não, ela já estava aqui quando ele adquiriu a propriedade. Dizem que pertenceu a uma bruxa. — ele disse, enquanto acendia a lareira e colocava mais lenha. — Assusta-te histórias de bruxas? Acredita que elas existam?
— Nem um pouco. Para a primeira pergunta. E sim, eu acredito em bruxas. — eu disse sinceramente, depois de ter virado uma vampira, eu não duvidava de mais nada. — E você acredita? — sentei-me na cama, que estava somente com um pouco de poeira, mas logo eu a limpei.
— Oh, mais é claro. — ele sorriu e veio em minha direção, inclinando seu corpo sobre o meu. — Eu me apaixonei por uma. Ou você esqueceu que me enfeitiçou na noite em que nos conhecemos. — ele me deu um beijo nos lábios e logo se afastou para pegar a cesta que ele havia deixado no chão, próximo à porta.
— Você acha que eu o enfeiticei? Então o que acredita que você fez comigo?
— Eu a seduzi. — ele deu de ombros. — Foi bastante fácil na verdade.
— Imbecil. — eu joguei um travesseiro nele, que desviou facilmente.
— Ei, é brincadeira. Você foi osso duro de roer. Está melhor assim? — ele gargalhou e eu não pude evitar em fazer o mesmo.
— Você é um libertino. Eu me apaixonei por um libertino. — suspirei. — Você acredita que seria feliz com Rosalie?
— Não. Nunca poderia ser feliz sem você. — ele pegou duas taças de dentro da cesta e logo após uma garrafa de vinho. O rótulo parecia bastante envelhecido, o que prometia um sabor delicioso. — Por que isso agora?
— Por nada. Só estou pensando o que seria de nossas vidas se nunca houvéssemos nos encontrado.
— Pois então não pense. — ele encheu as taças e entregou uma para mim.
— Agora quer controlar meus pensamentos? — eu bebi o liquido escuro que, embora não me saciasse, era uma das poucas coisas que não me embrulhavam o estomago ao ingerir.
Sempre comi normalmente na frente dos humanos, embora a comida entrasse por minha boca não havia uma saída. Era como se meu organismo autodestruísse os alimentos que eu não usaria em meu corpo. No caso só o sangue era aceito, contudo durante essa semana eu vinha vomitando boa parte do sangue que ingeria das criadas de Edward.
— Quando pensas besteiras, sim. — ele retirou a taça de minha mão e a colocou junto da sua sobre a lareira.
— Está tentando embebedar-me? Pois saiba que sou muito forte para bebidas. — escorreguei para trás na cama, enquanto ele retirava suas vestimentas. — Ora, sabia. Seu plano desde o começo era seduzir-me. — disse fingindo-me ultrajada.
— Você já está seduzida, amor. Como eu já lhe disse em outro momento... Eu causo esse efeito nas mulheres. — ele pegou meus dois calcanhares e puxou-me pela cama, até que eu me encontrasse deitada sobre ela, ofegante e com pensamentos nada puros.
— Espero que, não tenha praticado seus dotes com outras mulheres, meu amor.
— Oh, não. Mas pense nas outras mulheres como experiências. Se elas não tivessem existido, eu não seria tão bom em satisfazê-la. Mas minhas melhores armas eu guardei apenas para a senhora de meu coração. — ele disse enquanto por cima de mim, desprendia os botões de meu vestido, expondo meus seios a seu bel-prazer. — Diga-me... — ele beijou meu mamilo túmido e logo o sugou, arrancando de mim um gemido vergonhoso.
— O que... Ahh! — ele rasgou um pouco meu vestido, na ânsia de tirá-lo rapidamente.
— Alguma vez sentiu prazer nos braços de outro homem além de mim?
— Não, você foi o único. — eu lhe disse de olhos fechados, estava aproveitando cada momento de nossas caricias.
Ele tomou meus lábios furiosamente, pois a paixão que nos dominava era mais forte que qualquer outra coisa. Ele se deliciava com meus toques, assim como eu com os dele. Disse-me durante toda a noite, palavras doces e para muitos, impudicas, por se tratar expressões de desejo que somente um casal apaixonado era capaz de compreender. Disse o quanto me amava e retribui todos os seus sentimentos.
Ele tomou-me lenta e delicadamente, para logo alternar para as fortes e impacientes estocadas. Todas as nossas noites foram especiais e repletas de descobrimentos. Ainda sim, eu poderia lembrar-me dessa noite em especial, por toda a minha vida. Fora uma despedida. De certa forma, antes de o mundo desabar, não muito tempo depois. Pelo menos o meu mundo. O amor de Edward era o meu mundo.
— É o único. — sussurrei enquanto era tomada pelo êxtase.
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