Maldito vampiro.

19 Arranjando uma Pária.


Capítulo 18

Murmansk, 1822.

Dimitri


— O senhor a encontrou? — Alistair perguntou.

— Não, mas planejo fazê-lo tão breve que ela não terá tempo o suficiente para aproveitar sua escapada. — Dimitri respondeu. — A farei pagar por isso.

— Quanto tempo, nós passaremos aqui?

— Até conseguirmos pegar algum rastro dela. Eu sinto que ela está muito próxima. Posso cheirá-la. — Dimitri aspirou o ar com os olhos fechados como se realmente

— E se não conseguir achar nada que indique que ela esteve aqui? — Alistair, estava tão ansioso quanto Dimitri, para encontrar Isabella. Tomá-la novamente valeria qualquer humilhação. Sentir o perfume de fêmea que saía de sua pele, seu hálito, seus cabelos, sua feminilidade.

Ele havia se fartado com cheiro dela. Ainda podia sentir em seus dedos, os mamilos eriçados dela, que ele tinha feito questão de degustá-los. Ele queria se vingar dela e contar sobre o homem que ela copulou na biblioteca daquela festa. Mas a ira de Dimitri com certeza o acertaria se ele soubesse que seu servo além de deitar com sua mulher, havia a acobertado também. Foi uma sorte o jardineiro ter se adiantado a contar sobre o russo.

Alistair estava no caminho da porta, para sair do quarto da estalagem em que estavam.

— Alistair. — Dimitri chamou seu servo, mais antigo.

— Sim, meu senhor?

— Eu não compartilho o que é meu. — Dimitri, disse pegando uma garrafa de vinho que estava em sua bagagem, vinho esse que estava misturado com o sangue que ele havia roubado do corpo de uma das arrumadeiras da estalagem.

— Certamente que não, meu senhor. — Dimitri sabia que não poderia confiar em Alistair. Ele aprendera com o melhor, como dissimular e ser cruel.

Mal sabia Alistair, que o aprendiz nunca, superaria o mestre. Dimitri era a prova viva disso. Ele não derrotara seu próprio mestre. Ele ainda fugia. Assim como, seu mestre ainda o procurava. O mestre de Dimitri era num parvo. Acreditava que eles poderiam mudar o que eram. Poderiam não tomar sangue humano; quando percebeu que seu amado servo, Dimitri, não seguiria seus passos, Hamish tentou tirar-lhe a vida. E embora Hamish fosse contra tomar o sangue dos humanos como alimento, ele era cruel mesmo assim, matava humanos de qualquer forma e era ainda mais cruel com os vampiros sobre o seu poder. Ele tinha aversão aos humanos, depois que esses mataram e perseguiram sua mulher.

Dimitri fugiu da escócia para a Inglaterra, após ter passado séculos ao lado de seu mestre. Nunca mais ouvira falar dele. Só sabia que ele ainda estava vivo e o temia, pois era o único que conhecia que, superava sua força.

— Meu senhor? Posso me retirar? — Dimitri por um momento havia esquecido que Alistair estava ali no quarto. Ele tinha que parar com aqueles esquisitos momentos de reflexão, que estava fazendo com que ele ficasse distraído e vulnerável.

— Vá! Vá! Não quero olhar para sua cara até que encontre algum rastro de Isabella. — Dimitri berrou.

— Mas não posso procurar durante o dia, meu senhor. As pessoas costumam a estar frequentemente fora de casa, quando o sol ainda está raiando.

— Acaso disse que era para você procurar de dia? Saia de minha frente. — Dimitri o empurrou para fora e quebrou a garrafa contra a parede, estava perdendo o controle, ele sabia disso.

Isabella estava desaparecida e já poderia ser tarde de mais. Ele passou séculos cuidando dela e agora, seus planos para ela estavam indo pelo ralo. Escorrendo por seus dedos tão rapidamente quanto à água, levando o pouco de racionalidade que mantinha. Se aquele humano estúpido tivesse...

