Está decidido.

Ia ignorar a presença de Victor na casa. Afinal, eu não poderia coloca-lo na rua. Ou será que podia! Hum… terei de pensar nisso. Enquanto isso, o que farei com aquele pedaço de mau caminho que, continua a fitar-me de uma forma que me faz sentir borboletas na barriga! Talvez encontre uma forma de resisti-lo. Mas como? Será que ele sai se eu o expulsar? Subi o meu olhar pelo seu corpo até o seu rosto. Um sorriso, involuntário, rasgou-se nos meus lábios e o olhar de Victor brilhou de satisfação quando os nossos olhos se cruzaram.

Virei-lhe as costas e tentei ignora-lo. Enchi um copo de sumo de laranja. Tirei as tostas da tostadeira e coloquei tudo num tabuleiro. Satisfeita com o resultado dirigi-me para a sala.

Suspirei de alivio quando reparei que o Victor não estava na porta da cozinha e nem na sala. Sentei-me no sofá com o meu tabuleiro nas mãos, abri a televisão e fiz zapping até encontrar o canal que desejava. Fox era o meu canal preferido. Mas naquele momento, não estava a dar nenhuma das minhas séries preferidas. Então, decidi pelo Disney Channel. Estava habituada a ver esse canal quando ficava com os filhos da minha amiga Beatriz. A coitada era mãe solteira de dois filhos. A Catalina de seis anos e o pequeno Gabriel de dois anos. Ela é enfermeira num hospital pelo que trabalhava por turno e com horários rotativos. Por isso, na maioria das vezes acabo por ir a casa dela ficar com as crianças durante a noite. Nos últimos dias, passava mais tempo na casa dela do que na minha.

Senti passos no meu quarto.

Ele estava no meu quarto a minha espera.

Mas que safado!

Se o Victor pensa que vou dormir com ele, está muito enganado. Chega três anos depois de me ter deixado. Ele pensa que as coisas vão continuar no ponto onde o deixou? Como se esse três anos não tivesse acontecido? Isso é que não. Tenho de pensar numa forma de escapar. A casa só tem um quarto. Mas, o conheço o suficiente para saber que ele detesta dormir no sofá. O Victor vai dar-me a volta. Ele tem uma influência muito forte sobre mim. Eu… eu não conseguirei resistir ao seu charme e ao seu corpo, aqueles lábios, aquele olhar sedutor. Depois de todos esses anos, como será ter as mãos dele sobre o meu corpo de novo. Como será tê-lo dentro de mim. NÃO! Não vou pensar nisso. Tenho de sair dessa casa. Agora! Se não, vou enlouquecer.

De repente, lembrei-me que a Beatriz será a minha salvação. Eu não teria de ficar sozinha em casa com o Victor. Podia simplesmente ligar-lhe. Ela não me recusará ajuda. Peguei no telemóvel e procurei o número dela. Cliquei no nome para chamar. Ela atendeu-me logo.

«Bea! Preciso da tua ajuda» disparei assim que ela atendeu.

«Da minha ajuda? Aconteceu alguma coisa?»

«Oh sim! Nem imaginas. Mas não te posso contar agora.» disse «Posso ir dormir a tua casa hoje?»

«Paolla! O que aconteceu?» questiona ela com um tom de preocupação na voz «Desembucha!»

«Agora não. Na tua casa conto-te tudo.»

«Então o que estás a espera! Vem logo.» retorquiu curiosa «Já devias estar a caminho.»