Ele não queria pensar nisso, se não mataria cada humano nessa estalagem e não estava com tempo para encontrar outra no momento. Tinha que recuperar Isabella. Havia uma semana que ela fizera quinhentos anos, e se permanecesse longe dela por mais tempo, o desgraçado iria...

Alguém bateu em sua porta.

— Quem é? — ele podia cheirar o odor de uma fêmea humana. Havia uma atrás da porta, uma que não tomava banho freqüentemente por sinal.

Ele abriu a porta. E deparou-se com a filha do dono da estalagem. Uma fedelha com não mais que dezesseis anos o olhava com timidez.

— O que quer? — ela levantou o olhar assustado para ele.

— Me — meu pai mandou vim ver se o senhor precisa de algo. — ela perguntou em russo, ele só entendera por ter passado cinquenta anos de sua imortalidade vivendo entre esses ratos de esgoto. Ele provavelmente dominava a língua melhor do que essa porca russa.

— Eu pareço precisar de algo? — perguntou, no mesmo dialeto que ela, irritadiçamente.

— Não, senhor?! — ele a encarou com a sobrancelha arqueada. Ela passou as mãos tremulas em seu peito. — Meu pai pediu... — ele divertiu-se com a tentativa da garota de seduzi-lo.

— Não me interessa o que seu pai pediu. — ele a empurrou contra a parede do outro lado do corredor da estalagem e segurou em seu pequeno seio. — Diga a ele, que não quero me deitar com a porca da filha dele. Diga que eu não gosto de pessoas que não tomam banho, muito menos de criancinhas sujas e burras.

— Por favor! — ela sussurrou assustada.

— Por favor, o que? — ele continuou a massagear o seio da pobre menina com violência e com extrema força, deixando o local dolorido. — Não foi para isso que veio aqui? Diga-me, com quantos homens nessa estalagem você já dormiu?

As lágrimas escorreram dos olhos da menina sem que ela pudesse conte-las. Ele estava se vingando nela, como gostaria de fazer com Isabella. Essa menina foi escolhida como a pária da vez.

— Milorde? — o dono da estalagem apareceu pela curva do corredor e olhou com os olhos arregalados para Dimitri. — O que essa imbecil fez dessa vez? — o pai não se preocupava em nada com a filha e assumira que a culpa da raiva de Dimitri fosse dela. Pobre garota! Mais tarde seria vitima dos abusos de seu próprio pai.

— Diga a ele. — Dimitri sorriu sadicamente. — Diga a ele o que eu lhe disse. — ele iria a humilhar como fazia com Isabella.

— Ele disse... que não gosta de crianças sujas e burras como eu. — ela disse de cabeça baixa.

— Ora, não sabe tomar banho? — o pai perguntou envergonhado, mas com um brilho de raiva no olhar.

— É que está muito frio.

— Não me venha com desculpas. — ele a puxou pelos cabelos e a empurrou pelo corredor. — Tome um banho e espere-me em meu quarto.

— Sim, papuska. — ela correu chorosa, mas antes lançou um olhar ao pai... um olhar que encantou a Dimitri.

— Sinto muito, Milorde. Ela não irá mais incomodá-lo.

— Quanto você quer por ela? — Dimitri perguntou de súbito.

— Como? O que disse? — o homem russo o olhou surpreso.

— Não gosto de me repetir. Vai dizer seu preço ou não? E não pense em cobrar muito caro, pois ela é mercadoria de segunda mão. Já foi usada muitas vezes. E está mais do que estragada.

— Senhor, como vou entreter meus hospedes? Ela me é muito valiosa... — o homem o olhou com um fingido olhar inocente. Edward não gostava desse traste, tanto quanto não gostava dos ratos.

— Pago dez libras por ela. — disse Dimitri impaciente.

— Dez libras? É muita generosidade, Milorde. — ele disse sorrido de orelha a orelha, os dentes podres não eram escovados há anos.

— Traga-me ela de banho tomado, logo que amanhecer. Ela será a serva de minha esposa.

— Sim, Milorde. — o homem disse alegremente pelo o negocio satisfatório e já se afastava quando Dimitri o chamou mais uma vez.

— Não quero que a use essa noite, nem nenhuma outro hospede, traga-me ela sem nenhuma marca, ou sujeira, quando eu for embora. E fecharemos o negócio logo. — Dimitri ia deixá-lo ir, mas antes disso o puxou pela gola. — Pensando bem, eu acho que levarei sua filha de graça mesmo.

— Mas... Que brincadeira é essa? Milorde prometeu-me dez libras por ela; não posso deixar o senhor levá-la se me pagar o preço cominado.

Dimitri sorriu violentamente. Homem engoliu em seco e o olhou com os olhos apavorados. Os olhos de Dimitri brilharam vermelhos. E o homem viu-se preso em seu olhar.

— Você me dará a sua doce filhinha de graça e terá sorte se eu o deixar vivo. Você entendeu? — o homem acenou com a cabeça, ainda preso na compulsão de Dimitri. — E mais uma coisa. Quero que você vá de encontro a cada hospede dessa pocilga e pergunte se alguém viu uma inglesa ruiva, acompanhada de um homem russo, entrando na Rússia.

O homem se curvou e correu corredor a fora. Dimitri entrou de volta no quarto e sentou-se em uma poltrona velha que havia ali. Não sabia exatamente por que resolveu levá-la com ele, mas uma coisa era certa... algo no olhar daquela menina lhe disse que ela poderia ser muito mais do que como a filha prostituta de um porco. Ódio brilhava em seu olhar, revolta, um brilho muito parecido com o seu próprio, antes de ser transformado e ter tido a chance de se vingar de seus inimigos.

O homem voltou em menos de uma hora. Afoito para detalhar a Dimitri o que tinha descoberto. Antes que pudesse bater na porta, Dimitri abriu a porta assustando ao homem, que caiu para trás no chão.

— Milorde, alguém viu a mulher. O moço da estrebaria disse que uma mulher com essas descrições passou aqui em uma carruagem à noite. Eles trocaram os cavalos e partiram logo em seguida.

Dimitri controlou seu ódio. Ele estava cada vez mais perto de encontrá-la e quando isso acontecesse...

— Para onde eles foram? — Dimitri perguntou com a voz dura.

— Provavelmente para O Palácio Peterhof, Milorde.

— Palácio Peterhof, o que diabos minha mulher foi fazer lá? — Dimitri o olhou com o cenho franzidas.

— Sim, Milorde. É onde o príncipe Edward Romanov vive. Embora ele não passe muito tempo lá...

— Edward Romanov? — ele o olhou furioso. — Você está me dizendo que minha mulher fugiu para Rússia com a merda de um príncipe?

O homem deu de ombros. Dimitri o expulsou aos berros de onde estava jogando-o para longe do corredor.

— Alistair! — ele gritou.

Alistair estava em um segundo ao seu lado. Seus cabelos loiros bagunçados e cheirando a sangue fresco.

— Eu encontrei aquela puta. Chame os outros, iremos para São Petersburgo.

— Você descobriu? Como? — Alistair o olhou com os olhos azuis arregalados.

— A maldita fugiu com um príncipe russo. Vamos arrancá-la de sua bolha de felicidade assim que chegarmos lá.

— Sim, senhor. — Alistair andou para fora do corredor para chamar aos outros. Um sorriso nos lábios o tempo todo.

— Eu disse que iria encontrá-la. Você não acreditou, Isabella. — Dimitri olhou para a lua pela janela, que iluminava a noite ali do céu. — Que a caçada comece.


Notas finais
Oi, amores. Capítulo novo enfiado no meio da história. Agora é que a coisa vai ficar boa. Mandem reviews e recomendações.